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Pedra De Paciência: Mergulho Na Alma Feminina

Por Prof. Dr. José Estevão Picarelli – Diretor-Adjunto CEATEC da PUC-Campinas

Quem já experimentou sabe que o aparentemente simples ato de desabafar ajuda a aliviar ou a aceitar melhor o sofrimento ou as angústias. Faz alguma diferença, mas não importa fundamentalmente, se o desabafo acontece no confessionário da igreja, na sessão de terapia, na mesa do bar ou em um ombro amigo. Desabafar é socializar sentimentos, publicar sofrimentos, desnudar segredos íntimos, lavar a alma, por para fora o que dentro incomoda.

Em algumas regiões do planeta, onde a humilhação e a opressão à mulher são práticas comuns e, pasmem, às vezes até legais, a sabedoria feminina se faz necessária e presente. De mãe para filha, as mulheres ensinam umas às outras a escolher uma pedra para fazer o papel de ouvido amigo. Isso mesmo, um pedaço de rocha, chamada pedra de paciência. Assim, a mulher, quando angustiada, conversa reservadamente com a pedra que atravessou seu caminho. Neste mineral companheiro são descarregadas frustrações e injustiças. Quando essa pedra é quebrada, a mulher acredita que também suas angustias viraram pó.

 Indicado como melhor filme estrangeiro para o Oscar de 2014, Pedra de Paciência é o título do belíssimo filme do diretor Atiq Rahini, produção cooperada de França, Alemanha e Afeganistão. A película é ambientada em uma região deste último país, destruída pela guerra santa islâmica. Em uma paisagem de ruínas, uma mulher vive o desespero de cuidar de seu marido, jihadista ferido e em coma. Na sua imensa solidão, moldada pela cultura fundamentalista, por costumes e hábitos machistas e desfavoráveis, ela busca, no desabafo, uma saída para a vida. Julgando que os ouvidos do marido estão surdos pelo coma, ela abre, numa sincera confissão, a sua mais profunda intimidade Em um monólogo, a atriz iraniana Golshifeh Farahani, dá uma interpretação maravilhosa dessa personagem cujo nome, nem mesmo o filme, deixa conhecer.

Em pouco mais que uma hora e trinta minutos ficamos surpresos em saber que, em que pese a falta de água, a fome e as bombas, existem coisas que podem machucar mais e que podemos encontrar do nosso lado, uma mulher vivendo a mesma condição feminina.

Iniciação Científica como caminho para o sucesso profissional

Por Beatriz Meirelles

Seja para enriquecer o currículo ou para quem pretende seguir a carreira acadêmica, a oportunidade de se inserir no universo da pesquisa, desde a graduação, está na Iniciação Científica (IC). No dia 30 de novembro de 2015, sete trabalhos foram premiados pela Universidade e oito receberam menção honrosa, nas áreas de Ciências Agrárias, Biológicas e Saúde, Ciências Exatas e da Terra e Engenharia e Ciências Humanas, Sociais Aplicadas e Lingüística, Letras e Arte.

Pró-Reitora de Pesquisa, Profa. Dra. Sueli Betini
Pró-Reitora de Pesquisa, Profa. Dra. Sueli Bettine

A PUC-Campinas também organizou pela primeira vez o Prêmio Temático, para quem está começando um Plano de Trabalho de Iniciação Científica, como foi o caso do estudante de Engenharia Matheus Cremasco Bertipaglia, orientado pelo Prof. Dr. Davi Bianchini, cujo trabalho trata do apoio de Redes de Sensores sem fio para a qualidade de vida de idosos. As premiações aconteceram no dia 30 de novembro, no auditório Dom Gilberto, no Campus I.

O orientador Prof. Dr. Davi Bianchini, o estudante Matheus Bertipaglia - Crédito: Álvaro Jr.
O orientador Prof. Dr. Davi Bianchini, o estudante Matheus Bertipaglia – Crédito: Álvaro Jr.

Uma das bolsistas premiadas, a aluna de Medicina Tamires Amorim Marques, orientada pelo Prof. Dr. Lineu Corrêa Fonseca, ressalta a importância da Iniciação tanto para o conhecimento mais aprofundado na área (em seu caso, a Neurologia), quanto para o seu desenvolvimento acadêmico. “A premiação é um reconhecimento dentro da minha faculdade por um projeto que eu desenvolvi aqui”, ressalta.

Na área de Ciências Exatas e da Terra e Engenharias, o aluno da Engenharia Química, Murylo Henrique Borges, que participa há três semestres da IC, conta que a Iniciação possibilitou que ele adquirisse conhecimento em muitos aspectos da vida acadêmica “Todo processo envolve muitos relatórios, pôsteres e, com isso, você aprende a produzir um artigo científico, tanto na formatação quanto na linguagem”, comenta Murylo. O estudante recebeu menção honrosa por seu trabalho concluído em julho de 2015. “Estou muito feliz, pois eu não esperava ganhar nada”, afirma.

Murylo Borges é aluno de Engenharia Química- Crédito: Álvaro Jr.
Murylo Borges é aluno de Engenharia Química- Crédito: Álvaro Jr.

A Iniciação Científica e o mundo de trabalho

A Iniciação Científica é um primeiro passo para a inserção daqueles que têm interesse na área acadêmica, mas de extrema importância também para quem pensa em se inserir no mercado de trabalho, uma vez que as empresas buscam cada vez mais a especialização de profissionais e a Iniciação Científica é uma ótima porta de entrada.

Aluna do terceiro ano do curso de Jornalismo, Viviane Celente- Crédito: Álvaro Jr.
Aluna do terceiro ano do curso de Jornalismo, Viviane Celente- Crédito: Álvaro Jr.

A aluna da área de Ciências Humanas, Sociais Aplicadas e Lingüística, Letras e Arte , do terceiro ano do curso de Jornalismo, Viviane Celente, participou da Iniciação Científica deagosto de 2014 a julho de 2015. Para a estudante, ao longo do processo foi que ela percebeu a importância em se envolver na pesquisa. Conta que além do conhecimento aprofundado sobre temas que envolvem seu curso, ela teve a oportunidade de apresentar seu trabalho em congressos e eventos acadêmicos. Tudo isso eu já levo no meu currículo e, com certeza, é um diferencial, por parte das empresas, na admissão de cargos na área do Jornalismo”, afirma.

Segundo a Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da PUC-Campinas, Profa. Dra. Sueli do Carmo Bettine, a Iniciação Científica (IC) contribui para a formação integral do aluno e marca o seu início no universo da pesquisa científica.

Ensino Médio

Engana-se quem pensa que iniciação científica é só para universitários. O Colégio de Aplicação PIO XII, junto com a PUC-Campinas, estimula os alunos do Ensino Médio a desenvolver a vocação científica por meio do Programa de Iniciação Científica Júnior – PIBIC/Jr.

O aluno participante desenvolve projetos de Pesquisa com a supervisão e orientação dos Professores Pesquisadores da Universidade.

O estudante de Engenharia Química, Murylo Borges, afirma que sua experiência foi muito enriquecedora com a participação e a colaboração dos alunos do Ensino Médio do Colégio Pio XII: “Eles querem aprender e estão ali para nos ajudar também; é uma grande troca de conhecimento”, reconhece.

Inovação

A PUC-Campinas promoveu, nos dias 22 e 23 de setembro, no Campus I, o XX Encontro de Iniciação Científica e o V Encontro de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação 2015, o qual contou com palestras, apresentação de projetos, além de minicursos nos períodos da manhã e da tarde, nas salas do prédio H15 da Universidade e no Auditório Dom Gilberto, no Campus I da Universidade.

Foram 462 trabalhos, entre apresentações orais e pôsteres, que tiveram avaliação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e os melhores foram selecionados para cerimônia de premiação, que aconteceu no dia 30 de novembro de 2015.

Confira os premiados de 2015 clicando aqui. 

Sinalizador eletrônico promove autonomia da pessoa com deficiência visual

Soluções de engenharia elétrica para pessoas com deficiência visual fazem parte do Projeto de Extensão da PUC-Campinas em parceria com a Pró-Visão

Por Amanda Cotrim

Estimular a sensibilidade e proporcionar a autonomia da pessoa com deficiência visual são os objetivos do Projeto de Extensão da Universidade, “Soluções de Engenharia Elétrica de apoio e melhoria da qualidade de vida de deficientes visuais”, coordenado pelo Prof. Dr. Amilton da Costa Lamas em parceria com a instituição Pró-Visão, de Campinas. O Professor Lamas e o aluno bolsista Lucas P. Hubert desenvolvem soluções criativas e práticas que podem ser adaptadas no dia a dia das pessoas com deficiência visual, como o uso de sinalizador eletrônico que propicia, entre outros, o aumento do senso de localização e promove a autonomia da pessoa com deficiência. Segundo dados do senso realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 23,9% da população brasileira tem algum tipo de deficiência visual.

A Universidade oferece o conhecimento técnico e a instituição o conhecimento específico- Crédito: Arquivo
A Universidade oferece o conhecimento técnico e a instituição o conhecimento específico- Crédito: Arquivo

“Os estudantes são desafiados a pensar em soluções com tecnologia simples, o que é um imenso desafio”. 

“Desenvolvemos um artefato, no qual a pessoa com deficiência, assistida pela Pró-Visão, é desafiada a encontrar os objetos distribuídos aleatoriamente na piscina. O projeto é desenvolvido em parceria com os técnicos especializados da Instituição, que depois replicarão o artefato e trabalharão com as pessoas com deficiência visual. Esse tipo de sinalizador pode ser fabricado com qualquer outro material que a pessoa tem dentro de casa, como um pote de maionese, que pode carregar o dispositivo baseado em engenharia eletrônica”, comenta o Coordenador. O sinalizador eletrônico emite som, vibra e também emite luz, auxiliando as pessoas que têm visão subnormal (não totalmente cego).

Com o aplicativo, a pessoa com deficiência visual registra o nome do produto de sua preferência pela voz

Para Lamas, o Projeto de Extensão “é uma grande simbiose de conhecimento”. A Universidade oferece o conhecimento técnico e a instituição oferece o conhecimento específico sobre as necessidades da pessoa com deficiência visual. Por parte da PUC-Campinas, os alunos de Extensão desenvolvem o projeto baseados em conhecimentos de eletrônica básica e circuitos digitais. “Os estudantes são desafiados a pensar em soluções com tecnologia simples, o que é um imenso desafio. Além disso, têm de abrir mão do “engenheres” (uso de jargão tecnológico) e usar uma linguagem acessível”, aponta Lamas. Ao todo, o Projeto de Extensão trabalha com 10 técnicos da Pró-Visão e 30 pessoas com deficiência visual.

O aplicativo do celular detecta e identifica o produto, auxiliando a pessoa com deficiência- Crédito: Arquivo
O aplicativo do celular detecta e identifica o produto, auxiliando a pessoa com deficiência- Crédito: Arquivo

 Localizador de objetos

O Projeto de Extensão também desenvolveu um aplicativo baseado na tecnologia Near Field Communication (NFC) para celulares com Andróide. O aplicativo auxilia a pessoa com deficiência visual a se localizar e identificar objetos e suas características. O sistema desenvolvido pode auxiliar na busca por livros em bibliotecas e em produtos nos supermercados, entre outros. Com o aplicativo, a pessoa com deficiência visual registra o nome do produto de sua preferência pela voz; o aplicativo detecta e identifica o produto e auxilia o deficiente a localizá-lo no ambiente.

O Coordenador explica que o Near Field Communication (NFC) é um conjunto de padrões de comunicação de rádio entre dois dispositivos em uma distância relativamente curta, envolvido por um campo magnético que permite a troca de informações. Por meio das etiquetas dos produtos, o sistema identifica as características do mesmo e gera informação em áudio para a pessoa com deficiência visual. Para que o sistema funcione, o estabelecimento precisa utilizar etiquetas NFC nos produtos.

Semáforo especial

Outro dispositivo produzido dentro do Projeto de Extensão é o semáforo especial. “Ele foi desenvolvido para que a pessoa com deficiência, fazendo uso do seu celular, aproxime o dispositivo do semáforo e receba informação sonora sobre o estado do semáforo (aberto ou fechado para o tráfego), orientando se é possível ou não atravessar a rua”, explica Lamas. A pessoa com deficiência é sinalizada sobre o tempo que ela tem para iniciar ou finalizar a travessia por meio da variação da frequência do sinal auditivo.

Então técnica da Pró-Visão experimenta o “Semáforo inteligente”- Crédito: Arquivo
Então técnica da Pró-Visão experimenta o “Semáforo inteligente”- Crédito: Arquivo

Segundo Lamas, todos os conhecimentos adquiridos no curso de Engenharia Elétrica da PUC-Campinas são aplicáveis no desenvolvimento dos artefatos. “As tecnologias aplicadas são testadas e validadas com o público-alvo. São procedimentos simples e necessariamente baratos. Nós desenvolvemos a engenharia, juntamente com os técnicos da Pró-Visão e depois, após a apropriação das técnicas, eles replicarão esse conhecimento com as pessoas com deficiência e seus familiares. O semáforo especial é uma solução simples que pode ser viabilizada pelo poder público, por exemplo, com pouco recurso financeiro” finaliza.

 

 

EDITORIAL: Em frente ao computador

Na frente do computador, conectado a uma rede, o internauta acessa o saldo bancário, paga contas, faz compras, vende serviços, contrata outros, conversa com outras pessoas, diverte-se com jogos eletrônicos ou busca informações em fontes diversas… Mas, seja lá o que faça, inevitavelmente ele é seguido, espionado, observado e bisbilhotado. Muito do que o cidadão conectado às redes sabe, faz, deseja, detesta ou aprecia está enchendo bancos de dados para atender diferentes objetivos, da vigilância ideológica às campanhas de marketing.

 Esta edição do Jornal da PUC-Campinas concentra artigos e reportagens que analisam aspectos diversos da chamada era da informação, em que parcelas cada vez maiores da população aderem à interconexão.

Especialistas em redes computacionais explicam como diferentes entidades, algumas legais, outras nem tanto, exploram a captação e o uso de informações conseguidas na rede, com ou sem conhecimento e autorização da pessoa espionada.

Mas a sombra do grande irmão, observando tudo e todos, não é a única característica da era da informação. Internet das coisas, aplicativos que agilizam e facilitam a rotina e o cotidiano, a ampliação quase infinita de comunicação também fazem parte do mundo mediado pelas redes, em que as possibilidades virtuais definidas pela tecnologia tornam-se, cada vez mais, os recursos virtuosos incorporados pela sociedade.

Navegando na ceara fértil das redes, esta edição mostra o talento criativo de alunos e ex-alunos da Universidade que estão “fazendo a vida” nesse campo de atuação e mostra, também, como a parte real (em contraposição ao virtual) da sociedade reage à invasão digital, por exemplo, redesenhando os mapas urbanos de acordo com fatores como acessibilidade informacional.

Claro, a edição deste mês tem espaço para tratar das redes sociais e ainda uma curiosa abordagem das alterações que o advento do computador pode provocar na capacidade humana de atenção.

Além dos artigos e matérias que orbitam a temática central, esta edição também abre espaço para eventos marcando o 50º. Aniversário do Concilio Vaticano II, comemorado este ano, com destaque para o Colóquio Universidade em Diálogo, à Luz do Concílio Vaticano II, organizado e conduzido pelo Núcleo de Fé e Cultura da Universidade, trazendo para nosso campus o Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Sérgio da Rocha, ex-aluno e ex-professor no Curso de Teologia da Universidade.

Informações e noticiário sobre a vida acadêmica, mais as seções fixas completam a edição 163, mês de Outubro do Jornal da PUC-Campinas. Aproveite o conteúdo e não deixe de encaminhar sugestões, críticas e comentários. Afinal, participar é o melhor caminho para fazer o jornal que você quer.