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“Uma teoria transformadora da educação é aquela empenhada em mudar a finalidade da educação”, afirma Demerval Saviani

Em entrevista especial ao Jornal da PUC-Campinas, o Professor Emérito da Unicamp, Dermeval Saviani, que abriu o Planejamento Acadêmico-Pedagógico do 1º semestre de 2017, contextualizou e problematizou as noções de transformação e inovação na educação, retomando a importância da Pedagogia Histórico-Crítica desenvolvida por ele. O pesquisador também abordou a ideia de interdisciplinaridade na ciência, o papel e a formação dos futuros professores no Brasil: “Uma formação sólida só pode ser atingida por meio de cursos presenciais de longa duração articulados com a instituição de uma carreira docente em tempo integral numa única escola com metade do tempo destinado às aulas e a outra metade voltada às demais atividades como preparação das aulas, avaliação dos estudantes, acompanhamento dos alunos que apresentam maiores dificuldades de aprendizagem, participação nos colegiados de gestão da escola e com salários dignos”, afirmou.

A sua palestra na PUC-Campinas terá como tema “Fundamentos filosóficos e pedagógicos das metodologias de ensino”. Comente sobre o que pretende abordar na palestra?

Para abordar o tema que me foi proposto pretendo partir dos dois modelos de formação docente que tenderam a se generalizar quando, no século XIX, foram sendo organizados os sistemas nacionais de ensino: o primeiro, que denomino como “modelo dos conteúdos culturais cognitivos”, se baseia no enunciado “quem sabe, ensina” entendendo que basta ao professor dominar os conteúdos que lhe cabe ensinar aos alunos; e o segundo, “modelo pedagógico-didático”, entende que, além dos conteúdos, o professor precisa dominar os procedimentos pedagógico-didáticos mediante os quais ele transmitirá os conhecimentos aos seus alunos. O primeiro prevaleceu nas universidades para formar os professores de nível secundário; e o segundo, prevaleceu nas Escolas Normais para formar os professores primários. Por aí podemos entender a despreocupação dos professores das instituições de nível superior com a questão didático-pedagógica que se mantém ainda hoje. Tendo presente esse quadro analisarei os fundamentos filosóficos e pedagógicos das principais teorias da educação tendo como referência os conceitos de inovação e de transformação. E concluirei procurando encaminhar a questão do desenvolvimento da metodologia do ensino nas instituições universitárias voltada para a transformação estrutural da sociedade.

Como o senhor analisa a atualidade da Pedagogia Histórico-Crítica para uma escola de qualidade?

Em minha palestra farei uma distinção entre os conceitos de inovação e transformação considerando que, se toda transformação é inovação, nem toda inovação é transformação. O conceito de transformação remete à mudança da própria forma, isto é, da essência do fenômeno ao qual se refere. Portanto, uma teoria transformadora da educação é aquela empenhada não apenas em mudar os meios, os procedimentos, os métodos de ensino, mas a própria finalidade da educação articulando-a com a transformação social, isto é, com a mudança estrutural da sociedade. E é nesse âmbito que se situa a pedagogia histórico-crítica indo, pois, além tanto das teorias não críticas como das teorias crítico-reprodutivistas. Portanto, nesse momento de crise estrutural da sociedade capitalista impõe-se a necessidade de sua transformação que não se processará sem que sejam preenchidas as condições subjetivas, o que coloca a exigência da organização da educação voltada para a transformação social. Assim sendo, a pedagogia histórico-crítica revela-se extremamente atual para viabilizar uma escola de qualidade que oriente as atividades de ensino numa direção transformadora visando a superar as práticas pedagógico-metodológicas hoje predominantes no ensino superior cujas inovações, consciente ou inconscientemente, colocam-se na perspectiva da manutenção e reprodução aperfeiçoada da ordem social vigente baseada no modo de produção capitalista.

Prof. Dr. Demerval Saviani é Professor Emérito da UNICAMP/ crédito: João Zinclar

Como avalia a formação dos futuros profissionais que atuarão na educação infantil ao ensino superior?

É consenso que a formação dos professores no Brasil está marcada por vários tipos de deficiência. No entanto, as mudanças propostas vêm na direção não da superação da precariedade, mas de seu agravamento. Precisamos de professores com uma formação sólida, consistente, que lhes assegure um grande domínio da cultura acumulada assim como dos processos pedagógico-didáticos que garantam a apropriação do acervo cultural por parte dos educandos. E a formação de professores com essas características só pode ser atingida por meio de cursos presenciais de longa duração articulados com a instituição de uma carreira docente em tempo integral numa única escola com metade do tempo destinado às aulas e a outra metade voltada às demais atividades como preparação das aulas, avaliação dos estudantes, acompanhamento dos alunos que apresentam maiores dificuldades de aprendizagem, participação nos colegiados de gestão da escola e com salários dignos. No entanto, as políticas que vêm sendo propostas caminham na contramão dessa orientação ao pretender a instituição de cursos de curta duração, a distância, voltados mais para atividades práticas, mantidas as condições de salário e de trabalho docente com todas as limitações hoje vigentes.

“A pedagogia histórico-crítica revela-se extremamente atual para viabilizar uma escola de qualidade que oriente as atividades de ensino numa direção transformadora visando a superar as práticas pedagógico-metodológicas hoje predominantes no ensino superior”

Qual é o papel e a importância do professor na educação?

O papel do professor é fundamental. Ele é, sem dúvida, o agente principal do processo educativo. Concordo, pois, com Gramsci que conferia papel central ao corpo docente entendendo que, na escola, o nexo instrução-educação só pode ser representado pelo trabalho vivo do professor, pois o professor tem consciência dos contrastes entre o tipo de sociedade e de cultura que ele representa e o tipo de sociedade representado pelos alunos. Por estar consciente desse contraste entre seu lugar e o lugar do aluno no processo educativo, o professor tem consciência também de que sua tarefa é acelerar e disciplinar a formação da criança conforme o tipo superior em luta com o tipo inferior. Conclui, então, que com um corpo docente deficiente afrouxa-se a ligação entre instrução e educação e o ensino degenera em mera retórica que exalta a educabilidade do ser humano em contraste com um trabalho escolar esvaziado de qualquer seriedade pedagógica. Parece que é essa a situação em que nos encontramos hoje no Brasil quando proliferam os discursos exaltadores da importância da educação ao mesmo tempo em que se esvaziam as escolas e a própria figura do professor dos conteúdos relevantes e da seriedade pedagógica.

Como o senhor avalia a ideia de interdisciplinaridade no ensino superior? Até que ponto ela é positiva ou negativa? Por quê?

Em meados do século XX a interdisciplinaridade surgiu como via para se contornar o especialismo que marcou o desenvolvimento da ciência. Althusser fez a análise crítica da interdisciplinaridade, considerada por ele como uma ideologia, resumida ironicamente nos seguintes termos: “quando se ignora algo que todo mundo ignora, basta reunir a todos os ignorantes; a ciência surgirá da reunião de ignorantes”.  A discussão sobre a interdisciplinaridade até nossos dias atesta a fortuna assim como a controvérsia associadas a esse conceito. Para além da interdisciplinaridade, o que está em causa é o problema do método do conhecimento científico, ou seja, o caminho que o homem percorre para conhecer a realidade. O processo de conhecimento científico se constitui como a passagem do empírico ao concreto pela mediação do abstrato. É, pois, ao mesmo tempo, indutivo e dedutivo, analítico-sintético, abstrato-concreto, lógico-histórico. Vê-se, assim, que as abordagens disciplinares e interdisciplinares correspondem ao momento analítico, ao passo da abstração que, evidentemente, é necessário para se passar do empírico (síncrese) ao concreto (síntese); do todo (caótico) figurado na intuição ao todo (articulado) apropriado pelo pensamento. Em suma, o processo de conhecimento corresponde à passagem da síncrese à síntese pela mediação da análise. É esse o caminho que devemos seguir se quisermos proceder cientificamente no sentido dialético que implica a articulação das categorias de totalidade, contradição e mediação.

Integração Graduação e Sociedade

Por Caio de Souza Ferreira e Rafael Souza de Faria

Visando inserir o aluno no mundo do trabalho, com a abordagem de problemas reais, a Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD), por meio do Grupo de Trabalho “Integração Graduação e Sociedade”, busca e coordena parcerias com instituições públicas e privadas de modo a proporcionar que os alunos da PUC-Campinas possam exercitar seus conhecimentos em contextos existentes no mundo do trabalho, visando assim o benefício mútuo entre as partes. Constam, aqui, os resultados recentes das duas principais parcerias em funcionamento, com a Secretaria Municipal do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SVDS) e com o Ministério Público Federal (MPF).

A parceria com a SVDS trouxe muitos frutos no ano de 2016. Foram desenvolvidos vinte e cinco estágios supervisionados, sete trabalhos de conclusão de curso e dois projetos de extensão, envolvendo mais de cinquenta alunos, de quatro faculdades diferentes. Todos estes trabalhos trouxeram uma oportunidade única aos alunos participantes de terem contato direto com situações reais da esfera política ambiental de nosso município e de terem acompanhamento de um coorientador / cossupervisor membro do corpo técnico da SVDS. Temas como monitoramento de áreas degradadas, revegetação de matas ciliares, certificação de construções sustentáveis, amenização das ilhas de calor e propostas de parques lineares estiveram em pauta nos trabalhos desenvolvidos. Nas palavras do Secretário Rogério Menezes, “a parceria da Universidade com a Secretaria tem enriquecido muito o trabalho da SVDS. Essa relação é uma oportunidade de formar futuros técnicos e vê-los integrados à equipe da Secretaria”.

A parceria com o Ministério Público Federal (MPF) não foi diferente e também trouxe muitos resultados importantes para a PUC-Campinas e uma ampla gama de participantes. Sete faculdades participaram da parceria, envolvendo mais de setenta alunos com Trabalhos de Conclusão de Curso e mais de setenta alunos com Estágios Obrigatórios, além de mais de trezentos alunos de disciplinas curriculares que tiveram uma abordagem prática de seu conteúdo teórico envolvendo um problema de interesse do MPF, como foi o caso do georreferenciamento das unidades escolares do município. Outros temas, como projetos de sistemas construtivos para o sistema prisional, atendimento odontológico e psicológico aos prisioneiros, atuação da fisioterapia no serviço de saúde, trouxeram experiências ímpares aos alunos da PUC-Campinas, preparando-os de maneira diferencial para sua atuação profissional.

Balanço das parcerias apresentado pelo Pró-Reitor de Graduação, Prof. Dr. Orandi Mina Falsarella/ Crédito Álvaro Jr.

Novas parcerias vêm sendo aprovadas e almejam aumentar o número de possibilidades de aprimoramento da Graduação. Para o ano de 2017, está prevista a formalização das parcerias com a Mata Santa de Santa Genebra, com o Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira, com o Instituto Padre Haroldo e com a Secretaria Municipal de Comunicação de Campinas. Os docentes integrantes deste grupo gestor, se colocam à disposição para orientação sobre os procedimentos para participação nas parcerias existentes e para a constituição de novas parcerias.

Prof. Dr. Rafael Souza Faria leciona na Faculdade de Ciências Biológicas, na Faculdade de Engenharia Ambiental e na Faculdade de Engenharia Civil. 

Prof. Me. Caio de Souza Ferreira leciona na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo

Confira as demais reportagens sobre a parceria, clicando aqui e aqui. 

Profa. Dra. Mariangela Cagnoni Ribeiro

(Coordenadora de Graduação) – cagnoni@puc-campinas.edu.br

Prof. Caio de Souza Ferreira

(Coordenador do Grupo) – caio.ferreira@puc-campinas.edu.br

Prof. Rafael Souza de Faria – rafael.faria@puc-campinas.edu.br

Profa. Luciana Gurgel Guida Siqueira – lgurgel@puc-campinas.edu.br

Prof. José Antonio Bernal Fernandes Olmos – olmos@puc-campinas.edu.br

Profa. Cristina Reginato Hoffmann – hoffmann@puc-campinas.edu.br

Retrospectiva PUC-Campinas 2016

O ano de 2016 da PUC-Campinas foi de muitas conquistas e comemorações. Em junho, a Universidade celebrou seus 75 anos de fundação, fato que rendeu inúmeras comemorações ao longo do ano. Porém, como não é possível falar sobre tudo que a Universidade promoveu, elencamos os principais acontecimentos que foram notícia

Por Amanda Cotrim

Em maio, a PUC-Campinas realizou o Colóquio Laudato Si’: Por uma Ecologia Integral, que contou com a presença do Magnífico Reitor da PUC-Rio, Prof. Dr. Pe. Josafá Carlos de Siqueira. O tema escolhido foi baseado na Encíclica do Papa Francisco, “Laudato Si’: sobre o cuidado da Casa Comum”, que apresenta texto sobre a ecologia humana; o primeiro documento escrito integralmente pelo Papa Francisco, que buscou inspiração nas meditações de São Francisco de Assis, patrono dos animais e do meio ambiente.

Restauro do Solar do Barão, antigo Campus Central.
Restauro do Solar do Barão, antigo Campus Central.

O ano de 2016 também foi importante, pois a Universidade anunciou o restauro do Solar do Barão, antigo Campus Central. A iniciativa será possível em razão do financiamento coletivo, que se dará tanto por pessoa jurídica e física, quanto por edital de fomento. Diante da responsabilidade cultural que a legislação orienta, a PUC-Campinas observa que a preservação do patrimônio cultural é uma obrigação de toda a sociedade civil.

A Universidade foi destaque no Guia do Estudante de 2016, ficando entre as melhores universidades, segundo a avaliação realizada pelo Guia do Estudante. Ao todo, a Instituição teve 33 cursos estrelados, que constarão na publicação GE Profissões Vestibular 2017. A publicação estará nas bancas a partir do dia 14 de outubro de 2016. A Universidade recebeu 120 estrelas, tendo os cursos de Direito e Pedagogia avaliados com cinco estrelas, considerada a mais alta.  Além destes, 17 cursos, foram estrelados com quatro estrelas.

Nos 75 anos da PUC-Campinas, o Jornal da Universidade também foi especial, pois resgatou vários acontecimentos históricos que marcaram a instituição. A edição comemorativa do Jornal da PUC-Campinas resgatou fatos e pessoas que se destacaram em 75 anos de História, bem como abriu espaço para manifestações diversas sobre o significado dessa História para os tempos presente e futuro da Universidade. Esse movimento reafirmou e confirmou que, nos seus diferentes modos de ser e fazer, com variados recursos, incluindo os mais atuais e modernos, de perfil informatizado, a comunicação destacou-se como preocupação precípua e valor de primeira grandeza da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

A instituição também reconheceu e homenageou os Docentes Pesquisadores da PUC-Campinas, evento que fez parte das Comemorações aos 75 anos de fundação da Universidade.

Semana Monsenhor Salim: Integrando as comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade, por meio do Museu Universitário e da Faculdade de História, promoveu a Semana Monsenhor Dr. Emílio José Salim, de 13 a 17 de junho, no Campus I. Em meio a palestras com mediadores e rodas de conversa, que abordaram temas como “Década de 1940: o surgimento das Faculdades Campineiras”, “Monsenhor Dr. Emílio José Salim e o seu tempo (1941 a 1968)”, “Memórias e Convivências”, a PUC-Campinas buscou refletir sobre a conjuntura nacional e internacional, no período de atuação de seu primeiro Reitor, Monsenhor Dr. Emílio José Salim. Corpo e alma da Instituição desde o seu nascedouro, e à época, uma das maiores autoridades de Ensino Superior do País, o Monsenhor Dr. Emílio José Salim foi peça chave da organização da maioria dos cursos superiores da Igreja nas décadas de 40 e 50. Tornou-se o principal esteio do projeto de implantação das Faculdades Campineiras e seu primeiro Reitor, entre os anos de 1958 a 1968.

40 anos de reconhecimento: No ano do Jubileu de Diamante da PUC-Campinas, a Faculdade de Ciências Contábeis comemorou os 40 anos de Reconhecimento do Curso.

Destaque na Extensão: a PUC-Campinas foi destaque no Congresso Brasileiro de Extensão Universitária (CBEU), o maior e principal encontro brasileiro da área de Extensão. Em 2016, em sua sétima edição, o Congresso aconteceu na Universidade Federal de Ouro Preto, no mês de setembro. A Universidade teve destaque no evento ao participar com 12 comunicações orais e 23 pôsteres, totalizando 35 apresentações.

Alunos e professores se destacaram: A Universidade, em 2016, comemorou muitas conquistas junto aos seus alunos, como a Parceria com a CPFL Energia e Dell, a qual possibilitou que os estudantes do curso de Engenharia Elétrica da PUC-Campinas, por meio da disciplina “Práticas de Engenharia”, ministrada pelo Prof. Dr. Marcos Carneiro e pelo Prof. Me. Ralph Robert Heinrich, participam do “Projeto Residência Tecnológica”, considerado um exercício inovador de ensino-aprendizagem.

Ainda na Engenharia Elétrica, o aluno Giordano Muneiro Arantes venceu em primeiro lugar Prêmio Melhor Trabalho de Conclusão de Curso, com o trabalho “Sensores para melhoria na locomoção de pessoas com deficiência visual”. Outro aluno premiado foi o estudante de Jornalismo da PUC-Campinas, Ricardo Domingues da Costa Silva, que venceu o 19º prêmio FEAC de Jornalismo, na categoria Produto Universitário, assim como Jhonatas Henrique Simião, de 22 anos, que ficou em primeiro lugar no 9º Prêmio ABAG/RP de Jornalismo “José Hamilton Ribeiro”.

Em 2016, a Profa. Dra. Maria Cristina da Silva Schicchi, docente do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da PUC-Campinas foi outorgada com o Prêmio ANPARQ 2016, da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, na categoria Artigo em Periódico, pela publicação “The Cultural Heritage of Small and Medium- Size Cities: A New Approach to Metropolitan Transformation in São Paulo-Brazil”, editado na traditional Dwellings and Settlements Review (v. XXVII, p. 41-54, 201).

Semana Cardeal Agnelo Rossi: Integrando às comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade, por meio do Museu Universitário e da Faculdade de História, promoveu a Semana Cardeal Agnelo Rossi, em setembro de 2016. A Instituição reuniu a comunidade universitária e a sociedade em geral e homenageou o Cardeal Agnelo Rossi, que ajudou a consolidar os alicerces da PUC-Campinas.

Outorga do Título Doutor Honoris Causa ao prof Dr José Renato Nalini - Lançamento do livro Cardeal Agnelo Rossi
Outorga do Título Doutor Honoris Causa ao prof Dr José Renato Nalini – Lançamento do livro Cardeal Agnelo Rossi

A PUC-Campinas também viveu dois momentos muito importantes em 2016: outorgou o título de Doutor Honoris Causa ao Professor Doutor José Renato Nalini, formado em Direito pela PUC-Campinas, Mestre e Doutor em Direito Constitucional pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Leciona desde 1969, quando iniciou suas atividades no Instituto de Educação Experimental Jundiaí (atual E.E. Bispo Dom Gabriel Paulino Bueno Couto) dando aula de Sociologia em aperfeiçoamento para professores. Desde então, nunca mais deixou de lecionar.

A Instituição também foi palco da terceira edição do projeto “Palavra Livre – Conscientização Política no Processo Eleitoral”, com sabatina aos candidatos à Prefeitura e à Câmara de Vereadores de Campinas, no mês de setembro. O projeto “Palavra Livre” acontece desde 2005 e promove debates democráticos sobre temas diversificados da atualidade. Em 2008, como parte do projeto, foi realizada a primeira Sabatina com candidatos à Prefeitura de Campinas, o que se repetiu em 2012 e em 2016.

Dom Gilberto participa da Semana em sua homenagem
Dom Gilberto participa da Semana em sua homenagem

Semana Dom Gilberto: Integrando às comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade promoveu a Semana Dom Gilberto Pereira Lopes, em outubro, reunindo comunidade universitária e a sociedade em geral, homenageando o Bispo Emérito de Campinas Dom Gilberto Pereira Lopes, que atuou como Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da Pontifícia Universidade Católica de Campinas no período de 1982 a 2004. A homenagem mostrou o histórico trabalho de Dom Gilberto frente à Arquidiocese de Campinas e à PUC-Campinas e prestou agradecimento pela sua dedicação e amor para com a Universidade e para com o seu povo.

Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”: Integrando às comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade realiza de 07 a 10 de novembro de 2016 o Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”. O evento foi organizado pelo Núcleo de Fé e Cultura e teve o objetivo de discutir a Doutrina Social da Igreja, por meio de conferências e mesas-redondas.

Afetividade como porta de entrada do aprendizado infantil

Projeto de Extensão da PUC-Campinas incentiva tomada de posição afetiva do professor em sala de aula e colhe bons resultados

 Por Amanda Cotrim

Não é preciso ter só competência para entrar em uma sala de aula e ensinar crianças de 7 a 12 anos de idade. É preciso compreender o lugar do professor, da criança e da escola; ou seja, é necessário olhar para o contexto social e saber quem é o aluno. As escolas públicas, localizadas em bairros com pouca ou nenhuma infraestrutura social, são as mais penalizadas pelo abandono do poder público e o trabalho do professor é afetado diretamente.

Coordenadora dos anos iniciais da Escola Estadual Gloria Aparecida Rosa Viana, Ana Julia Fernandes Silva. /Álvaro Jr.
Coordenadora dos anos iniciais da Escola Estadual Gloria Aparecida Rosa Viana, Ana Julia Fernandes Silva. /Álvaro Jr.

Como acessar esse aluno, que chega à escola e necessita de um ensino de qualidade, mas também de atenção? Como saber o limite entre ser professor e ser amigo? Essas perguntas motivaram a criação do Projeto de Extensão “Processos afetivos e relações interpessoais no contexto da educação infantil”, que tem como responsável a Profa. Dra. Rita Maria Manjaterra Khater, da Faculdade de Psicologia da PUC-Campinas.

O objetivo inicial do projeto era desenvolver atividades com os professores de escolas da rede pública estadual de Campinas. “A perspectiva teórica passa pelo entendimento da relação entre eu e o outro, onde a afetividade é considerada um elemento essencial para o processo de desenvolvimento humano; como uma porta de entrada para o aprendizado”, destaca a professora Rita.

As escolas públicas que participam do projeto foram escolhidas pela Diretoria de Ensino de Campinas Oeste/Álvaro Jr.
As escolas públicas que participam do projeto foram escolhidas pela Diretoria de Ensino de Campinas Oeste/Álvaro Jr.

As escolas públicas que participam do projeto foram escolhidas pela Diretoria de Ensino de Campinas Oeste, órgão responsável pela supervisão das escolas de maior índice de vulnerabilidade social. Os professores participantes lecionam para os anos iniciais (1ª a 5ª série) e os anos finais (6ª a 9ª série), além do Ensino Médio. Os encontros com a equipe do projeto de Extensão da PUC-Campinas são quinzenais e ocorrem na Escola Estadual Gloria Aparecida Rosa Viana, no Satélite Iris II, e na Escola Estadual Prof. Élcio Antonio Selmi, no Residencial Cosmos, ambas na região Noroeste de Campinas.

“Esse projeto está sendo essencial, pois nele discutimos situações que muitas vezes o professor passa na sala de aula, mas não divide com ninguém. A afetividade é uma construção, então, é fundamental que o professor seja carinhoso com o aluno, porque na casa da criança muitas vezes é o oposto, é uma vida de violência, e a escola é o lugar onde se pode fazer a diferença”, opina a Coordenadora dos anos iniciais da Escola Estadual Gloria Aparecida rosa Viana, Ana Julia Fernandes Silva.

“No momento em que escolhemos trabalhar com crianças, temos que ter consciência de que a relação afetuosa será construída no cotidiano e que a afetividade em sala de aula é uma ferramenta para o ensino. As crianças precisam da gente”, defende Graziele de Oliveira, professora da 1ª a 5ª série. Sua colega de trabalho, Vanizi Maria Marçal, compartilha desse sentimento: “Com o projeto da PUC-Campinas, podemos falar sobre as nossas vivências em sala de aula e trabalharmos juntos para aprimorar a nossa postura diante da criança”, considera.

Professores precisam ser ouvidos

Projeto: "Processos afetivos e relações interpessoais no contexto da educação infantil"/ Álvaro Jr.
Projeto: “Processos afetivos e relações interpessoais no contexto da educação infantil”/ Álvaro Jr.

Para o Coordenador dos anos finais (6ª a 9ª série), da Escola Estadual Prof. Élcio Antonio Selmi, Manuel Gondim, o projeto de extensão da Universidade se diferencia porque tem como foco o professor. Segundo ele, nos últimos anos, a escola em que Gondim trabalha registrou conflitos na relação professor x aluno ao que tange, principalmente, a indisciplina e ao desrespeito. “Esse projeto veio num momento muito importante. Era preciso ouvir o professor. Muitos projetos visam os alunos, o que é fundamental, mas quase não enxergam esse profissional que é essencial para a qualidade do ensino”, observa.

Gondim relata que no início das reuniões com os seus colegas professores e com a responsável pelo Projeto de Extensão da PUC-Campinas, Profa. Rita, surgiram algumas dúvidas, como, por exemplo, o limite do ser professor e ser amigo. “Nos encontros, discutimos muito isso, porque é uma dúvida geral. E o limite é justamente até onde vai o pedagógico”, ressalta.

Uma relação dialógica e dialética

Para a aluna bolsista do Projeto de Extensão da PUC-Campinas, Pamela de Oliveira, que está no 4º ano de Psicologia, “foi fundamental ter essa vivência com os professores e perceber o docente por outro ponto de vista. Ele, muitas vezes, é fragilizado por esse sistema de educação, o que o impossibilita de exercer a afetividade. E esse é o desafio do nosso projeto”, afirmou a estudante.

“Levamos sempre atividades lúdicas para motivar a reflexão durante os encontros junto aos professores e também porque acreditamos que essas atividades ajudam a construir a afetividade”, complementa o aluno bolsista do Projeto de Extensão, Romulo Lopes, de 20 anos, aluno do segundo ano de Psicologia.

Para a responsável pelo projeto de Extensão, Professora Rita, o entendimento do papel da dimensão afetiva para o desenvolvimento humano é uma importante contribuição da psicologia para a prática pedagógica. “Possibilitar para o professor oportunidade de discutir práticas facilitadoras da construção de uma boa relação entre professor e aluno permeada por segurança e aconchego emocional, solidariedade entre pares e com proximidade nos relacionamentos humanos, contribui para que a aprendizagem ocorra com maior eficiência. Este projeto de extensão espera colaborar na formação dos professores no que se refere ao aprimoramento dos processos afetivos do  cotidiano dessas escolas”, considera.

 

 

 

 

Ex-alunos da PUC-Campinas são destaque no Brasil e no mundo

No mercado ou na área acadêmica, ex-alunos da PUC-Campinas mostram como faz diferença escolher uma Universidade que possibilite mais do que um diploma, uma formação.

Por Amanda Cotrim

O presidente de empresa mais bem avaliado do Brasil é o ex-aluno da PUC-Campinas, Marcio Henrique Fernandes. Formado em Administração pela Instituição, ele ocupa o cargo de presidente da Elektro, desde 2011, quando ainda tinha 36 anos. O fato de Marcio ser jovem e já ocupar o cargo mais alto dentro de uma empresa, o fez ser destaque em diversos jornais e revistas do Brasil, os quais ressaltaram que em uma escala de zero a 100, a gestão de Marcio foi avaliada em 98,3, a partir de pesquisa “As melhores empresas para você trabalhar”.

Marcio Fernandes obteve sucesso por ser um dos executivos mais jovens ocupando a presidência de uma empresa/ Crédito: Assessoria.
Marcio Fernandes obteve sucesso por ser um dos executivos mais jovens ocupando a presidência de uma empresa/ Crédito: Assessoria.

Ninguém consegue o que Fernandes conseguiu em um “passe de mágica”. É preciso, segundo ele, uma base. “A PUC-Campinas me ofereceu essa base e me ajudou concretizar meus sonhos no mundo do trabalho”. Ele escolheu a Universidade por causa do corpo docente, “referência na Administração”, destaca.

Outro caso de sucesso, mas dessa vez na carreira acadêmica ocorreu com o ex-aluno José Rubens Rebellato, formado em Fisioterapia na década de 1970. “Por ser a Universidade mais moderna em relação às demais universidades – como a Universidade de São Paulo- a PUC-Campinas me permitiu uma visão menos conservadora sobre a profissão”, conta ele, ressaltando que essa modernidade permitiu que o conjunto de profissionais formados pela PUC-Campinas pudesse propor alterações na montagem de outros cursos de Fisioterapia pelo país. “Fiz parte do grupo que montou o curso de Fisioterapia da Universidade Federal de São Carlos, considerado um dos melhores do país durante muitos anos”, destaca.

Rebelatto se dedicou à vida acadêmica e à pesquisa. Ele foi Reitor da Federal de São Carlos, entre 1996 e 2000, e Secretário de Educação Superior Substituto do Ministério da Educação. Hoje, o ex-aluno se lembra da PUC-Campinas com carinho. “O Pátio dos Leões é, sem dúvida, minha memória mais viva, pois foi lá em que iniciamos o curso de Fisioterapia. Era um local em que ocorriam os movimentos políticos e as pequenas mobilizações acadêmicas. Uma época muito especial, cuja esperança de um futuro melhor era o que imperava”, se orgulha.

Dom Sérgio da Rocha é Presidente da CNBB/ Crédito: Álvaro Jr.
Dom Sérgio da Rocha é Presidente da CNBB/ Crédito: Álvaro Jr.

Exemplos de ex-alunos que têm sucesso em suas carreiras não são poucos. Um dos que foram filhos da PUC-Campinas é do atual Arcebispo de Brasília e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Sérgio da Rocha. Segundo ele, a existência de uma comunidade acadêmica decorre do dinamismo e do caráter dialogal do saber: “Ao fazer isso, a Universidade se torna um local de formação integral para a vida”, observou Dom Sérgio que é formado em Teologia pela Instituição. O Presidente da CNBB tem Mestrado em Teologia Moral pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, de São Paulo, e obteve o Doutorado na Academia Alfonsiana da Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma.

Do Brasil para o Mundo

Cristiane Squarize fundou o laboratório de Biologia Epitelial nos Estados Unidos/ Crédito: Álvaro Jr.
Cristiane Squarize fundou o laboratório de Biologia Epitelial nos Estados Unidos/ Crédito: Álvaro Jr.

Cristiane Squarize e Rogério Moraes se conheceram na PUC-Campinas, no curso de Odontologia, na década de 1990, quando começaram a namorar. Do namoro veio o casamento, o mestrado, doutorado e o pós-doutorado. Hoje, os dois são professores da área de patologia bucal, na Faculdade de Odontologia da Universidade de Michigan e fundadores e responsáveis pelo laboratório de Biologia Epitelial da universidade, nos Estados Unidos. Em 2014, Cristiane concedeu entrevista ao Jornal da PUC-Campinas, na qual revelou que a formação que recebeu na Universidade para o sucesso da sua carreira foi fundamental. “A formação que tivemos foi única. Na PUC-Campinas tivemos acesso à prática e ao paciente durante todo o curso, o que me deu uma formação mais humana”, lembra a ex-aluna.

A oportunidade de trabalhar nos Estados Unidos surgiu quando a pesquisadora estava no doutorado sanduíche (termo usado para dizer que o aluno fez parte do curso de doutorado fora do país). “Eu fiquei em um laboratório da mesma universidade em que trabalho hoje e, paralelamente, fui publicando meus artigos científicos, até que eu e meu esposo fomos convidados para fazer o pós-doutorado lá. Em 2010, a universidade abriu concurso e passamos. Os dois!” brinca Cristiane. Para ler a matéria completa, acesse o link aqui. 

Ocupar cargos que extrapolam as fronteiras do Brasil também foi o caso de Cyro Diehl, que é formado em Análise de Sistemas pela PUC-Campinas, em que também realizou Pós-Graduação em Gestão Empresarial. O executivo ingressou na empresa Oracle, em junho de 1997, com o desafio de montar o escritório regional em Campinas, no interior de São Paulo, em que ficou até 2000. Nesse mesmo ano, foi convidado para iniciar, em Miami (EUA), o Oracle Direct Brasil e, no final de 2001, estruturou a divisão para toda a América Latina. Após essa experiência, ele assumiu a vice-presidência de Vendas Indiretas da Oracle do Brasil e, no início de 2006, foi promovido à vice-presidência de Vendas Indiretas da Oracle para a América Latina, passando a responder por todo o continente. Em 2009, Cyro Diehl assumiu a presidência da Oracle do Brasil. Ele conta que seu maior objetivo é “manter o ritmo de crescimento da operação da empresa no País”.

A Universidade já formou 18 desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo, sendo um deles o Desembargador, formado em Direito, Francisco Vicente Rossi. A PUC-Campinas também esteve presente na vida de personalidades de grande apelo midiático, como alguns famosos. É o caso do técnico de futebol Tite, formado em Educação Física e da jornalista Renata Ceribelli, correspondente internacional nos Estados Unidos pelo programa Fantástico, da Rede Globo. A cantora Sandy, formada em Letras pela Instituição, também figura a lista de personalidades conhecidas do grande público.

 

 

Aulas de Filosofia foram embrião para primeiro Cineclube universitário

Exibições de filmes acompanhados de debate aconteciam no Prédio Central da PUC-Campinas e no Centro de Ciências, Letras e Artes

Por Amanda Cotrim

As aulas de Estética do Professor Padre Lúcio de Almeida, docente da Faculdade de Filosofia, da antiga Universidade Católica – atual PUC-Campinas – são exemplos daquelas aulas que mais do que ensinar, inspiram e fazem os alunos caminharem adiante.

Em 1964, a Faculdade de Filosofia promoveu uma semana de estudos filosóficos – algo recorrente no curso -, e o tema daquele ano foi cinema. Na ocasião, vários filmes foram exibidos, incluindo películas de Humberto Mauro e Alain Resnais, hoje, clássicos do cinema mundial.

“A partir dessa semana de estudos, pensamos: Por que não criar um lugar permanente de discussão de cinema, em Campinas”? Lembra um dos fundadores do primeiro cineclube universitário da cidade, Luiz Borges, que, à época, era estudante de Direito da PUC-Campinas, e garante que o interesse pelo cinema sempre foi cultural e não um simples entretenimento.

Cineclube foi destaque no jornal Diário do Povo, em 20 de março de 1966/ Arquivo Cineclube.
Cineclube foi destaque no jornal Diário do Povo, em 20 de março de 1966/ Arquivo Cineclube.

“O contexto histórico no Brasil e no mundo era especialmente propício para cinema. Havia uma ebulição de criatividade na Europa, Leste Europeu, Ásia, o cinema independente dos EUA e o Cinema Novo, no Brasil.  Para a nossa geração, o Cinema Novo foi um acontecimento. A primeira vez que assistimos ao filme ‘Deus e o diabo na terra do sol’, de 1964, do Glauber Rocha, foi um choque”, recorda Borges, que ainda cita os clássicos filmes de Ingmar Bergman e Federico Fellini.

Em março de 1965, Luiz Borges, Dayz Peixoto e outros estudantes formaram, oficialmente, o Cineclube Universitário de Campinas. “Todas as exibições eram acompanhadas de debates. Entregávamos, em todas as sessões, um folheto com uma crítica sobre o filme que seria exibido. A crítica cinematográfica sempre fez parte do Cineclube”, conta Dayz, que foi estudante de Filosofia da então Universidade Católica.

Borges e Dayz no auditório do CCLA/ Crédito: Álvaro Jr.
Borges e Dayz no auditório do CCLA/ Crédito: Álvaro Jr.

Cineclube e a Universidade

“O Cineclube tinha total relação com a Universidade; uma das normas era que a Diretoria só fosse composta por alunos da Universidade Católica – o que depois se abriu para estudantes de outras universidades” -, afirma Dayz. “Cada classe de cada curso havia um representante do Cineclube. Chegamos a ter 300 associados, que contribuíam financeiramente. O projeto só funcionou porque havia um objetivo em comum”, destaca Borges.

As exibições e os debates aconteciam nas dependências do antigo Campus Central da PUC-Campinas, no auditório do Centro de Cultura Letras e Artes, entre outros espaços culturais. “Não havia um espaço físico próprio. Essa foi a nossa coragem”, ressalta Dayz.

O CCLA, que sempre apoiou entidades culturais e educativas da cidade, teve relevância histórica para a PUC-Campinas. Segundo Dayz, “os debates sobre a necessidade de uma faculdade para Campinas nasceram no auditório do Centro de Ciências, Letras e Artes. Podemos dizer, então, que o CCLA foi o marco zero tanto para a criação da PUC-Campinas quanto da Unicamp”, orgulha-se ela que chegou a ser a única presidente mulher do CCLA.

Cineclube cresce e aparece

Os fundadores do Cineclube Universitário de Campinas não imaginavam que uma vontade que começou nas aulas de Filosofia da PUC-Campinas poderia se transformar num mercado alternativo do cinema de arte. “Localizamos uma empresa que trabalhava com grandes distribuidores e passamos a negociar as exibições. Eu ia até São Paulo, na Rua do Triunfo, pegava o filme, voltava para Campinas e negociava o aluguel com os cinemas da época, como o Cine Brasília e o Cine Voga, entre outros”, contextualiza Borges. “Todos ganhavam: a distribuidora, o cinema e o Cineclube, que começou a arrecadar receita”.

O dinheiro possibilitou uma nova fase para o Cineclube Universitário: a publicação de um jornal – que teve cinco edições e durou de 1965 a 1966 – e a produção de curtas metragens, sendo os primeiros o filme Um Pedreiro, que teve roteiro de Borges e Direção de Dayz Peixoto, o curta O Artista, também de autoria de Borges e o filme Dez Gingles para Oswald de Andrade, dirigido por Rolf de Luna Fonseca, com roteiro de Décio Pignatari, tendo o Professor Francisco Ribeiro Sampaio no papel de Oswald.

 “Todas as produções contaram com o apoio imprescindível de Henrique de Oliveira Júnior – um dos fundadores do Museu da Imagem e do Som de Campinas -, que era nosso fotógrafo e técnico”, esclarece Borges.

O Cineclube Universitário manteve suas atividades até 1973, sendo a última ação o lançamento de um documentário de Rolf Fonseca.  Seu fim, segundo Dayz, se deve essencialmente ao fato de as pessoas que participaram terem seguido suas carreiras e adquiridos outros compromissos. Se ainda estivesse ativo, em 2015, o Cineclube teria completado 50 anos.

Jornal do Cineclube: da esquerda para direita:Rolf, José Alexandre, Borges, Padre Lucio, Dayz/ Arquivo
Jornal do Cineclube: da esquerda para direita:Rolf, José Alexandre, Borges, Padre Lucio, Dayz/ Arquivo

Cinema e o século XXI

Na opinião de Borges, a situação do cinema não mudou muito no que tange o acesso aos filmes de arte daquela época até hoje. “Estamos passando mais ou menos pela mesma situação. Mas antes, chegavam poucos filmes, mas chegavam; hoje não chega filme algum”. Além disso, para ele, “criar um Cineclube Universitário como foi antes, nos dias de hoje, torna-se um desafio muito maior, porque as pessoas antes estavam mais próximas, um contexto oposto aos dias atuais”,”, defende.

Apesar disso, o amor pelo cinema não diminuiu. “Nada se compara à experiência única do cinema, com o apagar das luzes e o filme projetado na tela”, finalizam Borges e Dayz.

 

À frente de sua própria história

PUC-Campinas tem aproximadamente 18 mil alunos e 900 professores e um corpo técnico administrativo qualificado, distribuídos em 53 cursos de graduação. Graduou 180 mil profissionais que atual em diversas áreas do conhecimento

Prof. Dr. Orandi Mina Falsarella

A importância e qualidade do ensino de graduação da PUC-Campinas podem ser comprovadas pela inserção dos nossos alunos no mundo do trabalho, pela formação integral do ser humano com capacidade para atuar em situações reais do cotidiano profissional. Essas habilidades e competências são comprovadas por mais de três mil empresas, indústrias e/ou instituições públicas e privadas que os acolhem, em função do conhecimento que eles adquirem na Universidade, os quais são sustentados por um corpo docente altamente qualificado e atualizado em suas respectivas áreas e com atividades desenvolvidas em laboratórios de ensino que contam com tecnologias atuais e emergentes, permitindo assim ao estudante exercitar, por meio de atividades práticas, simulações do mundo real.

Hoje, a PUC-Campinas tem aproximadamente 18 mil alunos e 900 professores e um corpo técnico administrativo qualificado, distribuídos em 53 cursos de graduação, que abrangem as áreas de Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas, Ciências da Saúde, Linguagem e Comunicação e Ciências Exatas. Em 75 anos de existência, já graduou 180 mil profissionais que atuam em diversas áreas de conhecimento, desde o oferecimento de seu primeiro curso, em 1941.

A PUC-Campinas sempre esteve à frente de sua própria história, olhando para o futuro e preocupada com sua comunidade justamente pelos pilares que sustentam seus valores, destacando o compromisso social, o espírito de solidariedade e a sua responsabilidade pela colocação de profissionais altamente qualificados no mundo do trabalho.

A Universidade mantém também de convênios com inúmeras instituições da Região Metropolitana de Campinas para o desenvolvimento de Trabalho de Conclusão de Curso, práticas de atividades complementares, e estágios, a fim de que os alunos tenham oportunidades de exercitar o que foi aprendido em sala de aula em situações reais, portas que se abrem para futuras e efetivas contratações. Existem, ainda, convênios com Universidades do exterior para que os nossos alunos possam realizar intercâmbios acadêmicos.

Com a missão de produzir, enriquecer e disseminar o conhecimento, sua ação também se volta aos cursos que têm como compromisso a formação de docentes para a educação básica, as Licenciaturas, presentes nas redes privadas e públicas, municipal e estadual.

A receptividade ao aluno ingressante é uma de suas principais iniciativas a cada ano letivo, a fim de detalhar o curso escolhido, a trajetória de formação e um mundo de possibilidades e saberes que vão muito além da sala de aula. Há o acolhimento pelo corpo docente, de modo que o aluno conheça os programas institucionais, projetos de pesquisa, atividades esportivas e acadêmicas pensadas para propiciar uma formação completa, atual e integral. Somando a isso, há a flexibilidade curricular com as práticas de formação, um diferencial que agrega e possibilita a capacitação em áreas de interesse do estudante.

Essa é a PUC-Campinas que olha para seu aluno, está atenta ao seu desenvolvimento, ao aprimoramento de seu conhecimento e, como não poderia deixar de ser, também se preocupa com a inserção de alunos que têm deficiência e/ou mobilidade reduzida por meio do Programa de Acessibilidade, um serviço de apoio pedagógico que oferece intérprete de Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, transcrição de material em grafia ampliada, material em Braille, entre outros apoios.

Toda essa dinâmica permite à PUC-Campinas ser referência no mundo acadêmico e no profissional, destacando-se com honradez pelo trabalho realizado. Não são poucos os prêmios recebidos, o que garante a essa Universidade a qualidade do ensino por excelência.

Prof. Dr. Orandi Mina Falsarella é Pró-Reitor de Graduação.

 

 

Como o universitário pode se alimentar melhor?

Por Patrícia Frenhani

A questão central é se o aluno mora sozinho ou com a família. Se ele morar sozinho, será preciso mais disciplina e motivação.

O ideal seria avaliar, de forma individualizada, as condições e a alimentação de cada estudante por meio de consulta nutricional, mas, de modo geral, algumas orientações e dicas podem ser relevantes a todos.

O local de armazenamento da comida é fundamental para que o aluno possa ter uma alimentação segura. Ele pode preparar pratos rápidos e saudáveis no final de semana e congelá-los para facilitar o consumo em casa durante a semana.

No final de semana, o aluno também pode higienizar as verduras e legumes, guardá-las em potes na geladeira e, durante a semana, consumir de forma prática. Deve-se apenas planejar a quantidade a ser preparada para que não se deteriorem na geladeira.

Evitar industrializados

Deve-se evitar levar refeições prontas para a faculdade, pois se forem deixadas sem refrigeração para consumo mais tarde, haverá o risco de contaminação e intoxicação alimentar. Se tiver a opção de mantê-las em refrigeração e aquecê-las na hora do consumo, seria uma ótima alternativa. Apenas tomar o cuidado de armazenar a salada crua em pote separado. Mas se o consumo for feito em restaurantes, optar por pratos ou alimentos mais saudáveis no dia a dia.

De uma forma geral, o estudante pode levar lanches práticos e seguros para consumir nos intervalos, como frutas e barras de cereal (com baixo teor de açúcar). As castanhas, nozes e frutas secas constituem uma possibilidade de lanche rápido, saudável e de fácil armazenamento. Apenas tomar cuidado com a quantidade, pois são mais calóricas.

O ponto chave e mais relevante da alimentação hoje consiste em evitar os alimentos industrializados, devido ao alto teor de gorduras saturadas e trans, açúcar e sódio, como por exemplo, sucos de caixinha e em pó, macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote, frango empanado, refeições congeladas, refrigerantes, biscoitos. Tomar cuidado também com a ingestão frequente dos embutidos e carnes processadas como hambúrguer, salsicha, linguiça, bacon, presunto, mortadela, salame. Os alunos, por causa da correria, acabam comendo esse tipo de alimento por ser mais prático. Mas a boa notícia é que tem como fazer uma comida prática, rápida, gostosa e saudável e o nutricionista poderá ajudar nas escolhas e no preparo de receitas diversificadas.

Dica para o aluno que estuda a noite e trabalha

Para o aluno que estuda no período noturno, uma dica seria jantar antes de ir para aula. No intervalo, ele pode comer uma fruta, uma barra de cereal ou castanha e, quando chegar em casa, fazer um refeição leve, por exemplo um lanche natural com pão integral, queijo branco, requeijão light ou patê de atum ou sardinha sem óleo (feito com ricota ou iogurte desnatado), com folhas verdes, tomate, cenoura ralada e um suco natural. Uma torta de liquidificador, preparada antecipadamente, também é uma opção prática e pode representar uma refeição completa se incluir farinha integral ou aveia, verduras, legumes e fonte proteica (carne moída ou frango desfiado) na receita. Como sobremesa preferir as frutas.

É importante salientar que não adianta consumir exageradamente os produtos com menor teor de gordura ou light, como o peito de peru, requeijão light e queijo branco, pois estes ainda contêm gordura e energia. Assim, a dica seria evitar comê-los em grandes quantidades e/ou de forma muito frequente. Muitas vezes, os jovens acham que porque o produto é light, é possível consumir à vontade. Mas isso é um engano. Da mesma forma, o refrigerante zero ou diet contém adoçante que não é saudável como se pensa, ocasionando, muitas vezes, alguns efeitos colaterais como dores de cabeça, além de deixar o nosso paladar menos sensível ao açúcar, não ter nenhum valor nutricional, aumentar o risco de osteoporose e constituir um hábito nada saudável, substituindo alimentos mais nutritivos, como um suco de fruta natural, ou mesmo a água, que acaba sendo pouco ingerida no dia.

Quanto comer nas refeições?

A metade do prato deve ser constituída de verduras e legumes crus e cozidos. A outra metade é dividida ao meio entre fontes de proteínas – carnes ou ovos e leguminosas (feijão, lentilha, ervilha, soja) – e alimentos ricos em energia, como arroz, milho, macarrão, batata ou mandioca, dando preferência aos cereais integrais.

É fundamental comer de três em três horas para manter o metabolismo ativo e o gasto energético e também para não ficar com muita fome nas refeições e, assim, controlar o consumo.

Eu diria para os estudantes se lembrarem de beber água, sendo recomendados dois litros por dia. Uma dica é ficar com uma garrafa de 500 ml ao lado, e enchê-la quatro vezes ao dia.

Nem todo integral é integral

É também preciso ficar atento aos produtos que se apresentam “integrais” na embalagem, como os pães, pois, muitas vezes, têm mais farinha branca do que integral na receita. O desafio é olhar e compreender os rótulos. Os ingredientes estão descritos na ordem decrescente em teor, assim, aquele que aparece primeiro é que está em maior quantidade no produto. O verdadeiro pão integral é aquele que apresenta 100% de farinha integral, mas estes estão em minoria nos mercados e padarias.

É preciso seguir, com maior frequência, uma alimentação mais natural e variada em frutas, verduras e legumes, sendo que os alimentos gordurosos, como a pizza, e açucarados como o refrigerante e o sorvete, não são proibidos, mas devem ser controlados na frequência e na quantidade. Assim, a base alimentar precisa ser saudável, apresentando como pontos chaves a moderação – em frequência e quantidade – e variedade.

É preciso voltar a consumir os alimentos naturais e evitar os industrializados, que, em longo prazo, contribuem para o desenvolvimento das doenças crônicas como o excesso de peso ou obesidade, hipertensão, diabetes e colesterol elevado.

Quem estiver interessado em mais dicas, esclarecimento de dúvidas, ou tiver interesse em receber um atendimento individualizado, deve procurar um profissional nutricionista para ajudá-lo a seguir uma alimentação mais saudável, prática e, desta forma, viver com mais qualidade de vida.

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Profa. Dra. Patrícia Frenhani é docente da Faculdade de Nutrição da PUC-Campinas/ Crédito: Álvaro Jr. 

 

Uma geração comprometida com o trabalho voluntário de causas sociais

O que querem os estudantes de universidades católicas? Alunos e ex-alunos da PUC-Campinas mostram que para ajudar o próximo basta ter vontade

Por Beatriz Meireles

Na PUC-Campinas, os alunos e ex-alunos mobilizam sua energia, recursos e competências em prol de ações solidárias, dedicando parte do seu tempo aos Trabalhos Voluntários. Segundo definição das Nações Unidas, voluntário é o cidadão que, motivado pelos valores de participação e solidariedade, doa seu tempo, trabalho e talento, de maneira espontânea e não remunerada, para causas de interesse social e comunitário.

O ex-aluno da PUC-Campinas, Lucas Avelino Faria de 23 anos, foi voluntário no Centro Interdisciplinar de Atenção à Pessoa com Deficiência (CIAPD), durante um ano, entre 2013 e 2014. O trabalho voluntário reforça a solidariedade e contribui para a construção de uma sociedade mais justa e humana. “Sinto-me útil e prestativo. Às vezes um gesto simples para mim pode ser algo significante para quem recebe”, ressalta o jovem. O CIAPD é um Órgão Complementar da Reitoria, vinculado à Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários da  PUC-Campinas, que desenvolve oficinas de caráter interdisciplinar voltadas à inclusão social e à inclusão no mundo do trabalho de pessoas com deficiência. Lucas conta que estar inserido de corpo e alma na causa faz toda a diferença “Lembro-me quando simulamos que nós (voluntários) tínhamos deficiência visual, colocando uma faixa nos olhos. Assim, tivemos a experiência de uma pessoa com esse tipo de deficiência e, ao mesmo tempo, vivenciamos as dificuldades que essas pessoas podem ter no dia a dia.”

Jovens e adultos que são atendidos pelo CIAPD jogam uma partida de futebol (créditos CIAPD divulgação).
Jovens e adultos que são atendidos pelo CIAPD jogam uma partida de futebol (créditos CIAPD divulgação).

O trabalho voluntário estabelece uma relação humana e uma oportunidade para se fazer novos amigos e aprender. Lucas afirma que o trabalho permitiu uma integração entre os cursos e amizade entre alunos e profissionais, além da bagagem de aprendizado que ele vai levar para a vida acadêmica e pessoal “Aprendi a dar valor para as coisas e acreditar mais nas pessoas”.

Segundo a coordenadora do CIAPD, Profa. Dra. Karina de Carvalho Magalhães, “a experiência da prática do voluntariado visa ascender à necessidade de excitar a sociedade à autocrítica e despertar de suas ações, com o objetivo de alcançar uma sociedade mais humana, capaz de respeitar e valorizar a diversidade”.

O trabalho voluntário está em todo lugar. A aluna do Curso de Direito da PUC-Campinas, Lucimara Gimenez Di Fonzo, por exemplo, faz trabalhos voluntários voltados à sua área. Lucimara presta serviços jurídicos para pessoas de baixa renda e para instituições assistenciais. No caso do escritório em que se encontra, atende a Cidade dos Meninos, um abrigo de menores e Promenor, localizada em Indaiatuba e Barão Geraldo, respectivamente. “A equipe do escritório orienta, elabora defesas, faz a audiência, acompanha os processos judiciais cíveis e trabalhistas da entidade”, explica. Lucimara, apaixonada pela advocacia, conta que aprendeu a conciliar estudo e trabalho e a reservar um pouco de tempo para assistir a quem precisa. “Acredito que é muito gratificante poder colocar meu conhecimento e talento para ajudar aqueles que necessitam e não possuem condições de ter acesso a esses serviços”, afirma. “Passei a dar valor para pequenas coisas da minha vida que, na correria do dia a dia, acabavam passando despercebidas”, reconhece.

Juliana Mie em seu trabalho na Sonhar Acordado/ Crédito: Arquivo Pessoal
Juliana Mie em seu trabalho na Sonhar Acordado/ Crédito: Arquivo Pessoal

A atividade voluntária é uma experiência aberta a todos, sendo necessário ter vontade para contribuir e fazer o bem a alguém. A ex-aluna da PUC-Campinas, graduada em Relações Públicas, Juliana Mie Kobata, realiza trabalho voluntário na ONG Sonhar Acordado, desde 2012. A ONG tem como objetivo formar, educar e ajudar a infância mais necessitada por meio de atividades sociais, culturais, esportivas e recreativas, desenvolvendo valores universais, indispensáveis à boa formação de qualquer indivíduo. Juliana é voluntária fixa no programa Amigos para Sempre, que realiza atividades recreativas em instituições carentes de Campinas.

Apesar de não ter remuneração financeira, esse tipo de trabalho é uma via de mão dupla: se doa e se recebe. Juliana conta sobre essa troca “Na minha vida pessoal e estudantil, o Sonhar fez uma grande diferença. Ensinou-me a ser uma pessoa melhor. Os valores que são passados para as crianças também são aprendidos pelos voluntários. Eu sou uma jovem líder em formação, formando jovens líderes para o futuro”.

Vanessa Dias trabalha como voluntária na feirinha de adoção da ONG Xodó de Bicho/ Crédito: Arquivo Pessoal
Vanessa Dias trabalha como voluntária na feirinha de adoção da ONG Xodó de Bicho/ Crédito: Arquivo Pessoal

 Olhar para o lado e ajudar

As formas de ação voluntária são tão variadas quanto às necessidades da comunidade. Cada necessidade social é uma oportunidade de ação voluntária. Basta olhar em volta e dar o primeiro passo, como fez a ex-aluna Vanessa Dias, 21 anos, engajada em outra causa – não menos importante, – a causa animal. Vanessa faz trabalhos voluntários na ONG protetora dos animais “Xodó de Bicho”, na cidade de Jaguariúna. Ela conta que, comovida com a crueldade humana após ver um caso de um cãozinho que foi encontrado em um terreno baldio com óleo quente sobre o corpo, decidiu ajudar “O caso mexeu tanto comigo que procurei a responsável pela ONG e comecei a fazer alguns trabalhos com eles, como ajudar na limpeza semanal e feirinhas de adoção”, conta.

Cada um contribui como pode, com aquilo que sabe e quer fazer. Uns têm mais tempo livre, outros só dispõem de algumas poucas horas por semana. Alguns sabem exatamente onde ou com quem querem trabalhar, outros estão prontos a ajudar no que for preciso, onde a necessidade for mais urgente. Mas a construção do trabalho voluntário é e será sempre a mesma: “Toda experiência é importante e realizar trabalho voluntário é mais ainda, pois você está fazendo algo porque quer fazer, sem pensar em lucro e isso torna tudo muito mais enriquecedor. Fazer o bem é motivador”, finaliza Juliana Mie, voluntária na ONG Sonhar Acordado.

(Edição do texto: Amanda Cotrim)

EDITORIAL: A velocidade com que a violência se impõe

O conceito do brasileiro cordial já rendeu muito “pano pra manga”, na Academia e fora dela, começando pela paternidade, que uns atribuem ao escritor santista Ribeiro Couto e outros ao historiador Sérgio Buarque de Holanda.

Entretanto, independentemente da origem, teses, propostas, ensaios e muito palpite já permeou conversas e textos exaltando ou questionando a cordialidade da gente brasileira, com sensível acréscimo das dúvidas e desconfianças nos tempos atuais, quando a violência praticamente sufoca anseios ou esperanças de relações sociais baseadas na gentileza.

Ciente e consciente da intensidade e velocidade com que a violência se impõe entre nós, a equipe do Jornal da PUC-Campinas abriu espaço para manifestações de alunos e professores sobre o tema, expresso nas reportagens, artigos e entrevistas desta edição, inteiramente voltada para a reflexão sobre a violência.

Tematizada na violência e mais precisamente na violência que existe mais próxima de todos nós, vale dizer, no Brasil de hoje, a edição traz artigos que tratam da banalização da violência, matérias sobre a agressão física e psicológica que permeia o trote universitário, passando pelo questionamento das pessoas e instituições que usam e abusam da violência, quando deveriam atuar em sentido inverso, como a polícia e profissionais do Poder Judiciário. Para embasar reflexões e questionamentos sobre essa temática, a edição também traz excelente entrevista sobre ética e moral.

Nesta edição, reportagens e artigos que abordam a temática da violência, mostram o comércio de armas, as conseqüências da imprudência no trânsito e os distúrbios de ordem emocional causados pela exposição ou convivência com a violência.

Ações antiviolência também integram o conteúdo da edição de abril/2015, incluindo matéria sobre a Pastoral Carcerária na Região de Campinas, mostrando como e porque os voluntários decidem enfrentar a questão, convivendo – e ajudando – grupos sociais envolvidos com a violência. De quebra, a matéria ainda deixa um recado esclarecedor para pessoas que atribuem à Pastoral Carcerária a questionável missão de “alisar a cabeça” de indivíduos que, de alguma forma, violentaram a sociedade.

Formas de violência dissimuladas, mas, nem por isso, menos predatórias, também integram o elenco de matérias, como o racismo e agressão contra formas de vida que não podem reclamar quando são violentadas, como as florestas, dizimadas pela sanha das motosserras à razão de muitos hectares ao dia. A resposta, mostram estudos e análises, também é violenta: por conta da falta de florestas, crises hídricas contínuas e crescentes ameaçam a geração de energia, o abastecimento dos aglomerados urbanos e a produção de alimentos.

No comentário de cinema, uma proposta de reflexão sobre relações de causa e efeito entre a imagem na tela e o comportamento social. Afinal, cinema estimula a violência social, ou a sociedade estimula a crescente inserção de violência no cinema?

O tema desta edição, sabemos todos, não é bonito, nem agradável, mas o primeiro passo para recobrar e fazer valer a sociedade de homens cordiais, que ilustra o capítulo V do clássico Raízes do Brasil, é encarar a violência e agir para acabar com ela.

Vai aqui, portanto, uma edição do Jornal da PUC-Campinas que pretende deflagrar reflexões e estimular (re)ações.