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Tecnologia e conservação da Natureza: um caminho a percorrer

Por Marcela Conceição do Nascimento

Em tempos de alta tecnologia, a conservação da natureza também vem sendo beneficiada por ferramentas tecnológicas. Tecnologias aplicadas aos estudos acadêmicos também são utilizadas para a conservação de espécies nativas, bem como para a definição e áreas prioritárias para a conservação.

Nesse sentido, tecnologias como armadilhas fotográficas, bem como telemetria, tanto de espécies terrestres como aquáticas, podem oferecer ganhos para a conservação da fauna. Armadilhas fotográficas são equipamentos dotados de sensores de movimento ou calor acoplados a uma câmera fotográfica com capacidade de gravar pequenos vídeos.

 Tais equipamentos podem ser instalados em uma área com o objetivo de registrar uma espécie ou grupo de espécies. Podem ser instalados sozinhos ou em pares, o que permite a identificação de indivíduos por padrões de manchas, por exemplo. Tal equipamento facilita a identificação das espécies que ocorrem em determinado local, bem como suas abundâncias relativas, além da identificação de predadores e dispersores, horário de atividade, comportamentos sociais, habitat, entre outros.

Os sistemas de telemetria se baseiam na fixação de um transmissor no corpo de um animal. Este transmissor recolhe e envia informação para um receptor, localizado remotamente. As informações recebidas indicam a presença de um indivíduo junto ao receptor, ou de outras variáveis associadas, como temperatura, salinidade e profundidade da água, batimentos cardíacos, pH do estômago, entre outros. Esta técnica pode ser realizada por telemetria acústica (mais utilizada em organismos marinhos), telemetria à rádio (mais utilizada em animais terrestres e aves) e a telemetria por satélite (muito útil para o registro de grandes migradores).

Essas tecnologias permitem a compreensão de padrões de movimentação, utilização de habitats, bem como respostas fisiológicas e comportamentais dos organismos no seu ambiente natural. Tais informações são fundamentais para a aplicação de medidas de gestão eficazes e para a implementação de áreas protegidas, por exemplo.

Além disso, tais ferramentas são utilizadas para monitorar espécies dentro de áreas protegidas, permitindo que os gestores avaliem se tais áreas são suficientes para as espécies que nela vivem e se tais áreas vêm cumprindo o seu papel de proteção das espécies. Esta última situação pode ser exemplificada pela recente tragédia no Zimbabwe, onde o Leão Cecil, um dos símbolos do Parque Natural de Hwange foi morto como troféu, supostamente quando saiu da área protegida. Sua morte foi identificada graças ao rádio colar que ele carregava e que registrou sua fuga desde a primeira flechada do caçador até o tiro que finalmente tirou sua vida.

Um caso trágico como este trouxe à tona a discussão sobre a importância da utilização e do desenvolvimento de tecnologias na conservação da natureza, sobretudo de tecnologias que interfiram cada vez menos na vida dos organismos e sejam mais baratas para sua maior utilização.

Professora Marcela Conceição do Nascimento é Doutora em Ecologia e docente no Centro de Ciências da Vida da PUC-Campinas

O meio ambiente é onde os problemas moram

Por Amanda Cotrim

Já foi o tempo em que o Meio Ambiente estava associado à flora e à fauna. Isso mudou. Sua concepção hoje é a do lugar que é habitado. Com as cidades cada vez mais populosas, o Meio Ambiente é também urbano. É nesse lugar que o Conselho Municipal do Meio Ambiente (COMDEMA) de Campinas atua, como garantem as representantes da PUC-Campinas no COMDEMA, Profa. Dra. Nícia Barbin e Profa. Dra. Laura Bueno. O Conselho, que é deliberativo, não só aconselha como decide sobre os projetos do município.

Profa Dra Laura Bueno e Profa. Dra. Nícia Barbinb (Foto: Álvaro Jr).
Profa Dra Laura Bueno e Profa. Dra. Nícia Barbinb (Foto: Álvaro Jr).

Segundo a docente na Faculdade de Biologia e titular no Conselho Municipal do Meio Ambiente, Profa. Dra. Nícia Barbin, licenças para as concessões de obras na Rodovia Dom Pedro I, no Aeroporto de Viracopos e na continuação da Avenida Mackezine, em Campinas, foram as pautas mais discutidas pelo Conselho, em 2014. “Além dessas demandas, a revitalização do centro, a crise hídrica e a dengue foram discutidas e trabalhadas pelo Conselho”, contou.

Profa. Dra. Nícia Barbin é a titular no Conselho do Meio Ambiente (Foto: Álvaro Jr).
Profa. Dra. Nícia Barbin é a titular no Conselho do Meio Ambiente (Foto: Álvaro Jr).

Para a suplemente da PUC-Campinas no COMDEMA, a docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade, Profa. Dra. Laura Bueno, o Meio Ambiente é uma área extremamente interdisciplinar, em que moram muitos conflitos. “O estado de São Paulo tem a melhor legislação de Meio Ambiente, porque é o estado que tem mais problemas”, ressalta.

De acordo com as docentes, o COMDEMA, além de ser um conselho deliberativo, também possui diversos grupos de trabalhos, como o grupo que estuda o uso do solo, a educação ambiental, os resíduos sólidos, entre outros temas. Se uma rua precisar ser aberta e um empreendimento construído, o grupo de trabalho estuda o caso; se ele entender que não é um projeto viável para o Meio Ambiente, leva a argumentação para o plenário do COMDEMA, que vota. Universidades, como a PUC-Campinas e a Unicamp, são muito solicitadas a participar desses grupos técnicos, em razão do conhecimento científico que os representantes possuem. “É muito importante haver a participação da população, porque é a preocupação com a cidade que a gente pretende ter”, considera Nícia. “Todos os alunos da Universidade deveriam, pelo menos uma vez, assistir às reuniões. Qualquer pessoa pode participar das reuniões e opinar, não podendo, no entanto, votar; é uma experiência de cidadania contemporânea fundamental, mas poucos sabem e praticam isso”, completa a Professora Laura.

Profa Dra. Laura é suplemente no COMDEMA
Profa  Laura é suplemente no COMDEMA Foto: Álvaro Jr. 

As representantes da PUC-Campinas explicam que a participação de pesquisadores e docentes da área dá legitimidade para as discussões dos projetos, porque são respaldadas no conhecimento científico. “As nossas falas são sempre ouvidas com muita atenção”, acrescenta a docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo quanto à importância de se ter instituições de ensino e de pesquisa participando da administração pública de uma cidade.

O Conselho Municipal do Meio Ambiente foi criado em 24 de maio de 2001 e é deliberativo, isto quer dizer que o COMDEMA tem a responsabilidade de votar, aprovar ou reprovar os projetos municipais que vão ao encontro da pasta. Atualmente, o Conselho conta com 30 membros.