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Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade

Integrando as comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade realizou de 7 a 10 de novembro de 2016 o Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”

 

Por Amanda Cotrim

O Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade” proporcionou um debate importante e cada vez mais necessário para a sociedade: a valorização do ser humano e o papel da Igreja diante desse tema. O evento, organizado pelo Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas, aconteceu no Auditório Cardeal Agnelo Rossi, no Campus I, e contou com conferências e mesas-redondas as quais discutiram temas como História e Conceitos Fundamentais, Justiça e Paz, Ciência, Fé e Transcendência, o Bem Comum e a Dignidade Humana e o Mundo contemporâneo.

A abertura do evento recebeu a Conferência “A Doutrina Social da Igreja: História e Conceitos Fundamentais”, ministrada pelo Bispo da Diocese de Jales, Dom José Reginaldo Andrietta, com mediação do Prof. Dr. Pe. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves.

O Bispo de Jales elogiou a iniciativa da PUC-Campinas em discutir o tema da Doutrina Social e ressaltou a importância da aproximação do mundo acadêmico com a realidade social, em todas as suas circunstâncias. Segundo ele, é nesse sentido que sua conferência contribui para pensar o papel da educação e da universidade.

Nos dias que se seguiram, os participantes também puderem acompanhar a Conferência do Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da PUC-Campinas, Dom Airton José dos Santos, a qual contou com a mediação do Prof. Dr. Peter Panutto, intitulada “A Doutrina Social da Igreja: Justiça e Paz”.

Na oportunidade, Dom Airton enfatizou a importância e a necessidade da universidade católica para o convívio social. “Precisamos pensar qual sociedade estamos construindo, para que ela, sim, seja digna do ser humano e não o contrário, pois todas as nossas ações devem ter em vista o ser humano, uma vez que o pensamento social da Igreja traz o humanismo como alicerce”, defendeu Dom Airton.

O Grão-Chanceler da PUC-Campinas também destacou que a justiça se mostra fundamental na contemporaneidade. Para ele, a justiça se exerce diante de pessoas concretas e não de protocolos. “Só há justiça quando há solidariedade e amor”, justificou.

O público também pode conferir a mesa-redonda “Ciência, Fé e Transcendência”, ministrada pelo Prof. Dr. Ir. Clemente Ivo Juliatto, da PUC-Paraná, e pelo Prof. Dr. Newton Aquiles Von Zuben, da PUC-Campinas, com mediação do Prof. Dr. Glauco Barsalini, da PUC-Campinas.

Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”  - Conferência – “A Doutrina Social da Igreja: História e Conceitos Fundamentais” Dom José Reginaldo Andrietta – Bispo da Diocese de Jales
Doutrina Social da Igreja foi o tema do Colóquio da PUC-Campinas/ Crédito: Álvaro Jr. 

O evento, segundo o Coordenador do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências da Religião, Prof. Dr. Pe. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves, realçou a relação Igreja e Sociedade, mostrando, assim, a tradição eclesial, confirmada no Concílio Vaticano II. “O tema do Colóquio toca em questões pertinentes do ponto de vista mundial, mas também nacional e local, como, por exemplo, o tema da paz, do trabalho, da propriedade privada e da liberdade religiosa. Além disso, o Colóquio teve um caráter interdisciplinar, pois a Doutrina Social da Igreja não se restringe a área da Teologia, mas aborda o Direito, a Economia, as Ciências Sociais, a Filosofia e a Comunicação”, destacou.

Direitos da pessoa humana

O Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade” trouxe para uma das suas mesas-redondas, um tema atual: a discussão sobre os direitos da pessoa humana no contexto dos processos migratórios internacionais. Para esse debate, a Universidade contou com a mesa-redonda “A Doutrina Social da Igreja: o Bem Comum e a Dignidade Humana”, com o Prof. Me. Paulo Moacir G. Pozzebon, da PUC-Campinas, e com Coordenador do Centro de Estudos Migratórios da Missão Paz e docente da Itesp-SP, Prof. Dr. Pe. Paolo Parise, com mediação do Prof. Dr. Pe. Edvaldo Manoel de Araújo, da PUC-Campinas.

Para o Professor Pozzebon, é preciso que os bens e serviços produzidos mundialmente sejam acessíveis a todos os seres humanos, ressaltando a importância do bem comum e os direitos do homem sobre os quais diz o Papa Francisco.

Na mesma linha, porém numa perspectiva específica da imigração, o Coordenador do Centro de Estudos Migratórios da Missão Paz da Igreja Católica criticou o que ele chamou de “lógica sanguessuga”, em que alguns países “sugam” outros em benefício próprio, fazendo referência à exploração da força de trabalho de imigrantes em todo o mundo. “Não podemos pensar que o imigrante é motivo dos problemas das nações, pois esse pensamento legitima a exploração”, destacou.

A última Conferência do Colóquio aconteceu no dia 9, com o tema “A Doutrina Social da Igreja e o Mundo Contemporâneo”, presidida pelo Prof. Dr. Pe. Marcial Maçaneiro, da PUC-Paraná, com mediação do Prof. Me. José Donizeti de Souza, da PUC-Campinas.

O Colóquio teve encerramento com a Celebração Eucarística, em comemoração aos 75 anos existência da Faculdade de Filosofia, presidida por Dom Airton José dos Santos, na Catedral Metropolitana de Campinas.

Para o Vice-Reitor da Universidade e integrante do Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas, Prof. Dr. Germano Rigacci Júnior, o Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade” conseguiu promover uma reflexão sobre sistemas, se relacionando, segundo ele, com a discussão sobre a Encíclica Ladauto Si’, tema discutido no Colóquio do primeiro semestre de 2016, também na PUC-Campinas

Campanha da Fraternidade 2015

Por Padre João Batista Cesario

A Campanha da Fraternidade (CF) é uma grande mobilização de toda a Igreja Católica no Brasil, feita a partir dos apelos do Evangelho, abordando temas relevantes para a vida da Igreja e da sociedade durante a Quaresma, período marcada por muita oração, reflexão, penitência e caridade. Segundo o Papa Francisco, a Quaresma é “tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fieis, tempo favorável de graça” e, também, momento oportuno para superar “a globalização da indiferença”, tentação contemporânea que atinge a todos, inclusive os cristãos. Ora, o mal da indiferença é superado com amor e serviço qualificado à vida em todas as suas manifestações.

Para os cristãos, o gesto de lavar os pés, realizado por Jesus na última ceia, é o paradigma do serviço. “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir”, disse Jesus; por isso, o Papa afirma que “a Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos servidores como Ele” (Mensagem para a Quaresma de 2015).

Cartaz da Campanha da Fraternidade 2015.
Cartaz da Campanha da Fraternidade 2015.

Fraternidade, Igreja e Sociedade

O tema da CF 2015 é “Fraternidade, Igreja e sociedade” e o objetivo geral é justamente “aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro, para a edificação do Reino de Deus”. A referência ao Concílio é muito importante, porque 2015 marca o cinquentenário do encerramento desse grande evento eclesial que, na década de 1960, despertou a Igreja para um novo tipo de presença na sociedade, marcada pela abertura aos sinais dos tempos e por constante diálogo com as realidades contemporâneas.

Entre os objetivos específicos da CF-2015 destacam-se os propósitos de “apresentar os valores espirituais do Reino de Deus e da Doutrina Social da Igreja, como elementos autenticamente humanizantes; identificar as questões desafiadoras na evangelização da sociedade e estabelecer parâmetros e indicadores para a ação pastoral; e atuar profeticamente, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para o desenvolvimento integral da pessoa e na construção de uma sociedade justa e solidária” (CNBB. Texto-base CF-2015, p.10).

Trata-se, então, de procurar aprofundar cada vez mais a postura de serviço da Igreja em relação à sociedade. Todavia, é importante lembrar sempre que a Igreja não é uma realidade à parte da sociedade, mas ocupa um lugar importante no seio da sociedade, uma vez que deve ser “sal e luz no mundo”, como pediu Jesus aos seus discípulos. Ou seja, os cristãos devem ser presença transformadora no meio social; colaborar efetivamente para a ampliação da qualidade da vida para todos indistintamente; trabalhar sempre para o bem comum; e viver os valores aprendidos do Evangelho.

Cultura descartável

Então, o tema da relação Igreja-Sociedade na perspectiva do serviço é oportunidade para aprofundar alguns compromissos já assumidos, bem como descobrir e implementar novas formas de serviço e defesa da vida, especialmente nestes tempos marcados por algumas características que contrariam frontalmente o ensinamento de Jesus nos Evangelhos. O Papa Francisco tem denunciado freqüentemente certa “cultura do descartável” que tende a tratar as pessoas como se fossem coisas e descartá-las quando parecem não ter mais serventia, de acordo com uma concepção puramente econômica na qual os bens materiais valem mais do que a vida. Além disso, o Papa chama a atenção para inúmeras situações de sofrimento e marginalização que mantêm muitas pessoas nas “periferias existenciais”.

Ora, a CF-2015 é oportunidade de identificar e denunciar esses processos de exclusão e marginalidade, bem como de propor ações concretas para a superação desse quadro. Historicamente, a Igreja Católica tem desenvolvido intensa ação social no cuidado à vida, haja vista que os hospitais e as instituições de assistência social nasceram do cuidado pastoral da Igreja pelos pobres e sofredores de todos os tempos. E assim também as escolas e as Universidades e outras instituições. Com o passar do tempo, muitas das iniciativas de assistência e cuidado pela vida surgidas na Igreja foram assumidas pela sociedade e ampliadas em sua abrangência com a atuação do Estado.

Desse modo, um dos desafios da CF-2015, entre outros, é ampliar o diálogo da Igreja com a sociedade, para somar forças em vista do bem comum e da promoção humana. No âmbito da sociedade com suas organizações civis há muitas iniciativas de serviço desinteressado à vida que precisam de apoio, acompanhamento e fiscalização para que não se afastem de seus objetivos.  De igual modo, no âmbito eclesial há inúmeras instituições de ação social e incontáveis iniciativas de serviço à vida que também necessitam de apoio e suporte para continuarem sua missão. A CF-2015 propõe seja intensificado o diálogo Igreja-Sociedade para que novas forças de serviço possam beneficiar a vida que, em certa medida, está em constante ameaça neste início de século.

Ações da PUC-Campinas

A Universidade Católica, com seu Hospital Universitário (Hospital e Maternidade Celso Pierro), é presença significativa da Igreja Católica no âmbito da cultura e da produção e disseminação do conhecimento. A publicação recente da obra “Missão social 2012/2013” da PUC-Campinas, dá uma boa dimensão do grande leque de serviços prestados pela Instituição no âmbito que lhe compete, a saber, no campo da Pesquisa, do Ensino e da Extensão. Os números de programas, projetos e iniciativas desenvolvidos pela Universidade a serviço da vida são testemunho do esforço realizado para que os apelos do Evangelho sejam efetivados em ações concretas de serviço à vida. Trata-se de continuar fazendo sem desânimo o que se tem feito. No entanto, a CF-2015 pede que se aprofunde a reflexão acerca da relação Igreja-Sociedade, para que desse aprofundamento novas e fecundas iniciativas possam surgir.

Padre João Batista Cesario- Pastoral Universitária/PUC-Campinas