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Autoconhecimento e métodos de estudo

Por Prof. Dra. Jussara Cristina Barbosa TortellaProfessora e pesquisadora titular do Programa de Pós-Graduação em Educação da PUC-Campinas

O sucesso no Ensino Superior é influenciado pelas experiências que o aluno tem durante seu percurso escolar. Alguns alunos chegam à Universidade com uma gama de estratégias de aprendizagem e as adaptam ao novo contexto; outros, no entanto, ingressam nesse segmento com poucos recursos e com hábitos de estudo que nada contribuem às exigências universitárias. O que diferencia esses dois tipos de alunos? O uso de estratégias de aprendizagem adequadas a cada situação e também o engajamento nas mesmas, proveniente da compreensão da validade das novas aprendizagens.

Espera-se que os alunos do Ensino Superior atuem, perante as diferentes atividades que participam, de forma autônoma, crítica e que busquem constantemente e de forma motivada o sucesso acadêmico. Para tanto, necessitam construir um conjunto de competências e estratégias de aprendizagem que lhes permitam resolver os problemas apresentados desde o início até o final da conclusão do curso escolhido.

Geralmente, alguns alunos e até mesmo professores acreditam que as estratégias são inatas; por exemplo, quem tem um perfil de organização do tempo para as diferentes tarefas já nasce assim. No entanto, os estudos indicam que as estratégias são aprendidas e construídas em qualquer fase da vida.

Destaco aqui, pautada no marco teórico sociocognitivo, algumas estratégias e dicas que podem auxiliar os alunos universitários:

  1. estabelecimento de objetivos: definir para si próprio objetivos de aprendizagem ou para a execução de uma determinada tarefa a curto e longo prazo;
  2. organização e recuperação da informação aprendida: utilizar esquemas, formas diferentes de registrar os apontamentos, resumos, sumários;
  3. construção de um ambiente de trabalho que favoreça o rendimento acadêmico: selecionar um espaço físico adequado ao estudo; fazer uma lista de distratores que atrapalham a concentração e tentar destacar para cada um como combatê-los, encontrar formas de controle da ansiedade;
  4. gestão de tempo: organizar cronogramas para agendamento e visualização constante das tarefas; fazer uma lista de prioridades;
  5. procura de ajuda necessária: saber onde e a quem procurar quando os recursos pessoais não são suficientes para resolver o problema proposto;
  6. autoconhecimento: buscar constantemente aspectos que são fontes de sucesso nas aprendizagens e também aqueles que ainda precisam ser melhorados.

Uma boa dica é utilizar o livro: Cartas do Gervásio ao Seu Umbigo escrito por Pedro Rosário, José C. Núñez, Júlio González-Pienda. Editora Almedina

 

“Uma teoria transformadora da educação é aquela empenhada em mudar a finalidade da educação”, afirma Demerval Saviani

Em entrevista especial ao Jornal da PUC-Campinas, o Professor Emérito da Unicamp, Dermeval Saviani, que abriu o Planejamento Acadêmico-Pedagógico do 1º semestre de 2017, contextualizou e problematizou as noções de transformação e inovação na educação, retomando a importância da Pedagogia Histórico-Crítica desenvolvida por ele. O pesquisador também abordou a ideia de interdisciplinaridade na ciência, o papel e a formação dos futuros professores no Brasil: “Uma formação sólida só pode ser atingida por meio de cursos presenciais de longa duração articulados com a instituição de uma carreira docente em tempo integral numa única escola com metade do tempo destinado às aulas e a outra metade voltada às demais atividades como preparação das aulas, avaliação dos estudantes, acompanhamento dos alunos que apresentam maiores dificuldades de aprendizagem, participação nos colegiados de gestão da escola e com salários dignos”, afirmou.

A sua palestra na PUC-Campinas terá como tema “Fundamentos filosóficos e pedagógicos das metodologias de ensino”. Comente sobre o que pretende abordar na palestra?

Para abordar o tema que me foi proposto pretendo partir dos dois modelos de formação docente que tenderam a se generalizar quando, no século XIX, foram sendo organizados os sistemas nacionais de ensino: o primeiro, que denomino como “modelo dos conteúdos culturais cognitivos”, se baseia no enunciado “quem sabe, ensina” entendendo que basta ao professor dominar os conteúdos que lhe cabe ensinar aos alunos; e o segundo, “modelo pedagógico-didático”, entende que, além dos conteúdos, o professor precisa dominar os procedimentos pedagógico-didáticos mediante os quais ele transmitirá os conhecimentos aos seus alunos. O primeiro prevaleceu nas universidades para formar os professores de nível secundário; e o segundo, prevaleceu nas Escolas Normais para formar os professores primários. Por aí podemos entender a despreocupação dos professores das instituições de nível superior com a questão didático-pedagógica que se mantém ainda hoje. Tendo presente esse quadro analisarei os fundamentos filosóficos e pedagógicos das principais teorias da educação tendo como referência os conceitos de inovação e de transformação. E concluirei procurando encaminhar a questão do desenvolvimento da metodologia do ensino nas instituições universitárias voltada para a transformação estrutural da sociedade.

Como o senhor analisa a atualidade da Pedagogia Histórico-Crítica para uma escola de qualidade?

Em minha palestra farei uma distinção entre os conceitos de inovação e transformação considerando que, se toda transformação é inovação, nem toda inovação é transformação. O conceito de transformação remete à mudança da própria forma, isto é, da essência do fenômeno ao qual se refere. Portanto, uma teoria transformadora da educação é aquela empenhada não apenas em mudar os meios, os procedimentos, os métodos de ensino, mas a própria finalidade da educação articulando-a com a transformação social, isto é, com a mudança estrutural da sociedade. E é nesse âmbito que se situa a pedagogia histórico-crítica indo, pois, além tanto das teorias não críticas como das teorias crítico-reprodutivistas. Portanto, nesse momento de crise estrutural da sociedade capitalista impõe-se a necessidade de sua transformação que não se processará sem que sejam preenchidas as condições subjetivas, o que coloca a exigência da organização da educação voltada para a transformação social. Assim sendo, a pedagogia histórico-crítica revela-se extremamente atual para viabilizar uma escola de qualidade que oriente as atividades de ensino numa direção transformadora visando a superar as práticas pedagógico-metodológicas hoje predominantes no ensino superior cujas inovações, consciente ou inconscientemente, colocam-se na perspectiva da manutenção e reprodução aperfeiçoada da ordem social vigente baseada no modo de produção capitalista.

Prof. Dr. Demerval Saviani é Professor Emérito da UNICAMP/ crédito: João Zinclar

Como avalia a formação dos futuros profissionais que atuarão na educação infantil ao ensino superior?

É consenso que a formação dos professores no Brasil está marcada por vários tipos de deficiência. No entanto, as mudanças propostas vêm na direção não da superação da precariedade, mas de seu agravamento. Precisamos de professores com uma formação sólida, consistente, que lhes assegure um grande domínio da cultura acumulada assim como dos processos pedagógico-didáticos que garantam a apropriação do acervo cultural por parte dos educandos. E a formação de professores com essas características só pode ser atingida por meio de cursos presenciais de longa duração articulados com a instituição de uma carreira docente em tempo integral numa única escola com metade do tempo destinado às aulas e a outra metade voltada às demais atividades como preparação das aulas, avaliação dos estudantes, acompanhamento dos alunos que apresentam maiores dificuldades de aprendizagem, participação nos colegiados de gestão da escola e com salários dignos. No entanto, as políticas que vêm sendo propostas caminham na contramão dessa orientação ao pretender a instituição de cursos de curta duração, a distância, voltados mais para atividades práticas, mantidas as condições de salário e de trabalho docente com todas as limitações hoje vigentes.

“A pedagogia histórico-crítica revela-se extremamente atual para viabilizar uma escola de qualidade que oriente as atividades de ensino numa direção transformadora visando a superar as práticas pedagógico-metodológicas hoje predominantes no ensino superior”

Qual é o papel e a importância do professor na educação?

O papel do professor é fundamental. Ele é, sem dúvida, o agente principal do processo educativo. Concordo, pois, com Gramsci que conferia papel central ao corpo docente entendendo que, na escola, o nexo instrução-educação só pode ser representado pelo trabalho vivo do professor, pois o professor tem consciência dos contrastes entre o tipo de sociedade e de cultura que ele representa e o tipo de sociedade representado pelos alunos. Por estar consciente desse contraste entre seu lugar e o lugar do aluno no processo educativo, o professor tem consciência também de que sua tarefa é acelerar e disciplinar a formação da criança conforme o tipo superior em luta com o tipo inferior. Conclui, então, que com um corpo docente deficiente afrouxa-se a ligação entre instrução e educação e o ensino degenera em mera retórica que exalta a educabilidade do ser humano em contraste com um trabalho escolar esvaziado de qualquer seriedade pedagógica. Parece que é essa a situação em que nos encontramos hoje no Brasil quando proliferam os discursos exaltadores da importância da educação ao mesmo tempo em que se esvaziam as escolas e a própria figura do professor dos conteúdos relevantes e da seriedade pedagógica.

Como o senhor avalia a ideia de interdisciplinaridade no ensino superior? Até que ponto ela é positiva ou negativa? Por quê?

Em meados do século XX a interdisciplinaridade surgiu como via para se contornar o especialismo que marcou o desenvolvimento da ciência. Althusser fez a análise crítica da interdisciplinaridade, considerada por ele como uma ideologia, resumida ironicamente nos seguintes termos: “quando se ignora algo que todo mundo ignora, basta reunir a todos os ignorantes; a ciência surgirá da reunião de ignorantes”.  A discussão sobre a interdisciplinaridade até nossos dias atesta a fortuna assim como a controvérsia associadas a esse conceito. Para além da interdisciplinaridade, o que está em causa é o problema do método do conhecimento científico, ou seja, o caminho que o homem percorre para conhecer a realidade. O processo de conhecimento científico se constitui como a passagem do empírico ao concreto pela mediação do abstrato. É, pois, ao mesmo tempo, indutivo e dedutivo, analítico-sintético, abstrato-concreto, lógico-histórico. Vê-se, assim, que as abordagens disciplinares e interdisciplinares correspondem ao momento analítico, ao passo da abstração que, evidentemente, é necessário para se passar do empírico (síncrese) ao concreto (síntese); do todo (caótico) figurado na intuição ao todo (articulado) apropriado pelo pensamento. Em suma, o processo de conhecimento corresponde à passagem da síncrese à síntese pela mediação da análise. É esse o caminho que devemos seguir se quisermos proceder cientificamente no sentido dialético que implica a articulação das categorias de totalidade, contradição e mediação.

Educação em debate

Fundamentos, metodologias e práticas do ensino superior são tema do Planejamento Acadêmico-Pedagógico do 1o semestre de 201. Palestra acontece no dia 02 e os encontros nos dias 03 e 06 de fevereiro.

Por Sílvia Perez

A reflexão dos docentes deve estar presente em todas as etapas do planejamento e da prática do ensino, buscando metodologias que servirão de base para as atividades que serão propostas durante o período de aulas. Nesse sentido, a PUC-Campinas oferece a palestra “Paradoxos das práticas no ensino superior: caminhos desviados”, que será ministrada pelo Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade, Prof. Dr. Samuel Mendonça, no dia 2 de fevereiro, às 20h, no Auditório Dom Gilberto.

Prof. Dr. Samuel Mendonça é Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação/ Crédito: Álvaro Jr.

De acordo com o Prof. Dr. Samuel Mendonça, a palestra vai discutir duas dimensões de práticas do ensino superior. De um lado, a perspectiva conhecida como tradicional e, de outro, a de metodologias ativas. “A proposta é desconstruir a ideia de que as metodologias ativas possam substituir o ensino tradicional. A partir da crítica da concepção de educação tradicional de John Dewey, presente na obra Experience and Education, destacaremos pontos fortes e frágeis dessa vertente responsável pela formação de gerações de docentes que compõem o corpo docente da Pontifícia Universidade Católica de Campinas”, explica.

Caminhos

“Busca-se demonstrar que as metodologias ativas são ‘caminhos’, isto é, processos para a aprendizagem; no entanto, a educação é muito mais do que isto. Considerar as metodologias ativas como substitutivas de concepções de educação parece-nos um equívoco, mesmo no caso da concepção tradicional de ensino. Assim, argumenta-se com Gert Biesta, – que esteve em um Seminário do Programa de Pós-Graduação em Educação e da Faculdade de Educação da PUC-Campinas, em 2013, – a partir da obra Beyond Learning: Democratic Education for a Human Future que o fenômeno da learnification, isto é, da ênfase dada a técnicas de aprendizagem em diversos países do mundo é perigoso em relação à educação”, alerta.

De acordo com o docente, é preciso superar práticas de ensino superior que não sejam consequentes para a aprendizagem. “Paradoxalmente, não há caminho único e verdadeiro de práticas do ensino superior. Assim, sejam as práticas de ensino tradicional ou construídas a partir de metodologias ativas, o ponto fundamental para garantir o ensino e, quiçá, a aprendizagem dos estudantes do nível superior, intitula-se ‘professor’ e é este o sujeito principal que carrega sua concepção educacional que está em constante transformação, na significativa consideração de estudantes que nasceram já no século XXI”, finaliza.

A importância da Interdisciplinaridade

Nima Spigolon: A interdisciplinaridade supera fragmentação que marcou a concepção do conhecimento / Crédito: Álvaro Jr

No Encontro Pedagógico Práticas Interdisciplinares – relatos de experiência, a professora da Faculdade de Educação da Unicamp, Nima Imaculada Spigolon, vai discutir as práticas interdisciplinares. “Estou muito emocionada com o convite de retornar à PUC-Campinas, é interessante esse potencial de interlocução entre a PUC-Campinas e a Unicamp, com deslocamento intelectual, acadêmico, afetivo e dialógico. Farei uma conversa cujo mote principal são os processos de formação humana, porque não basta formar para o mercado, certificar, é preciso que essa formação aconteça com base no humano e nas relações que estabalecemos em sociedade”, acrescenta.

“Ao lançarmos mão dessa perspectiva, a interdisciplinaridade surge como parte de um conjunto de ações político-pedagógicas para superar a fragmentação/dicotomização e hierarquização que marcou a concepção do conhecimento entre as disciplinas, sendo capaz então, de proporcionar aproximações, relacionando-as entre si para uma maior compreensão e intervenção na realidade. Portanto, interdisciplinaridade se caracteriza por dois movimentos dialéticos: a problematização da situação, pela qual se desvela a realidade, e a sistematização dos conhecimentos de forma integrada”, defende.

Para concluir, ela recorda que, para Paulo Freire, a interdisciplinaridade é o processo metodológico de construção do conhecimento pelo sujeito com base em sua relação com o contexto, com a realidade e com a cultura.

O aprendizado no ambiente virtual

As Trilhas de Aprendizagem: Gamificação, PBL (Problem Based Learning), Sala de Aula Invertida e Portfólio vão discutir as estratégias de aprendizagens inovadoras. De acordo com a docente da Faculdade de Educação da PUC-Campinas, Profa. Dra. Fernanda de Oliveira Soares Taxa Amaro, a temática das Trilhas de Aprendizagem vai tratar do aprendizado no ambiente virtual, sendo que o professor tem a liberdade de escolher por onde quer começar a “trilhar” seu conhecimento. “Os conteúdos estão disponíveis na plataforma AVA e o professor pode escolher qual quer ver primeiro. São selecionados três textos básicos para o professor ler, além disso, foi montado um e-book e também são sugeridos outros três textos complementares, de forma que o professor é o grande sujeito do seu próprio aprendizado”, destaca.

Profa. Dra. Fernanda de Oliveira Soares Taxa Amaro é docente na Faculdade de Educação. / Crédito: Álvaro Jr.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Segundo a Profa. Dra. Fernanda de Oliveira Soares Taxa Amaro, no curso sobre Gamificação, por exemplo, o aprendizado será dinâmico e com incentivo. “À medida que você avança, vai ganhando pontos de habilidade. Já para o PBL, foram feitas entrevistas com os professores. Outra possibilidade de troca de experiências dentro da plataforma é o Mural de Práticas Docentes, espaço em que os docentes podem se comunicar e postar seus portfólios”, explica.

A autoaprendizagem é a palavra-chave das Trilhas de Aprendizagem que, para a Profa. Dra. Fernanda de Oliveira Soares Taxa Amaro, tem como ponto de reflexão a percepção do docente quanto ao uso do ambiente virtual. “Buscamos fazer um levantamento dos primeiros sentimentos e crenças que eles tiveram ao usar o espaço on-line”, finaliza.

 

1ª Mostra de Talentos da Graduação

Inovação, criatividade e excelência da produção de  Trabalho de Conclusão de Curso na PUC-Campinas.

A Pró-Reitoria de Graduação, por meio do Grupo de Trabalho-Trabalho de Conclusão de Curso (GT-TCC), procurou elementos na própria Universidade para elaborar um programa permanente de incentivo, valorização, reconhecimento e aperfeiçoamento das atividades de conclusão de curso:

A 1a Mostra de Talentos da Graduação, que ocorrerá nos dias 25 e 26 de abril de 2017, é um dos componentes de um amplo Programa Institucional de Valorização e Excelência do Trabalho de Conclusão de Curso da PUC-Campinas, que visa envolver alunos-orientandos, professores-orientadores, Faculdades e Centros da PUC-Campinas, familiares, organizações parceiras e o público em geral.

A Mostra pretende formar um ambiente institucional para divulgar as atividades de conclusão de curso das diversas Faculdades/Cursos da Universidade, respeitando-se as características de produção de cada área e saberes, valorizar as etapas de elaboração dos trabalhos finais de curso; incentivar a interdisciplinaridade e a troca de experiências multiprofissionais e fomentar oportunidades de parcerias entre Universidade e Sociedade.

Na 1a Mostra de Talentos da Graduação participarão os alunos concluintes de 2016 que, a critério de cada Curso ou Faculdade, tenham tido seu TCC aprovado pela banca avaliadora ou, na ausência desta, tenham atendido os critérios de aprovação definidos em cada Curso ou Faculdade. As contribuições podem ocorrer com TCC elaborados nas mais diversas modalidades e formatos, como Monografia, Artigo Científico, Relatório de Atividades Curriculares, Projeto Experimental e Produto.

A programação da 1a Mostra de Talentos da Graduação contará com a apresentação dos alunos concluintes, com palestras e oficinas direcionadas aos alunos que estarão cursando, no 1o semestre de 2017, disciplinas inseridas na temática de elaboração de trabalhos de conclusão de curso.

Outras informações e o Regulamento da Mostra podem ser encontrados no Edital – CIRCULAR PROGRAD no 051/2016, ou enviando mensagem para o endereço eletrônico (e-mail) cograd@puc-campinas.edu.br.

As inscrições dos trabalhos e a programação final acontecerão nos meses de fevereiro e março de 2017.

Não ensina quem não organiza e não organiza quem não planeja…

Na atividade docente o planejamento não tem valor menor nem ocorre em menor frequência que aulas, atividades laboratoriais, procedimentos de avaliação e de recuperação que recheiam nosso cotidiano acadêmico.

A rigor, ensinar pressupõe planejamento continuado de cada aula e de cada passo, ao longo de toda a jornada que nos dispomos a percorrer, juntamente com alunos e alunas, na direção do conhecimento.

Sabemos que a aula começa no dia anterior, nos preparativos, seleção de recursos e avaliação dos métodos que definimos para momentos e conteúdos determinados. Só então, nos sentimos seguros e confiantes para entrar em sala e, como costumamos dizer “dar uma boa aula”.

Docentes mais experientes conhecem a capacidade dos alunos para distinguir e reconhecer o professor que planeja e traz a aula organizada, com ponto de partida definido, percurso traçado e objetivo ancorando, solidamente, todo o processo.

O planejamento, que trazemos introjetado, na condição de professor e professora, tem dimensões diversas, desde o microuniverso de um exercício didático, até o macroplanejamento de todo um semestre letivo.

Ajustados a essas dimensões variadas estão o tempo dedicado e o envolvimento articulado de diversas pessoas. Normalmente conduzimos sozinhos e por conta própria o planejamento das nossas aulas, mas ao planejamento individual precedem instâncias mais amplas e coletivas, como a que nos compete fazer agora, nesta Semana de Planejamento Pedagógico.

Sob orientação da Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD), contando com a colaboração de pessoas com amplo conhecimento de pedagogia, didática e planejamento, atuando como um Corpo Docente com objetivos congruentes e valores similares, constituímos um grupo eficiente e capacitado para planejar os largos caminhos vislumbrados para o semestre entrante, que formam a base de orientação para todas as demais ações pedagógicas, até o final de junho.

Nesse sentido, o planejamento não é só exercício de orientação técnica, mas, também, contributo à segurança que queremos e precisamos na sala de aula.

Portanto, acima e além de quaisquer outras considerações, cabe lembrar que o Planejamento Pedagógico é tão importante para cada um de nós, como todos nós, participando ativamente, somo vitais para que o planejamento renda orientação segura e ferramentas eficientes, que vamos usar a cada dia letivo.

Boas-vindas a um semestre produtivo e compensador.

 

Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht

Reitora

Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários: 6º Encontro de Anual de Extensão Universitária

O 6º Encontro de Anual de Extensão Universitária da PUC-Campinas, realizado no dia 19 de setembro de 2016, evento promovido pela Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários, objetivou possibilitar aos alunos, bolsistas de Extensão, apresentar o desenvolvimento de seus Planos de Trabalho, iniciados em abril de 2016, e os principais resultados alcançados até este momento. Visou também promover reflexões qualificadas sobre temas pertinentes relacionados ao desenvolvimento de Projetos de Extensão junto aos docentes e discentes da Universidade.

Neste ano, a palestra de abertura do 6º Encontro de Anual de Extensão Universitária foi proferida pela docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), Profa. Dra. Henriette Tognetti Penha Morato. Dentre os vários temas tratados em sua exposição oral, destacaram-se os desafios em relação aos métodos de intervenção adotados nos projetos de Extensão. A partir da compreensão de que os procedimentos de intervenção devem ser submetidos e também definidos no cotidiano das ações de extensão, a Profa. Henriette Morato discorreu sobre vários exemplos de Projetos de Extensão em que o cotidiano das ações foi fundamental para o redirecionamento dos métodos de intervenção, assim como dos sentidos a eles atribuídos, seja pela equipe executora, seja pelo público-alvo. Os exemplos mencionados pela docente do Instituto de Psicologia da USP foram também bastante ilustrativos em termos da possibilidade de articular Extensão, Ensino e Pesquisa num processo de enriquecimento recíproco para todos os evolvidos.

No período da tarde, pelo terceiro ano consecutivo, as sessões de Comunicação Oral contaram com a presença de avaliadores externos, isto é, docentes convidados, provenientes de outras Universidades, que contribuíram com sua experiência para aperfeiçoar as atividades de Extensão desenvolvidas na PUC-Campinas. Em 2016, as apresentações orais dos 64 alunos bolsistas de Extensão foram avaliadas pelos seguintes professores: Profa. Dra. Andreia Osti (Departamento de Educação – Universidade Estadual Paulista – UNESP); Prof. Dr. Edison Duarte (Departamento de Estudos de Atividade Física Adaptada – Faculdade de Educação Física – Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP); Profa. Dra. Regina Helena Pires de Brito (Núcleo de Estudos Lusófonos do Programa de Pós-Graduação em Letras – Universidade Presbiteriana Mackenzie – MACKENZIE); Profa. Dra. Maria Aparecida Diniz Ehrhardt (Assessora da Pró-Reitoria de Extensão – Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP); Profa. Dra. Márcia Aparecida Lima Vieira (Faculdade de Ciências Humanas – Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP), além da já mencionada Profa. Dra. Henriette Tognetti Penha Morato.

A sexta edição do Encontro de Anual de Extensão Universitária trouxe também uma novidade em relação aos anos anteriores. Pela primeira vez, uma sessão de comunicação oral foi dedicada aos estudantes que participam dos grupos de aprendizagem do Programa de Educação Tutorial (PET) da Universidade.

Professores da PUC-Campinas: Determinação e vontade

Enquanto soldados disparavam armas letais durante o cerco alemão a Stalingrado, durante a Segunda Guerra Mundial, fotógrafos profissionais e amadores disparavam máquinas que registraram o cotidiano daquela cidade mergulhada em combates e batalhas. Uma dessas fotografias mostra, no cenário nevado do rigoroso inverno russo, entre escombros e prédios destruídos, uma professora sentada na sarjeta, segurando uma pequena lousa, cercada por alunos acocorados de frio, mas atentos à aula.

Ensinar e aprender, mostra a imagem, independem de lugar, instalações, equipamentos, recurso ou formalidade além da relação entre professor e aluno, pautada pela determinação daquele e pela vontade deste.

A História da PUC-Campinas, que neste ano comemora seu jubileu de diamante, está marcada por conquistas, iniciadas por visionários entusiasmados, reunidos como Faculdade, em acomodações modestas, que redundaram em uma das maiores e mais importantes instituições de ensino superior do País, contando aos milhares sua população acadêmica e a metragem das suas instalações.

Todavia, se os 75 anos de História da PUC-Campinas foram marcados por transformações diversas, permaneceu inalterada e viva a relação que une alunos e professores na busca do conhecimento.

Portanto, ao mesmo tempo em que a oficialidade dos registros marca efemérides importantes, celebradas e comemoradas nos eventos do 75o aniversário, cabe também celebrar e comemorar a relação que se estabeleceu no primeiro instante da primeira aula ministrada na Instituição, momento que tanto mais se afasta no tempo, mais permanece e mais se renova a cada aula, de todos os Cursos, em todos os campi, eternizando a relação que constitui a alma da Instituição, corporificada na determinação de ensinar de todos que foram e são professoras e professores da PUC-Campinas.

 

Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade

Integrando as comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade realizou de 7 a 10 de novembro de 2016 o Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”

 

Por Amanda Cotrim

O Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade” proporcionou um debate importante e cada vez mais necessário para a sociedade: a valorização do ser humano e o papel da Igreja diante desse tema. O evento, organizado pelo Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas, aconteceu no Auditório Cardeal Agnelo Rossi, no Campus I, e contou com conferências e mesas-redondas as quais discutiram temas como História e Conceitos Fundamentais, Justiça e Paz, Ciência, Fé e Transcendência, o Bem Comum e a Dignidade Humana e o Mundo contemporâneo.

A abertura do evento recebeu a Conferência “A Doutrina Social da Igreja: História e Conceitos Fundamentais”, ministrada pelo Bispo da Diocese de Jales, Dom José Reginaldo Andrietta, com mediação do Prof. Dr. Pe. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves.

O Bispo de Jales elogiou a iniciativa da PUC-Campinas em discutir o tema da Doutrina Social e ressaltou a importância da aproximação do mundo acadêmico com a realidade social, em todas as suas circunstâncias. Segundo ele, é nesse sentido que sua conferência contribui para pensar o papel da educação e da universidade.

Nos dias que se seguiram, os participantes também puderem acompanhar a Conferência do Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da PUC-Campinas, Dom Airton José dos Santos, a qual contou com a mediação do Prof. Dr. Peter Panutto, intitulada “A Doutrina Social da Igreja: Justiça e Paz”.

Na oportunidade, Dom Airton enfatizou a importância e a necessidade da universidade católica para o convívio social. “Precisamos pensar qual sociedade estamos construindo, para que ela, sim, seja digna do ser humano e não o contrário, pois todas as nossas ações devem ter em vista o ser humano, uma vez que o pensamento social da Igreja traz o humanismo como alicerce”, defendeu Dom Airton.

O Grão-Chanceler da PUC-Campinas também destacou que a justiça se mostra fundamental na contemporaneidade. Para ele, a justiça se exerce diante de pessoas concretas e não de protocolos. “Só há justiça quando há solidariedade e amor”, justificou.

O público também pode conferir a mesa-redonda “Ciência, Fé e Transcendência”, ministrada pelo Prof. Dr. Ir. Clemente Ivo Juliatto, da PUC-Paraná, e pelo Prof. Dr. Newton Aquiles Von Zuben, da PUC-Campinas, com mediação do Prof. Dr. Glauco Barsalini, da PUC-Campinas.

Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”  - Conferência – “A Doutrina Social da Igreja: História e Conceitos Fundamentais” Dom José Reginaldo Andrietta – Bispo da Diocese de Jales
Doutrina Social da Igreja foi o tema do Colóquio da PUC-Campinas/ Crédito: Álvaro Jr. 

O evento, segundo o Coordenador do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências da Religião, Prof. Dr. Pe. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves, realçou a relação Igreja e Sociedade, mostrando, assim, a tradição eclesial, confirmada no Concílio Vaticano II. “O tema do Colóquio toca em questões pertinentes do ponto de vista mundial, mas também nacional e local, como, por exemplo, o tema da paz, do trabalho, da propriedade privada e da liberdade religiosa. Além disso, o Colóquio teve um caráter interdisciplinar, pois a Doutrina Social da Igreja não se restringe a área da Teologia, mas aborda o Direito, a Economia, as Ciências Sociais, a Filosofia e a Comunicação”, destacou.

Direitos da pessoa humana

O Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade” trouxe para uma das suas mesas-redondas, um tema atual: a discussão sobre os direitos da pessoa humana no contexto dos processos migratórios internacionais. Para esse debate, a Universidade contou com a mesa-redonda “A Doutrina Social da Igreja: o Bem Comum e a Dignidade Humana”, com o Prof. Me. Paulo Moacir G. Pozzebon, da PUC-Campinas, e com Coordenador do Centro de Estudos Migratórios da Missão Paz e docente da Itesp-SP, Prof. Dr. Pe. Paolo Parise, com mediação do Prof. Dr. Pe. Edvaldo Manoel de Araújo, da PUC-Campinas.

Para o Professor Pozzebon, é preciso que os bens e serviços produzidos mundialmente sejam acessíveis a todos os seres humanos, ressaltando a importância do bem comum e os direitos do homem sobre os quais diz o Papa Francisco.

Na mesma linha, porém numa perspectiva específica da imigração, o Coordenador do Centro de Estudos Migratórios da Missão Paz da Igreja Católica criticou o que ele chamou de “lógica sanguessuga”, em que alguns países “sugam” outros em benefício próprio, fazendo referência à exploração da força de trabalho de imigrantes em todo o mundo. “Não podemos pensar que o imigrante é motivo dos problemas das nações, pois esse pensamento legitima a exploração”, destacou.

A última Conferência do Colóquio aconteceu no dia 9, com o tema “A Doutrina Social da Igreja e o Mundo Contemporâneo”, presidida pelo Prof. Dr. Pe. Marcial Maçaneiro, da PUC-Paraná, com mediação do Prof. Me. José Donizeti de Souza, da PUC-Campinas.

O Colóquio teve encerramento com a Celebração Eucarística, em comemoração aos 75 anos existência da Faculdade de Filosofia, presidida por Dom Airton José dos Santos, na Catedral Metropolitana de Campinas.

Para o Vice-Reitor da Universidade e integrante do Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas, Prof. Dr. Germano Rigacci Júnior, o Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade” conseguiu promover uma reflexão sobre sistemas, se relacionando, segundo ele, com a discussão sobre a Encíclica Ladauto Si’, tema discutido no Colóquio do primeiro semestre de 2016, também na PUC-Campinas

Criança, consumo e educação financeira

Por Eli Borochovicius

Muito se discute sobre educação financeira para crianças e jovens. Alguns argumentam tratar-se de um processo de adultização, outros de uma necessidade advinda de uma mudança da sociedade, transformada por questões econômicas, políticas, tecnológicas, culturais e sociais.

Quando uma menina calça os sapatos de salto alto da mãe e passa batom, pode ser considerado natural, uma brincadeira, mas quando a criança passa a ter hábitos de adultos, com o seu próprio sapato de salto alto e o seu kit de maquiagem, é que se manifesta o fenômeno de adultização, intimamente relacionado com as ofertas de produtos para o público infantil.

Em função de uma série de eventos históricos que modificaram as relações sociais, as crianças ficaram mais expostas à mídia. Os pais passaram a trabalhar em tempo integral, as mulheres ganharam espaço no mundo do trabalho, as separações ficaram mais comuns, a rua ficou mais violenta, os espaços públicos de convivência foram reduzidos e as crianças passaram a ficar mais tempo confinadas em casa, tendo como grande influenciador, a tecnologia.

O acrônimo KGOY traz como significado Kids Getting Older Younger, em tradução livre para o português, crianças ficam mais velhas mais jovens e sugere que elas estão amadurecendo mais rapidamente em função dos meios de comunicação.

Com o avanço da tecnologia, a televisão passou a receber também transmissão de canais por assinatura e acesso a serviços de streaming de vídeo, os computadores e celulares passaram a fazer parte do cotidiano infanto-juvenil e o contato mais próximo com a vida adulta foi inevitável.

A educação financeira viria então para preencher uma lacuna importante na vida moderna dessas crianças, estimuladas pelo consumismo desenfreado e pelo crédito fácil.

Visando contribuir para o fortalecimento da cidadania com ações que ajudem a população com o conhecimento do mundo das finanças é que surgiu em 2010, a Estratégia Nacional de Educação Financeira.

Sob a coordenação da Associação de Educação Financeira do Brasil foram desenvolvidos programas voltados às crianças a exemplo do Programa de Educação Financeira nas Escolas, cujo objetivo é contribuir para o desenvolvimento da cultura de planejamento, prevenção, poupança, investimento e consumo consciente nas futuras gerações de brasileiros. O programa foi pensado também para proporcionar a melhoria de desempenho dos alunos em Língua Portuguesa e Matemática.

Programas de educação financeira voltados para escolas privadas também já são oferecidos, com o diferencial de buscarem desenvolver não apenas o conhecimento financeiro, mas o senso de organização, respeito, responsabilidade, empreendedorismo, criatividade e autonomia.

A educação financeira veio para formar cidadãos conscientes, capazes de compreender e transformar a realidade, atuando na superação das desigualdades e do respeito ao ser humano. Se ainda não é contemplada nas grades curriculares das escolas, possivelmente, muito em breve, será necessário.

Prof. Me. Eli Borochovicius leciona Administração Financeira no curso de Administração da PUC-Campinas.