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Professores da PUC-Campinas: Determinação e vontade

Enquanto soldados disparavam armas letais durante o cerco alemão a Stalingrado, durante a Segunda Guerra Mundial, fotógrafos profissionais e amadores disparavam máquinas que registraram o cotidiano daquela cidade mergulhada em combates e batalhas. Uma dessas fotografias mostra, no cenário nevado do rigoroso inverno russo, entre escombros e prédios destruídos, uma professora sentada na sarjeta, segurando uma pequena lousa, cercada por alunos acocorados de frio, mas atentos à aula.

Ensinar e aprender, mostra a imagem, independem de lugar, instalações, equipamentos, recurso ou formalidade além da relação entre professor e aluno, pautada pela determinação daquele e pela vontade deste.

A História da PUC-Campinas, que neste ano comemora seu jubileu de diamante, está marcada por conquistas, iniciadas por visionários entusiasmados, reunidos como Faculdade, em acomodações modestas, que redundaram em uma das maiores e mais importantes instituições de ensino superior do País, contando aos milhares sua população acadêmica e a metragem das suas instalações.

Todavia, se os 75 anos de História da PUC-Campinas foram marcados por transformações diversas, permaneceu inalterada e viva a relação que une alunos e professores na busca do conhecimento.

Portanto, ao mesmo tempo em que a oficialidade dos registros marca efemérides importantes, celebradas e comemoradas nos eventos do 75o aniversário, cabe também celebrar e comemorar a relação que se estabeleceu no primeiro instante da primeira aula ministrada na Instituição, momento que tanto mais se afasta no tempo, mais permanece e mais se renova a cada aula, de todos os Cursos, em todos os campi, eternizando a relação que constitui a alma da Instituição, corporificada na determinação de ensinar de todos que foram e são professoras e professores da PUC-Campinas.

 

À frente de sua própria história

PUC-Campinas tem aproximadamente 18 mil alunos e 900 professores e um corpo técnico administrativo qualificado, distribuídos em 53 cursos de graduação. Graduou 180 mil profissionais que atual em diversas áreas do conhecimento

Prof. Dr. Orandi Mina Falsarella

A importância e qualidade do ensino de graduação da PUC-Campinas podem ser comprovadas pela inserção dos nossos alunos no mundo do trabalho, pela formação integral do ser humano com capacidade para atuar em situações reais do cotidiano profissional. Essas habilidades e competências são comprovadas por mais de três mil empresas, indústrias e/ou instituições públicas e privadas que os acolhem, em função do conhecimento que eles adquirem na Universidade, os quais são sustentados por um corpo docente altamente qualificado e atualizado em suas respectivas áreas e com atividades desenvolvidas em laboratórios de ensino que contam com tecnologias atuais e emergentes, permitindo assim ao estudante exercitar, por meio de atividades práticas, simulações do mundo real.

Hoje, a PUC-Campinas tem aproximadamente 18 mil alunos e 900 professores e um corpo técnico administrativo qualificado, distribuídos em 53 cursos de graduação, que abrangem as áreas de Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas, Ciências da Saúde, Linguagem e Comunicação e Ciências Exatas. Em 75 anos de existência, já graduou 180 mil profissionais que atuam em diversas áreas de conhecimento, desde o oferecimento de seu primeiro curso, em 1941.

A PUC-Campinas sempre esteve à frente de sua própria história, olhando para o futuro e preocupada com sua comunidade justamente pelos pilares que sustentam seus valores, destacando o compromisso social, o espírito de solidariedade e a sua responsabilidade pela colocação de profissionais altamente qualificados no mundo do trabalho.

A Universidade mantém também de convênios com inúmeras instituições da Região Metropolitana de Campinas para o desenvolvimento de Trabalho de Conclusão de Curso, práticas de atividades complementares, e estágios, a fim de que os alunos tenham oportunidades de exercitar o que foi aprendido em sala de aula em situações reais, portas que se abrem para futuras e efetivas contratações. Existem, ainda, convênios com Universidades do exterior para que os nossos alunos possam realizar intercâmbios acadêmicos.

Com a missão de produzir, enriquecer e disseminar o conhecimento, sua ação também se volta aos cursos que têm como compromisso a formação de docentes para a educação básica, as Licenciaturas, presentes nas redes privadas e públicas, municipal e estadual.

A receptividade ao aluno ingressante é uma de suas principais iniciativas a cada ano letivo, a fim de detalhar o curso escolhido, a trajetória de formação e um mundo de possibilidades e saberes que vão muito além da sala de aula. Há o acolhimento pelo corpo docente, de modo que o aluno conheça os programas institucionais, projetos de pesquisa, atividades esportivas e acadêmicas pensadas para propiciar uma formação completa, atual e integral. Somando a isso, há a flexibilidade curricular com as práticas de formação, um diferencial que agrega e possibilita a capacitação em áreas de interesse do estudante.

Essa é a PUC-Campinas que olha para seu aluno, está atenta ao seu desenvolvimento, ao aprimoramento de seu conhecimento e, como não poderia deixar de ser, também se preocupa com a inserção de alunos que têm deficiência e/ou mobilidade reduzida por meio do Programa de Acessibilidade, um serviço de apoio pedagógico que oferece intérprete de Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, transcrição de material em grafia ampliada, material em Braille, entre outros apoios.

Toda essa dinâmica permite à PUC-Campinas ser referência no mundo acadêmico e no profissional, destacando-se com honradez pelo trabalho realizado. Não são poucos os prêmios recebidos, o que garante a essa Universidade a qualidade do ensino por excelência.

Prof. Dr. Orandi Mina Falsarella é Pró-Reitor de Graduação.

 

 

Espaço Pró-Reitoria de Graduação

O Planejamento Acadêmico-Pedagógico da PUC-Campinas está sendo aprimorado, a cada ano, com o objetivo de capacitar os docentes com metodologias inovadoras, para que os alunos possam interagir e buscar a competência, como ressaltou o palestrante do Planejamento Acadêmico-Pedagógico 1o semestre de 2016, Prof. Dr. Pedro Demo: “o aluno deve ser autor do seu conhecimento”.

Nessa perspectiva, a Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD), por meio dos Grupos de Trabalho (GT), dará continuidade às atividades durante o 1o semestre de 2016, com os projetos nas áreas de: Estágio e TCC, PPCP Docentes, Atividades Complementares, Avaliação do Ensino, Integração Graduação x Sociedade e Estratégias de Aprendizagens Inovadoras.

ESPAÇO PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO

Universidade se apóia em ensino, pesquisa e extensão

Em setembro de 2015 aconteceram três eventos muito importantes na PUC-Campinas, o V Encontro Anual de Extensão Universitária, o XX Encontro de Iniciação Científica e o V Encontro de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico, momentos que envolveram professores pesquisadores, extensionistas e  alunos dos diversos cursos de graduação da Universidade,  que têm a oportunidade de apresentar os novos projetos e os resultados alcançados no ano  anterior.

Uma Universidade, para ter essa denominação, tem que se apoiar em atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão e o envolvimento dos alunos em projetos de Pesquisa e Extensão, sem dúvida alguma qualifica o ensino de graduação, além de abrir caminho para que os discentes sigam a carreira acadêmica, por meio da realização de cursos de Pós Graduação Stricto Sensu (mestrado e/ou doutorado),  ou se envolvam com projetos sociais e cheguem a resultados que possam contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população.

Esses são mais alguns exemplos de atividades que ocorrem fora da sala de aula e que contribuem para a formação integral da pessoa humana, um diferencial dessa Universidade expresso na sua Missão.

 

 

Ensino e Saúde: Hospital da PUC-Campinas, um patrimônio regional

Por Antônio Celso de Moraes

O Hospital e Maternidade Celso Pierro (HMCP), o Hospital da PUC-Campinas, funciona há mais de 35 anos e nasceu da necessidade de servir como base para a capacitação e prática dos alunos da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), que, neste ano, completa 40 anos. O Hospital caminha em conjunto com a PUC-Campinas, a Sociedade Campineira de Educação e Instrução (SCEI), sua mantenedora, e a Igreja Católica e tem como missão cuidar da educação e da saúde de sua comunidade.

Dr. Antonio Celso de Moraes: “O HMCP cresceu com a cidade de Campinas” / Crédito: Álvaro Jr.
Dr. Antonio Celso de Moraes: “O HMCP cresceu com a cidade de Campinas” / Crédito: Álvaro Jr.

São quase quatro décadas de contribuição para o ensino, a pesquisa e a promoção da saúde. Hoje, o Hospital atende as dez faculdades da área da saúde do Centro de Ciências da Vida (CCV) da PUC-Campinas, bem como a faculdade de Serviço Social. Como Hospital Universitário, possui, também, os Programas de Residência Médica e Multiprofissional, que já contribuíram para a formação de mais de mil duzentos e cinquenta médicos de todo o Brasil.

Criado inicialmente para ser um Hospital-Escola, não deixou de lado o assistencialismo. Localizado na região noroeste da cidade de Campinas, que abrange cerca de 190 mil habitantes, distribuídos por diversos bairros de população simples, situados entre as rodovias Anhanguera e Bandeirantes, faz divisa com os municípios de Hortolândia, Sumaré e Monte Mor, oferece atendimento à população mais carente. Além disso, atende a Região Sudoeste com 240 mil habitantes, bem como a demanda das 19 cidades que compreendem a Região Metropolitana de Campinas (RMC).

O HMCP cresceu com a cidade de Campinas, especialmente em atendimento e complexidade. Hoje, realiza anualmente mais de 2 milhões de atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) sendo que Campinas possui 1.154.617 habitantes e 660 mil atendimentos são de convênios privados, com mais de 30 operadoras de saúde e atendimento particular. Como centro de excelência na Região Metropolitana de Campinas (RMC), o Hospital possui Certificação Nível 2 de Qualidade pela Organização Nacional de Acreditação (ONA), que garante qualidade e segurança no atendimento prestado. No Brasil, há, aproximadamente, 6 mil hospitais, sendo que, menos de 224 são acreditados.

O HMCP mostra, dia a dia, que é um hospital completo, com equipe multidisciplinar, certificado para atendimentos de alta complexidade, com destaque em traumatologia, neurologia e cardiologia. A cardiologia (adulto/infantil) é referência no Estado de São Paulo, com índices de resultado em parâmetros internacionais.

Na última década, a produtividade do HMCP quadruplicou consequência do trabalho em equipe e do apoio da Mantenedora e da Universidade na gestão de recursos e investimentos destinados ao Hospital.

Uma Instituição que ensina,  acredita e desenvolve a humanização/ Crédito: Álvaro Jr.
Uma Instituição que ensina, acredita e desenvolve a humanização/ Crédito: Álvaro Jr.

Uma Instituição que ensina, beneficia a população, acredita e desenvolve a humanização em seu ambiente. Trata-se de um local em que é propícia a troca de experiências de vida entre alunos, professores, colaboradores, cidadãos comuns e a Igreja Católica, com base em sua missão de ‘prestar atendimento na área da saúde e contribuir para a geração e promoção do conhecimento, considerando sua orientação cristã e seu caráter de Hospital Universitário’.

Dr. Antônio Celso de Moraes- Superintendente do HMCP

 

“A PUC-Campinas desenvolve competências e promove reflexões que contrapõem os valores do pragmatismo e consumismo”, afirma Vice-Reitor

 

Da Redação

O Colóquio A identidade da Universidade Católica: em comemoração aos 25 anos da Constituição Apostólica “Ex Corde Ecclesiae” foi a primeira atividade promovida pelo Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas, coordenado pelo Vice-Reitor Prof. Dr. Germano Rigacci Jr., que recebeu o Jornal da PUC-Campinas para analisar a atuação do Núcleo e as lições deixadas pelas discussões e reflexões realizadas durante o evento.

Integrantes do Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas com o Cardeal Zenon Grocholewski/ Crédito: Álvaro Jr.
Integrantes do Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas com o Cardeal Zenon Grocholewski/ Crédito: Álvaro Jr.

Jornal da PUC-Campinas – Quando o estudante escolhe para sua formação uma instituição católica, em que ela poderá contribuir para seu crescimento como cidadão?

Prof. Dr. Germano Rigacci Jr. – A Pontifícia Universidade Católica de Campinas é uma instituição educacional, de natureza confessional católica, fundada em 1941 por Dom Francisco de Campos Barreto, instituída canonicamente, em 1956, pela Santa Sé Universidade Católica de Campinas e, em 1972, Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Ao longo destes 74 anos, a Universidade tem se destacado na graduação de 160 mil alunos, que durante o período de formação na Instituição, desenvolvem competências técnico-científicas, aprimoram os valores ético-cristãos, e com isso, estão aptos a promover atitudes e reflexões que contrapõem os valores que norteiam a sociedade contemporânea, marcada pelo pragmatismo e consumismo.

A PUC-Campinas promove e cultiva, por meio do Ensino, da Pesquisa e da Extensão, todas as formas de conhecimento, produzindo-as, sistematizando-as e difundindo-as, sempre comprometida com a ética e a solidariedade que priorizam a dignidade da vida.

Jornal da PUC-Campinas – Qual a contribuição que o Colóquio “A identidade da Universidade Católica” trouxe para a comunidade acadêmica?

Prof. Dr. Germano Rigacci Jr. – O Colóquio proporcionou à comunidade acadêmica um momento de grande reflexão sobre a identidade católica, a partir da “Ex Corde Ecclesiae”, considerada a carta magna para a condução, através de normas gerais, da atuação das Universidades Católicas, principalmente no diálogo entre fé, ciência e cultura.

Os temas abordados visaram discutir as questões que envolvem o Ensino e a Pesquisa articulados à ética cristã. Por meio das conferências ministradas por sua Eminência Reverendíssima Cardeal Zenon Grocholewski e das exposições feitas por professores nas mesas redondas, os participantes puderam aprofundar a reflexão  sobre a identidade católica da universidade  e a importância da Filosofia e da Teologia para a formação dos nossos estudantes como pessoas humanas.

Como ressaltou o Cardeal Grocholewski em uma de suas apresentações: “A Teologia e a Filosofia ensinadas devem ser aquelas que procuram a integridade do saber, que fomentam o diálogo entre fé e razão, que exijam a promoção da pessoa humana mediante uma preocupação ética e que defendam a perspectiva teológica de toda a realidade”.

Jornal da PUC-Campinas – Quais as expectativas sobre o Núcleo de Fé e Cultura da Universidade?

Prof. Dr. Germano Rigacci Jr. – O Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas, junto com a Comunidade Universitária, a partir do Colóquio, possui o compromisso ainda maior de fomentar o diálogo da fé cristã com a cultura em suas diversas dimensões, repercutindo nas atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade. Devemos contribuir com a formação integral dos estudantes, na boa convivência da comunidade universitária, no aperfeiçoamento da relação da PUC-Campinas com a sociedade e na orientação da Ciência a serviço da defesa e da promoção da vida.

(Com informações de Eduardo Vella)

 

 

Zero no ENEM, humildade zero

Meio milhão de estudantes recebeu nota zero no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), exame que avalia, entre outras, as competências ligadas à produção de uma dissertação. O número causou respostas inflamadas na imprensa: indignação raivosa contra corretores e métodos; lamentos pessimistas quanto à situação do ensino; clamores pelo fim da redação; explicações oportunas sobre a natureza da anulação. Cada uma dessas vozes se apresentou com argumentos mais ou menos coerentes, prefiro aqui me alinhar às últimas, ou seja, comentar o que esses zeros significam de acordo com a lógica do exame e quais hipóteses poderiam explicar as causas do desempenho que causa inevitável desconforto.

Para que uma redação tenha zero, é necessário, excluindo tentativa de sabotar o exame, não seguir o que foi proposto. Na prova 2014, o aluno deveria escrever uma dissertação sobre o tema “Publicidade Infantil em questão no Brasil”, explicado em três textos simples. Portanto, anular, na maioria dos casos, significava não compreender minimamente a proposta, uma vez que há uma escala de pontuação para níveis diferentes de compreensão, e/ou não escrever um texto argumentativo. Não significava, portanto, que o aluno escreveu um texto com problemas na concatenação dos parágrafos, incorreções de grafia.

Se uma porcentagem significativa dos textos revela que alunos do Ensino Médio não conseguiram demonstrar capacidade de cumprir tarefas básicas, estamos diante de um problema nas bases de nossa educação, aliás, bastante sabido e identificado em outras avaliações internacionais de leitura e escrita. Isso é assustador, porque mostra problemas de infraestrutura que parecem não sair do lugar.

Até agora, no entanto, a questão foi abordada de maneira absoluta. Mas, em parte dos casos, pode ter ocorrido uma confusão em compreender e aceitar a delimitação da proposta. Há possivelmente alguns estudantes que consideram o ENEM uma prova autoritária e protestaram não seguindo a proposta, o que é um gesto válido numa democracia. No entanto, elaborar um texto minimamente dissertativo significa também, antes de formar uma opinião sobre um enunciado, entender o que foi afirmado nele.

O que parece uma tarefa fácil, rotineira e óbvia pode estar se tornando rara como prática. O simples gesto de entender o que o outro (a escola, o professor, o aluno, o amigo, o pai) disse ou escreveu tem sido muito difícil nas relações que envolvem o ambiente escolar. As causas podem ser várias: a desvalorização da posição social do professor; a mercantilização das relações escolares, transformando, muitas vezes, alunos e pais em consumidores, e professores e diretores, em prestadores de serviço.

Nesse caso, que pelo menos uma parte desses zeros sirvam de alerta para problemas fundamentais de nossa sociedade. Parece haver alguma proximidade, por exemplo, entre esses problemas e a grande dificuldade que a escola tem encontrado em fazer com que a nova tecnologia disponível seja aplicada numa melhora das competências e habilidades escolares. Por mais que um aluno alcance muitas informações e esteja conectado ao mundo touch, ainda assim parece faltar aprender a aprender. Nem se trata de dizer, como se faz um tanto quanto indiscriminadamente, que os alunos escrevem nas redes sociais, mas usam “vc” em vez de “você”. Talvez, às várias vozes, falte a humildade de tentar entender o básico.

Prof. Dr. Ricardo Gaiotto de Moraes (PUC-Campinas)

Tome Ciência

Com o tema “O Valor da Ciência”, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) vai realizar nos dias 4, 5 e 6 de maio sua Reunião Magna, que envolve a Cerimônia de Posse dos Novos Acadêmicos e uma conferência multidisciplinar que visa  atrair cientistas com experiência e jovens promissores.  Serão discutidos temas relacionados ao valor intrínseco de atividade científica – fazer ciência pela ciência – como também ressaltar o valor fundamental da Ciência para o desenvolvimento socioeconômico brasileiro.

Para mais informações, clique aqui.

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O curso “Estado de Jornalismo Econômico” abre inscrições de 02 à 27 de março de 2015. Podem se inscrever para o Curso Estado jornalistas formados até dois anos antes da realização do programa ou alunos do último semestre das escolas de jornalismo de todo o Brasil. Para mais informações, acesse o site dos cursos Focas do Estadão. Acompanhe também pelo facebook. 

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Com a temática “Didática e Avaliação”, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) promove, nos dias 29 e 30 de junho, IVColóquio Internacional Educação, Cidadania e Exclusão (IV CEDUCE). O objetivo é reunir pesquisadores, docentes, discentes e profissionais da área de Ciências Humanas do Brasil e do exterior, para uma trocas de experiências sobre a temática a partir da investigação qualitativa.   As inscrições podem ser feitas até 05 de junho através do site, com data limite para submissão de trabalhos o dia 05 de maio.

Jogo da Logística: Uma nova maneira de ensinar

Prática considerada inovadora concilia duas metodologias ativas de ensino-aprendizagem: jogos de empresa e ensino baseado em resolução de problemas

Por Eduardo Vella

Brincar para aprender. É deste modo que os alunos da disciplina de Logística Empresarial, do curso de Administração, da PUC-Campinas entram na sala de aula. Utilizando-se de um jogo de tabuleiro inspirado no mapa rodoviário do estado de São Paulo, com cartas, dados e peças do “Banco Imobiliário”, os estudantes compreendem o conteúdo e são preparados para o mercado de trabalho.

Foto: Álvaro Jr. Prof. Dr. Marcos Ricardo Rosa Georges
Foto: Álvaro Jr.
Prof. Dr. Marcos Ricardo Rosa Georges

Criado pelo docente do Centro de Economia e Administração da PUC-Campinas, Prof. Dr. Marcos Ricardo Rosa Georges, o Jogo da Logística é fruto de um projeto que começou em 2002 em uma disciplina de pós-graduação da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e que depois passou a ser ministrado nas aulas de Logística Empresarial, no curso de Administração, da PUC-Campinas.

O Jogo da Logística é uma prática pedagógica que utiliza elementos lúdicos de jogos de tabuleiro, como: cartas de clientes, cartas de produtos, cartas de veículos, dados e tabuleiro.

O Jogo da Logística é uma prática
pedagógica que utiliza elementos lúdicos

Sorteando-se cartas de clientes, do produto e da demanda de cada cliente, com a utilização de um dado, o jogo cria um cenário complexo sobre o tabuleiro e desafia os alunos a aplicarem conceitos e ferramentas da logística empresarial. É aplicado em duas fases: planejamento e operação de entrega.

No planejamento, os alunos devem responder: qual a melhor localização do Centro de Distribuição (CD) que atenderá os clientes; qual o nível de estoque adequado deste CD; e qual o tipo e quantidade de veículo que irá compor a frota. Na operação de entrega, os alunos planejam rotas para atender a demanda dos clientes, conforme o sorteio dos dados.

O Jogo da Logística ambienta-se, utilizando o mapa do estado de São Paulo como tabuleiro, porém mostrando somente as cidades incluídas no jogo, bem como, apenas as principais rodovias que ligam essas cidades.

Projeto pedagógico

A iniciativa surgiu com a reformulação do projeto pedagógico do curso de Administração, que incorporou as metodologias ativas de ensino aprendizagem como prática pedagógica institucional.

Assim, o antigo projeto aplicado na disciplina de logística empresarial, que era desenvolvido pelos alunos de forma tradicional, recebeu influências das metodologias ativas, na qual o aluno participa do processo de aprendizado, e foi transformado em um jogo de tabuleiro, aplicado segundo os preceitos do aprendizado baseado em problemas, numa perspectiva de jogos empresariais.

Nesta nova perspectiva, o cenário passou a ser dado por sorteios – cartas e dados -, visualizado em um tabuleiro e o problema apresentado na forma de desafios logísticos.

“A abordagem baseada em jogos permite o desenvolvimento de habilidades e atitudes nos alunos como: trabalho em equipe”

Desde a sua primeira aplicação na Universidade, em 2007, o Jogo da Logística já beneficiou mais de 700 alunos, envolveu três professores em duas disciplinas na Faculdade de Administração da PUC-Campinas (Logística Empresarial e Administração da Cadeia de Suprimentos).

“A abordagem baseada em jogos permite não só a transmissão do conhecimento, mas também o desenvolvimento de habilidades e atitudes nos alunos como: trabalho em equipe, aprendizagem autônoma, capacidade de problematização, desenvolvimento
do raciocínio lógico, uso de planilhas, entre outros”, explica o criador do jogo e docente do Centro de Economia e Administração da PUC-Campinas, Prof. Dr. Marcos Ricardo Rosa Georges.

“O primeiro e mais evidente resultado está no entusiasmo demonstrado pelos alunos quando se vêem diante de uma disciplina que será dada por meio de um jogo de tabuleiro”, completa o docente.

Ao longo destes anos que o jogo vem sendo desenvolvido, ele já foi publicado e apresentado em alguns dos principais eventos científicos da área da Administração, como o SIMPOI (organizado pela EAESP/ FGV-SP) e o ENGEMA (organizado pela FEA -USP), e compôs o primeiro capítulo do livro “Jogando Logística no Brasil”, que reúne diversos jogos de logística.

“Essas publicações permitiram que professores de diferentes instituições do Brasil me procurassem para pedir informações e aplicar o jogo em suas instituições”, revela o Prof. Marcos Georges.

Confira o trecho de uma aula com o jogo da logística.

Imagem e Edilção: Giovanna Oliveira

PUC-Campinas é representada no Conselho Municipal de Educação

Por Giovanna Oliveira

O Conselho Municipal da Educação (CME) é um órgão deliberativo, cujo objetivo é auxiliar a Secretaria Municipal da Educação de Campinas na construção do Plano Municipal de Ensino.

O Conselho desempenha funções normativas, deliberativas e de
assessoramento. No que se refere ao Ensino Superior na cidade de Campinas, são somente duas as entidades representantes: PUC-Campinas e Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Atualmente, a Universidade é representada por duas profissionais da Faculdade de Educação, a titular, Profa. Me. Fernanda Furtado Camargo, e a suplente, Profa. Dra. Maria Auxiliadora Bueno Andrade Megid.

O Jornal da PUC-Campinas foi conversar com as docentes sobre as atuais questões na Educação de Campinas.

Enquanto um Conselho Deliberativo, ou seja, que tem ‘poder’ de
decisão, o que tem passado pelo CME nos últimos anos?

Fernanda Furtado Camargo: Uma das grandes preocupações atuais do Conselho tem sido a elaboração do Plano Municipal de Educação. Com a recente aprovação do Plano, foi instituído um fórum para discutir as questões relacionadas à elaboração desse Plano. O CME, neste momento, tem discutido como fazer para mobilizar a sociedade em função do desenvolvimento desse Plano, para que tenhamos, de fato, a participação de todos na sua elaboração. Que isso não fique
concentrado somente nos gabinetes, mas que toda a sociedade esteja envolvida.

Maria Auxiliadora B. A. Megid: A PUC-Campinas tem a preocupação, e vamos falar particularmente da área da Educação, de se fazer representada, e mais do que isso, de proporcionar as nossas visões, os nossos estudos aonde existe a Educação. Sobretudo na esfera do nosso município. E, por isso, essa representação que nós temos, não é figurativa. A gente participa das reuniões, das comissões. A gente não só ocupa uma cadeira, mas procura exercer de maneira bem competente essa influência.

Atualmente, há muita dúvida em relação à inclusão de pessoas com deficiência em escolas regulares. Como vocês avaliam que essa questão deve ser tratada?

F.C: Em relação à participação da PUC-Campinas, e aí não é uma definição do Conselho, a ideia é de que a inclusão escolar está posta. Temos de trabalhar nessa questão. As escolas têm de ter acessibilidade para que os alunos com necessidades diferenciadas consigam se manter na escola. Precisamos pensar em possibilidades de ampliar a formação de professores, como trabalhar com essas questões, para que eles saibam lidar em determinas situações.

M.M: A questão da inclusão escolar realmente está posta; de todo tipo de acessibilidade, tanto dos alunos com deficiências motoras, quanto com a visual, auditiva. Há, ainda, outro nicho, que é a questão dos locais com infraestrutura específica para determinados tratamentos.

É mais importante a inclusão dos alunos e não a separação deles?

M.M: Nós não podemos falar pelo Conselho, porque esse debate nem ocorreu lá ainda. Nossa postura, nossa posição como educadoras, e como representantes da Educação da PUC-Campinas, é acatar a deliberação, e dizer que nós não achamos interessante apartar essas crianças. Agora, as salas ditas “regulares” têm de ter as condições mínimas para que essas crianças estejam verdadeiramente incluídas. Porque, às vezes, o que percebemos é uma exclusão na inclusão. Ou seja, o menino, a menina, a criança, o jovem… Está dentro daquela sala, mas está apartado. Por exemplo, ele não ouve, e não tem um intérprete. Ou ele não enxerga, e não tem as condições necessárias de textos, entre outros, para que ele possa participar da aula. Ele é cadeirante e o espaço da sala é ínfimo, e ele não tem como se movimentar. Assim, não adianta. Ele tem de estar na sala, com as condições necessárias para que a inclusão ocorra de fato.

Existem soluções para essas questões?

F.C: Eu penso que pode, sim, ser feito um trabalho paralelo. Temos a inclusão no ensino regular, e pode ser feito um trabalho paralelo com essa criança, ou numa instituição especializada, ou numa sala de recursos, numa classe especial da própria escola, entre outros locais. Seria importante ter esse trabalho paralelo. Agora, o que precisamos garantir, realmente são as condições de trabalho do professor, as condições da sala de aula.

A preparação deve ir além da Instituição e dos professores, também?

M.M:  Sim, assim como das políticas públicas, do espaço físico, e do professor. E tudo isso engajando, também, a família, sobretudo das crianças nos anos iniciais, é parte fundamental. As crianças até 11, 12 anos não têm autonomia, elas necessitam desse apoio e essa conversa escola-família é fundamental.

Sobre o Ensino Público, qual opinião de vocês, enquanto Conselheiras, e também como educadoras, sobre a situação do Ensino Público em Campinas?

M.M: O Conselho busca garantir que tudo ocorra de modo a favorecer essa educação de forma plena. Ali são recebidos os problemas, as demandas, as preocupações da sociedade e das escolas. No que cabe ao Conselho, é assim que funciona. Agora, pensando como educadora, como pessoa que forma professores, que é nossa meta aqui na Faculdade de Educação, existe essa preocupação relacionada ao que é melhor, se o ensino particular, ou o público. É um “tripé”. Nós precisamos de Políticas Públicas adequadas, de professores engajados, e precisamos de um espaço escolar que nos dê condições para trabalhar.

Há diferenças entre o ensino público e o privado?

M.M: Há diferenças, sim, mas eu já vi escolas públicas muito boas, e não são poucas. Sobretudo as municipais. Escolas muito boas, que a despeito até de algumas dificuldades, sobretudo de ordem financeira, funcionam muito bem. E já vi escolas particulares com um nível que eu considero muito ruim. Não adianta ter bons livros, bons recursos, bons materiais, se a escola tem uma ideologia só de reprodução, não leva o aluno à reflexão.

F.C: Eu entendo que tem, sim. Eu penso que existe um esvaziamento de conteúdos, na escola pública mais do que na particular. Não temos um processo de apropriação por parte do aluno dos elementos da cultura, de como poderia ser feito. Mas o fato de isso acontecer em muitas escolas privadas, também não significa que ele se apropriou; a escola pode estar apenas reproduzindo determinada coisa, mas sem saber o sentido que aquilo tem para a sociedade.

Existe um motivo concreto para existir diferença entre os ensinos?
F.C: Creio que passa, sim, pelas Políticas Públicas, passa também, e talvez principalmente, pelas condições de trabalho do professor. Precisamos ter condições de trabalho garantidas, mesmo que minimamente. Por exemplo, o número de alunos em sala de aula, o salário, as condições mínimas da estrutura física de uma escola, uma gestão democrática, que seja participativa. Passa por tudo isso e quem vai definir as condições que devem ser colocadas são as Políticas Públicas.

O que o Conselho tem feito para auxiliar nas políticas públicas para
o ensino?

M.M: O Conselho é sensível às demandas, mas nem sempre consegue dar conta de todas elas.

F.C: Teve um encontro, em São Paulo, entre os Conselhos Municipais. E nessa última reunião de outubro, o vice-presidente do Conselho de Campinas relatou um pouco do que foi dito no encontro. Um dos principais problemas que tem sido enfrentado pelas prefeituras é a questão da Lei da Responsabilidade Fiscal. Existe, então, um limite dentro do orçamento da prefeitura, que pode ser utilizado em folha de pagamento. Temos, aí, uma demanda de 8 mil vagas de crianças sem creche. A prefeitura já comprou o prédio, o local já tem toda a estrutura pronta, mas não pode contratar mais professores, porque isso ultrapassa o limite dos 20%. Existem questões que, por mais que o Conselho discuta, fica engessado e não conseguem avançar.