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Tome Ciência: Eventos marcam os 75 anos da PUC-Campinas

Pesquisadores de destaque

 

Todos os docentes pesquisadores da PUC-Campinas foram homenageados pela Pró-Reitoria de Pró-Graduação e Pesquisa, representados por alguns docentes das cinco áreas do conhecimento, como o Prof. Dr. Lineu Corrêa Fonseca, da Ciências da Vida, o Prof. Dr. Adolfo Ignácio Calderón Flores, das Ciências Humanas, Prof. Dr. Jonathas Magalhães Pereira da Silva, repersentando as Ciências Sociais Aplicadas, a Profa. Dra. Denise Helena Lombardo Ferreira, da Ciências Exatas e da Terra e a Profa. Dra. Paula Cristina Somenzari Almozara, da área de Linguistica, Letras e Artes.

O evento fez parte das Comemorações aos 75 anos de fundação da Universidade e contou com palestra do então Diretor de Avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Prof. Dr. Arlindo Philippi Júnior, que destacou as conquistas da Instituição no âmbito da pesquisa e da internacionalização.

Arlindo Philippi Júnior possui Mestrado em Saúde Ambiental e Doutorado em Saúde Pública (USP), Pós-Doutorado em Estudos Urbanos e Regionais (MIT/EUA) e Livre Docência em Política e Gestão Ambiental (USP). Presidente da Comissão de Pós-Graduação da Faculdade de Saúde Pública, exerceu recentemente a função de Prefeito do Campus USP da Capital tendo sido Pró-Reitor e Adjunto de Pós-Graduação da USP.

 

Celebração Eucarística comemora 75 anos da PUC-Campinas

A PUC-Campinas promoveu na manhã do dia 11 de junho (sábado), na Catedral Metropolitana de Campinas, com participação da comunidade acadêmica – docentes, diretores de Centros e Faculdades, funcionários, alunos e egressos – a Solene Celebração Eucarística em Comemoração ao Aniversário de 75 anos da Universidade.

Celebração Eucarística em Comemoração dos 75 anos da Universidade. / Crédito: Álvaro Jr.
Celebração Eucarística em Comemoração dos 75 anos da Universidade. / Crédito: Álvaro Jr.

A cerimônia foi presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da PUC-Campinas, Dom Airton José dos Santos. Participaram da celebração o Arcebispo Emérito de Campinas, Dom Gilberto Pereira Lopes, o Bispo Diocesano de Amparo, Dom Luiz Gonzaga Fechio, além de religiosos, muitos deles, docentes da PUC-Campinas.

O Arcebispo lembrou que a Universidade Católica serve, ao mesmo tempo, à dignidade humana e à Igreja na tarefa da Evangelização e ressaltou a importância da PUC-Campinas na Educação, na Saúde e na Assistência ao longo dos 75 anos de existência.

Para a Reitora, Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht, em 75 anos de História, a PUC-Campinas acumulou vitórias, cresceu e se consolidou na missão de produzir e difundir conhecimento, em benefício da sociedade. “Esse tempo trouxe, também, momentos de apreensão e dificuldades, vencidas com habilidade pelas pessoas que escreveram e continuam a escrever os capítulos da nossa História. O futuro, que nos compete construir, não será diferente”, celebrou.

 Lançamento do Livro Comemorativo dos 75 Anos da PUC-Campinas 

Na ocasião, a PUC-Campinas lançou o Livro Comemorativo dos 75 Anos. A publicação será distribuída para a comunidade interna, assim como, encaminhada a Instituições similares e aquelas de outra ordem, com as quais a PUC-Campinas mantém algum nível de relacionamento. Amigos, visitantes e parceiros da Universidade, evidentemente, também são e serão sempre destinatários do Livro. 

(texto Eduardo Vella)

 

Semana Monsenhor Dr. Emílio José Salim

Monsenhor Salim em uma herma de bronze, pedestal de mármore polido, amarelado/ Crédito: Álvaro Jr.
Monsenhor Salim em uma herma de bronze, pedestal de mármore polido, amarelado/ Crédito: Álvaro Jr.

A PUC-Campinas promoveu a Semana Monsenhor Dr. Emílio José Salim, entre os dias 13 e 17 de junho, integrando as comemorações dos 75 anos da Universidade. Temas como  “Década de 1940: o surgimento das Faculdades Campineiras”, “Monsenhor Dr. Emílio José Salim e o seu tempo (1941 a 1968)”, “Memórias e Convivências”, a PUC-Campinas buscou refletir sobre a conjuntura nacional e internacional, no período de atuação de seu primeiro Reitor, Monsenhor Dr. Emílio José Salim, peça chave da organização da maioria dos cursos superiores da Igreja nas décadas de 40 e 50. Tornou-se o principal esteio do projeto de implantação das Faculdades Campineiras e seu primeiro Reitor, entre os anos de 1958 a 1968.

Monsenhor Salim faleceu no dia 22 de junho de 1968. Em sua homenagem no Campus Central da PUC-Campinas, foi inaugurada, em 06 de abril de 1969, uma herma de bronze, pedestal de mármore polido, amarelado, obra do escultor De Nucci, como marca perene de admiração da Universidade por seu fundador e primeiro Reitor.

 

 

PUC-Campinas na década de 80

Por Wagner Geribello

Quem acompanha o Jornal da PUC-Campinas já conheceu um pouco sobre a Universidade nas décadas de 50, 60 e 70. Nessa edição, relembramos a década de 1980 para a Universidade.

O crescimento verificado nos anos 70, em especial a implantação dos campi I e II e a criação de novos Cursos, apresentou a fatura na década seguinte, registrada como a mais crítica em toda a História da PUC-Campinas.

Todavia, quanto maiores se mostravam as dificuldades, tanto mais a Instituição deu conta da sua capacidade de superação, buscando estabilidade e a retomada do crescimento.

Diagnose e soluções radicais embasaram a estratégia do então recém-empossado Grão-Chanceler, Dom Gilberto Pereira Lopes, para vencer as barreiras que se interpunham ao desenvolvimento da Universidade.

Vestibular da PUC-Campinas de 1989/ Arquivo do Museu Universitário
Vestibular da PUC-Campinas de 1989/ Arquivo do Museu Universitário

A intensidade e a velocidade de implantação dos campi, mais o crescimento acelerado, que leva a Instituição a saltar de oito mil alunos em 1973, para 18 mil em 1983, deixaram dívidas significativas com agentes bancários. Além disso, a conjuntura econômica não contribuía para soluções imediatas e fáceis. Por isso, foi necessário alterar estruturas administrativas, substituir pessoas e tomar medidas extremas, como a nomeação de um Reitor pró-tempore, para conduzir o processo de descentralização, que mesclava liberdade de execução orçamentária com responsabilidade administrativa, abrindo espaço para o Projeto Pedagógico baseado na interdisciplinaridade, que viria a reorganizar a Universidade, articulando funcionalmente setores e objetivos.

Divorciado de mudanças cosméticas e superficiais, o então novo Projeto Pedagógico visava o redescobrimento da identidade católica e comunitária da PUC-Campinas, enquanto Instituição de Ensino Superior compromissada com a formação de excelência de profissionais e cidadãos partícipes, além de estreitar os vínculos com a comunidade, consolidando sua função social.

O trabalho foi intenso, mas ao final da década emergiram resultados que, paulatinamente, permitem a retomada do crescimento ordenado e seguro.

À medida que a estabilidade se instalava, eram dados passos mais decididos na qualificação da Instituição, como o estímulo ao aprimoramento e à capacitação docente, a organização do Sistema de Bibliotecas e Informação (SBI) e convênios com redes de informações nacionais e internacionais. Ao mesmo tempo, a PUC-Campinas passou a liderar movimentos reivindicatórios e de informação pública das Instituições Comunitárias de Ensino Superior na busca de meios para enfrentar o panorama econômico desfavorável vigente no País.

Ao final dos anos 1980, os desafios mais prementes tinham sido vencidos, ficando as bases que fizeram desse período o tempo em que a PUC-Campinas atingiu sua maturidade, preparando-se para a última década do Século XX.

Wagner Geribello foi Professor da Universidade. Atualmente é Consultor do Jornal da PUC-Campinas

 

75 anos: Décadas velozes de crescimento e transformações em Campinas

Por Luiz Roberto Saviani Rey

Duas décadas, dois marcos exponenciais na história de Campinas. Os anos 1950 e 1960 guardam em seus anais termos de expansão e de explosão urbanística e demográfica, de progresso sem limites, como nunca experimentados anteriormente. Um período de obras grandiosas para a acanhada ex-capital do café, de rasgos extensivos em suas estreitas vias centrais, a transfiguração positiva de uma urbe, agora berço a embalar uma metrópole gigantesca em breve futuro. Uma cidade com seu tecido social consolidado e resguardado pelo trabalho e o convívio de grandes empresários, negociantes, pequenos comerciantes, que a tornaram agradável e próspera.

Avenida Campos Salles/ Cartão Postal- Acervo Fotográfico-MIS-Campinas
Avenida Campos Salles/ Cartão Postal- Acervo Fotográfico-MIS-Campinas

Contudo, com o registro de duas perdas inestimáveis para seu acervo predial, perdas lamentadas pela imensa comunidade católica e pela população em geral: o desaparecimento de construções icônicas em sua malha urbana original: a consagrada Igreja do Rosário, na Avenida Francisco Glicério; a demolição do Teatro Municipal Carlos Gomes, entre as ruas Treze de Maio e Dr. Costa Aguiar, erigido em terreno ao fundo da Catedral Metropolitana.

A atividade cafeeira que constitui Campinas em uma espécie de capital econômica do País entra em colapso a partir de 1929, com a crise mundial produzida pela quebra da Bolsa de Nova York. Assim, a expansão da agroindústria algodoeira, reunindo capitais nacionais e estrangeiros, logo a seguir, permite a instalação de indústrias na cidade, e em 1950 estão presentes nos ramos mecânico, de materiais elétricos, químicos, de borracha e papelão.

Cartão Postal do ano de 1969- Acervo Fotográfico do MIS-Campinas
Cartão Postal do ano de 1969- Acervo Fotográfico do MIS-Campinas

Essa forte industrialização, associada ao lastro de riquezas deixado pelo rico período cafeeiro, torna Campinas um pólo extremamente atrativo à sedimentação de novas indústrias, de comércio variado e de serviços, amparados por um promissor entroncamento rodoferroviário, que aos poucos adensam sua demografia e tornam necessárias intervenções do poder público na construção de obras como o alargamento das ruas Campos Sales e Francisco Glicério.

O Viaduto Miguel Vicente Cury é uma das maiores obras viárias de Campinas

Na transição dos anos 1950 e 1960, já com intensa movimentação de automóveis particulares, de bondes e com o acréscimo de ônibus do transporte coletivo em bases contemporâneas para a época, Campinas se vê ante o dilema de demolir ou reter o crescimento. Desse dilema surge uma de suas maiores obras viárias: o Viaduto Miguel Vicente Cury, em forma circular, ligando o acesso pela Via Anhanguera e bairros da região Oeste ao Centro.

Nesse meio termo, desaparece em 1956 a Igreja do Rosário, construída em 1817, e que por muitos anos, no período imperial, fora a Matriz da cidade – enquanto a Velha Matriz, a histórica Igreja do Carmo, deteriorava e requeria reformas, e a Catedral Metropolitana, consagrada a Nossa Senhora da Conceição, ainda era erigida. Demolida para alargar as avenidas do progresso e reconstruída em seus moldes originais no bairro do Castelo.

Vista aérea do Centro/ Crédito: Balan- Acervo Fotográfico-MIS-Campinas
Vista aérea do Centro/ Crédito: Balan- Acervo Fotográfico-MIS-Campinas

Em conjunto com a construção do Viaduto Cury, Campinas ganha o Aeroporto de Viracopos, inaugurado em 19 de junho de 1960 com pista de 3.240m x 45m, construída para receber com segurança os modernos e suntuosos quadrimotores a jato de primeira geração: Dado interessante é que na mesma data Viracopos foi elevado à categoria de Aeroporto Internacional, por meio da Portaria Ministerial n.º 756, e homologado para aeronaves a jato puro.

O fim do Teatro Municipal Carlos Gomes

Mas é em 1965 que a cidade perde o Teatro Municipal Carlos Gomes, construído em 1930, um dos maiores do interior do País, com capacidade para 1.300 lugares. O prédio, em estilo eclético, supostamente sofrera abalos em sua estrutura e é demolido, deixando lacunas e incertezas na vida cultural da cidade por anos. Três anos depois, os bondes são retirados de circulação. Em contrapartida, o governo Estadual inaugura a Unicamp a partir de 1966.

É nesse contexto socioeconômico e cultural que Campinas abandona de vez suas feições coloniaisimperiais e veste sua indumentária moderna, uma cidade que pulsa e atrai seus primeiros fluxos migratórios, saltando de 70 a 80 mil habitantes para perto de 200 mil, do final dos anos 1960 para a década seguinte. Um crescimento demográfico inédito que irá a saltos mais velozes rumo à casa do um milhão de habitantes nas décadas subseqüentes. Nesse contexto, a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) ganha impulso e alicerça de maneira sólida seu marcante futuro!

Prof. Luiz Saviani/ Crédito: Álvaro Jr.
Prof. Luiz Saviani/ Crédito: Álvaro Jr.

Luiz Roberto Saviani Rey é Professor do curso de Jornalismo da PUC-Campinas e autor dos livros: A maldição dos eternos domingos sem derby (romance de costumes); O retiro antes da Laguna – Taunay em Campinas (romance histórico); O menino herói da Guerra Paulista – O bombardeio de Campinas (romance histórico) e A crônica é jornalística e brasileira (didático).

 

PUC-Campinas na década de 1950

Por Wagner Geribello

Os anos dourados do pós-guerra…

Assim ficou conhecido o período compreendido pelo segundo lustro dos anos 1940 e a década seguinte, marcado pela desmobilização militar e grandes transformações sociais, políticas, culturais e econômicas, como a consolidação da produção e comercialização de bens de consumo.

Nessa época, progresso e desenvolvimento também estão na ordem do dia, com o proporcional aumento da requisição de pessoal capacitado a atender as demandas da nova organização social, marcada, entre outras características, pelo desenvolvimento e consumo de tecnologia, que passa a integrar o cotidiano das pessoas.

O desenho social desse período reflete diretamente nas Faculdades Campineiras, que entram na juventude da sua história, vivendo tempos de crescimento, vigor e uma saudável ousadia à moda dos jovens, aceitando, enfrentando e vencendo desafios. Nessa época, a Instituição criada por Dom Francisco de Campos Barreto deixa para trás o acanhamento da infância, divisando novos e amplos horizontes.

PUC-Campinas na década e 1950- Acervo Museu da PUC-Campinas
PUC-Campinas na década e 1950- Acervo Museu da PUC-Campinas

Já contando com Cursos em áreas diferentes, como Letras, Filosofia, Biblioteconomia e Química, entre outros, as Faculdades Campineiras agregam a área da Saúde aos Cursos oferecidos, incluindo uma Escola de Enfermeiras (incorporada em 1955) e a Faculdade de Odontologia, criada em 1949. Nos anos subsequentes, um afã de obras ergue as instalações para o pleno funcionamento do Curso de Odontologia, incluindo laboratórios e ambientes para aulas práticas.

Em meados dos anos 1950, mesmo sem o título, a Instituição já tinha contornos de Universidade, incentivando os gestores, capitaneados por Monsenhor Salim, a intensificar contatos, negociações e muita argumentação para que a cidade de Campinas tivesse sua Universidade.

A crônica histórica da PUC-Campinas classifica Monsenhor Salim, em especial pela sua atuação nesse período, como verdadeiro “globe-trotter”, entre Campinas e Roma, levando solicitações e informações à cúpula da Igreja sobre as Faculdades Campineiras.

Em 1951, a comemoração de dez anos é feita em grande estilo, com a criação da Faculdade de Direito e, quatro anos depois, a cidade recebe a visita do Núncio Apostólico Dom Armando Lombardi. Discursando no salão nobre das Faculdades Campineiras, o representante da Santa Sé menciona a posição favorável de Roma à criação da Universidade Católica de Campinas.

O processo de elevação de um conjunto de faculdades à condição de Universidade Católica não é simples, carecendo do concurso de duas Instituições, o Governo Brasileiro, em especial o Ministério da Educação e a cúpula da Igreja Católica, em Roma. Por isso, a titulação não acontece em um único dia, mas resulta de diversos passos que vão consolidando a oficialização da Universidade, deixando o registro de diversas datas significativas no decorrer do processo.

Em 15 de agosto de 1955, Roma concede o título de Universidade, mas o reconhecimento canônico só acontece no ano seguinte quando, então, institui-se, oficialmente, a denominação de Universidade Católica de Campinas, que iria perdurar por quase duas décadas, até 1972, quando recebe sua denominação atual, Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Se a elevação à condição de Universidade foi o grande acontecimento daquela década, o período ainda registrou eventos importantes, como a visita do Ministro da Educação, Clóvis Salgado, em 1956, o registro de 1.500 alunos matriculados, nesse mesmo ano, e a integração à Federação Internacional das Universidades Católicas, em 1958.

Marcado, sobretudo, pelo desempenho de Monsenhor Salim, primeiro reitor da então recém-nascida Universidade, o período polarizado pelos anos 1950 consolida institucionalmente a Católica de Campinas e compõe um feixe de anos dourados da sua história.

Wagner Geribello é Consultor do Jornal da PUC-Campinas

Um destino pujante no Caminho de Goiazes

Por Luiz Roberto Saviani Rey

A cronologia histórica de Campinas, seus elementos de rápida progressão social, material e urbana, permite vislumbrar os cenários de sua rica evolução, os quais a conduziram ao portentoso núcleo metropolitano da atualidade, um município-sede regional com 1,2 milhão de habitantes e polo de alta tecnologia, concentrando universidades de elevado nível, como a PUC-Campinas, centros de pesquisas de excelência, além de institutos da área médica de causar inveja a países mais avançados.

Na realidade, o destino dessa Campinas pujante – uma Suíça em forma de cidade -, parece ter se desenhado desde o momento em que se rasgou a trilha de Goiazes, o caminho desde São Paulo que conduziu bandeirantes e tropeiros ao coração do Brasil, em busca de ouro e de riquezas. Desde os primórdios da Freguesia, de 1774, passando pela Vila de São Carlos, de 1797, até a elevação à categoria de cidade, em 1842, surgiu um modelo de desenvolvimento e de sociedade autônomo, progressista e voltado ao labor intenso.

Rapidamente, a região dos três campinhos – os descampados límpidos e amenos, cortados por córregos e cursos d’água, entre a vasta floresta de Mato Grosso – foi se transformando de pouso de tropeiros em um local propício ao progresso. Suas terras passam a ser exploradas intensamente, primeiramente pela cana-de-açúcar e, já a partir de 1842, pela cafeicultura.

É esse panorama de expansão rural e urbana que vai assombrar uma das figuras mais importantes do Império. Em abril de 1865, na qualidade de tenente-engenheiro e aos 22 anos, Alfredo Maria d’Escragnolle-Taunay, o Visconde de Taunay, aporta em Campinas com as tropas da Guerra do Paraguai, destinadas a lutar na Laguna. Logo, encanta-se com os progressos e proclama, entusiasmado, ante os imponentes solares, os cafés, e as vitrines de lojas da Rua Direita, ostentando rica indumentária e objetos europeus: “Mas que coisa afrancesada!”.

Prof. Me. Luiz Roberto Saviani/ Crédito Álvaro Jr.
Prof. Me. Luiz Roberto Saviani/ Crédito Álvaro Jr.

Uma exclamação qualitativa que se amplifica quando Taunay ingressa, assombrado, na Catedral em construção. Ele escreve 22 cartas ao pai, amigo de Dom Pedro II, pedindo apoio do imperador para a conclusão das obras. Na sua antevisão, o templo erigido com a fé dos campineiros, seria o mais imponente de todo Império.

Da passagem de Taunay à construção da ferrovia, em 1972, para escoar a produção cafeeira, e ao expirar do século XIX, Campinas torna-se a capital econômica do Brasil. Sob a égide do café pode influir na política nacional. Sua pujança atrai fazendeiros. Seus filhos, advogados, carregam os ideais republicanos, tornando-se figuras de destaque, como Bernardino de Campos que aqui se estabelece, Francisco Glicério e Manuel Ferraz de Campos Sales, entre outros. Campos Sales torna-se o terceiro presidente do estado de São Paulo, de 1896 a 1897 e o quarto presidente da República, entre 1898 e 1902.

A transição do século XIX para o século XX marca a ruptura com as condições coloniais ainda predominantes e estabelece novos contornos e modelos, trazendo configuração de uma cidade moderna, com novos estabelecimentos de ensino e com princípios de industrialização e de oferta de serviços do comércio. Com Orosimbo Maia na Prefeitura, de 1908 a 1910 e entre 1926 e 1932, Campinas terá o impulso que trará novas indústrias de base, cervejarias, empresas do setor imobiliário e a abertura de bairros como Botafogo, Guanabara e Castelo.

A Revolução de 1930, a tomada do Poder por Getúlio Vargas, desafia os barões do café. Em 1932, com bombardeios pelos aviões Vermelhinhos, a cidade é colocada no centro da Revolução Constitucionalista. Mais de dois mil voluntários lutam e são derrotados na Batalha de Eleutério, nas proximidades de Itapira, na divisa entre São Paulo e Minas.

Superados os traumas dos bombardeios, a cidade, retoma seu caminho de pujança e floresce, como nunca, como um importante entroncamento rodoferroviário a integrar a capital paulista ao interior do País. Nesse cenário, é fundada, em 1941, a Sociedade Campineira de Educação e Instrução, a nossa PUC-Campinas da atualidade, que tem, em 1942, a abertura solene de seus cursos, no Teatro Municipal Carlos Gomes. A implantação da PUC-Campinas é marco exponencial em um período auspicioso, em que dois novos prédios do Instituto Agronômico são inaugurados, bem como o edifício do jornal Correio Popular, além do Hospital Vera Cruz e do Cine Voga.

É uma década de acontecimentos marcantes. Em 1944, um incêndio destrói o Cine República, e, em 1946, a Biblioteca Municipal inicia suas atividades, ano em que é publicado o jornal A Defesa. Em 1948 é fundado o Coral Pio XI e a Orquestra Filarmônica de Campinas realiza seu primeiro concerto. É inaugurado o Estádio Moisés Lucarelli, o Edifício dos Correios e Telégrafos e a Via Anhanguera. Em 1949, institui-se a Semana Carlos Gomes e o Agronômico sedia a primeira reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). São efemérides que coroam a história e ajudam a solidificar uma Campinas rica e progressista.

Luiz Roberto Saviani Rey é Professor do curso de Jornalismo da PUC-Campinas e autor dos livros: A maldição dos eternos domingos sem derby (romance de costumes); O retiro antes da Laguna – Taunay em Campinas (romance histórico); O menino herói da Guerra Paulista – O bombardeio de Campinas (romance histórico) e A crônica é jornalística e brasileira (didático).

Coluna Pensando o Mundo: JUBILEU DE DIAMANTE

 

Por Wagner Geribello

Caracterizado pelo brilho inigualável, tonalidades diversas, refração da luz branca nas cores do arco-íris, disposição peculiar dos átomos de carbono que o tornam mais compacto e resistente que qualquer outra matéria natural, a pedra que só pode ser riscada por outra similar faz jus à máxima de que “o diamante é para sempre” e, portanto, escolhido para simbolizar a longevidade e a consistência das instituições que atingem o jubileu dos 75 anos de atividades.

Em 2016, a Pontifícia Universidade Católica de Campinas vai comemorar seu Jubileu de Diamante, reunindo muita história de sucesso para ser contada e outro tanto de entusiasmo para o tempo que sucede essa comemoração.

A PUC-Campinas nasceu ousada e inovadora, plantando em Campinas a semente do ensino superior quando essa atividade era escassa no Brasil e praticamente um monopólio das capitais estaduais.

Em 1941, docentes e funcionários da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras ocuparam o casarão da Rua Marechal Deodoro, antiga residência da família Souza Aranha, para receber 233 candidatos ao processo vestibular dos Cursos de formação de professores.

Desse passo inicial, até os dias de hoje, quando milhares de alunos frequentam dezenas de Cursos e Programas de Graduação e Pós-Graduação, em três campi, a PUC-Campinas escreveu páginas e inscreveu conquistas na história da educação brasileira, incluindo a representativa cifra de 160 mil alunos formados.

Quando uma instituição atinge essas marcas, nada mais esperado que um período de comemoração, que abra espaço para resgatar em detalhes, relembrar com afeto e divulgar com entusiasmo essa história de conquista e sucesso. Para isso, está em preparação um calendário amplo e variado de eventos que farão de 2016 um ano especial na PUC-Campinas, envolvendo toda a comunidade acadêmica.

Diretamente envolvido com a comemoração do Jubileu de Diamante, o Jornal da PUC-Campinas vai dedicar espaço para divulgar e registrar eventos e acontecimentos referentes à data, mas vai, também, contribuir diretamente para o resgate histórico da Universidade e das pessoas a ela relacionadas, abrindo espaço permanente para efemérides, matérias, entrevistas e artigos que aproximem a comunidade acadêmica atual do passado e do presente da Universidade.

Nesta edição temática do Jornal da PUC-Campinas, dedicada à ciência, o resgate histórico assinala o momento em que a Instituição começou sua produção científica formal, com a implantação do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia.

Período de transição, marcado por profundas reformas na constituição e organização da atividade universitária no País, a entrada na década de 1970 registrou uma série de mudanças na então Universidade Católica de Campinas, a mais significativa delas ocorrida em 8 de setembro de 1972, por força do Decreto Sacra Congregatio pro Institutione Catholica, constituindo a Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Esse período foi marcado, também, pela consolidação da pós-graduação stricto sensu nas universidades brasileiras, que além do Ensino e da Extensão assumiram com mais intensidade o terceiro elemento constitutivo do tripé das competências universitárias, a Pesquisa.

A PUC-Campinas, uma vez mais, esteve entre as primeiras Instituições Particulares de Ensino Superior localizadas fora das capitais de Estado a investir na pós-graduação, instituindo o Mestrado em Psicologia. No ano seguinte, iniciativa similar foi aplicada à área de Linguística e, antes do fim da década, em 1977, a pós-graduação stricto-sensu chegou à Biblioteconomia e à Filosofia.

A criação desses Programas consolidou a produção científica na Universidade que, atualmente, oferece programas completos (mestrado e doutorado) em diversas áreas do conhecimento. Esse movimento de ampliação e consolidação da pós-graduação implicou o aprimoramento da titulação do corpo docente, instalação de laboratórios e áreas específicas para atividades de pesquisa, além de inserir a Universidade no ambiente de pesquisa, incluindo habilitação para participar de editais das agências governamentais de fomento, com acesso a verbas e bolsas de pesquisa.

Assim, no Jubileu de Diamante, a PUC-Campinas comemora não só inegável contribuição ao Ensino, como também se coloca como importante polo gerador de conhecimento no cenário brasileiro.

Prof. Dr. Wagner Geribello é Consultor do Jornal da PUC-Campinas