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Tecnologia, Inovação e Novidades da PUC-Campinas

O segundo semestre de 2017 começa turbinado na PUC-Campinas. Nas asas da tecnologia, esta edição acompanha o embalo apresentando matérias sobre doze novos Cursos, cinco deles a distância, que alinham a Universidade com as tendências contemporâneas do ensino, seja aquele exercido em sala de aula, seja aquele efetuado a distância. Além de amplo comentário sobre os Cursos, conduzido pelo Pró-Reitor de Graduação, Professor Dr. Orandi Mina Falsarella, aqui você conhece todos os detalhes do Universo PUC-Campinas, espaço de contato da Universidade com o público da região, em especial os vestibulandos.

A tecnologia está presente, também, em quatro matérias, que analisam desde os impactos das inovações na economia, até as casas sustentáveis propostas pela moderna arquitetura, passando pelas alterações do universo poético patrocinadas pela tecnologia e pelo olhar vigilante da crítica, que analisa distorções que ela pode causar na sociedade, críticas estas presentes no cinema e nas reflexões filosóficas.

Tecnologia faz lembrar, também, que, por conta dela, o mundo está cada vez menor e os países cada vez mais próximos, tema da matéria sobre dois seminários pautados nas relações da China com a América Latina. A abordagem do assunto ajuda o leitor a entender como o Curso de Relações Internacionais da PUC-Campinas prepara profissionais que vão atuar nesse complexo universo globalizado.

Problemas que desarticulam a sociedade, como o consumo de drogas e, em sentido contrário, ações que integram socialmente as pessoas, usando a dança como ferramenta, também estão nesta edição, que ainda traz versos de Mário Quintana, para ler e pensar sobre o Dia dos Pais, informações importantes sobre o Programa PUC-Campinas Empreende e orientações sobre a prática de exercícios físicos nos dias frios de inverno.

Como sempre, as matérias trazem a chancela dos jornalistas que integram o Departamento de Comunicação Social da Universidade e dos Professores, Mestres ou Doutores nos assuntos que tratam, reunindo razões de sobra para classificar o Jornal da PUC-Campinas como fonte de aprendizagem e referência de reflexão.

 

Programa PUC–Campinas Empreende está com inscrições abertas até o dia 15 de setembro

Por Sílvia Perez

Quem deseja empreender terá a oportunidade de receber informações valiosas, por meio do Programa PUC-Campinas Empreende, sobre como começar o próprio negócio, qual o melhor ramo de atividade para se investir, principalmente agora, diante desse cenário de crise econômica e desemprego que o país atravessa. As inscrições para o 2º semestre podem ser realizadas até o dia 15 de setembro.

Podem se inscrever alunos ou ex-alunos dos Cursos de Graduação e de Pós-Graduação da Universidade, assim como professores e funcionários da PUC-Campinas.

O PUC-Campinas Empreende inclui dois projetos: Ideias de Negócio e Pré-Incubação de Ideias.

O Coordenador do Programa, Tiago Aguirre, explica a diferença entre os projetos: “O projeto Ideias de Negócio apoia a criação de grupos interdisciplinares e a experimentação de ferramentas para modelagem de negócios utilizadas por Startups e Corporações, estimulando a formação de uma comunidade de empreendedores. Já o projeto Pré-Incubação de Ideias atua no processo de validação das ideias de negócio por meio do relacionamento com potenciais clientes do produto ou serviço idealizado, no desenvolvimento do protótipo de um produto, processo ou serviço, estimulando a criação de novas empresas que ofereçam ao mercado produtos ou serviços diferenciados”, destaca.

Mais informações sobre o programa e inscrições estão disponíveis no link: https://www.puc-campinas.edu.br/proext/programa-puccampinas-empreende/.

 

A estreita relação entre economia e inovação

Por Prof. Dr. Izaias de Carvalho Borges – Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas

A relação estreita entre inovação tecnológica, crescimento econômico e melhora nas condições de vida de uma nação é conhecida pelos economistas desde a publicação da “Riqueza das Nações”, de Adam Smith, em 1776, que é considerada por muitos historiadores do pensamento econômico como a obra que marca o nascimento das Ciências Econômicas como um campo autônomo do saber. Para Smith, o crescimento da produção e do consumo depende do crescimento da produtividade do trabalho, que, por sua vez, depende de dois fatores: a divisão social do trabalho e o progresso tecnológico.

Uma característica do desenvolvimento socioeconômico de uma nação é a significativa melhora nas condições de vida da população, que pode ser medida por indicadores como o aumento da expectativa de vida, redução da mortalidade infantil e aumento no nível de escolaridade. Por trás dessa melhora estão inovações tecnológicas de diversas naturezas. Os eletrodomésticos, que aumentam o conforto e liberam tempo livre para outras atividades, como por exemplo, mais tempo para estudar. Medicamentos e vacinas, que reduzem a mortalidade infantil e permitem uma vida mais longa e saudável. Enfim, seria impossível pensar na vida confortável que temos hoje sem as inúmeras inovações tecnológicas dos últimos 60 anos, pelo menos. As tecnologias não são condições suficientes para a qualidade de vida, porque esta depende também de outros fatores, mas são condições necessárias.

As inovações tecnológicas podem ser classificadas de duas formas: as inovações que criam novos produtos e as inovações que melhoram o processo produtivo. A aspirina, a caneta esferográfica, o forno de micro-ondas, os televisores, o notebook, o tablet e os smartphones são exemplos de inovações de produto. As reduções de custos e o aumento da produtividade são exemplos de mudanças que podem resultar de inovações de processo. As inovações de produtos são as mais conhecidas da população em geral. Por isso, quando falamos de inovações tecnológicas, é comum pensarmos somente nos novos produtos, principalmente nos eletrônicos.

As inovações de processo são tão importantes quanto às inovações de produto para uma vida confortável e segura. Um exemplo é o caso da produção de alimentos. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), entre 1960 e 2010, a população mundial cresceu de 3,1 para 6,5 bilhões de pessoas. Apesar disso, no mesmo período, o crescimento da produção mundial de alimentos superou o crescimento populacional. Ou seja, em 2010, a produção mundial per capita de alimentos era maior do que em 1960, a despeito da população ter se duplicado neste período. O crescimento da produção agrícola neste período foi resultado basicamente do aumento do rendimento por hectare. Entre 1961 e 2006, enquanto a produção agrícola aumentou 150%, a área cultivada aumentou menos que 30%. O crescimento do rendimento, por sua vez, só foi possível pela difusão e adoção de muitas inovações de processo, que além de aumentar a produtividade por hectare, permitiram a redução de custos de produção.

A importância da tecnologia para a qualidade de vida no século atual será tão ou mais importante do que no século passado. Enquanto no século passado o grande desafio foi o aumento da produção e da renda per capita, no atual o desafio será o do desenvolvimento sustentável, que consiste em conciliar o crescimento econômico e demográfico com a preservação ambiental. De acordo com estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), a população mundial deverá aumentar de 7,3 bilhões de pessoas em 2015 para 8,5 bilhões em 2030. Ainda assim, a renda per capita continuará crescendo, principalmente nos países megapopulosos como China e Índia. O crescimento demográfico e o crescimento da renda per capita mundial pressionarão a demanda de diversos bens e serviços intensivos em recursos naturais. Ocorrendo o crescimento previsto da população e da renda, em 2030 as demandas por energia, água e alimentos deverão aumentar, respectivamente, em 50, 40 e 35%. Além disso, em 2014, 768 milhões de pessoas no mundo não tinham acesso à água tratada, 2,5 bilhões não tinham condições sanitárias adequadas e 1,3 bilhão de pessoas não tinham acesso a eletricidade. Portanto, o mundo precisará crescer tanto para atender a demanda oriunda do crescimento populacional e da renda quanto para atender as necessidades dos que hoje ainda não usufruem de condições de vida minimamente aceitáveis.

Assim, a tecnologia será fundamental para desenvolvermos processos produtivos mais sustentáveis, sobretudo nos setores críticos, como na produção de alimentos e de energia. Não por acaso, um dos objetivos da Agenda 2030, que estabeleceu os objetivos do desenvolvimento sustentável, se refere à necessidade de modernizar a infraestrutura e capacitar as indústrias para torná-las sustentáveis, aumentando a eficiência no uso de recursos naturais e adotando tecnologias e processos produtivos mais limpos e menos poluentes. Para que isso seja possível, a Agenda recomenda “fortalecer a pesquisa científica e melhorar as capacidades tecnológicas de setores industriais em todos os países”.

Enfim, as inovações tecnológicas serão condições necessárias para que possamos assegurar padrões sustentáveis tanto de produção quanto de consumo. Muitas inovações atuais, já disponíveis para os consumidores, apresentam atributos que favorecem tanto o uso mais eficiente de recursos naturais quanto à diminuição de resíduos. Como exemplo, podemos destacar as lâmpadas de LED, que possuem maior eficiente energético, e os automóveis elétricos e híbridos, que poluem bem menos.

 

II Congresso Internacional de Criatividade acontece de 27 a 29 de junho na PUC-Campinas

Por Sílvia Perez

Entre os dias 27 e 29 de junho, a PUC-Campinas, em parceria com a Associação Brasileira de Criatividade e Inovação – CRIABRASILIS – realizará o II Congresso Internacional de Criatividade e Inovação – Teorias e Práticas em Contextos Interdisciplinares.

O objetivo do Congresso é divulgar a produção brasileira sobre criatividade e inovação, possibilitar o intercâmbio de pessoas e organizações, contribuir para uma reflexão criativa e atuação inovadora, fazer a interface entre os diferentes campos de expressão criativa e de inovação, incentivar as produções científicas, artísticas, culturais e educacionais no país.

O evento contará com a participação de conferencistas pesquisadores brasileiros e estrangeiros, com trabalhos em 22 áreas temáticas: Políticas públicas inovadoras; Ética na criatividade e inovação; Inovação e impacto social; Educação e criatividade; Ciência e tecnologia; Inovação e sustentabilidade; Inovação e Empreendedorismo; Projetos sociais inovadores; Invenções e Patentes; Educação de Talentos; Economia criativa; Criação e invenção; Patrimônio cultural; Cidades inteligentes; Complexidade e metadesign; O papel da criatividade na saúde; Ambientes inteligentes; Inovação e processos organizacionais; Criatividade e inovação na mídia brasileira; Psicologia positiva e bem-estar subjetivo; Ecoinovação e desenvolvimento sustentável; Artes e Literatura.

De acordo com a presidente do Congresso, Profa. Dra. Solange Muglia Wechsler, o evento é muito importante, principalmente, nesse momento de crise em que o país atravessa. “Por ser um Congresso Interdisciplinar, vamos debater os mais diferentes temas, porque queremos pensar de maneiras diferentes, já que em momentos de crise precisamos ser criativos, desenvolver soluções inovadoras para construirmos um país melhor”, destaca.

A programação conta com 43 opções de minicursos e oficinas no primeiro dia de evento; já no segundo e terceiro dias, acontecerão mesas-redondas, debates, conferências, pôsteres para que os participantes possam pensar em soluções criativas para as mais variadas situações.

Mais informações sobre o evento e inscrições estão disponíveis no link: www.congressocriatividade.org.br

Eclesiocom

E no dia 17 de agosto de 2017, a PUC-Campinas sedia a XII Conferência Brasileira de Comunicação Eclesial, a Eclesiocom, das 8h às 17h. As atividades no período da manhã acontecerão no Auditório Dom Agnelo Rossi, já no período da tarde, os Grupos de Trabalho serão nas salas do Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (CCHSA), no Campus I da Universidade.

Podem ser inscritos trabalhos científicos que foquem a relação entre a Comunicação e Religião, em especial que abordem o cenário brasileiro contemporâneo, a partir dos campos da Comunicação Social e das Ciências Humanas. O prazo de inscrição vai até o dia 15 de junho (http://portal.metodista.br/eclesiocom/2017/inscricoes).

Informações pelo e-mail: clc.12eclesiocom@puc-campinas.edu.br

“Uma teoria transformadora da educação é aquela empenhada em mudar a finalidade da educação”, afirma Demerval Saviani

Em entrevista especial ao Jornal da PUC-Campinas, o Professor Emérito da Unicamp, Dermeval Saviani, que abriu o Planejamento Acadêmico-Pedagógico do 1º semestre de 2017, contextualizou e problematizou as noções de transformação e inovação na educação, retomando a importância da Pedagogia Histórico-Crítica desenvolvida por ele. O pesquisador também abordou a ideia de interdisciplinaridade na ciência, o papel e a formação dos futuros professores no Brasil: “Uma formação sólida só pode ser atingida por meio de cursos presenciais de longa duração articulados com a instituição de uma carreira docente em tempo integral numa única escola com metade do tempo destinado às aulas e a outra metade voltada às demais atividades como preparação das aulas, avaliação dos estudantes, acompanhamento dos alunos que apresentam maiores dificuldades de aprendizagem, participação nos colegiados de gestão da escola e com salários dignos”, afirmou.

A sua palestra na PUC-Campinas terá como tema “Fundamentos filosóficos e pedagógicos das metodologias de ensino”. Comente sobre o que pretende abordar na palestra?

Para abordar o tema que me foi proposto pretendo partir dos dois modelos de formação docente que tenderam a se generalizar quando, no século XIX, foram sendo organizados os sistemas nacionais de ensino: o primeiro, que denomino como “modelo dos conteúdos culturais cognitivos”, se baseia no enunciado “quem sabe, ensina” entendendo que basta ao professor dominar os conteúdos que lhe cabe ensinar aos alunos; e o segundo, “modelo pedagógico-didático”, entende que, além dos conteúdos, o professor precisa dominar os procedimentos pedagógico-didáticos mediante os quais ele transmitirá os conhecimentos aos seus alunos. O primeiro prevaleceu nas universidades para formar os professores de nível secundário; e o segundo, prevaleceu nas Escolas Normais para formar os professores primários. Por aí podemos entender a despreocupação dos professores das instituições de nível superior com a questão didático-pedagógica que se mantém ainda hoje. Tendo presente esse quadro analisarei os fundamentos filosóficos e pedagógicos das principais teorias da educação tendo como referência os conceitos de inovação e de transformação. E concluirei procurando encaminhar a questão do desenvolvimento da metodologia do ensino nas instituições universitárias voltada para a transformação estrutural da sociedade.

Como o senhor analisa a atualidade da Pedagogia Histórico-Crítica para uma escola de qualidade?

Em minha palestra farei uma distinção entre os conceitos de inovação e transformação considerando que, se toda transformação é inovação, nem toda inovação é transformação. O conceito de transformação remete à mudança da própria forma, isto é, da essência do fenômeno ao qual se refere. Portanto, uma teoria transformadora da educação é aquela empenhada não apenas em mudar os meios, os procedimentos, os métodos de ensino, mas a própria finalidade da educação articulando-a com a transformação social, isto é, com a mudança estrutural da sociedade. E é nesse âmbito que se situa a pedagogia histórico-crítica indo, pois, além tanto das teorias não críticas como das teorias crítico-reprodutivistas. Portanto, nesse momento de crise estrutural da sociedade capitalista impõe-se a necessidade de sua transformação que não se processará sem que sejam preenchidas as condições subjetivas, o que coloca a exigência da organização da educação voltada para a transformação social. Assim sendo, a pedagogia histórico-crítica revela-se extremamente atual para viabilizar uma escola de qualidade que oriente as atividades de ensino numa direção transformadora visando a superar as práticas pedagógico-metodológicas hoje predominantes no ensino superior cujas inovações, consciente ou inconscientemente, colocam-se na perspectiva da manutenção e reprodução aperfeiçoada da ordem social vigente baseada no modo de produção capitalista.

Prof. Dr. Demerval Saviani é Professor Emérito da UNICAMP/ crédito: João Zinclar

Como avalia a formação dos futuros profissionais que atuarão na educação infantil ao ensino superior?

É consenso que a formação dos professores no Brasil está marcada por vários tipos de deficiência. No entanto, as mudanças propostas vêm na direção não da superação da precariedade, mas de seu agravamento. Precisamos de professores com uma formação sólida, consistente, que lhes assegure um grande domínio da cultura acumulada assim como dos processos pedagógico-didáticos que garantam a apropriação do acervo cultural por parte dos educandos. E a formação de professores com essas características só pode ser atingida por meio de cursos presenciais de longa duração articulados com a instituição de uma carreira docente em tempo integral numa única escola com metade do tempo destinado às aulas e a outra metade voltada às demais atividades como preparação das aulas, avaliação dos estudantes, acompanhamento dos alunos que apresentam maiores dificuldades de aprendizagem, participação nos colegiados de gestão da escola e com salários dignos. No entanto, as políticas que vêm sendo propostas caminham na contramão dessa orientação ao pretender a instituição de cursos de curta duração, a distância, voltados mais para atividades práticas, mantidas as condições de salário e de trabalho docente com todas as limitações hoje vigentes.

“A pedagogia histórico-crítica revela-se extremamente atual para viabilizar uma escola de qualidade que oriente as atividades de ensino numa direção transformadora visando a superar as práticas pedagógico-metodológicas hoje predominantes no ensino superior”

Qual é o papel e a importância do professor na educação?

O papel do professor é fundamental. Ele é, sem dúvida, o agente principal do processo educativo. Concordo, pois, com Gramsci que conferia papel central ao corpo docente entendendo que, na escola, o nexo instrução-educação só pode ser representado pelo trabalho vivo do professor, pois o professor tem consciência dos contrastes entre o tipo de sociedade e de cultura que ele representa e o tipo de sociedade representado pelos alunos. Por estar consciente desse contraste entre seu lugar e o lugar do aluno no processo educativo, o professor tem consciência também de que sua tarefa é acelerar e disciplinar a formação da criança conforme o tipo superior em luta com o tipo inferior. Conclui, então, que com um corpo docente deficiente afrouxa-se a ligação entre instrução e educação e o ensino degenera em mera retórica que exalta a educabilidade do ser humano em contraste com um trabalho escolar esvaziado de qualquer seriedade pedagógica. Parece que é essa a situação em que nos encontramos hoje no Brasil quando proliferam os discursos exaltadores da importância da educação ao mesmo tempo em que se esvaziam as escolas e a própria figura do professor dos conteúdos relevantes e da seriedade pedagógica.

Como o senhor avalia a ideia de interdisciplinaridade no ensino superior? Até que ponto ela é positiva ou negativa? Por quê?

Em meados do século XX a interdisciplinaridade surgiu como via para se contornar o especialismo que marcou o desenvolvimento da ciência. Althusser fez a análise crítica da interdisciplinaridade, considerada por ele como uma ideologia, resumida ironicamente nos seguintes termos: “quando se ignora algo que todo mundo ignora, basta reunir a todos os ignorantes; a ciência surgirá da reunião de ignorantes”.  A discussão sobre a interdisciplinaridade até nossos dias atesta a fortuna assim como a controvérsia associadas a esse conceito. Para além da interdisciplinaridade, o que está em causa é o problema do método do conhecimento científico, ou seja, o caminho que o homem percorre para conhecer a realidade. O processo de conhecimento científico se constitui como a passagem do empírico ao concreto pela mediação do abstrato. É, pois, ao mesmo tempo, indutivo e dedutivo, analítico-sintético, abstrato-concreto, lógico-histórico. Vê-se, assim, que as abordagens disciplinares e interdisciplinares correspondem ao momento analítico, ao passo da abstração que, evidentemente, é necessário para se passar do empírico (síncrese) ao concreto (síntese); do todo (caótico) figurado na intuição ao todo (articulado) apropriado pelo pensamento. Em suma, o processo de conhecimento corresponde à passagem da síncrese à síntese pela mediação da análise. É esse o caminho que devemos seguir se quisermos proceder cientificamente no sentido dialético que implica a articulação das categorias de totalidade, contradição e mediação.

Retrospectiva PUC-Campinas 2016

O ano de 2016 da PUC-Campinas foi de muitas conquistas e comemorações. Em junho, a Universidade celebrou seus 75 anos de fundação, fato que rendeu inúmeras comemorações ao longo do ano. Porém, como não é possível falar sobre tudo que a Universidade promoveu, elencamos os principais acontecimentos que foram notícia

Por Amanda Cotrim

Em maio, a PUC-Campinas realizou o Colóquio Laudato Si’: Por uma Ecologia Integral, que contou com a presença do Magnífico Reitor da PUC-Rio, Prof. Dr. Pe. Josafá Carlos de Siqueira. O tema escolhido foi baseado na Encíclica do Papa Francisco, “Laudato Si’: sobre o cuidado da Casa Comum”, que apresenta texto sobre a ecologia humana; o primeiro documento escrito integralmente pelo Papa Francisco, que buscou inspiração nas meditações de São Francisco de Assis, patrono dos animais e do meio ambiente.

Restauro do Solar do Barão, antigo Campus Central.
Restauro do Solar do Barão, antigo Campus Central.

O ano de 2016 também foi importante, pois a Universidade anunciou o restauro do Solar do Barão, antigo Campus Central. A iniciativa será possível em razão do financiamento coletivo, que se dará tanto por pessoa jurídica e física, quanto por edital de fomento. Diante da responsabilidade cultural que a legislação orienta, a PUC-Campinas observa que a preservação do patrimônio cultural é uma obrigação de toda a sociedade civil.

A Universidade foi destaque no Guia do Estudante de 2016, ficando entre as melhores universidades, segundo a avaliação realizada pelo Guia do Estudante. Ao todo, a Instituição teve 33 cursos estrelados, que constarão na publicação GE Profissões Vestibular 2017. A publicação estará nas bancas a partir do dia 14 de outubro de 2016. A Universidade recebeu 120 estrelas, tendo os cursos de Direito e Pedagogia avaliados com cinco estrelas, considerada a mais alta.  Além destes, 17 cursos, foram estrelados com quatro estrelas.

Nos 75 anos da PUC-Campinas, o Jornal da Universidade também foi especial, pois resgatou vários acontecimentos históricos que marcaram a instituição. A edição comemorativa do Jornal da PUC-Campinas resgatou fatos e pessoas que se destacaram em 75 anos de História, bem como abriu espaço para manifestações diversas sobre o significado dessa História para os tempos presente e futuro da Universidade. Esse movimento reafirmou e confirmou que, nos seus diferentes modos de ser e fazer, com variados recursos, incluindo os mais atuais e modernos, de perfil informatizado, a comunicação destacou-se como preocupação precípua e valor de primeira grandeza da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

A instituição também reconheceu e homenageou os Docentes Pesquisadores da PUC-Campinas, evento que fez parte das Comemorações aos 75 anos de fundação da Universidade.

Semana Monsenhor Salim: Integrando as comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade, por meio do Museu Universitário e da Faculdade de História, promoveu a Semana Monsenhor Dr. Emílio José Salim, de 13 a 17 de junho, no Campus I. Em meio a palestras com mediadores e rodas de conversa, que abordaram temas como “Década de 1940: o surgimento das Faculdades Campineiras”, “Monsenhor Dr. Emílio José Salim e o seu tempo (1941 a 1968)”, “Memórias e Convivências”, a PUC-Campinas buscou refletir sobre a conjuntura nacional e internacional, no período de atuação de seu primeiro Reitor, Monsenhor Dr. Emílio José Salim. Corpo e alma da Instituição desde o seu nascedouro, e à época, uma das maiores autoridades de Ensino Superior do País, o Monsenhor Dr. Emílio José Salim foi peça chave da organização da maioria dos cursos superiores da Igreja nas décadas de 40 e 50. Tornou-se o principal esteio do projeto de implantação das Faculdades Campineiras e seu primeiro Reitor, entre os anos de 1958 a 1968.

40 anos de reconhecimento: No ano do Jubileu de Diamante da PUC-Campinas, a Faculdade de Ciências Contábeis comemorou os 40 anos de Reconhecimento do Curso.

Destaque na Extensão: a PUC-Campinas foi destaque no Congresso Brasileiro de Extensão Universitária (CBEU), o maior e principal encontro brasileiro da área de Extensão. Em 2016, em sua sétima edição, o Congresso aconteceu na Universidade Federal de Ouro Preto, no mês de setembro. A Universidade teve destaque no evento ao participar com 12 comunicações orais e 23 pôsteres, totalizando 35 apresentações.

Alunos e professores se destacaram: A Universidade, em 2016, comemorou muitas conquistas junto aos seus alunos, como a Parceria com a CPFL Energia e Dell, a qual possibilitou que os estudantes do curso de Engenharia Elétrica da PUC-Campinas, por meio da disciplina “Práticas de Engenharia”, ministrada pelo Prof. Dr. Marcos Carneiro e pelo Prof. Me. Ralph Robert Heinrich, participam do “Projeto Residência Tecnológica”, considerado um exercício inovador de ensino-aprendizagem.

Ainda na Engenharia Elétrica, o aluno Giordano Muneiro Arantes venceu em primeiro lugar Prêmio Melhor Trabalho de Conclusão de Curso, com o trabalho “Sensores para melhoria na locomoção de pessoas com deficiência visual”. Outro aluno premiado foi o estudante de Jornalismo da PUC-Campinas, Ricardo Domingues da Costa Silva, que venceu o 19º prêmio FEAC de Jornalismo, na categoria Produto Universitário, assim como Jhonatas Henrique Simião, de 22 anos, que ficou em primeiro lugar no 9º Prêmio ABAG/RP de Jornalismo “José Hamilton Ribeiro”.

Em 2016, a Profa. Dra. Maria Cristina da Silva Schicchi, docente do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da PUC-Campinas foi outorgada com o Prêmio ANPARQ 2016, da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, na categoria Artigo em Periódico, pela publicação “The Cultural Heritage of Small and Medium- Size Cities: A New Approach to Metropolitan Transformation in São Paulo-Brazil”, editado na traditional Dwellings and Settlements Review (v. XXVII, p. 41-54, 201).

Semana Cardeal Agnelo Rossi: Integrando às comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade, por meio do Museu Universitário e da Faculdade de História, promoveu a Semana Cardeal Agnelo Rossi, em setembro de 2016. A Instituição reuniu a comunidade universitária e a sociedade em geral e homenageou o Cardeal Agnelo Rossi, que ajudou a consolidar os alicerces da PUC-Campinas.

Outorga do Título Doutor Honoris Causa ao prof Dr José Renato Nalini - Lançamento do livro Cardeal Agnelo Rossi
Outorga do Título Doutor Honoris Causa ao prof Dr José Renato Nalini – Lançamento do livro Cardeal Agnelo Rossi

A PUC-Campinas também viveu dois momentos muito importantes em 2016: outorgou o título de Doutor Honoris Causa ao Professor Doutor José Renato Nalini, formado em Direito pela PUC-Campinas, Mestre e Doutor em Direito Constitucional pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Leciona desde 1969, quando iniciou suas atividades no Instituto de Educação Experimental Jundiaí (atual E.E. Bispo Dom Gabriel Paulino Bueno Couto) dando aula de Sociologia em aperfeiçoamento para professores. Desde então, nunca mais deixou de lecionar.

A Instituição também foi palco da terceira edição do projeto “Palavra Livre – Conscientização Política no Processo Eleitoral”, com sabatina aos candidatos à Prefeitura e à Câmara de Vereadores de Campinas, no mês de setembro. O projeto “Palavra Livre” acontece desde 2005 e promove debates democráticos sobre temas diversificados da atualidade. Em 2008, como parte do projeto, foi realizada a primeira Sabatina com candidatos à Prefeitura de Campinas, o que se repetiu em 2012 e em 2016.

Dom Gilberto participa da Semana em sua homenagem
Dom Gilberto participa da Semana em sua homenagem

Semana Dom Gilberto: Integrando às comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade promoveu a Semana Dom Gilberto Pereira Lopes, em outubro, reunindo comunidade universitária e a sociedade em geral, homenageando o Bispo Emérito de Campinas Dom Gilberto Pereira Lopes, que atuou como Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da Pontifícia Universidade Católica de Campinas no período de 1982 a 2004. A homenagem mostrou o histórico trabalho de Dom Gilberto frente à Arquidiocese de Campinas e à PUC-Campinas e prestou agradecimento pela sua dedicação e amor para com a Universidade e para com o seu povo.

Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”: Integrando às comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade realiza de 07 a 10 de novembro de 2016 o Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”. O evento foi organizado pelo Núcleo de Fé e Cultura e teve o objetivo de discutir a Doutrina Social da Igreja, por meio de conferências e mesas-redondas.

Coluna Pensando o Mundo: Novo Prédio da Faculdade de Direito: um salto para o futuro

No ano de 2009, a Faculdade de Direito, juntamente com as demais instâncias da Universidade, decidiu realizar o Vestibular de Inverno para ingresso de uma nova turma no matutino e outra no noturno. Entretanto, esse novo Processo Seletivo traria novos desafios diante do aumento de número de alunos em um Curso já populoso, saltando o corpo discente de 1800 para 2400 alunos, fato que levaria a rever a infraestrutura do Campus Central, situação que provocou a retomada da antiga ideia de mudança da Faculdade de Direito para o Campus I.

Em construção o novo prédio de Direito, no Campus I da PUC-Campinas (crédito: Álvaro Jr).
Em construção o novo prédio de Direito, no Campus I da PUC-Campinas (crédito: Álvaro Jr).

A Faculdade de Direito, que funciona no Campus Central desde 1952, ano do oferecimento de sua primeira turma, tendo o Pátio dos Leões como seu maior símbolo, teria de discutir a possibilidade da mudança. Após extensa discussão com a comunidade acadêmica, corpos docente e discente concordaram com a mudança para o Campus I, em novo prédio que seria construído. Durante as discussões, foi levada em consideração, além das novas instalações, a possibilidade de maior contato com os demais alunos do Campus I, sobretudo do Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (CCHSA), o que propiciaria maior riqueza na vida universitária dos alunos, podendo o Curso de Direito contribuir para os demais Cursos do CCHSA e claro, também receber contribuição.

O novo prédio irá atender às demandas específicas da Faculdade de Direito com moderna infraestrutura do Núcleo de Prática Jurídica para abrigar a Assistência Judiciária e o Juizado Especial Cível, com salas para realização de audiências reais e simuladas, Salão do Tribunal do Júri e Auditório com capacidade para 300 pessoas.

Prof. Me. Peter Panutto acompanha as obras de perto (crédito: Álvaro Jr)
Prof. Me. Peter Panutto acompanha as obras de perto (crédito: Álvaro Jr)

Em julho de 2014, as obras tiveram início para a construção do novo prédio da Faculdade de Direito no Complexo do CCHSA, ao lado das instalações da Faculdade de Educação Física (FAEFI), com previsão de entrega para dezembro de 2015. Esse novo prédio marcará um salto para o futuro da Faculdade de Direito da PUC-Campinas, uma das melhores e mais tradicionais do Brasil, a qual passará a desenvolver suas atividades em modernas instalações, fato que resultará na melhoria da qualidade do Curso, o qual conta, desde agosto de 2013, com novo projeto pedagógico, adequado às contemporâneas tendências da educação jurídica. Quanto à tradição, o Campus Central continuará em seu lugar, podendo receber eventos da Faculdade de Direito, sob a guarda do Pátio dos Leões.

Prof. Me. Peter Panutto, Diretor da Faculdade de Direito da PUC-Campinas.

Jogo da Logística: Uma nova maneira de ensinar

Prática considerada inovadora concilia duas metodologias ativas de ensino-aprendizagem: jogos de empresa e ensino baseado em resolução de problemas

Por Eduardo Vella

Brincar para aprender. É deste modo que os alunos da disciplina de Logística Empresarial, do curso de Administração, da PUC-Campinas entram na sala de aula. Utilizando-se de um jogo de tabuleiro inspirado no mapa rodoviário do estado de São Paulo, com cartas, dados e peças do “Banco Imobiliário”, os estudantes compreendem o conteúdo e são preparados para o mercado de trabalho.

Foto: Álvaro Jr. Prof. Dr. Marcos Ricardo Rosa Georges
Foto: Álvaro Jr.
Prof. Dr. Marcos Ricardo Rosa Georges

Criado pelo docente do Centro de Economia e Administração da PUC-Campinas, Prof. Dr. Marcos Ricardo Rosa Georges, o Jogo da Logística é fruto de um projeto que começou em 2002 em uma disciplina de pós-graduação da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e que depois passou a ser ministrado nas aulas de Logística Empresarial, no curso de Administração, da PUC-Campinas.

O Jogo da Logística é uma prática pedagógica que utiliza elementos lúdicos de jogos de tabuleiro, como: cartas de clientes, cartas de produtos, cartas de veículos, dados e tabuleiro.

O Jogo da Logística é uma prática
pedagógica que utiliza elementos lúdicos

Sorteando-se cartas de clientes, do produto e da demanda de cada cliente, com a utilização de um dado, o jogo cria um cenário complexo sobre o tabuleiro e desafia os alunos a aplicarem conceitos e ferramentas da logística empresarial. É aplicado em duas fases: planejamento e operação de entrega.

No planejamento, os alunos devem responder: qual a melhor localização do Centro de Distribuição (CD) que atenderá os clientes; qual o nível de estoque adequado deste CD; e qual o tipo e quantidade de veículo que irá compor a frota. Na operação de entrega, os alunos planejam rotas para atender a demanda dos clientes, conforme o sorteio dos dados.

O Jogo da Logística ambienta-se, utilizando o mapa do estado de São Paulo como tabuleiro, porém mostrando somente as cidades incluídas no jogo, bem como, apenas as principais rodovias que ligam essas cidades.

Projeto pedagógico

A iniciativa surgiu com a reformulação do projeto pedagógico do curso de Administração, que incorporou as metodologias ativas de ensino aprendizagem como prática pedagógica institucional.

Assim, o antigo projeto aplicado na disciplina de logística empresarial, que era desenvolvido pelos alunos de forma tradicional, recebeu influências das metodologias ativas, na qual o aluno participa do processo de aprendizado, e foi transformado em um jogo de tabuleiro, aplicado segundo os preceitos do aprendizado baseado em problemas, numa perspectiva de jogos empresariais.

Nesta nova perspectiva, o cenário passou a ser dado por sorteios – cartas e dados -, visualizado em um tabuleiro e o problema apresentado na forma de desafios logísticos.

“A abordagem baseada em jogos permite o desenvolvimento de habilidades e atitudes nos alunos como: trabalho em equipe”

Desde a sua primeira aplicação na Universidade, em 2007, o Jogo da Logística já beneficiou mais de 700 alunos, envolveu três professores em duas disciplinas na Faculdade de Administração da PUC-Campinas (Logística Empresarial e Administração da Cadeia de Suprimentos).

“A abordagem baseada em jogos permite não só a transmissão do conhecimento, mas também o desenvolvimento de habilidades e atitudes nos alunos como: trabalho em equipe, aprendizagem autônoma, capacidade de problematização, desenvolvimento
do raciocínio lógico, uso de planilhas, entre outros”, explica o criador do jogo e docente do Centro de Economia e Administração da PUC-Campinas, Prof. Dr. Marcos Ricardo Rosa Georges.

“O primeiro e mais evidente resultado está no entusiasmo demonstrado pelos alunos quando se vêem diante de uma disciplina que será dada por meio de um jogo de tabuleiro”, completa o docente.

Ao longo destes anos que o jogo vem sendo desenvolvido, ele já foi publicado e apresentado em alguns dos principais eventos científicos da área da Administração, como o SIMPOI (organizado pela EAESP/ FGV-SP) e o ENGEMA (organizado pela FEA -USP), e compôs o primeiro capítulo do livro “Jogando Logística no Brasil”, que reúne diversos jogos de logística.

“Essas publicações permitiram que professores de diferentes instituições do Brasil me procurassem para pedir informações e aplicar o jogo em suas instituições”, revela o Prof. Marcos Georges.

Confira o trecho de uma aula com o jogo da logística.

Imagem e Edilção: Giovanna Oliveira

A Cidade do Conhecimento

Planejamento estratégico quer transformar Campinas em referência nacional

O Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia (CMCT) de Campinas foi criado oficialmente no primeiro semestre de 2014. O objetivo é que o CMCT auxilie o poder público para que, em 10 anos, Campinas se torne referência e seja reconhecida internacionalmente como a “Cidade do Conhecimento”. Para isso, o Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia elaborou o Planejamento Estratégico, que prevê ações que potencializam a “vocação” da cidade na área de ciência e tecnologia, desde infraestrutura, recursos humanos, planos de energia, cidade “conectada”, formação de alunos em escolas técnicas até captação de indústria e de pesquisadores. O Planejamento Estratégico será uma espécie de “guia” do poder municipal e tem previsão para se tornar um livro a ser lançado ainda em 2014.

O mais novo Conselho Municipal de Campinas é consultivo e conta com 30 membros, entre titulares e suplentes. A PUC-Campinas está participando dessa iniciativa e é representada no Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia pelos docentes Prof. Dr. José Oscar Fontanini de Carvalho (titular) e pelo Prof. Dr. Juan Manuel Adán Coello (suplente).

1 – Gostaria que vocês se apresentassem, mencionando a área de formação e de atuação:
Oscar de Carvalho (O.C.): Sou graduado em Análise de Sistemas, com mestrado e doutorado em Engenharia Elétrica (automação e engenharia de software, respectivamente). Atualmente, sou diretor da faculdade de Análise de Sistema, da PUC-Campinas.

Adán Coello (A.C.): Tenho mestrado e doutorado em Engenharia Elétrica. Sou diretor da faculdade de Engenharia de Computação da PUC-Campinas.

2 – Como surgiu o Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia (CMCT)?
O.C.: Já existia um grupo de pessoas, representado por algumas entidades, interessado em montar um conselho voltado para a Ciência, Tecnologia e Inovação. Essas pessoas já se encontravam, informalmente, e discutiam a ideia. A partir daí, foi feita uma carta aberta chamando a sociedade para participar. A PUC-Campinas foi um das instituições de ensino convidadas, a outra foi a Unicamp.

3 – Apesar de o CMCT existir há menos de um ano, o Conselho já criou o Planejamento Estratégico de Ciência e Tecnologia de Campinas. Em que ele consiste?
O.C.: Os participantes foram divididos em grupos temático e passaram a desenvolver estratégicas para que, num período de 10 anos (2014-2024), Campinas se torne a Cidade do Conhecimento. O que poderá ser feito na próxima década? Planejamos ações desde a parte de infraestrutura e recursos humanos, até planos de energia, formação de alunos em escola técnica e superior e a captação de indústria, com incentivos. Esse plano se transformará em um livro, que será publicado ainda em 2014 e servirá de material para o poder municipal se “guiar”. Lembrando que não há qualquer obrigação nisso, o material ficará disponível para ser seguido ou não.
A.C.: O plano é transformar Campinas na cidade referência de ciência e tecnologia. Para isso, em vez de o município trazer um parque químico de produção, por exemplo, poderá trazer o grupo de tecnologia e desenvolvimento dessas empresas.

4 – Pode citar algumas mudanças no cotidiano que seriam implantadas com esse Plano Estratégico?
O.C.: O plano prevê aumentar e melhorar a rede lógica da cidade. Ou seja, teríamos uma rede digital muito melhor. Essa rede promoveria a conexão entre centros de saúde, hospitais e escolas.

5 – Além do Planejamento Estratégico de Ciência, Tecnologia e Inovação, existe alguma ação efetiva que será executada em curto prazo?
A.C.: Estamos planejando a Feira de Ciência e Tecnologia para Campinas. O objetivo é que essa feira tenha a duração de uma semana e seja um espaço de intercâmbio entre estudantes, inicialmente, do estado de São Paulo, mas, futuramente, de todo o país. A expectativa é que já em sua primeira edição, a feira atraia cinco mil jovens do Ensino Médio ou que estão buscando uma profissão. A previsão é que essa feira se realize em 2015.
O.C.: A gente precisa atrair os estudantes para as áreas de ciência e tecnologia. Precisamos investir nisso. E a Feira de Ciência e Tecnologia vai ter papel fundamental nisso.

6 – Como o Planejamento Estratégico idealizou atrair empresas nas áreas de Ciência, Tecnologia e Inovação?
A.C.: O município está reformulando a lei de incentivo fiscal. O Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia vai sugerir qual área terá incentivo, além de uma série de medidas que estimule a instalação de empresas em Campinas. Uma cidade com qualidade de vida, atrairá pessoas.

7 – Em razão das ações que visam transformam a cidade de Campinas em um município de referência para o Brasil em Ciência e Tecnologia, em que medida o CMCT vem dialogando com o Conselho Municipal do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Urbano, por exemplo, para que essas ações não sejam, de alguma forma, danosas para Campinas?
O.C.: Essa questão é fundamental. Ainda não fomos chamados para dialogar com os outros conselhos. Imagino que isso acontece entre os secretários envolvidos. No caso do Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia, o coordenador é o Secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Samuel Ribeiro Rossilho. Imagino que isso será feito. Precisa ser feito. Mas, até agora, não houve discussão interdisciplinar. O que tem sido feito é a participação da sociedade na discussão da Ciência, Tecnologia e Inovação. Eu acho até que podemos levar essa pergunta para a reunião do conselho.
A.C.: O que ficou claro é que o padrão de vida da cidade é importante para atrair novas empresas e investimentos. Certamente, essas preocupações são fundamentais.

8 – É a primeira vez que vocês participam de um Conselho Municipal?
A.C.: É a primeira vez e estamos gostando. A Universidade tem de procurar, sempre que possível, sair do campus. É uma oportunidade de encontrar pessoas de outras áreas, que atuam dentro da Ciência, Tecnologia e Inovação. Além do contato com o poder público.
O.C.: Eu também nunca tinha participado. E, para mim, está sendo uma experiência muito enriquecedora. É uma maneira de retribuirmos para sociedade, que deu chance para nós. A PUC-Campinas tem uma missão: as pesquisas da Universidade trabalham em âmbito regional. É uma vocação da PUC-Campinas.