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Esporte Unificado é mais inclusão

Modalidade foi inspirada no Special Olympics, cuja filosofia é promover oportunidades iguais para todos os esportistas

 

Por Amanda Cotrim

A inclusão da pessoa com deficiência no esporte é tema de diversos estudos na Academia. Há quem defenda que o esporte Paraolímpico é inclusivo uma vez que os atletas com deficiência se relacionam. Mas também há quem defenda que ele não é tão inclusivo assim, por se tratar de eventos específicos para pessoas com deficiências, o que acaba por promover a segregação, ainda que este não seja o seu objetivo. “O modo Paralímpico é muito importante no processo de evidenciar as possibilidades de pessoas com deficiência na prática esportiva. Contudo, o modelo trabalha com atletas de alto desempenho, uma vez que estabelece índices. Ao estabelecer índices, acaba excluindo grande parcela dos participantes, em todos os níveis e categorias de competições, inclusive escolar”, defende o docente do Curso de Educação Física da PUC-Campinas e ex-técnico da seleção brasileira de basquete feminino, Professor Vagner Bergamo.

Pensando sobre a importância da inclusão no esporte, o docente elaborou o Projeto de Extensão “Esporte Unificado: o valor social da inclusão”, realizado nos anos de 2014 e 2015, o qual envolveu funcionários com deficiência da PUC-Campinas e os estudantes da Universidade.

O Projeto teve como base a filosofia criada pelo Special Olympics, a qual defende o esporte como projeto educativo. Desse modo, o Esporte Unificado “é diferente de tudo o que as pessoas entendem por esporte”, adianta. Na prática, Bergamo explica que o atleta com deficiência tem um parceiro, sem deficiência, e eles jogam juntos. “Além da aproximação entre os esportistas, o Esporte Unificado promove a inclusão, de fato, porque independentemente do nível de habilidade da pessoa, todos podem ganhar”, pois são divididos em grupos equitativos, ressalta o docente.

Professor Vagner Bergamo/ Crédito: Álvaro Jr.
Professor Vagner Bergamo/ Crédito: Álvaro Jr.

No Projeto de Extensão, participaram os funcionários da Universidade que têm deficiência e os estudantes de Educação Física da PUC-Campinas. Essa interação trouxe resultados imediatos. Segundo o docente, os funcionários com deficiência deixaram de se relacionar apenas entre eles – uma característica muito comum como forma de se protegerem de preconceito – para serem incluídos em todas as atividades físicas e culturais que a PUC-Campinas proporciona. “Com o Projeto, esses funcionários entenderam que podem se relacionar com qualquer pessoa, independentemente da deficiência. O Esporte Unificado, nesse aspecto, foi fundamental”, considera Bergan. Ao todo, 12 pessoas participaram do Projeto.

Esporte Unificado: o valor social da inclusão/ Crédito: Álvaro Jr.
Esporte Unificado: o valor social da inclusão/ Crédito: Álvaro Jr.

No Projeto de Extensão, a participação dos alunos do curso de Educação Física, como agente mediador no processo de desenvolvimento dos funcionários com deficiências, trouxe resultados imediatos. Segundo o docente, os funcionários com deficiência deixaram de se relacionar apenas entre eles – uma característica muito comum como forma de se protegerem de preconceito – para serem incluídos em todas as atividades físicas e culturais que a PUC-Campinas proporciona. “Com o Projeto, esses funcionários entenderam que podem se relacionar com qualquer pessoa, independentemente da deficiência. O Esporte Unificado, nesse aspecto, foi fundamental”, considera Bergamo. Ao todo, 12 pessoas participaram do Projeto.

A prática do Esporte Unificado também contou com a participação das pessoas atendidas pelo Centro Interdisciplinar de Atendimento à Pessoa com Deficiência (CIAPD), da PUC-Campinas. Além dessa inclusão, houve outra: a de não haver distinção por gênero, isto é, homens e mulheres jogavam pela mesma equipe.

Projeto de Extensão teve como base a filosofia criada pelo Special Olympics/ Crédito: Álvaro Jr.
Projeto de Extensão teve como base a filosofia criada pelo Special Olympics/ Crédito: Álvaro Jr.

 

 

 

 

 

 O Esporte Unificado: entre o jogo e as regras

Special Olympics, que atualmente congrega 180 países, é considerado o segundo maior evento do mundo, perdendo apenas para as Olimpíadas. Bergamo garante que no Esporte Unificado o sistema de jogo não muda, mas as regras são flexibilizadas. “Em vez de o juiz punir quem comentou a infração, ele orienta o jogador e avisa que aquilo não pode acontecer, apresentando o motivo. Então, mais do que um juiz, ele é um educador. Outro ponto a ser considerado é a tolerância: na modalidade como o basquete tradicional, o jogador não pode ficar mais de três segundos dentro da área restritiva, no Esporte Unificado esse tempo aumenta para cinco, seis segundos. Se o árbitro perceber que o jogador está querendo humilhar seu adversário, ele interfere na jogada e avisa o técnico para tirar aquele jogador. A ideia é fazer com que todos possam entrar no jogo, mesmo que um jogador tenha menor rendimento do que outro. É uma filosofia de chance de igualdade”.

 

Inclusão escolar do aluno com deficiência

Por Claudia Gomes

Abordar o tema da inclusão escolar de alunos com deficiências é assumir que especificidades existem, e que devem ser consideradas, porém, é alertar também para a necessidade de elaboração de políticas públicas de acompanhamentos preventivos e interventivos nas diferentes esferas que compõem o desenvolvimento humano.

Segundo o Ministério da Saúde – Política Nacional de Saúde das Pessoas com Deficiência (BRASIL, 2009), não podemos desconsiderar que, dentre as possíveis causas das necessidades especiais, estão presentes as questões hereditárias, mas também as decorrentes da falta e da inadequação da assistência às mulheres durante a gestação e o parto, a desnutrição, as doenças transmissíveis e as crônicas, as perturbações psiquiátricas, os traumas e lesões, eventos esses que podem e devem ser evitados por meio de políticas públicas sociais de saúde.

Já no âmbito escolar, com a promulgação do Decreto n. 6.571 (09/2008), que regulamenta a Política Nacional de Educação Especial na perspectiva Inclusiva (BRASIL, 2008), não podemos desconsiderar que os amparos legais vêm possibilitando gradativamente a inclusão de alunos com deficiências no ensino regular. Entretanto, se por um lado as estatísticas parecem animadoras, por outro, não podemos deixar de considerar que o indicador de inclusão, quando delimitado pela realização da matrícula do aluno, não garante que a permanência e desenvolvimento do aluno, como proclamado pelos diferentes documentosr, de fato está sendo efetivado.

Neste sentido, um dos grandes desafios que cercam o debate da inclusão é a análise do processo na perspectiva do próprio aluno incluído. Ainda evidenciamos que seja pelo desconhecimento das necessidades e potencialidades destes alunos, ou pela supervalorização de suas características, a discussão das ações ainda estão embasadas em uma representação focada no “estereótipo do aluno perfeito”, no qual alunos com deficiência se distanciam por suas características físicas, cognitivas, sensoriais ou relacionais.

Abrir novos espaços de correspondência social para esses alunos, para que se identifiquem, é premissa para que venham a alcançar novas formas de representar seu desenvolvimento escolar, o que é ainda é desconsiderado pelas ações e práticas inclusivas nas escolas atualmente, ao focarem em suas ações metodologias conteúdistas e instrucionais, que por um lado privam e excluem a necessária relação humana que deveria caracterizar os processos educacionais e, por outro, ratificam a distinção da representação “de quem ensina e quem aprende”, “dos melhores e dos piores”; “dos eficientes e dos deficientes”.

Segundo Glatt (1991), os papéis atribuídos socialmente aos indivíduos com deficiências têm uma dupla função, servem tanto de ingresso e indicação ao local adequado onde eles devem se sentar, como também determina o script que o indivíduo terá que atuar em suas relações no “Teatro da Vida” (1991: 09).

Para tanto, de acordo com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Inclusão, o processo de inclusão deve propiciar o direito de cada aluno constituir sua própria identidade, ao mesmo tempo em que deve saber reconhecer essa identidade, os direitos de igualdade e respeito às diferenças dos outros (BRASIL, 2008). Efetivar a garantia de acesso, permanência e desenvolvimento de alunos com deficiências nas escolas regulares, possibilita a modernização das práticas pedagógicas, assim como um maior respeito à diferença e à diversidade dos alunos, para além da compreensão da escola como espaço de socialização, ou ainda, de práticas de compensação sociais.

Defender a análise do processo de inclusão na perspectiva do aluno deficiente é alertar para a necessidade de criação de interações pedagógicas, como condição central para repensarmos o processo de desenvolvimento humano, com a consideração dos sujeitos como ativos e construtores, com a devida exploração dos significados e da compreensão interpretativa acerca da alteridade.

Segundo Berger e Luckman (1976), a relação de socialização está intimamente ligada à produção emocional, no entanto, só se pode falar de interiozação, e portanto, socialização de fato, quando o indivíduo absorve os papéis e as atitudes dos outros como suas, quando há, primeiramente, um processo de identificação.

O processo de inclusão escolar deve propiciar um processo dialético entre a identificação do aluno deficiente com o outro e a auto-identificação de suas necessidades, ou seja, um processo tensional entre a identidade atribuída e a identidade apropriada. Neste caso, cabe ressaltar, que a identidade atribuída a alunos com deficiência só pode ser apropriada por este aluno atrelada ao mundo que a formaliza, ou melhor, esta identidade a ser apropriada só é possível em um meio que confirme esta auto-identificação, e a escola é o espaço pleno do desenvolvimento de tais relações humanas.

Claudia Gomes concluiu seu doutorado em Psicologia pela PUC-Campinas, onde pesquisou a posição do sujeito aluno na inclusão escolar. 

 

 

A pessoa com deficiência e o universo do trabalho

Profa. Dra. Karina de Carvalho Magalhães

O tema Gestão da Diversidade trata de um assunto atual na sociedade moderna e nas Organizações: a inclusão dos grupos historicamente marginalizados, em especial, pessoas com diversos tipos de deficiências no universo do trabalho. Por um lado houve um movimento legal para a garantia da inclusão deste seguimento da sociedade na vida laboral, como a Lei de Cotas, implantada acerca de 25 anos no Brasil, que estabelece percentual de 2% a 5% de cotas para a contratação de pessoas com deficiência nas empresas com mais de 100 funcionários, por outro lado, muitas dificuldades ainda são encontradas para a efetiva inclusão das pessoas com deficiência no mundo laboral, sendo elas: a falta de conhecimento em relação às potencialidades e capacidades deste público para o trabalho, a falta de conhecimento acerca da deficiência, a falta de acessibilidade e de adaptação dos postos de trabalho, a falta de compreensão dos gestores acerca da pessoa com deficiência e a ausência de plano de carreira para esse grupo de profissionais.

Profa. Dra. Karina Magalhães
Profa. Dra. Karina Magalhães

O atual momento aponta para o olhar das empresas voltado para a necessidade de oferecer às pessoas com deficiência condições adequadas de trabalho, seja por meio da adaptação estrutural e técnica às atividades concernentes a função exercida pelo profissional com deficiência, seja pelos estímulos a mudanças de atitudes em respeito a diversidade, na busca de novas práticas que ampliem o nível de empregabilidade da pessoa com deficiência (Carvalho-Freitas, 2009).

Um dos principais desafios das empresas refere-se à conscientização de que a inclusão de pessoas com deficiência permite novas formas de relacionamentos e a valorização de potenciais humanos, de troca de saberes, de experiências e visões de mundo, que possibilitará a riqueza da diversidade. Neste contexto, a convivência com a pessoa com deficiência no ambiente de trabalho, contribui valiosamente para refletir acerca da diversidade humana com respeito, aceitação, abertura e atitude proativa.

O ingresso e permanência no mercado de trabalho é uma excelente estratégia para o desenvolvimento do potencial de qualquer pessoa. Pensar a dimensão dessa conquista para a pessoa com deficiência, é qualificá-la continuamente como protagonista da sua história, responsável por suas escolhas, independente, autônoma, digna e reconhecida socialmente.

Desta forma, percebe-se que a inserção da pessoa com deficiência no mercado de trabalho permite uma série de reflexões nas relações de trabalho, a qual desencadeia a necessidade de novos estudos e da ampliação de estratégias inclusivas para o ingresso e permanência da pessoa com deficiência no mundo do trabalho.

Profa. Dra. Karina de Carvalho Magalhães é Coordenadora do Centro Interdisciplinar da Pessoa com Deficiência da PUC-Campinas

 

 

Coluna Pensando o Mundo: Mal – Estar na inclusão: como (não) se faz

Por Ruth Maria Rodrigues Gare

 Você já deve estar achando que este é mais um livro falando de inclusão de pessoas com deficiência e provavelmente pensando: mais um livro defendendo a inclusão e toda aquela teoria, os problemas enfrentados pelos alunos com deficiência na escola, citação de documentos oficiais como Declaração de Salamanca, etc. Claro que conhecer todos estes documentos é muito importante e são imprescindíveis para a reflexão sobre os direitos dos alunos com necessidades educacionais especiais, e saber o que é discutido na comunidade acadêmica é muito produtivo, porém, um posicionamento responsável contribui para práticas mais promissoras, inclusivas e humanizadas nos contextos educacionais.

"Com certeza será uma leitura prazerosa onde os autores que contribuem com a obra vão desfilando diversos teóricos"_ Divulgação
“Com certeza será uma leitura prazerosa onde os autores que contribuem com a obra vão desfilando diversos teóricos”_ Divulgação

Não, este livro traz muito mais do que isso, o tema é a Inclusão sim, mas a brincadeira com a expressão “mal-estar” na verdade é a tentativa dos organizadores e dos seus autores de levarem o leitor a repensar de forma cuidadosa as questões de inclusão.

Ao refletir sobre o sujeito da inclusão, os textos apresentados o levarão para além dos estereótipos construídos nos discursos que emergem nas escolas pelas metanarrativas de professores e comunidade escolar, os dizeres do lugar comum.

Com certeza será possível compreender que imbricado no título Mal-estar na inclusão: como (não) se faz, o “não” revela a possibilidade de ver nas ações inclusivas o lugar ocupado pelos sujeitos protagonistas. Não se trata de invenções ou simples arcabouço teórico, mas de pessoas reais que de alguma forma, por meio de diferentes práticas de ensino-aprendizagem, conseguiram superar os desafios propostos pelos contextos educacionais e viveram momentos de transformações.

A obra está dividida em duas partes, na primeira os sujeitos enunciadores apresentam um posicionamento, segundo as próprias organizadoras, responsável e produtivo do ponto de vista da psicanálise; já na segunda parte, o olhar crítico trata da governamentalidade dos corpos.

Essa divisão deve-se ao referencial teórico, pois os artigos foram desenvolvidos à luz da perspectiva discursivo-desconstrutivista, segundo as organizadoras, numa possível interface com a psicanálise lacaniana.

Complicado!!!! Não!! Com certeza será uma leitura prazerosa onde os autores que contribuem com a obra vão desfilando diversos teóricos: BAUMAN, Z.; CAPOVILLA, F,C;  CORACINI, M.J.R.F; DELEUZE, G;  FREIRE, P;  ORLANDI, E.; FOUCAULT, M; FREUD, S; QUADROS, R.M;  SASSAKI, R.; SKLIAR, C.;  MANTOAN, M.T.E;  VIGOTSKY, L.S;  entre outros, a lista é grande, mas, muito rica. São 14 artigos que se harmonizam no sentido de mostrar abordar a inclusão como dispositivo biopolítico da governamentalidade em nome de uma causa democrática.

As organizadoras do livro, a professora Drª Márcia Aparecida Amador Mascia da Universidade São Francisco, atua no curso de Pós-Graduação Stricto Sensu e sua pesquisa gira em torno das questões de ensino-aprendizagem de línguas para ouvintes e surdos, em diferentes contextos educacionais. Problematiza os modos de subjetivação e identificação dos sujeitos no mundo contemporâneo. A professora Elzira Yoko Uyeno professora da Unitau produzia (faleceu antes da publicação do livro em 2014) com pesquisas no eixo temático: exclusão e resistência (Unicamp). A Juliana Santana Cavallari (Fatec) possui como temas de pesquisa práticas discursivo-pedagógicas, avaliação, análise de material didático de língua estrangeira, práticas inclusivas, tradução e modos de subjetivação.

O livro que Mal-Estar na Inclusão: como (não) se faz, foi publicado pela Editora Mercado de Letras em 2014 e pode ser encontrado nas melhores livrarias a um preço bem acessível. São 360 páginas de um material, denso, sério e atualizado, com uma prática repensada em múltiplas dimensionalidades.

Você, caro leitor, está convidado para essa leitura que com certeza revelará singularidades da inclusão que o ajudarão a percebê-la como substância e não apenas forma, como possibilidade real e com responsabilidade.

Boa leitura !!

Prof.ª Drª Ruth Maria Rodrigues Gare é docente no curso de Letras da PUC-Campinas

 

 

PUC-Campinas é representada no Conselho Municipal de Educação

Por Giovanna Oliveira

O Conselho Municipal da Educação (CME) é um órgão deliberativo, cujo objetivo é auxiliar a Secretaria Municipal da Educação de Campinas na construção do Plano Municipal de Ensino.

O Conselho desempenha funções normativas, deliberativas e de
assessoramento. No que se refere ao Ensino Superior na cidade de Campinas, são somente duas as entidades representantes: PUC-Campinas e Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Atualmente, a Universidade é representada por duas profissionais da Faculdade de Educação, a titular, Profa. Me. Fernanda Furtado Camargo, e a suplente, Profa. Dra. Maria Auxiliadora Bueno Andrade Megid.

O Jornal da PUC-Campinas foi conversar com as docentes sobre as atuais questões na Educação de Campinas.

Enquanto um Conselho Deliberativo, ou seja, que tem ‘poder’ de
decisão, o que tem passado pelo CME nos últimos anos?

Fernanda Furtado Camargo: Uma das grandes preocupações atuais do Conselho tem sido a elaboração do Plano Municipal de Educação. Com a recente aprovação do Plano, foi instituído um fórum para discutir as questões relacionadas à elaboração desse Plano. O CME, neste momento, tem discutido como fazer para mobilizar a sociedade em função do desenvolvimento desse Plano, para que tenhamos, de fato, a participação de todos na sua elaboração. Que isso não fique
concentrado somente nos gabinetes, mas que toda a sociedade esteja envolvida.

Maria Auxiliadora B. A. Megid: A PUC-Campinas tem a preocupação, e vamos falar particularmente da área da Educação, de se fazer representada, e mais do que isso, de proporcionar as nossas visões, os nossos estudos aonde existe a Educação. Sobretudo na esfera do nosso município. E, por isso, essa representação que nós temos, não é figurativa. A gente participa das reuniões, das comissões. A gente não só ocupa uma cadeira, mas procura exercer de maneira bem competente essa influência.

Atualmente, há muita dúvida em relação à inclusão de pessoas com deficiência em escolas regulares. Como vocês avaliam que essa questão deve ser tratada?

F.C: Em relação à participação da PUC-Campinas, e aí não é uma definição do Conselho, a ideia é de que a inclusão escolar está posta. Temos de trabalhar nessa questão. As escolas têm de ter acessibilidade para que os alunos com necessidades diferenciadas consigam se manter na escola. Precisamos pensar em possibilidades de ampliar a formação de professores, como trabalhar com essas questões, para que eles saibam lidar em determinas situações.

M.M: A questão da inclusão escolar realmente está posta; de todo tipo de acessibilidade, tanto dos alunos com deficiências motoras, quanto com a visual, auditiva. Há, ainda, outro nicho, que é a questão dos locais com infraestrutura específica para determinados tratamentos.

É mais importante a inclusão dos alunos e não a separação deles?

M.M: Nós não podemos falar pelo Conselho, porque esse debate nem ocorreu lá ainda. Nossa postura, nossa posição como educadoras, e como representantes da Educação da PUC-Campinas, é acatar a deliberação, e dizer que nós não achamos interessante apartar essas crianças. Agora, as salas ditas “regulares” têm de ter as condições mínimas para que essas crianças estejam verdadeiramente incluídas. Porque, às vezes, o que percebemos é uma exclusão na inclusão. Ou seja, o menino, a menina, a criança, o jovem… Está dentro daquela sala, mas está apartado. Por exemplo, ele não ouve, e não tem um intérprete. Ou ele não enxerga, e não tem as condições necessárias de textos, entre outros, para que ele possa participar da aula. Ele é cadeirante e o espaço da sala é ínfimo, e ele não tem como se movimentar. Assim, não adianta. Ele tem de estar na sala, com as condições necessárias para que a inclusão ocorra de fato.

Existem soluções para essas questões?

F.C: Eu penso que pode, sim, ser feito um trabalho paralelo. Temos a inclusão no ensino regular, e pode ser feito um trabalho paralelo com essa criança, ou numa instituição especializada, ou numa sala de recursos, numa classe especial da própria escola, entre outros locais. Seria importante ter esse trabalho paralelo. Agora, o que precisamos garantir, realmente são as condições de trabalho do professor, as condições da sala de aula.

A preparação deve ir além da Instituição e dos professores, também?

M.M:  Sim, assim como das políticas públicas, do espaço físico, e do professor. E tudo isso engajando, também, a família, sobretudo das crianças nos anos iniciais, é parte fundamental. As crianças até 11, 12 anos não têm autonomia, elas necessitam desse apoio e essa conversa escola-família é fundamental.

Sobre o Ensino Público, qual opinião de vocês, enquanto Conselheiras, e também como educadoras, sobre a situação do Ensino Público em Campinas?

M.M: O Conselho busca garantir que tudo ocorra de modo a favorecer essa educação de forma plena. Ali são recebidos os problemas, as demandas, as preocupações da sociedade e das escolas. No que cabe ao Conselho, é assim que funciona. Agora, pensando como educadora, como pessoa que forma professores, que é nossa meta aqui na Faculdade de Educação, existe essa preocupação relacionada ao que é melhor, se o ensino particular, ou o público. É um “tripé”. Nós precisamos de Políticas Públicas adequadas, de professores engajados, e precisamos de um espaço escolar que nos dê condições para trabalhar.

Há diferenças entre o ensino público e o privado?

M.M: Há diferenças, sim, mas eu já vi escolas públicas muito boas, e não são poucas. Sobretudo as municipais. Escolas muito boas, que a despeito até de algumas dificuldades, sobretudo de ordem financeira, funcionam muito bem. E já vi escolas particulares com um nível que eu considero muito ruim. Não adianta ter bons livros, bons recursos, bons materiais, se a escola tem uma ideologia só de reprodução, não leva o aluno à reflexão.

F.C: Eu entendo que tem, sim. Eu penso que existe um esvaziamento de conteúdos, na escola pública mais do que na particular. Não temos um processo de apropriação por parte do aluno dos elementos da cultura, de como poderia ser feito. Mas o fato de isso acontecer em muitas escolas privadas, também não significa que ele se apropriou; a escola pode estar apenas reproduzindo determinada coisa, mas sem saber o sentido que aquilo tem para a sociedade.

Existe um motivo concreto para existir diferença entre os ensinos?
F.C: Creio que passa, sim, pelas Políticas Públicas, passa também, e talvez principalmente, pelas condições de trabalho do professor. Precisamos ter condições de trabalho garantidas, mesmo que minimamente. Por exemplo, o número de alunos em sala de aula, o salário, as condições mínimas da estrutura física de uma escola, uma gestão democrática, que seja participativa. Passa por tudo isso e quem vai definir as condições que devem ser colocadas são as Políticas Públicas.

O que o Conselho tem feito para auxiliar nas políticas públicas para
o ensino?

M.M: O Conselho é sensível às demandas, mas nem sempre consegue dar conta de todas elas.

F.C: Teve um encontro, em São Paulo, entre os Conselhos Municipais. E nessa última reunião de outubro, o vice-presidente do Conselho de Campinas relatou um pouco do que foi dito no encontro. Um dos principais problemas que tem sido enfrentado pelas prefeituras é a questão da Lei da Responsabilidade Fiscal. Existe, então, um limite dentro do orçamento da prefeitura, que pode ser utilizado em folha de pagamento. Temos, aí, uma demanda de 8 mil vagas de crianças sem creche. A prefeitura já comprou o prédio, o local já tem toda a estrutura pronta, mas não pode contratar mais professores, porque isso ultrapassa o limite dos 20%. Existem questões que, por mais que o Conselho discuta, fica engessado e não conseguem avançar.

Nada sobre nós sem nós

Empreendedorismo social de pessoas com deficiência intelectual é alternativa de inserção no mercado de trabalho

“Eu não gosto de ficar parada. Se eu não trabalhar, enlouqueço”, ri às gargalhadas. Para Ivani, o trabalho vai além de uma atividade de mercado. Pelo contrário, as atividades manuais, que mais tarde viram mercadoria, são a forma encontrada por ela para manter-se viva.

– Desde quando você borda e pinta panos de prato?
– Desde sempre.
– Com quem você aprendeu?
– Com a minha mãe. Em razão da epilepsia, ela entendeu que era melhor eu estar perto dela, em vez de trabalhar numa empresa.

A aluna no CIAD, Ivani Lopes, borda, pinta e vende seus produtos
A aluna no CIAD, Ivani Lopes, borda, pinta e vende seus produtos

E foi assim que Ivani Vieira Lopes, de 43 anos, tornou-se sua própria “empresa”. Além dos trabalhos artísticos, como a pintura e o bordado, ela, juntamente com sua mãe, adquiriu um carrinho de cachorro-quente e vende os lanches que prepara.

Já que o mercado tradicional não se adequou a ela, Ivani adequou o “mercado” às suas necessidades. A empreendedora, que é mãe de um rapaz de 19 anos, pretende, agora, ampliar suas atividades de mercado com o apoio do CIAD (Centro Interdisciplinar de Atenção à Pessoa com Deficiência), que freqüenta desde os 20 anos.

No segundo semestre de 2014, o CIAD, em parceria com a Pró-Reitora de Extensão e Assuntos Comunitários da PUC-Campinas, adentrou uma nova fase no trabalho de inclusão social, que já pratica desde 1997. Agora, todas as energias dos profissionais estão concentradas em preparar os alunos para o mercado de trabalho, como explica a atual Coordenadora do Centro Interdisciplinar de Atenção à Pessoa com Deficiência, a psicóloga Karina Magalhães.

Tecnologia como ferramenta para empreender

Muitos alunos se dedicam à costura, artesanato e ao marketing por meio das redes sociais, como é o caso da Letícia Fernandes Nicoletti, 32 anos, que é consultora de uma marca de produtos cosméticos. “Agora com as oficinas de inclusão digital, os alunos vão aprimorar a qualificação para o mercado de trabalho”, explica a professora da oficina, Cristiana Dias.

Leticia Nicoletti - Consultora de produtos comesméticos e aluna no CIAD
Leticia Nicoletti – Consultora de produtos cosméticos e aluna no CIAD

Quando eu pergunto com quem Letícia aprendeu a arte de vender, ela logo me corrige e diz que ela não é vendedora. “Eu sou consultora. É diferente”. E continua: “comecei a me envolver com essa atividade por causa da minha mãe, que sempre trabalhou com cosméticos, maquiagem”, conta. Durante a entrevista, Letícia manifesta suas habilidades profissionais e quase convence a repórter a comprar a mercadoria: “Sabe por que esse produto é melhor do que os outros?”, a jovem empreendedora tem a resposta, sendo capaz de convencer qualquer consumidor que se trata do melhor produto do mercado.

Concentração. Atividades físicas são fundamentais para a inclusão no mercado de trabalho
Concentração. Atividades físicas são fundamentais para a inclusão no mercado de trabalho

Essa habilidade para os negócios foi adquirida em razão da integração de Letícia com os outros alunos do CIAD, como garante sua mãe, Dona Enedina Nicoletti. “Hoje, ela é formada em técnico administrativo pelo SENAI e agora vai aprimorar suas habilidades, nessa nova etapa do CIAD”, acredita. Letícia é calma e disciplinada. Fez questão de organizar a mesa para que pudesse mostrar suas mercadorias.

Para o Coordenador das Oficinas de Modalidades Esportivas do CIAD, Professor Vanderlei Palandrani Junior, “é necessário que as pessoas sejam reconhecidas pelas suas potencialidades e não pela sua deficiência, retratada por seu diagnóstico clínico. O trabalho para construção de um projeto que inclua ações empreendedoras é imprescindível para qualquer ser humano, independente de suas características e condições”, completa.

Além da inclusão digital e atividades físicas, haverá preparação para o mundo do trabalho e orientação vocacional, que vão possibilitar, segundo a Coordenadora do CIAD, que os alunos se tornem empreendedores de suas ações, possibilitando sua efetiva atuação profissional no mercado de trabalho formal e informal.

Atualmente, o CIAD inclui 160 alunos com diferentes tipos de  deficiências (física, mobilidade reduzida, intelectual e sensorial). O público atendido é composto por 60 pessoas institucionalizadas , ou seja, atendidas por instituições, tais como a APAE de Arthur Nogueira e o Instituto Norberto de Souza Pinto; 69 pessoas com deficiência intelectual, três pessoas com deficiência sensorial e 28 pessoas com deficiência múltipla (física e intelectual). Os alunos são moradores de Campinas e Região Metropolitana (Sumaré, Jaguariúna, Valinhos, Hortolândia e Capivari).

Aula com as mídias digitais faz parte das atividades de inclusão no mercado de trabalho
Aula com as mídias digitais faz parte das atividades de inclusão no mercado de trabalho

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