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Transformação Digital e os desafios para a Sociedade

Por Prof. Me. Sergio Roberto Pereira – Diretor dos cursos de Eng. Elétrica e Eng. de Controle e Automação

A mídia tem cunhado um novo termo para definir as mudanças que vêm ocorrendo no mundo da tecnologia, nas empresas e na vida das pessoas: Transformação Digital. A inserção das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) vem gerando mudanças significativas na estrutura de trabalho e na vida cotidiana das pessoas.

Como exemplo, a Internet das Coisas (Internet of Things – IoT) obrigará as companhias a reformularem a sua abordagem estratégica, abrindo portas para novas habilidades que vão muito além da competência técnica do dia a dia.

O número de “coisas” conectadas no Brasil deve saltar dos atuais 140 milhões para 400 milhões em 2020. Num futuro breve, presenciaremos a adoção massiva de sistemas interligados e inteligentes, o que proporcionará que tudo esteja interconectado, oferecendo uma comodidade sem precedentes aos usuários. Assim como a Internet e as redes sociais redimensionaram a sociedade e a maneira das pessoas se relacionarem, esta nova onda de “Transformação Digital” terá um profundo impacto sobre esta mesma sociedade.

Acredita-se que as Cidades Inteligentes (“Smart Cities”) e o Agronegócio Inteligente (aumento de produtividade no campo, especialmente quando implementados com base na infraestrutura de rede adequada e alinhados com as arquiteturas globais de referência em IoT) serão os segmentos com o maior potencial de crescimento em nosso país. A Indústria 4.0 e as fábricas inteligentes continuarão a ser implementadas, alinhadas às tecnologias, como a conectividade móvel, o Big Data e a Internet das Coisas (IoT). Para isso, serão necessárias redes de comunicação de dados cada vez mais velozes e com maior disponibilidade. Operadoras móveis norte-americanas, em conjunto com os fabricantes de dispositivos, já conseguiram um feito importante para a quarta geração de telefonia móvel (4G): velocidade em uma conexão celular acima de 1G bit por segundo.

Em termos de emprego, aqueles trabalhos que requerem recursos humanos únicos (como a educação e o cuidado de pessoas, entre outros) serão os menos ameaçados pela automatização. Entretanto, em outras áreas, a Transformação Digital terá profundo impacto sobre a sociedade e as nossas vidas. Tudo está cada vez mais rápido e o volume de informações a que as pessoas são submetidas dia a dia é infinitamente maior e não para de crescer. Para as organizações, a diminuição dos custos operacionais, a capacidade de oferecer aplicativos personalizados à velocidade das ideias e o aprimoramento da experiência dos clientes são o núcleo da transformação digital.

Se, por um lado, nossa vida ficou bem mais fácil, pois serviços e produtos automatizados oferecem uma comodidade impensada a alguns anos atrás, com uma série de facilidades, salvando vidas graças à tecnologia, por outro lado, isso traz uma clara alteração no comportamento das pessoas, de forma que elas se apresentam mais distraídas, exigentes, conectadas e distantes como nunca, além de novos transtornos ligados ao vício em tecnologia, crimes virtuais etc.

Influência digital e as perspectivas de um mundo melhor

Por Prof. Dr. Victor Kraide Corte Real – Publicitário, doutor em Ciências da Comunicação. Diretor do curso de Design Digital da PUC-Campinas.

Você já parou para pensar que as pessoas nascidas nos anos de 1980 fazem parte da última geração a conhecer o mundo sem a internet? Sim, a rede mundial de computadores foi disponibilizada ao público em escala global no início dos anos de 1990, através das linhas discadas. Lembra-se daquele barulhinho na hora de conectar? De como era lento abrir um site, fazer uma pesquisa ou entrar numa sala de bate-papo, tudo ainda com um design bem precário e limitado? De esperar o final de semana para ficar conectado quanto tempo quisesse, não sendo cobrado por cada minuto de ligação, pagando apenas pela tarifa de um pulso telefônico? Parece que isso tudo é coisa de uma outra vida, não é? Mas, não se engane, foi ontem mesmo. Se você tem mais de vinte e poucos anos, talvez se lembre desse mundo.

Diante desse retrospecto, se você nasceu antes de 1990, é possível afirmar que, provavelmente, passou, ou ainda passa, um certo tempo em frente à televisão, vendo a programação “imposta” pelas emissoras dentro de uma grade de horário fixa e pré-definida. Para quem nasceu depois de 1990, em geral, a televisão é vista como um aparelho que insiste em fazer parte da mobília de muitas residências, que serve, na melhor das hipóteses, como uma tela grande para conectar o computador ou o videogame e ampliar um pouco a experiência de navegar pela internet ou de curtir jogos eletrônicos.

O conceito de entretenimento e de informação, intermediados por uma mídia, mudou muito rapidamente. Na verdade, não é o tamanho ou a quantidade de conteúdo que trafega na internet o que mais impressiona, mas sim as possibilidades de acesso. As pessoas podem ver o que quiser, na hora que quiser e onde quiser. Continuamos sendo vorazes espectadores do conteúdo produzido por outros, mas, hoje, temos muito mais condições de gerar conteúdo próprio, divulgar, influenciar e conquistar a fama com mais facilidade que em qualquer outro período histórico.

Como consequência direta, nossos heróis, ídolos e modelos de sucesso também mudaram. Boa parte dos jovens continua admirando atores, cantores, atletas e profissionais em geral que se destacam em suas áreas, mas são as “celebridades da internet” que despertam cada vez mais a atenção do público com menos de 30 anos. Para eles, é muito mais presente e palpável a chance de qualquer “pessoa normal” ficar famosa e ganhar dinheiro, simplesmente produzindo e postando vídeos em seus canais pessoais, muitas vezes de maneira bem caseira, fazendo uso apenas do carisma e da diversão, sem qualquer pretensão de desenvolver discussões em profundidade.

A qualidade do conteúdo produzido nesses canais é algo muito subjetivo e bastante relativo. É verdade que entre os mais populares não encontramos, por exemplo, abordagens a respeito do conhecimento científico ou da cultura erudita, mas, na vastidão da internet, existem produções sobre esses temas e sobre quaisquer outros que se possa imaginar. O desafio atual dos educadores, líderes e, certamente, dos influenciadores digitais é estimular o uso positivo desse repertório na construção de uma sociedade mais justa e de um mundo melhor.

A poesia na era digital. Combinação perfeita?

Por Profa. Dra. Tereza de Moraes – docente da Faculdade de Letras da PUC-Campinas

Desde os primórdios, o indivíduo sempre tentou manifestar seus sentimentos, suas emoções, suas sensações, suas percepções, suas formas de compreensão do mundo, buscando representá-las por meio da arte, em suas várias manifestações possíveis. A primeira manifestação linguística se deu por intermédio da oralidade, mas, com o advento da escrita, essa produção passou a ser registrada e perpetuada. A utilização da linguagem escrita tornou-se, a partir daí, o meio ímpar para o registro da arte literária.

Muitos poetas, em vários contextos históricos diferentes, endeusaram a palavra, o verbo. Olavo Bilac questiona o poder de expressão da palavra (Inania Verba), Carlos Drummond de Andrade argumenta que escrever é lutar com palavras (O Lutador). Afirma, ainda, que para encontrar as possíveis nuances das palavras que vivem num reino diferenciado é necessário possuir a chave (À procura da poesia). Encontrar a palavra certa e combiná-la num sintagma esteticamente, utilizando todos os recursos disponíveis da linguagem, era o ideal dos poetas, sobretudo do engenheiro do verso, João Cabral de Mello Neto, que priorizava a técnica e diminuía a importância da inspiração.

Século XX. Nesse novo cenário mundial pode-se observar a rapidez do progresso, do desenvolvimento. Mudanças tecnológicas acontecem num piscar de olhos. Vários suportes se nos oferecem para a representação de mundo. Entretanto um deles permanece intacto: a linguagem escrita, fonte primordial da manifestação literária. Mas, a partir dos anos 1950, muitas mudanças começam a surgir, com o movimento concretista. Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Décio Pignatari introduzem um novo agente estrutural na poesia: o espaço. A linguagem agora é verbo-visual. Aos poucos, novas linguagens são incorporadas: o código musical, o código fotográfico, o código sonoro. Novas técnicas para a representação de mundo: colagens, montagem e desmontagem. Novos suportes: caixas, outdoors.

Pronto. Era um passo para a entrada na era digital. Hoje as manifestações de mundo contam com inúmeros espaços cibernéticos para aparecerem. Felizmente, o que não mudou é a necessidade do ser humano de expressar seu mundo. A diferença é que, além da palavra escrita, hoje podem ser utilizados outros materiais disponíveis e diversificados suportes para a expressão artística. Aproximadas as diferentes linguagens, combinadas as diversas temáticas, a poesia digital representa o mundo de hoje e os anseios, as angústias, as expectativas do homem cibernético, pois o poema, digital ou não, é produto do sujeito pós-humano que necessita extravasar seu mundo interior ainda que seja no ciberespaço.

O espaço digital, além de se tornar suporte para as manifestações poéticas dos sujeitos, serve também para rememorar poetas consagrados, divulgando seus escritos. Porém, nem sempre, o que se atribui aos poetas na Internet é de sua autoria reconhecida. Versos atribuídos a Clarice Lispector, Cora Coralina, Manuel de Barros e outros poetas são da lavra de outros autores, outras vezes são modificados e, no mais das vezes, apenas um ou dois versos de um poema são publicados, roubando ao texto sua integridade e os sentidos possíveis. Outra questão é o efeito moralizador ou de literatura de autoajuda que essas publicações assumem, nos moldes do pastiche tão caro à pós-modernidade. Aí não se encontra verdadeiramente o texto do autor, mas a sua interpretação pelo indivíduo que o publica. De qualquer modo, o ambiente virtual vem contribuindo grandemente para a proliferação da poesia, numa prova de que a estética é um elemento essencial do ser humano.

Clique aqui (https://www.youtube.com/watch?v=-EAYepikGK4) e confira a atriz Laura Cardoso interpretando o poema “O lutador”, de Carlos Drummond de Andrade.

Jornal da PUC-Campinas inova e agora estará disponível também em aplicativo

Por Sílvia Perez

Garantir o rápido acesso à informação, ao jornalismo científico, a artigos e novidades da academia, por esses motivos, a PUC-Campinas lança no dia 7 de junho o aplicativo do Jornal da PUC-Campinas.

A publicação, que já era digital, se modernizou para garantir mais facilidade e agilidade aos leitores. Na ferramenta mobile estarão armazenadas as edições do Jornal a partir de maio de 2017, funcionando, assim, como uma espécie de “banca” ou “biblioteca” de consulta.

A cada nova edição, o usuário receberá uma notificação o convidando para a leitura. O aplicativo estará disponível para aparelhos com tecnologia Android ou IOS e pode ser baixado gratuitamente na Play Store ou na Apple Store.

De acordo com o Coordenador do Departamento de Comunicação Social da PUC-Campinas, Alcino Ricoy Júnior, a ideia do aplicativo surgiu para conquistar um público mais jovem. “O Jornal traz temas atuais, interessantes e de reflexão, muitas vezes em debate em sala de aula, por isso, oferecer o aplicativo nos aproxima ainda mais dos nossos estudantes, que poderão acompanhar e até mesmo repercutir as nossas matérias, com uma abordagem mais científica”, destaca.

 

Cidade Digital segregada

Pesquisa de mestrado desenvolvida na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo aponta os desafios para a construção de um território digital

 

Por Amanda Cotrim

É possível falar em tecnologia sem falar em infraestrutura? Por acreditar que não era possível, Renato Manjaterra Loner decidiu estudar no seu mestrado esses dois espaços: o eletrônico e o físico, a fim de compreender o conceito de “Cidade Digital”, que tem como mote a inserção do município na sociedade da informação, possibilitando ferramentas digitais como a extensão do modo de vida de seus cidadãos.

Primeiro ponto de wifi do Campinas Digital, na Prefeitura, fica a 500 metros do bairro mais incluído da cidade – Crédito: Álvaro Jr.
Primeiro ponto de wifi do Campinas Digital, na Prefeitura, fica a 500 metros do bairro mais incluído da cidade – Crédito: Álvaro Jr.

“Eu entendo que cidade digital é a cidade onde o cidadão, além de ter acesso às benesses da sociedade informacional, tem condições de usufruí-las”. Sua pesquisa identificou, no entanto, que nem todos têm acesso aos serviços de uma cidade digital. O estudo considerou que a desigualdade no acesso está relacionada a outras desigualdades sociais, como saneamento básico, segurança pública, renda e escolaridade.

A dissertação trabalhou com dois exemplos opostos de inclusão: o bairro Cambuí, o mais incluído, segundo a pesquisa, e o bairro Cidade Singer, na região do Campo Belo, próximo ao aeroporto de Viracopos, como o bairro menos incluído. O critério utilizado pelo pesquisador foi a escolaridade, a quantidade de domicílios com computador conectado à internet e o rendimento familiar, segundo os micro-dados da amostra do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por setor censitário (conjunto de uma média de cem domicílios). “O primeiro ponto de wifi do Campinas Digital, na Prefeitura, fica justamente cerca de 500 metros do setor censitário mais incluído da cidade”, considera Manjaterra Loner.

O estudo criou três mapas da cidade de Campinas, a partir de três segmentos: conectividade, escolaridade e renda. “Em seguida, estabelecemos a média desses três indicadores e produzimos o quarto mapa, que distingue os setores censitários mais incluídos dos menos incluídos digitalmente e informacionalmente. A esse índice dei o nome de Índice de Segregação Digital, que foi composto por uma fórmula parecida com a do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, da ONU)”, compara.

“A concentração de investimentos nos serviços da “cidade digital” obedece à mesma lógica de outros benefícios construídos na cidade, como áreas verdes, saneamento, iluminação, segurança, água, ou seja, são concentrados nos territórios mais ricos. Então, entendemos o motivo da Cidade Singer ser o último território incluído no Programa Campinas Digital. É porque é o bairro mais pobre, carente de outros serviços”, contextualiza.

Renato Mantejarra- Mestre em Arquitetura e Urbanismo
Renato Mantejarra- Mestre em Arquitetura e Urbanismo

O objetivo do estudo, segundo Manjaterra Loner, foi oferecer um subsídio científico para que a construção da “Cidade Digital” pelo poder público se pautasse pela universalização das benesses da informatização do território. “A falta de definição do que seja cidade digital é o que permite que a sua construção se dê ao gosto do gestor ‘da vez’. Com um índice que aponte os territórios mais carentes desse tipo de investimento; a municipalidade pode decidir onde investir”, ressalta.

O trabalho, segundo Manjaterra Loner, oferece à Prefeitura de Campinas um mapa detalhado de onde estão os pontos mais urgentes de investimento público em infraestrutura e tecnologia, para que a população tenha acesso à ‘nova era’. “Agora é possível enxergar onde estão os territórios segregados e formular políticas públicas de inclusão desses territórios”.

 

SERVIÇO

Para ter acesso a pesquisa completa, acesse o link

Ou encontre a pesquisa na Biblioteca da PUC-Campinas. Informações em: (19) 3343-7058