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PUC-Campinas Informa

Homenagem

No dia 3 de julho de 2015, a PUC-Campinas perdeu a professora mais antiga da Instituição. Faleceu, em Campinas, aos 81 anos, a Profa Nair Leme Fobé, que teve atuação destacada como docente da Faculdade de Letras, durante 45 anos.

A professora se graduou, em 1955, na PUC-Campinas, em Letras Anglo-Germânicas e fez especialização em Filosofia e História da Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em 1982. Cursou Pós-Graduação em Literatura Inglesa, na Universidade de São Paulo (USP), em 1961, e Literatura da Fonética Inglesa, na Universidade de Exeter, na Inglaterra, em 1962. Atuou como supervisora de Práticas de Ensino da PUC-Campinas, além de ser tradutora e revisora das revistas Letras, Humanitas e Comunicarte.

Nas redes sociais, alunos, ex-alunos, professores e colegas de trabalho prestaram suas homenagens, destacando a generosidade e a dedicação da ex-docente ao mundo das Letras e à sala de aula.

Mostra de Profissões 2015 reúne mais de 50 cursos

A Mostra de Profissões 2015 da PUC-Campinas acontecerá nos dias 20 (quinta-feira), 21 (sexta-feira) e 22 (sábado) de agosto, das 14h às 22h no estacionamento do 2º Piso (P2) do Shopping Center Iguatemi Campinas.

Os visitantes poderão obter dos professores e alunos da Universidade, informações sobre os mais de 50 Cursos de Graduação oferecidos pela Instituição e participar das atividades propostas durante a programação. O acesso é gratuito.

O 2º Piso (P2) do Shopping Center Iguatemi fica na Avenida Iguatemi, 777, Vila Brandina, Campinas/SP.

Amamentação entra no debate jurídico

Lei em São Paulo permite que mulheres possam amamentar em qualquer local público e incentivam a discussão sobre o tema. Para ajudar na compreensão do tema, a TV PUC-Campinas realizou uma reportagem sobre essa lei, a partir de um debate jurídico.

Confira clicando aqui

Coluna Pensando o Mundo: Homenagem a Nair Fobé

Poema  favorito da Professora Nair Fobé fala sobre escolhas que fazem a diferença

Por Profa. Dra. Maria de Fátima Amarante- Diretora do Curso de Letras

No dia 3 de julho de 2015, a PUC-Campinas se despediu da Professora Nair Leme Fobé. Docente da Faculdade de Letras por 45 anos, Mrs. Fobé deixou grandes lições de ensinar e traduzir.

Para honrar sua memória, publicamos seu poema favorito. Mrs. Fobé sempre o declamava para incentivar os alunos a refletirem sobre suas escolhas pessoais e profissionais, enfatizando, com o poeta, que tomar a estrada menos percorrida é que faz toda a diferença. A professora Nair Leme Fobé, ao escolher educar, certamente fez a diferença na vida de seus alunos e, por meio deles, continuará a fazê-lo.

“Duas estradas se abriam em um bosque, e eu Tomei a menos trilhada”/ Crédito: Divulgação
“Duas estradas se abriam em um bosque, e eu
Tomei a menos trilhada”/ Crédito: Divulgação

 

Tradução: A estrada não trilhada

Duas estradas se abriam em um bosque amarelado/ E sentindo não poder ambas percorrer/ Sendo um só viajante, por muito tempo me detive/ E observei uma até quão longe pude/ Até onde, na vegetação, ela se curvava.

Então olhei a outra, tão boa quanto a primeira,/E tendo talvez o melhor apelo,/Por ser gramada e ansiar por uso;/Apesar de o trilhar de ambas/Ter  sido quase o mesmo.

E, naquela manhã, em ambas igualmente jaziam/ Folhas que passo algum pisara./Ó, deixei a primeira para outro dia!/Mas, como um caminho leva a outro,/Duvidei de que algum dia ali voltaria.

Com um suspiro isto direi/Em algum lugar em um futuro distante: Duas estradas se abriam em um bosque, e eu Tomei a menos trilhada/ E isto fez toda a diferença.

 Abaixo, segue a seleção de algumas manifestações de alunos e ex-alunos da Profa Nair, nas redes sociais:

 You will eternally live through the language you so carefully taught to hundreds and hundreds of us. May you always speak through us. Daniel Paula

Depois de 45 anos de PUC-Campinas, muitos ex-alunos devem estar se sentindo como eu, meio sem saber como fica o mundo sem a Fobé. Espero que cada um deles lembre-se de uma de suas tiradas afiadas ou de uma de suas aulas, para que ela fique entre nós mais um pouco e ganhe seu lugar entre as figuras míticas, onde só quem é inesquecível consegue estar. Obrigada, querida Fobé. Que falta você fará! Júlia de Almeida

Mrs. Fobé, sem delongas, MUITO obrigada. Obrigada pela paixão, pela paciência, pelas piadas, pelos puxões de orelha, pelo zelo, pelo carinho, por ser sido você. Graças à senhora, hoje leio obras da literatura inglesa sem medo, mas com prazer. Tenho minhas histórias particulares com a Mrs. Fobé e, com elas, seguirei feliz, pois tive o prazer de ter vivido ao lado dessa grande personalidade. Sua alma será eterna em nossos corações. “O que temos para hoje é saudade.” Brysda Rocha

Uma perda muito grande! A Fobé não só me ensinou, mas me fez apaixonar pela língua e por ensinar. Um exemplo que sempre carregarei no meu coração! Vai fazer MUITA falta! Débora Dutra

 Ouvi falar sobre a fama da Fobé antes mesmo de entrar na PUC-Campinas pela excelente profissional que ela era. Não tive a oportunidade de tê-la como minha professora, o que sempre foi meu maior desejo. Mas ela foi muito mais do que isso. Ela foi uma grande amiga. Que o Espírito Santo console a família e amigos desse fenômeno incomparável e inigualável chamado Fobé! Márcio José

Um adeus a Manoel de Barros

O Poeta que esticou o horizonte da poesia brasileira

Foi no dia 13 de novembro de 2014 que o mundo ficou um pouco mais escuro e menos colorido: o poeta Manoel de Barros alçou voo em sua poesia e foi apresentar seus solos de ave em céu aberto.

Barros, um dos poetas mais lidos na atualidade, escrevia sobre motivos do cotidiano, do não notável, dando um ar de infância aos seus poemas, transformando-os em verdadeiras experiências sinestésicas.

Nas palavras do poeta, não foi só ele que se apaixonou pelas palavras, as letras também se apaixonaram por ele. Mas não se enganem, Manoel não escrevia por inspiração, escrever poesia consistia para ele em um trabalho de artesão, era preciso lapidar o poema: “poesia é o belo trabalhado”.

Foto: divulgação
Foto: divulgação

O nascimento do poeta

Barros teve uma rica trajetória em sua formação. Seus primeiros anos de vida se passaram no Pantanal, em meio à natureza, rodeado pelos seres mais ínfimos e “desimportantes” que traçariam a temática de seus poemas e mudariam a tessitura poética nacional.

Quando ainda criança, transferiu-se para Campo Grande para estudar em um colégio interno. Depois, seguiu para o Rio de Janeiro onde continuou os estudos em um internato católico, quando teve contato com as obras de Padre Antônio Vieira, o qual se tornou grande inspiração para o poeta. Foi também nas terras cariocas que Manoel iniciou seus estudos em advocacia.

Posteriormente, Barros passou alguns anos fora do Brasil. Quando retornou, conheceu sua esposa Stella, com quem se casou em 1947 e regressou ao Pantanal.

Embora Manoel tenha publicado seu primeiro livro em 1937, Poemas concebidos sem pecado, sua dedicação integral à poesia só veio a consolidar-se quando herdou as fazendas pantaneiras de seu pai. Quando as terras passaram a dar lucro foi que o poeta pôde, então, tornar-se um “vagabundo profissional”. Seu reconhecimento como poeta, no entanto, só ocorreu nos anos 80, quando o escritor e jornalista Millôr Fernandes o desvelou ao público.

 “A poesia nasce do não existir”

Como poeta, Manoel criou um universo só seu: “tão absurdo quanto palpável”. Para dar vida a sua poesia, ele se utilizava do “idioleto Manoelês”, a dita língua dos bocós e dos idiotas.

Ainda que Manoel tenha inovado em relação à linguagem, empregando diversos neologismos e atribuindo novos sentidos às palavras, pensá-lo através de teorias e arcabouços literários é um desafio, uma vez que, segundo o poeta, poesia não foi feita para ser compreendida, mas para ser incorporada.

A verdade é que Barros reinventou a linguagem brincando com as palavras, materializando uma poesia que beira a meninice. Seus poemas são como macrofotografias: evidenciam os detalhes que passam despercebidos pelos olhares desatentos do dia a dia. Seus escritos são a altiva pequenez. Parece absurdo? É e não é. É absurdo por terem sido criados em seu mundo mas não quando se trata de seus poemas. O poeta via a grandeza nas pequenas coisas, fazia do grão de areia o milagre da existência. Manoel não era só gente, era bicho, era árvore, era água da chuva que deixava a pureza no matagal que é a alma humana. Para ler seus poemas não é preciso muito, basta ter o peito aberto à sensibilidade.

 “Pode o homem enriquecer a natureza com sua incompletude?”, perguntou o poeta. Em se tratando de Manoel de Barros isso é mais que possível. Ele não só enriqueceu a natureza como também a Literatura Brasileira e a existência humana, transpondo um novo olhar para tudo aquilo que no mundo parecia não ter espaço.

 Caroline Ruiz é aluna do 4º ano de Letras.