Sinalizador eletrônico promove autonomia da pessoa com deficiência visual

Soluções de engenharia elétrica para pessoas com deficiência visual fazem parte do Projeto de Extensão da PUC-Campinas em parceria com a Pró-Visão

Por Amanda Cotrim

Estimular a sensibilidade e proporcionar a autonomia da pessoa com deficiência visual são os objetivos do Projeto de Extensão da Universidade, “Soluções de Engenharia Elétrica de apoio e melhoria da qualidade de vida de deficientes visuais”, coordenado pelo Prof. Dr. Amilton da Costa Lamas em parceria com a instituição Pró-Visão, de Campinas. O Professor Lamas e o aluno bolsista Lucas P. Hubert desenvolvem soluções criativas e práticas que podem ser adaptadas no dia a dia das pessoas com deficiência visual, como o uso de sinalizador eletrônico que propicia, entre outros, o aumento do senso de localização e promove a autonomia da pessoa com deficiência. Segundo dados do senso realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 23,9% da população brasileira tem algum tipo de deficiência visual.

A Universidade oferece o conhecimento técnico e a instituição o conhecimento específico- Crédito: Arquivo
A Universidade oferece o conhecimento técnico e a instituição o conhecimento específico- Crédito: Arquivo

“Os estudantes são desafiados a pensar em soluções com tecnologia simples, o que é um imenso desafio”. 

“Desenvolvemos um artefato, no qual a pessoa com deficiência, assistida pela Pró-Visão, é desafiada a encontrar os objetos distribuídos aleatoriamente na piscina. O projeto é desenvolvido em parceria com os técnicos especializados da Instituição, que depois replicarão o artefato e trabalharão com as pessoas com deficiência visual. Esse tipo de sinalizador pode ser fabricado com qualquer outro material que a pessoa tem dentro de casa, como um pote de maionese, que pode carregar o dispositivo baseado em engenharia eletrônica”, comenta o Coordenador. O sinalizador eletrônico emite som, vibra e também emite luz, auxiliando as pessoas que têm visão subnormal (não totalmente cego).

Com o aplicativo, a pessoa com deficiência visual registra o nome do produto de sua preferência pela voz

Para Lamas, o Projeto de Extensão “é uma grande simbiose de conhecimento”. A Universidade oferece o conhecimento técnico e a instituição oferece o conhecimento específico sobre as necessidades da pessoa com deficiência visual. Por parte da PUC-Campinas, os alunos de Extensão desenvolvem o projeto baseados em conhecimentos de eletrônica básica e circuitos digitais. “Os estudantes são desafiados a pensar em soluções com tecnologia simples, o que é um imenso desafio. Além disso, têm de abrir mão do “engenheres” (uso de jargão tecnológico) e usar uma linguagem acessível”, aponta Lamas. Ao todo, o Projeto de Extensão trabalha com 10 técnicos da Pró-Visão e 30 pessoas com deficiência visual.

O aplicativo do celular detecta e identifica o produto, auxiliando a pessoa com deficiência- Crédito: Arquivo
O aplicativo do celular detecta e identifica o produto, auxiliando a pessoa com deficiência- Crédito: Arquivo

 Localizador de objetos

O Projeto de Extensão também desenvolveu um aplicativo baseado na tecnologia Near Field Communication (NFC) para celulares com Andróide. O aplicativo auxilia a pessoa com deficiência visual a se localizar e identificar objetos e suas características. O sistema desenvolvido pode auxiliar na busca por livros em bibliotecas e em produtos nos supermercados, entre outros. Com o aplicativo, a pessoa com deficiência visual registra o nome do produto de sua preferência pela voz; o aplicativo detecta e identifica o produto e auxilia o deficiente a localizá-lo no ambiente.

O Coordenador explica que o Near Field Communication (NFC) é um conjunto de padrões de comunicação de rádio entre dois dispositivos em uma distância relativamente curta, envolvido por um campo magnético que permite a troca de informações. Por meio das etiquetas dos produtos, o sistema identifica as características do mesmo e gera informação em áudio para a pessoa com deficiência visual. Para que o sistema funcione, o estabelecimento precisa utilizar etiquetas NFC nos produtos.

Semáforo especial

Outro dispositivo produzido dentro do Projeto de Extensão é o semáforo especial. “Ele foi desenvolvido para que a pessoa com deficiência, fazendo uso do seu celular, aproxime o dispositivo do semáforo e receba informação sonora sobre o estado do semáforo (aberto ou fechado para o tráfego), orientando se é possível ou não atravessar a rua”, explica Lamas. A pessoa com deficiência é sinalizada sobre o tempo que ela tem para iniciar ou finalizar a travessia por meio da variação da frequência do sinal auditivo.

Então técnica da Pró-Visão experimenta o “Semáforo inteligente”- Crédito: Arquivo
Então técnica da Pró-Visão experimenta o “Semáforo inteligente”- Crédito: Arquivo

Segundo Lamas, todos os conhecimentos adquiridos no curso de Engenharia Elétrica da PUC-Campinas são aplicáveis no desenvolvimento dos artefatos. “As tecnologias aplicadas são testadas e validadas com o público-alvo. São procedimentos simples e necessariamente baratos. Nós desenvolvemos a engenharia, juntamente com os técnicos da Pró-Visão e depois, após a apropriação das técnicas, eles replicarão esse conhecimento com as pessoas com deficiência e seus familiares. O semáforo especial é uma solução simples que pode ser viabilizada pelo poder público, por exemplo, com pouco recurso financeiro” finaliza.