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O bom filho a casa torna

 Ex-alunos retornam à Instituição, mas, agora, como professores e colaboradores da Universidade.

Por Amanda Cotrim

“Nos primeiros meses como docente, ao caminhar por minhas antigas salas de aula, passava um filme na minha cabeça. Foi muito gratificante voltar à PUC-Campinas como professora, algo que eu nem imaginava na época de graduação”, conta a Jornalista e Assessora de Comunicação, Juliana Sangion, que se formou em 1994 em Jornalismo e há dez anos também vive a experiência de atuar em sala de aula na Universidade, lecionando nas disciplinas de Audiovisual. Hoje, Juliana ressalta que os amigos –“que ela fez para vida toda- e os professores” são as maiores marcas que a época de estudante lhe deixou.

Professora Juliana Sangion/ Crédito: Álvaro Jr.
Professora Juliana Sangion/ Crédito: Álvaro Jr.

“Sempre soube que queria fazer Odontologia na PUC-Campinas”. A junção entre teoria e prática é uma característica desse curso, o que fez o professor Arnaldo Pomilio optar pela Universidade em 1966.

Professor Arnaldo Pomilio/ Crédito: Álvaro Jr.
Professor Arnaldo Pomilio/ Crédito: Álvaro Jr.

Ele ressalta que estudar sempre fez parte da sua vida e, por isso, atribui esse hábito à sua vontade de ser professor. “Quando decidi ser docente, procurei dois professores meus da PUC-Campinas, o Prof. Dr. Hiroumi Takito e o Prof. Dr. Sérgio Reinaldo de Fiori, expondo meu sonho. Prontamente me convidaram para ser Estagiário e, assim, tudo começou”, lembra ele que há 50 anos está envolvido com a PUC-Campinas.

Dessa forma, como há inúmeros exemplos de ex-alunos que se tornaram professores, também há os que hoje são colaboradores da Instituição. É o caso de Mariela Soares de Souza Dias, que teve duas experiências como estudante da PUC-Campinas, sendo a primeira em 2001, quando cursou Turismo. Ela conta que “por ter adquirido experiência em produção e organização de eventos e por ter tido contato com a área de preservação de patrimônio cultural e ambiental”, decidiu retornar à Universidade para fazer História, em 2011.

Colaboradora no Museu Universitário: Mariela Soares de Souza Dias/ Crédito: Álvaro Jr.
Colaboradora no Museu Universitário: Mariela Soares de Souza Dias/ Crédito: Álvaro Jr.

A Universidade também propicia que seus funcionários se tornem alunos, por meio de bolsa de estudos, como foi o caso de Renata Covisi Pereira, auxiliar de escritório na Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (PROEXT). Ela iniciou na Universidade como Patrulheira, passou a ser colaboradora no Departamento de Informação em Arquivo e, desde 2012, está na PROEXT. “Em 2010, logo que fui efetivada, iniciei o curso de Ciências Econômicas. A oportunidade de estudar em uma instituição como a PUC-Campinas, com toda sua tradição e com uma bolsa de estudos, foi uma felicidade muito grande, porque desde o Ensino Fundamental pretendia fazer um Curso Superior”, recorda. Mas Renata foi além: neste ano, começou o Mestrado em Sustentabilidade, “mais uma oportunidade oferecida pela Universidade, a qual pretendo me dedicar para, logo após o seu término, poder conquistar novas colocações, talvez até em outras áreas”, projeta.

Assim como Renata, a Professora Tatiana Slon tem uma relação estreita com a Instituição. Ela e seus irmãos estudaram no Colégio de Aplicação Pio XII e seu pai foi aluno de Administração da PUC-Campinas. “De diferentes modos a Universidade está nas minhas lembranças”, conta. Hoje, formada em Psicologia e com Pós-Graduação na área, ela é docente da Universidade. “Essa relação intensa com a Instituição me permitiu conhecê-la a partir de muitas perspectivas diferentes, desde os primeiros passos no estudo até, atualmente, quando me encontro ocupando um cargo de apoio a Gestão na Coordenação do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da PUC-Campinas e também sendo docente em carreira de Extensão”, orgulha-se.

Tatiana Slon é docente na Instituição/ Crédito: Álvaro Jr.
Tatiana Slon é docente na Instituição/ Crédito: Álvaro Jr.

“Eu cheguei a ser aprovado no vestibular da Universidade Federal de Ouro Preto, mas, considerando questões de estágio e empregabilidade, escolhi a PUC-Campinas”, conta Pedro Peruzzo, formado em Direito. Ele destaca que os excelentes professores e as oportunidades de estágio, como no Ministério Público Federal, Assistência Judiciária da PUC-Campinas, na Procuradoria do Estado e Defensoria Pública, foram determinantes para sua carreira. “O fato de ser estudante da PUC-Campinas sempre me abriu portas importantes”, complementa Peruzzo, que é o mais recente professor da Faculdade de Direito, tendo iniciado em 2016.

Pedro Peruzzo é professor no curso de Direito/Crédito: Álvaro Jr
Pedro Peruzzo é professor no curso de Direito/Crédito: Álvaro Jr

Escolher uma profissão não é uma tarefa muito fácil, ainda mais quando se é jovem. Por isso, o meio social exerce influencia nas escolhas. “Os profissionais com os quais eu convivi, antes da Graduação, haviam se formado na PUC-Campinas, e eles me estimularam muito para fazer Educação Física nesta Universidade”, se recorda o Diretor do Curso de Educação Física, Prof. Dr. István de Abreu Dobránszky, aluno da Instituição entre 1994 e 1997.

István de Abreu Dobránszky é diretor da Faculdade de Educação Física/Crédito: Álvaro Jr
István de Abreu Dobránszky é diretor da Faculdade de Educação Física/Crédito: Álvaro Jr

Hoje, como professor, ele ressalta que ser aluno e ser docente são posições diferentes, mas enfatiza que “o espaço social compartilhado de experiência é comum, o que enriquece o aprendizado de todos. É neste sentido, que sinto diferença nesta Universidade, a possibilidade de um trabalho competente aliado com a preocupação de uma formação católica”, frisa Dobránszky.

A credibilidade da Instituição no universo do trabalho também foi a principal razão para a escolha de Gabriel Bosso, formado em Educação Física e, hoje, Salva-vidas no complexo esportivo da Universidade. “A PUC-Campinas sempre me ofereceu todo respaldo tecnológico, conteúdo avançado, profissionais adequados para a minha formação. Tenho muito respeito em integrar o quadro de profissionais da casa”.

Gabriel Bosso é Salva-Vidas na Instituição/Crédito: Álvaro Jr
Gabriel Bosso é Salva-Vidas na Instituição/Crédito: Álvaro Jr

 “A PUC-Campinas forma mais do que graduados, engenheiros, bacharéis ou licenciados, ela forma cidadãos para o mundo. Acho que essa formação mais humanista foi importante para os anos que se seguiram”, complementa a docente Juliana Sangion.

“Além de ser uma grande honra, é também uma grande responsabilidade lecionar na PUC-Campinas. Recordo-me do quanto eu admirava os meus professores e essa lembrança me coloca diante da responsabilidade de auxiliar os estudantes a alcançarem os seus sonhos, como os meus professores me auxiliaram a alcançar os meus”, finaliza Peruzzo.

 

 

Ex-alunos da PUC-Campinas são destaque no Brasil e no mundo

No mercado ou na área acadêmica, ex-alunos da PUC-Campinas mostram como faz diferença escolher uma Universidade que possibilite mais do que um diploma, uma formação.

Por Amanda Cotrim

O presidente de empresa mais bem avaliado do Brasil é o ex-aluno da PUC-Campinas, Marcio Henrique Fernandes. Formado em Administração pela Instituição, ele ocupa o cargo de presidente da Elektro, desde 2011, quando ainda tinha 36 anos. O fato de Marcio ser jovem e já ocupar o cargo mais alto dentro de uma empresa, o fez ser destaque em diversos jornais e revistas do Brasil, os quais ressaltaram que em uma escala de zero a 100, a gestão de Marcio foi avaliada em 98,3, a partir de pesquisa “As melhores empresas para você trabalhar”.

Marcio Fernandes obteve sucesso por ser um dos executivos mais jovens ocupando a presidência de uma empresa/ Crédito: Assessoria.
Marcio Fernandes obteve sucesso por ser um dos executivos mais jovens ocupando a presidência de uma empresa/ Crédito: Assessoria.

Ninguém consegue o que Fernandes conseguiu em um “passe de mágica”. É preciso, segundo ele, uma base. “A PUC-Campinas me ofereceu essa base e me ajudou concretizar meus sonhos no mundo do trabalho”. Ele escolheu a Universidade por causa do corpo docente, “referência na Administração”, destaca.

Outro caso de sucesso, mas dessa vez na carreira acadêmica ocorreu com o ex-aluno José Rubens Rebellato, formado em Fisioterapia na década de 1970. “Por ser a Universidade mais moderna em relação às demais universidades – como a Universidade de São Paulo- a PUC-Campinas me permitiu uma visão menos conservadora sobre a profissão”, conta ele, ressaltando que essa modernidade permitiu que o conjunto de profissionais formados pela PUC-Campinas pudesse propor alterações na montagem de outros cursos de Fisioterapia pelo país. “Fiz parte do grupo que montou o curso de Fisioterapia da Universidade Federal de São Carlos, considerado um dos melhores do país durante muitos anos”, destaca.

Rebelatto se dedicou à vida acadêmica e à pesquisa. Ele foi Reitor da Federal de São Carlos, entre 1996 e 2000, e Secretário de Educação Superior Substituto do Ministério da Educação. Hoje, o ex-aluno se lembra da PUC-Campinas com carinho. “O Pátio dos Leões é, sem dúvida, minha memória mais viva, pois foi lá em que iniciamos o curso de Fisioterapia. Era um local em que ocorriam os movimentos políticos e as pequenas mobilizações acadêmicas. Uma época muito especial, cuja esperança de um futuro melhor era o que imperava”, se orgulha.

Dom Sérgio da Rocha é Presidente da CNBB/ Crédito: Álvaro Jr.
Dom Sérgio da Rocha é Presidente da CNBB/ Crédito: Álvaro Jr.

Exemplos de ex-alunos que têm sucesso em suas carreiras não são poucos. Um dos que foram filhos da PUC-Campinas é do atual Arcebispo de Brasília e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Sérgio da Rocha. Segundo ele, a existência de uma comunidade acadêmica decorre do dinamismo e do caráter dialogal do saber: “Ao fazer isso, a Universidade se torna um local de formação integral para a vida”, observou Dom Sérgio que é formado em Teologia pela Instituição. O Presidente da CNBB tem Mestrado em Teologia Moral pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, de São Paulo, e obteve o Doutorado na Academia Alfonsiana da Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma.

Do Brasil para o Mundo

Cristiane Squarize fundou o laboratório de Biologia Epitelial nos Estados Unidos/ Crédito: Álvaro Jr.
Cristiane Squarize fundou o laboratório de Biologia Epitelial nos Estados Unidos/ Crédito: Álvaro Jr.

Cristiane Squarize e Rogério Moraes se conheceram na PUC-Campinas, no curso de Odontologia, na década de 1990, quando começaram a namorar. Do namoro veio o casamento, o mestrado, doutorado e o pós-doutorado. Hoje, os dois são professores da área de patologia bucal, na Faculdade de Odontologia da Universidade de Michigan e fundadores e responsáveis pelo laboratório de Biologia Epitelial da universidade, nos Estados Unidos. Em 2014, Cristiane concedeu entrevista ao Jornal da PUC-Campinas, na qual revelou que a formação que recebeu na Universidade para o sucesso da sua carreira foi fundamental. “A formação que tivemos foi única. Na PUC-Campinas tivemos acesso à prática e ao paciente durante todo o curso, o que me deu uma formação mais humana”, lembra a ex-aluna.

A oportunidade de trabalhar nos Estados Unidos surgiu quando a pesquisadora estava no doutorado sanduíche (termo usado para dizer que o aluno fez parte do curso de doutorado fora do país). “Eu fiquei em um laboratório da mesma universidade em que trabalho hoje e, paralelamente, fui publicando meus artigos científicos, até que eu e meu esposo fomos convidados para fazer o pós-doutorado lá. Em 2010, a universidade abriu concurso e passamos. Os dois!” brinca Cristiane. Para ler a matéria completa, acesse o link aqui. 

Ocupar cargos que extrapolam as fronteiras do Brasil também foi o caso de Cyro Diehl, que é formado em Análise de Sistemas pela PUC-Campinas, em que também realizou Pós-Graduação em Gestão Empresarial. O executivo ingressou na empresa Oracle, em junho de 1997, com o desafio de montar o escritório regional em Campinas, no interior de São Paulo, em que ficou até 2000. Nesse mesmo ano, foi convidado para iniciar, em Miami (EUA), o Oracle Direct Brasil e, no final de 2001, estruturou a divisão para toda a América Latina. Após essa experiência, ele assumiu a vice-presidência de Vendas Indiretas da Oracle do Brasil e, no início de 2006, foi promovido à vice-presidência de Vendas Indiretas da Oracle para a América Latina, passando a responder por todo o continente. Em 2009, Cyro Diehl assumiu a presidência da Oracle do Brasil. Ele conta que seu maior objetivo é “manter o ritmo de crescimento da operação da empresa no País”.

A Universidade já formou 18 desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo, sendo um deles o Desembargador, formado em Direito, Francisco Vicente Rossi. A PUC-Campinas também esteve presente na vida de personalidades de grande apelo midiático, como alguns famosos. É o caso do técnico de futebol Tite, formado em Educação Física e da jornalista Renata Ceribelli, correspondente internacional nos Estados Unidos pelo programa Fantástico, da Rede Globo. A cantora Sandy, formada em Letras pela Instituição, também figura a lista de personalidades conhecidas do grande público.

 

 

Aulas de Filosofia foram embrião para primeiro Cineclube universitário

Exibições de filmes acompanhados de debate aconteciam no Prédio Central da PUC-Campinas e no Centro de Ciências, Letras e Artes

Por Amanda Cotrim

As aulas de Estética do Professor Padre Lúcio de Almeida, docente da Faculdade de Filosofia, da antiga Universidade Católica – atual PUC-Campinas – são exemplos daquelas aulas que mais do que ensinar, inspiram e fazem os alunos caminharem adiante.

Em 1964, a Faculdade de Filosofia promoveu uma semana de estudos filosóficos – algo recorrente no curso -, e o tema daquele ano foi cinema. Na ocasião, vários filmes foram exibidos, incluindo películas de Humberto Mauro e Alain Resnais, hoje, clássicos do cinema mundial.

“A partir dessa semana de estudos, pensamos: Por que não criar um lugar permanente de discussão de cinema, em Campinas”? Lembra um dos fundadores do primeiro cineclube universitário da cidade, Luiz Borges, que, à época, era estudante de Direito da PUC-Campinas, e garante que o interesse pelo cinema sempre foi cultural e não um simples entretenimento.

Cineclube foi destaque no jornal Diário do Povo, em 20 de março de 1966/ Arquivo Cineclube.
Cineclube foi destaque no jornal Diário do Povo, em 20 de março de 1966/ Arquivo Cineclube.

“O contexto histórico no Brasil e no mundo era especialmente propício para cinema. Havia uma ebulição de criatividade na Europa, Leste Europeu, Ásia, o cinema independente dos EUA e o Cinema Novo, no Brasil.  Para a nossa geração, o Cinema Novo foi um acontecimento. A primeira vez que assistimos ao filme ‘Deus e o diabo na terra do sol’, de 1964, do Glauber Rocha, foi um choque”, recorda Borges, que ainda cita os clássicos filmes de Ingmar Bergman e Federico Fellini.

Em março de 1965, Luiz Borges, Dayz Peixoto e outros estudantes formaram, oficialmente, o Cineclube Universitário de Campinas. “Todas as exibições eram acompanhadas de debates. Entregávamos, em todas as sessões, um folheto com uma crítica sobre o filme que seria exibido. A crítica cinematográfica sempre fez parte do Cineclube”, conta Dayz, que foi estudante de Filosofia da então Universidade Católica.

Borges e Dayz no auditório do CCLA/ Crédito: Álvaro Jr.
Borges e Dayz no auditório do CCLA/ Crédito: Álvaro Jr.

Cineclube e a Universidade

“O Cineclube tinha total relação com a Universidade; uma das normas era que a Diretoria só fosse composta por alunos da Universidade Católica – o que depois se abriu para estudantes de outras universidades” -, afirma Dayz. “Cada classe de cada curso havia um representante do Cineclube. Chegamos a ter 300 associados, que contribuíam financeiramente. O projeto só funcionou porque havia um objetivo em comum”, destaca Borges.

As exibições e os debates aconteciam nas dependências do antigo Campus Central da PUC-Campinas, no auditório do Centro de Cultura Letras e Artes, entre outros espaços culturais. “Não havia um espaço físico próprio. Essa foi a nossa coragem”, ressalta Dayz.

O CCLA, que sempre apoiou entidades culturais e educativas da cidade, teve relevância histórica para a PUC-Campinas. Segundo Dayz, “os debates sobre a necessidade de uma faculdade para Campinas nasceram no auditório do Centro de Ciências, Letras e Artes. Podemos dizer, então, que o CCLA foi o marco zero tanto para a criação da PUC-Campinas quanto da Unicamp”, orgulha-se ela que chegou a ser a única presidente mulher do CCLA.

Cineclube cresce e aparece

Os fundadores do Cineclube Universitário de Campinas não imaginavam que uma vontade que começou nas aulas de Filosofia da PUC-Campinas poderia se transformar num mercado alternativo do cinema de arte. “Localizamos uma empresa que trabalhava com grandes distribuidores e passamos a negociar as exibições. Eu ia até São Paulo, na Rua do Triunfo, pegava o filme, voltava para Campinas e negociava o aluguel com os cinemas da época, como o Cine Brasília e o Cine Voga, entre outros”, contextualiza Borges. “Todos ganhavam: a distribuidora, o cinema e o Cineclube, que começou a arrecadar receita”.

O dinheiro possibilitou uma nova fase para o Cineclube Universitário: a publicação de um jornal – que teve cinco edições e durou de 1965 a 1966 – e a produção de curtas metragens, sendo os primeiros o filme Um Pedreiro, que teve roteiro de Borges e Direção de Dayz Peixoto, o curta O Artista, também de autoria de Borges e o filme Dez Gingles para Oswald de Andrade, dirigido por Rolf de Luna Fonseca, com roteiro de Décio Pignatari, tendo o Professor Francisco Ribeiro Sampaio no papel de Oswald.

 “Todas as produções contaram com o apoio imprescindível de Henrique de Oliveira Júnior – um dos fundadores do Museu da Imagem e do Som de Campinas -, que era nosso fotógrafo e técnico”, esclarece Borges.

O Cineclube Universitário manteve suas atividades até 1973, sendo a última ação o lançamento de um documentário de Rolf Fonseca.  Seu fim, segundo Dayz, se deve essencialmente ao fato de as pessoas que participaram terem seguido suas carreiras e adquiridos outros compromissos. Se ainda estivesse ativo, em 2015, o Cineclube teria completado 50 anos.

Jornal do Cineclube: da esquerda para direita:Rolf, José Alexandre, Borges, Padre Lucio, Dayz/ Arquivo
Jornal do Cineclube: da esquerda para direita:Rolf, José Alexandre, Borges, Padre Lucio, Dayz/ Arquivo

Cinema e o século XXI

Na opinião de Borges, a situação do cinema não mudou muito no que tange o acesso aos filmes de arte daquela época até hoje. “Estamos passando mais ou menos pela mesma situação. Mas antes, chegavam poucos filmes, mas chegavam; hoje não chega filme algum”. Além disso, para ele, “criar um Cineclube Universitário como foi antes, nos dias de hoje, torna-se um desafio muito maior, porque as pessoas antes estavam mais próximas, um contexto oposto aos dias atuais”,”, defende.

Apesar disso, o amor pelo cinema não diminuiu. “Nada se compara à experiência única do cinema, com o apagar das luzes e o filme projetado na tela”, finalizam Borges e Dayz.

 

A Provedora

Isolethe Augusta de Sousa Aranha é personagem marcante para a PUC-Campinas

Por Amanda Cotrim

Era uma terça-feira do mês de maio, quando na reunião de pauta do Jornal da PUC-Campinas foi proposta uma matéria sobre Isolethe Augusta de Sousa Aranha, a única filha de Joaquim Policarpo Aranha, mais conhecido como Barão de Itapura, que, apesar de não ser campineiro – nasceu no Paraná -, morou na cidade durante a maior parte de sua vida, vindo a falecer em 1902. O prédio em que começaram os primeiros cursos da PUC-Campinas – e hoje está o Museu Universitário – foi o palacete em que morou a família do Barão. De uma residência de luxo, o prédio tornou-se uma Faculdade. E, nesse processo, Isolethe Aranha foi fundamental.

Barão era um título de nobreza dado a algumas pessoas quando o Brasil ainda era uma monarquia.

A história nos diz que o Barão de Itapura e sua esposa Libânia Aranha eram conhecidos por sua generosidade, proporcionando condições para que muitos jovens pobres pudessem estudar. Numa crônica publicada no dia 3 de setembro de 1999,  pela cronista do Jornal Correio Popular, Celia Siqueira Farjallat, ela relata que os Barões abrigavam em sua casa crianças pobres, órfãos, abandonados e viúvas desamparadas.

Essa prática de ser solidário aos mais pobres acompanhou Isolethe, última filha do casal de Barões. Chamada carinhosamente por Iaiá, ela nasceu em 1867 e faleceu em maio de 1957, vivendo acontecimentos marcantes da segunda metade do século 19 e da primeira metade do século 20, como o fim da escravidão no Brasil, além das duas guerras mundiais.

Isolethe é a última filha do casal de Barões/ Arquivo da família.
Isolethe é a última filha do casal de Barões/ Arquivo da família.

“Os que a conheceram de perto, evocam-na com saudade e respeito. Adotou numerosas crianças, dando-lhes carinho e amor. Era de talhe fino e esbelto. Tocava piano com maestria e chegou a organizar pequena orquestra feminina com piano, bandolim e violino”, registrou Célia Farjallat.

 Os filhos dos Barões: Joaquim Policarpo Aranha Junior, Manuel Carlos de Sousa Aranha Sobrinho, José de Sousa Aranha, Alberto Egídio de Sousa Aranha e Isolethe Augusta de Sousa Aranha.

Isolethe era muito religiosa e devota de Nossa Senhora Aparecida. Gostava de ler e de fazer doces. Era caseira. Não se casou. Mas foi mãe, pois educou numerosas crianças pobres e adotou, legalmente, três filhos: Antônio Galvão, José Carlos Fortuna Rosa e Maria Tereza Rosa Barreiro.

O mais velho deles é o dentista e professor doutor, aposentado pela Universidade de São Paulo Antônio Galvão Fortuna Rosa, que chegou a viver nas dependências do Casarão, em 1935. Hoje, com 81 anos, ele diz que se pudesse definir a dona Isolethe em uma palavra seria generosidade. Nessa generosidade, dona Isolethe envolvia até mesmo seu patrimônio para servir ao interesse social.

Em 1935, o prédio em que morou o Barão de Itapura foi alugado para a Arquidiocese de Campinas e a casa passou a ser habitada pelas Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado. Em 1941, o local abrigou a Faculdade de Ciências, Filosofia e Letras, o embrião da PUC-Campinas. Em 1952, o prédio foi transferido definitivamente para a Arquidiocese. Muitos cursos universitários foram ministrados no antigo Campus Central, sendo o último deles o curso de Direito que, no início de 2016, foi transferido para o Campus I da Universidade.

Atualmente, no prédio, está o Museu Universitário da PUC-Campinas, em que são realizadas atividades culturais como exposições e mostras de seu acervo. O casarão é a materialidade histórica do fim do Império, de composição clássica e com 227 cômodos imponentes, com suas janelas em semicírculos. Em 1988, o prédio foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (CONDEPACC).

NOME DE RUA

Rua Isolethe Augsta de Sousa Aranha está localizada no centro de Campinas/ Crédito: Álvaro Jr.
Rua Isolethe Augsta de Sousa Aranha está localizada no centro de Campinas/ Crédito: Álvaro Jr.

A rua Isolethe Augusta Sousa Aranha,  no Centro de Campinas, é uma daquelas ruas bem típicas de interior. Uma travessa da Avenida Orosimbo Maia, que termina na Avenida Francisco Glicério.

O local já não guarda apenas casas antigas, mas uma arquitetura moderna, com casas e prédios novos. Ela é estreita e quase não tem movimento, preservando certa tranquilidade, mesmo tão próxima do centro comercial e de avenidas principais da cidade.

A homenagem à Isolethe Augusta de Sousa Aranha é quase imperceptível, mas ela existe. Está lá. Você pode passar por essa rua todos os dias e nunca ter sabido quem foi Isolethe. Quando você passar por lá, saiba que seu nome foi inspirado em uma das mulheres mais importantes para a história da PUC-Campinas, na primeira metade do Século 20.