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Campinas anos 70, a era do concreto e do automóvel

Por Luiz Roberto Saviani Rey

Este artigo é o terceiro da série sobre os 75 anos da Universidade.

O início dos anos 1970 e todo o período que se estende até 1980 são marcados por uma revolução inédita no campo urbanístico e viário em Campinas, como também por inovações no processo político-administrativo, consubstanciadas pela transferência da sede de governo do Palácio dos Azulejos – o solar do Barão de Itatiba, do rico período cafeeiro -, para o moderno edifício da Avenida Anchieta, o Palácio dos Jequitibás.

Dos modestos alargamentos de ruas e avenidas centrais da década anterior, da construção do Viaduto Miguel Cury como grande obra, a cidade salta para rasgos de dimensões bem maiores e calcados no concreto, fazendo surgir extensas e rápidas vias expressas, pontes e viadutos que a dimensionam para seu destino de cidade do automóvel.

Consolidada como polo de investimentos nos diversos setores àquela altura, e em pleno desenvolvimento, sua administração resgata o Plano de Melhoramentos Urbanos de Campinas, desenvolvido pelo engenheiro Prestes Maia, entre 1934 e 1938, e instituído pelo Ato 118, de 1938, chancelado pelo então prefeito João Alves dos Santos. Um plano ousado destinado à construção de uma metrópole, ao tempo em que a cidade detinha estrutura acanhada e arcaica.

Prestes Maia, posteriormente prefeito de São Paulo, mostrou-se visionário e profético quanto às potencialidades de Campinas. Suas réguas e esquadros vislumbraram uma futura megametrópole e, sobre a planta daquela cidade ainda quase rural e modesta, havia ele lançando as bases do traçado urbano atual, preparando a urbe para a “Era do Automóvel”.

Comércio em Campinas na década de 1970/ Acervo do Museu da Imagem e do Som- Luiz Granzotto
Comércio em Campinas na década de 1970/ Acervo do Museu da Imagem e do Som- Luiz Granzotto

Seu plano apresentava um aspecto vinculado ao urbanismo funcionalista e higienista, com enfoque em conceitos de estética urbana e valorização da paisagem. Previa largas e extensas avenidas contemplando áreas futuras de ocupação urbana e promovendo interligações entre os quatro pontos cardeais. Um plano radio-concêntrico.

Com isso, e com uma nova visão administrativa imprimida nos governos Orestes Quércia e Lauro Péricles, são construídas, com vertiginoso vigor e em tempo recorde, obras viárias de porte e de alto custo, baseadas no concreto e em estruturas portentosas.

Construção do Hospital Mario Gatti em Campinas/ Acervo do Museu da Imagem e do Som - Luiz Granzotto
Construção do Hospital Mario Gatti em Campinas/ Acervo do Museu da Imagem e do Som – Luiz Granzotto

Surgem como elemento renovador a Via Expressa Suleste e sua dimensão de rodovia longa e de extenso viaduto (hoje a Via Lix da Cunha), ligando a Via Anhanguera ao Centro da cidade; surge a Via Norte-Sul, interligando a região do Taquaral, toda a Zona Norte, aos bairros da região do Proença.

O Viaduto São Paulo, conhecido como Laurão, entre o Centro e a região Leste, cobre uma extensão de mais de 350 metros na Avenida Moraes Salles, sobre a depressão formada pelo leito do córrego Proença. Obras que passam a integrar áreas e bairros distantes, anteriormente ligados por ruas estreitas, convencionais.

As vias abertas favorecem a expansão industrial/comercial e atraem o setor de serviços que se multiplica velozmente, fortalecendo o setor bancário e financeiro. Campinas expande seus limites para além da Via Anhanguera em vasta área residencial e comercial e ganha um Distrito Industrial de grandes dimensões, planejado em terreno próximo ao Aeroporto de Viracopos. Uma área com infraestrutura para abrigar dezenas de empresas de grande e médio portes. O Distrito atrai indústrias como a Mercedes Benz e a região ganha uma nova rodovia, a Bandeirantes.

Colocação de mastros na Caravela, na Lagoa do Taquaral / Acervo do Museu da Imagem e do Som-  Luiz Granzotto
Colocação de mastros na Caravela, na Lagoa do Taquaral / Acervo do Museu da Imagem e do Som- Luiz Granzotto

Na extensão dessas reformas revolucionárias, a revitalização do Parque Portugal, no entorno da Lagoa do Taquaral, revela uma cidade moderna e humana, e a construção do Centro de Convivência Cultural, com seu Teatro de Arena – na busca pela substituição do Teatro Municipal Carlos Gomes, demolido em 1965 -, faz reviver e coloca em ebulição a cultura campineira, com o acréscimo da Orquestra Sinfônica.

Feitos e efeitos de uma Campinas renovada e contemporânea em um período rico, em que a Pontifícia Universidade Católica de Campinas, a PUC-Campinas, recebe a bênção papal e ganha dimensão de universidade nacional!

Luiz Roberto Saviani Rey é Professor do Curso de Jornalismo da PUC-Campinas e autor dos livros: A maldição dos eternos domingos sem derby (romance de costumes); O retiro antes da Laguna – Taunay em Campinas (romance histórico); O menino herói da Guerra Paulista – O bombardeio de Campinas (romance histórico) e A crônica é jornalística e brasileira (didático).

PUC-Campinas na década de 1970

Por Wagner Geribello

Quem acompanha o Jornal da PUC-Campinas já conheceu um pouco sobre a Universidade nas décadas de 40-50 e 60. Nessa edição, relembramos a década de 1970 para a Universidade.

 A concessão do título Pontifícia, em 1972, mais as inaugurações dos Campi I e II destacaram os anos 1970 como a década de maior crescimento e plena consolidação da Universidade.

 O título de Pontifícia foi o quarto concedido pela Santa Sé a Universidades Católicas brasileiras. Somente São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre precederam a PUC-Campinas nessa titulação, confirmada no dia 8 de setembro.

O título não ficou reduzido ao plano das honrarias. Nessa década são implantados nada menos que 17 novos Cursos, incluindo a tão esperada Faculdade de Medicina e a Universidade registra um grande crescimento.

O Campus I da Universidade começa a ganhar vida nos anos 1970/ Crédito: Museu Universitário.
O Campus I da Universidade começa a ganhar vida nos anos 1970/ Crédito: Museu Universitário.

A implantação desse volume de novos Cursos ultrapassa em muito a capacidade do Prédio da Marechal Deodoro e seus anexos abrigarem as instalações necessárias. Uma saída emergencial foi a transferência de alguns Cursos para o Prédio do Seminário da Arquidiocese, no bairro da Swift. Mas, ainda assim, havia clientela de mais e espaço de menos para as dimensões que a Universidade assumia.

Parte da solução veio com a doação de uma gleba da fazenda Santa Cândida, pelo agrônomo Caio Pinto Guimarães e a posterior aquisição de áreas limítrofes complementares, onde foi instalado o Campus I, que atualmente abriga 99.160 m2 de área construída, para dar abrigo aos Cursos de graduação e pós-graduação, além de instalações de suporte e administração, incluindo o prédio da reitoria, pró-reitorias, órgãos auxiliares, Secretaria Geral e Conselho Universitário.

Enquanto as obras se mantinham aceleradas e as Faculdades iam ocupando as dependências do Campus I, na região norte, do outro lado da cidade, na região sudoeste, a PUC-Campinas incorporava os terrenos do Campus II, polarizado pelas obras do Hospital Celso Pierro, completando, assim, a definição de área para seu crescimento.

Alocado no Campus II, o Centro de Ciências da vida incorpora dez Faculdades das áreas da saúde e biologia, além do Hospital Universitário, que atende a formação prática de todos esses Cursos, prestando, também, atendimento de saúde pública. Atualmente, a área construída no Campus II supera 45.000 m2,  incluindo instalações de ensino, infraestrutura e administrativas.

Tanto em capacidade instalada, como número de alunos, professores e funcionários e Cursos oferecidos, no final dos anos 1970 a PUC-Campinas tinha o dobro das dimensões verificadas no início da década e o status de Pontifícia. Assim, projeta-se como a maior Universidade particular do interior do Estado de São Paulo e um dos centros de formação superior de excelência no cenário educacional brasileiro.

Realizadas na esteira da Reforma Universitária, promulgada pelo Governo no início da década, as mudanças ocorridas na PUC-Campinas não ficaram restritas à ampliação das instalações físicas, nem à implantação de novos Cursos. Esse crescimento exigiu, também, mudanças profundas na organização e nos processos administrativos, definindo os contornos de uma Instituição disposta a crescer ajustando-se às exigências e imposições da modernidade. Desse modo, a Universidade entra nos anos 1980 maior e também mais moderna e dinâmica, pronta a responder os desafios das derradeiras décadas do Século XX.

 Wagner Geribello foi Direitor do Centro de Linguagem e Comunicação e Professor da Faculdade de Jornalismo. Atualmente é Consultor do Jornal da PUC-Campinas

À frente de sua própria história

PUC-Campinas tem aproximadamente 18 mil alunos e 900 professores e um corpo técnico administrativo qualificado, distribuídos em 53 cursos de graduação. Graduou 180 mil profissionais que atual em diversas áreas do conhecimento

Prof. Dr. Orandi Mina Falsarella

A importância e qualidade do ensino de graduação da PUC-Campinas podem ser comprovadas pela inserção dos nossos alunos no mundo do trabalho, pela formação integral do ser humano com capacidade para atuar em situações reais do cotidiano profissional. Essas habilidades e competências são comprovadas por mais de três mil empresas, indústrias e/ou instituições públicas e privadas que os acolhem, em função do conhecimento que eles adquirem na Universidade, os quais são sustentados por um corpo docente altamente qualificado e atualizado em suas respectivas áreas e com atividades desenvolvidas em laboratórios de ensino que contam com tecnologias atuais e emergentes, permitindo assim ao estudante exercitar, por meio de atividades práticas, simulações do mundo real.

Hoje, a PUC-Campinas tem aproximadamente 18 mil alunos e 900 professores e um corpo técnico administrativo qualificado, distribuídos em 53 cursos de graduação, que abrangem as áreas de Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas, Ciências da Saúde, Linguagem e Comunicação e Ciências Exatas. Em 75 anos de existência, já graduou 180 mil profissionais que atuam em diversas áreas de conhecimento, desde o oferecimento de seu primeiro curso, em 1941.

A PUC-Campinas sempre esteve à frente de sua própria história, olhando para o futuro e preocupada com sua comunidade justamente pelos pilares que sustentam seus valores, destacando o compromisso social, o espírito de solidariedade e a sua responsabilidade pela colocação de profissionais altamente qualificados no mundo do trabalho.

A Universidade mantém também de convênios com inúmeras instituições da Região Metropolitana de Campinas para o desenvolvimento de Trabalho de Conclusão de Curso, práticas de atividades complementares, e estágios, a fim de que os alunos tenham oportunidades de exercitar o que foi aprendido em sala de aula em situações reais, portas que se abrem para futuras e efetivas contratações. Existem, ainda, convênios com Universidades do exterior para que os nossos alunos possam realizar intercâmbios acadêmicos.

Com a missão de produzir, enriquecer e disseminar o conhecimento, sua ação também se volta aos cursos que têm como compromisso a formação de docentes para a educação básica, as Licenciaturas, presentes nas redes privadas e públicas, municipal e estadual.

A receptividade ao aluno ingressante é uma de suas principais iniciativas a cada ano letivo, a fim de detalhar o curso escolhido, a trajetória de formação e um mundo de possibilidades e saberes que vão muito além da sala de aula. Há o acolhimento pelo corpo docente, de modo que o aluno conheça os programas institucionais, projetos de pesquisa, atividades esportivas e acadêmicas pensadas para propiciar uma formação completa, atual e integral. Somando a isso, há a flexibilidade curricular com as práticas de formação, um diferencial que agrega e possibilita a capacitação em áreas de interesse do estudante.

Essa é a PUC-Campinas que olha para seu aluno, está atenta ao seu desenvolvimento, ao aprimoramento de seu conhecimento e, como não poderia deixar de ser, também se preocupa com a inserção de alunos que têm deficiência e/ou mobilidade reduzida por meio do Programa de Acessibilidade, um serviço de apoio pedagógico que oferece intérprete de Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, transcrição de material em grafia ampliada, material em Braille, entre outros apoios.

Toda essa dinâmica permite à PUC-Campinas ser referência no mundo acadêmico e no profissional, destacando-se com honradez pelo trabalho realizado. Não são poucos os prêmios recebidos, o que garante a essa Universidade a qualidade do ensino por excelência.

Prof. Dr. Orandi Mina Falsarella é Pró-Reitor de Graduação.

 

 

A Pesquisa na PUC-Campinas

Por Profa. Dra. Sueli do Carmo Bettine

 Na década de 1980, foram implantadas na PUC-Campinas as Coordenadorias de Pós-Graduação e de Estudos e Apoio à Pesquisa, os Núcleos de Extensão de Saúde e Educação, a Assessoria de Planejamento da Reitoria, além de diretrizes da Carreira Docente. Como forma de fomentar a Pesquisa e a Extensão, a Universidade passou a contar com docentes em regime de dedicação para o desenvolvimento de projetos de Pesquisa, Extensão e Capacitação para os Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu.

Ainda nesse período, foram implantados os Programas de Bolsa de Pós-Graduação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior/Ministério da Cultura (CAPES/MEC) e o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (1993).

A consolidação da Pesquisa na Universidade ocorreu durante a década de 1990; entretanto, é a partir de 2002, com a instalação da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, que se estabeleceu uma política de Pesquisa e Pós-Graduação. Tal política promoveu a reorganização dos Grupos de Pesquisa já existentes e a constituição de novos Grupos de Pesquisa, possibilitando a integração entre as atividades-fim da Universidade: Ensino, Pesquisa e Extensão.

As atividades de Pesquisa na PUC-Campinas ocorrem no âmbito dos Grupos de Pesquisa Institucionais que são certificados pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação junto ao Diretório dos Grupos de Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq/MCTI; atualmente, a Universidade tem 46 Grupos de Pesquisa institucionalmente certificados junto ao CNPq.

As atividades desenvolvidas no âmbito dos Grupos de Pesquisa da PUC-Campinas visam contribuir para a expansão e consolidação da Pós-Graduação Stricto Sensu no país; tais atividades são desenvolvidas por docentes pesquisadores e seus orientandos de doutorado, mestrado, iniciação científica, de programas de educação tutorial e de trabalhos de conclusão de curso de graduação.

Os Projetos de Pesquisa são de natureza institucional, vinculados às Linhas de Pesquisa dos Grupos de Pesquisa e abrigados no contexto de um Plano de Trabalho de Pesquisa do Docente Pesquisador. As Linhas de Pesquisa são exclusivamente de natureza Institucional e definidas em conjunto com a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, considerando-se as políticas de fomento da Pós-Graduação no país e o desenvolvimento de áreas estratégicas para a PUC-Campinas e, ainda, alinhadas com a sua Missão e Valores.

STRICTO SENSU (Mestrado e Doutorado)

Em consonância com o Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG) 2011-2020, que tem como uma de suas metas a ampliação da Pós-Graduação no Brasil, a PUC-Campinas implantou, entre 2014 e 2016, cinco novos cursos de Mestrado Acadêmico: Sustentabilidade; Linguagens, Mídia e Arte; Ciências da Saúde; Sistemas de Infraestrutura Urbana; e Ciências da Religião; e, também, um novo curso de Doutorado em Educação, que somados aos cursos anteriormente existentes compõem Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu nas seguintes Grandes Áreas: Ciências da Saúde, Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas, Engenharias, Interdisciplinar e Linguística, Letras e Artes.

LATO SENSU (Especialização)

Com a finalidade de atender às demandas da sociedade e acompanhando a dinâmica do mundo do trabalho, a Universidade oferece sistematicamente Cursos de Especialização nas mais diversas áreas do conhecimento cujo objetivo principal é a atualização e o aprimoramento profissional.

Profa. Dra. Sueli do Carmo Bettine é Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação

 

 

Planejamento que gera eficiência

Por Prof. Dr. Ricardo Pannain

 A Pró-Reitoria de Administração – PROAD – órgão de planejamento, supervisão e coordenação, que oferece apoio para todas as atividades-fim da Instituição é composta pelas Divisões de Logística e Serviços; Orçamentos, Contas e Materiais; Infraestrutura e Recursos Humanos.

A Divisão de Logística e Serviços – DLS – conta com frota de veículos que são utilizados para o deslocamento de funcionários, professores e alunos, além de atender às demandas administrativas e coletivas do dia a dia. Gestora do plano de gerenciamento de resíduos sólidos, a DLS tem a incumbência de realizar o armazenamento adequado dos resíduos infectantes, químicos, biológicos, orgânicos e recicláveis que são destinados corretamente para preservação do Meio Ambiente. Somadas a essas atividades, cabe, ainda, à DLS a conservação e higienização de todos os Campi e das áreas verdes. Segurança patrimonial também é atribuição da Divisão de Logística e Serviços.

A Divisão de Orçamento, Contas e Materiais – DOCM – atua na gestão do orçamento da Instituição e é a responsável por todas as aquisições de materiais e serviços e distribuição dos suprimentos necessários para o desenvolvimento das atividades administrativas e acadêmicas.

A Divisão de Infraestrutura e Espaços Físicos – DIEF – conta com equipe de arquitetos, engenheiros e manutentores responsáveis pelos projetos e layouts, pela manutenção e conservação das edificações, além da supervisão e gerenciamento das novas obras edificadas nos Campi. Em conjunto com o Departamento de Segurança Universitária da Divisão de Logística e Serviços e com o Departamento de Engenharia e Segurança do Trabalho da Divisão de Recursos Humanos, a DIEF também elabora os planos de emergência fazendo o controle e a manutenção dos sistemas de prevenção e combate a incêndios.

A Divisão de Recursos Humanos – DRH – responde pelas contratações, desenvolvimento e gerenciamento do quadro de pessoal da Universidade e assessorada pelos Departamentos de Engenharia e Segurança do Trabalho e de Medicina do Trabalho, zela pela segurança e pela saúde dos funcionários do Corpo Técnico-Administrativo e do Corpo Docente, implementando medidas de segurança, avaliações ergonômicas e programas de qualidade de vida, buscando sempre o bem-estar dos funcionários.

Ao longo dos anos, a PROAD, cuja denominação, anteriormente, era Vice-Reitoria Administrativa, por meio de suas divisões, deu suporte às demais Pró-Reitoras em suas atividades-fim (Ensino, Pesquisa e Extensão), promovendo a atualização do parque computacional, novas construções, reformas das instalações, atualização e modernização das tecnologias de higienização, conservação, manutenção, segurança e saúde, além de promover a atualização de seus colaboradores, para melhor atendimento à comunidade.

A finalidade primeira da PROAD no âmbito da Instituição é propiciar sempre que o Ensino, a Pesquisa e a Extensão sejam praticados pela Universidade, com qualidade, eficácia e excelência.

Prof. Dr. Ricardo Pannain é Pró-Reitor de Administração da PUC-Campinas

CINEMA – UNIVERSIDADE NA TELA

Mãos uma ao lado da outra, dedos para cima, unidos nas pontas, em ligeiro movimento de atrito…

Sem usar palavras, é assim que o costume determina como expressar grandes quantidades, gesto que se adapta como luva para demonstrar o volume de filmes ambientados ou tematizados na tradicional instituição da universidade. São muitos.

Rápida consulta às listagens de títulos mostra que já foi grande e continua intenso o uso da academia para fazer filmes, alguns fundamentados na realidade, outros nascidos da mente fértil dos roteiristas.

Todavia, se o volume é grande, variedade e originalidade de filmes sobre universidade não são tão extensas. Quanto à origem, por exemplo, os americanos dominam com folga as estatísticas, seguidos pelos britânicos, fazendo minguar, comparativamente, a lista de produções ambientadas nos campi, expressas em idiomas diferentes do inglês.

Fãs do cinema argentino, por exemplo, especialmente de Ricardo Darin, certamente conhecem tese sobre um homicídio, de 2013, em que o mais conhecido ator portenho da atualidade interpreta o professor de Direito envolvido em um crime cometido no campus. Todavia, exemplares como esse são raros, fato que mantém a academia americana muito à frente de todas as outras no quesito “aparecer nas telas”.

Contudo, mesmo no recheado farnel de Tio Sam, alguns elementos da universidade permanecem ausentes dos roteiros, quando se trata dos filmes de ficção. Entre as ausências, figura a história da universidade, seja no sentido totalizador do termo, seja no tratamento de universidades individualmente tomadas.

Portanto, quando vivemos o clima de festa e celebração dos 75 anos da PUC-Campinas e a ideia de história universitária nos vem à cabeça, os neurônios acionam a memória, o computador vasculha os arquivos, sem encontrar evidências de que o cinema ficcional tenha tratado intensamente do tema.

Se a história universitária não frequenta o enredo dos filmes tematizados na academia, então, sobre o que versa essa cinematografia?

As opções são muitas e vão desde comédias, a maior parte muuuuuuito chatas, até biografias romanceadas de acadêmicos que se tornaram famosos, como o matemático John Nash, ganhador do prêmio Nobel. No meio do caminho há dramas, romances, crimes e até espionagem, variedades que o leitor pode escolher navegando a Internet ou nas listas de exibições, como Netflix, entre outras possibilidades de cardápio.

Assim sendo, verificada a carência de filmes que resgatam a história universitária, como seria oportuno e conveniente para a edição de aniversário do Jornal da PUC-Campinas, mas havendo, sempre, o compromisso desta coluna e a expectativa do leitor sobre indicação de pelo menos um título ao mês, a sugestão vai para  Revelações, de Robert Benton, com Anthony Hopnkins, que, em parte, vale pelo desempenho do ator e, em parte, pelo tema, que já faz parte da história, concernente ao comportamento politicamente correto no ambiente universitário.

 

Da Campinas do café ao “Vale do Silício” brasileiro

Por Luiz Roberto Saviani Rey

“Vale do Silício Brasileiro”, “Califórnia Brasileira”, esses títulos – verdadeiros apelidos na forma de qualificação positiva e reveladora -, agregados ao perfil e à estrutura industrial-empresarial de Campinas, desde meados anos 1980, descortinam uma configuração extremamente contemporânea e universal de um município que traçou desde o princípio seus desígnios de liderança e de pujança econômica. Uma cidade que produz, com fartura, divisas ao Brasil, e gera empregos de elevada qualificação, característica que advém desde os tempos dos Caminhos de Goiazes, dos primórdios da Vila de São Carlos e das usinas de cana-de-açúcar, a partir do século XVIII, e do rico e portentoso período do Café, entre meados do século XIX e o início do século XX.

Se o desenvolvimento urbano e as grandes obras dos anos 1960 e 1970 – pautados no Plano Viário do engenheiro Prestes Maia, dos anos 1940 -, foram fundamentais para sedimentar a estrutura viária de Campinas. Se eles trouxeram modernidade e inovações urbanísticas, com a construção de longas avenidas de interligação, como os viadutos Miguel Vicente Cury e São Paulo – o “Laurão” -, as vias Suleste, Norte-Sul e Aquidabã, com a reconfiguração das Amoreiras e da John Boyd Dunlop, tornando-a “Cidade do Automóvel”, os anos 1980, menos agitados e, aparentemente pouco produtivos, proporcionaram os efeitos de expansão e vigor industrial da atualidade.

A cidade moldada para o progresso começou a experimentar os benefícios dos avanços tecnológicos a partir de 1985, com a criação da Companhia de Desenvolvimento do Polo de Alta Tecnologia de Campinas (CIATEC), fazendo emergir zonas industriais de tecnologia limpa no entorno dos campi universitários da PUC-Campinas e da Unicamp.

Com o acréscimo do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CPqD), uma holding estatal do segmento das telecomunicações, foi possível atrair empresas high tech de porte. Mais de 50 das 500 maiores empresas do mundo nesse ramo estão presentes hoje na Região Metropolitana de Campinas.

Paralelo ao campo econômico, os anos 1980 colocam Campinas nos cenários culturais, revelando ao mundo sua Orquestra Sinfônica Municipal (OSM), já em idade madura e consagrada. Marcados pela transição política, com a saída de um longo período de ditadura militar para um processo de redemocratização, esses anos levaram o Brasil a concentrar suas forças na busca de uma autoafirmação democrática.

Campinas pode desfrutar desse momento, no plano político-cultural, oferecendo a Orquestra como um símbolo da campanha nacional pela eleição direta para a Presidência da República, chamada de “Diretas-já”, a partir de emenda do deputado Dante de Oliveira, não aprovada.

Praça Carlos Gomes em 1989- Acervo do Museu da Imagem e do Som de Campinas
Praça Carlos Gomes em 1989- Acervo do Museu da Imagem e do Som de Campinas

Nos comícios pautados pela presença de imensas plateias, em apoio à proposta das Diretas, a Sinfônica de Campinas, regida pelo maestro Benito Juarez, abria esses eventos efervescentes e ávidos por abertura democrática com a execução do Hino Nacional Brasileiro e a apresentação de peças clássicas de autores consagrados, entre eles o compositor campineiro Antônio Carlos Gomes.

Na década de 1990, Campinas se consolida como uma metrópole, ou mais que isso, como sede portentosa e contemporânea de uma Região Metropolitana em expansão, em que estão presentes características populacionais inéditas para a maioria dos municípios brasileiros.

Sua pujança econômica, o vigor de seu Polo de Tecnologia, de seus serviços e sua dimensão internacional formatam uma população economicamente ativa complexa e altamente qualificada, elevando o município à categoria e importância de estado, a despeito dos problemas suscitados com a conurbação urbana e as necessidades de melhoria em transportes, de resolução de problemas urbanos e de infraestrutura sanitária comuns, que resultam desse crescimento. Nesses cenários de avanços e de emancipação humana e técnica, a PUC-Campinas insere-se com maturidade e relevantes contribuições.

 

saviani (24)

Luiz Roberto Saviani Rey é Professor do Curso de Jornalismo da PUC-Campinas e autor dos livros: A maldição dos eternos domingos sem derby (romance de costumes); O retiro antes da Laguna – Taunay em Campinas (romance histórico); O menino herói da Guerra Paulista – O bombardeio de Campinas (romance histórico) e A crônica é jornalística e brasileira (didático). Crédito: Álvaro Jr. 

 

75 ANOS: História da PUC-CAMPINAS – anos 1960

Por Wagner Geribello

Extremos…

Talvez seja essa a palavra mais adequada para definir a década de 1960.

Internacionalmente, o período é marcado pela busca de ideais libertários e positivos, como a eliminação definitiva de qualquer forma de legislação racista, a valorização igualitária de gênero e a exaltação unilateral da paz. No extremo oposto, ocorrências como a polarização política e o começo de uma década de guerra e horror no Vietnã começam a cobrar um preço alto à toda sociedade.

Biblioteca Central em 1966/ Crédito: Museu da PUC-Campinas
Biblioteca Central em 1966/ Crédito: Museu da PUC-Campinas

Ao mesmo tempo e por consequência, perspectivas de estabilização democrática, almejada e esperada no início da década, evaporam na efervescência do radicalismo, trazendo, entre outros males, tortura, terrorismo e censura ao cotidiano nacional.

 Nesse período, a história da Universidade também conhece extremos, que vão da euforia de importantes conquistas, a perdas lamentáveis e momentos de insegurança.

Em 1962 é criado o Colégio de Aplicação Pio XII, para atender demandas da, então, nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que incorpora, paradoxalmente, propostas liberais e conservadoras, em parte descortinando horizontes positivos para a Universidade e, em outra, cerceando os espaços do livre desenvolvimento da atividade acadêmica.

Ativa e participativa, a juventude do período é inquieta, questionadora e muito curiosa, ensejando a prática do debate cultural, político, social, filosófico e científico no ambiente acadêmico.

Nessa época, multiplicam-se as ofertas de formação superior. Entre 1964 e 1966 são implantados os Cursos de Psicologia, Música e Ciências Administrativas, ao mesmo tempo em que são aprovados os Cursos de Biologia e Educação Física, bem como aqueles que formarão a espinha dorsal da área de Comunicação Social, atualmente integrada ao Centro de Linguagem e Comunicação.

Alunos do Curso de Geografia- Década de 1960/ Crédito: Museu da PUC-Campinas
Alunos do Curso de Geografia- Década de 1960/ Crédito: Museu da PUC-Campinas

 

Mas foi, também, nos anos 1960 que a Universidade perdeu seu primeiro reitor, com a morte de Monsenhor Salim, em 1968. Dois anos depois morreu Dom Paulo de Tarso Campos, ampliando a perda de pessoas chaves na história da Universidade em uma única década.

O modo mais indicado de reverenciar a perda dos seus fundadores foi a incorporação do espírito combativo e empreendedor daquelas pessoas, que dinamiza e consolida a Instituição.

A Universidade chega ao final dos anos 1960 com volume de alunos e multiplicidade de Cursos que já não são suportados pelas instalações físicas e estrutura administrativa e funcional existentes, de modo que a década, ao seu término, se faz incubadora das mudanças e do crescimento que teriam lugar nos anos 1970.

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Wagner Geribello é Doutor em Educação e Consultor do Jornal da PUC-Campinas