Sem infraestrutura, nada de mundo digital

Pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Infraestrutura Urbana apontam os caminhos e os desafios para um ambiente conectado

Por Amanda Cotrim

O Estatuto das Cidades determina que os municípios devam ser sustentáveis. Para atingir a sustentabilidade, os municípios necessitam se apropriar de todos os recursos tecnológicos disponíveis. O conceito de ‘cidades inteligentes’ nasce neste amplo contexto da sustentabilidade das cidades, que envolve a integração dos sistemas de infraestrutura urbanos (existentes e a construir) ao mundo digital.

Segundo o Prof. Dr. Antonio Carlos Demanboro, docente no programa de pós-graduação em Sistemas de Insfraestrutura Urbana, dada a complexidade das sociedades atuais, é necessário adquirir e processar informações sobre o esgoto coletado e tratado, a água captada e tratada, os resíduos gerados, o fluxo de veículos,  o consumo de energia, a demanda por serviços de saúde, dentre outros sistemas.

“Estas informações possibilitam a otimização dos serviços prestados, visando a sustentabilidade. Assim, por exemplo, é possível saber que, se um cidadão marcou uma consulta no sistema de saúde, ele necessitará de transporte para se deslocar até o local e isto demandará recursos como medicamentos, o uso de energia, água, esgoto, resíduos, etc”, explica Demanboro. De acordo com o Pesquisador, estes sistemas estão inter-relacionados e, com as informações disponíveis, é possível avaliar a melhor forma de atender as demandas da sociedade.

Sociedade interligada- Crédito: Reprodução
Sociedade interligada- Crédito: Reprodução

Com uma Cidade Inteligente, cresce, também, a importância da mobilidade urbana, e aí surgem os sistemas telemáticos como elementos essenciais, que possibilitam sinergias entre os diversos atores do sistema. De acordo com o Pesquisador e docente no Curso de Mestrado em Infraestrutura Urbana, Prof. Dr. Marcius Carvalhos, os sistemas telemáticos integram informação e tecnologia de comunicação. “Um exemplo é o efeito do comércio eletrônico no transporte urbano que transformou entregas consolidadas a entregas individuais. O Brasil é o maior mercado de comercio eletrônico da América Latina devendo atingir US$ 20 bilhões no ano de 2015 com aumento de 17% em relação ao ano de 2014”, avalia

Esses sistemas, segundo Carvalho, podem apoiar as atividades de planejamento de entrega, considerando o melhor trajeto que atenda o usuário do serviço e informar, em tempo real, a ocorrência de acidentes com localização, tipo e conseqüência, além de previsão de tempos para chegada aos pontos de entrega, correções de rotas e tempos de entrega, necessidades de novas coletas, registro automático de entregas realizadas, informações para o trajeto de retorno, recomendações de velocidade geo-referenciadas, variações nas condições climáticas e suas conseqüências no trajeto pré-estabelecido e disponibilidade de vagas para estacionamento.

 Apesar de todos os benefícios que a tecnologia proporcionada e que foram elencados pelos pesquisadores, eles explicam, no entanto, que a tecnologia, como todo instrumento, tem suas potencialidades e limitações, sendo uma dessas limitações o usuário se tornar dependente da tecnologia digital.  “Penso que não se trata de ter o controle de tudo, mas sim uma oportunidade de servir melhor à sociedade”, conclui Demanboro.