Renomada Filósofa Italiana, Angela Ales Bello, visita a PUC-Campinas

Pesquisadora do pensamento de Edith Stein analisa o ensino em ciências da religião e o papel da mulher no mundo acadêmico

Por Eduardo Vella

A Profa. Dra. Ângela Ales Bello, docente da Pontificia Università Lateranense di Roma – Itália – esteve na PUC-Campinas, no início do mês setembro, a convite do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Ciências da Religião.

A Profa. Angela Ales Bello é italiana, filósofa contemporânea, fundadora e diretora do Centro Italiano di Ricerche Fenomenologiche, com sede em Roma, e Professora Emérita de História da Filosofia Contemporânea da Faculdade de Filosofia da Pontifícia Università Lateranense. É especialista na Fenomenologia de Edmund Husserl (1859-1938) e uma das mais renomadas pesquisadoras do pensamento de Edith Stein (1891-1941). Editou pela Città Nuova, em língua italiana, as Obras Completas de Edith Stein.

Edith Stein reforça a igualdade, no que diz respeito a dignidade humana. Crédito: Álvaro Jr
Edith Stein reforça a igualdade, no que diz respeito a dignidade humana. Crédito: Álvaro Jr

O Jornal da PUC-Campinas conversou com a Pesquisadora que falou sobre sua visita à Universidade, a qualidade do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências da Religião da PUC-Campinas, Ensino de Ciências da Religião e Teologia no Brasil e o papel da mulher na vida acadêmica e dentro do estudo da religião.

 Jornal da PUC-Campinas: Qual a motivação de sua visita ao Brasil, especialmente à PUC-Campinas?

Profa. Dra. Ângela Ales Bello: Fui convidada pela PUC-Campinas, em especial pelo Coordenador do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências da Religião da PUC-Campinas Prof. Dr. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves e pela Pró-Reitora de Extensão e Assuntos Comunitários, Profa. Dra. Vera Engler Cury para que pudesse falar de minha experiência filosófica, em especial da Fenomenologia, dentro da disciplina “Tópicos Especiais em Ciências da Religião” e também para estabelecer um relacionamento com a PUC-Campinas, através da Pontificia Università Lateranense di Roma, instituição da qual faço parte.

 Jornal da PUC-Campinas: Qual sua impressão do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências da Religião da PUC-Campinas?

 Profa. Dra. Ângela Ales Bello: Tive uma impressão ótima. Os alunos estavam muito bem preparados e motivados para participar de minhas aulas, compreendendo e participando de forma muito ativa. Foi uma experiência muito interessante.

 Jornal da PUC-Campinas: Faça uma análise sobre o ensino e pesquisa de Ciências da Religião e Teologia no Brasil.

 Profa. Dra. Ângela Ales Bello: Essa área de Pesquisa existente no Brasil é particularmente importante, pois não é ligada somente a uma religião, como a Católica, que caracteriza, por exemplo, a nossa Pontifícia Universidade. Através de outras experiências ligadas ao ponto de vista filosófico, teológico e histórico, o ensino e pesquisa de Ciências da Religião e Teologia permite uma preparação muito ampla e adequada ao mundo contemporâneo. Talvez pudesse, ainda interiormente, aprofundar a questão histórica, não só de nossa cultura ocidental, como também de outras religiões.

Profa. Dra. Ângela Ales Bello, docente da Pontificia Università Lateranense di Roma – Itália- Crédito: Álvaro Jr.
Profa. Dra. Ângela Ales Bello, docente da Pontificia Università Lateranense di Roma – Itália- Crédito: Álvaro Jr.

 Jornal da PUC-Campinas: A Senhora é uma das mais renomadas pesquisadoras do pensamento de Edith Stein. Qual sua visão sobre a participação da mulher na vida acadêmica e dentro do estudo da religião?

Profa. Dra. Ângela Ales Bello: Edith Stein nos ajuda de uma forma muito intensa a valorizar a presença da mulher nesse campo. Em todas as profissões, em qualquer trabalho que um ser humano pode fazer, sobretudo do ponto de vista intelectual, sabemos que nas décadas passadas, também em nossa cultura, não se pensava ser possível que a mulher pudesse produzir algo. Havia dúvidas de que as mulheres fossem capazes. Edith Stein mostra em seus escritos e comprova que a mulher pode fazer e tem sua maneira própria de atuar. Ela destaca as diferenças entre o homem e a mulher, porém reforça a igualdade, no que diz respeito a dignidade humana. Aqui na PUC-Campinas podemos constatar isso, já que a Reitora, Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht, e duas Pró-Reitoras são mulheres.