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Sustentabilidade e eficiência energética no Campus

Mais uma etapa do projeto Campi Inteligentes

Por Sílvia Perez

Na edição de maio do Jornal da PUC-Campinas, foi apresentado o projeto Campi Inteligentes, que é trabalhado em cinco dimensões sobre as quais os novos projetos estarão sendo desenvolvidos, são elas: Energia, Água e Resíduos, Mobilidade, Segurança e Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC).

A dimensão abordada fala de Energia, focando na participação da PUC-Campinas no PEE2016 da CPFL, cujo escopo do projeto foi da substituição da iluminação de todas as salas de aula e laboratórios dos dois Campi por lâmpadas a LED, que consomem 50% menos que as fluorescentes utilizadas; além da construção de uma pequena usina de energia fotovoltaica no Centro de Tecnologia, localizado no Campus I da Universidade.

Como os projetos não param por aí, é importante destacar o que está atualmente em andamento para a substituição das luminárias externas também pela tecnologia LED. Para se ter ideia da diferença, basta andar pela Avenida Dom Cardeal Agnelo Rossi (avenida principal do Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas – CCHSA), que já faz uso dessas luminárias. O projeto encontra-se em fase de teste técnico das luminárias que já podem ser vistas em diversos modelos na Avenida Reitor Benedito José Barreto Fonseca (entrada do Portão 2 – Campus I).

De acordo com o Diretor da Faculdade de Engenharia Mecânica, responsável pelo projeto, Prof. Dr. Marcos Carneiro da Silva, a substituição deverá melhorar a iluminação do local. “Essas luminárias passaram por um avanço tecnológico importante e, hoje em dia, têm capacidade para cerca de 150 lumens por watts, isso significa que as áreas ficarão mais bem iluminadas”, explica.

Outro projeto interessante, que está em fase inicial, prevê rotas de segurança com luminárias LED que não precisam de ligação com a rede de energia. Isso porque elas possuem uma placa fotovoltaica que carrega um conjunto próprio de baterias, durante o dia, que garantirá o acendimento da luminária durante a noite. Essas luminárias terão uma altura menor, possibilitando uma potência melhor da lâmpada de LED e, consequentemente, uma maior duração da bateria.

Segundo o Prof. Dr. Marcos Carneiro da Silva, a mudança trará outro benefício. “Estamos dimensionando uma luminária que permitiria desligar toda a iluminação de segurança do Campus I, que utiliza energia da CPFL, resultando em uma economia muito significativa”, explica.

Para o futuro, ainda serão estudadas as possibilidades para a geração alternativa com a utilização de gás natural nos horários de ponta, nos quais o custo da energia é mais caro e, também, a verificação do potencial eólico do Campus, no entanto, essa última opção, possivelmente, deve ser estudada apenas para fins acadêmicos.

 

Campi Inteligentes: Conheça o Projeto da PUC-Campinas para tornar seus Campi mais modernos e sustentáveis

Por Sílvia Perez

Provavelmente você já ouviu falar em “Cidades Inteligentes”, o tema inclusive foi abordado na edição passada do Jornal da PUC-Campinas, mas você já parou para pensar que o Campus também pode ser trabalhado com o intuito de se tornar “inteligente”? Para introduzir o assunto, devemos lembrar que não é o espaço físico que é “inteligente”, mas, sim, as pessoas que o projetam, constroem, operam, mantêm e vivem nele. A ideia básica é de que espaços para serem caracterizados como “inteligentes” fazem uso de novas tecnologias com o objetivo de melhorar a vida das pessoas que os ocupam, bem como procuram transformá-los em locais sustentáveis contribuindo para uma vida melhor para as gerações futuras.

Muito embora este tema tenha enorme amplitude permeando praticamente todos os principais problemas encontrados dentro de uma cidade, do ponto de vista da tecnologia utilizada existe uma concentração significativa na área de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) utilizando-a como ferramenta capaz de emprestar algum tipo de “inteligência” à mitigação dos problemas abordados.

Dessa forma, sensores, softwares inteligentes, redes de comunicação com grande capacidade e capilaridade constituem o cerne da nova forma de se enfrentar as crescentes dificuldades existentes em nossas cidades na área de mobilidade urbana, de energia, de geração e coleta de resíduos, entre outras. O advento da Internet of Things (IoT) contribuirá para a promoção e difusão desse arsenal de tecnologias colocando a robótica e a automação como instrumentos primordiais na redução de desperdícios e melhoria nas condições de vida dos seres humanos.

Nos Campi da PUC-Campinas circulam, diariamente, quase 30 mil pessoas e enfrentam situações e problemas similares aos encontrados externamente. Assim, criar novas abordagens para os problemas, bem como utilizar abordagens semelhantes àquelas que serão ou estão sendo testadas nas cidades inteligentes constituem-se oportunidades interessantes para os alunos, professores e funcionários da Instituição, de conviverem com esses problemas e soluções os quais permearão, com certeza, muitas discussões no futuro.

Houve uma seleção de cinco dimensões sobre as quais novos projetos estarão sendo desenvolvidos dentro do projeto “guarda-chuva”, Campi Inteligentes, são elas: Energia, Água e Resíduos, Mobilidade, Segurança e TIC. A PUC-Campinas, por meio de sua Pró-Reitoria de Administração (PROAD), vem suportando os Campi Inteligentes com uma preocupação constante de inovar na tratativa dos problemas enfrentados e buscar atingir os principais objetivos do projeto, aumentar a sustentabilidade dos espaços e melhorar a vida da comunidade.

Nesta reportagem será abordada apenas a dimensão da Energia. Esse é um assunto que estará cada vez mais presente no cotidiano das pessoas. São questões fundamentais: a necessidade crescente da sociedade por energia com a sua evolução; a importância de ampliar a participação das fontes renováveis dentro das matrizes energéticas dos países; a a melhor eficiência do consumo; e o aumento do controle sobre o consumo de energia buscando a redução dos custos produtivos.

Nesse cenário, o principal objetivo é transformar o insumo energia num produto gerenciável dentro dos Campi. Simplificadamente, gerenciar esse insumo significa estabelecer novos processos que permitam: reduzir o seu consumo sem qualquer tipo de perda no serviço prestado; ampliar a sua oferta principalmente por meio de fontes renováveis; rever a aquisição de energia elétrica das concessionárias: reduzir perdas nas redes; e educar as comunidades sobre o uso da energia. Diversos projetos estão em andamento a fim de perseguir esse objetivo. Serão tratados apenas dois, um pelo lado da oferta e outro pelo lado da demanda.

Falando pelo lado da demanda, o principal uso final da energia na Universidade é a iluminação. Duas vertentes são importantes nesse contexto: a primeira, tecnológica, é reduzir o consumo das lâmpadas e a segunda, educacional, é de não deixar iluminados, sempre que possível, ambientes sem a presença de pessoas.

Partindo desse conceito, a PUC-Campinas elaborou um projeto para participar do Programa de Eficiência Energética 2016 da CPFL Energia, o qual foi contemplado. Ele prevê a substituição de 15.500 lâmpadas fluorescentes por lâmpadas de LED nos prédios acadêmicos dos Campus I e II. Essa substituição deverá reduzir em 50% o consumo de energia utilizada para iluminar esses prédios e em mais de 90% o custo de manutenção dos próximos cinco anos. Além disso, a substituição provocará uma melhoria da iluminação desses locais ampliando o fluxo luminoso médio.

De acordo com o Diretor da Faculdade de Engenharia Mecânica, que encabeça o projeto, Prof. Dr. Marcos Carneiro da Silva, a lâmpada fluorescente comum tem de catálogo, uma vida útil de 10 mil horas, no entanto, na prática durante essa vida útil, ela sofre desde cedo perdas significativas na sua capacidade de iluminar obrigando a sua substituição em um número de horas muito inferior à prevista inicialmente. Já as lâmpadas de LED tem duração prevista de 40 mil horas, mantendo mais de 70% da capacidade luminosa. “Além da economia que isso representa em termos de consumo de energia, o projeto junto à CPFL também prevê colaborar para a educação no consumo de energia, por meio de palestras para a comunidade universitária. Além disso, os professores também estão comprometidos a passar a ideia adiante para os alunos em sala de aula”, destaca.

A substituição das lâmpadas já começou e todo processo deve ser concluído até junho de 2017. No Campus II, o trabalho está praticamente 100% pronto, no Campus I, a entrada do CEATEC, conhecida como Cabine 8, está em 95% e a Cabine 1 que abrange a área dos prédios H, está em 10%.

É importante destacar que a PUC-Campinas possui mais de 20 mil lâmpadas instaladas em seus Campi, esse projeto abrange a troca por lâmpadas mais eficientes nos prédios acadêmicos da Universidade, ficando as áreas administrativas para serem substituídas a médio e longo prazo.

Usina Fotovoltaica

Mais uma inovação do projeto “Campi Inteligentes” é a construção de uma Usina Fotovoltaica no Campus I, essa usina terá potência de 12,5 kWp, geração máxima de energia da usina, de acordo com a posição do sol.

A previsão é de que essa Usina Fotovoltaica da PUC-Campinas entre em operação em 31 de maio deste ano e vai gerar o suficiente para iluminar todas as salas de aula do Centro de Tecnologia e 60% das salas de aula do prédio H15, fato que foi possível pela utilização da iluminação com tecnologia LED.

“A instalação da Usina foi inovadora, pois criou um laboratório para os cursos do Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de Tecnologias (CEATEC) embaixo das placas solares. Esse projeto realizado pelos docentes do Curso de Arquitetura e Urbanismo, Caio Ferreira e Wilson Barbosa Neto, foi tão feliz que a maquete é fotografada por todos os fornecedores de painéis solares que nos visitam, sendo classificada como uma ideia muito inovadora. Nesse laboratório, os alunos vão poder ver como funciona e saber mais sobre geração de energia fotovoltaica, bem como estão sendo preparadas informações interessantes também para os visitantes”, explicou o Prof. Dr. Marcos Carneiro da Silva.

Projetos Interligados

Segundo Silva, quando a Usina foi pensada, a ideia inicial era de que pudesse suprir apenas a iluminação do Centro de Tecnologia, no entanto, com o projeto de substituição das lâmpadas dos prédios acadêmicos, foi possível expandir o alcance da Usina Fotovoltaica para mais 60% do prédio H15.

“Esse é o primeiro passo nesse sentido, mas o objetivo é ainda fazer muito mais para garantir a modernização e sustentabilidade nos Campi, ampliando inclusive a produção de energia solar no futuro”, concluiu o docente.