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Uma boa ideia precisa ser útil?

Por Amanda Cotrim

Uma boa ideia só será comprovadamente “boa” se for útil para a sociedade? A ciência precisa, necessariamente, ter uma utilidade para as pessoas? A resposta para essas duas questões pode ser sim, se considerarmos que a utilidade é um ingrediente para que o homem expanda sua interpretação sobre o mundo e sobre si. Mas a resposta também pode ser não, se a utilidade for atrelada a um valor econômico. “A Ciência propõe soluções para os problemas da vida, do meio ambiente, da sociedade. Esses seriam os ideais nobres da Ciência. Mas sabemos que o desenvolvimento da Ciência está associado, também, a interesses econômicos, militares, estratégicos de países, de grupos políticos, etc”, reflete o Pesquisador em Filosofia da PUC-Campinas, Prof. Dr. Douglas Ferreira Barros. Que continua: “No entanto, é preciso pensar que uma parte da Ciência só tem razão de ser quando ela não se preocupa com o princípio de ‘utilidade’, o que lhe garante, em certo sentido, a liberdade de pensar e expandir o conhecimento”.

Prof. Dr. Douglas Ferreira Barros- Crédito: Álvaro Jr.
Prof. Dr. Douglas Ferreira Barros- Crédito: Álvaro Jr.
Prof. Dr. Arlindo Gonçalves Jr- Crédito: Álvaro Jr.
Prof. Dr. Arlindo Gonçalves Jr- Crédito: Álvaro Jr.

Para o Doutor em Filosofia e docente da Universidade, Prof. Dr. Arlindo Gonçalves Jr, diferenciar o conceito de “utilidade” ajuda a compreender o papel da ciência e da tecnologia na sociedade brasileira atual. “O desenvolvimento da Ciência se dá por meio de um método rigoroso e sistemático; é nesse método que encontraremos a primeira instância da tecnologia, como um meio para o seu desenvolvimento e intervenção”, explica. O Pesquisador Barros complementa que a tecnologia tem a finalidade de aplicação em determinado fenômeno social, a exemplo das Engenharias.

“A tecnologia pode viabilizar o conhecimento científico, como aconteceu com o projeto Genoma, no qual o uso da tecnologia foi fundamental para o desenvolvimento da ciência”, exemplifica o Diretor da Faculdade de Ciências Biológicas da PUC-Campinas e Doutor em Biologia, Professor Edmilson Ricardo Gonçalves. “Dessa forma, ao mesmo tempo em que sem a tecnologia a ciência muitas vezes não consegue avançar, os conhecimentos científicos impulsionam a tecnologia para determinada direção, com o objetivo de contribuir para as necessidades da ciência”, completa. Quem também compartilha dessa relação promissora entre tecnologia e ciência é o Doutor em Engenharia Elétrica e Computação, Professor Carlos Miguel Tobar Toledo: “Não existe tecnologia sem ciência. A tecnologia é fundamental para a realização de pesquisas e para que haja produção de mais conhecimentos científicos”.

O Papel das Pesquisas Básicas

Prof. Dr. Edmilson Ricardo Gonçalves- Crédito: Álvaro Jr.
Prof. Dr. Edmilson Ricardo Gonçalves- Crédito: Álvaro Jr.

Para que o conhecimento científico e tecnológico se desenvolva são fundamentais as chamadas “pesquisas básicas”, isto é, conhecimentos originais que contribuem para o desenvolvimento da ciência, seja para ampliar suas próprias possibilidades ou para a revisão dos seus fundamentos. “As pesquisas básicas geram conhecimentos que podem ser aplicados, mas não necessariamente o são. A doença precisa de um diagnóstico, mas, antes disso, é necessário entender a doença, que é básica. Só com o conhecimento básico é que é possível desenvolver uma técnica para diagnosticar a doença”, explica o Diretor da Faculdade de Ciências Biológicas. “A principal característica da pesquisa básica é que ela está interessada em ampliar os horizontes sobre determinados fatos, fenômenos e dados. Não necessariamente tem uma finalidade aplicativa. Sua razão de existir é para ampliar as fronteiras do conhecimento estabelecido”, explica o Pesquisador Douglas Barros.

Seja o conhecimento básico ou complexo, é possível aplicar o conhecimento científico na vida das pessoas, de forma concreta; essa é uma das funções das ciências aplicadas, que possuem, por sua vez, “uma relação estreita com a produção de tecnologias, sendo seus métodos mais de natureza empírico-experimental”, complementa Arlindo Gonçalves Jr. Um exemplo é o Direito, considerado uma ciência aplicada, mas fomentada por áreas como filosofia, história e política.

Para o Diretor da Faculdade de Ciências Biológicas, é compreensível que a população de modo geral ache a ciência algo abstrato. No entanto, quando a tecnologia é aplicada no dia a dia das pessoas, segundo ele, a sociedade consegue enxergá-la melhor e percebe a sua importância. “Mas isso não quer dizer que por trás não exista uma pesquisa básica e teórica que embasou aquela tecnologia. Ela só não é possível ser vista. Mas existe”, acrescenta. “O trabalho dos cientistas pode ser estar isolado, mas nunca uma pesquisa científica está isolada de um contexto maior, no qual a Ciência se insere no mundo contemporâneo”, ressalta o Filósofo Barros.

A Sociedade e o Conhecimento Científico

Os sentidos de Ciência e Tecnologia são sempre em relação a determinada sociedade. O Brasil, para Gonçalves Jr, ainda não pode ser considerado um país científico, “pois para isso precisaria investir em um modelo suficientemente crítico da própria ciência, a fim de contribuir para o seu desenvolvimento”.

O mais importante, na opinião do professor Gonçalves Jr, é pensar qual é o papel de um país mais tecnológico ou mais científico, no mundo. Países em desenvolvimento e historicamente periféricos, como é o Brasil, sem o impulso de pesquisa básica e aplicada podem contribuir para uma hegemonia de países mais industrializados, sustentada nos poderes econômico, bélico e científico e associado à pesquisas chamadas “de ponta”. “Nesse sistema de tipo “neocolonialista” em termos científicos, o papel de um país “mais tecnológico” e “menos científico” é o de atender demandas que não são as mais urgentes, criar instrumentos, ser criativo sobre os aspectos que não reflitam o aprimoramento da educação dos cidadãos, e, sobretudo, tornar-se consumidor. Caminhamos para atender a uma sociedade globalmente “tecnologizada” em todas as esferas da vida”, critica. “O problema é quando essa imposição reflete a perpetuação da desigualdade”, acrescenta.

Prof. Dr. Carlos Miguel Tobar Toledo- Crédito:
Prof. Dr. Carlos Miguel Tobar Toledo- Crédito: Álvaro Jr. 

A Ciência deve sempre se voltar para as demandas da sociedade, nesse sentido, uma boa ideia precisa ser útil. “Esse é o foco da ciência, o conhecimento dos fenômenos do universo para o benefício da sociedade. O conhecimento científico tem que ser, por natureza, público”, reitera o professor Toledo, Doutor em Engenharia Elétrica e Computação.

Entrevista: Livro compara as representações da ciência na mídia

 Por Amanda Cotrim

Como resultado de sua dissertação de mestrado, defendida em 2013, no Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, na Unicamp, o docente do Centro de Linguagem e Comunicação da PUC-Campinas, Prof. Me. Fabiano Ormaneze, lança o livro “Do Jornalismo Literário ao Científico: biografia, discurso e representação”, pela editora Pontes. A obra, a partir do discurso, reflete sobre como a imprensa representa os cientistas das ciências humanas e naturais. O livro também é uma oportunidade para pensar os sentidos de ciência na sociedade contemporânea. Confira o bate-papo que o Jornal da PUC-Campinas teve com o autor.

O nome do seu livro é: “Do Jornalismo Literário ao Científico: biografia, discurso e representação”. O que você aborda nessa obra?

Essa obra é fruto do mestrado, desenvolvido no Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (LabJor) / Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), entre 2011 e 2012. Trata-se de uma análise de como o cientista e, consequentemente, a ciência são representados em biografias, já que esse gênero, híbrido entre o jornalismo, a literatura e a história, se propõe a narrar a vida de uma pessoa em detalhes. O livro faz uma análise de 10 biografias, publicadas numa série especial da revista Caros Amigos, comparando como são representados os cientistas das áreas de ciências humanas e das áreas de ciências naturais.

Explique qual foi o método de comparação usado e o que essa análise lhe trouxe. Ou seja, o que é possível considerar da sua pesquisa?

Para a comparação, busquei as representações no discurso, ou seja, como o discurso sobre ciência e sobre cientista faz circular e se constitui a partir de pré-construídos e da história. Essa análise levou em conta certas regularidades na forma de designar os cientistas, por exemplo. Só para citar genericamente: em geral, sociólogos ou antropólogos nunca eram chamados de “cientistas”, mas apenas de “professores” ou “estudiosos”, ao contrário do que acontecia com o físico ou o geneticista, por exemplo. Notei também certa diferenciação na narrativa: as biografias dos cientistas da área de ciências naturais eram marcadas pelos feitos, pela obra. Já as biografias dos cientistas da área de humanas focalizavam a trajetória de vida, a relação com a família e com os alunos. Cada disciplina trazia elementos que o jornalista imputava ao seu discurso ao narrar a vida do biografado.

O livro analisa 10 biografias, publicadas na revista Caros Amigos- Crédito: Álvaro Jr
O livro analisa 10 biografias, publicadas na revista Caros Amigos- Crédito: Álvaro Jr

Quais são as relações que você estabelece entre jornalismo literário e científico?

O jornalismo literário é um método de trabalho que pode ser utilizado em diversas editorias, para falar de diversos assuntos, desde que encontre para isso condições suficientes, como a possibilidade de uma apuração aprofundada, linha editorial e a linguagem esteticamente elaborada. Pode, portanto, estar presente na abordagem sobre cientistas e sobre ciência, principalmente, quando se fala em biografia. A questão é que as análises que fiz durante a pesquisa demonstraram que o jornalista encontra muito mais facilidade para produzir um texto com características do jornalismo literário quando vai abordar temáticas próprias das ciências humanas, afetado pela constituição histórica dos discursos e pela própria dificuldade em compreender conceitos.

Com quais autores você dialoga no livro e como você construiu suas bases argumentativas?

O livro é construído a partir das teorias do discurso, principalmente, a partir de Michel Pêcheux, Michel Foucault e Eni Orlandi, sobremaneira nos textos em que esses autores abordam a ciência e a constituição, formulação e circulação dos discursos. Do ponto de vista das reflexões sobre ciência, recupero ainda os conceitos de Charles Snow, que faz uma interessante análise de como o mundo contemporâneo vivenciou um distanciamento entre as ciências naturais e as humanidades, o que provoca um empobrecimento, uma dicotomia e uma dificuldade para a interdisciplinaridade que facilitaria uma visão mais ampla e detalhada da complexidade que constitui o real.

Você diz que utilizou Charles Snow, o qual faz uma análise de como o mundo contemporâneo distanciou ciências naturais e humanidades. Fala-se muito hoje em dia em interdisciplinaridade. Explique por que esse conceito se destacou na contemporaneidade e qual é a importância de uma ciência interdisciplinar?

A interdisciplinaridade ganha destaque a partir do momento em que o projeto positivista, de que a especificidade de cada disciplina, garantiria avanços e maior compreensão do mundo, mostrou-se falha e incapaz de compreender a complexidade. Além disso, a ciência, ao desconsiderar a interdisciplinaridade, tem uma visão que deixa de considerar a subjetividade do ser humano, os interesses sempre em questão nas pesquisas e descobertas, etc. A ciência moderna passou por uma verdadeira fragmentação do saber, como se não houvesse relações entre o que se estuda na biologia e o que é comprovado pela antropologia, por exemplo. Essa visão fragmentada ajudou, inclusive, a criar certa hierarquização entre as ciências, como se houvesse as mais importantes e as menos importantes, as mais objetivas e as menos objetivas. A interdisciplinaridade vem mostrar como a complexidade do mundo não pode ser compreendida apenas por um ponto de vista, que será sempre lacunar.

Você não acha que interdisciplinaridade em alguma medida poderia prejudicar o conhecimento científico, uma vez em que as coisas poderiam virar um conjunto de pontos de vista?

 Não. Para isso, é preciso que se deixe claro que fazer ciência pressupõe um processo rigoroso, sujeito a método e comprovação. A partir do momento em que áreas diferentes dialoguem em torno de seus resultados, lacunas são preenchidas. Não se pode, no entanto, deixar de lado o fato de que a ciência, como bem mostra Gilles Deleuze, estará sempre sujeita à subjetividade de quem a produz.

Quando falamos em Ciência, muitas vezes se imagina um cientista, trancado em seu laboratório, cheio de poções ao seu redor. Podemos dizer que existe um imaginário que perpassa a ideia de que ciência é algo “difícil” e distante da “massa”? Se sim, por que isso acontece?

Existe um imaginário, em primeiro lugar, de que o fazer científico seja uma exclusividade das ciências naturais. Essa imagem de alguém no laboratório é reflexo disso. Dificilmente, alguém pensa em um cientista como sendo alguém da área de sociologia ou de psicologia, por exemplo, embora essas áreas tenham todos os requisitos necessários para serem consideradas como tal. Esse imaginário tem início na própria escola básica. Logo nas séries iniciais, o aluno tem aulas de uma disciplina chamada “Ciências”, assim, no plural. Mas, o conteúdo diz respeito apenas às áreas de naturais, ligados à biologia, física e química. Nessa mesma disciplina, o estudante entra em contato com laboratório, misturas de substâncias, reações químicas e tudo parece uma mágica em que, associando elementos, se tem uma explosão, uma substância de outra cor. Na escola básica, o aluno tem aulas de história, geografia e outras tantas disciplinas que têm configuração de ciência, mas dificilmente alguém as nomeia como tal. Esse imaginário também é reforçado pela mídia. O chamado “jornalismo científico”, por exemplo, quase sempre está ligado a descobertas nas áreas de biologia, química, física e saúde. É muito comum, assim, que uma descoberta na área de psicologia, por exemplo, apareça nas editorias de “comportamento”, da mesma forma em que a antropologia, quando aparece, fica restrita ao campo da cultura. Por fim, há de se lembrar de que esse imaginário é também derivado da própria história das ciências, uma vez que as ciências humanas são bastante recentes – só surgiram no final do século XIX – e que o cientista da área de ciências naturais sempre, pelo seu caráter antecipador e transgressor, foi visto como um “louco” na história. Tudo isso vai sendo acumulado em termos de discursos e se constitui como uma percepção pública do que seja ciência. Os já ditos sobre ciência ao longo da história constituem os dizeres atuais.

Artigo: Mulheres na Ciência

Por Denise Helena Lombardo Ferreira e Tadeu Fernandes de Carvalho

Hypatia, cujo pai Theon era o Chefe do Museu de Alexandria, nasceu por volta de 370, depois de Cristo (dC), nessa mesma cidade do Egito. Sua vida é lembrada tanto por sua genialidade e criatividade em Matemática e em outras ciências, quanto pela trágica ocorrência vivida em 415 dC, ainda no auge de sua energia e criatividade. Contada em 2009 pelo filme “Ágora”, dirigido por Alejandro Amenábar e estrelado por Rachel Weisz, Hypatia lembra a história de inúmeras mulheres que, com o mesmo brilho, mas sem os mesmos direitos, lutam por liberdade, igualdade e fraternidade.

Pode-se ver como apenas depois da história de Hypatia, já no início do século XVI, outras mulheres com sua coragem, ousadia e gosto pela ciência apareceram. Na verdade, entre 1600 e 1700, foram mulheres italianas, como Elena Lucrezia Cornaro Piscopia e Maria Caetana Agnesi, as mais destacadas. Já na sequência do século XVIII as francesas, entre as quais Émilie du Châtelet, ou Gabrielle Émilie Le Tonnelier de Breteuil, ganharam mais notoriedade e encanto. Outras seguiriam com destaque até o século XIX, mas nenhuma superando a jovem russa: Sonia Korvin-Krukovsky Kovalevsky.

De fato, Sonia Kovalevsky, a mulher mais notável e criativa desde então, viveu entre 1850 e 1891, ao lado de parentes destacados na política e do grande escritor Dostoievski. Sua vida teve aspectos trágicos, mas a lembrança que permaneceu foi a de uma mulher que reuniu beleza e genialidade ao prazer e gosto pela ciência e pela matemática.

Talvez a mais brilhante das mulheres matemáticas de todos os tempos tenha sido Amalie Emmy Noether. Nascida em 1882, teve um pai e uma família muito talentosos, mas ela superou a todos. Carinhosa e amável com seus estudantes na Universidade de Göttingen, nunca foi eleita para cargos ou posições acadêmicas e trabalhou intensamente, muito acima do que recebera para fazer. A Segunda Guerra Mundial a obrigou a se refugiar nos Estados Unidos, nunca mais tendo conseguido voltar para a Alemanha.

Quanto às mulheres brasileiras, já em meados do século XX que começaram a se destacar nas ciências, mas, antes de tudo, é bom saber como estão hoje as mulheres em todo o mundo.

É claro que, em alguns países, as mulheres não são plenamente livres, da mesma forma como homens seguem normas e costumes que respeitam rigidamente diferentes aspectos sociais e culturais, mas a maioria já vive outra realidade. Sabem todos como no passado os homens eram os provedores, cuidando da vida externa e suas exigências, enquanto as mulheres, em sua grande maioria, se dedicavam ao lar e cuidavam dos filhos. As coisas mudaram cada vez mais ao longo do século XX, chegando ao século XXI bastante transformadas.

Foi graças à coragem, dinamismo e esforços de mulheres como Elza Furtado Gomide e Elisa Esther Habbema de Maia que a Matemática e a Física passaram a viver outra realidade.

Recentemente, enquanto o brasileiro Artur Ávila, aos 35 anos, obteve a Medalha Fields, a iraniana Maryam Mirzakhani, aos 37 anos, fazia o mesmo. Uma conquista que eleva e ajuda todas as mulheres do mundo e as brasileiras, em particular, a alcançar novas conquistas.

Denise Helena Lombardo Ferreira é Doutora em Matemática. Atua como Professora e Pesquisadora da Faculdade de Matemática do CEATEC

Tadeu Fernandes de Carvalho é Doutor em Filosofia. Atua como Professor e Pesquisador da Faculdade de Matemática do CEATEC

Base científica em prática de formação

Por Wagner Geribello

Em 2016, quando a PUC-Campinas comemora 75 anos, também completa seu décimo aniversário uma da Prática de Formação que detém recordes de longevidade, quantidade de participantes e níveis positivos na avaliação dos alunos. Em dez anos, aproximadamente 20 mil alunos participaram das atividades que lotaram os auditórios dos três campi.

Reunindo palestras, debates, atividades de avaliação e exibição de filmes, “As Múltiplas Faces da Fotografia”  começou em 2006. Coordenada pelo Professor Doutor Amarildo Carnicel, conta também com a participação de mais dois docentes do Centro de Linguagem e Comunicação, Professor Doutor Celso Luiz Figueiredo Bodstein e Professor Mestre Nelson Sebastião Chinalia.

Realizada em dois sábados consecutivos, pela manhã e à tarde, dividida em quatro módulos, a Prática apresenta aos alunos características estéticas e sociais da fotografia, enquanto linguagem polissêmica, a partir das dissertações de Mestrado e teses de Doutorado dos professores envolvidos na atividade.

Segundo o Professor Carnicel, apesar do termo Prática, a organização foi estritamente baseada em ensaios, pesquisas e textos que tratam da fotografia a partir de um viés analítico e rigorosamente científico. Segundo ele, essa base científica afasta a visão da fotografia como hobby, atividade profissional ou exercício artístico, para transformá-la em objeto de investigação das ciências sociais, observada como linguagem que interfere e, ao mesmo tempo, muito revela sobre a sociedade.

Recorrendo a autores como Roland Barthes, Lúcia Santaella e Zygmunt Bauman, entre outros, os professores responsáveis pela Prática levam os alunos a refletir sobre os modos e formas da fotografia como instrumento de representação da realidade, linguagem crítica da sociedade e veículo de interpretações simbólicas, complementando a base bibliográfica com filmes de ficção e documentários, além da experiência pessoal da sua própria produção acadêmica sobre fotografia.

Módulo

No primeiro módulo da Prática, Carnicel transita pelo universo da literatura, baseado no livro de sua autoria “O Fotógrafo Mário de Andrade”, da Editora Unicamp, a qual analisa fotografias da região nordeste feitas pelo escritor Mário de Andrade entre 1928 e 1929 que o próprio professor repetiu 60 anos depois, abrindo possibilidades para discutir a fotografia como registro histórico e antropológico, sob o olhar de um dos maiores literatos brasileiros.

O segundo módulo, também conduzido por Carnicel, trata da fotografia no cotidiano, a partir da relação entre fotógrafo e fotografado e a intermediação social dessa relação.

No terceiro módulo, Celso Bodstein faz um apanhado introdutório dos conceitos e propostas que definem a contemporaneidade, como a pós-modernidade, para, em seguida, analisar como essa “nova” sociedade age e reage em relação a imagem fotográfica e às suas variantes, como “fotógrafos” contemporâneos que não fotografam, mas se expressam pela fotografia.

No quarto módulo, Nelson Chinalia usa sua dissertação de Mestrado e sua experiência como fotojornalista para analisar a manipulação social e política da linguagem fotográfica, sobretudo no campo das mídias impressas.

Resultados

Cientes e conscientes da complexidade do tema e da base científica que formata os conteúdos das práticas, considerando, ainda, a diversidade do público que inclui alunos de todas as Faculdades e, portanto de áreas do conhecimento diversas, desde as técnicas, exatas, biológicas e médicas, até as humanas, os professores responsáveis pela Prática elaboraram um roteiro didático capaz de atrair e integrar os alunos ao “espírito” das palestras e atividades e aos objetivos dos módulos, isso tudo convergindo para uma visão crítica nova e bem fundamentada da fotografia.

Ao final de algumas sessões, junto com a avaliação que define sua aprovação, ou não, o aluno é convidado a responder um questionário de avaliação da Prática (sem valor de nota). Os resultados, compilados pelos professores responsáveis mostram graus acentuados de aceitação e valorização da Prática, além do seu valor científico, como expressam alguns exemplos:

“Vou ser sincera. Esta Prática, antes de começar, era apenas mais um crédito para eu conseguir me formar, mas hoje digo que não foi bem assim. Fiquei surpresa com tudo que aprendi e como arquiteta tenho certeza que (…) só foi um “start” para eu entrar no mundo da fotografia”. (aluna de arquitetura)

 “Sempre fui apaixonado por fotos e aqui aprendi a ver (…) o lado do fotógrafo e do fotografado. A Prática ensina a observar e a pensar sobre fotografia” (aluna de fisioterapia)

  “A Prática nos passou, além da visão da fotografia, uma visão social” (aluna de letras)

 “A fotografia passou a ser para mim mais que um instrumento de expressão, mas uma forma de interferência e transformação do meio e da realidade” (aluna de história).

Frente a esses resultados e estimulado a apresentar uma síntese da Prática, Carnicel afirma: “As Múltiplas Faces da Fotografia consegue uma simbiose muito positiva e eficiente entre conhecimento prático e base científica rigorosa, o que, ao fim e ao cabo, representa a base de sustentação do Programa de Práticas de Ensino, um importante diferencial da formação universitária oferecida pela PUC-Campinas.”

Projeto conscientiza pacientes com Diabetes

Se não for tratado adequadamente, o Diabetes pode causar insuficiência renal, doenças cardiovasculares, cegueira e amputação dos membros

Por Beatriz Meirelles

O conhecimento produzido na Universidade pode ir muito além das salas de aula e os Projetos de Extensão oferecidos pela PUC-Campinas são um exemplo disso. Pensando em contribuir com as pessoas que têm Diabetes, a Faculdade de Enfermagem mantém o projeto “Educação em Saúde e Portadores de Diabetes”, que, por meio de ações educativas busca conscientizar e prevenir essa doença, que segundo o Ministério da Saúde atinge 13 milhões brasileiros.

É uma doença de difícil controle e necessita de atendimento e acompanhamento multiprofissional.

O Diabetes é uma doença crônica metabólica caracterizada pelo aumento da glicose no sangue. O distúrbio acontece porque o pâncreas não é capaz de produzir a insulina em quantidade suficiente para suprir as necessidades do organismo. A insulina promove a redução da glicemia ao permitir que o açúcar que está no sangue penetre as células, para ser utilizado como fonte de energia.

Se não tratado, o Diabetes pode causar insuficiência renal, amputação de membros, cegueira, doenças cardiovasculares, como Acidente Cerebral Vascular – AVC (derrame) e infarto. É uma doença de difícil controle e necessita de atendimento e acompanhamento multiprofissional. Segundo o Ministério da Saúde, o diabetes já é considerado uma epidemia, que atinge todas as camadas sociais. “Os dados são muito expressivos. Existem pessoas que nem sabem da existência da doença”, afirma a orientadora do projeto de Extensão, Profa. Dra. Carmen Villalobos.

Conscientizar para tratar

Sob a orientação da Profa. Dra. Carmen Villalobos, o Projeto promove orientações fundamentais sobre a prevenção das complicações da doença, por meio de oficinas, que acontecem às terças e quartas-feiras, nas salas de espera do Sistema Único de Saúde (SUS) do Hospital da PUC-Campinas, no Campus II da Universidade. Nessas oficinas, são atendidos crianças, adultos e idosos diabéticos ou pré-diabéticos da cidade de Campinas e região.

As alunas do último ano do Curso de Enfermagem, Jaqueline Batista Pedrosa e Juliana Contrera estão envolvidas no projeto como bolsistas há dois anos e afirmam que, por meio de desenhos, figuras, filmes, vídeos e slides interativos é possível estabelecer um vínculo de confiança com a população que permite trazer e levar as informações que podem, de fato, mudar alguma coisa na vida das pessoas portadoras da doença. “Fazer o paciente captar a nossa mensagem por meio das oficinas faz nosso trabalho valer a pena” afirma a docente

O projeto de Extensão da Profa. Dra. Carmem Villalobos teve início em fevereiro de 2014 e, até agora, foram atendidas 240 pessoas.

Aluna Jaqueline Batista Pedrosa, Profa Carmen Villalobos e aluna Juliana Contrera - Crédito: Álvaro Jr.
Aluna Jaqueline Batista Pedrosa, Profa Carmen Villalobos e aluna Juliana Contrera – Crédito: Álvaro Jr.

 “Esse projeto é muito bom e muito importante para essas senhoras que, assim como eu, são teimosinhas”, brinca dona Severina Maria da Silva, de 78 anos, que há 40 anos é portadora de Diabates.  “Muitas informações que eu não sabia, descobri nessas oficinas, como o que eu devo comer e que quantidade”, comenta.  “É muito comum que os pacientes não saibam detectar sintomas e nossa função aqui é prevenir as complicações e ver o que as pessoas, de fato, sabem sobre diabetes. Abordamos até mesmo o aspecto nutricional: o que os pacientes estão comendo? O que pode, o que não pode, pois muitos realmente não sabem”, conta a orientadora Professora Carmen.

O projeto de Extensão da Profa. Dra. Carmem Villalobos teve início em fevereiro de 2014 e, até agora, foram atendidas 240 pessoas. No Brasil, sete milhões de pessoas, acima de 18 anos, têm a doença, segundo dados da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Um estudo recente da SBD aponta que mais de 60% deles não sabem que têm a doença.

Para as alunas envolvidas no projeto, a prevenção é muito importante e trabalhar com a educação da população é um desafio constante, uma vez que mudar o comportamento do ser humano é um desafio, principalmente em adultos. “O adulto é mais difícil de conscientizar. Ele vem comendo errado a vida inteira, a doença chega e muda seus hábitos alimentares. A criança que já tem a doença é condicionada desde pequena e isso faz com que ela seja mais consciente” explica a aluna Juliana Contrera.

No projeto, filmes e vídeos são utilizados para dar um “choque de realidade” como forma de alerta. “Nosso desafio constante com este projeto é evitar que o paciente chegue ao hospital. Lutamos para que esse paciente se conscientize. Eles sabem o que não deveriam fazer, mas, mesmo assim, fazem” observa orientadora, Profa. Carmen

“AS MENINAS DA CARMEN”: REFERÊNCIA DENTRO E FORA DAS SALAS DE AULA

O projeto de Extensão, além de oferecer uma bolsa de estudos, permite um aprofundamento na temática e no assunto e uma vivência na realidade, segundo as alunas, uma bagagem pra vida toda “O projeto proporciona um olhar para fora da sala de aula. No curso, a maior carga curricular é dentro do Hospital e aqui podemos trabalhar com outros aspectos das pessoas e, principalmente, com a educação e com a comunidade” afirma Jaqueline.  “Como professora, acompanhar as alunas e ver que elas começam sem saber nada de Diabetes e, agora, estão dominando o assunto é, para mim, uma enorme satisfação” ressalta a orientadora.

Alunas Jaqueline Pedrosa e Juliana Contrera - Crédito: Álvaro Jr
Alunas Jaqueline Pedrosa e Juliana Contrera – Crédito: Álvaro Jr

As alunas se tornaram referência dentro da própria Faculdade. Elas contam que professores e alunos reconhecem a importância do trabalho que realizam e quando têm dúvidas sobre Diabetes sempre correm para “As meninas da Carmen”, como ficaram conhecidas dentro da Universidade.

Juliana e Jaqueline se envolveram e se aprofundaram tanto na temática que envolvia o projeto que acabaram descobrindo a vontade em seguir carreira nessa área. Hoje, graças ao projeto, alunas adquiriram novas competências que podem ser comunicadas em aulas ou palestras. Tiveram a oportunidade de  participar de congressos da área da saúde e apresentar trabalhos que dizem respeito ao diabetes; chegaram até a levar trabalhos com os resultados parciais do plano de trabalho de extensão para Congressos internacionais em Cuba e Portugal. “Se o projeto de Extensão não tivesse oferecido esta oportunidade, nada disso seria possível” concluem as alunas.

 

TOME CIÊNCIA: Edição 164

Intercâmbio acadêmico

A PUC-Campinas oferece programas de intercâmbios para seus alunos, com o objetivo de fomentar a troca de informações e a produção do conhecimento, incentivando a formação integral dos estudantes. Ao todo, são sete programas de intercâmbio acadêmico que estão disponíveis (a relação completa pode ser conferida no portal da Universidade. 

Trata-se de mais uma oportunidade de aprendizado, de estabelecimento de contato com novas culturas, de apropriação de novas informações ou novos formatos de entendimento do mundo, das pessoas e das coisas.   O intercâmbio é, hoje, uma estratégia de formação pessoal e profissional de amplo espectro, desejável para se obter sucesso em uma sociedade complexa, “sem fronteiras”, que exige do cidadão comportamento local/global, ou seja, que compreenda a parte e o todo.

Cultura e Arte na PUC-Campinas

O Centro de Cultura e Arte (CCA) é um Órgão Complementar da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, um espaço de educação alternativa e permanente onde o aluno da PUC-Campinas tem a oportunidade de se expressar criativamente numa atividade cultural ou artística que o valorize enquanto pessoa.

Atualmente o CCA abrange cinco Grupos Artísticos: Coral, Teatro, Dança, Música de Câmara e Big Band, todos formados por alunos dos vários cursos da PUC-Campinas, por pessoas da comunidade em geral e por funcionários. O CCA ainda promove o Arte no Campus (apresentações dos grupos pelos Campi), Encontro de Corais, de Dança, apresentações artísticas da Big Band e peças Teatrais.

Se organize!

Se a desorganização está congestionando sua vida e você está se sentindo frustrado e disperso como resultado, é hora de se organizar. A primeira dica é manter as coisas nos lugares em que elas pertencem. Use agenda, ela lhe ajudará a redimensionar as prioridades do dia. Ela é especialmente útil se você tem um monte de compromissos e os seus dias são tão diferentes que você chega a ter problemas para manter o controle de sua programação. Mas atenção: além de escrever na agenda, é importante conferir o que foi escrito, diariamente, e assim balizar o que foi possível realizar. Faça uma lista de prioridades; escreva tudo o que você precisa lembrar. Defina a tarefa que você realizará e em qual período do dia a fará, isso ajuda a organizar as atividades do dia. Delegue responsabilidades para outras pessoas, não tente abraçar o mundo. Saiba o que você precisa/quer fazer, quando você vai fazê-lo e evite a situação de stress de não saber o que precisa ser feito. Organização leva tempo, mas quando você a torna um hábito de vida, tudo se torna muito mais fácil.