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Páscoa, cultura e tradição

Por Prof. Dr. Wagner José Geribello – Assessor Especial da
Reitoria da PUC-Campinas

Páscoa compõe o tema central desta edição de abril, mês em que a Liturgia Católica celebra a Ressurreição de Jesus Cristo, legitimando a abordagem religiosa do assunto.

A Pascoa é, também, evento cultural, implicando comportamentos e características específicas ao período, desde repercussões econômicas, até hábitos que a sociedade incorpora e transforma em tradição. Assim, as matérias desta edição cobrem variado leque de enfoques do período, como as oscilações de preços de produtos “sobrevalorizados” nesta época, a exemplo do peixe e do chocolate, até a tendência cada vez mais acentuada de oferecer “presentes vivos”, no caso coelhos.

O Jornal da PUC-Campinas de abril também abre espaço para tratar de assuntos da atualidade que, de certa forma, caminham na contramão dos sentimentos e valores pascais, em especial aqueles referentes à solidariedade. A intensificação de fluxos migratórios e a tragédia dos refugiados tematizam artigo que resgata as origens e expõe as razões desse fenômeno que persiste na mídia internacional e tem reclamado ações e posições dos governos e das sociedades nacionais ao redor do Planeta.

Questões urbanas relevantes também figuram no cardápio de matérias, algumas positivas, como as perspectivas promissoras das Cidades Inteligentes, ou negativas, como a nefasta relação entre a falta de tratamento de esgoto e a consequente redução quantitativa e qualitativa da água potável disponível.

Eventos internos também estão na pauta, com destaque para a Mostra de Talentos, que valoriza e dá ampla visibilidade à produção dos Trabalhos de Conclusão de Cursos (TCC) na Graduação.

Além disso tudo, o Jornal da PUC-Campinas ainda tem cinema e informações importantes sobre o cotidiano acadêmico, reunindo razões de sobra para ser lido, comentado e também usado como instrumento de ensino e aprendizagem em aulas, estudos e trabalhos, justificando o encerramento deste editorial com desejos sinceros de boa Páscoa, boa leitura e bom aproveitamento.

 

Vans e ônibus – acesso e permanência nos Campi

Uma das funções da Pró-Reitoria de Administração (PROAD) da PUC-Campinas é garantir a segurança de alunos, professores e funcionários e, para isso, conta com um sistema normativo que tem o objetivo de organizar o fluxo de veículos nos Campi e impedir a entrada de veículos de transporte fretado (vans, ônibus e micro-ônibus) não autorizados, além de adequar as condutas individuais e coletivas às normas em vigor na Instituição.

É importante que a Comunidade Universitária e os operadores do transporte fretado fiquem atentos às seguintes orientações e normas:

  1. a entrada e permanência nos Campi estão condicionadas a prévio controle e ao selo identificador afixado no para-brisa do veículo, que devem ser cadastrados junto ao Departamento de Segurança Universitária;
  1. os veículos devem permanecer estacionados, única e exclusivamente, nos bolsões a eles destinados;
  1. no Campus I, a entrada e saída devem ocorrer, obrigatoriamente, somente pelos portões 1 e 4, com área de embarque e desembarque na Av. Dom Humberto Mazoni, em frente ao Prédio H-00 e na Av. Cardeal Dom Agnelo Rossi, em frente ao Bloco C – CCHSA;
  1. no Campus II, o embarque e desembarque de Vans devem ocorrer, obrigatoriamente, pela entrada principal do HMCP, em frente ao Ambulatório de Especialidades e o embarque e desembarque de Ônibus fretados, no estacionamento de alunos, em local especialmente reservado;
  1. as paradas para embarque e desembarque devem ocorrer somente nos locais designados, face à existência de faixa de travessia de pedestres e com fiel obediência aos horários escolares de entrada/saída dos usuários;
  1. O reiterado descumprimento das orientações e normas ensejará o cancelamento da autorização de entrada nos Campi da PUC-Campinas.

 

PÁSCOA – RELIGIÃO Vida ressignificada!

Por Pe. João Batista Cesário

Duelam forte e mais forte: é a vida que enfrenta a morte! (…) Vi Cristo ressuscitado, o túmulo abandonado!” Esses versos são da Sequência Pascal, hino festivo que a Igreja canta no Domingo da Páscoa da Ressurreição do Senhor, exultando de alegria por sua vitória sobre a morte. De fato, “Jesus de Nazaré foi um homem aprovado por Deus…pelos milagres, prodígios e sinais que Deus realizou por meio dele, entre vós” (At 2,22) – testemunhou Pedro no dia de Pentecostes. “Ele andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos… e nós somos testemunhas de tudo que Jesus fez na terra dos judeus e em Jerusalém” (At 10,38-39) – insistia o apóstolo. Entretanto, “eles o mataram, pregando-o numa cruz. Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia” (At 10, 39-40) – concluiu Pedro. E, à luz de sua Páscoa, a história do passado do povo de Deus foi relida e reinterpretada sob nova perspectiva, enquanto novos horizontes se abriam para o futuro da humanidade.

Com efeito, no passado, no ambiente da cultura semítica, a festa da Páscoa era a celebração da partida dos rebanhos para as pastagens de verão, associada mais tarde à festa dos “pães ázimos” (sem fermento), que marcava o início das colheitas, momento muito importante na vida agropastoril.

A experiência do Êxodo ou da libertação do povo de Deus da escravidão no Egito, ocorrida nos dias das celebrações pascais, conferiu novo significado à Pascoa que, desde então, se tornou a celebração da libertação que Deus garantiu ao seu povo e o reinício de sua história numa terra prometida.

Após a morte e ressurreição de Jesus nos dias da páscoa judaica, os cristãos ressignificaram o sentido dessa festa, que passou a ser a celebração da vitória de Cristo sobre a morte. Com efeito, Páscoa é passagem, e, assim como no passado, os hebreus passaram pelo Mar Vermelho a pé enxuto para vencer os grilhões da escravidão (Êxodo), agora é Cristo que, realizando um novo êxodo, passa da morte para a vida. “Imolado como cordeiro pascal dos cristãos” (1Co 5,7), Cristo ofereceu sua vida em sacrifício (Jo 10,18), morreu por amor a todos e ressuscitou para garantir vida plena para a humanidade.

Assim, a festa da Páscoa é desafio de renovação espiritual; de ressignificação de costumes, práticas e da própria vida; de retomada de bons propósitos e projetos; e de realização de travessias para utopias (que, literalmente, ainda não têm lugar, mas permanecem latentes na história) a serem construídas em vista de outro mundo possível, no qual todos possam viver digna e plenamente – um mundo com mais pontes de fraternidade e integração e menos muros de intolerância e exclusão!

 

Você sabe como está a qualidade da água no Brasil?

Por Prof. Dr. Antonio Carlos Demanboro – Professor dos Programas de Pós Graduação em Sistemas de Infraestrutura Urbana, Sustentabilidade e Engenharia Elétrica da PUC-Campinas

Em pleno século XXI, a qualidade da água dos rios está diretamente relacionada com a falta de saneamento básico no país. As informações disponíveis no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), para o ano de 2015, apontam que o índice médio de coleta de esgotos nas cidades foi de 74,0%, ou seja, 26% dos esgotos gerados nas cidades sequer foi afastado das residências. Mais alarmante ainda é o fato de que, do total de esgotos coletados, apenas 42,7% foram tratados. Ou seja, apenas 31,6% dos esgotos gerados nas cidades foram tratados.

Mas, como a eficiência média dos processos de tratamento é da ordem de 85%, apenas 26,9% do esgoto gerado foi efetivamente tratado. O volume total de esgoto tratado foi de 3.805.022 mil metros cúbicos. Logo, 14.167.024 mil metros cúbicos de esgoto foram lançados inadequadamente, sendo que a maior parte desse esgoto atingiu diretamente os rios do país.

Para se ter uma ideia dos desafios necessários para coletar todo esse esgoto gerado nas cidades, a extensão total de redes de água, em 2015, foi de 602.408km, enquanto que a extensão total das redes de esgoto foi de apenas 284.041km. Assim, para atingir o mesmo nível de fornecimento de água tratada, de 93,1%, será necessário construir em torno de 318.367 quilômetros de redes de esgoto, para atender mais de 65 milhões de pessoas. O documento completo está disponível em www.snis.gov.br.

Nesse sentido, é bem-vindo o recente trabalho da Fundação SOS Mata Atlântica que retirou amostras e efetuou análises de qualidade da água dos rios em 1607 locais, abrangendo 73 municípios de 11 estados. Os resultados apontaram que apenas 2,5% das amostras tiveram qualidade boa e em nenhum ponto a qualidade foi ótima. O estudo completo está disponível em www.sosma.org.br.

Os desafios para a universalização do esgotamento sanitário no país são enormes e este desafio demandará uma atuação direta dos profissionais das diversas áreas do conhecimento, para ser vencido. No dia 22 de março comemorou-se o Dia Mundial da Água, mas não há muito o que se comemorar.

 

Leia mais no link http://exame.abril.com.br/brasil/o-brasil-nao-tem-o-que-comemorar-neste-dia-mundial-da-agua/

 

Tempos de crise: como trabalhar a imagem e a reputação das empresas

Por Prof. Dra. Maria Rosana Ferrari Nassar – Professora da Faculdade de Relações Públicas da PUC-Campinas

As novas tecnologias da informação e de comunicação realocaram as relações sociais, modificando as instâncias de mediação política, econômica e social da dimensão espacial para a temporal, instituindo o princípio da instantaneidade. No mundo altamente interconectado da atualidade, em que tudo pode ser divulgado instantaneamente, as organizações estão mais suscetíveis a abalos à sua imagem. Veja-se, por exemplo, a mais recente crise em que se veem envolvidas algumas empresas do setor da carne, resultante de uma ação conduzida pela Polícia Federal.

Sob a perspectiva da comunicação, crises são acontecimentos que potencialmente podem desestabilizar a organização, causando danos à sua imagem. A melhor ação sempre é a prevenção. Para tanto, conhecimento do mercado, aperfeiçoamento de processos internos; políticas de comunicação e de qualidade; treinamento e respeito ao consumidor são essenciais. A organização precisa conhecer seu público e estabelecer formas eficientes de comunicação com ele. E, assim, definir uma política preventiva de conflitos e crises, elaborando manuais, treinando seus colaboradores, fazendo a gestão de relacionamentos com seu público, pesquisas de satisfação, dentre outras ações.

Contudo, quando a crise se instala, a organização, que atua segundo valores sólidos, tem melhor condição para agir com mais eficiência. Se a organização coloca o cliente em primeiro lugar, esse é um valor que tende a orientar sua ação no gerenciamento de crises. Para tanto, a recomendação é agir com alteridade. Nessa situação, o ideal é instalar de imediato um comitê de crise que deve agir com cautela, inteirando-se dos fatos e das versões que assumem nas diferentes mídias e agir com transparência, rapidez, confiança, comunicar-se com clareza e eficiência. A melhor política é não mentir. Recomenda-se não subestimar a situação e nem negligenciar seus colaboradores. A organização também não deve colocar-se como vítima e nem agir como se o problema não existisse ou não fosse com ela. Nesses casos, superiores, sócios e colaboradores devem ser informados rapidamente. E não se deve acreditar que o respaldo legal seja suficiente para proteger a organização. Afinal, quando se trata da imagem, os aspectos éticos são mais relevantes. De qualquer modo, seja para prevenir ou para remediar, a atuação do profissional de Relações Públicas é essencial para identificar possíveis ameaças, formas de evitá-las ou detê-las e mesmo para reconstruir a imagem da organização.

 

 

PÁSCOA – ECONOMIA Efeitos sazonais

Por Prof. Dr. Izaias de Carvalho Borges – Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas

Páscoa é alegria, época destinada a transformação interna de todos os cristãos. Essa renovação tem início no período da Quaresma, momento de recolhimento e reflexão espiritual, de preparação para a festa do renascimento de Cristo. A data religiosa acaba influenciando no aumento do consumo e dos preços de alguns produtos, principalmente chocolates e peixes, recebendo dos economistas um termo específico para traduzir o fato, chamado sazonalidade.

A sazonalidade resulta de mudanças sazonais, ou seja, mudanças temporárias, típicas de determinada época ou estação do ano. Por ser temporária, a variável que está sofrendo o efeito da mudança sazonal, normalmente os preços, tende a regressar a seu nível inicial após certo tempo.

Existem, basicamente, dois tipos de sazonalidade: as climáticas e as culturais. As climáticas – influenciadas pelas estações do ano – são as principais causas de oscilações nos preços de alguns alimentos ao longo do ano. As sazonalidades climáticas podem influenciar tanto a oferta quanto a demanda. Por exemplo, no caso de algumas frutas, como o limão, a oscilação do preço ao longo do ano é resultado tanto de alterações sazonais na oferta quanto na demanda. A colheita normalmente ocorre entre dezembro e abril. Nos meses de outubro e novembro os preços costumam aumentar muito por dois motivos: a oferta está muito baixa (período da entressafra) e a demanda por bebidas está aquecida, influenciada pelo aumento da temperatura nesse período.

Já as sazonalidades culturais são influenciadas por costumes de uma população ou por festas religiosas. Esse tipo de sazonalidade geralmente influencia apenas a demanda de produtos específicos, normalmente alimentos e bebidas. A Páscoa é um exemplo de um evento religioso que gera efeitos sazonais sobre os preços de dois produtos: o chocolate e os peixes. A tradição de comer peixes na Sexta-feira Santa e de presentear pessoas com chocolates no Domingo de Páscoa faz com a demanda de ambos os produtos aumente e, consequentemente, os seus preços.

Uma questão importante é: quais estratégias o consumidor pode adotar frente às oscilações sazonais dos preços. Uma primeira estratégia é, quando possível, antecipar as compras. Por exemplo, comprar peixes na semana que antecede a Semana Santa pode não ser o melhor momento. Os preços costumam ter picos próximos ao dia principal do evento. A segunda estratégia é pesquisar antes de comprar. Os preços podem se diferenciar muito, tanto em função da variedade de marcas, tamanhos e sabores, quanto pela concorrência entre os varejistas. Alguns estudos mostram, por exemplo, que o preço de um ovo de Páscoa, com a mesma marca e mesmas características, pode oscilar até 150%.

 

PÁSCOA – COMPORTAMENTO Coelhos como presente

Por Prof. Dr. João Flávio Panattoni Martins – Diretor da Faculdade de Medicina Veterinária

Estamos chegando ao final da Quaresma!

Na última semana destes quarenta dias de orações e penitências, designada Semana Santa, celebramos e comemoramos o Tríduo Pascal, que prevê os eventos mais marcantes e importantes do ano litúrgico cristão. Este período de profunda significância para nós católicos, que retrata a Paixão de Cristo, culmina no Domingo de Páscoa, quando festejamos intensamente o dia da Ressurreição de Cristo.

Nesse momento de renascimento, o Domingo da Ressurreição é, tradicionalmente, simbolizado pelo Coelho da Páscoa, que representa a fertilidade, o nascimento, a vida nova! Muitos relatos comprovam, desde antigas civilizações, a representação da fertilidade simbolizada pelos coelhos, por serem animais muito prolíferos de intensa atividade reprodutiva.

No entanto, percebe-se que esta simbologia associada à prática de originalmente se distribuir ovos de galinha pintados às crianças, vai sendo reinventada através das gerações, sendo inclusive, bastante influenciada pelas atividades comerciais. Os ovos se tornaram doces cada vez mais sofisticados, ansiosamente aguardados não só pelas crianças.

Porém uma prática relativamente mais recente, normalmente estimulada pelo anseio de originalidade e inovação de comerciantes e consumidores, requer uma reflexão madura e responsável, o que, na maioria das vezes, não acontece.

Transformar o símbolo da fertilidade em presente vivo, não pode ser uma atitude impensada, pois se assim for, torna-se automaticamente irresponsável e cruel.

Nos meses posteriores à Páscoa, várias organizações e entidades envolvidas com a proteção e o bem-estar animal, relatam o expressivo aumento dos casos de abandono, maus tratos e de morte de coelhos.

As pessoas, normalmente agindo por impulso, não exercitam a consciência de que aquele lindo e sedutor filhotinho transformado em presente oportuno, se tornará adulto e por toda sua vida irá requerer espaço, assistência e dedicação de um tutor consciente da responsabilidade assumida. Se essa consciência estiver presente, esses animais normalmente são muito dóceis e afáveis, tornando essa convivência muito agradável e prazerosa. Porém, coelhos são muito susceptíveis a doenças fúngicas, sarnas, pulgas e também não são raras as situações de destruição de plantas e jardins e a incompatibilidade de convivência com outros animais como cães e gatos. Nesse sentido, uma pessoa bem-intencionada poderá, rapidamente, se transformar em algoz do próprio “presente”. Por existirem os coelhos selvagens, vários acreditam que coelhos domésticos conseguirão sobreviver autonomamente quando abandonados em matas ou florestas, o que definitivamente não acontece, pois são altamente susceptíveis a estresse, predadores e dificilmente conseguirão se alimentar satisfatoriamente.

Sendo assim, percebe-se que essa euforia e suposto compromisso de posse responsável, assumidos inicialmente, tornam-se efêmeros e passageiros, afinal a estimativa de vida de um coelho doméstico é de 6 a 8 anos, e aquele lindo animal que simboliza fertilidade e vida nova, acaba sendo vítima de abandono e morte.

Instrua seus amigos!! Coelhos de presente?! …dê preferência aos de chocolate!!

Feliz Páscoa a todos!!

Informações adicionais no link abaixo:

http://emais.estadao.com.br/blogs/comportamento-animal/pascoa-chocolates-e-coelhos-com-moderacao/

 

Cidades ‘Inteligentes’ e Cidades ‘Sustentáveis’

Por Prof. Dr. Antonio Carlos Demanboro – Professor dos Programas de Pós Graduação em Sistemas de Infraestrutura Urbana, Sustentabilidade e Engenharia Elétrica da PUC-Campinas e Prof. Dr. David BianchiniProfessor, pesquisador e coordenador do Programa de Pós-graduação em Engenharia Elétrica, Professor das Faculdades de Engenharia Elétrica e Engenharia de Produção da PUC-Campinas

O termo cidades ‘inteligentes’ deriva do inglês ‘smart cities’. ‘Smart’ pode ser traduzido como inteligente e também como esperto, perspicaz, certo, excelente. Nesse sentido mais amplo, não é a cidade que é ‘inteligente’, mas, sim, as pessoas que a projetam, constroem, operam, mantêm e vivem nela. Ela não pode ser ‘inteligente’ a ponto de nos submeter a algo que não queremos ou não desejamos, fundamentalmente deve trazer consigo a ética de propiciar o maior bem possível a todos.

Por outro lado, devido ao crescente número de pessoas que vivem em grandes cidades, utilizar tecnologias que aumentem a eficiência dos vários processos que acontecem nesses espaços urbanos é algo fundamental. Dessa forma, a utilização de sensores para controlar o desperdício de energia na iluminação pública e em nossas residências, de equipamentos que adequem os semáforos ao fluxo de veículos, de sistemas que controlem o desperdício de água na rede de distribuição e em nossas casas, dentre outras infindáveis aplicações da tecnologia digital é extremamente importante.

Já o termo cidades ‘sustentáveis’ deriva de ‘sustainable cities’. ‘Sustainable’ pode ser traduzido como sustentável, mas também como durável, duradouro, viável.

Mas o que nos sustenta? A resposta é que dependemos dos recursos naturais. Uma cidade inteligente e sustentável é, então, aquela que dá condições para uma melhor qualidade de vida para sua população. Nesse contexto, faz sentido aliar os conceitos de cidades ‘inteligentes’ e cidades ‘sustentáveis’, pois ambos podem, sempre que utilizados corretamente, propiciar a preservação dos recursos naturais, melhorando a qualidade de vida e isso pressupõe o uso de novas tecnologias.

Quer saber mais sobre cidades ‘inteligentes’? Confira algumas reportagens sobre o assunto:

Revista Galileu – Cidades Inteligentes (hiperlink nas palavras Cidades Inteligentes com o link: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,ERT338454-17773,00.html)

Exame – Conheça 3 cidades inteligentes pelo mundo  (hiperlink no título sublinhado com o link: http://exame.abril.com.br/tecnologia/conheca-3-cidades-inteligentes-pelo-mundo/)

 

Desafios para as Cidades Inteligentes no Brasil

Por Sílvia Perez

A Organização das Nações Unidas (ONU) tem apontado, com certa preocupação, o fato de a população mundial estar se tornando cada vez mais urbanizada. Nesse contexto, o desenvolvimento urbano passa a ser mais um desafio coletivo enfrentado no mundo todo, devido, dentre outras causas, aos processos não planejados presentes no crescimento das cidades. Esse crescimento desordenado, muitas vezes, tem gerado impactos negativos na infraestrutura urbana, com problemas nas mais diversas áreas como transporte e trânsito, poluição, saneamento, iluminação, habitação, entre outros.

Planejar a ocupação dos espaços na cidade garante a melhor organização e distribuição do território, proporciona desenvolvimento econômico já que o planejamento vai determinar quais locais serão utilizados para moradia, comércio, serviços e lazer, garantindo, assim, uma mobilidade urbana melhor. Conhecer todo ambiente urbano, seus entornos, com suas fragilidades e potenciais a serem explorados, a idiossincrasia de sua população, com suas necessidades e expectativas, se constitui no desafio deste novo século.

Dentro desse quadro, uma nova abordagem é discutida na atualidade e, inclusive, tem sido implantada em muitas cidades do mundo que buscam fazer frente a esta realidade. De acordo com o docente e pesquisador da PUC-Campinas, Prof. Dr. David Bianchini, aos poucos, um novo conceito foi se constituindo, em meio à complexidade desse desafio. “Esse conceito, nascido incialmente apenas como Cidades Digitais, avançou para Cidades Inteligentes, cresceu ainda mais como Cidades Inteligentes e Sustentáveis e, por fim, amadurece mais recentemente para Cidades Inteligentes, Sustentáveis e Humanas”, explica.

A ideia envolve a possibilidade de um planejamento territorial mais complexo ao utilizar-se da tecnologia mais recente em seus processos, gerando uma cadeia interligada e sustentável. O objetivo é conseguir oferecer ao cidadão lazer, trabalho, escolas, enfim tudo que for preciso para uma vida com qualidade. No mundo atual, organizações importantes como, por exemplo, a ISO (International Organization for Standardization), já se voltam para ajudar nessa tarefa e apontam indicadores internacionais que permitem medir os níveis de sustentabilidade, qualidade de vida e bem-estar (Os leitores que desejaram ir mais além poderão consultar a Norma ABNT NBR ISO 37120:2017).

Bianchini destaca que, aqui no Brasil, uma das primeiras iniciativas nesse campo, é o Projeto das Cidades Digitais, que foi instituído por meio da Portaria no 376, de 19 de agosto de 2011, publicada no Diário Oficial da União, em 22 de agosto de 2011. “É de significativa importância para o Brasil a existência de um projeto estruturante cuja meta busca favorecer a criação de uma cultura digital em nossa sociedade”, afirma.

O docente e pesquisador reforça que é importante salientar que a presença de infraestrutura adequada permite o início de todo esse processo. “A iniciativa governamental no Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) busca montar uma infraestrutura que viesse a viabilizar a existência de serviços, aplicativos, dentre muitos outros projetos”, complementa.

Atualmente, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações tem o projeto Minha Cidade Inteligente, que define uma Cidade Inteligente como um território que traz sistemas inovativos e tecnologias da informação e comunicação (TICs) dentro da mesma localidade. “O projeto Minha Cidade Inteligente objetiva, além da implantação de redes e sistemas de alta capacidade, implantar serviços e infraestrutura de monitoramento e acompanhamento das condições locais, permitindo gerar dados para criação de aplicações inovadoras, bem como permitir o amplo acesso às informações. Além disso, buscará prover às localidades alta capacidade de formação e capacitação da população.”, detalha o edital do projeto.

Os projetos para a criação de Cidades Inteligentes no país vão muito além do que fornecer internet gratuita para a população, consistem em mapear o município, para garantir informações como o monitoramento do trânsito para modificar a ordem dos semáforos automaticamente se necessário. Outra característica de uma cidade inteligente e sustentável é o uso de energia “limpa”, como a solar ou a eólica, a redução dos índices de emissão de poluentes e o uso de tecnologia para otimizar serviços e melhorar a qualidade de vida da população.

No entanto, segundo especialistas são muitos os desafios para a implantação de uma Cidade Inteligente no Brasil. ‘Esses desafios passam pela busca de soluções que envolvem a sustentabilidade dos projetos. Além de implantar é preciso garantir a manutenção pelo próprio município e, aí, esbarra-se no orçamento, onde obter e manter continuadamente os recursos necessários para esse fim? Uma estrutura adequada para capacitar servidores públicos nessas cidades para que aconteça uma gestão e uso adequado da rede e dos serviços (uso e gestão de aplicativos de e-governo, por exemplo)?”, detalha Bianchini.

O cenário, apesar de difícil, ainda poderá possibilitar que o país se aproxime do ideal, já que muitas cidades se empenham realmente em atender os requisitos que as tornem inteligentes. Vão assim se destacando em áreas determinadas, apontadas como inteligentes em categorias específicas, como por exemplo, as categorias mobilidade, meio ambiente, energia, economia, urbanismo, educação, dentre outras.

Em Campinas, por exemplo, o Portal oficial da Prefeitura (http://www.campinas.sp.gov.br), traz uma notícia que revela que o município busca destaque na área. “Campinas se preparou, nos últimos quatro anos, para se tornar uma das referências do País como cidade inteligente, feito que a colocou como a cidade (não capital) mais inovadora do Brasil, segundo ranking do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação”, relata a nota.

 

Crise migratória no mundo

Por Juleusa Maria Theodoro Turra – Docente dos Cursos de Geografia, Turismo e Engenharia Civil. Ministra, dentre outras, a disciplina Geografia da População. É descendente de imigrantes do norte da Itália.

A migração, nas várias formas que assumiu, é assunto de grande complexidade. Envolve realidades – da/na origem e do/no destino – sujeitas a muitas transformações, com causas relativamente gerais e motivações múltiplas. Se é possível uma síntese dessa complexidade, ela é dada pelo duplo movimento de atração-repulsão, portanto tem como base as assimetrias entre nações ou regiões.

A atratividade dos destinos tem muitas faces, predominando as oportunidades de trabalho, mas crescentemente relacionadas a dimensões culturais e políticas. A repulsão, termo utilizado nos estudos demográficos, tem suas faces: desamparo, desesperança e desespero. Buscar outro lugar, talvez qualquer outro lugar.

Há vários registros de políticas de atração, especialmente ao longo dos séculos XX e XXI. Há exemplos no Brasil, com ações na Itália e Suíça, visando à ocupação do território e a opção à mão de obra escrava africana restringida ou proibida. Há acordos entre nações como o Bracero Program para os mexicanos nos EUA dos anos de 1940; a vinda de turcos para a Alemanha como Gastarbeiter; nos dois casos com permanência de tempo definido. Ficaram por decisão própria, ou de seus contratantes.

A integração de mercados e a liberdade dos fluxos de maior fluidez para produtos e recursos, não incluiu o fluxo de pessoas, mas permitiu maior informação sobre os lugares atrativos. Na outra ponta, seletivamente, incorporou significativos grupos. A mesma integração favoreceu a presença de empresas mundiais em países periféricos; criou proximidade como já havia ocorrido nos processos de colonização especialmente da África e da Ásia. São criadas redes de apoio no país de destino, solidárias ou como negócios, que mantêm a migração e dá o retorno com transferências de recursos para a origem.

A imigração foi resposta barata e rápida para uma necessidade de crescimento da produção ou suprimento de mão de obra, pelo baixo crescimento demográfico nos países centrais. As crises do regime de acumulação quebram esse equilíbrio, desde sempre instável. Também a crise global afeta os países de origem e as respostas dadas geram maior desequilíbrio, em vários casos desagregações sociais e territoriais.

Há, hoje, outro fluxo, com ou sem as redes de apoio próprias, fortemente marcadas por tragédias: os refugiados. Países ou regiões de diferentes níveis de desenvolvimento, não permitem a permanência e pessoas de diferentes qualificações buscam refúgio, fogem de conflitos políticos e bélicos. Sírios, afegãos, iraquianos, sudaneses são destaques nas estatísticas da União Europeia. Não é uma crise nacional ou local; é humanitária.

Alguns deles estão em Campinas, junto a migrantes de outras nacionalidades. Como são recebidos?  O que lhes é ofertado?

Filmes sugeridos:

Um dia sem mexicanos (2004). Direção Sergio Arau. Produção: EUA-México-Espanha – https://www.youtube.com/watch?v=cYJcfhxMkrQ

A viagem da esperança (1990). Direção Xavier Koller. Produção: Alemanha-Turquia- Suíça – https://www.youtube.com/watch?v=cI4_pKtjuE8

A grande mentira (2014). Direção Philippe Falardeau. Produção: EUA-Quênia-Índia