Queda nas temperaturas, aumento das doenças respiratórias

Por Armando Martinelli

A chegada do outono, e o consequente início dos meses com temperaturas mais baixas do ano, podem gerar alguns inconvenientes à saúde. Entre os mais comuns estão a proliferação das doenças respiratórias infecciosas e o acirramento das doenças respiratórias crônicas, decorrentes da associação entre a menor dispersão dos poluentes (baixa umidade do ar) com a aglomeração de pessoas em locais fechados. Essas condições são ideais para a transmissão de vírus e bactérias que passam a circular em concentração maior, enquanto o organismo das pessoas tende a ficar com a imunidade mais baixa por conta do ressecamento das vias respiratórias.

As doenças respiratórias infecciosas mais comuns são gripe e resfriado, e algumas das doenças respiratórias crônicas mais recorrentes são asma, bronquite, rinite alérgica e doença pulmonar obstrutiva.

De acordo com o Docente de Pneumologia da Faculdade de Medicina da PUC-Campinas, Prof. Dr. Paulo Roberto Tonidandel, a prevenção é uma das atitudes mais importantes e pode ser feita por meio de simples ações no dia a dia. “Alguns hábitos corriqueiros como lavar as mãos adequadamente e evitar locais fechados e com grande circulação de pessoas podem reduzir o contágio e ajudar na recuperação para quem já está doente”, disse o docente da Faculdade de Medicina da PUC-Campinas.

Ainda para o Especialista, “a boa alimentação e a ingestão de líquidos também são fundamentais, tanto para quem está saudável quanto para quem já apresenta algum sintoma de doença respiratória. Para os já portadores de doenças crônicas, como asma, doença pulmonar obstrutiva crônica entre outras, a melhor prevenção é o adequado tratamento das patologias durante o ano todo”.

Grupos de risco

Os grupos com maior vulnerabilidade são gestantes, idosos e crianças menores de dois anos, além de pessoas com doenças crônicas. Não por acaso são as pessoas com preferência para tomar a vacina da gripe, considerada umas das medidas preventivas fundamentais.

Para as crianças, a temporada de frio pode ser ainda mais prejudicial e, por isso, precisam de atenção especial. “É importante que os bebês sejam alimentados com leite materno, evitem locais com muitas pessoas e fiquem em ambientes limpos e arejados”, completa o Prof. Dr. Paulo Roberto Tonidandel.

Seguem alguns cuidados e dicas para a prevenção

  1. Atente-se às mudanças de temperatura ao trocar de ambiente. Vale sempre ter um agasalho a tiracolo.
  2. A circulação do ar evita a proliferação do vírus. Deixe o ambiente o mais ventilado e arejado possível.
  3. Evite locais fechados e com grande circulação de pessoas.
  4. Ao tossir ou espirrar, cubra a boca e o nariz, preferencialmente com lenço de papel descartável.
  5. Lave as mãos várias vezes por dia, com água e sabonete, especialmente se estiver ou passar por locais públicos. Se não tiver como lavar, higienize com álcool em gel.
  6. Se apresentar febre acompanhada de sintomas como tosse e dor de garganta, procure atendimento médico.
  7. Alimente-se bem, com muitas frutas e verduras e ingestão de líquidos.
  8. Quando gripado, evite contato desnecessário com crianças e recém-nascidos.
  9. As roupas que ficaram por muito tempo no fundo do armário podem ter acumulado poeira e outros agentes causadores de alergia. Lave-as antes de usar e mantenha-as protegidas, em sacos, ao guardá-las.
  10. Mesmo no frio, ingira dois litros de água, diariamente. Ela é indispensável para o bom funcionamento do organismo, incluindo os mecanismos de defesa.

Gripe ou resfriado: diferenças

A gripe é uma infecção mais forte do que o resfriado, costuma durar menos tempo e apresenta mais complicações. A gripe pode ser perigosa em idosos, bebês e pessoas com doenças crônicas. O resfriado, por sua vez, raramente causa complicações sérias, embora também possa impactar no dia a dia das pessoas com sintomas desagradáveis.

Gripe: mais intensa do que o resfriado, caracterizada por dor no corpo, dor de garganta, tosse, geralmente com febre.

Resfriado: tosse, coriza e espirro, sem febre.