Arquivo da tag: convenio

PUC-Campinas e Telefônica do Brasil assinam Convênio de Cooperação para desenvolvimento de intercâmbio científico e tecnológico

Por Armando Martinelli

A PUC-Campinas e a Telefônica do Brasil assinaram, no dia 04 de outubro, um convênio de cooperação para desenvolvimento de intercâmbio científico e tecnológico. A parceria, selada com a presença da Reitora da PUC-Campinas, Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht, tem o intuito de detectar como as tendências tecnológicas podem afetar o desempenho na prestação dos serviços de telecomunicações.

Para a Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da PUC-Campinas, Profa. Dra. Sueli Bettine, “o Projeto interinstitucional é voltado para a busca de excelência na gestão de processos, através da antecipação de problemas decorrentes de tecnologias disruptivas”.

Participaram também da cerimônia de celebração do convênio o Prof. Dr. Antonio Carlos Demanboro, Coordenador Geral de Pesquisa e do NIT/PUC-Campinas, o Gerente de Processos da Telefônica, engenheiro João Paulo de Oliveira Prado, e sua equipe, engenheiros Ricardo Paino Granzotto e Fábio Lourenço Cartacho.

 

 

Convênio Brasil-Cuba na preservação de patrimônio

Projeto da PUC-Campinas mapeia os bairros Nova Campinas e Terrazas de Vista Alegre, nas cidades de Campinas e Santiago de Cuba, respectivamente. Pesquisa tem o financiamento da CAPES

Por Amanda Cotrim

Após vencer um edital de pesquisa da Coordenação do Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) em convênio com o Ministério da Educação de Cuba, em 2013, a PUC-Campinas realiza desde 2014 o projeto Cidade, Habitação e Patrimônio: experiências compartilhadas entre as cidades de Campinas e Santiago de Cuba, sob a coordenação geral da docente do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo, da Universidade, Profa. Dra. Cristina Schicchi. O objetivo principal é identificar e preservar patrimônios culturais em ambas as cidades, em especial, os recentes e modernos, além de discutir a preservação no âmbito do urbanismo, como os bairros propostos sob o modelo das cidades jardins, tanto no Brasil quanto em Cuba, a exemplo dos bairros jardins projetados pela Companhia City na capital paulista.

“Tanto o bairro Nova Campinas como o Terrazas de Vista Alegre surgem no século XX, num período histórico em que é possível compará-los. Os contextos em que esses bairros se desenvolvem, entretanto, são antagônicos e daí surge a curiosidade científica de compreender os processos históricos de cada um, para entender a realidade de ambos atualmente”, explica a Profa. Dra. Cristina, que também é a coordenadora da equipe de pesquisadores no Brasil, que conta com professores pesquisadores e alunos do curso de Pós-Graduação em Urbanismo da PUC-Campinas.

Terrazas de Vista Alegre/ Crédito: Arquivo da pesquisa
Terrazas de Vista Alegre/ Crédito: Arquivo da pesquisa

Além da produção científica entre Brasil e Cuba, o projeto prevê, ainda, um intercâmbio de docência, isso porque os professores de Cuba vêm ministrar aula na Universidade e os docentes da PUC-Campinas vão a Cuba lecionar, como aconteceu com o docente da Universidade de Oriente, de Santiago de Cuba, Prof. Dr. Carlos Alberto Odio Soto, que está realizando seu pós-doutorado na PUC-Campinas, sob a supervisão da Professora Cristina. “O Professor Carlos ministrou a disciplina Estudos Urbanos Latino-Americanos na pós- graduação em Urbanismo. Foi uma experiência maravilhosa e enriquecedora, porque os alunos puderem se aproximar das questões latino-americanas e compreender o processo histórico em Cuba”, considera a Coordenadora do projeto.

Bairro Terrezas de Vista Alegre pode perder característica, se novos inquilinos transformarem as casas sem um plano ou lei de preservação/  Crédito: Arquivo da pesquisa
Bairro Terrezas de Vista Alegre pode perder característica, se novos inquilinos transformarem as casas sem um plano ou lei de preservação/ Crédito: Arquivo da pesquisa

“Minha pesquisa está em andamento. Tenho, por enquanto, impressões visuais. Chamaram-me a atenção no bairro Nova Campinas os muros. Todos altos. Isso é totalmente diferente de Cuba. E tem dificultado a minha investigação científica. Não consigo fazer o trabalho de campo com facilidade, tenho que pedir permissão para entrar na casa”, revela Soto, que reconhece que a questão da segurança é um diferencial significativo entre os dois países.

Prof. Dr. Carlos Soto realiza pós-doutorado na PUC-Campinas/ Crédito: Amanda Cotrim
Prof. Dr. Carlos Soto realiza pós-doutorado na PUC-Campinas/ Crédito: Amanda Cotrim

De acordo com a Coordenadora do projeto, houve um esvaziamento do bairro Nova Campinas – de classe média alta – por causa da falta de segurança na região. “Boa parte dos moradores migraram para os condomínios fechados ou bairros mais afastados, a partir dos anos 1990. Há muitos inquilinos e muitas casas vazias. O bairro ficou congelado, porque não se pode mexer em suas construções”, explica. Segundo ela, o Nova Campinas chegou a ser indicado para tombamento como patrimônio histórico, mas o processo não foi encerrado ainda. “Esse também é um dos nossos objetivos, compreender como a dinâmica urbana interfere nos dois bairros analisados no projeto e quais os riscos para o patrimônio”.

Bairro Nova Campinas fica a 2 km do centro da cidade/ Crédito: Arquivo da pesquisa
Bairro Nova Campinas fica a 2 km do centro da cidade/ Crédito: Arquivo da pesquisa

No bairro Vista Alegre, em Santiago de Cuba, há uma preocupação dos pesquisadores e do governo cubano em relação a essa nova conjuntura política e econômica em Cuba. Com a venda de imóveis, as casas preservadas pela Revolução Cubana agora podem transformar-se. “Os casarões de Terrazas de Vista Alegre, por exemplo, são antigos, pertenciam a um bairro de classe média alta antes da Revolução Cubana; eram verdadeiros palacetes. Depois, os casarões foram destinados a instituições de governo e à habitação. Mas agora que os imóveis podem ser vendidos, se os novos proprietários decidem transformar as casas sem ter um plano ou lei de preservação, isso pode descaracterizar o bairro”, teme Soto. Já no bairro Nova Campinas, a pressão é para que o comércio avance na região. “Mas o comércio também pode descaracterizar o patrimônio”, pontua Cristina.

A pesquisa conjunta sobre os dois bairros deve ser encerrada em 2017. Além do projeto central de comparação entre Nova Campinas e Terrazas de Vista Alegre, há pesquisas paralelas que envolvem Brasil e Cuba, realizadas por professores pesquisadores e alunos, como é o caso do estudo da Prof. Dra. Renata Baesso, que pretende fazer um paralelo entre a formação das cidades de Campinas e Cuba, principalmente em razão do patrimônio das fazendas de café em ambos contextos. Ou como fez o também pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo, Prof. Dr. Wilson Ribeiro dos Santos Jr., que foi a Cuba ministrar um curso sobre urbanismo e realizar uma pesquisa sobre os espaços públicos no bairro de Terrazas de Vista Alegre e a aluna de mestrado Helena Vilela Santos, que também está fazendo um estudo comparativo entre as praças do centro de Santiago de Cuba e de Barra Mansa (RJ) sob a orientação da Profa. Cristina.

“Independentemente de resultados científicos, o projeto está sendo muito enriquecedor. Nos cursos de Arquitetura e Urbanismo, por exemplo, nossa discussão é muito voltada para a relação entre arquitetura e cidade. Somos muito urbanos, quase 80% da população da América Latina está nas cidades”, comenta a professora Cristina. “Já em Cuba, ao contrário, após a Revolução, se investiu num conhecimento muito mais profundo sobre planejamento e construção no campo”, completa o Prof. Soto. “No final de tudo, o intercâmbio acadêmico é que enriquece as nossas pesquisas”, resume Cristina.

 Confira os participantes das equipes no Brasil e em Cuba

Pesquisadores brasileiros: Profa. Dra. Maria Cristina da Silva Schicchi (Coordenadora), Prof. Dr. Wilson Ribeiro dos Santos Jr. e Profa. Dra. Renata Baesso, pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da PUC-Campinas.

Pesquisadores cubanos: Profa. Dra. Arq. Milene Soto Suárez (Coordenadora), Prof. Dr. Arq. Carlos Alberto Odio Soto e Profa. Dra. Arq. Maria Teresa Muñoz Castillo, pesquisadores da Universidad de Oriente, Facultad de Construcciones, Departamento de Arquitectura y Urbanismo.

SERVIÇO: 

Em setembro, nos dias 14 e 15, a PUC-Campinas realizará o evento “Jornadas em Urbanismo – Brasil e Cuba”, com palestras e oficinas entre alunos, professores do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo e os pesquisadores cubanos que virão para Campinas em missão de trabalho e estudo.

 

Convênio com PUC-Campinas ajuda MPF em processos do Programa Minha Casa Minha Vida

Parceria com a Universidade também fomentou estudos sobre Viracopos

Diante da complexidade dos inúmeros processos civis que chegam ao Ministério Público Federal (MPF) de Campinas, o MPF realizou um convênio com a PUC-Campinas, para que juntos pudessem compreender tecnicamente os impactos de grandes empreendimentos na cidade, como é o caso do Programa Minha Casa Minha Vida. A pedido do MPF de Campinas, a pesquisa se concentrou em um estudo de caso no Jardim Bassóli, na região do Campo Grande. O Empreendimento foi o primeiro do Programa Minha Casa Minha Vida, com duas mil unidades habitacionais. A parceria surgiu há dois anos e meio no contexto do projeto da Teia Social, coordenado pelo procurador Áureo Marcus Makiyama Lopes, cujo objetivo é fomentar o aprendizado com informações sobre diversos assuntos, entre eles, habitação.

Após o Convênio com a PUC-Campinas, o Projeto Teia Social passou a receber informações atualizadas constantemente e os alunos tiveram tarefa de “alimentar” a plataforma, com informações teóricas sobre o estudo realizado na região noroeste de Campinas. “Essa aproximação com a realidade estimulou a Comunidade Universitária: alunos, professores e funcionários. O aluno sentiu que o seu trabalho acadêmico é útil, passando a ter uma percepção do seu papel na sociedade”, afirmou o docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas, que participa do convênio, Prof. Me. Fábio Muzetti.

Por causa dessa parceria entre a PUC-Campinas e o MPF foi possível fomentar outros trabalhos, é o caso do estudo, ainda em andamento, sobre a expansão do aeroporto de Viracopos e seu impacto na região em que ele está localizado em Campinas. “As pesquisas que estamos realizando mostram que a cidade não está preparada para debater os impactos de grandes empreendimentos”, afirma o docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas, Prof. Me. Caio Ferreira, que também participa do convênio. Um dos aspectos revelados pelas pesquisas sobre grandes empreendimentos, explica Ferreira, é o custo oculto do empreendimento. Ou seja, aparelhos urbanos que precisarão ser criados e mantidos sempre que surgirem novos empreendimentos de grande escala, como é o caso dos projetos habitacionais, que vão demandar de novas linhas de ônibus, escolas, postos de saúde, comércio e lazer, entre outros.

Como a pesquisa foi desenvolvida

O Convênio entre a PUC-Campinas e o Ministério Público Federal começou em 2012, com a pesquisa sobre o Programa Minha Casa Minha Vida. A parceria surgiu como projeto da Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD) da PUC-Campinas, com o então Pró-Reitor de Graduação, e atual Vice-Reitor, Prof. Dr. Germano Rigacci Júnior. Os trabalhos foram divididos entre os Grupos de Estágios (GT) – os quais os estudantes de graduação participam – e como Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC). Ao todo, seis TCC´s foram concluídos e 160 alunos participaram dos GT´s, dados que para Muzetti demonstram que a credibilidade do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade foi importantíssima para a parceria.

“A PUC-Campinas tem tradição na área de urbanismo, seja na graduação ou no programa de pós-graduação, com cursos de mestrado e doutorado”. E continuou: “Tínhamos a base teórica, que são as análises tipológicas e o estudo de caso. Com essas informações pudemos, então, encaminhar uma proposta. Isso gerou parâmetro para o MPF analisar o que é possível realizar no que diz respeito aos processos de habitação”, explica.

A pesquisa sobre o projeto habitacional no Jardim Bassóli teve como característica a interdisciplinaridade, sendo realizada em parceria com as Faculdades de Enfermagem, Arquitetura, Direito, Geografia, Biologia e Serviço Social da PUC-Campinas. Para o Procurador Edilson Vitorelli Diniz Lima, “sem esse aparato técnico, o MPF não teria condições de realizar suas análises e defender o interesse da sociedade”.

Após esse trabalho, o MPF de Campinas criou um grupo de trabalho (GT) nacional para tratar especificamente sobre o Programa Minha Casa Minha Vida. O coordenador do grupo é o Procurador Lima, que conhecendo os trabalhos dos professores Muzetti e Ferreira, convidou os docentes para serem os consultores desse grupo. Na oportunidade, a PUCCampinas foi representada em reuniões com a direção nacional da Caixa Econômica Federal e com a Secretaria de Habitação do Ministério da Cidade. “Se a gente (MPF) não tiver pessoas próximas capacitadas para nos auxiliar, nossa ação fica muito desqualificada. E esse estudo do Programa Minha Casa Minha Vida está tendo um impacto real nos problemas da cidade. São resultados concretos de pesquisa”, afirma o Procurador.

Minha Casa Minha Vida, hoje

Segundo Lima, atualmente, quem apresenta o projeto do empreendimento habitacional são as construtoras. Elas escolhem o terreno, fazem o projeto e constroem. Hoje, o Minha Casa Minha Vida paga um valor fixo de 76 milhões nas regiões metropolitanas maiores, por unidade habitacional. O mínimo a ser construído é de 39 metros quadrados e o máximo de 60 metros. A construtora nesse caso, avalia o Professor Ferreira, interfere e tem papel primordial no espaço urbano.

Para o MPF de Campinas, as empreiteiras têm grande autonomia nos projetos habitacionais do Programa Minha Casa Minha Vida, pois, segundo o Procurador Lima, elas são responsáveis por escolher os terrenos em que as habitações serão construídas. O Procurador acredita que o cidadão beneficiado pelo programa deveria ter maior participação no projeto em que ele irá morar, e que o Estado deveria ser o principal fomentador do programa. “Não estamos falando mal do programa. É preciso ressaltar que é a primeira política habitacional após um longo período. É inegável que o Minha Casa Minha Vida de hoje é melhor do que o de quatro anos atrás. Mas, ele ainda tem problemas”, acredita. “O que estamos fazendo é mostrando isso para o poder público”, acrescenta.

O programa Minha Casa Minha Vida foi idealizado pela então Ministra da Casa Civil Dilma Rousseff e pelo Ministro da Fazenda Guido Mântega, em 2009, durante o governo Lula.

Foto: Álvaro Jr. Primeiro empreendimento do Minha Casa Minha Vida foi no Jardim Bassóli, região do Campo Grande, em Campinas
Foto: Álvaro Jr.
Primeiro empreendimento do Minha Casa Minha Vida foi no Jardim Bassóli, região do Campo Grande, em Campinas