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“Uma universidade católica se distingue pelo cultivo e promoção dos valores éticos”, afirma Presidente da CNBB

Em entrevista ao Jornal da PUC-Campinas, o Presidente da CNBB, que esteve na Universidade, no dia 21 de setembro, fala sobre o Concílio Vaticano II e a contribuição da universidade católica para a formação humana

Por Amanda Cotrim e Eduardo Vella

Pela primeira vez, o Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e arcebispo de Brasília, D. Sergio da Rocha, veio à PUC-Campinas, no dia 21 de setembro, participar do Colóquio “A Universidade Católica à Luz do Concílio Vaticano II”.  Durante sua passagem pelo Campus I, D. Sérgio, concedeu entrevista exclusiva ao Jornal da PUC-Campinas, na qual ressaltou que a Igreja se faz diálogo e que por isso ela não deve se fechar nela mesma e nem deve ter uma postura de dominação ou controle social, imagem essa que não condiz com a eclesiologia do Vaticano II, e nem seria possível numa sociedade plural e complexa, como é a atual. D. Sérgio também destacou que o diálogo e o serviço da Igreja podem ser efetivados através do recurso das mídias sociais. “Nelas, o respeito à pluralidade não deve implicar em exclusão da perspectiva religiosa ou na negação da identidade católica. É preciso assegurar o direito à liberdade religiosa, o reconhecimento da importância da fé na vida das pessoas e na cultura brasileira”

O Arcebispo é Mestre em Teologia Moral pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção (SP) e Doutor pela Academia Alfonsiana da Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma. Dom Sérgio tem como lema episcopal “Omnia in Caritate” – “Tudo na caridade”.

Confira:

Jornal da PUC-Campinas: Neste ano, são comemorados os 50 anos do encerramento do Concílio Vaticano II, um dos eventos mais marcantes da Igreja no século XX.  A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propôs uma reflexão mais ampla sobre o Concílio, por meio da Campanha da Fraternidade (CF), que tem como tema “Fraternidade: Igreja e sociedade” e o lema “Eu vim para servir” , numa tentativa de aproximar a igreja cada vez mais da sociedade. Gostaria que o senhor refletisse sobre as principais mudanças proporcionadas pelo Vaticano?

D. Sérgio: O Vaticano II propõe uma atitude eclesial de diálogo e de serviço na relação Igreja – sociedade. A Igreja se faz diálogo. A Igreja se faz servidora, a exemplo de Jesus. Na relação Igreja-sociedade, há posturas equivocadas. De um lado, a exclusão da participação na vida social, com a Igreja fechada sobre si, ocupando-se unicamente de questões internas. De outro, a postura de dominação ou controle social, que não condiz com eclesiologia do Vaticano II e nem seria possível numa sociedade plural e complexa, como a atual.

O documento do Concílio sobre a Igreja no mundo, a Gaudium et Spes, propõe o caminho do diálogo com todos, procurando não apenas oferecer ajuda, mas também receber ajuda,  e a atitude de serviço. O discernimento atento dos valores presentes na sociedade é acompanhado da denúncia profética daquilo que não condiz com a Palavra de Deus.

O diálogo e o serviço podem ser efetivados através do recurso às mídias sociais. Nelas, o respeito à pluralidade não deve implicar em exclusão da perspectiva religiosa ou na negação da identidade católica. É preciso assegurar o direito à liberdade religiosa, o reconhecimento da importância da fé na vida das pessoas e na cultura brasileira. O diálogo e o serviço a serem cultivados nas mídias sociais são enriquecidos com a perspectiva cristã. Para tanto, é fundamental a atuação de pessoas e instituições cristãs.

Jornal da PUC-Campinas: Para o senhor, qual é a contribuição da Universidade Católica para a formação da pessoa humana?

D. Sérgio: A Universidade Católica deve contribuir para a formação integral da pessoa humana, para o exercício responsável da cidadania na construção da sociedade, promovendo o diálogo, a solidariedade e a paz. Ela mesma deve ser um espaço privilegiado para o exercício do diálogo e da fraternidade.

Uma universidade católica se distingue pelo cultivo e promoção dos valores éticos, especialmente, por meio de gestos concretos: o respeito, a estima, a solidariedade, a vida fraterna, a paz, nos diversos níveis da comunidade acadêmica. A atitude de diálogo é essencial, seja no interior da comunidade acadêmica, seja com a sociedade. A abertura e o diálogo a serem cultivados numa universidade católica são exigências essenciais de uma comunidade acadêmica e decorrem do proprio dinamismo e caráter dialogal do saber.

A Universidade deve ser lugar de formação para a vida e de aprendizado  conjunto, na troca e circularidade de conhecimentos. A forma monológica de racionalidade, isto é, a racionalidade fechada, empobrece e paralisa qualquer campo do conhecimento ou instituição de ensino.

A forma dialógica de racionalidade enriquece e  estimula a caminhar rumo à atualização e ao aprofundamento. O pensador ensimesmado, isto é, o professor, o pesquisador ou estudante, fechado orgulhosamente sobre si,  não poder existir a não ser em contradição com a própria essência do pensar, por sua natureza aberto ao diálogo. Além disso, não pode faltar a postura profética na missão de uma instituição católica de ensino. Numa sociedade pluralista, o diálogo deve ser acompanhado de uma consciência clara da própria identidade, condição para se oferecer uma contribuição própria e estabelecer parcerias. A Universidade oferece, sobretudo, uma visão antropológica iluminada pela fé cristã, ressaltando a dignidade. o valor inviolável da vida de cada pessoa humana e os seus direitos fundamentais.

Espaço Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários

Apesar de existir uma indicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para que toda paróquia católica do país tenha uma equipe de Pastoral da Comunicação, essa meta ainda está longe de ser alcançada. Uma das principais dificuldades, segundo especialistas, é que para agir nessa área não é suficiente boa vontade e trabalho voluntário. Assim, além da disponibilidade dos agentes de pastoral é importante um conhecimento mais especializado – tanto técnico quanto teórico – na área da Comunicação.

Esse é o objetivo do projeto de extensão “Comunicação e Ação Pastoral: elaboração de Plano de Comunicação Institucional junto às paróquias da Forania São João XXIII, da Arquidiocese de Campinas”, desenvolvido pelo Prof. Lindolfo Alexandre de Souza, da Faculdade de Jornalismo, e que conta com dois alunos bolsistas. Na primeira etapa do projeto foram realizadas oficinas de capacitação para que os agentes de pastoral pudessem elaborar um Plano de Comunicação Institucional para cada uma das sete paróquias da Forania. E um plano que levasse em consideração a realidade de cada paróquia, com suas possibilidades, recursos disponíveis, cronograma e prioridades.

Após os planos elaborados, os agentes de pastoral estão participando de oficinas de capacitação para o aperfeiçoamento da comunicação paroquial, ao mesmo tempo em que são acompanhados na implementação das ações previstas nos planos de comunicação. Entre os temas das oficinas estão técnicas para produzir jornais e boletins paroquiais impressos, uso da internet para a evangelização, organização do quadro de avisos e dicas para o uso adequado do microfone, entre outras.

O projeto iniciou em agosto de 2014 e tem previsão de término em dezembro de 2015. Após a intervenção, o objetivo é que as equipes paroquiais de Pastoral da Comunicação estejam organizadas e capacitadas para a continuidade das ações, sem a necessidade de acompanhamento do docente nem dos alunos extensionistas.

Campanha da Fraternidade 2015

Por Padre João Batista Cesario

A Campanha da Fraternidade (CF) é uma grande mobilização de toda a Igreja Católica no Brasil, feita a partir dos apelos do Evangelho, abordando temas relevantes para a vida da Igreja e da sociedade durante a Quaresma, período marcada por muita oração, reflexão, penitência e caridade. Segundo o Papa Francisco, a Quaresma é “tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fieis, tempo favorável de graça” e, também, momento oportuno para superar “a globalização da indiferença”, tentação contemporânea que atinge a todos, inclusive os cristãos. Ora, o mal da indiferença é superado com amor e serviço qualificado à vida em todas as suas manifestações.

Para os cristãos, o gesto de lavar os pés, realizado por Jesus na última ceia, é o paradigma do serviço. “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir”, disse Jesus; por isso, o Papa afirma que “a Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos servidores como Ele” (Mensagem para a Quaresma de 2015).

Cartaz da Campanha da Fraternidade 2015.
Cartaz da Campanha da Fraternidade 2015.

Fraternidade, Igreja e Sociedade

O tema da CF 2015 é “Fraternidade, Igreja e sociedade” e o objetivo geral é justamente “aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro, para a edificação do Reino de Deus”. A referência ao Concílio é muito importante, porque 2015 marca o cinquentenário do encerramento desse grande evento eclesial que, na década de 1960, despertou a Igreja para um novo tipo de presença na sociedade, marcada pela abertura aos sinais dos tempos e por constante diálogo com as realidades contemporâneas.

Entre os objetivos específicos da CF-2015 destacam-se os propósitos de “apresentar os valores espirituais do Reino de Deus e da Doutrina Social da Igreja, como elementos autenticamente humanizantes; identificar as questões desafiadoras na evangelização da sociedade e estabelecer parâmetros e indicadores para a ação pastoral; e atuar profeticamente, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para o desenvolvimento integral da pessoa e na construção de uma sociedade justa e solidária” (CNBB. Texto-base CF-2015, p.10).

Trata-se, então, de procurar aprofundar cada vez mais a postura de serviço da Igreja em relação à sociedade. Todavia, é importante lembrar sempre que a Igreja não é uma realidade à parte da sociedade, mas ocupa um lugar importante no seio da sociedade, uma vez que deve ser “sal e luz no mundo”, como pediu Jesus aos seus discípulos. Ou seja, os cristãos devem ser presença transformadora no meio social; colaborar efetivamente para a ampliação da qualidade da vida para todos indistintamente; trabalhar sempre para o bem comum; e viver os valores aprendidos do Evangelho.

Cultura descartável

Então, o tema da relação Igreja-Sociedade na perspectiva do serviço é oportunidade para aprofundar alguns compromissos já assumidos, bem como descobrir e implementar novas formas de serviço e defesa da vida, especialmente nestes tempos marcados por algumas características que contrariam frontalmente o ensinamento de Jesus nos Evangelhos. O Papa Francisco tem denunciado freqüentemente certa “cultura do descartável” que tende a tratar as pessoas como se fossem coisas e descartá-las quando parecem não ter mais serventia, de acordo com uma concepção puramente econômica na qual os bens materiais valem mais do que a vida. Além disso, o Papa chama a atenção para inúmeras situações de sofrimento e marginalização que mantêm muitas pessoas nas “periferias existenciais”.

Ora, a CF-2015 é oportunidade de identificar e denunciar esses processos de exclusão e marginalidade, bem como de propor ações concretas para a superação desse quadro. Historicamente, a Igreja Católica tem desenvolvido intensa ação social no cuidado à vida, haja vista que os hospitais e as instituições de assistência social nasceram do cuidado pastoral da Igreja pelos pobres e sofredores de todos os tempos. E assim também as escolas e as Universidades e outras instituições. Com o passar do tempo, muitas das iniciativas de assistência e cuidado pela vida surgidas na Igreja foram assumidas pela sociedade e ampliadas em sua abrangência com a atuação do Estado.

Desse modo, um dos desafios da CF-2015, entre outros, é ampliar o diálogo da Igreja com a sociedade, para somar forças em vista do bem comum e da promoção humana. No âmbito da sociedade com suas organizações civis há muitas iniciativas de serviço desinteressado à vida que precisam de apoio, acompanhamento e fiscalização para que não se afastem de seus objetivos.  De igual modo, no âmbito eclesial há inúmeras instituições de ação social e incontáveis iniciativas de serviço à vida que também necessitam de apoio e suporte para continuarem sua missão. A CF-2015 propõe seja intensificado o diálogo Igreja-Sociedade para que novas forças de serviço possam beneficiar a vida que, em certa medida, está em constante ameaça neste início de século.

Ações da PUC-Campinas

A Universidade Católica, com seu Hospital Universitário (Hospital e Maternidade Celso Pierro), é presença significativa da Igreja Católica no âmbito da cultura e da produção e disseminação do conhecimento. A publicação recente da obra “Missão social 2012/2013” da PUC-Campinas, dá uma boa dimensão do grande leque de serviços prestados pela Instituição no âmbito que lhe compete, a saber, no campo da Pesquisa, do Ensino e da Extensão. Os números de programas, projetos e iniciativas desenvolvidos pela Universidade a serviço da vida são testemunho do esforço realizado para que os apelos do Evangelho sejam efetivados em ações concretas de serviço à vida. Trata-se de continuar fazendo sem desânimo o que se tem feito. No entanto, a CF-2015 pede que se aprofunde a reflexão acerca da relação Igreja-Sociedade, para que desse aprofundamento novas e fecundas iniciativas possam surgir.

Padre João Batista Cesario- Pastoral Universitária/PUC-Campinas