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Autoconhecimento e métodos de estudo

Por Prof. Dra. Jussara Cristina Barbosa TortellaProfessora e pesquisadora titular do Programa de Pós-Graduação em Educação da PUC-Campinas

O sucesso no Ensino Superior é influenciado pelas experiências que o aluno tem durante seu percurso escolar. Alguns alunos chegam à Universidade com uma gama de estratégias de aprendizagem e as adaptam ao novo contexto; outros, no entanto, ingressam nesse segmento com poucos recursos e com hábitos de estudo que nada contribuem às exigências universitárias. O que diferencia esses dois tipos de alunos? O uso de estratégias de aprendizagem adequadas a cada situação e também o engajamento nas mesmas, proveniente da compreensão da validade das novas aprendizagens.

Espera-se que os alunos do Ensino Superior atuem, perante as diferentes atividades que participam, de forma autônoma, crítica e que busquem constantemente e de forma motivada o sucesso acadêmico. Para tanto, necessitam construir um conjunto de competências e estratégias de aprendizagem que lhes permitam resolver os problemas apresentados desde o início até o final da conclusão do curso escolhido.

Geralmente, alguns alunos e até mesmo professores acreditam que as estratégias são inatas; por exemplo, quem tem um perfil de organização do tempo para as diferentes tarefas já nasce assim. No entanto, os estudos indicam que as estratégias são aprendidas e construídas em qualquer fase da vida.

Destaco aqui, pautada no marco teórico sociocognitivo, algumas estratégias e dicas que podem auxiliar os alunos universitários:

  1. estabelecimento de objetivos: definir para si próprio objetivos de aprendizagem ou para a execução de uma determinada tarefa a curto e longo prazo;
  2. organização e recuperação da informação aprendida: utilizar esquemas, formas diferentes de registrar os apontamentos, resumos, sumários;
  3. construção de um ambiente de trabalho que favoreça o rendimento acadêmico: selecionar um espaço físico adequado ao estudo; fazer uma lista de distratores que atrapalham a concentração e tentar destacar para cada um como combatê-los, encontrar formas de controle da ansiedade;
  4. gestão de tempo: organizar cronogramas para agendamento e visualização constante das tarefas; fazer uma lista de prioridades;
  5. procura de ajuda necessária: saber onde e a quem procurar quando os recursos pessoais não são suficientes para resolver o problema proposto;
  6. autoconhecimento: buscar constantemente aspectos que são fontes de sucesso nas aprendizagens e também aqueles que ainda precisam ser melhorados.

Uma boa dica é utilizar o livro: Cartas do Gervásio ao Seu Umbigo escrito por Pedro Rosário, José C. Núñez, Júlio González-Pienda. Editora Almedina

 

Não ensina quem não organiza e não organiza quem não planeja…

Na atividade docente o planejamento não tem valor menor nem ocorre em menor frequência que aulas, atividades laboratoriais, procedimentos de avaliação e de recuperação que recheiam nosso cotidiano acadêmico.

A rigor, ensinar pressupõe planejamento continuado de cada aula e de cada passo, ao longo de toda a jornada que nos dispomos a percorrer, juntamente com alunos e alunas, na direção do conhecimento.

Sabemos que a aula começa no dia anterior, nos preparativos, seleção de recursos e avaliação dos métodos que definimos para momentos e conteúdos determinados. Só então, nos sentimos seguros e confiantes para entrar em sala e, como costumamos dizer “dar uma boa aula”.

Docentes mais experientes conhecem a capacidade dos alunos para distinguir e reconhecer o professor que planeja e traz a aula organizada, com ponto de partida definido, percurso traçado e objetivo ancorando, solidamente, todo o processo.

O planejamento, que trazemos introjetado, na condição de professor e professora, tem dimensões diversas, desde o microuniverso de um exercício didático, até o macroplanejamento de todo um semestre letivo.

Ajustados a essas dimensões variadas estão o tempo dedicado e o envolvimento articulado de diversas pessoas. Normalmente conduzimos sozinhos e por conta própria o planejamento das nossas aulas, mas ao planejamento individual precedem instâncias mais amplas e coletivas, como a que nos compete fazer agora, nesta Semana de Planejamento Pedagógico.

Sob orientação da Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD), contando com a colaboração de pessoas com amplo conhecimento de pedagogia, didática e planejamento, atuando como um Corpo Docente com objetivos congruentes e valores similares, constituímos um grupo eficiente e capacitado para planejar os largos caminhos vislumbrados para o semestre entrante, que formam a base de orientação para todas as demais ações pedagógicas, até o final de junho.

Nesse sentido, o planejamento não é só exercício de orientação técnica, mas, também, contributo à segurança que queremos e precisamos na sala de aula.

Portanto, acima e além de quaisquer outras considerações, cabe lembrar que o Planejamento Pedagógico é tão importante para cada um de nós, como todos nós, participando ativamente, somo vitais para que o planejamento renda orientação segura e ferramentas eficientes, que vamos usar a cada dia letivo.

Boas-vindas a um semestre produtivo e compensador.

 

Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht

Reitora