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Casas Sustentáveis

Por Prof. Me. Fábio de Almeida Muzetti – Diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas

Desde a Revolução Industrial, nos séculos XVIII e XIX, a busca por sistemas construtivos racionalizados para suprir a grande demanda de êxodo rural para as novas cidades que estavam se constituindo tem sido uma premissa para a sociedade.

Da grande concentração de pessoas, o resultado foi a consolidação de cidades poluídas, com grande consumo energético, com problemas sociais, de mobilidade urbana, como conhecemos.

Desde o início do século XX, principalmente após as grandes guerras mundiais, a necessidade da reconstrução de uma Europa devastada nos fez debruçar sobre projetos que racionalizassem procedimentos construtivos, com bom desempenho em conforto, com baixo custo, sem gerar desperdícios. A causa modernista, aplicando procedimentos da indústria na construção, foi a primeira busca para construções sustentáveis, respeitando-se a cultura da época.

Hoje, no século XXI, dado o fracasso parcial desses modelos modernistas, com os avanços tecnológicos de geração de energia, tratamento e reaproveitamento de água e esgoto, com o surgimento de novos materiais, tecnologias de comunicação, internet das coisas e a consciência (cultura) dos cidadãos para com a preservação do meio ambiente, a arquitetura contemporânea tem como agenda obrigatória o melhor desempenho possível das edificações com o menor impacto ambiental.

Tanto nas pesquisas, como no mercado, os projetistas estão se debruçando sobre novos conceitos de projetos, aplicando toda a tecnologia possível para o bem-estar das pessoas e preservação do meio ambiente.

A sociedade contemporânea cobra nos projetos das casas contemporâneas a utilização de madeira reflorestada, sistemas construtivos racionalizados, autossuficiência energética; na sua construção, gerar o mínimo de resíduos, sendo ao mesmo tempo economicamente viável e socialmente justa.

Este é um futuro promissor e sem volta, que já está sendo muito cobrado no presente, que, de certa maneira, retoma a agenda da arquitetura modernista, não como um estilo, e sim como uma causa, adequada aos novos tempos e culturas.

Integração Graduação e Sociedade

Por Caio de Souza Ferreira e Rafael Souza de Faria

Visando inserir o aluno no mundo do trabalho, com a abordagem de problemas reais, a Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD), por meio do Grupo de Trabalho “Integração Graduação e Sociedade”, busca e coordena parcerias com instituições públicas e privadas de modo a proporcionar que os alunos da PUC-Campinas possam exercitar seus conhecimentos em contextos existentes no mundo do trabalho, visando assim o benefício mútuo entre as partes. Constam, aqui, os resultados recentes das duas principais parcerias em funcionamento, com a Secretaria Municipal do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SVDS) e com o Ministério Público Federal (MPF).

A parceria com a SVDS trouxe muitos frutos no ano de 2016. Foram desenvolvidos vinte e cinco estágios supervisionados, sete trabalhos de conclusão de curso e dois projetos de extensão, envolvendo mais de cinquenta alunos, de quatro faculdades diferentes. Todos estes trabalhos trouxeram uma oportunidade única aos alunos participantes de terem contato direto com situações reais da esfera política ambiental de nosso município e de terem acompanhamento de um coorientador / cossupervisor membro do corpo técnico da SVDS. Temas como monitoramento de áreas degradadas, revegetação de matas ciliares, certificação de construções sustentáveis, amenização das ilhas de calor e propostas de parques lineares estiveram em pauta nos trabalhos desenvolvidos. Nas palavras do Secretário Rogério Menezes, “a parceria da Universidade com a Secretaria tem enriquecido muito o trabalho da SVDS. Essa relação é uma oportunidade de formar futuros técnicos e vê-los integrados à equipe da Secretaria”.

A parceria com o Ministério Público Federal (MPF) não foi diferente e também trouxe muitos resultados importantes para a PUC-Campinas e uma ampla gama de participantes. Sete faculdades participaram da parceria, envolvendo mais de setenta alunos com Trabalhos de Conclusão de Curso e mais de setenta alunos com Estágios Obrigatórios, além de mais de trezentos alunos de disciplinas curriculares que tiveram uma abordagem prática de seu conteúdo teórico envolvendo um problema de interesse do MPF, como foi o caso do georreferenciamento das unidades escolares do município. Outros temas, como projetos de sistemas construtivos para o sistema prisional, atendimento odontológico e psicológico aos prisioneiros, atuação da fisioterapia no serviço de saúde, trouxeram experiências ímpares aos alunos da PUC-Campinas, preparando-os de maneira diferencial para sua atuação profissional.

Balanço das parcerias apresentado pelo Pró-Reitor de Graduação, Prof. Dr. Orandi Mina Falsarella/ Crédito Álvaro Jr.

Novas parcerias vêm sendo aprovadas e almejam aumentar o número de possibilidades de aprimoramento da Graduação. Para o ano de 2017, está prevista a formalização das parcerias com a Mata Santa de Santa Genebra, com o Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira, com o Instituto Padre Haroldo e com a Secretaria Municipal de Comunicação de Campinas. Os docentes integrantes deste grupo gestor, se colocam à disposição para orientação sobre os procedimentos para participação nas parcerias existentes e para a constituição de novas parcerias.

Prof. Dr. Rafael Souza Faria leciona na Faculdade de Ciências Biológicas, na Faculdade de Engenharia Ambiental e na Faculdade de Engenharia Civil. 

Prof. Me. Caio de Souza Ferreira leciona na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo

Confira as demais reportagens sobre a parceria, clicando aqui e aqui. 

Profa. Dra. Mariangela Cagnoni Ribeiro

(Coordenadora de Graduação) – cagnoni@puc-campinas.edu.br

Prof. Caio de Souza Ferreira

(Coordenador do Grupo) – caio.ferreira@puc-campinas.edu.br

Prof. Rafael Souza de Faria – rafael.faria@puc-campinas.edu.br

Profa. Luciana Gurgel Guida Siqueira – lgurgel@puc-campinas.edu.br

Prof. José Antonio Bernal Fernandes Olmos – olmos@puc-campinas.edu.br

Profa. Cristina Reginato Hoffmann – hoffmann@puc-campinas.edu.br

Memória e continuidade: projeto de restauro do Solar do Barão de Itapura

Por Amanda Cotrim

A PUC-Campinas inicia as obras de restauração do Solar do Barão de Itapura, local que abrigou por 74 anos o Campus Central da Universidade. Para conseguir preservar a história, a memória, com sustentabilidade, responsabilidade e dignidade, a Instituição promove a campanha de captação de recurso para o restauro.

Diante da responsabilidade cultural que a legislação orienta, a PUC-Campinas observa que a preservação do patrimônio cultural é uma obrigação de toda a sociedade civil. A Universidade se apresenta como promotora da campanha para o restauro e convida os cidadãos e as empresas que queiram exercer a sua responsabilidade cultural a se engajar nessa ação. Para doar e contribuir com esse projeto, visite o Portal da PUC-Campinas:

Crowdfunding / Financiamento Coletivo

Diante da responsabilidade cultural que a legislação orienta, a PUC-Campinas observa que a preservação do patrimônio cultural é uma obrigação de toda a sociedade civil. A Universidade se apresenta como promotora da campanha para o restauro e convida os cidadãos e as empresas que queiram exercer a sua responsabilidade cultural a se engajar nessa ação.

SE VOCÊ É PESSOA FÍSICA

Qualquer pessoa física pode apoiar o restauro participando da campanha de financiamento coletivo promovido pela PUC-Campinas.  A campanha, em andamento, tem como objetivo as obras emergenciais para a recuperação da cobertura do Solar que está orçada em 1 milhão de reais. As doações podem ser feitas  no portal da PUC-Campinas.

SE VOCÊ É PESSOA JURÍDICA

Pessoas jurídicas podem apoiar o projeto utilizando uma ou mais das seguintes modalidades:

A campanha, em andamento, tem como objetivo as obras emergenciais para a recuperação da cobertura do Solar que está orçado em 1 milhão de reais. As doações podem ser feitas no portal da PUC-Campinas.

  1. Doação com Isenção no ICMS

PROAC – Programa estadual de incentivo a cultura do Governo do Estado de São Paulo

O PROAC ICMS funciona por meio de incentivos fiscais. O projeto do restauro do Solar do Barão de Itapura já está aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura e recebeu autorização para captar patrocínio junto a empresas que descontam o valor doado do ICMS devido. O processo é simples e toda a orientação é feita pela PUC-Campinas. O abatimento de 100% do valor doado até o limite de 3% do ICMS devido.

  1. Doação com Isenção no Imposto de Renda – Lei Rouanet

PRONAC – Programa Nacional de Apoio à Cultura – Lei 8.1313/91

Instituído em dezembro de 1991, com a promulgação da Lei nº 8.1313/ 91, também conhecida como Lei Rouanet visa apoiar e direcionar recursos para investimento em projetos culturais.

É destinada a toda empresa que faça sua declaração de Imposto de Renda pela modalidade de Lucro Real.  O processo é muito simples e toda a prestação de contas é feita diretamente pela PUC-Campinas. A lei permite ao contribuinte o abatimento de 100% do imposto de renda dos valores

História

O Solar do Barão de Itapura, reconhecido como patrimônio histórico e cultural pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (CONDEPACC) e Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico. (CONDEPHAAT), após o restauro, passará a ser um lugar de valor socioeducativo, já que seu espaço, por meio de uma ocupação consciente, será usufruído por toda a população, que se transformará na principal beneficiária das atividades educativas e culturais.

“O Solar não viverá apenas do passado, pois, ao realizar o restauro, a PUC-Campinas promoverá importante função social. Feita a recuperação, a Universidade dará ao Solar uma destinação eminentemente cultural, não apenas aos membros da Instituição, mas a toda a sociedade de Campinas e região propiciando enriquecimento cultural à população, promovendo o Turismo, contribuindo com a melhoria da qualidade de vida e garantindo dignidade cultural à sociedade em geral”, esclarece o Vice-Reitor da Universidade e Coordenador do Projeto de Restauro, Prof. Dr. Germano Rigacci Junior.

 

Conheça um pouco mais sobre a história do Solar do Barão de Itapura nesta reportagem do Jornal da PUC-Campinas, que abordou a origem do primeiro Campus da Universidade, aqui. 

 

A relação histórica da PUC-Campinas com o Solar do Barão de Itapura

Desde o início do século XX o Brasil já contava com faculdades católicas com a criação em 1908, no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Na década de 1930, Dom Francisco de Campos Barreto, segundo Bispo da Diocese de Campinas, idealizou a criação de uma Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Nesta época, a Igreja já administrava na cidade o Colégio Diocesano Santa Maria e a Academia de Comércio São Luís.

Para tornar real seu projeto, Dom Barreto funda em 1941, ao lado do Cônego Emílio José Salim e do Padre Agnelo Rossi, a Sociedade Campineira de Educação e Instrução, a SCEI, que teria como missão reunir as instituições católicas campineiras de ensino.

Nos 74 anos em que o Solar abrigou as dezenas de cursos da Universidade mais de 180 mil profissionais se formaram em suas dependências.

Não tardou, no entanto, para que o casarão do Barão de Itapura se tornasse pequeno para agrupar todos os cursos da PUC-Campinas. Assim, os novos Campi foram surgindo de acordo com a necessidade de espaço: o Campus I, o CampusII, o Seminário e o Instituto de Letras.

Em 2015, após a saída do curso de Direito – o último a ser transferido para o Campus I – a PUC-Campinas planeja uma nova história para o Solar do Barão.

 (Informações de Eduardo Vella)

Pesquisa analisa a reconfiguração urbana de Campinas após febre amarela

Dissertação de mestrado considerou que a reconfiguração urbana pelo poder público se deu no intuito de melhorar o estado sanitário da cidade. Epidemia era associada à contaminação do solo e da água. Somente em 1901, a febre amarela foi associada ao mosquito Aedes aegypti

Por Amanda Cotrim

Um acontecimento histórico marcou Campinas do final do século XIX: a cidade registrou uma grande epidemia de febre amarela, entre 1889 e 1900, sendo a mais grave em 1889, quando morreram, aproximadamente, 1.200 pessoas, e em 1896, quando 800 pessoas morreram. O município, que registrava precárias condições sanitárias, não oferecia redes de infraestrutura de abastecimento domiciliar de água, canalização de esgoto sanitário e sofria com áreas alagadas; um cenário propício para a difusão de epidemias, especialmente na sua área urbana, como aponta a dissertação de mestrado de Daniela Krogh, defendida no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Urbanismo da PUC-Campinas, sob orientação da Profa. Dra. Ivone Salgado.

No período entre 1893 e 1900, visando o combate das epidemias de febre amarela, o poder público promoveu uma reconfiguração urbana na cidade. “Muitos imóveis construídos em taipa de pilão, ou taipa de mão, foram considerados insalubres, assim como as ruas sem calçamento, constantemente em contato com matérias orgânicas em putrefação, sendo necessária a impermeabilização do solo”, explica Daniela. A Comissão Sanitária da época foi chefiada pelo médico Emílio Ribas e a Comissão de Saneamento, pelo engenheiro Saturnino de Brito. As ações promovidas pelo município também se apoiavam na legislação municipal (Código de Posturas, de 1880) e estadual (Código Sanitário do Estado de São Paulo, de 1894).

Daniela agora faz seu doutorado também na PUC-Campinas / Crédito: Álvaro Jr.
Daniela agora faz seu doutorado também na PUC-Campinas / Crédito: Álvaro Jr.

Para poder compreender como a febre amarela impactou a configuração urbana de Campinas, a pesquisa se apoiou em bibliografia consagrada sobre o tema e, principalmente, em documentos do acervo do Arquivo Municipal de Campinas. Daniela explica que a maioria dos ofícios solicitava vistorias domiciliárias, desinfecções e pareceres de vistorias sobre casos de pessoas que ficaram doentes por causa da febre amarela. “As ações de combate às epidemias, naquela época, se configuraram em demolições de imóveis, desinfecções de residências e demais estabelecimentos, bem como a proibição de estábulos e cocheiras nas áreas mais adensadas da cidade”, contextualiza.

Casa construída em taipa de mão. Fonte: José Carlos Mendes. Retratos da Velha Campinas. Revista do Arquivo Municipal. São Paulo: Publicação da Divisão do Arquivo Histórico, do Departamento de Cultura, da Secretaria de Eduação e Cultura, da Prefeitura de São Paulo, 1951
Casa construída em taipa de mão. Fonte: José Carlos Mendes. Retratos da Velha Campinas. Revista do Arquivo Municipal. São Paulo: Publicação da Divisão do Arquivo Histórico, do Departamento de Cultura, da Secretaria de Eduação e Cultura, da Prefeitura de São Paulo, 1951

A pesquisa considerou que o “péssimo estado sanitário de Campinas contribuiu para a difusão da febre amarela”, porque a cidade não tinha sistemas de abastecimento domiciliar de água e coleta de esgoto, que só foram inauguradas em 1891e 1982, respectivamente. A área da cidade que sofreu maior intervenção das autoridades sanitárias municipais e estaduais foi a área central, nas proximidades da linha da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, a mais adensada no período analisado, na qual as condições sanitárias eram precárias e, portanto, consistia num local favorável ao desenvolvimento de epidemias.

A dissertação identificou que a atuação das autoridades sanitárias se pautava pela relação da febre amarela com a contaminação da água e do solo. Somente em 1901, o médico sanitarista Emilio Ribas repetiu os testes feitos pelo médico cubano Carlos Finlay, em 1881, e as autoridades sanitárias passaram a trabalhar a epidemia em relação ao mosquito Aedes aegypti, descoberto pelo cubano como o transmissor da febre amarela. “De todo modo, foi importante o poder público eliminar a água e o solo contaminados, porque ele combateu o foco da doença, mesmo acreditando que a febre amarela era transmitida pela água contaminada”, avalia.

Desinfectório Central de Campinas: Local onde se fazia a desinfecção de roupas e objetos dos doentes. Estava localizado onde hoje é a E. E. Carlos Gomes. Fonte: Blog Pró Memória de Campinas:
Desinfectório Central de Campinas: Local onde se fazia a desinfecção de roupas e objetos dos doentes. Estava localizado onde hoje é a E. E. Carlos Gomes. Fonte: Blog Pró Memória de Campinas:

O médico sanitarista Emílio Ribas permaneceu em Campinas até 1896 e, depois, ele assumiu a chefia do Serviço Sanitário do Estado de São Paulo. Entretanto, a Comissão Sanitária continuou os trabalhos em Campinas, mas isso não significa que, nessa época (1901), os trabalhos estavam exatamente focados no combate ao mosquito. Foi a partir de 1904, quando ainda era diretor do Serviço Sanitário, que Emílio Ribas passou a reforçar que o combate à febre amarela (em todo o Estado de São Paulo, e não somente em Campinas) deveria ser feito no sentido de eliminar os criadouros do mosquito, como medida profilática.

Aedes aegypti: da Febre amarela à dengue

Divulgação
Divulgação

Não é possível comparar Campinas do final do século XIX com a Campinas do século XXI, mas Daniela argumenta que se pensarmos nos números das epidemias de febre amarela, eles são “modestos, considerando o número de casos registrados nas epidemias de dengue em Campinas nos últimos anos, com 44,5 mil casos, além do fato de que hoje a população é muito maior. Nesse sentido, uma possível relação é justamente sobre o estado sanitário da cidade atualmente, pois é bem corriqueiro encontrar lixo acumulado nas ruas e, com o período das chuvas, muitos focos do mosquito são observados na cidade, devido ao descuido, tanto das autoridades municipais – é importante destacar que isso não acontece somente em Campinas – como também da população”, pontua. Contudo, Daniela destaca que isso explica somente em parte a proliferação do mosquito Aedes aegypti, uma vez que, segundo ela, “é notório o atraso em relação ao saneamento em diversas áreas da cidade, o que, certamente, impacta na proliferação do mosquito da dengue”, considera.

 

 

 

Leitura do Território

Projeto de Extensão colabora com agentes da Prefeitura de Campinas na leitura sobre o território urbano

Por Amanda Cotrim

No contexto da parceria entre a PUC-Campinas e a Prefeitura de Campinas, o Projeto de Extensão Parque Linear Ribeirão das Pedras [uma metodologia para desenvolvimento de projetos urbanos], coordenado pelo docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Prof. Me. Fábio Boretti, desenvolveu um ensaio de diretrizes urbanísticas para o Parque Linear Ribeirão das Pedras, uma área verde que se constitui no trajeto do córrego Ribeirão das Pedras, o qual nasce no bairro Alto Taquaral, passa pelo Parque Dom Pedro e chega até Barão Geraldo, percorrendo cerca de 9 km. O objetivo do Projeto de Extensão foi elaborar uma metodologia para o desenvolvimento de projeto urbanos, utilizando o Parque Linear Ribeirão das Pedras como caso de estudo, proporcionando intercâmbio entre docente,  seus alunos bolsistas de extensão  e os técnicos do poder público, fomentando, assim, autonomia dos gestores municipais para futuras demandas similares.

Ensaio projetual (equipamentos básicos de apoio ao parque) / Crédito: Material de arquivo
Ensaio projetual (equipamentos básicos de apoio ao parque) / Crédito: Material de arquivo

“Desenvolvemos uma metodologia de leitura do território para um projeto urbano, a partir de uma demanda do poder público, como foi o caso do Ribeirão das Pedras. Dessa forma, é possível aplicar a mesma metodologia para realizar a leitura de outros territórios da cidade”, explica Boretti, que já adianta que, em 2016, será a vez do Projeto de Extensão “Parque Capivari Mirim”, na região próxima ao aeroporto de Viracopos. “Esses projetos possibilitam que os alunos enxerguem o território como um todo: desde as características territoriais e ambientais, passando pelos sistemas urbanos até as relações sociais que operam no local, compreendendo as características e as demandas específicas de cada lugar. Assim, os estudantes conseguem, por exemplo, conectar áreas verdes e espaços públicos, compreendendo o território urbano como um sistema integrado” ressalta.

Oficina realizada entre alunos bolsistas e técnicos da prefeitura - secretaraia do verde. / Crédito: Material de arquivo
Oficina realizada entre alunos bolsistas e técnicos da prefeitura – secretaraia do verde. / Crédito: Material de arquivo

O trabalho desenvolvido no Projeto de Extensão “Parque Linear Ribeirão das Pedras” considerou as características da população que não só mora no entorno, mas percorre ou cruza o território de extensão do Rio das Pedras, levando em consideração a renda, a forma de ocupação do lote, o tipo de comércio, relação domicilio- trabalho e renda, mobilidade urbana, uso e apropriação de equipamentos e espaços públicos.

“A convivência entre os estudantes do Projeto de Extensão e os gestores da Secretaria do Verde enriqueceu o aprendizado pela possibilidade de eles terem contato com diversos olhares sobre o mesmo “problema” de pesquisa, tendo de compreender o território estudado e a relação do mesmo com a restante da cidade de Campinas”, avalia.

Fábio Boretti considera que o estudo urbanístico tanto produzido para o Parque Linear Ribeirão das Pedras quanto o que será desenvolvido para o Capivari Mirim capacitará o poder público na proteção e recuperação do ecossistema ligado ao rio, conectando áreas verdes e espaços públicos, controlando as enchentes e proporcionando áreas verdes destinadas a atividades culturais e de lazer.

ensaio projetual para o parque linear / Crédito: Material de arquivo
ensaio projetual para o parque linear / Crédito: Material de arquivo

 

 

 

 

 

Metodologia:

O Parque Linear é um projeto urbano previsto no plano de desenvolvimento de Campinas.  A metodologia desenvolvida contemplou as etapas de coleta de dados, interpretação e análise, construção do diagnóstico urbano, elaboração de diretrizes de projeto e desenvolvimento de alguns ensaios.

O primeiro passo foi conhecer o local que seria estudado. Os alunos foram, literalmente, a campo para entenderem o lugar e as pessoas que ali moram e circulam; detectando quais eram os espaços públicos, suas especificas apropriações, linhas de ônibus, os espaços de lazer e cultura, ou seja, um mapeamento do território. Os alunos fizeram fotos do local e produziram um arquivo de foto aérea utilizando fontes e programas da internet e então elaboram uma planta do território estudado. Depois desse trabalho prático, os estudantes, junto com o docente orientador, se reuniram para debater o “objeto”, pesquisam bibliografias, artigos científicos e, assim, produziram as bases para a realização do estudo.

Por fim, tanto o processo quanto os resultados do trabalho foram compilados e sistematizados, com a finalidade de expor o desenvolvimento do projeto e criar uma referência para desafios futuros semelhantes que a Secretaria do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável possa enfrentar.

 

 

Fazenda Roseira: Preservar para existir

Dissertação analisa processo de requalificação e transformação social da Fazenda Roseira, ponto referencial de cultura e história negra, em Campinas

Por Beatriz Videira

Estudo de mestrado desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Urbanismo acompanhou e analisou o processo de requalificação da Fazenda Roseira como Casa de Cultura, processo que contou com a participação de movimentos sociais, culturais e ambientais da região noroeste de Campinas. Formada em História pela Universidade, a pesquisadora Alessandra Ribeiro é gestora da Casa de Cultura Afro Fazenda Roseira e uma das integrantes da Comunidade Jongo Dito Ribeiro. A Fazenda Roseira está entre os centros de referência regional sobre o Jongo, além de ser um espaço reconhecido como polo de difusão da cultura negra, localizado no jardim Roseira, na região noroeste do município. E foi por essa relação entre território material e cultura imaterial, que a comunidade negra optou, dentro das suas condições, por transformar a Fazenda Roseira na sede da Comunidade Jongo Dito Ribeiro.

Segundo Alessandra, seu maior objetivo foi realizar um diálogo entre a academia e a comunidade Jongo Dito Ribeiro. “Me utilizei do método de pesquisadora-participante, com base na episteme oriunda da oralidade e vivências da própria comunidade, entrelaçadas com fontes bibliográficas e referenciais teóricos”, explica.

A Fazenda Roseira fica no bairro Roseira, região noroeste de Campinas/ Crédito Álvaro Jr.

A Fazenda Roseira fica no bairro Roseira, região noroeste de Campinas/ Crédito Álvaro Jr.

A dissertação aborda o processo que envolveu a preservação da Fazenda Roseira, uma antiga fazenda de café e marco referencial cultural e histórico para o município, localizada hoje numa região de importantes rodovias e ocupada predominantemente por uma população de baixa renda. A pesquisadora escolheu o tema porque também quis conhecer, efetivamente, suas origens e sua ancestralidade. “Saber de onde vim contribuiu muito para que eu fizesse escolhas e determinasse alguns caminhos a seguir como mulher, negra e moradora de uma das regiões periféricas de Campinas”, justifica.

A principal problemática posta pela pesquisa era quais as possibilidades de uma comunidade negra, periférica, praticante de uma cultura ancestral, reconhecida nacionalmente,  “conseguia se articular ou não na defesa de um patrimônio público, com grandes dimensões do patrimônio material, na cidade de Campinas”, contextualiza a pesquisadora.

Em Campinas, a Comunidade Jongo Dito Ribeiro recebeu esse nome em homenagem a Benedito Ribeiro, avô de Alessandra, que chegou à cidade na década de 1930, vindo do interior de Minas Gerais. Com o objetivo de acessar esse passado, Alessandra encontrou na academia uma possibilidade, entre outras, de buscar algumas respostas. Um processo que envolveu medo, superação e surpresa. “Escolhi que seria a voz daqueles que nem sempre podem estar na academia falando de si, defendendo-os e lutando por eles”, revela.

Em Campinas, a Comunidade Jongo Dito Ribeiro recebeu esse nome em homenagem a Benedito Ribeiro/ Crédito: Alvaro Jr.
Em Campinas, a Comunidade Jongo Dito Ribeiro recebeu esse nome em homenagem a Benedito Ribeiro/ Crédito: Alvaro Jr.

E uma de suas lutas é a preservação do Jongo, patrimônio imaterial nacional, que se cultuou por meio da dança e da música nos quintais das periferias urbanas e em comunidades negra do Sudeste brasileiro. O Jongo, também conhecido como Caxambu, é uma manifestação cultural que mescla percussão e dança coletiva e tem três elementos essenciais: os pontos, a dança e os tambores. Os pontos concentram todos os saberes do Jongo e, ao misturar metáforas e dialetos da língua banto – língua que deu origem a diversas línguas no centro e no sul do continente africano -, possibilitaram uma comunicação entre os negros escravizados, numa expressão de origem mista, persistente até os dias atuais”, explica.

No entanto, Alessandra explica que a origem sobre o Jongo não é um consenso entre os intelectuais da área de História, Sociologia e Antropologia. Segundo ela, algumas produções acadêmicas apontam duas correntes antagônicas a respeito do Jongo “A primeira, mais recente, afirma que o Jongo se configura como uma entre as múltiplas manifestações culturais resultantes do contato entre a cultura escrava do século XIX na antiga área cafeeira do Sudeste brasileiro, e a cultura dos proprietários de terras e senhores de escravos. Para a segunda, ele é originário da região de Congo-Angola e chegou ao Brasil com os negros bantos que, escravizados, trabalharam nas lavouras e na mineração”. O que há em comum entre as referências, no entanto, se dá em seu efeito. “Os Jongos foram, sobretudo, canções de protesto, reprimidas, mas de resistência. Atualmente, o Jongo é considerado por seus praticantes como o ‘pai do samba’”, reforça a pesquisadora.

Pesquisadora Alessandra Ribeiro: "Fui entender quem sou eu"/ Crédito Álvaro Jr.
Pesquisadora Alessandra Ribeiro: “Fui entender quem sou eu”/ Crédito Álvaro Jr.

Durante a pesquisa, uma das hipóteses confirmadas foi que quando a sociedade participa, há mudança: “mesmo não tendo sido resolvida a situação da formalidade da Comunidade, ficou evidente que a mesma, desenvolveu uma grande habilidade em envolver pessoas, coletivos, sendo de grupos sociais e/ou do poder público”, analisa Alessandra.  Foram essas ações da comunidade que contiveram a depredação do espaço, tornando-o efetivamente público, complementa a pesquisadora.

A Comunidade Jongo Dito Ribeiro tem uma parceria com a Prefeitura da Campinas, há doze anos, porém, somente no dia 8 de julho de 2015, conseguiu uma formalização legal para o uso da Fazenda da Roseira. Para Alessandra, “é uma grande conquista depois de sete anos de espera e muito trabalho”. A Casa de Cultura Fazenda Roseira oferece cursos grátis para a comunidade como costura, capoeira, formação de professores, oficinas de Jongo, teatro, culinária afro, cultura digital, entre outros.

(Edição de texto: Amanda Cotrim)

Convênio Brasil-Cuba na preservação de patrimônio

Projeto da PUC-Campinas mapeia os bairros Nova Campinas e Terrazas de Vista Alegre, nas cidades de Campinas e Santiago de Cuba, respectivamente. Pesquisa tem o financiamento da CAPES

Por Amanda Cotrim

Após vencer um edital de pesquisa da Coordenação do Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) em convênio com o Ministério da Educação de Cuba, em 2013, a PUC-Campinas realiza desde 2014 o projeto Cidade, Habitação e Patrimônio: experiências compartilhadas entre as cidades de Campinas e Santiago de Cuba, sob a coordenação geral da docente do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo, da Universidade, Profa. Dra. Cristina Schicchi. O objetivo principal é identificar e preservar patrimônios culturais em ambas as cidades, em especial, os recentes e modernos, além de discutir a preservação no âmbito do urbanismo, como os bairros propostos sob o modelo das cidades jardins, tanto no Brasil quanto em Cuba, a exemplo dos bairros jardins projetados pela Companhia City na capital paulista.

“Tanto o bairro Nova Campinas como o Terrazas de Vista Alegre surgem no século XX, num período histórico em que é possível compará-los. Os contextos em que esses bairros se desenvolvem, entretanto, são antagônicos e daí surge a curiosidade científica de compreender os processos históricos de cada um, para entender a realidade de ambos atualmente”, explica a Profa. Dra. Cristina, que também é a coordenadora da equipe de pesquisadores no Brasil, que conta com professores pesquisadores e alunos do curso de Pós-Graduação em Urbanismo da PUC-Campinas.

Terrazas de Vista Alegre/ Crédito: Arquivo da pesquisa
Terrazas de Vista Alegre/ Crédito: Arquivo da pesquisa

Além da produção científica entre Brasil e Cuba, o projeto prevê, ainda, um intercâmbio de docência, isso porque os professores de Cuba vêm ministrar aula na Universidade e os docentes da PUC-Campinas vão a Cuba lecionar, como aconteceu com o docente da Universidade de Oriente, de Santiago de Cuba, Prof. Dr. Carlos Alberto Odio Soto, que está realizando seu pós-doutorado na PUC-Campinas, sob a supervisão da Professora Cristina. “O Professor Carlos ministrou a disciplina Estudos Urbanos Latino-Americanos na pós- graduação em Urbanismo. Foi uma experiência maravilhosa e enriquecedora, porque os alunos puderem se aproximar das questões latino-americanas e compreender o processo histórico em Cuba”, considera a Coordenadora do projeto.

Bairro Terrezas de Vista Alegre pode perder característica, se novos inquilinos transformarem as casas sem um plano ou lei de preservação/  Crédito: Arquivo da pesquisa
Bairro Terrezas de Vista Alegre pode perder característica, se novos inquilinos transformarem as casas sem um plano ou lei de preservação/ Crédito: Arquivo da pesquisa

“Minha pesquisa está em andamento. Tenho, por enquanto, impressões visuais. Chamaram-me a atenção no bairro Nova Campinas os muros. Todos altos. Isso é totalmente diferente de Cuba. E tem dificultado a minha investigação científica. Não consigo fazer o trabalho de campo com facilidade, tenho que pedir permissão para entrar na casa”, revela Soto, que reconhece que a questão da segurança é um diferencial significativo entre os dois países.

Prof. Dr. Carlos Soto realiza pós-doutorado na PUC-Campinas/ Crédito: Amanda Cotrim
Prof. Dr. Carlos Soto realiza pós-doutorado na PUC-Campinas/ Crédito: Amanda Cotrim

De acordo com a Coordenadora do projeto, houve um esvaziamento do bairro Nova Campinas – de classe média alta – por causa da falta de segurança na região. “Boa parte dos moradores migraram para os condomínios fechados ou bairros mais afastados, a partir dos anos 1990. Há muitos inquilinos e muitas casas vazias. O bairro ficou congelado, porque não se pode mexer em suas construções”, explica. Segundo ela, o Nova Campinas chegou a ser indicado para tombamento como patrimônio histórico, mas o processo não foi encerrado ainda. “Esse também é um dos nossos objetivos, compreender como a dinâmica urbana interfere nos dois bairros analisados no projeto e quais os riscos para o patrimônio”.

Bairro Nova Campinas fica a 2 km do centro da cidade/ Crédito: Arquivo da pesquisa
Bairro Nova Campinas fica a 2 km do centro da cidade/ Crédito: Arquivo da pesquisa

No bairro Vista Alegre, em Santiago de Cuba, há uma preocupação dos pesquisadores e do governo cubano em relação a essa nova conjuntura política e econômica em Cuba. Com a venda de imóveis, as casas preservadas pela Revolução Cubana agora podem transformar-se. “Os casarões de Terrazas de Vista Alegre, por exemplo, são antigos, pertenciam a um bairro de classe média alta antes da Revolução Cubana; eram verdadeiros palacetes. Depois, os casarões foram destinados a instituições de governo e à habitação. Mas agora que os imóveis podem ser vendidos, se os novos proprietários decidem transformar as casas sem ter um plano ou lei de preservação, isso pode descaracterizar o bairro”, teme Soto. Já no bairro Nova Campinas, a pressão é para que o comércio avance na região. “Mas o comércio também pode descaracterizar o patrimônio”, pontua Cristina.

A pesquisa conjunta sobre os dois bairros deve ser encerrada em 2017. Além do projeto central de comparação entre Nova Campinas e Terrazas de Vista Alegre, há pesquisas paralelas que envolvem Brasil e Cuba, realizadas por professores pesquisadores e alunos, como é o caso do estudo da Prof. Dra. Renata Baesso, que pretende fazer um paralelo entre a formação das cidades de Campinas e Cuba, principalmente em razão do patrimônio das fazendas de café em ambos contextos. Ou como fez o também pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo, Prof. Dr. Wilson Ribeiro dos Santos Jr., que foi a Cuba ministrar um curso sobre urbanismo e realizar uma pesquisa sobre os espaços públicos no bairro de Terrazas de Vista Alegre e a aluna de mestrado Helena Vilela Santos, que também está fazendo um estudo comparativo entre as praças do centro de Santiago de Cuba e de Barra Mansa (RJ) sob a orientação da Profa. Cristina.

“Independentemente de resultados científicos, o projeto está sendo muito enriquecedor. Nos cursos de Arquitetura e Urbanismo, por exemplo, nossa discussão é muito voltada para a relação entre arquitetura e cidade. Somos muito urbanos, quase 80% da população da América Latina está nas cidades”, comenta a professora Cristina. “Já em Cuba, ao contrário, após a Revolução, se investiu num conhecimento muito mais profundo sobre planejamento e construção no campo”, completa o Prof. Soto. “No final de tudo, o intercâmbio acadêmico é que enriquece as nossas pesquisas”, resume Cristina.

 Confira os participantes das equipes no Brasil e em Cuba

Pesquisadores brasileiros: Profa. Dra. Maria Cristina da Silva Schicchi (Coordenadora), Prof. Dr. Wilson Ribeiro dos Santos Jr. e Profa. Dra. Renata Baesso, pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da PUC-Campinas.

Pesquisadores cubanos: Profa. Dra. Arq. Milene Soto Suárez (Coordenadora), Prof. Dr. Arq. Carlos Alberto Odio Soto e Profa. Dra. Arq. Maria Teresa Muñoz Castillo, pesquisadores da Universidad de Oriente, Facultad de Construcciones, Departamento de Arquitectura y Urbanismo.

SERVIÇO: 

Em setembro, nos dias 14 e 15, a PUC-Campinas realizará o evento “Jornadas em Urbanismo – Brasil e Cuba”, com palestras e oficinas entre alunos, professores do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo e os pesquisadores cubanos que virão para Campinas em missão de trabalho e estudo.