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EDITORIAL: Mudanças, perspectivas e muita ciência

Na PUC-Campinas, os últimos meses foram marcados por reuniões e comunicados, apontando professores e professoras que assumem a administração da Universidade, a partir de fevereiro de 2018. O atual Vice-Reitor, Professor Doutor Germano Rigacci Júnior, assume a Reitoria e sua equipe já está definida. Esta edição do Jornal da PUC-Campinas traz informações sobre o novo Reitor e sua visão sobre o futuro imediato da Universidade.

A edição também trata de outras perspectivas, além daquelas administrativas, que ultrapassam os limites dos campi universitários. Trata-se de artigo sobre as possibilidades (e dificuldades) da recuperação econômica do Brasil, que todos esperam, mas que ainda não está totalmente definida, nem garantida.

Expectativas – e críticas – também estão na análise sobre os horizontes do ensino no Brasil, em especial o Ensino Médio, que, uma vez mais, passa por reformas e alterações cujos efeitos positivos não parecem totalmente assegurados.

Na mesma linha de temas pedagógicos, a matemática, que assusta a quase totalidade dos estudantes brasileiros, aparece nas páginas desta edição como objeto de ensino e ferramenta do cotidiano, em uma análise lúcida e esclarecedora sobre a dificuldade de as escolas articularem funcionalmente essas duas vertentes nas estratégias de ensino.

Mas, se para muitos a matemática aparece como problema, ela é solução nas ciências exatas, que estão em alta na Universidade. De um lado, por conta do convênio de estímulo à investigação científica e tecnológica, assinado entre a PUC-Campinas e a Telefônica. De outro, pelo sucesso do ex-aluno de Engenharia Elétrica, selecionado para participar do Leaders in Innovation Fellowship, na Real Academia de Engenharia, em Londres, onde vai mostrar como o seu projeto ajuda a acessibilidade de rotas dentro de estabelecimentos às pessoas que desconhecem o local e, sobretudo, portadoras de deficiência visual.

Além das exatas, as Ciências da Terra e a Biologia também têm espaço nesta edição, em artigos que tratam das oscilações climáticas e regimes de chuva, revelando, também, os perigos de plantas ornamentais, muitas vezes cultivadas em casa, mas que podem até matar apreciadores incautos.

No campo das ciências que tratam do corpo humano, você acompanha, nesta edição, sugestões eficientes sobre dietas e regime, que resultam, de fato, em peso menor e não em saúde pior, como pode acontecer aos praticantes desavisados.

Da realidade orientadora das ciências para a diversão encantadora da ficção científica, o Jornal da PUC-Campinas registra o aniversário de lançamento de E.T. – O Extraterrestre, resgatando fatos e análises sobre o filme de Spielberg.

Muita coisa para saber, outras tantas para debater, fazem desta edição do Jornal da PUC-Campinas utensílio ideal para tudo quanto compete à comunidade acadêmica: pensar, perguntar, pesquisar, debater, ensinar e aprender.

Conheça o futuro Reitor da PUC-Campinas

Por Sílvia Perez

O Prof. Dr. Germano Rigacci Júnior será o Reitor da PUC-Campinas para a gestão 2018-2022, ele foi nomeado pelo Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da PUC-Campinas, Dom Airton José dos Santos, no último dia 27 de setembro, em reunião extraordinária na sala do Conselho Universitário (CONSUN) da Universidade.

Docente na Faculdade de Filosofia e atual Vice-Reitor da PUC-Campinas, o Prof. Dr. Germano Rigacci Júnior ressaltou sua expectativa em aprofundar o trabalho já realizado na Universidade. “A PUC-Campinas é uma Instituição sólida, com 76 anos de história, o que, por um lado, gera segurança, mas, ao mesmo tempo, a ciência da responsabilidade em zelar por sua trajetória de crescimento. Porém, o senso de responsabilidade me traz grande inspiração, pois temos na Universidade uma comunidade acadêmica dedicada e envolvida com os projetos e, acima de tudo, disposta a trabalhar pelo crescimento contínuo da Instituição”, frisou o Prof. Dr. Germano Rigacci Júnior.

Os desafios para o futuro passam pelo atual cenário brasileiro de instabilidade política e econômica, e de um mercado de trabalho competitivo, que exige profissionais cada vez mais qualificados. “A PUC-Campinas tem respondido a esse cenário com muito planejamento, mantendo os pontos que garantem um ensino de qualidade, como: infraestrutura, recursos materiais e um quadro docente de primeiríssima qualidade, com horizonte de carreira e qualificação constante”, explicou.

“Somos uma Instituição centrada na formação do ser humano. Por isso, pretendemos avançar, também, no tratamento das questões que se apresentam à contemporaneidade, fazendo da Universidade um local de reflexão sobre a sociedade, sempre atrelada à Missão da Igreja Católica”, complementou.

 Novo Reitor

O novo Reitor, Professor Doutor Germano Rigacci Júnior, assumirá o cargo a partir de 1o de fevereiro de 2018, em substituição à atual Reitora, Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht.

Prof. Dr. Germano Rigacci Júnior é o atual Vice-Reitor da Universidade e ocupou o cargo de Pró-Reitor de Graduação, durante as gestões 2006-2010 e 2010-2014. Coordenou o Núcleo de Pesquisa e Extensão do Centro de Ciências Humanas da PUC-Campinas, durante a gestão 2002-2006. Coordena o Núcleo de Fé e Cultura da Universidade. É professor da Faculdade de Filosofia da PUC-Campinas, desde 1987.

O futuro Reitor fez sua Graduação na Faculdade de Filosofia da PUC-Campinas, em 1984; Mestrado em Filosofia, em 1995; Doutorado em Educação, em 2001, ambos pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Equipe da gestão 2018-2022

A gestão 2018-2022 será composta pelo futuro Reitor da Universidade, o Prof. Dr. Germano Rigacci Júnior, e pelo Vice-Reitor, Prof. Dr. Pe. José Benedito de Almeida David.

À frente das Pró-Reitorias estão:

Pró-Reitor de Graduação

Prof. Me. Paulo Moacir Godoy Pozzebon

Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação

Profa. Dra. Alessandra Borin Nogueira

Pró-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários

Prof. Dr. Rogério Eduardo Rodrigues Bazi

Pró-Reitor de Administração

Prof. Dr. Ricardo Pannain

Nas direções de Centros estão:

CCHSA

Diretor: Prof. Dr. Luís Arlindo Feriani Filho

Diretor Adjunto: Prof. Dr. Pe. Adriano Broleze

CCV

Diretor: Prof. Dr. Gustavo Henrique da Silva

Diretor Adjunto: Prof. Dr. José Gonzaga Teixeira de Camargo

CEA

Diretor: Prof. Dr. Eduard Prancic

Diretor Adjunto: Prof. Me. Adauto Roberto Ribeiro

CEATEC

Diretor: Prof. Dr. Juan Manuel Adán Coello

Diretor Adjunto: Prof. Me. Sérgio Roberto Pereira

CLC

Diretor: Prof. Me. Lindolfo Alexandre de Souza

Diretor Adjunto: Profa. Me. Cláudia Maria de Cillo

 

PUC-Campinas e Telefônica do Brasil assinam Convênio de Cooperação para desenvolvimento de intercâmbio científico e tecnológico

Por Armando Martinelli

A PUC-Campinas e a Telefônica do Brasil assinaram, no dia 04 de outubro, um convênio de cooperação para desenvolvimento de intercâmbio científico e tecnológico. A parceria, selada com a presença da Reitora da PUC-Campinas, Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht, tem o intuito de detectar como as tendências tecnológicas podem afetar o desempenho na prestação dos serviços de telecomunicações.

Para a Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da PUC-Campinas, Profa. Dra. Sueli Bettine, “o Projeto interinstitucional é voltado para a busca de excelência na gestão de processos, através da antecipação de problemas decorrentes de tecnologias disruptivas”.

Participaram também da cerimônia de celebração do convênio o Prof. Dr. Antonio Carlos Demanboro, Coordenador Geral de Pesquisa e do NIT/PUC-Campinas, o Gerente de Processos da Telefônica, engenheiro João Paulo de Oliveira Prado, e sua equipe, engenheiros Ricardo Paino Granzotto e Fábio Lourenço Cartacho.

 

 

Colóquio “A Paz, a Caridade e o Desenvolvimento Humano Integral: à luz das Encíclicas Sollicitudo Rei Socialis e Caritas in Veritate”

Por Sílvia Perez

A PUC-Campinas realizou, nos dias 23, 24 e 25 de outubro de 2017, o Colóquio “A Paz, a Caridade e o Desenvolvimento Humano Integral: à luz das Encíclicas Sollicitudo Rei Socialis e Caritas in Veritate”com a participação do Monsenhor Bruno-Marie Duffé (Secretário do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano integral – Vaticano), do Pe. António Bartolomeu Jácomo Ferreira (Universidade Católica Portuguesa – Porto) e da Profa. Dra. Ana Elisa Spaolonzi Queiroz Assis (Faculdade de Educação – Unicamp).

O tema escolhido abordou duas Encíclicas: “Sollicitudo Rei Socialis”, escrita pelo Papa João Paulo II, em 1987, e “Caritas in Veritate”, escrita pelo Papa Bento XVI, em 2009, fortemente conectadas com a Encíclica “Populorum Progressio”, escrita pelo Papa Paulo VI, em 1967.

De acordo com o Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da PUC-Campinas, Dom Airton José dos Santos, que participou da cerimônia de abertura do evento, é importante debater os temas das Encíclicas. “Nós queremos pensar a paz, a caridade, o desenvolvimento humano integral. As pessoas devem ser colocadas no centro dessas preocupações”, discursou.

O Secretário do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano, Monsenhor Bruno-Marie Duffé, realizou a conferência de abertura que teve o mesmo tema do Colóquio. “É importante discutir, refletir sobre o desenvolvimento humano integral, porque eu penso que nós viemos de um período em que o desenvolvimento era apenas econômico e nós descobrimos agora que o desenvolvimento não é apenas econômico, de produzir mais, ter mais, mas também, e primeiramente, de ser mais, de desenvolver todas as dimensões da pessoa humana, de grupos, comunidades e famílias. Nós estamos olhando para todas essas dimensões”, ressaltou Duffé.

Na Encíclica “Caritas in Veritate” (Caridade na verdade), Bento XVI aborda a importância das questões éticas nas relações econômicas, afirmando que o mercado financeiro precisa encontrar um respeito entre seus componentes, não permitindo discrepâncias que inviabilizem a presença dos mais fracos.  Bento XVI frisa que os tradicionais princípios da ética social, como a transparência, a honestidade e a responsabilidade, “não podem ser descuidados”.

Essa Encíclica “Caritas in Veritate” está de acordo com todos os atos políticos, sociais, econômicos, para ser transparente, honesto, disponível para as outras pessoas. Não é possível estar em atividades econômicas, políticas, apenas com interesses pessoais e não para os outros.

Além dos aspectos econômicos, a Encíclica “Caritas in Veritate” também trata do meio ambiente e afirma que as sociedades tecnologicamente avançadas podem e devem diminuir suas próprias necessidades energéticas e avançar na pesquisa sobre energias alternativas.

A Encíclica “Sollicitudo Rei Socialis”, escrita por João Paulo II, e dirigida aos fiéis por ocasião do 20º aniversário da encíclica Populorum Progressio, de Paulo VI, faz parte de um conjunto de textos do magistério da Igreja a respeito de questões sociais. “A guerra e os preparativos militares são o maior inimigo do desenvolvimento integral dos povos”, afirma o Papa João Paulo II em um dos trechos do documento. Em outro parágrafo, João Paulo II ressalta que “o abismo que separa o mundo superdesenvolvido do mundo subdesenvolvido se alarga cada vez mais”.

A Profa. Dra. Ana Elisa Spaolonzi Queiroz Assis, docente da Faculdade de Educação da Unicamp e egressa das Faculdades de Pedagogia e Direito da PUC-Campinas, fez a conferência “Caritas como um Conceito-Chave para a Edificação da Paz”, falando sobre o contexto de discussão de desenvolvimento abordado pelas encíclicas. “É um desenvolvimento sempre excludente, que acaba promovendo mais miséria do que equidade, mais dificuldades do que facilidades. Então, nesse contexto social em que a gente vive, eu arriscaria dizer que não é só um problema da modernidade, já é um problema de muitos séculos na sociedade humana, faz-se importante que, com o avanço da ciência, a gente continue a discutir esses problemas e pense formas de poder ultrapassá-los, superá-los”, afirmou a professora.

Outro tema discutido ao longo do Colóquio foi “A Ética do Cuidado”, cuja conferência foi ministrada pelo Pe. António Bartolomeu Jácomo Ferreira, da Universidade Católica Portuguesa do Porto, que estabeleceu uma relação entre o desenvolvimento da consciência moral, na qual o ser humano adquire uma preocupação pelo cuidado do outro, e a atuação dos profissionais da medicina no tratamento dos doentes. “Hoje em dia, este projeto de uma nova ética atende precisamente a uma visão integral do próprio ser humano. Então, ela não é um complemento deste desenvolvimento integral, mas é o ‘cimento’ que cola tudo, é aquilo que dá razão de ser a todo esse desenvolvimento”, explicou.

O evento foi organizado pelo Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas e foi aberto para toda a comunidade.

Assista:

A paz, a caridade e o desenvolvimento humano: Sollicitudo Rei Socialis e Caritas in Veritate

https://www.youtube.com/watch?v=2eJldAVOD5Y&list=PLIplquhLl8eNRqrsv7hZbqxeV0y8M97AY&index=10

Ética do Cuidado – “Colóquio a paz, a caridade e o desenvolvimento humano integral”

https://www.youtube.com/watch?v=admKaecnPec&list=PLIplquhLl8eNRqrsv7hZbqxeV0y8M97AY&index=9

A Ética do Cuidado 2 – “Colóquio a paz, a caridade e o desenvolvimento humano integral”

https://www.youtube.com/watch?v=7I0t5Sz7-uQ&list=PLIplquhLl8eNRqrsv7hZbqxeV0y8M97AY&index=8

Paz, caridade e o desenvolvimento humano: Sollicitudo Rei Socialis e Caritas in Veritate

https://www.youtube.com/watch?v=VDgTD02P4nU&list=PLIplquhLl8eNRqrsv7hZbqxeV0y8M97AY&index=7

Bioética 1

https://www.youtube.com/watch?v=aVqRbzuekFI&list=PLIplquhLl8eNRqrsv7hZbqxeV0y8M97AY&index=6

Doutrina Social da Igreja a partir das Encíclicas Sollicitudo Rei Socialis e Caritas in Veritate

https://www.youtube.com/watch?v=P6vIU3wnzuA&list=PLIplquhLl8eNRqrsv7hZbqxeV0y8M97AY&index=5

Colóquio – “Caritas como um conceito-chave para a edificação da paz”

https://www.youtube.com/watch?v=nHVuu-uoOnM&list=PLIplquhLl8eNRqrsv7hZbqxeV0y8M97AY&index=4

Colóquio – “Bioética”

https://www.youtube.com/watch?v=45QqYlR3bD0&list=PLIplquhLl8eNRqrsv7hZbqxeV0y8M97AY&index=3

Colóquio – “Ética do Cuidado e o Desenvolvimento Humano Integral”

https://www.youtube.com/watch?v=9KLD9_ntoBE&list=PLIplquhLl8eNRqrsv7hZbqxeV0y8M97AY&index=2

Colóquio Encerramento – Ética do Cuidado e o Desenvolvimento Humano Integral

https://www.youtube.com/watch?v=aQlwICCzr_E&list=PLIplquhLl8eNRqrsv7hZbqxeV0y8M97AY&index=1

 

 

 

 

 

PUC-Campinas lança livro sobre a vida e obra do Monsenhor Salim

Por Sílvia Perez

A publicação do livro Monsenhor Doutor Emílio José Salim: A Missão de Ensinar, Santificar e Reger, lançado no último dia 12 de novembro, na Paróquia Maronita São Charbel, tem o objetivo de homenagear um dos fundadores da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Monsenhor Emílio José Salim, que era conhecido como o “semeador de faculdades” e apóstolo da cultura, e que deixou um grande legado para a educação superior e para a igreja.

Para o desenvolvimento desse projeto, que teve início, em 2016, durante as atividades da Semana Monsenhor Dr. Emílio José Salim, que fez parte das comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, foi criado um grupo de trabalho coordenado pelo Prof. Dr. Germano Rigacci Júnior e composto pelos professores: Prof. Me. José Donizeti de Souza, Profa. Dra. Janaína Valéria Pinto Camilo, Prof. Dr. Rogério Eduardo Rodrigues Bazi, pelo Padre João Batista Cesário e pelo Coordenador do Departamento de Comunicação Social, Alcino Ricoy Júnior.

Para a organização do trabalho, o livro foi dividido em dois grandes eixos temáticos: Ele por Nós e Ele por Ele, para retratar o filho de imigrantes árabes que desde jovem já demonstrava a vocação para a vida religiosa, estudando em Seminários, Filosofia, e com diversos trabalhos publicados.

Entusiasta da educação, foi fundador e diretor de duas publicações da então Universidade Católica de Campinas (UCC), tendo também forte atuação em diversas funções administrativas da Instituição. Seu espírito humanista, com intensa dedicação às atividades de ensino e cultura, rendeu-lhe homenagens e condecorações nacionais e estrangeiras.

Partiu do Monsenhor Salim, como era popularmente conhecido, a determinação para que fosse criado o Colégio de Aplicação Pio XII, para que os estudantes dos cursos de formação de professores e professoras da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UCC tivessem um local para estagiar.

Em 1938, uniu-se a um grupo de intelectuais, maçons e religiosos para a realização de um objetivo comum: fundar, em Campinas, uma Faculdade que formasse profissionais atuantes nas áreas do ensino, comércio e das indústrias.

Os esforços renderam frutos, que tornaram Campinas reconhecida, nos anos 40 e 50, como uma cidade produtora de ciência e conhecimento, tendo sido escolhida para sediar a 1ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em 1949.

A união de duas mentes brilhantes, do Monsenhor Salim e do Prof. Zeferino Vaz, fez com que eles protagonizassem, nos anos 60, uma das mais importantes histórias sobre o ensino universitário no município, a construção da Universidade Estadual de Campinas, que, junto com a Universidade Católica de Campinas, formou um dos mais importantes complexos universitários do Brasil, que, posteriormente, passou a ser chamado de cidade universitária.

Anais da Semana Monsenhor Dr. Emílio José Salim

Por Armando Martinelli

A Semana Monsenhor Dr. Emílio José Salim, organizada pelo Museu Universitário e pela Faculdade de História, foi uma das várias ações realizadas para comemorar os 75 anos da PUC-Campinas, em 2016. O sucesso da iniciativa foi tão grande que suscitou a produção dos Anais (registro histórico) do evento, lançados no dia 12/11, em conjunto com cerimônia religiosa que marcou a apresentação do livro em homenagem ao Monsenhor José Salim.

Para a Diretora da Faculdade de História da PUC-Campinas, Profa. Dra. Janaína Camilo Pinto, a Semana Monsenhor Dr. Emílio José Salim permitiu uma reflexão profunda sobre a atuação do primeiro Reitor da Universidade, resgatando temas de enorme relevância. “Foi uma semana muito rica, com palestras e debates que proporcionaram intensas ponderações. A produção desse registro histórico é uma extensão da Semana, dessas reflexões que sentimos a necessidade de compartilhá-las e, assim, manter ainda mais vivos os ideais do Monsenhor Dr. Emílio José Salim”, disse a Diretora da Faculdade de História da PUC-Campinas.

Com palestras e rodas de conversa que abordaram temas como “Década de 1940: o surgimento das Faculdades Campineiras”, “Monsenhor Dr. Emílio José Salim e o seu tempo (1941 a 1968)”, entre outros, a Semana Monsenhor Dr. Emílio José Salim abordou o corpo e alma da Instituição desde o seu nascedouro. “O Monsenhor Dr. Emílio José Salim foi peça- chave da organização da maioria dos cursos superiores da Igreja nas décadas de 40 e 50 e tornou-se o principal esteio do projeto de implantação das Faculdades Campineiras, predecessoras da PUC-Campinas”, reforça a Profa. Dra. Janaína Camilo Pinto.

Os Anais da Semana Monsenhor Dr. Emílio José Salim contam com textos da Profa. Me. Maria Salete Zulzke Trujillo, Prof. Me. José Donizeti de Souza, Prof. Dr. Lindener Pareto Junior, Prof. Dr. Pe. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves, Prof. Dr. João Miguel Teixeira de Godoy, Prof. Dr. Fábio Augusto Morales, Profa. Dra. Janaína Camilo Pinto, Pe. João Batista Cesário e do Monsenhor Dr. Rafael Capelato.

Acesse: https://www.puc-campinas.edu.br/75-anos-da-puc-campinas/

 

As mudanças no Ensino Médio – refletindo sobre as propostas

Por Profa. Dra. Eliete Aparecida de Godoy – Docente da Faculdade de Pedagogia da PUC-Campinas

De acordo com os dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os jovens de 15 a 29 anos representam 51,3 milhões da população brasileira. Dados do Pnad 2012 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) revelam que 45% desses jovens somente trabalham, 13,6% trabalham e estudam e 21,6% apenas estudam.

Este atual perfil do jovem brasileiro reflete a realidade do Ensino Médio no Brasil, que, historicamente, sempre foi excludente. A partir dos anos 90, os Programas, as Políticas Educacionais, tanto quanto a legislação vigente, determinaram diretrizes e princípios fundantes para a Educação Básica, que indicaram a promoção do desenvolvimento do conhecimento científico e do pensamento crítico, e ainda vislumbraram mecanismos para que os alunos pudessem efetuar uma leitura clara do mundo e da vida e, assim, viver uma cidadania plena. No entanto, os resultados das ações desses programas e políticas apresentaram indicadores que revelaram uma tímida melhora, num ritmo e qualidade muito aquém do necessário para garantir a inclusão educacional e a garantia de direitos fundamentais, como o de aprender e adquirir conhecimentos, num espaço escolar público, gratuito, laico e competente.

Enquanto os indicadores demonstram que o Ensino Fundamental garante o acesso à escola para mais de 90% de crianças na faixa etária de 6 a 14 anos, ainda que seja discutível a garantia da permanência e da inclusão real desses alunos, no Ensino Médio, sequer o acesso desses jovens às escolas pode ser considerado como dever cumprido pelo Estado, principalmente, no que diz respeito à garantia da permanência. O que demonstra o fracasso do Sistema Educacional Público quanto à universalização do Ensino Médio com qualidade, garantindo a preservação dos direitos fundamentais dos jovens. Assim, esta etapa de ensino adequada para a faixa etária de 15 a 17 anos, que se tornou obrigatória somente a partir da Emenda Constitucional nº 59, de 2009, ainda é um dos principais desafios no campo das Políticas Educacionais.

Entendemos que as transformações no campo educacional não podem desconsiderar uma reflexão mais ampliada e participativa sobre as políticas públicas, problematizando seu contexto e pretexto quanto a: o que, para que e para quem se voltará, como comumente acorre. A Política responsável deveria apropriar-se dos dados da realidade para proposição de um conjunto de ações necessárias para interferir num contexto tão complexo. Ao se tratar da atual reforma do Ensino Médio, precisamos questionar se as mudanças propostas atendem às necessidades reveladas por este breve perfil dos jovens que deveriam ter acesso e permanência garantidos na escola? Esta questão deve nos instigar a buscar o entendimento, por exemplo, sobre que coerência apresenta este projeto de transformação do Ensino Médio com o princípio ideológico e concepção anunciados? As incoerências identificadas são muitas, mas basta analisarmos algumas, como: a) a desconsideração dos eixos das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (2011) vigente; b) a fragilidade do conjunto de alterações apresentadas para a composição curricular que poderá constituir-se num retrocesso no campo das experiências, dos processos de ensino e aprendizagem, acentuando a precarização na formação dos jovens, no tocante aos saberes necessários à análise de conceitos e ao desenvolvimento de atitudes e de habilidades desejáveis à tomada de decisões e de posições sobre o mundo; c) um projeto que propõe itinerários de aprendizagem que a maioria do conjunto de escolas do nosso país não poderá oferecer enquanto possibilidades de escolhas, nem mesmo em médio prazo, conforme proposto. Destaca-se o impasse entre o oferecimento de escolhas para os estudantes e a eficiência do sistema educacional para efetivação dessas escolhas. Isto sem contar com a reestruturação das escolas para atendimento específico do Ensino Médio, com a justificativa do oferecimento progressivo deste nível de ensino em período integral. A quem este ensino de período integral, tal como proposto, beneficiaria?

Se considerarmos as barreiras que antes impediam os jovens pobres de frequentarem a escola, que o Ensino Médio era visto e direcionado apenas como passagem entre o Ensino Fundamental e Superior, para a classe média; que só a partir da década de 90 essas barreiras começaram a ser quebradas e, hoje, o Ensino Médio é considerado a etapa final da escolarização obrigatória com as finalidades de preparar os jovens para a continuidade dos estudos, para o mundo do trabalho e para o exercício da cidadania, permitindo aos jovens negros, pobres e trabalhadores vislumbrarem seus direitos. A resposta talvez seja que, para a maior parcela da população jovem de pobres, negros e trabalhadores, só sobrará a marginalização ainda mais acentuada.

Isso posto, surge mais um questionamento: em que medida esta reformulação do Ensino Médio, em sua efetiva implementação, não legitimará novamente a elitização deste nível de ensino? Não legitimará uma educação de qualidade distinta para populações distintas?

A obtenção de respostas às questões como essas implica a assunção do desafio a ser enfrentado por todos nós enquanto sujeitos representantes de diferentes segmentos da sociedade na conquista de empoderamento, capaz de pautar uma Política Educacional que enfrente a necessária transformação da realidade de exclusão dos jovens, em seu sentido lato, ainda fortemente presente na Educação Básica brasileira. A discussão da possível mudança na qualidade da Educação Básica, dentre tantos desafios, precisa do apoio para fortalecimento da ideia de que não há possibilidade de transformação sem investimentos de recursos materiais e imateriais, suficientemente capazes de romper com: a precarização de tantas escolas brasileiras no que se refere à infraestrutura; desvalorização do professor/profissional da educação; reestruturações curriculares falseadas de seus reais intentos e impostos para os sistemas de ensino e suas respectivas escolas.

Recomendo para os leitores o documentário Nunca me sonharam, que aborda os desafios do presente, as expectativas para o futuro e os sonhos de quem vive a realidade do Ensino Médio nas escolas públicas do Brasil. Na voz de estudantes, gestores, professores e especialistas, Nunca me sonharam reflete sobre o valor da Educação.

Mais informações sobre o documentário você encontra no link: http://www.videocamp.com/pt/movies/nuncamesonharam

De onde vem o medo da Matemática?

Por Prof. Me. Valdomiro Placido dos Santos – Docente da Faculdade de Matemática da PUC-Campinas

O avanço do conhecimento científico e tecnológico das últimas décadas impressiona até os estudiosos de tecnologias. A transformação digital que estamos vivendo, a Internet das Coisas, o Big Data, o desenvolvimento de veículos autônomos, a automatização dos processos industriais e comercias, entre outros, têm exigido habilidades e competências matemáticas cada vez mais sofisticadas. Enquanto a vida dos usuários de tecnologias é facilitada com a introdução de novos recursos, aplicativos e gadgets, os desenvolvedores de tecnologias precisam se apropriar de conhecimentos e ferramentas matemáticas cada vez mais elaboradas para criar novos produtos.

Não obstante a crescente demanda por profissionais com alto grau de conhecimento matemático nas empresas de alta tecnologia, o ensino de matemática caminha na direção oposta, principalmente na educação básica. O que corrobora essa tese é o baixo desempenho dos estudantes desse nível de ensino nas avaliações nacionais e internacionais. Na última avaliação do Ideb (índice de desempenho da educação básica), realizada em 2015, a média nacional em Matemática foi de 267 pontos no Ensino Médio, enquanto o mínimo esperado para o desempenho ser considerado adequado era um score de 320 pontos. Ficamos 17% abaixo do mínimo esperado. Também em 2015 foi realizada uma avaliação do Pisa, cuja lista inclui 70 países participantes da OCDE. Nesta avaliação, o desempenho dos estudantes brasileiros em Matemática regrediu, retornando ao nível em que estávamos em 2009, performance que derrubou o Brasil da 59ª posição do ranking para a 63ª.

O que muitos se perguntam é o que revelam esses dados? O resultado do Ideb significa, por exemplo, que a maioria desses estudantes, ao entrar em um supermercado e se deparar com dois pacotes de açúcar, um de 2 kg, custando R$4,00, e outro de 5 kg, custando R$9,00, não saberá usar a matemática para decidir qual dos dois pacotes é mais vantajoso adquirir, mesmo com números de proporções tão evidentes. O leitor pode relutar em acreditar, mas é a realidade da aprendizagem da matemática no nosso País. O que se pergunta imediatamente é como a escola não consegue ensinar competências matemáticas tão elementares. Aqui chegamos a uma das origens do medo da matemática. A solução desse tipo de problema, na educação básica, é ensinada através da dispensável e não recomendável regra de três. Frequentemente, os estudantes fazem: 2 está para 4, assim como 5 está para x, em que x é o valor correspondente ao pacote de 5 kg.  Utilizando esse esquema “prático”, o estudante cai no beco das equações algébricas (encontrar o valor de x), o que, convenhamos, não é nada prático para se fazer nos corredores de um supermercado, pois, geralmente, demanda papel e lápis. Se soubesse usar o conhecimento aritmético, o estudante, com uma única operação mental de divisão, tomaria a decisão correta.

Como poderá gostar de matemática um adolescente que não consegue utilizá-la sequer no supermercado, mesmo percebendo que ela é necessária? Sabemos que nossos adolescentes se envolvem facilmente com desafios de raciocínio em games com considerável nível de complexidade, ao mesmo tempo que fogem da matemática que oferece os mesmos desafios e as ferramentas apropriadas e estruturadas para enfrentá-los. Nossos jovens têm medo da matemática, porque não conseguem usufruir de seus benefícios mais elementares. Para a maioria desses jovens, a matemática remete mais à exclusão do que à inclusão. Nesse contexto, é imperativo que nossas Faculdades de Matemática concentrem seus esforços em formar professores capacitados para resgatar nos nossos jovens o encantamento pelas aplicações da matemática, das mais cotidianas e triviais às de alta tecnologia.

A recuperação da economia em 2017 e 2018

Por Porf. Dr. Izaias de Carvalho Borges – Docente da Faculdade de Ciências Econômicas da PUC-Campinas

Uma questão crucial, hoje, tanto para tomadores de decisões econômicas quanto para os analistas de mercado se refere à recuperação da economia brasileira. O gráfico abaixo mostra que depois de cinco anos com crescimento positivo – um crescimento médio anual de 3,4% entre 2010 e 2014 – o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil apresentou, em 2015 e 2016, queda de 3,8 e 3,6%, respectivamente.

No momento, portanto, o que todos querem saber é o resultado do PIB em 2017 e em 2018. O governo e o mercado fazem previsões de crescimento baixo, mas positivo para 2017 e 2018. O Banco Central, no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), publicado em junho, apresentou uma estimativa de crescimento de 0,5% do PIB em 2017, a mesma projeção do Ministério do Planejamento, publicada no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas do 3º bimestre. A previsão do mercado também é de crescimento positivo. De acordo com o relatório Focus de junho de 2017, economistas e instituições financeiras consultadas projetavam um crescimento do PIB de 0,41% em 2017 e de 2,0% em 2018.

As previsões de crescimento positivo em 2017 e em 2018 foram reforçadas após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar o PIB do segundo trimestre de 2017, que mostrou um crescimento de 0,2% na comparação dessazonalizada com o trimestre anterior e de 0,3% em comparação com o segundo trimestre de 2016. Este foi o primeiro crescimento positivo depois de 12 trimestres!

O resultado do PIB do segundo trimestre de 2017, divulgado pelo IBGE, superou as expectativas do mercado, que, no final de julho, tinha previsto uma variação de 0,2% negativa no PIB do trimestre. O resultado positivo, portanto, alterou as expectativas do mercado e aumentou o otimismo quanto à recuperação da economia a partir do segundo semestre de 2017 e, principalmente, em 2018.

Entretanto, se olharmos com um pouco mais de atenção os dados divulgados pelo IBGE, veremos que, a despeito do resultado positivo no segundo trimestre de 2017, ainda pode ser muito cedo para otimismo em relação a uma recuperação sustentada do PIB brasileiro.

Duas coisas são preocupantes nos dados fornecidos pelo IBGE. A primeira é o desempenho da indústria. No segundo trimestre de 2017, o PIB industrial apresentou um crescimento negativo de 2,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ou seja, a produção industrial no segundo trimestre de 2017 ficou 2,1% menor do que a produção no segundo trimestre de 2016. Os números mostram que o crescimento positivo do PIB no trimestre foi resultado de uma evolução excepcional do setor agropecuário, que cresceu 14,9% em relação ao mesmo período de 2016.

A segunda coisa preocupante é que, no segundo trimestre de 2017, a formação bruta de capital fixo (FBKF) apresentou um resultado de 6,5% negativo em relação ao mesmo período do ano anterior. A FBKF mede o quanto as empresas estão investindo em bens de capital, ou seja, aqueles bens que aumentam a capacidade produtiva. Crescimento positivo na FBKF significa aumento na capacidade produtiva futura e, portanto, maior possibilidade de crescimento econômico no futuro. Os resultados negativos do crescimento da FBKF, em 2017, são preocupantes porque podem comprometer o crescimento econômico no médio e no longo prazo.

Portanto, os resultados positivos divulgados pelo IBGE para o segundo trimestre de 2017 precisam ser analisados com muita cautela, uma vez que o setor industrial, que é o setor mais dinâmico da economia, aquele que quando cresce demanda muito dos outros setores, principalmente do setor de serviços, continua com a produção em queda. Além disso, a variável-chave para uma recuperação de fato, o investimento produtivo, porque diretamente ligada à geração de empregos e ao aumento da capacidade produtiva no futuro, também não apresenta sinais de recuperação.

Para finalizar, não devemos nos esquecer de que 2018 é um ano eleitoral e que processos eleitorais, ainda mais quando conturbados por investigações policiais que comprometem boa parte da classe política, criam um cenário de muitas incertezas, que podem reduzir ainda mais a disposição das empresas em fazer investimentos produtivos.

Alimentação saudável e equilibrada

Por Profa. Dra. Mara Ligia Biazotto Bachelli e Profa. Ma. Regina Jordão – Docentes da Faculdade de Nutrição da PUC-Campinas

 Com a aproximação do verão e, consequentemente, a chegada dos meses mais quentes do ano, não é incomum a busca das pessoas por dietas alimentares que auxiliem na rápida perda de peso, as chamadas dietas radicais ou da moda. A redução de peso decorrente de dietas muito restritivas em calorias pode, realmente, ocasionar perdas de peso significativas, porém, a permanência do peso reduzido é breve, pois a estratégia consiste na restrição e não na reeducação na conduta alimentar. E, em se tratando de combate efetivo à obesidade, o comportamento-chave é a mudança nos hábitos alimentares, com escolhas mais saudáveis. Perder quilos não deve ser objetivo de curto período, mas deve, sim, ser visto como uma transformação de vida.

O sucesso alcançado por uma dieta depende da mudança de comportamento, do tempo de manutenção desse peso reduzido e das escolhas para uma dieta adequada. Embora as dietas da moda levem à perda de peso em pouco tempo, é importante salientar que indivíduos que não mudarem o estilo de vida têm forte tendência de recuperar o peso perdido.

As dietas de exclusão de refeições ao longo do dia, o chamado jejum intermitente, provocam o estado de jejum metabólico. Estudos dizem que mais de 50% da perda de peso rápida se dá por líquidos, o que pode levar a sérios problemas de hipotensão. Toda restrição deve ser acompanhada de perto por um profissional e por períodos curtos de tempo, pois o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para a outra, por isso a importância do profissional nutricionista na orientação individualizada.

O consumo de dietas ricas em proteínas, as chamadas low carb, estão relacionadas ao aumento no risco de doenças cardiovasculares, já que o alto consumo de proteínas está diretamente ligado ao maior consumo de gordura saturada e colesterol, além disso, há deficiências em vitaminas e minerais. Existem ainda reações adversas dependendo do organismo, de modo que algumas pessoas referem constipação, dor de cabeça, hálito cetônico, entre outros, especialmente pelo baixo consumo de frutas, verduras e cereais.

Já as dietas com baixa quantidade de gordura oferecem redução de calorias desse nutriente; em contrapartida, a proporção de carboidratos fica aumentada, o que pode elevar o estoque de glicogênio muscular e hepático e, quando em excesso, são transformados e armazenados na forma de gordura, resultando no aumento de gordura corporal. Comer bem, com prazer, com sabor e ainda promover saúde, depende de muitos fatores e deve ser planejado com nutrientes de todos os grupos alimentares. A questão do ser saudável não precisa e não deve ter extremos. No dia a dia, podemos fazer novas escolhas, mas para isso envolvemos questões sociais, econômicas, culturais e principalmente emocionais.

Para manutenção do peso adequado, é necessário pensar a longo prazo, e o nutricionista é o profissional capacitado para fazer avaliações individualizadas e propor o melhor plano alimentar, elaborando a dieta com base nas características do indivíduo, dos seus hábitos, horários, aversões, entre outras informações. Ele vai insistir na educação nutricional e na continuidade de uma alimentação saudável, que respeita as leis da alimentação, que são quantidade, qualidade, harmonia e adequação.

O melhor caminho é sempre o do bom senso, de modo que controlar o peso continua sendo a reeducação alimentar por meio de uma dieta equilibrada, elaborada e orientada por um profissional nutricionista, que deve ser acompanhada de atividade física, orientada por um profissional capacitado. Não existe milagre, as dietas da moda não possuem vantagens sobre uma dieta balanceada. Cada pessoa tem necessidades nutricionais e calóricas específicas, cada caso deve ser analisado individualmente.

 

A escassez de chuvas e o desflorestamento

Por Estéfano Seneme Gobbi, geógrafo e doutor em Geografia (IGe/Unicamp) e professor da FAGEO/PUC-Campinas, desde 2013

Muito tem se falado recentemente sobre mudanças ambientais. E isso é algo muito bom, pois significa que as pessoas estão ficando mais preocupadas com o que está acontecendo com a natureza a sua volta e buscando fazer relações entre fenômenos naturais e o cotidiano.

Uma das relações estabelecidas é dos períodos de estiagem no Brasil com o desflorestamento da Amazônia, e há que se ter muita cautela ao abordar os aspectos de causa e efeito, pois não há consenso científico sobre o tema.

As precipitações no território brasileiro são produto de uma série de interações entre sistemas de alta e baixa pressão, deslocamentos sazonais de massa de ar e sistemas convectivos que ocorrem seguindo determinados padrões e médias, estabelecendo as normais climáticas. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (O.M.M.) essas normais são “valores médios calculados para um período relativamente longo e uniforme, compreendendo no mínimo três décadas consecutivas”, ou seja, ao longo de ao menos trinta anos, deve-se adquirir dados sobre temperaturas e precipitações a fim de se estabelecer uma média. Dessa forma, nesse intervalo de tempo é plausível que ocorram anos mais quentes ou anos mais áridos, por exemplo, em contraponto a outros anos mais frios ou mais úmidos. Assim, pode ser estabelecido o clima de uma determinada área admitindo inerentes variações durante um recorte temporal.

Quando o climatólogo russo Wladimir Köeppen se propôs, em 1900, a estabelecer um sistema de classificações do clima, não havia dados de normais climáticas, pois estações meteorológicas eram praticamente inexistentes, principalmente em se tratando de um nível de escala global. Foi então que ele decidiu fazer uso da fitogeografia para estabelecer os limites espaciais de um sistema climático. Ou seja, ele admitiu que a vegetação era uma resposta ao clima, e não o contrário!

Sem dúvida alguma, se a escala de estudo for microclimática (1 ha), áreas urbanas e áreas de mudança de uso da terra, a vegetação desempenhará uma fundamental importância. Porém, quando se trata da escala macroclimática, aspectos como a dinâmica de correntes oceânicas ou células convectivas atmosféricas preponderam sobre a cobertura vegetal.

Ainda hoje conhece-se muito pouco sobre os oceanos (que cobrem aproximadamente 71% da superfície do planeta). Não se sabe o quanto podem absorver de carbono ou quais as razões que modificam as temperaturas do Pacífico (causando o El Niño e La Ninã). Esses eventos climáticos que têm duração de alguns anos são responsáveis por alterar os padrões climáticos de diversas áreas do globo, inclusive do território brasileiro. Analogamente, alterações nas temperaturas do Oceano Atlântico também são capazes de modificar os padrões de chuva sobre o Brasil, como ocorreu no biênio 2014-15. Nessa oportunidade também foi formulada a hipótese da relação com o desflorestamento da Amazônia, porém, a partir de 2016, os volumes de chuva retornaram aos padrões das normais climáticas. Será que as árvores foram replantadas e houve um aumento da evapotranspiração na região amazônica em apenas dois anos?