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Colóquio “A Paz, a Caridade e o Desenvolvimento Humano Integral: à luz das Encíclicas Sollicitudo Rei Socialis e Caritas in Veritate”

Por Sílvia Perez

A PUC-Campinas realizou, nos dias 23, 24 e 25 de outubro de 2017, o Colóquio “A Paz, a Caridade e o Desenvolvimento Humano Integral: à luz das Encíclicas Sollicitudo Rei Socialis e Caritas in Veritate”com a participação do Monsenhor Bruno-Marie Duffé (Secretário do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano integral – Vaticano), do Pe. António Bartolomeu Jácomo Ferreira (Universidade Católica Portuguesa – Porto) e da Profa. Dra. Ana Elisa Spaolonzi Queiroz Assis (Faculdade de Educação – Unicamp).

O tema escolhido abordou duas Encíclicas: “Sollicitudo Rei Socialis”, escrita pelo Papa João Paulo II, em 1987, e “Caritas in Veritate”, escrita pelo Papa Bento XVI, em 2009, fortemente conectadas com a Encíclica “Populorum Progressio”, escrita pelo Papa Paulo VI, em 1967.

De acordo com o Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da PUC-Campinas, Dom Airton José dos Santos, que participou da cerimônia de abertura do evento, é importante debater os temas das Encíclicas. “Nós queremos pensar a paz, a caridade, o desenvolvimento humano integral. As pessoas devem ser colocadas no centro dessas preocupações”, discursou.

O Secretário do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano, Monsenhor Bruno-Marie Duffé, realizou a conferência de abertura que teve o mesmo tema do Colóquio. “É importante discutir, refletir sobre o desenvolvimento humano integral, porque eu penso que nós viemos de um período em que o desenvolvimento era apenas econômico e nós descobrimos agora que o desenvolvimento não é apenas econômico, de produzir mais, ter mais, mas também, e primeiramente, de ser mais, de desenvolver todas as dimensões da pessoa humana, de grupos, comunidades e famílias. Nós estamos olhando para todas essas dimensões”, ressaltou Duffé.

Na Encíclica “Caritas in Veritate” (Caridade na verdade), Bento XVI aborda a importância das questões éticas nas relações econômicas, afirmando que o mercado financeiro precisa encontrar um respeito entre seus componentes, não permitindo discrepâncias que inviabilizem a presença dos mais fracos.  Bento XVI frisa que os tradicionais princípios da ética social, como a transparência, a honestidade e a responsabilidade, “não podem ser descuidados”.

Essa Encíclica “Caritas in Veritate” está de acordo com todos os atos políticos, sociais, econômicos, para ser transparente, honesto, disponível para as outras pessoas. Não é possível estar em atividades econômicas, políticas, apenas com interesses pessoais e não para os outros.

Além dos aspectos econômicos, a Encíclica “Caritas in Veritate” também trata do meio ambiente e afirma que as sociedades tecnologicamente avançadas podem e devem diminuir suas próprias necessidades energéticas e avançar na pesquisa sobre energias alternativas.

A Encíclica “Sollicitudo Rei Socialis”, escrita por João Paulo II, e dirigida aos fiéis por ocasião do 20º aniversário da encíclica Populorum Progressio, de Paulo VI, faz parte de um conjunto de textos do magistério da Igreja a respeito de questões sociais. “A guerra e os preparativos militares são o maior inimigo do desenvolvimento integral dos povos”, afirma o Papa João Paulo II em um dos trechos do documento. Em outro parágrafo, João Paulo II ressalta que “o abismo que separa o mundo superdesenvolvido do mundo subdesenvolvido se alarga cada vez mais”.

A Profa. Dra. Ana Elisa Spaolonzi Queiroz Assis, docente da Faculdade de Educação da Unicamp e egressa das Faculdades de Pedagogia e Direito da PUC-Campinas, fez a conferência “Caritas como um Conceito-Chave para a Edificação da Paz”, falando sobre o contexto de discussão de desenvolvimento abordado pelas encíclicas. “É um desenvolvimento sempre excludente, que acaba promovendo mais miséria do que equidade, mais dificuldades do que facilidades. Então, nesse contexto social em que a gente vive, eu arriscaria dizer que não é só um problema da modernidade, já é um problema de muitos séculos na sociedade humana, faz-se importante que, com o avanço da ciência, a gente continue a discutir esses problemas e pense formas de poder ultrapassá-los, superá-los”, afirmou a professora.

Outro tema discutido ao longo do Colóquio foi “A Ética do Cuidado”, cuja conferência foi ministrada pelo Pe. António Bartolomeu Jácomo Ferreira, da Universidade Católica Portuguesa do Porto, que estabeleceu uma relação entre o desenvolvimento da consciência moral, na qual o ser humano adquire uma preocupação pelo cuidado do outro, e a atuação dos profissionais da medicina no tratamento dos doentes. “Hoje em dia, este projeto de uma nova ética atende precisamente a uma visão integral do próprio ser humano. Então, ela não é um complemento deste desenvolvimento integral, mas é o ‘cimento’ que cola tudo, é aquilo que dá razão de ser a todo esse desenvolvimento”, explicou.

O evento foi organizado pelo Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas e foi aberto para toda a comunidade.

Assista:

A paz, a caridade e o desenvolvimento humano: Sollicitudo Rei Socialis e Caritas in Veritate

https://www.youtube.com/watch?v=2eJldAVOD5Y&list=PLIplquhLl8eNRqrsv7hZbqxeV0y8M97AY&index=10

Ética do Cuidado – “Colóquio a paz, a caridade e o desenvolvimento humano integral”

https://www.youtube.com/watch?v=admKaecnPec&list=PLIplquhLl8eNRqrsv7hZbqxeV0y8M97AY&index=9

A Ética do Cuidado 2 – “Colóquio a paz, a caridade e o desenvolvimento humano integral”

https://www.youtube.com/watch?v=7I0t5Sz7-uQ&list=PLIplquhLl8eNRqrsv7hZbqxeV0y8M97AY&index=8

Paz, caridade e o desenvolvimento humano: Sollicitudo Rei Socialis e Caritas in Veritate

https://www.youtube.com/watch?v=VDgTD02P4nU&list=PLIplquhLl8eNRqrsv7hZbqxeV0y8M97AY&index=7

Bioética 1

https://www.youtube.com/watch?v=aVqRbzuekFI&list=PLIplquhLl8eNRqrsv7hZbqxeV0y8M97AY&index=6

Doutrina Social da Igreja a partir das Encíclicas Sollicitudo Rei Socialis e Caritas in Veritate

https://www.youtube.com/watch?v=P6vIU3wnzuA&list=PLIplquhLl8eNRqrsv7hZbqxeV0y8M97AY&index=5

Colóquio – “Caritas como um conceito-chave para a edificação da paz”

https://www.youtube.com/watch?v=nHVuu-uoOnM&list=PLIplquhLl8eNRqrsv7hZbqxeV0y8M97AY&index=4

Colóquio – “Bioética”

https://www.youtube.com/watch?v=45QqYlR3bD0&list=PLIplquhLl8eNRqrsv7hZbqxeV0y8M97AY&index=3

Colóquio – “Ética do Cuidado e o Desenvolvimento Humano Integral”

https://www.youtube.com/watch?v=9KLD9_ntoBE&list=PLIplquhLl8eNRqrsv7hZbqxeV0y8M97AY&index=2

Colóquio Encerramento – Ética do Cuidado e o Desenvolvimento Humano Integral

https://www.youtube.com/watch?v=aQlwICCzr_E&list=PLIplquhLl8eNRqrsv7hZbqxeV0y8M97AY&index=1

 

 

 

 

 

“O desenvolvimento é o novo nome da paz”

Por Sílvia Perez

A frase que intitula este texto não é nova, foi pronunciada há cinquenta anos pelo hoje Beato Papa Paulo VI, em uma das encíclicas mais importantes da Doutrina social da Igreja Católica, a Populorum Progressio, que significa O Desenvolvimento dos Povos. Este documento, inclusive, foi a inspiração para o Colóquio “Por uma Cultura da Paz, em Comemoração aos 50 anos da Encíclica Populorum Progressio, realizado nos dias 8, 9 e 10 de maio, na PUC-Campinas.

A conferência de abertura do evento foi proferida pelo Bispo Diocesano de São Carlos, Dom Paulo Cézar Costa, que reforçou a importância da encíclica que toma a desigualdade um ponto crucial. “Papa Paulo VI considerou que o desenvolvimento deve ser integral, do homem todo e de todo o homem, o desenvolvimento é fundamental para a paz. Passaram-se cinquenta anos, mas ainda existe grande diferença entre ricos e pobres, existe violência, guerras, pobreza, e para que haja paz é preciso haver justiça, quando não há relações justas, falta a paz”, explicou Dom Paulo.

Com o entendimento de que a paz só será possível a partir do desenvolvimento dos povos, o documento do Papa Paulo VI enfatiza a questão do diálogo. “Papa Francisco retoma a questão propondo a necessidade do diálogo entre os povos e da fraternidade entre as nações para a construção de uma sociedade mais equilibrada, porque a partir do diálogo é possível encontrar soluções”, destacou o Bispo.

O documento do pontífice que colocou a Igreja Católica em solidariedade com os países mais pobres do mundo há cinco décadas continua atual. “Em um mundo globalizado, a solidariedade também deve ser globalizada, inclusive com a percepção da solidariedade dos bens, visando a eliminação do desequilíbrio econômico e olhando para os mais necessitados”, reforçou.

O Colóquio “Por uma Cultura da Paz, em Comemoração aos 50 anos da Encíclica Populorum Progressio” foi organizado pelo Núcleo de Fé e Cultura da Universidade e aconteceu nos Auditórios Dom Gilberto e Cardeal Agnelo Rossi, ambos no Campus I da PUC-Campinas.

 

Retrospectiva PUC-Campinas 2016

O ano de 2016 da PUC-Campinas foi de muitas conquistas e comemorações. Em junho, a Universidade celebrou seus 75 anos de fundação, fato que rendeu inúmeras comemorações ao longo do ano. Porém, como não é possível falar sobre tudo que a Universidade promoveu, elencamos os principais acontecimentos que foram notícia

Por Amanda Cotrim

Em maio, a PUC-Campinas realizou o Colóquio Laudato Si’: Por uma Ecologia Integral, que contou com a presença do Magnífico Reitor da PUC-Rio, Prof. Dr. Pe. Josafá Carlos de Siqueira. O tema escolhido foi baseado na Encíclica do Papa Francisco, “Laudato Si’: sobre o cuidado da Casa Comum”, que apresenta texto sobre a ecologia humana; o primeiro documento escrito integralmente pelo Papa Francisco, que buscou inspiração nas meditações de São Francisco de Assis, patrono dos animais e do meio ambiente.

Restauro do Solar do Barão, antigo Campus Central.
Restauro do Solar do Barão, antigo Campus Central.

O ano de 2016 também foi importante, pois a Universidade anunciou o restauro do Solar do Barão, antigo Campus Central. A iniciativa será possível em razão do financiamento coletivo, que se dará tanto por pessoa jurídica e física, quanto por edital de fomento. Diante da responsabilidade cultural que a legislação orienta, a PUC-Campinas observa que a preservação do patrimônio cultural é uma obrigação de toda a sociedade civil.

A Universidade foi destaque no Guia do Estudante de 2016, ficando entre as melhores universidades, segundo a avaliação realizada pelo Guia do Estudante. Ao todo, a Instituição teve 33 cursos estrelados, que constarão na publicação GE Profissões Vestibular 2017. A publicação estará nas bancas a partir do dia 14 de outubro de 2016. A Universidade recebeu 120 estrelas, tendo os cursos de Direito e Pedagogia avaliados com cinco estrelas, considerada a mais alta.  Além destes, 17 cursos, foram estrelados com quatro estrelas.

Nos 75 anos da PUC-Campinas, o Jornal da Universidade também foi especial, pois resgatou vários acontecimentos históricos que marcaram a instituição. A edição comemorativa do Jornal da PUC-Campinas resgatou fatos e pessoas que se destacaram em 75 anos de História, bem como abriu espaço para manifestações diversas sobre o significado dessa História para os tempos presente e futuro da Universidade. Esse movimento reafirmou e confirmou que, nos seus diferentes modos de ser e fazer, com variados recursos, incluindo os mais atuais e modernos, de perfil informatizado, a comunicação destacou-se como preocupação precípua e valor de primeira grandeza da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

A instituição também reconheceu e homenageou os Docentes Pesquisadores da PUC-Campinas, evento que fez parte das Comemorações aos 75 anos de fundação da Universidade.

Semana Monsenhor Salim: Integrando as comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade, por meio do Museu Universitário e da Faculdade de História, promoveu a Semana Monsenhor Dr. Emílio José Salim, de 13 a 17 de junho, no Campus I. Em meio a palestras com mediadores e rodas de conversa, que abordaram temas como “Década de 1940: o surgimento das Faculdades Campineiras”, “Monsenhor Dr. Emílio José Salim e o seu tempo (1941 a 1968)”, “Memórias e Convivências”, a PUC-Campinas buscou refletir sobre a conjuntura nacional e internacional, no período de atuação de seu primeiro Reitor, Monsenhor Dr. Emílio José Salim. Corpo e alma da Instituição desde o seu nascedouro, e à época, uma das maiores autoridades de Ensino Superior do País, o Monsenhor Dr. Emílio José Salim foi peça chave da organização da maioria dos cursos superiores da Igreja nas décadas de 40 e 50. Tornou-se o principal esteio do projeto de implantação das Faculdades Campineiras e seu primeiro Reitor, entre os anos de 1958 a 1968.

40 anos de reconhecimento: No ano do Jubileu de Diamante da PUC-Campinas, a Faculdade de Ciências Contábeis comemorou os 40 anos de Reconhecimento do Curso.

Destaque na Extensão: a PUC-Campinas foi destaque no Congresso Brasileiro de Extensão Universitária (CBEU), o maior e principal encontro brasileiro da área de Extensão. Em 2016, em sua sétima edição, o Congresso aconteceu na Universidade Federal de Ouro Preto, no mês de setembro. A Universidade teve destaque no evento ao participar com 12 comunicações orais e 23 pôsteres, totalizando 35 apresentações.

Alunos e professores se destacaram: A Universidade, em 2016, comemorou muitas conquistas junto aos seus alunos, como a Parceria com a CPFL Energia e Dell, a qual possibilitou que os estudantes do curso de Engenharia Elétrica da PUC-Campinas, por meio da disciplina “Práticas de Engenharia”, ministrada pelo Prof. Dr. Marcos Carneiro e pelo Prof. Me. Ralph Robert Heinrich, participam do “Projeto Residência Tecnológica”, considerado um exercício inovador de ensino-aprendizagem.

Ainda na Engenharia Elétrica, o aluno Giordano Muneiro Arantes venceu em primeiro lugar Prêmio Melhor Trabalho de Conclusão de Curso, com o trabalho “Sensores para melhoria na locomoção de pessoas com deficiência visual”. Outro aluno premiado foi o estudante de Jornalismo da PUC-Campinas, Ricardo Domingues da Costa Silva, que venceu o 19º prêmio FEAC de Jornalismo, na categoria Produto Universitário, assim como Jhonatas Henrique Simião, de 22 anos, que ficou em primeiro lugar no 9º Prêmio ABAG/RP de Jornalismo “José Hamilton Ribeiro”.

Em 2016, a Profa. Dra. Maria Cristina da Silva Schicchi, docente do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da PUC-Campinas foi outorgada com o Prêmio ANPARQ 2016, da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, na categoria Artigo em Periódico, pela publicação “The Cultural Heritage of Small and Medium- Size Cities: A New Approach to Metropolitan Transformation in São Paulo-Brazil”, editado na traditional Dwellings and Settlements Review (v. XXVII, p. 41-54, 201).

Semana Cardeal Agnelo Rossi: Integrando às comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade, por meio do Museu Universitário e da Faculdade de História, promoveu a Semana Cardeal Agnelo Rossi, em setembro de 2016. A Instituição reuniu a comunidade universitária e a sociedade em geral e homenageou o Cardeal Agnelo Rossi, que ajudou a consolidar os alicerces da PUC-Campinas.

Outorga do Título Doutor Honoris Causa ao prof Dr José Renato Nalini - Lançamento do livro Cardeal Agnelo Rossi
Outorga do Título Doutor Honoris Causa ao prof Dr José Renato Nalini – Lançamento do livro Cardeal Agnelo Rossi

A PUC-Campinas também viveu dois momentos muito importantes em 2016: outorgou o título de Doutor Honoris Causa ao Professor Doutor José Renato Nalini, formado em Direito pela PUC-Campinas, Mestre e Doutor em Direito Constitucional pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Leciona desde 1969, quando iniciou suas atividades no Instituto de Educação Experimental Jundiaí (atual E.E. Bispo Dom Gabriel Paulino Bueno Couto) dando aula de Sociologia em aperfeiçoamento para professores. Desde então, nunca mais deixou de lecionar.

A Instituição também foi palco da terceira edição do projeto “Palavra Livre – Conscientização Política no Processo Eleitoral”, com sabatina aos candidatos à Prefeitura e à Câmara de Vereadores de Campinas, no mês de setembro. O projeto “Palavra Livre” acontece desde 2005 e promove debates democráticos sobre temas diversificados da atualidade. Em 2008, como parte do projeto, foi realizada a primeira Sabatina com candidatos à Prefeitura de Campinas, o que se repetiu em 2012 e em 2016.

Dom Gilberto participa da Semana em sua homenagem
Dom Gilberto participa da Semana em sua homenagem

Semana Dom Gilberto: Integrando às comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade promoveu a Semana Dom Gilberto Pereira Lopes, em outubro, reunindo comunidade universitária e a sociedade em geral, homenageando o Bispo Emérito de Campinas Dom Gilberto Pereira Lopes, que atuou como Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da Pontifícia Universidade Católica de Campinas no período de 1982 a 2004. A homenagem mostrou o histórico trabalho de Dom Gilberto frente à Arquidiocese de Campinas e à PUC-Campinas e prestou agradecimento pela sua dedicação e amor para com a Universidade e para com o seu povo.

Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”: Integrando às comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade realiza de 07 a 10 de novembro de 2016 o Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”. O evento foi organizado pelo Núcleo de Fé e Cultura e teve o objetivo de discutir a Doutrina Social da Igreja, por meio de conferências e mesas-redondas.

Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade

Integrando as comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade realizou de 7 a 10 de novembro de 2016 o Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”

 

Por Amanda Cotrim

O Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade” proporcionou um debate importante e cada vez mais necessário para a sociedade: a valorização do ser humano e o papel da Igreja diante desse tema. O evento, organizado pelo Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas, aconteceu no Auditório Cardeal Agnelo Rossi, no Campus I, e contou com conferências e mesas-redondas as quais discutiram temas como História e Conceitos Fundamentais, Justiça e Paz, Ciência, Fé e Transcendência, o Bem Comum e a Dignidade Humana e o Mundo contemporâneo.

A abertura do evento recebeu a Conferência “A Doutrina Social da Igreja: História e Conceitos Fundamentais”, ministrada pelo Bispo da Diocese de Jales, Dom José Reginaldo Andrietta, com mediação do Prof. Dr. Pe. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves.

O Bispo de Jales elogiou a iniciativa da PUC-Campinas em discutir o tema da Doutrina Social e ressaltou a importância da aproximação do mundo acadêmico com a realidade social, em todas as suas circunstâncias. Segundo ele, é nesse sentido que sua conferência contribui para pensar o papel da educação e da universidade.

Nos dias que se seguiram, os participantes também puderem acompanhar a Conferência do Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da PUC-Campinas, Dom Airton José dos Santos, a qual contou com a mediação do Prof. Dr. Peter Panutto, intitulada “A Doutrina Social da Igreja: Justiça e Paz”.

Na oportunidade, Dom Airton enfatizou a importância e a necessidade da universidade católica para o convívio social. “Precisamos pensar qual sociedade estamos construindo, para que ela, sim, seja digna do ser humano e não o contrário, pois todas as nossas ações devem ter em vista o ser humano, uma vez que o pensamento social da Igreja traz o humanismo como alicerce”, defendeu Dom Airton.

O Grão-Chanceler da PUC-Campinas também destacou que a justiça se mostra fundamental na contemporaneidade. Para ele, a justiça se exerce diante de pessoas concretas e não de protocolos. “Só há justiça quando há solidariedade e amor”, justificou.

O público também pode conferir a mesa-redonda “Ciência, Fé e Transcendência”, ministrada pelo Prof. Dr. Ir. Clemente Ivo Juliatto, da PUC-Paraná, e pelo Prof. Dr. Newton Aquiles Von Zuben, da PUC-Campinas, com mediação do Prof. Dr. Glauco Barsalini, da PUC-Campinas.

Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”  - Conferência – “A Doutrina Social da Igreja: História e Conceitos Fundamentais” Dom José Reginaldo Andrietta – Bispo da Diocese de Jales
Doutrina Social da Igreja foi o tema do Colóquio da PUC-Campinas/ Crédito: Álvaro Jr. 

O evento, segundo o Coordenador do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências da Religião, Prof. Dr. Pe. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves, realçou a relação Igreja e Sociedade, mostrando, assim, a tradição eclesial, confirmada no Concílio Vaticano II. “O tema do Colóquio toca em questões pertinentes do ponto de vista mundial, mas também nacional e local, como, por exemplo, o tema da paz, do trabalho, da propriedade privada e da liberdade religiosa. Além disso, o Colóquio teve um caráter interdisciplinar, pois a Doutrina Social da Igreja não se restringe a área da Teologia, mas aborda o Direito, a Economia, as Ciências Sociais, a Filosofia e a Comunicação”, destacou.

Direitos da pessoa humana

O Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade” trouxe para uma das suas mesas-redondas, um tema atual: a discussão sobre os direitos da pessoa humana no contexto dos processos migratórios internacionais. Para esse debate, a Universidade contou com a mesa-redonda “A Doutrina Social da Igreja: o Bem Comum e a Dignidade Humana”, com o Prof. Me. Paulo Moacir G. Pozzebon, da PUC-Campinas, e com Coordenador do Centro de Estudos Migratórios da Missão Paz e docente da Itesp-SP, Prof. Dr. Pe. Paolo Parise, com mediação do Prof. Dr. Pe. Edvaldo Manoel de Araújo, da PUC-Campinas.

Para o Professor Pozzebon, é preciso que os bens e serviços produzidos mundialmente sejam acessíveis a todos os seres humanos, ressaltando a importância do bem comum e os direitos do homem sobre os quais diz o Papa Francisco.

Na mesma linha, porém numa perspectiva específica da imigração, o Coordenador do Centro de Estudos Migratórios da Missão Paz da Igreja Católica criticou o que ele chamou de “lógica sanguessuga”, em que alguns países “sugam” outros em benefício próprio, fazendo referência à exploração da força de trabalho de imigrantes em todo o mundo. “Não podemos pensar que o imigrante é motivo dos problemas das nações, pois esse pensamento legitima a exploração”, destacou.

A última Conferência do Colóquio aconteceu no dia 9, com o tema “A Doutrina Social da Igreja e o Mundo Contemporâneo”, presidida pelo Prof. Dr. Pe. Marcial Maçaneiro, da PUC-Paraná, com mediação do Prof. Me. José Donizeti de Souza, da PUC-Campinas.

O Colóquio teve encerramento com a Celebração Eucarística, em comemoração aos 75 anos existência da Faculdade de Filosofia, presidida por Dom Airton José dos Santos, na Catedral Metropolitana de Campinas.

Para o Vice-Reitor da Universidade e integrante do Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas, Prof. Dr. Germano Rigacci Júnior, o Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade” conseguiu promover uma reflexão sobre sistemas, se relacionando, segundo ele, com a discussão sobre a Encíclica Ladauto Si’, tema discutido no Colóquio do primeiro semestre de 2016, também na PUC-Campinas

Por uma Ecologia Integral

Grandes temas da Encíclica do Papa Francisco foram destaque no Colóquio Laudato Si’: por uma ecologia integral. Evento organizado pelo Núcleo de Fé e Cultura proporcionou reflexões e perspectivas para um futuro mais sustentável

 

Por Amanda Cotrim

O Meio Ambiente vem sendo tema de discussões teóricas e práticas nos últimos anos por diversas instituições e países, com o objetivo de pensar um modo sustentável de sobrevivência, que alie desenvolvimento e preservação de recursos naturais. No entanto, desde 1970, a Igreja Católica iniciou campanhas sobre o Meio Ambiente, chamando a comunidade cristã a pensar sobre o consumo e a degradação da natureza.

“Nesse aspecto, a Igreja Católica no Brasil foi profética”, ressaltou o Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Prof. Dr. Pe. Josafá Carlos de Siqueira, que é formado em Biologia e tem especialização na área, abrindo a primeira mesa de debate do Colóquio Laudato Si’: Por uma Ecologia integral, organizado pelo Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas.

O evento ocorreu meses depois da criação da encíclica “Laudato Si’” (Louvado sejas) do Papa Francisco, que conta com 246 parágrafos divididos em seis capítulos, e a qual acrescenta uma frente à doutrina da Igreja: ao se dirigir às pessoas que habitam o Planeta Terra – sendo ou não cristão – o Papa invoca a solidariedade universal para unir a todos na busca pelo desenvolvimento sustentável e, mais importante, integral.

“O papel das universidades é criar alternativas sustentáveis de vida. Para isso, todas as áreas do conhecimento precisam se aproximar para que a questão do Meio Ambiente seja interdisciplinar e não somente uma área da Biologia. A totalidade e a visão sistêmica são bíblicas. E a Ecologia integral faz parte disso”, afirmou o Reitor Josafá, durante evento.

Outro ponto destacado pelo Reitor da PUC-Rio é a valorização quanto à divulgação científica de uma universidade. “Precisamos divulgar os conhecimentos produzidos pela Academia e a produção de conhecimento adquiridos junto aos projetos de Extensão”.

O docente da Faculdade de Ciências Econômicas, Prof. Me. Ernesto Dimas Paulella, propôs uma conversão ecológica, lembrando um pedido do Papa Francisco. “Levar realmente em consideração a crise ecológica. Reconhecer e agir para mudar. Fazer uma reconciliação com a nossa Casa Comum”. Segundo ele, a partir de uma conversão ecológica prática, no qual também participam o poder público e as empresas, o cristão passa a pensar o mundo de maneira diferente.

O Colóquio também reservou espaço para um debate ético, ecológico, espiritual e midiático da vida no Planeta, reconhecendo o modo sistêmico como a questão ambiental deve ser pensada. O docente da Faculdade de Jornalismo, Prof. Me. Marcel Cheida, lembrou o monopólio midiático e a imposição hegemônica sobre a produção da vida, referindo-se ao consumo, a concentração de riqueza e de poder econômico. “A fortuna de 85 famílias no mundo corresponde a 50% dos bens da população pobre”, destacou Cheida.

Os debates fomentaram a seguinte tese: a questão ecológica não está isolada. Ao contrário, para ela ser compreendida e para que uma mudança aconteça, é preciso pensá-la em sua totalidade.

 “Um ponto que devemos destacar são as relações de trabalho que são desenvolvidas quando a prioridade é a maximização da produção e do lucro. O Meio Ambiente não entra no cálculo econômico das grandes empresas. O mercado não entende o que é ‘valor inestimável’ quando o Papa Francisco fala sobre o Meio Ambiente ser o nosso patrimônio”, criticou docente do Curso de Mestrado em Sustentabilidade e da Faculdade de Direito da PUC-Campinas, Prof. Dr. Josué Mastrodi.

O Meio Ambiente vem sendo tema de discussões teóricas e práticas nos últimos anos / Crédito: Álvaro Jr.
O Meio Ambiente vem sendo tema de discussões teóricas e práticas nos últimos anos / Crédito: Álvaro Jr.

De acordo com o docente da Faculdade de Teologia, e mediador do debate sobre “Educação e Espiritualidade ecológicas para a construção de uma ecologia integral”, Prof. Me. José Donizeti de Souza, a realidade é sempre maior do que a ideia sobre a realidade, por isso, os cristãos devem conhecer a realidade de seu país. “O Papa Francisco diz que, para conhecer a realidade, é necessário começar conhecendo a periferia”, fazendo referência à vocação da PUC-Campinas como instituição de ensino que dialoga com as classes sociais baixas em seus Projetos de Extensão.

Os debatedores ressaltaram que a encíclica do Papa Francisco é um convite à espiritualidade e a uma vida simples, avessa ao consumismo e favorável a um modo de vida sustentável e justo.

O Colóquio Laudato Si’: por uma ecologia integral teve ao todo uma Conferência, cujo tema foi a ecologia integral, ministrado pelo Reitor da PUC-Rio, além de mesas-redondas que discutiram as questões éticas, ecológicas, espirituais, midiáticas, teológicas, econômicas e pedagógicas para uma ecologia integral. O evento foi organizado pelo Núcleo de Fé e Cultura da Universidade e aconteceu nos dias 4 e 5 de maio, no Campus I (Rodovia Dom Pedro I km, 136, Parque das Universidades) da PUC-Campinas.

Colóquio aconteceu nos dias 4 e 5 de maio de 2016/ Crédito: Álvaro Jr.
Colóquio aconteceu nos dias 4 e 5 de maio de 2016/ Crédito: Álvaro Jr.

 

 

 

 

Colóquio Laudato Si’: por uma ecologia integral

Evento ocorre nos dias 04 e 05 de maio

Por Redação

Tempo de existência e currículo de realizações são itens inversos na história do Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas, criado em maio de 2015, mas que já fez acontecer dois Colóquios de extrema importância, seja pelas temáticas abordadas, seja pela relevância dos participantes. O terceiro deles acontece nos dias 04 e 05 de Maio de 2016 o Colóquio Laudato Si’: por uma ecologia integral, que contará com a presença do Reitor da PUC-Rio, Prof. Dr. Pe. Josafá Carlos de Siqueira e de professores doutores e mestres da PUC-Campinas.

Segundo Colóquio promovido pelo Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas, em Setembro de 2015- Crédito: Álvaro Jr.
Segundo Colóquio promovido pelo Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas, em Setembro de 2015- Crédito: Álvaro Jr.

O Colóquio vai ao encontro do tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016: “Casa Comum, Nossa Responsabilidade” cujo lema é “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”, que tem como preocupação central o Meio Ambiente.

O evento, aberto ao público, é organizado pelo Núcleo de Fé e Cultura da Universidade e será realizado no Campus I e no e Campus II da Universidade.

Por uma Ecologia integral

O Colóquio receberá a Conferência Laudato Si’: por uma ecologia integral, às 8h, no auditório Dom Gilberto (Campus I) e terá como conferencista o Prof. Dr. Pe. Josafá Carlos de Siqueira – Reitor da PUC – Rio e o Prof. Me. Côn. José Luís Araújo, da Faculdade de Teologia da PUC-Campinas, como mediador. No mesmo dia, mas às 19h30, haverá a Mesa-Redonda: “Panoramas éticos, ecológico, ecológico, espiritual e midiático da vida no planeta”, cujo objetivo é suscitar uma reflexão que permita compreender a realidade ética, ecológica, espiritual e midiática da vida no planeta. A Mesa-Redonda terá o Prof. Me. Marcel José Cheida, da Faculdade de Jornalismo, a Profa. Me. Maria Pilar Rojals Pique, da Faculdade de Engenharia Ambiental e o Prof. Dr. Renato Kirchner, da Faculdade de Filosofia. Todos os docentes da PUC-Campinas. O Pe. João Batista Cesário, da Pastoral Universitária fará a mediação.

Fundamentos para uma reflexão teológica, econômica e social sobre a crise ecológica

No dia 05 de maio, às 8h30, a primeira Mesa-Redonda acontecerá no Auditório Monsenhor Salim (Campus II) e discutirá os “Fundamentos para uma reflexão teológica, econômica e social sobre a crise ecológica”. O debate contará com o Prof. Me. Pe. José Antonio Boareto, da Faculdade de Teologia, o Prof. Dr. Josué Mastrodi Neto, da Faculdade de Direito e o Prof. Me. Ernesto Dimas Paulella, da Faculdade de Economia. A mediação será do Prof. Dr. Glauco Barsalini, da Faculdade de Ciências Sociais. Todos os docentes são da PUC-Campinas.

O encerramento do Colóquio Laudato Si’: por uma ecologia integral acontecerá no Auditório Dom Gilberto, no Campus I da Universidade, no dia 05 de maio, às 19h30, com a Mesa-Redonda: “Educação e Espiritualidade ecológicas para a construção de uma ecologia integral”, cujo objetivo é refletir sobre a importância da educação e da espiritualidade ecológicas para a construção de uma ecologia integral. Essa mesa contará com a Profa. Dra. Rita de Cássia Violin Pietrobom, da Faculdade de Ciências Biológicas, a Profa. Dra. Ana Paula Fraga Bolfe, da Faculdade de Ciências Sociais, a Profa. Dra. Ceci Maria Costa Baptista Mariani, da Faculdade de Teologia e Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião e terá como Mediador o Prof. Me. José Donizeti de Souza, da Faculdade de Teologia.

Retrospectiva

O primeiro Colóquio da PUC-Campinas aconteceu em maio de 2015
O primeiro Colóquio da PUC-Campinas aconteceu em maio de 2015- Crédito: Álvaro Jr. 

 Nos dias seis e sete de maio do ano passado, a cerimônia de oficialização pública do Núcleo de Fé e Cultura foi congruente com seu primeiro evento, o Colóquio “A Identidade da Universidade Católica, em Comemoração aos 25 anos da Constituição Apostólica Ex Corde Ecclesiae”.

Constituído por uma série de palestras e mesas-redondas, distribuídas em três períodos, o ponto alto do Colóquio foi a presença do Prefeito da Congregação para a Educação, Cardeal Zenon Grocholewski, responsável pela palestra de abertura, tratando do tema que identificava o Colóquio. Além do Cardeal Grocholewski, participaram do evento o Professor Dr. Padre Erico João Hammes da PUC-Rio Grande do Sul, Professor Dr. Padre Pedro Rubens Ferreira Oliveira, da Universidade Católica do Pernambuco e Professor Dr. Rogério Miranda de Almeida, da PUC-Paraná, além dos docentes da PUC-Campinas, Professor Dr. Artur José Renda Vitorino, Professora Dra. Sueli do Carmo Bettine e Professor Dr. Padre Paulo Sérgio Lopes Gonçalves.

Quatro meses depois, em 21, 22 e 23 de setembro, o Núcleo de Fé e Cultura recoloca no calendário acadêmico mais uma intensa programação de palestras e debates, no bojo do Colóquio “A Universidade Católica à Luz do Concílio Vaticano Segundo”, que, além de professores da Casa, contou com a participação do Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Sérgio da Rocha e do Bispo Emérito de Lorena, Dom Benedito Beni dos Santos.

Ainda no seu período inicial, o Núcleo de Fé e Cultura abriu um site destinado a consolidar a divulgação  do seu trabalho e à comunicação com comunidade universitária e com a sociedade em geral, contribuindo para a pesquisa, o debate e a circulação de informação na sua área de atuação.

 

 

 

“Uma universidade católica se distingue pelo cultivo e promoção dos valores éticos”, afirma Presidente da CNBB

Em entrevista ao Jornal da PUC-Campinas, o Presidente da CNBB, que esteve na Universidade, no dia 21 de setembro, fala sobre o Concílio Vaticano II e a contribuição da universidade católica para a formação humana

Por Amanda Cotrim e Eduardo Vella

Pela primeira vez, o Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e arcebispo de Brasília, D. Sergio da Rocha, veio à PUC-Campinas, no dia 21 de setembro, participar do Colóquio “A Universidade Católica à Luz do Concílio Vaticano II”.  Durante sua passagem pelo Campus I, D. Sérgio, concedeu entrevista exclusiva ao Jornal da PUC-Campinas, na qual ressaltou que a Igreja se faz diálogo e que por isso ela não deve se fechar nela mesma e nem deve ter uma postura de dominação ou controle social, imagem essa que não condiz com a eclesiologia do Vaticano II, e nem seria possível numa sociedade plural e complexa, como é a atual. D. Sérgio também destacou que o diálogo e o serviço da Igreja podem ser efetivados através do recurso das mídias sociais. “Nelas, o respeito à pluralidade não deve implicar em exclusão da perspectiva religiosa ou na negação da identidade católica. É preciso assegurar o direito à liberdade religiosa, o reconhecimento da importância da fé na vida das pessoas e na cultura brasileira”

O Arcebispo é Mestre em Teologia Moral pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção (SP) e Doutor pela Academia Alfonsiana da Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma. Dom Sérgio tem como lema episcopal “Omnia in Caritate” – “Tudo na caridade”.

Confira:

Jornal da PUC-Campinas: Neste ano, são comemorados os 50 anos do encerramento do Concílio Vaticano II, um dos eventos mais marcantes da Igreja no século XX.  A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propôs uma reflexão mais ampla sobre o Concílio, por meio da Campanha da Fraternidade (CF), que tem como tema “Fraternidade: Igreja e sociedade” e o lema “Eu vim para servir” , numa tentativa de aproximar a igreja cada vez mais da sociedade. Gostaria que o senhor refletisse sobre as principais mudanças proporcionadas pelo Vaticano?

D. Sérgio: O Vaticano II propõe uma atitude eclesial de diálogo e de serviço na relação Igreja – sociedade. A Igreja se faz diálogo. A Igreja se faz servidora, a exemplo de Jesus. Na relação Igreja-sociedade, há posturas equivocadas. De um lado, a exclusão da participação na vida social, com a Igreja fechada sobre si, ocupando-se unicamente de questões internas. De outro, a postura de dominação ou controle social, que não condiz com eclesiologia do Vaticano II e nem seria possível numa sociedade plural e complexa, como a atual.

O documento do Concílio sobre a Igreja no mundo, a Gaudium et Spes, propõe o caminho do diálogo com todos, procurando não apenas oferecer ajuda, mas também receber ajuda,  e a atitude de serviço. O discernimento atento dos valores presentes na sociedade é acompanhado da denúncia profética daquilo que não condiz com a Palavra de Deus.

O diálogo e o serviço podem ser efetivados através do recurso às mídias sociais. Nelas, o respeito à pluralidade não deve implicar em exclusão da perspectiva religiosa ou na negação da identidade católica. É preciso assegurar o direito à liberdade religiosa, o reconhecimento da importância da fé na vida das pessoas e na cultura brasileira. O diálogo e o serviço a serem cultivados nas mídias sociais são enriquecidos com a perspectiva cristã. Para tanto, é fundamental a atuação de pessoas e instituições cristãs.

Jornal da PUC-Campinas: Para o senhor, qual é a contribuição da Universidade Católica para a formação da pessoa humana?

D. Sérgio: A Universidade Católica deve contribuir para a formação integral da pessoa humana, para o exercício responsável da cidadania na construção da sociedade, promovendo o diálogo, a solidariedade e a paz. Ela mesma deve ser um espaço privilegiado para o exercício do diálogo e da fraternidade.

Uma universidade católica se distingue pelo cultivo e promoção dos valores éticos, especialmente, por meio de gestos concretos: o respeito, a estima, a solidariedade, a vida fraterna, a paz, nos diversos níveis da comunidade acadêmica. A atitude de diálogo é essencial, seja no interior da comunidade acadêmica, seja com a sociedade. A abertura e o diálogo a serem cultivados numa universidade católica são exigências essenciais de uma comunidade acadêmica e decorrem do proprio dinamismo e caráter dialogal do saber.

A Universidade deve ser lugar de formação para a vida e de aprendizado  conjunto, na troca e circularidade de conhecimentos. A forma monológica de racionalidade, isto é, a racionalidade fechada, empobrece e paralisa qualquer campo do conhecimento ou instituição de ensino.

A forma dialógica de racionalidade enriquece e  estimula a caminhar rumo à atualização e ao aprofundamento. O pensador ensimesmado, isto é, o professor, o pesquisador ou estudante, fechado orgulhosamente sobre si,  não poder existir a não ser em contradição com a própria essência do pensar, por sua natureza aberto ao diálogo. Além disso, não pode faltar a postura profética na missão de uma instituição católica de ensino. Numa sociedade pluralista, o diálogo deve ser acompanhado de uma consciência clara da própria identidade, condição para se oferecer uma contribuição própria e estabelecer parcerias. A Universidade oferece, sobretudo, uma visão antropológica iluminada pela fé cristã, ressaltando a dignidade. o valor inviolável da vida de cada pessoa humana e os seus direitos fundamentais.

Concílio Vaticano II: seu significado e sua recepção

Prof Dr. Pe. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves

O Concílio Vaticano II (162-1965) é um dos eventos mais importantes da Igreja Católica na era contemporânea. Anunciado em 1959 e convocado em 1961 pelo papa João XXIII, esse Concílio significou o encerramento do Concílio Vaticano I (1869-1870) que havia sido suspenso pelo papa Pio IX em função da guerra franco-prussiana e assumindo a perspectiva teológico-pastoral, recepcionou e levou a cabo um processo de renovação interna da Igreja e de seu modo de relacionar-se com o mundo contemporâneo. Abraçou uma postura de renovação interna da Igreja em suas estruturas para que se constituíssem em espaços de comunhão e de fraternidade, de diálogo com o mundo contemporâneo, sentindo “as alegrias e as esperanças, as tristezas e angústias da humanidade de hoje” (cf. Gaudium et Spes n. 1), para promover o aggiornamento, sendo a luz de Cristo para todos os povos, sacramento universal de salvação mediante o ecumenismo, o diálogo interreligioso, a contribuição profunda com a unidade dos povos e com a emergência do novo ser humano, constituído de espírito de alegria, de justiça, de bondade, de paz e de amor.

Quando o Concílio Vaticano II foi encerrado aos 08 de dezembro de 1965, um grande entusiasmo tomou conta de cristãos e de outras pessoas de boa vontade. O desafio emergente era a recepção, compreendida como o modo de sua atualização nas diferentes realidades do mundo contemporâneo. Nesta perspectiva, os bispos fortaleceram suas estruturas de colegialidade episcopal mediante a efetividade das Conferências Episcopais, das Assembléias Gerais do Episcopado – como exemplo têm-se as Assembléias do Episcopado Latino-americano realizadas em Medellín (1968), Puebla (1979), Santo Domingo (1992) e Aparecida (2007) –, a recuperação dos Sínodos e a apresentação do Papa como o bispo de Roma que, na caridade, preside o colégio episcopal. Os bispos foram fortalecidos em suas Igrejas particulares e locais, efetivando a comunhão nas instâncias de colegialidade episcopal, principalmente as Conferências Episcopais, nas instâncias diocesanas com o respectivo Presbitério e Laicato, levando a cabo a concepção da Igreja como Povo de Deus, fundamentalmente ministerial, servidor e munido da esperança escatológica. Estruturas eclesiais de comunhão e participação foram criadas tanto no âmbito mundial quanto nacional, regional, diocesano e paroquial. Assim, devem ser entendidos os conselhos pastorais e administrativos das diferentes instâncias eclesiais.

Emergiram e consolidaram-se realidades eclesiais comprometidas com a evangelização do mundo contemporâneo, tanto em termos de anúncio explícito de Jesus Cristo através da catequese, da homilia e da teologia pastoral, como em termos sociais mediante o impulso e a realização de movimentos históricos de transformação social, política, econômica e social. Neste sentido, compreende-se a concepção de “Igreja dos Pobres” proferida pelo papa João XXIII aos 11/09/1962 e levado a cabo nas formas de Comunidades Eclesiais de Base, de atividades pastorais sociais diversas e práticas pessoais comprometidas com a dignidade humana, a justiça e a paz.

No âmbito da theologia mundi, preocupada com a relação entre Deus e mundo, surgiram as teologias contextuais – teologia da libertação latino-americana, teologia asiática, teologias africanas –, teologias da cultura – pós-moderna, negra e indígena –, teologias do genitivo – teologia da mulher, teologia feminista, teologia do feminino –, teologias das religiões, teologia ecológica. Essas teologias respondem à pergunta: como falar de Deus a partir das diversas realidades – aqui se trata da concepção clássica de loci theologici – compreendidas em sua especificidade vital, sem perder a universalidade própria da revelação cristã? Para isso, a inteligência da fé, que é própria da teologia, tem na filosofia sua companheira – partner – que lhe possibilita compreender o ser humano e o mundo em sua totalidade e nas ciências os elementos constitutivos para a compreensão das realidades específicas. Todas essas teologias possuem um espírito de diálogo e de apresentação das possibilidades de eficácia da fé cristã.

É também constatável que não tem faltado tensões de diversas ordens na recepção do Concílio, porém é verdade que a Igreja está imbuída de um espírito dialógico, ecumênico e de comprometimento com a emergência do homem novo e com a nova criação, porque a Igreja tem consciência de sua missão: ser sacramento de salvação para todos os povos, zelando e cuidando da humanidade com confiança e com amor, para que esta possa resplender o rosto do Cristo, o filho do Deus, que é Amor e que ama a todos os seres humanos e a todas as criaturas desde a eternidade.

Prof Dr. Pe. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves- Programa de Pós Graduação em Ciências da Religião – CCHSA

 

REFLEXÃO INCESSANTE, CONHECIMENTO CRESCENTE

Na parte inicial da Constituição Apostólica Ex Corde Ecclesiae, o Papa João Paulo II faz saber que, à luz da fé, a reflexão incessante sobre o tesouro crescente do conhecimento humano constitui característica essencial das Instituições Católicas de Ensino Superior.

Ao associar essa característica à própria identidade da Universidade Católica, o Papa recorre a dois adjetivos para lembrar, também, a condição de organismo vivo e dinâmico da Academia, na qual a reflexão há que ser incessante, porque o tesouro do conhecimento humano é crescente.

Católica e Pontifícia, nossa Universidade entende e atende as orientações daquela Constituição, à medida que estimula a comunidade acadêmica a refletir incessantemente sobre as contribuições que tornam o conhecimento humano sempre maior do que foi no passado.

Ao cotidiano intenso e dinâmico verificado nos campi, envolvendo, fundamentalmente, aula, pesquisa e investigação, a PUC-Campinas agrega um robusto calendário de eventos, cujo cerne aponta para as vanguardas do conhecimento humano, buscando atualização permanente e visando o exercício constante da reflexão.

Decorrido um quarto de século da promulgação da Ex Corde Ecclesiae, a PUC-Campinas entendeu oportuno e apropriado trazer o próprio documento à reflexão, organizando o Colóquio que polarizou nosso calendário de atividades no mês de maio.

A presença do Prefeito da Congregação para a Educação Católica, cardeal Zenon Grocholewski, bem como o conjunto de professores e teólogos participantes dimensionaram o evento, tanto quanto o fizeram o teor e os temas da programação.

Em si mesmo, o Colóquio mostrou-se suficiente para confirmar quanto e como a PUC-Campinas identifica-se como Universidade Católica e se ajusta ao perfil sugerido para esse modelo de Instituição. Entretanto, no que se refere ao compromisso com a dinâmica, ainda há mais, quando lembramos que o agente responsável pela organização do evento, o Núcleo de Fé e Cultura desta Universidade, tem, ele mesmo, tempo curto de existência – exatos sete meses – e, no entanto, já se mostra à altura de ousar e levar a bom termo realizações como esta, com dimensão internacional e potencial para repercutir enfaticamente na ampliação do conhecimento, em especial aquele focado nas relações entre religião e ciência no âmbito das Instituições Católicas de Ensino Superior.

Marcado por um ritmo intenso de atividades, sintetizadas em conferências e mesas-redondas, o Colóquio extrapolou o tempo e o espaço de ocorrência, à medida que os debates repercutiram em diversos setores da Universidade, abarcaram parcelas mais amplas da comunidade acadêmica, bem como transbordaram para outras instituições e segmentos da sociedade.

Feliz e honrada pela presença das pessoas ilustres que atenderam o convite para atuar no Colóquio, agradecida pelo empenho de todos quanto se envolveram com sua realização e particularmente entusiasmada com o volume e o perfil do público participante, espero que o sucesso seja, também, estímulo para outras realizações capazes de confirmar que a PUC-Campinas está empenhada e envolvida no crescimento constante do tesouro do conhecimento humano e no exercício incessante da reflexão, firmando-se como Pontifícia Universidade Católica que nasceu do Coração da Igreja.

Reitora da PUC-Campinas, Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht

PUC-Campinas Informa

Colóquio “A identidade da Universidade Católica: em comemoração aos 25 anos da Constituição Apostólica Ex Corde Ecclesiae

A PUC-Campinas recebe nos dias 6 e 7 de maio de 2015 o Colóquio A identidade da Universidade Católica: em comemoração aos 25 anos da Constituição Apostólica Ex Corde Ecclesiae”, que contará com a presença do Prefeito da Congregação para a Educação Católica, sua Eminência Reverendíssima Cardeal Zenon Grocholewski. O evento é organizado pelo Núcleo de Fé e Cultura da Universidade e será realizado no auditório Dom Gilberto, no Campus I da PUC-Campinas.  As inscrições para o Colóquio podem ser feitas até o dia 4 de maio de 2015, pelo site da Universidade.  A emissão de certificados de participação será realizada mediante a inscrição e participação no evento.

No dia 9 do mesmo mês, o Cardeal Zenon Grocholewski celebrará uma missa na Catedral Metropolitana de Campinas

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Projeto capacita cooperativas de coleta seletiva

 O projeto de extensão da PUC-Campinas ambiciona a profissionalização das cooperativas de catadores assessoradas pelo Centro de Referência em Cooperativismo e Associativismo (CRCA)/RECICLAMP por meio da elaboração de um Plano de Negócios, com vistas a garantir a evolução do negócio e sua sustentabilidade. Atualmente, estão associadas à RECICLAMP (além da própria) as cooperativas: Antônio da Costa Santos, DiviPaz, Projeto Reciclar, Recoopera, São Bernardo e Unidos pela Vitória.  Ao todo, são cerca de 150 pessoas trabalhando nas cooperativas.Em termos socioeconômicos, as receitas líquidas geradas – deduzidos os custos e encargos – proporcionaram uma renda média mensal em torno de R$ 710.

Apesar de representar um ganho para muitos dos cooperados, havia a percepção entre o CRCA/RECICLAMP e os cooperados que essa realidade poderia ser melhorada com o desenvolvimento de um Plano de Negócios. As atividades propostas acontecem por meio de oficinas temáticas que associam os elementos do Plano de Negócios as questões e situações experimentadas pelas cooperativas. Saiba mais, clicando aqui. 

 Urbanista Raquel Rolnik na PUC-Campinas

 A filósofa e urbanista Raquel Rolnik realizou palestra sobre o tema “Direito à cidade: Porque nossas cidades continuam tão precárias?”, no dia 16 de março de 2015. O evento fez parte do Ciclo de Palestras do Programa de Educação Tutorial (PET) da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Durante o evento, Raquel ressaltou ser preciso que os arquitetos e urbanistas presentes se inclinassem sobre questões como o acesso à cidade enquanto direito de todos e a visão política sobre a cidade. Raquel Rolnik graduou-se em Arquitetura e Urbanismo e Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), onde atualmente faz parte do corpo docente. Realizou o Mestrado também pela USP e o Doutorado pela New York University (NYU) e fez parte do corpo docente da FAU da PUC-Campinas entre os anos de 1985 e 2007. Foi Diretora de Planejamento da Cidade de São Paulo (1989-1991), além de relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU para o Direito a Moradia Adequada (2008-2011 e 2013-2014).