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“Música é Deus na Terra”, diz Maestro que fundou Orquestra e Coral Universitário

Oswaldo Antônio Urban graduou-se em Filosofia, Direito e Orientação Educacional pela PUC-Campinas. Lecionou por 18 anos na Universidade e ajudou a fundar, nas décadas de 60 de 70, a Orquestra e o Coral Universitário. O Maestro regeu o Coral por 68 anos.

Por Eduardo Vella

“Só mesmo uma coisa tão maravilhosa como a música, que faz chegar até o homem a bondade e a divindade de Deus. Música é Deus na Terra”. É desse modo que o Maestro Oswaldo Antônio Urban define os seus 83 anos de vida dedicados às partituras e composições.

Aos 97 anos de idade, 68 deles devotados à regência do Coral PIO XI, o que lhe dá o título de “regente há mais tempo à frente de um mesmo coral”, outorgado pelo Ranking Brasil, Urban teve importante passagem pela academia, estudando e lecionando na PUC-Campinas. “Entrei na Instituição em 1949, no curso de Filosofia. Vim estudar na Universidade, pois tinha boa fama. Fiz também os cursos de Pedagogia e Orientação Educacional. Começou aí a minha vida de aluno dentro da PUC-Campinas”.

Maestro Urban esteve por 68 à frente do Coral Universitário/ Crédito: Álvaro Jr.
Maestro Urban esteve por 68 à frente do Coral Universitário/ Crédito: Álvaro Jr.

O Maestro exerceu o Magistério na Universidade de 1965 a 1983, quando se aposentou. À época, era Assessor da Reitoria e Diretor do Instituto de Arte e Comunicação, atual Centro de Linguagem e Comunicação (CLC).

Convidado pelo Arcebispo de Campinas e Reitor da Universidade Monsenhor Salim, Urban passou a dirigir a Faculdade de Música, que tempos depois integrou o Instituto de Arte e Comunicação, também coordenado pelo Maestro.

Urban nasceu em 1919 na cidade de Leme, cerca de 90 km de Campinas. Seus pais eram músicos e passaram para toda família essa paixão. Ele estudou também no Conservatório Musical Maestro Julião, em São Paulo e fez curso de música em Nápoles, na Itália. “Quando tinha 14 anos, o Maestro Salvador Bove, me colocou a batuta na mão e me fez dirigir o Coral que existia no Seminário. São 83 anos em que a música é a minha vida”, emociona-se.

Maestro Urban esteve por 68 à frente do Coral Universitário/ Crédito: Álvaro Jr.
Maestro Urban esteve por 68 à frente do Coral Universitário/ Crédito: Álvaro Jr.

Orquestra Sinfônica Universitária

Em 1960, associou-se ao Professor Luiz di Tullio, também convidado pelo Reitor, para formar uma Orquestra Sinfônica na Universidade. Seus alunos, que cultivavam a música clássica, constituíram grande parte dos primeiros e segundos violinos da orquestra. Eram chamados de “Os violinistas do Luizinho”.

Com a chegada do Maestro Benito Juarez à Orquestra Sinfônica de Campinas, que em 1974 passou às mãos da Prefeitura de Campinas, ocorreu uma dissidência de alguns músicos de grande projeção da Sinfônica e esses elementos foram integrar a Orquestra Universitária. “Um grupo ficou com o Juarez formando a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas e outro veio para a PUC-Campinas a meu convite para “engrossar” a Orquestra Universitária. Ela cresceu muito com isso”, orgulha-se.

“Fizemos em diversas oportunidades a PUC-Campinas brilhar com a Orquestra e o Coral Universitário, que eu fundei em 1965. Eles participavam das formaturas, da Aula Magna de início do ano letivo, do encerramento do ano letivo, no Teatro Central, na Rua Marechal Deodoro, e no Campus I”, ressalta o Maestro Oswaldo Antônio Urban.

A Orquestra Universitária teve fim com o falecimento do Maestro Luiz di Tullio durante um ensaio da Orquestra e do Coral para a formatura da turma de Engenharia, em 1977.

A fundação do Coral Universitário

O Coral era composto de alunos voluntários das várias Faculdades que compunham a PUC-Campinas. Ele foi fundado pela natureza da Faculdade de Música, com os alunos que estavam estudando. Mas isso se estendeu para os outros os cursos. “Assim se formou um Coral com mais de 50 elementos”, relembra.

 O Maestro busca no coração o dia da solenidade de inauguração do Campus I, em 1973. “Nessa data estavam vários Bispos, representando as autoridades eclesiásticas, principalmente Dom Antônio Maria Alves de Siqueira, o Bispo da época, o Reitor Prof. Dr. Benedito José Barreto Fonseca, que levou avante a construção do Campus”, salienta.

 Urban orgulha-se de ter composto para a ocasião o hino para da inauguração do Campus I – Música e Letra – executados pelo Coral e pela Orquestra Universitária.

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 O Maestro, personagem importante na história da Universidade deseja “que a PUC-Campinas continue resplandecendo pela Fé e pela Ciência, segundo os dizeres de seu brasão: Fide Splendet et Scientia.

Atualmente, a PUC-Campinas possui o Coral Universitário do Centro de Cultura e Arte (CCA) que realiza significativo trabalho de formação e divulgação cultural dentro e fora na Universidade. Esse importante canal de expressão artística, de busca do aperfeiçoamento musical e do desenvolvimento cultural de seus membros é um dos grandes legados do Maestro Oswaldo Antônio Urban, que plantou essa semente nos anos 1960.

Reportagem da TV PUC-Campinas

 

Corais Universitários

Para o Regente do Coral Universitário do CCA, é preciso desmistificar os Corais e aproximá-los do público

Com a proposta de juntar várias vozes em uma só sintonia, o Canto Coral rearranja músicas de todos os estilos, com ou sem o acompanhamento de instrumentos musicais. Um trabalho de cooperação, que exercita o corpo e a mente daqueles que se dedicam ao Coro.

Criado em 1983, o Coral Universitário do Centro de Cultura e Arte (CCA) da PUC-Campinas é um importante canal de expressão artística, que une pessoas de diferentes áreas com um interesse em comum: a música. Além da aproximação de estilos diferentes, o trabalho em grupo, colaborativo, e a responsabilidade junto ao regente e aos colegas, servem de auxílio para um futuro início de carreira.

O Coral nas universidades, no entanto, possui algumas peculiaridades. Trabalhar com gente nova pode não ser fácil. É necessário tornar a atividade atrativa aos estudantes. Para isso, o atual regente titular do Coral Universitário do CCA, Nelson Silva, utiliza de meios próprios. “Você tem de jogar com o pessoal, trazendo coisas que eles conheçam, e aí, por outro lado, desafiá-los com uma coisa que eles não conhecem tanto, mas que pode ser interessante conhecerem.”, explica Nelson. Além do repertório, o regente titular do Coral, há nove anos, explica que a rotatividade de um Coral Universitário pode ser um problema, mas nem sempre. “O trabalho do coro é uma atividade que amadurece ao longo do tempo. Você começa com coisas bem simples, que as pessoas têm bastante dificuldade. Essa dificuldade vai diminuindo e a qualidade vai melhorando, você vai criando um núcleo mais forte, mais apto. De repente, esse núcleo desmonta. As pessoas se formam, arrumam estágio, emprego… É um ‘jogo’ que não para”, compara Silva.

O Coral e as Massas

Os Corais não são muito populares no Brasil, e o público nas apresentações é limitado. A falta de acesso da população ao gênero de música coral, segundo o Regente, é porque as pessoas imaginam um Coral como algo ligado à Igreja, à música sacra e músicas de Natal. Silva afirma que isso é um mito. “Os corais, principalmente os coros brasileiros, fazem um trabalho que é diferente, que tem muito a ver com música popular, é um trabalho bem acessível, e também muito rico, porque o cancioneiro popular brasileiro é muito talentoso”, afirma. O tema “Saindo do limbo: Como levar o trabalho dos corais à mídia e às pessoas em geral? foi debatido durante o 28º Encontro de Corais do CCA, no dia 12 de setembro.

O desinteresse da mídia em relação a esse tipo de atividade cultural é, para Silva, o que contribui para uma imagem estereotipada dos Corais. O regente acredita que é um ciclo vicioso, em que o público desconhece o trabalho dos coros por não ter acesso, e a mídia não mostra porque é uma atividade anônima, que ainda não “se vende” no país.

Para participar do Coral Universitário do Centro de Cultura e Arte (CCA) da PUC-Campinas, é necessário se inscrever pelo site, entre os meses de dezembro e março. Há uma seleção para os grupos musicais e um teste de aptidão mínima para o canto.

“O trabalho do coro é uma atividade que amadurece ao longo do tempo”

Apresentação do Coral do CCA da PUC-Campinas
Apresentação do Coral do CCA da PUC-Campinas