PUC-Campinas surge na contramão de educação tecnicista

As transformações da Universidade em seus 75 anos de atividades estiveram no centro dos debates da Semana Monsenhor Salim

Por Amanda Cotrim e Eduardo Vella

Mais do que realizar uma semana biográfica sobre o primeiro Reitor da PUC-Campinas e um dos idealizadores da Universidade, Monsenhor Salim, o objetivo do evento, que integra  as comemorações dos 75 anos de atividades da PUC-Campinas, foi mostrar para os alunos as transformações da Universidade, quando ainda era Faculdades Campineira, na década de 1940, até tornar-se Pontifícia Universidade Católica, na década de 1970, como esclarece a Diretora da Faculdade de História e Coordenadora do Museu Universitário, Profa. Dra. Janaína Camilo, departamentos esses responsáveis pela promoção do evento, que aconteceu entre os dias 13 e 17 de junho, no Auditório do novo Prédio do Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (CCHSA).

A Semana Dr. José Emílio Salim trouxe palestras que buscaram refletir sobre momentos históricos nacionais e internacionais e a relação com a história da Universidade, como foi o mote da mesa “Monsenhor Dr. Emílio José Salim e o seu tempo (1941 a 1968)”, a qual contou com a participação dos docentes da Faculdade de Ciências Sociais, Prof. Dr. Márcio Roberto Pereira Tangerino, e da Faculdade de História, Prof. Dr. Lindener Pareto Junior, no dia 15.

Quando a Universidade nasce, a lógica da educação nacional era “tecnicista”, com o advento de cursos e escolas técnicas para formar uma força de trabalho para um Brasil que começava a se industrializar, contextualiza Janaina. “Nesse aspecto, a PUC-Campinas foi na contramão da lógica educacional, criando cursos de Filosofia, História e Letras e privilegiando um ensino humanista”, acrescenta.

Monsenhor Salim foi peça-chave da organização da maioria dos cursos superiores da Igreja nas décadas de 1940 e 1950 e tornou-se o principal esteio do projeto de implantação das Faculdades Campineiras e seu primeiro Reitor, entre os anos de 1958 a 1968.

De acordo com o Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da PUC-Campinas, Dom Airton José dos Santos, Monsenhor Salim foi um homem além do seu tempo. “Ele nos inspira para que as pessoas que se dedicam à PUC-Campinas hoje não olhem apenas para o tempo presente, mas ampliem seu horizonte na história. Estamos aqui semeando para o futuro”, constatou.

Ações do Monsenhor Salim

As ações de Monsenhor Dr. Emílio José Salim foram abordadas por docentes de diversas áreas do conhecimento, que analisaram a época de atuação do ex-Reitor e também por amigos, que conviveram com o religioso, como foi o caso da Profa. Me. Maria Salete Zulzke Trujillo e do docente da Faculdade de Direito, Dr. Francisco Vicente Rossi, que conviveram com o Monsenhor Salim.

“Homenageamos não somente a pessoa, mas as ações do Monsenhor Salim e as influências que ele recebeu nacional e internacionalmente”, esclareceu a Diretora da Faculdade de História.

O evento também trouxe um debate sobre relação entre a Ciência e a Fé conduzido pelo Coordenador do Programa de Pós-Graduação “Stricto Sensu” em Ciências da Religião, Prof. Dr. Padre Paulo Sérgio Lopes Gonçalves e pelo docente da Faculdade de História, Prof. Dr. João Miguel Teixeira de Godoy, abordaram, com o tema “Religião e Educação (1930-1960): uma ampla perspectiva”. A mesa foi marcada pela narrativa que remontou a história educação de ensino superior no Brasil, nas palavras de Prof. João Miguel, seguida por uma análise da transcendência humana a partir da teologia e da fenomenologia, na fala do Prof. Pe. Paulo Sérgio.

Padre Paulo Sérgio destacou que todo homem é um ser histórico, uma vez que suas ações impactam no entorno e vice-versa, ressaltando a ação de Monsenhor Salim na Igreja Católica e lembrando sua importância para o surgimento da PUC-Campinas.

O Vice-Reitor da Universidade, Prof. Dr. Germano Rigacci Junior, analisou que a Semana dá continuidade aos eventos de celebração dos 75 anos e reconhece que alunos, professores e funcionários construíram a Universidade até aqui. “Monsenhor Salim teve papel muito importante no início da fundação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, em 1941. Promoveu um trabalho intenso junto à sociedade campineira e à Igreja de Campinas para fundar esta Pontifícia Universidade Católica, tal como é hoje, e que recebe este título a partir de 1972, também por um trabalho muito especial de Dom Agnelo Rossi”, ressaltou.

O evento também abordou o tema “Década de 1940: o surgimento das Faculdades Campineiras”, no dia 14, com o Pe. João Batista Cesário, da Pastoral Universitária, e o Prof. Me. José Donizeti de Souza, Coordenador da Coordenadoria Geral de Atenção à Comunidade Interna.

 Monsenhor Dr. Rafael Capelato finalizou a Semana, na sexta-feira (17), tratando do tema “A educação no Brasil, entre a laicidade e a confessionalidade (1890-1950)”.

Serviço:

Dia 13/07:  “Memórias e Convivências”, ministrado pela Profa. Me. Maria Salete Zulzke Trujillo e pelo Dr. Francisco Vicente Rossi, docente da Faculdade de Direito.

 Dia 14/07: o Pe. João Batista Cesário e o Prof. Me. José Donizeti de Souza debateram o tema “Década de 1940: o surgimento das Faculdades Campineiras”.

Dia 15/07:  Os docentes Prof. Dr. Márcio Roberto Pereira Tangerino, da Faculdade de Ciências Sociais e o Prof. Me. Lindener Pareto Junior, da Faculdade de História falaram sobre “Monsenhor Dr. Emílio José Salim e o seu tempo (1941 a 1968)”.

 Dia 16/07: O Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião, Prof. Dr. Pe. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves e o Prof. Dr. João Miguel Teixeira de Godoy, docente da Faculdade de História, abordaram na quinta-feira (16) o tema “Religião e Educação (1930-1960): uma ampla perspectiva”.

 17/07: O Monsenhor Dr. Rafael Capelato finalizou a semana com a mesa “A educação no Brasil, entre a laicidade e a confessionalidade (1890-1950)”.