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Não ensina quem não organiza e não organiza quem não planeja…

Na atividade docente o planejamento não tem valor menor nem ocorre em menor frequência que aulas, atividades laboratoriais, procedimentos de avaliação e de recuperação que recheiam nosso cotidiano acadêmico.

A rigor, ensinar pressupõe planejamento continuado de cada aula e de cada passo, ao longo de toda a jornada que nos dispomos a percorrer, juntamente com alunos e alunas, na direção do conhecimento.

Sabemos que a aula começa no dia anterior, nos preparativos, seleção de recursos e avaliação dos métodos que definimos para momentos e conteúdos determinados. Só então, nos sentimos seguros e confiantes para entrar em sala e, como costumamos dizer “dar uma boa aula”.

Docentes mais experientes conhecem a capacidade dos alunos para distinguir e reconhecer o professor que planeja e traz a aula organizada, com ponto de partida definido, percurso traçado e objetivo ancorando, solidamente, todo o processo.

O planejamento, que trazemos introjetado, na condição de professor e professora, tem dimensões diversas, desde o microuniverso de um exercício didático, até o macroplanejamento de todo um semestre letivo.

Ajustados a essas dimensões variadas estão o tempo dedicado e o envolvimento articulado de diversas pessoas. Normalmente conduzimos sozinhos e por conta própria o planejamento das nossas aulas, mas ao planejamento individual precedem instâncias mais amplas e coletivas, como a que nos compete fazer agora, nesta Semana de Planejamento Pedagógico.

Sob orientação da Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD), contando com a colaboração de pessoas com amplo conhecimento de pedagogia, didática e planejamento, atuando como um Corpo Docente com objetivos congruentes e valores similares, constituímos um grupo eficiente e capacitado para planejar os largos caminhos vislumbrados para o semestre entrante, que formam a base de orientação para todas as demais ações pedagógicas, até o final de junho.

Nesse sentido, o planejamento não é só exercício de orientação técnica, mas, também, contributo à segurança que queremos e precisamos na sala de aula.

Portanto, acima e além de quaisquer outras considerações, cabe lembrar que o Planejamento Pedagógico é tão importante para cada um de nós, como todos nós, participando ativamente, somo vitais para que o planejamento renda orientação segura e ferramentas eficientes, que vamos usar a cada dia letivo.

Boas-vindas a um semestre produtivo e compensador.

 

Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht

Reitora

EDITORIAL: A velocidade com que a violência se impõe

O conceito do brasileiro cordial já rendeu muito “pano pra manga”, na Academia e fora dela, começando pela paternidade, que uns atribuem ao escritor santista Ribeiro Couto e outros ao historiador Sérgio Buarque de Holanda.

Entretanto, independentemente da origem, teses, propostas, ensaios e muito palpite já permeou conversas e textos exaltando ou questionando a cordialidade da gente brasileira, com sensível acréscimo das dúvidas e desconfianças nos tempos atuais, quando a violência praticamente sufoca anseios ou esperanças de relações sociais baseadas na gentileza.

Ciente e consciente da intensidade e velocidade com que a violência se impõe entre nós, a equipe do Jornal da PUC-Campinas abriu espaço para manifestações de alunos e professores sobre o tema, expresso nas reportagens, artigos e entrevistas desta edição, inteiramente voltada para a reflexão sobre a violência.

Tematizada na violência e mais precisamente na violência que existe mais próxima de todos nós, vale dizer, no Brasil de hoje, a edição traz artigos que tratam da banalização da violência, matérias sobre a agressão física e psicológica que permeia o trote universitário, passando pelo questionamento das pessoas e instituições que usam e abusam da violência, quando deveriam atuar em sentido inverso, como a polícia e profissionais do Poder Judiciário. Para embasar reflexões e questionamentos sobre essa temática, a edição também traz excelente entrevista sobre ética e moral.

Nesta edição, reportagens e artigos que abordam a temática da violência, mostram o comércio de armas, as conseqüências da imprudência no trânsito e os distúrbios de ordem emocional causados pela exposição ou convivência com a violência.

Ações antiviolência também integram o conteúdo da edição de abril/2015, incluindo matéria sobre a Pastoral Carcerária na Região de Campinas, mostrando como e porque os voluntários decidem enfrentar a questão, convivendo – e ajudando – grupos sociais envolvidos com a violência. De quebra, a matéria ainda deixa um recado esclarecedor para pessoas que atribuem à Pastoral Carcerária a questionável missão de “alisar a cabeça” de indivíduos que, de alguma forma, violentaram a sociedade.

Formas de violência dissimuladas, mas, nem por isso, menos predatórias, também integram o elenco de matérias, como o racismo e agressão contra formas de vida que não podem reclamar quando são violentadas, como as florestas, dizimadas pela sanha das motosserras à razão de muitos hectares ao dia. A resposta, mostram estudos e análises, também é violenta: por conta da falta de florestas, crises hídricas contínuas e crescentes ameaçam a geração de energia, o abastecimento dos aglomerados urbanos e a produção de alimentos.

No comentário de cinema, uma proposta de reflexão sobre relações de causa e efeito entre a imagem na tela e o comportamento social. Afinal, cinema estimula a violência social, ou a sociedade estimula a crescente inserção de violência no cinema?

O tema desta edição, sabemos todos, não é bonito, nem agradável, mas o primeiro passo para recobrar e fazer valer a sociedade de homens cordiais, que ilustra o capítulo V do clássico Raízes do Brasil, é encarar a violência e agir para acabar com ela.

Vai aqui, portanto, uma edição do Jornal da PUC-Campinas que pretende deflagrar reflexões e estimular (re)ações.

Jogo da Logística: Uma nova maneira de ensinar

Prática considerada inovadora concilia duas metodologias ativas de ensino-aprendizagem: jogos de empresa e ensino baseado em resolução de problemas

Por Eduardo Vella

Brincar para aprender. É deste modo que os alunos da disciplina de Logística Empresarial, do curso de Administração, da PUC-Campinas entram na sala de aula. Utilizando-se de um jogo de tabuleiro inspirado no mapa rodoviário do estado de São Paulo, com cartas, dados e peças do “Banco Imobiliário”, os estudantes compreendem o conteúdo e são preparados para o mercado de trabalho.

Foto: Álvaro Jr. Prof. Dr. Marcos Ricardo Rosa Georges
Foto: Álvaro Jr.
Prof. Dr. Marcos Ricardo Rosa Georges

Criado pelo docente do Centro de Economia e Administração da PUC-Campinas, Prof. Dr. Marcos Ricardo Rosa Georges, o Jogo da Logística é fruto de um projeto que começou em 2002 em uma disciplina de pós-graduação da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e que depois passou a ser ministrado nas aulas de Logística Empresarial, no curso de Administração, da PUC-Campinas.

O Jogo da Logística é uma prática pedagógica que utiliza elementos lúdicos de jogos de tabuleiro, como: cartas de clientes, cartas de produtos, cartas de veículos, dados e tabuleiro.

O Jogo da Logística é uma prática
pedagógica que utiliza elementos lúdicos

Sorteando-se cartas de clientes, do produto e da demanda de cada cliente, com a utilização de um dado, o jogo cria um cenário complexo sobre o tabuleiro e desafia os alunos a aplicarem conceitos e ferramentas da logística empresarial. É aplicado em duas fases: planejamento e operação de entrega.

No planejamento, os alunos devem responder: qual a melhor localização do Centro de Distribuição (CD) que atenderá os clientes; qual o nível de estoque adequado deste CD; e qual o tipo e quantidade de veículo que irá compor a frota. Na operação de entrega, os alunos planejam rotas para atender a demanda dos clientes, conforme o sorteio dos dados.

O Jogo da Logística ambienta-se, utilizando o mapa do estado de São Paulo como tabuleiro, porém mostrando somente as cidades incluídas no jogo, bem como, apenas as principais rodovias que ligam essas cidades.

Projeto pedagógico

A iniciativa surgiu com a reformulação do projeto pedagógico do curso de Administração, que incorporou as metodologias ativas de ensino aprendizagem como prática pedagógica institucional.

Assim, o antigo projeto aplicado na disciplina de logística empresarial, que era desenvolvido pelos alunos de forma tradicional, recebeu influências das metodologias ativas, na qual o aluno participa do processo de aprendizado, e foi transformado em um jogo de tabuleiro, aplicado segundo os preceitos do aprendizado baseado em problemas, numa perspectiva de jogos empresariais.

Nesta nova perspectiva, o cenário passou a ser dado por sorteios – cartas e dados -, visualizado em um tabuleiro e o problema apresentado na forma de desafios logísticos.

“A abordagem baseada em jogos permite o desenvolvimento de habilidades e atitudes nos alunos como: trabalho em equipe”

Desde a sua primeira aplicação na Universidade, em 2007, o Jogo da Logística já beneficiou mais de 700 alunos, envolveu três professores em duas disciplinas na Faculdade de Administração da PUC-Campinas (Logística Empresarial e Administração da Cadeia de Suprimentos).

“A abordagem baseada em jogos permite não só a transmissão do conhecimento, mas também o desenvolvimento de habilidades e atitudes nos alunos como: trabalho em equipe, aprendizagem autônoma, capacidade de problematização, desenvolvimento
do raciocínio lógico, uso de planilhas, entre outros”, explica o criador do jogo e docente do Centro de Economia e Administração da PUC-Campinas, Prof. Dr. Marcos Ricardo Rosa Georges.

“O primeiro e mais evidente resultado está no entusiasmo demonstrado pelos alunos quando se vêem diante de uma disciplina que será dada por meio de um jogo de tabuleiro”, completa o docente.

Ao longo destes anos que o jogo vem sendo desenvolvido, ele já foi publicado e apresentado em alguns dos principais eventos científicos da área da Administração, como o SIMPOI (organizado pela EAESP/ FGV-SP) e o ENGEMA (organizado pela FEA -USP), e compôs o primeiro capítulo do livro “Jogando Logística no Brasil”, que reúne diversos jogos de logística.

“Essas publicações permitiram que professores de diferentes instituições do Brasil me procurassem para pedir informações e aplicar o jogo em suas instituições”, revela o Prof. Marcos Georges.

Confira o trecho de uma aula com o jogo da logística.

Imagem e Edilção: Giovanna Oliveira