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Retrospectiva PUC-Campinas 2016

O ano de 2016 da PUC-Campinas foi de muitas conquistas e comemorações. Em junho, a Universidade celebrou seus 75 anos de fundação, fato que rendeu inúmeras comemorações ao longo do ano. Porém, como não é possível falar sobre tudo que a Universidade promoveu, elencamos os principais acontecimentos que foram notícia

Por Amanda Cotrim

Em maio, a PUC-Campinas realizou o Colóquio Laudato Si’: Por uma Ecologia Integral, que contou com a presença do Magnífico Reitor da PUC-Rio, Prof. Dr. Pe. Josafá Carlos de Siqueira. O tema escolhido foi baseado na Encíclica do Papa Francisco, “Laudato Si’: sobre o cuidado da Casa Comum”, que apresenta texto sobre a ecologia humana; o primeiro documento escrito integralmente pelo Papa Francisco, que buscou inspiração nas meditações de São Francisco de Assis, patrono dos animais e do meio ambiente.

Restauro do Solar do Barão, antigo Campus Central.
Restauro do Solar do Barão, antigo Campus Central.

O ano de 2016 também foi importante, pois a Universidade anunciou o restauro do Solar do Barão, antigo Campus Central. A iniciativa será possível em razão do financiamento coletivo, que se dará tanto por pessoa jurídica e física, quanto por edital de fomento. Diante da responsabilidade cultural que a legislação orienta, a PUC-Campinas observa que a preservação do patrimônio cultural é uma obrigação de toda a sociedade civil.

A Universidade foi destaque no Guia do Estudante de 2016, ficando entre as melhores universidades, segundo a avaliação realizada pelo Guia do Estudante. Ao todo, a Instituição teve 33 cursos estrelados, que constarão na publicação GE Profissões Vestibular 2017. A publicação estará nas bancas a partir do dia 14 de outubro de 2016. A Universidade recebeu 120 estrelas, tendo os cursos de Direito e Pedagogia avaliados com cinco estrelas, considerada a mais alta.  Além destes, 17 cursos, foram estrelados com quatro estrelas.

Nos 75 anos da PUC-Campinas, o Jornal da Universidade também foi especial, pois resgatou vários acontecimentos históricos que marcaram a instituição. A edição comemorativa do Jornal da PUC-Campinas resgatou fatos e pessoas que se destacaram em 75 anos de História, bem como abriu espaço para manifestações diversas sobre o significado dessa História para os tempos presente e futuro da Universidade. Esse movimento reafirmou e confirmou que, nos seus diferentes modos de ser e fazer, com variados recursos, incluindo os mais atuais e modernos, de perfil informatizado, a comunicação destacou-se como preocupação precípua e valor de primeira grandeza da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

A instituição também reconheceu e homenageou os Docentes Pesquisadores da PUC-Campinas, evento que fez parte das Comemorações aos 75 anos de fundação da Universidade.

Semana Monsenhor Salim: Integrando as comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade, por meio do Museu Universitário e da Faculdade de História, promoveu a Semana Monsenhor Dr. Emílio José Salim, de 13 a 17 de junho, no Campus I. Em meio a palestras com mediadores e rodas de conversa, que abordaram temas como “Década de 1940: o surgimento das Faculdades Campineiras”, “Monsenhor Dr. Emílio José Salim e o seu tempo (1941 a 1968)”, “Memórias e Convivências”, a PUC-Campinas buscou refletir sobre a conjuntura nacional e internacional, no período de atuação de seu primeiro Reitor, Monsenhor Dr. Emílio José Salim. Corpo e alma da Instituição desde o seu nascedouro, e à época, uma das maiores autoridades de Ensino Superior do País, o Monsenhor Dr. Emílio José Salim foi peça chave da organização da maioria dos cursos superiores da Igreja nas décadas de 40 e 50. Tornou-se o principal esteio do projeto de implantação das Faculdades Campineiras e seu primeiro Reitor, entre os anos de 1958 a 1968.

40 anos de reconhecimento: No ano do Jubileu de Diamante da PUC-Campinas, a Faculdade de Ciências Contábeis comemorou os 40 anos de Reconhecimento do Curso.

Destaque na Extensão: a PUC-Campinas foi destaque no Congresso Brasileiro de Extensão Universitária (CBEU), o maior e principal encontro brasileiro da área de Extensão. Em 2016, em sua sétima edição, o Congresso aconteceu na Universidade Federal de Ouro Preto, no mês de setembro. A Universidade teve destaque no evento ao participar com 12 comunicações orais e 23 pôsteres, totalizando 35 apresentações.

Alunos e professores se destacaram: A Universidade, em 2016, comemorou muitas conquistas junto aos seus alunos, como a Parceria com a CPFL Energia e Dell, a qual possibilitou que os estudantes do curso de Engenharia Elétrica da PUC-Campinas, por meio da disciplina “Práticas de Engenharia”, ministrada pelo Prof. Dr. Marcos Carneiro e pelo Prof. Me. Ralph Robert Heinrich, participam do “Projeto Residência Tecnológica”, considerado um exercício inovador de ensino-aprendizagem.

Ainda na Engenharia Elétrica, o aluno Giordano Muneiro Arantes venceu em primeiro lugar Prêmio Melhor Trabalho de Conclusão de Curso, com o trabalho “Sensores para melhoria na locomoção de pessoas com deficiência visual”. Outro aluno premiado foi o estudante de Jornalismo da PUC-Campinas, Ricardo Domingues da Costa Silva, que venceu o 19º prêmio FEAC de Jornalismo, na categoria Produto Universitário, assim como Jhonatas Henrique Simião, de 22 anos, que ficou em primeiro lugar no 9º Prêmio ABAG/RP de Jornalismo “José Hamilton Ribeiro”.

Em 2016, a Profa. Dra. Maria Cristina da Silva Schicchi, docente do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da PUC-Campinas foi outorgada com o Prêmio ANPARQ 2016, da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, na categoria Artigo em Periódico, pela publicação “The Cultural Heritage of Small and Medium- Size Cities: A New Approach to Metropolitan Transformation in São Paulo-Brazil”, editado na traditional Dwellings and Settlements Review (v. XXVII, p. 41-54, 201).

Semana Cardeal Agnelo Rossi: Integrando às comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade, por meio do Museu Universitário e da Faculdade de História, promoveu a Semana Cardeal Agnelo Rossi, em setembro de 2016. A Instituição reuniu a comunidade universitária e a sociedade em geral e homenageou o Cardeal Agnelo Rossi, que ajudou a consolidar os alicerces da PUC-Campinas.

Outorga do Título Doutor Honoris Causa ao prof Dr José Renato Nalini - Lançamento do livro Cardeal Agnelo Rossi
Outorga do Título Doutor Honoris Causa ao prof Dr José Renato Nalini – Lançamento do livro Cardeal Agnelo Rossi

A PUC-Campinas também viveu dois momentos muito importantes em 2016: outorgou o título de Doutor Honoris Causa ao Professor Doutor José Renato Nalini, formado em Direito pela PUC-Campinas, Mestre e Doutor em Direito Constitucional pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Leciona desde 1969, quando iniciou suas atividades no Instituto de Educação Experimental Jundiaí (atual E.E. Bispo Dom Gabriel Paulino Bueno Couto) dando aula de Sociologia em aperfeiçoamento para professores. Desde então, nunca mais deixou de lecionar.

A Instituição também foi palco da terceira edição do projeto “Palavra Livre – Conscientização Política no Processo Eleitoral”, com sabatina aos candidatos à Prefeitura e à Câmara de Vereadores de Campinas, no mês de setembro. O projeto “Palavra Livre” acontece desde 2005 e promove debates democráticos sobre temas diversificados da atualidade. Em 2008, como parte do projeto, foi realizada a primeira Sabatina com candidatos à Prefeitura de Campinas, o que se repetiu em 2012 e em 2016.

Dom Gilberto participa da Semana em sua homenagem
Dom Gilberto participa da Semana em sua homenagem

Semana Dom Gilberto: Integrando às comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade promoveu a Semana Dom Gilberto Pereira Lopes, em outubro, reunindo comunidade universitária e a sociedade em geral, homenageando o Bispo Emérito de Campinas Dom Gilberto Pereira Lopes, que atuou como Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da Pontifícia Universidade Católica de Campinas no período de 1982 a 2004. A homenagem mostrou o histórico trabalho de Dom Gilberto frente à Arquidiocese de Campinas e à PUC-Campinas e prestou agradecimento pela sua dedicação e amor para com a Universidade e para com o seu povo.

Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”: Integrando às comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade realiza de 07 a 10 de novembro de 2016 o Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”. O evento foi organizado pelo Núcleo de Fé e Cultura e teve o objetivo de discutir a Doutrina Social da Igreja, por meio de conferências e mesas-redondas.

Uso de Softwares e Aplicativos por Crianças – Benefícios ou Riscos?

Por Sílvia Cristina de Matos Soares

A tecnologia, atualmente, faz parte do cotidiano das pessoas. A sua utilização pode facilitar o processo de construção do conhecimento e o desenvolvimento de habilidades e competências, necessárias para o momento em que vivemos, na chamada Sociedade da Informação.

É por meio da informação que nós, humanos, construímos o nosso conhecimento e realizamos os nossos projetos. Assim, a informação pode ser obtida a partir de diversas fontes. Uma dessas fontes é a tecnologia, mais especificamente os Sistemas de Informação, os Aplicativos e os softwares em geral.

A exploração desse mundo tecnológico pelo ser humano, tem início muito cedo. É fato que os computadores, os tablets e os celulares são utilizados por crianças, até mesmo na primeira infância. Isso faz surgir dúvidas sobre esse uso. É benéfico ou prejudicial à saúde e ao desenvolvimento da criança?

Ainda não existe um consenso sobre o assunto, mas podemos discutir, resumidamente, alguns pontos relacionados a ele para gerar algumas reflexões e possibilitar que os envolvidos com essa situação possam tomar algumas decisões.

Sabemos que os pais e os educadores têm um importante papel na educação e no desenvolvimento da criança, porém qual o nível de conhecimento sobre o mundo tecnológico que eles têm? Eles precisam ser educados sobre o uso dos Sistemas de Informação, dos Aplicativos e dos softwares, para que possam tirar proveito de seu uso e orientar as crianças. É importante definir, claramente, os objetivos para o seu uso e quais são as vantagens, para a criança, em utilizar a tecnologia. Os aspectos relacionados à segurança também precisam ser analisados, como por exemplo, não expor os dados pessoais da criança na internet, observar a criança enquanto ela utiliza a tecnologia, orientá-la para que não converse com estranhos, entre outros.

Por outro lado, os profissionais formados em Engenharia de Software ou Sistemas de Informação, por exemplo, precisam pensar em desenvolvimento de software, de Sistemas de Informação e de Aplicativos considerando os benefícios que podem trazer às crianças.

Alguns exemplos podem ser citados: auxílio no desenvolvimento motor, no processo de alfabetização, na interação em ambientes dinâmicos e colaborativos, na exploração do mundo, das cores, na aproximação entre culturas geograficamente distantes, entre outros. Muitos pesquisadores sobre o assunto acreditam que a tecnologia é mais um instrumento que pode ser utilizado para favorecer a construção efetiva do conhecimento e a realização, por parte das crianças, de seus projetos ao longo da vida.

O fato de as crianças utilizarem a tecnologia pode trazer algumas preocupações, mas os benefícios podem ser muito maiores se os Aplicativos ou Sistemas de Informação forem selecionados apropriadamente à criança e se forem utilizados em paralelo com as experiências concretas, brincadeiras, leituras de livros, atividades em família e não em substituição a elas.

A tecnologia está presente no mundo das crianças desde o momento de seu nascimento. Cabe aos pais e aos educadores orientá-las e educá-las nesse processo de conhecimento e interação que pode proporcionar novas descobertas e novos desenvolvimentos. Como sempre, a educação é o ponto de partida para qualquer evolução.

Profa. Me. Sílvia Cristina de Matos Soares é Diretora dos Cursos de Graduação: Sistemas de Informação, Engenharia de Software e Tecnologia em Gestão da Tecnologia da Informação.

Uma boa ideia precisa ser útil?

Por Amanda Cotrim

Uma boa ideia só será comprovadamente “boa” se for útil para a sociedade? A ciência precisa, necessariamente, ter uma utilidade para as pessoas? A resposta para essas duas questões pode ser sim, se considerarmos que a utilidade é um ingrediente para que o homem expanda sua interpretação sobre o mundo e sobre si. Mas a resposta também pode ser não, se a utilidade for atrelada a um valor econômico. “A Ciência propõe soluções para os problemas da vida, do meio ambiente, da sociedade. Esses seriam os ideais nobres da Ciência. Mas sabemos que o desenvolvimento da Ciência está associado, também, a interesses econômicos, militares, estratégicos de países, de grupos políticos, etc”, reflete o Pesquisador em Filosofia da PUC-Campinas, Prof. Dr. Douglas Ferreira Barros. Que continua: “No entanto, é preciso pensar que uma parte da Ciência só tem razão de ser quando ela não se preocupa com o princípio de ‘utilidade’, o que lhe garante, em certo sentido, a liberdade de pensar e expandir o conhecimento”.

Prof. Dr. Douglas Ferreira Barros- Crédito: Álvaro Jr.
Prof. Dr. Douglas Ferreira Barros- Crédito: Álvaro Jr.
Prof. Dr. Arlindo Gonçalves Jr- Crédito: Álvaro Jr.
Prof. Dr. Arlindo Gonçalves Jr- Crédito: Álvaro Jr.

Para o Doutor em Filosofia e docente da Universidade, Prof. Dr. Arlindo Gonçalves Jr, diferenciar o conceito de “utilidade” ajuda a compreender o papel da ciência e da tecnologia na sociedade brasileira atual. “O desenvolvimento da Ciência se dá por meio de um método rigoroso e sistemático; é nesse método que encontraremos a primeira instância da tecnologia, como um meio para o seu desenvolvimento e intervenção”, explica. O Pesquisador Barros complementa que a tecnologia tem a finalidade de aplicação em determinado fenômeno social, a exemplo das Engenharias.

“A tecnologia pode viabilizar o conhecimento científico, como aconteceu com o projeto Genoma, no qual o uso da tecnologia foi fundamental para o desenvolvimento da ciência”, exemplifica o Diretor da Faculdade de Ciências Biológicas da PUC-Campinas e Doutor em Biologia, Professor Edmilson Ricardo Gonçalves. “Dessa forma, ao mesmo tempo em que sem a tecnologia a ciência muitas vezes não consegue avançar, os conhecimentos científicos impulsionam a tecnologia para determinada direção, com o objetivo de contribuir para as necessidades da ciência”, completa. Quem também compartilha dessa relação promissora entre tecnologia e ciência é o Doutor em Engenharia Elétrica e Computação, Professor Carlos Miguel Tobar Toledo: “Não existe tecnologia sem ciência. A tecnologia é fundamental para a realização de pesquisas e para que haja produção de mais conhecimentos científicos”.

O Papel das Pesquisas Básicas

Prof. Dr. Edmilson Ricardo Gonçalves- Crédito: Álvaro Jr.
Prof. Dr. Edmilson Ricardo Gonçalves- Crédito: Álvaro Jr.

Para que o conhecimento científico e tecnológico se desenvolva são fundamentais as chamadas “pesquisas básicas”, isto é, conhecimentos originais que contribuem para o desenvolvimento da ciência, seja para ampliar suas próprias possibilidades ou para a revisão dos seus fundamentos. “As pesquisas básicas geram conhecimentos que podem ser aplicados, mas não necessariamente o são. A doença precisa de um diagnóstico, mas, antes disso, é necessário entender a doença, que é básica. Só com o conhecimento básico é que é possível desenvolver uma técnica para diagnosticar a doença”, explica o Diretor da Faculdade de Ciências Biológicas. “A principal característica da pesquisa básica é que ela está interessada em ampliar os horizontes sobre determinados fatos, fenômenos e dados. Não necessariamente tem uma finalidade aplicativa. Sua razão de existir é para ampliar as fronteiras do conhecimento estabelecido”, explica o Pesquisador Douglas Barros.

Seja o conhecimento básico ou complexo, é possível aplicar o conhecimento científico na vida das pessoas, de forma concreta; essa é uma das funções das ciências aplicadas, que possuem, por sua vez, “uma relação estreita com a produção de tecnologias, sendo seus métodos mais de natureza empírico-experimental”, complementa Arlindo Gonçalves Jr. Um exemplo é o Direito, considerado uma ciência aplicada, mas fomentada por áreas como filosofia, história e política.

Para o Diretor da Faculdade de Ciências Biológicas, é compreensível que a população de modo geral ache a ciência algo abstrato. No entanto, quando a tecnologia é aplicada no dia a dia das pessoas, segundo ele, a sociedade consegue enxergá-la melhor e percebe a sua importância. “Mas isso não quer dizer que por trás não exista uma pesquisa básica e teórica que embasou aquela tecnologia. Ela só não é possível ser vista. Mas existe”, acrescenta. “O trabalho dos cientistas pode ser estar isolado, mas nunca uma pesquisa científica está isolada de um contexto maior, no qual a Ciência se insere no mundo contemporâneo”, ressalta o Filósofo Barros.

A Sociedade e o Conhecimento Científico

Os sentidos de Ciência e Tecnologia são sempre em relação a determinada sociedade. O Brasil, para Gonçalves Jr, ainda não pode ser considerado um país científico, “pois para isso precisaria investir em um modelo suficientemente crítico da própria ciência, a fim de contribuir para o seu desenvolvimento”.

O mais importante, na opinião do professor Gonçalves Jr, é pensar qual é o papel de um país mais tecnológico ou mais científico, no mundo. Países em desenvolvimento e historicamente periféricos, como é o Brasil, sem o impulso de pesquisa básica e aplicada podem contribuir para uma hegemonia de países mais industrializados, sustentada nos poderes econômico, bélico e científico e associado à pesquisas chamadas “de ponta”. “Nesse sistema de tipo “neocolonialista” em termos científicos, o papel de um país “mais tecnológico” e “menos científico” é o de atender demandas que não são as mais urgentes, criar instrumentos, ser criativo sobre os aspectos que não reflitam o aprimoramento da educação dos cidadãos, e, sobretudo, tornar-se consumidor. Caminhamos para atender a uma sociedade globalmente “tecnologizada” em todas as esferas da vida”, critica. “O problema é quando essa imposição reflete a perpetuação da desigualdade”, acrescenta.

Prof. Dr. Carlos Miguel Tobar Toledo- Crédito:
Prof. Dr. Carlos Miguel Tobar Toledo- Crédito: Álvaro Jr. 

A Ciência deve sempre se voltar para as demandas da sociedade, nesse sentido, uma boa ideia precisa ser útil. “Esse é o foco da ciência, o conhecimento dos fenômenos do universo para o benefício da sociedade. O conhecimento científico tem que ser, por natureza, público”, reitera o professor Toledo, Doutor em Engenharia Elétrica e Computação.

Sinalizador eletrônico promove autonomia da pessoa com deficiência visual

Soluções de engenharia elétrica para pessoas com deficiência visual fazem parte do Projeto de Extensão da PUC-Campinas em parceria com a Pró-Visão

Por Amanda Cotrim

Estimular a sensibilidade e proporcionar a autonomia da pessoa com deficiência visual são os objetivos do Projeto de Extensão da Universidade, “Soluções de Engenharia Elétrica de apoio e melhoria da qualidade de vida de deficientes visuais”, coordenado pelo Prof. Dr. Amilton da Costa Lamas em parceria com a instituição Pró-Visão, de Campinas. O Professor Lamas e o aluno bolsista Lucas P. Hubert desenvolvem soluções criativas e práticas que podem ser adaptadas no dia a dia das pessoas com deficiência visual, como o uso de sinalizador eletrônico que propicia, entre outros, o aumento do senso de localização e promove a autonomia da pessoa com deficiência. Segundo dados do senso realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 23,9% da população brasileira tem algum tipo de deficiência visual.

A Universidade oferece o conhecimento técnico e a instituição o conhecimento específico- Crédito: Arquivo
A Universidade oferece o conhecimento técnico e a instituição o conhecimento específico- Crédito: Arquivo

“Os estudantes são desafiados a pensar em soluções com tecnologia simples, o que é um imenso desafio”. 

“Desenvolvemos um artefato, no qual a pessoa com deficiência, assistida pela Pró-Visão, é desafiada a encontrar os objetos distribuídos aleatoriamente na piscina. O projeto é desenvolvido em parceria com os técnicos especializados da Instituição, que depois replicarão o artefato e trabalharão com as pessoas com deficiência visual. Esse tipo de sinalizador pode ser fabricado com qualquer outro material que a pessoa tem dentro de casa, como um pote de maionese, que pode carregar o dispositivo baseado em engenharia eletrônica”, comenta o Coordenador. O sinalizador eletrônico emite som, vibra e também emite luz, auxiliando as pessoas que têm visão subnormal (não totalmente cego).

Com o aplicativo, a pessoa com deficiência visual registra o nome do produto de sua preferência pela voz

Para Lamas, o Projeto de Extensão “é uma grande simbiose de conhecimento”. A Universidade oferece o conhecimento técnico e a instituição oferece o conhecimento específico sobre as necessidades da pessoa com deficiência visual. Por parte da PUC-Campinas, os alunos de Extensão desenvolvem o projeto baseados em conhecimentos de eletrônica básica e circuitos digitais. “Os estudantes são desafiados a pensar em soluções com tecnologia simples, o que é um imenso desafio. Além disso, têm de abrir mão do “engenheres” (uso de jargão tecnológico) e usar uma linguagem acessível”, aponta Lamas. Ao todo, o Projeto de Extensão trabalha com 10 técnicos da Pró-Visão e 30 pessoas com deficiência visual.

O aplicativo do celular detecta e identifica o produto, auxiliando a pessoa com deficiência- Crédito: Arquivo
O aplicativo do celular detecta e identifica o produto, auxiliando a pessoa com deficiência- Crédito: Arquivo

 Localizador de objetos

O Projeto de Extensão também desenvolveu um aplicativo baseado na tecnologia Near Field Communication (NFC) para celulares com Andróide. O aplicativo auxilia a pessoa com deficiência visual a se localizar e identificar objetos e suas características. O sistema desenvolvido pode auxiliar na busca por livros em bibliotecas e em produtos nos supermercados, entre outros. Com o aplicativo, a pessoa com deficiência visual registra o nome do produto de sua preferência pela voz; o aplicativo detecta e identifica o produto e auxilia o deficiente a localizá-lo no ambiente.

O Coordenador explica que o Near Field Communication (NFC) é um conjunto de padrões de comunicação de rádio entre dois dispositivos em uma distância relativamente curta, envolvido por um campo magnético que permite a troca de informações. Por meio das etiquetas dos produtos, o sistema identifica as características do mesmo e gera informação em áudio para a pessoa com deficiência visual. Para que o sistema funcione, o estabelecimento precisa utilizar etiquetas NFC nos produtos.

Semáforo especial

Outro dispositivo produzido dentro do Projeto de Extensão é o semáforo especial. “Ele foi desenvolvido para que a pessoa com deficiência, fazendo uso do seu celular, aproxime o dispositivo do semáforo e receba informação sonora sobre o estado do semáforo (aberto ou fechado para o tráfego), orientando se é possível ou não atravessar a rua”, explica Lamas. A pessoa com deficiência é sinalizada sobre o tempo que ela tem para iniciar ou finalizar a travessia por meio da variação da frequência do sinal auditivo.

Então técnica da Pró-Visão experimenta o “Semáforo inteligente”- Crédito: Arquivo
Então técnica da Pró-Visão experimenta o “Semáforo inteligente”- Crédito: Arquivo

Segundo Lamas, todos os conhecimentos adquiridos no curso de Engenharia Elétrica da PUC-Campinas são aplicáveis no desenvolvimento dos artefatos. “As tecnologias aplicadas são testadas e validadas com o público-alvo. São procedimentos simples e necessariamente baratos. Nós desenvolvemos a engenharia, juntamente com os técnicos da Pró-Visão e depois, após a apropriação das técnicas, eles replicarão esse conhecimento com as pessoas com deficiência e seus familiares. O semáforo especial é uma solução simples que pode ser viabilizada pelo poder público, por exemplo, com pouco recurso financeiro” finaliza.

 

 

Pesquisa soluciona gargalo em sistemas de telecomunicação

Método identifica falhas e reduz 96% das queixas 

Por Amanda Cotrim

Com a crescente dependência de empresas em relação às redes de computadores – com as videoconferências, telepresenças e o monitoramento por câmeras de seguranças, entre outros -, os incidentes no sistema de telecomunicação podem gerar inúmeros prejuízos para as empresas. Pensando em conter esse quadro, um estudo realizado por alunos do curso de mestrado em Gerência de Rede de Telecomunicações, da Faculdade de Engenharia Elétrica, da PUC-Campinas, desenvolveu um método que mapeia e trata os incidentes no sistema de telecomunicações, de modo que a empresa possa antever o problema, se preparar e evitar que ele ocorra novamente. “Com o crescimento acelerado da concorrência entre as empresas e negócio, garantir um mecanismo que evite e trate problemas pode representar vantagem no mercado”, explica o pesquisador do estudo, Almir Carlos da Silva.

Crédito: Arquivo Pessoal Almir Carlos da Silva, autor do estudo/ Arquivo Pessoal
Crédito: Arquivo Pessoal
Almir Carlos da Silva, autor do estudo/ Arquivo Pessoal

A pesquisa selecionou um dos clientes da provedora de serviços de telecomunicação, que detém 80% do mercado mundial na área em que atua e com representatividade em diversos países. O cliente foi analisado por seis meses (janeiro a junho de 2012), tendo relatado 31 tíquetes de reclamações sobre o sistema de comunicação. Após a aplicação do método, durante o mesmo período, no ano de 2013, o cliente recebeu três tíquetes de reclamação; uma redução em 96% das queixas.

Procedimento:

Para poder detectar os incidentes no sistema de comunicação, a pesquisa criou o “Mapeamento de Ambientes Críticos ao Negócio” (MACN), que precisa, de forma mais eficaz e rápida, as falhas e problemas nos sistemas. Em seguida, o método foi aplicado: “Selecionamos a aplicação mais importante para este cliente que foi o Desktop, fundamental para os seus negócios (venda, produção, compras, logística). Cerca de 30 mil usuários utilizam o Desktop, sendo que, aproximadamente, 11 mil são acessos simultâneos”, contextualizou. A empresa analisada possui diversas localidades no Brasil, e todas usam a estrutura do Desktop, que está instalada em uma estrutura composta por mais de 200 servidores localizados em um Data Center (DC) centralizado. “Todo o acesso das localidades ao DC é feito mediante o uso de diversos circuitos de comunicação, que proveem aos usuários de cada localidade a área de trabalho virtual, a qual ele não consegue desenvolver suas atividades, pois apenas 10% dos equipamentos do parque de Tecnologia da Informação (TI) que atendem os usuários são computadores físicos”, explicou.

Mapeamento de Ambientes Críticos ao Negócio

Correlação da visão de gestão com equipamentos e sistemas que podem  ocasionar sérios prejuízos à empresa

Reportagem - Pesquisa soluciona - Almir Carlos da Silva f1

No momento em que um incidente é aberto pelo cliente das empresas de telecomunicação, o MACN consegue constatar se ele está relacionado a algum sistema sensível ao negócio e classificá-los como “críticos”. Caso o incidente não seja impactante, o tratamento deve seguir o fluxo normal de atendimento. Mas, o Pesquisador adianta que se o mapeamento identificar algo crítico, assim que o problema ocorrer, é preciso informar o nível executivo da operação. “Isso permitirá que o gestor antecipe-se e interaja com o cliente, demonstrando atenção ao negócio e o cuidado com ele por parte da provedora de serviço”, defende.

Reportagem - Pesquisa soluciona - Almir Carlos da Silva f2

O processo descrito na figura mostra o acompanhamento Executivo de Incidentes Críticos

Além do MACN foi elaborada uma Lista de Verificação de Rede (LVR), cujo objetivo é identificar possíveis causas de problemas na transmissão de dados a partir dos equipamentos de rede. “Se constatou que o LVR é eficaz como ferramenta de diagnóstico de falhas ou anomalias na rede. Sua prática em ambientes críticos previamente mapeados pode oferecer precisão e rapidez no diagnóstico de falhas e problemas, diminuindo o impacto para os negócios dos clientes”, afirmou.

Para o Pesquisador, o estudo desenvolvido proporciona um mecanismo simples e prático que pode ser implementado por qualquer empresa. “Acredito que o método elaborado pode extrapolar a área de TI (Tecnologia da Informação) e ser utilizado em outras frentes, como a saúde, a produção, entre outros”, finalizou.