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Editorial: Vamos falar sobre Ciência?

Na edição 164, o Jornal da PUC-Campinas dedica espaço para artigos, reportagens e entrevistas que analisam diversos aspectos da Ciência, esse lugar tão importante para o desenvolvimento da sociedade, mas também tão mitificado.

Produzir e falar sobre Ciência é fundamental para que ela se popularize e faça parte, cada vez mais, do dia a dia das pessoas. Por isso, o Jornal da PUC-Campinas preparou uma reportagem que aborda a relação entre jornalistas e cientistas, dois personagens fundamentais para que a divulgação da ciência aconteça.

O Jornal também debate a importância do ensino da Ciência e o preparo de novos cientistas desde os primeiros anos escolares: um exemplo bem-sucedido é o do Colégio de Aplicação PIO XII, da PUC-Campinas, que há oito anos mantém projetos que iniciam crianças e adolescentes na prática da pesquisa.

Há, também, nesta edição, a preocupação em abordar as diferenças entre Ciência e Tecnologia. O resultado é uma reportagem que mostra que a Tecnologia e a Ciência, quando juntas, podem e devem beneficiar toda a sociedade. Como contraponto, o Jornal também traz o artigo sobre ética e o uso político que muitas vezes é feito do conhecimento científico.

Produzir e falar sobre Ciência é fundamental para que ela se popularize e faça parte, cada vez mais, do dia a dia das pessoas.

Você sabia que a primeira mulher que se dedicou à Ciência data do ano 370 (depois de Cristo)? Em artigo elucidativo, professores pesquisadores da Matemática resgatam a trajetória de mulheres que transformaram o campo da Ciência.

Além dos artigos e matérias que orbitam a temática central, esta edição também abre espaço para os Projetos de Extensão da Universidade que têm impacto real na vida da população de Campinas e Região.

Informações e noticiário sobre Ciência, mais as seções fixas completam a edição 164, do mês de dezembro de 2015 do Jornal da PUC-Campinas. Aproveite o conteúdo e não deixe de encaminhar sugestões, críticas e comentários para o endereço eletrônico imprensa@puc-campinas.edu.br. Afinal, participar é o melhor caminho para fazer o jornal que você quer.

Artigo: O ano da misericórdia

Por Pe. João Batista Cesário

No início do ano, o Papa Francisco anunciou a realização de um Jubileu Extraordinário da Misericórdia, a acontecer de 8 de dezembro de 2015 até 20 de novembro de 2016. “Pensei muitas vezes no modo como a Igreja pode tornar mais evidente a sua missão de ser testemunha da misericórdia” – afirmou o Papa. “Por isso decidi proclamar um Jubileu Extraordinário que tenha no seu centro a misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia. Queremos vivê-lo à luz da palavra do Senhor: ‘Sede misericordiosos como o Pai’ (Lc 6,36)”.

Foto Artigo Ano da Misericordia

Na tradição bíblica, a celebração do jubileu estava associada à propriedade da terra e ao perdão das dívidas, de forma que, segundo o Livro do Levítico, a cada 49 ou 50 anos o povo de Deus deveria celebrar um ano sabático, durante o qual a terra não seria cultivada e aqueles que tivessem perdido a sua propriedade deveriam retomá-la nesse ano. No fundo, estava a concepção de que o Senhor é o verdadeiro proprietário das terras, enquanto os israelitas seriam apenas seus usuários. Bem por isso, o monopólio da propriedade da terra era uma das mazelas sociais denunciadas pelos profetas. A tradição cristã católica herdou a prática dos jubileus dos israelitas, mas deu-lhe um significado mais espiritual, todavia, com aplicações bem concretas também.

No texto de convocação do Jubileu, a Bula Misericordiae Vultus (O rosto da misericórdia), o Papa afirma que determinou o dia de seu início no marco do cinquentenário da conclusão do Concílio Ecumênico Vaticano II, encerrado em 8 de dezembro de 1965. Segundo o Papa, a Igreja sente a necessidade de manter vivo esse acontecimento, pois ali começava para ela uma etapa nova de sua história. “A Igreja sentia a responsabilidade de ser, no mundo, o sinal vivo do amor do Pai” (MV, 4) – afirma.

O Ano Santo da Misericórdia ocorre em continuidade às intuições do Concílio, para ajudar a Igreja a redimensionar sua missão a partir da misericórdia. “É determinante para a Igreja – afirma o Papa – e para a credibilidade do seu anúncio que viva e testemunhe, ela mesma, a misericórdia. A sua linguagem e os seus gestos […] devem irradiar misericórdia […] onde houver cristãos, qualquer pessoa deve poder encontrar um oásis de misericórdia” (MV,12).

“Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai […] com a sua palavra, os seus gestos e toda a sua pessoa, Jesus de Nazaré revela a misericórdia de Deus” (MV,1) – diz o Papa. E aponta em várias passagens dos Evangelhos como “em todas as circunstâncias, o que movia Jesus era apenas a misericórdia” (MV,8). Ademais, em toda a Sagrada Escritura, “a misericórdia é a palavra-chave para indicar o agir de Deus para conosco. […] A misericórdia de Deus é a sua responsabilidade por nós” (MV,9).

Por isso, a celebração do Jubileu da Misericórdia inclui algumas ações que expressam o comprometimento de quantos desejam mergulhar, de fato, no amor misericordioso de Deus. Assim, a peregrinação, a celebração da reconciliação e a prática de obras de misericórdia corporal e espiritual são algumas das atividades características do Ano Jubilar.

A peregrinação é um ícone do caminho que cada pessoa realiza na sua existência (MV,14). O sacramento da Reconciliação “permite tocar sensivelmente a grandeza da misericórdia” (MV,17), é fonte de paz interior para os penitentes e exigência para os confessores. As obras de misericórdia permitem-nos “abrir o coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais” (MV,15) – diz o Papa. Entre as obras de misericórdia corporal estão “dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos” (MV,15). Entre as obras de misericórdia espiritual destacam-se “aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, rezar a Deus pelos vivos e defuntos” (MV,15).

A experiência da misericórdia é tão decisiva que o Papa lança um convite às pessoas que pertencem a grupos criminosos no mundo para que mudem de vida, uma vez que a violência empregada para acumular dinheiro transpira sangue e não garante poder legítimo para ninguém. O mesmo apelo é dirigido às pessoas “fautoras ou cúmplices de corrupção, [pois] esta praga putrefata da sociedade é um pecado que brada aos céus” (MV,19).

Por fim, o Papa recorda que a experiência da misericórdia ultrapassa os limites da Igreja Católica e nos coloca em relação com o Judaísmo, o Islamismo e outras “nobres tradições religiosas”, tornando-nos abertos ao diálogo e capazes de superar o fechamento, o desprezo, a violência e a discriminação (MV,23).

Enfim, a celebração desse Jubileu é um grande desafio para os cristãos e toda a humanidade, pois há inúmeras situações no mundo que precisam ser transformadas à luz da misericórdia de Deus. Em âmbito mundial se destacam o drama das migrações forçadas que transformam milhares de pessoas em refugiados sem pátria e o flagelo do terrorismo praticado por organizações fanáticas e pseudoreligiosas, como o autodenominado ‘Estado Islâmico – EI’, que amam mais a morte do que a vida. Em âmbito local, entre outros dramas, se destacam a situação das vítimas do rompimento das barragens em Mariana-MG; o extermínio cotidiano de milhares de jovens pobres, vítimas de balas perdidas, da violência policial, do consumo de drogas, acidentes de trânsito e outros males; e a persistência de práticas preconceituosas (racismo, machismo, entre outros) que agridem os diferentes e os vulneráveis.

Nesse contexto marcado por violência, dor e mortes, é oportuno, pertinente e urgente o apelo do Papa para a celebração de um Ano Santo da Misericórdia – tempo favorável para o perdão, a compaixão e a reconciliação. Que neste Ano sejamos todos “misericordiosos como o Pai”.

Pe. João Batista Cesário é Coordenador da Pastoral Universitária

 

PUC-Campinas Informa

Novos Cursos de Mestrado

Aprovado pela CAPES/MEC o Curso de Mestrado Acadêmico em “Linguagens, Mídia e Arte” na PUC-Campinas. O curso terá duas linhas de pesquisa: “Discursos, Poéticas e Tecnologias” e “Sujeito e Midiatização”.

A CAPES/MEC também aprovou o Curso de Mestrado Acadêmico em “Sustentabilidade”, com duas Linhas de Pesquisa: “Ciência, Sociedade, Políticas Públicas e Sustentabilidade” e “Planejamento, Gestão e Indicadores de Sustentabilidade”.

Inscrições abertas para cursos de Especialização

 

Até 18 de janeiro de 2016

Os Cursos de Pós-Graduação Lato Sensu (Especialização) da PUC-Campinas estão com inscrições abertas para o 1º Semestre de 2016, até o dia 18 de janeiro. Os interessados podem se inscrever pelo Portal da Universidade.

Os Cursos com inscrições abertas são:

Especialização em Contabilidade Internacional 

Especialização em Contabilidade, Auditoria e Controladoria (turmas semana e sábado)

Especialização em Gestão Empresarial

Especialização em Gestão Pública

Especialização em Desenvolvimento do Potencial Humano nas Organizações

Especialização em Enfermagem em Terapia Intensiva

Especialização em Enfermagem em Urgência e Emergência 

Especialização em Engenharia de Segurança no Trabalho

Especialização em Geriatria e Gerontologia

Especialização em Jornalismo Esportivo

Confira os detalhes no portal da Universidade

Projeto HackaTruck na PUC-Campinas

Faculdade de Análise de Sistemas e a diretoria do CEATEC, por meio de uma parceria entre a IBM, o Instituto Eldorado e a Apple, receberam no período de 19 de outubro a 07 de novembro um caminhão (sala de aula tecnológica), que possui 72 m² em seu interior. Os alunos poderão visitar esse ambiente que estará equipado com dispositivos da Apple, experiências de realidade aumentada, impressoras 3D, Internet das coisas e puderam participar de um curso presencial sobre programação SWIFT para plataforma IOS  e de palestras de curta duração sobre inovações tecnológicas e carreiras de TI.

A PUC-Campinas é a primeira Universidade do Brasil a receber e participar desse projeto, que abrangerá vários estados do Brasil.

Nos dias 10 e 11 de setembro, os alunos dos Campus I e II participaram da apresentação do projeto e em 16 de setembro e teve início o curso à distância sobre Lógica de Programação e Programação Orientada a Objetos, que prepara os alunos para o curso presencial.

 

Espaço Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários

Projetos de Extensão são classificados entre os melhores do país em Edital do MEC 

A PUC-Campinas submeteu 26 propostas, sendo 12 projetos e 14 programas de extensão ao Edital PROEXT 2016 MEC/SESu, publicado pelo Ministério da Educação. Trata-se do principal instrumento de financiamento da Extensão Universitária do país. Todas as propostas da PUC-Campinas foram avaliadas positivamente, sendo que 16 obtiveram nota final acima de 91 pontos, numa escala que varia entre 0 e 100 pontos.

O resultado final contemplou 3 programas e 5 projetos com recursos financeiros para apoiar seu desenvolvimento, perfazendo um total de R$ 1.305.929,13. Com este resultado, a PUC-Campinas ficou em 8º lugar dentre todas as Instituições de Ensino do país que apresentaram propostas e, pelo segundo ano consecutivo, em 1º lugar no segmento das Instituições Comunitárias de Ensino Superior (ICES)

RESULTADO FINAL EDITAL PROEXT 2016  
PROGRAMAS E PROJETOS CLASSIFICADOS E CONTEMPLADOS COM RECURSOS NO TOTAL
DOCENTE MODALIDADE TÍTULO
1. Pedro de Miranda PROGRAMA Desenvolvimento de Atuação em Rede para cooperativas de catadores de materiais recicláveis de Campinas-SP.
2. Karina de Carvalho Magalhães PROGRAMA Empreendedorismo e Empregabilidade: desenvolvendo competências e preparando Pessoas com Deficiência para o Mundo do Trabalho no Centro Interdisciplinar de Atenção à Pessoa com Deficiência (CIAPD) da PUC-Campinas.
3. Roberto Silva Jr PROGRAMA Esporte e Lazer: estratégias de participação e tecnologia para a inclusão de pessoas com deficiência.
DOCENTE MODALIDADE LINHA TEMÁTICA
1. Fábio Augusto Morales Soares PROJETO Lugares da religião em Campinas: patrimônio, espaço e cultura material.
2. Vagner Roberto Bergamo PROJETO Esportes Unificados: Modelo Para o Desenvolvimento do Esporte e Lazer Inclusivo.
3. José Henrique Spécie PROJETO Oficina da Cidadania.
4. Cristiane Feltre PROJETO Observatório de políticas públicas e migrações da RMC.
5. Amilton da Costa Lamas PROJETO Promoção da inclusão social/digital de deficientes visuais através de soluções de Engenharia Elétrica.

 

tabela 1

tabela 2

 

 

 

 

Coluna Pensando o Mundo: JUBILEU DE DIAMANTE

 

Por Wagner Geribello

Caracterizado pelo brilho inigualável, tonalidades diversas, refração da luz branca nas cores do arco-íris, disposição peculiar dos átomos de carbono que o tornam mais compacto e resistente que qualquer outra matéria natural, a pedra que só pode ser riscada por outra similar faz jus à máxima de que “o diamante é para sempre” e, portanto, escolhido para simbolizar a longevidade e a consistência das instituições que atingem o jubileu dos 75 anos de atividades.

Em 2016, a Pontifícia Universidade Católica de Campinas vai comemorar seu Jubileu de Diamante, reunindo muita história de sucesso para ser contada e outro tanto de entusiasmo para o tempo que sucede essa comemoração.

A PUC-Campinas nasceu ousada e inovadora, plantando em Campinas a semente do ensino superior quando essa atividade era escassa no Brasil e praticamente um monopólio das capitais estaduais.

Em 1941, docentes e funcionários da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras ocuparam o casarão da Rua Marechal Deodoro, antiga residência da família Souza Aranha, para receber 233 candidatos ao processo vestibular dos Cursos de formação de professores.

Desse passo inicial, até os dias de hoje, quando milhares de alunos frequentam dezenas de Cursos e Programas de Graduação e Pós-Graduação, em três campi, a PUC-Campinas escreveu páginas e inscreveu conquistas na história da educação brasileira, incluindo a representativa cifra de 160 mil alunos formados.

Quando uma instituição atinge essas marcas, nada mais esperado que um período de comemoração, que abra espaço para resgatar em detalhes, relembrar com afeto e divulgar com entusiasmo essa história de conquista e sucesso. Para isso, está em preparação um calendário amplo e variado de eventos que farão de 2016 um ano especial na PUC-Campinas, envolvendo toda a comunidade acadêmica.

Diretamente envolvido com a comemoração do Jubileu de Diamante, o Jornal da PUC-Campinas vai dedicar espaço para divulgar e registrar eventos e acontecimentos referentes à data, mas vai, também, contribuir diretamente para o resgate histórico da Universidade e das pessoas a ela relacionadas, abrindo espaço permanente para efemérides, matérias, entrevistas e artigos que aproximem a comunidade acadêmica atual do passado e do presente da Universidade.

Nesta edição temática do Jornal da PUC-Campinas, dedicada à ciência, o resgate histórico assinala o momento em que a Instituição começou sua produção científica formal, com a implantação do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia.

Período de transição, marcado por profundas reformas na constituição e organização da atividade universitária no País, a entrada na década de 1970 registrou uma série de mudanças na então Universidade Católica de Campinas, a mais significativa delas ocorrida em 8 de setembro de 1972, por força do Decreto Sacra Congregatio pro Institutione Catholica, constituindo a Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Esse período foi marcado, também, pela consolidação da pós-graduação stricto sensu nas universidades brasileiras, que além do Ensino e da Extensão assumiram com mais intensidade o terceiro elemento constitutivo do tripé das competências universitárias, a Pesquisa.

A PUC-Campinas, uma vez mais, esteve entre as primeiras Instituições Particulares de Ensino Superior localizadas fora das capitais de Estado a investir na pós-graduação, instituindo o Mestrado em Psicologia. No ano seguinte, iniciativa similar foi aplicada à área de Linguística e, antes do fim da década, em 1977, a pós-graduação stricto-sensu chegou à Biblioteconomia e à Filosofia.

A criação desses Programas consolidou a produção científica na Universidade que, atualmente, oferece programas completos (mestrado e doutorado) em diversas áreas do conhecimento. Esse movimento de ampliação e consolidação da pós-graduação implicou o aprimoramento da titulação do corpo docente, instalação de laboratórios e áreas específicas para atividades de pesquisa, além de inserir a Universidade no ambiente de pesquisa, incluindo habilitação para participar de editais das agências governamentais de fomento, com acesso a verbas e bolsas de pesquisa.

Assim, no Jubileu de Diamante, a PUC-Campinas comemora não só inegável contribuição ao Ensino, como também se coloca como importante polo gerador de conhecimento no cenário brasileiro.

Prof. Dr. Wagner Geribello é Consultor do Jornal da PUC-Campinas

 

 

Primeiro Museu de Arte Sacra do estado de S. Paulo

Museu Arquidiocesano de Campinas inaugura sua nova sede no bairro Nova Campinas. Espaço cultural terá minicursos, pesquisa e interatividade

 

Por Amanda Cotrim

A nova sede do primeiro Museu de Arte Sacra do Estado de São Paulo é fruto de muito trabalho. Mas também é conseqüência de um desejo de preservar a memória, tanto do ponto de vista artístico, quanto histórico. O Museu, que nasceu em 1964, já teve algumas moradas em Campinas, como um edifício na Avenida Aquidabã e o consistório superior da Catedral Metropolitana de Campinas. Apesar do esforço de muitas pessoas em preservar o acervo, era preciso mais. “A iniciativa de ter um espaço apropriado para o Museu surgiu do Arcebispo Metropolitano de Campinas, Dom Airton José dos Santos. Ele resgatou o sentimento de que era preciso preservar o patrimônio”, comenta a historiadora da Arte, que participa do projeto, Paula Elizabeth de Maria Barrantes. “Dom Airton alude à necessidade de espaço físico mais adequado que abrigue e valorize o rico acervo, bem como para melhores condições de acessibilidade do público, dentro de um projeto que visa também fazer do mesmo edifício um centro de memórias da Igreja de Campinas”, explica o Doutor em História e Bens Culturais da Igreja e Coordenador do projeto de reestruturação do Museu, Monsenhor Rafael Capelato.

Padre João Augusto Pezzuto, responsável pela restauração do acervo./ Crédito: Álvaro Jr
O Historiador Gabriel Amstalden e Paula Berrante, historiadora da arte- Crédito: Álvaro Jr

Esse importante passo para a cultura do estado e da cidade começou em 2014 e tem o apoio da Arquidiocese de Campinas, desde o projeto de reestruturação, a organização e a condução do mesmo. “A PUC-Campinas, por meio da Diretora da Faculdade de História, Profa. Dra Janaina Camilo e da Reitoria da Universidade, na pessoa do Vice-Reitor, Prof. Dr. Germano Rigazzi Junior, teve participação de grande importância”, destaca o Monsenhor. A equipe que colocou em prática a ideia de resgatar o Museu contou ainda com a historiadora da arte Paula Barrantes, com os historiadores Luiz Raphael Tonon, Thiago Avansi, Gabriel Amstalden, Diego da Silva Souza; e com o Padre João Augusto Pezzuto, responsável pela restauração do acervo.

Padre João Augusto Pezzuto, responsável pela restauração do acervo./ Crédito: Álvaro Jr
Padre João Augusto Pezzuto, responsável pela restauração do acervo. / Crédito: Álvaro Jr

A nova sede do Museu Arquidiocesano de Arte Sacra de Campinas está localizada no Palácio Episcopal, antiga casa de Dom Paulo de Tarso Campos, primeiro Arcebispo de Campinas, no bairro Nova Campinas. O local, com 1300 metros quadrados e 16 salas, abrigará 1200 peças. “O acervo, dividido em salas temáticas, conta a história das primeiras freguesias do Estado de São Paulo e as transformações dessas freguesias em cidade e depois em metrópole” explica Paula. “A arte sacra é a primeira manifestação artística do estado, sendo fundamental para o ensino da religião, por se tratar de uma forma fácil e rápida de ensino”, complementa.

A Professora Janaina Camilo, Diretora do Curso de História da PUC-Campinas e Coordenadora do Museu Universitário, explica que o Museu Arquidiocesano de Arte Sacra segue as normas previstas pelo Instituto Brasileiro de Museus e pela Carta Circular providenciada pela Pontifícia Comissão para os Bens Culturais da Igreja, as quais orientam para “Função Pastorial dos Museus Eclesiásticos”, ou seja, “não basta para um Museu atingir sua função de formador de informação, propagador de ideias e reflexão histórica e arquitetônica. É preciso, também, que o espaço museal dialogue com a comunidade, promovendo a valorização das identidades e da memória social e cultural”, considera. Foi sob essa orientação que o projeto expográfico foi produzido, com vistas a efetivar o uso adequado do acervo combinado ao espaço físico.

Profa Dra Janaína Camilo, Diretora do curso de História da PUC-Campinas / Crédito: Álvaro Jr
Profa Dra Janaína Camilo, Diretora do curso de História da PUC-Campinas / Crédito: Álvaro Jr

O projeto expográfico contou com o apoio da equipe do Museu Universitário da PUC-Campinas, que ficou responsável pelo estudo das peças e da logística para a transferência do acervo da Catedral Metropolitana para o Palácio Episcopal. A Professora Janaina ressalta que nesse processo foi fundamental as visitas técnicas às cidades de São João Del Rei e Tiradentes, com orientação da Profa. Dra. Adalgiza Arantes Campos, docente de História da Arte da Universidade Federal de Minas Gerais e por seu orientando de doutorado, Prof. Me. Leandro Gonçalves de Rezende.

Parte do acervo do primeiro Museu de Arte Sacra do Estado de S. Paulo/ Crédito: Álvaro Jr
Parte do acervo do primeiro Museu de Arte Sacra do Estado de S. Paulo/ Crédito: Álvaro Jr

O historiador e funcionário do Museu Arquidiocesano, Gabriel Amstalden, explica que o espaço vai funcionar, inicialmente, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, com entrada no valor de 10 reais inteira e 5 reais a meia. No futuro, aposta Amstalden, o Museu também abrirá aos sábados. Além da visitação ao acervo, o público terá acesso a minicursos – na área de história da arte – e a pesquisa, com um espaço para a biblioteca e sala de estudo. “Além disso, haverá uma cinemateca e todo o acervo do Museu estará com informações em Braile. Queremos que esse espaço seja freqüentado por todas as pessoas”, reforça.

Diante da interatividade cada vez mais presente nos museus do Brasil, Paula explica que o Museu Arquidiocesano de Arte Sacra de Campinas também se valerá da tecnologia, mas com cautela: “É preciso usar a tecnologia com cuidado, porque ela passa a ser a estrela do lugar e não o acervo. A tecnologia tem que servir à informação e ao acervo”, opina. Segundo a historiadora da arte, tudo que tem de mais moderno está sendo aplicado no Museu. “Talvez, ele seja um dos primeiros museus do Brasil a ser iluminado totalmente por luz de led, material essencial para a preservação das peças, dos tecidos, e fundamental para tornar o ambiente agradável”, explica. “Ainda não conseguimos, mas estamos trabalhando para conseguir a caneta falante: qualquer criança, idoso, ou pessoa com deficiência visual, por exemplo, não precisará ler a etiqueta da obra; é só colocar a caneta na identificação da peça e o próprio áudio da caneta vai explicar todo o acervo para a pessoa: contexto histórico, informações do artista, entre outros detalhes. Essa caneta dará total autonomia para a pessoa; inclusive para o Museu poder receber estrangeiros”, comenta Paula. “Por muito tempo se pensou (e talvez ainda se pense) que o moderno importa mais do que o passado. Extinguir o passado tornou-se uma prática na nossa cultura. Com o Museu, estamos fazendo o caminho contrário”, finaliza.

SERVIÇO:

O que:  Museu Arquidiocesano de Arte Sacra

Onde: Rua Dr. José Ferreira de Camargo, 844 (Antigo Palácio Episcopal)

Confira a programação do Museu em: www.facebook.com/museudeartesacracampinas

Telefone: 3790-3950

Artigo: Para além da Universidade

Por Lucas Jerônimo

As possibilidades pretendidas desde o ingresso na Universidade norteiam a relevância obtida a partir de um projeto de Extensão, consolidado por uma necessidade externa e de mesmo modo pela potencialidade possível a partir da experiência acadêmica. O projeto “Reflexões Críticas Sobre a Mídia no Processo de Educomunicação” é um desses exemplos.

Lucas participou do projeto de Extensão “Reflexões Críticas Sobre a Mídia no Processo de Educomunicação". Crédito: Álvaro Jr.
Lucas participou do projeto de Extensão “Reflexões Críticas Sobre a Mídia no Processo de Educomunicação”. Crédito: Álvaro Jr.

O objetivo é compreendido a partir da construção coletiva, quando os conhecimentos absorvidos em sala de aula são transportados para o lado de fora, em uma via de mão dupla. Essa vivência se torna ainda mais motivadora quando a partilha se dá para a construção de novos contextos formativos, para a educação, e para a relação essencial entre esta e as perspectivas dadas pelo advento de novas mídias, em constante transformação.

É possível materializar essas observações a partir da vivência in loco, como no caso desse projeto, em que a transferência e partilha de conhecimentos se dão com professores do Ensino Fundamental e Médio que se dispõem à integração por meio de oficinas temáticas acerca do tema central do Projeto de Extensão Universitária.

Nesse sentido, repensar a dinâmica do nosso processo de formação passa a ser fator essencial. É quando a técnica ganha corpo e movimento que percebe-se de que forma a atuação do estudante de Extensão se destaca para além da grade curricular, e a vivência universitária passa a ser agregada não só como a repetição de conteúdos e o cumprimento de metas probatórias.

Como eixo condutor da experiência de Extensão está a aproximação de realidades diversas àquilo que, às vezes, está limitado a vivências pessoais e de caráter privado, ou seja, o que se enquadra em limites que já não contemplam a necessidade. A vivência comunitária é transformadora, mas só quando a universidade se integra e não apenas aplica a “receita pronta” de como deve ou não ser.

O conhecimento e a produção acadêmica com a comunidade ampliam, sobretudo, as fronteiras e podem evidenciar profissionais egressos com possibilidades de atuação social superiores.

 

Extensão: a relação entre Universidade e Comunidade externa

Por Duílio Fabbri

Aprender a ler imagens e a compreender os seus possíveis sentidos tornaram-se habilidades necessárias para desenvolver a capacidade de interagir com o mundo de forma consistente e consciente. No Projeto de Extensão “Reflexões críticas sobre a mídia no processo de educomunicação”, desenvolvido junto aos professores da Escola Estadual Prado e Silva, tem-se como perspectiva o fato de que aprender sobre o mundo editado pela mídia, a ler além das aparências; a compreender a polifonia presente nos enunciados da narrativa midiática não são tarefas fáceis, mas desejáveis para uma leitura crítica do mundo. Da mesma forma, discutir a responsabilidade social dos veículos de comunicação, compreender as intrincadas relações de poder que estão por trás de sua composição, além de capacitar professores e alunos para entender os sentidos, o significado implícito no discurso midiático, também é papel da Extensão.

Lucas Jerônimo e o Coordenador do Projeto Duílio Fabbri- Crédito: Álvaro Jr.
Lucas Jerônimo e o Coordenador do Projeto Duílio Fabbri- Crédito: Álvaro Jr.

Do ponto de vista institucional, entendendo a Universidade formada por um tripé em que se integram Ensino, Pesquisa e Extensão, este projeto não só se relaciona e contribui para o projeto pedagógico do Curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), bem como com as diretrizes de Extensão difundidas pela Instituição. O projeto pertence ao eixo aglutinador Cultura e Arte, cujo cerne é aplicar concretamente, via Extensão, o conhecimento produzido e existente na Universidade no enfrentamento, nas reflexões críticas do mundo que nos acerca e no entendimento de novas tecnologias e linguagens. Como professor de Extensão, responsável pelo projeto, conto com dois alunos bolsistas, que têm tarefas específicas, com aderência à Faculdade de Jornalismo, em que os mesmos estão a aplicar e a desenvolver os conhecimentos da área estudada.

 

Duílio Fabbri é extensionista e diretor adjunto do curso de Design Digital

Lucas Jerônimo – extensionista

Campanha solidária ‘adota’ crianças da creche “Irmã Maria Ângela”

Corrente de solidariedade envolve comunidade acadêmica da PUC-Campinas

Por Amanda Cotrim

Como Universidade Católica, a PUC-Campinas traz, em sua história e identidade, uma profunda marca cristã, que prima, dentre outros, pelos valores da solidariedade e da cidadania. “Assim sendo, apesar de sabermos que, em várias unidades administrativas e acadêmicas, grupos de funcionários e docentes se unem para ações sociais desse tipo no período natalino, acreditamos que, como Instituição, talvez possamos empreender uma Campanha de adesão voluntária”, explica o Coordenador da Pastoral Universitária, Padre João Batista Cesário. As crianças da Creche Irmã Maria Ângela, localizada na Vila Georgina, em Campinas, foram “adotadas” nesse fim de ano. A entidade cuida de 158 crianças carentes de zero a 6 anos.

Papai Noel interage com as crianças. Crédito: Álvaro Jr.
Papai Noel interage com as crianças. Crédito: Álvaro Jr.

A entrega dos presentes na sede da Instituição aconteceu no dia 15 de dezembro. O objetivo da Campanha Solidária de Natal era “propiciar espaço espontâneo e diversificado de convívio e de integração dos funcionários e docentes da Universidade, por meio da vivência solidária, incentivando cada membro da comunidade interna ao compromisso social em organizações não governamentais que desenvolvem diversos tipos de ações com grupos vulneráveis”, considera o Coordenador da Coordenadoria Geral de Atenção à Comunidade Interna (CACI), Prof. Me. José Donizete de Souza.

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“Adotar” crianças nessa época do ano já faz parte da vida do Coordenador da Divisão de Logística e Serviços, Israel Barros. “Não é a primeira vez que participo desse formato de campanha solidária. Acho importante, porque nos faz sempre lembrar o Aniversariante do dia 25 de dezembro e sua lição de solidariedade”, reforça. O mesmo acontece com a telefonista da PUC-Campinas, Maria de Fátima Silva, que há anos “adota” crianças numa instituição no bairro dela. “Não tem preço a sensação de ter feito o bem para o outro”, resume.

A Diretora Educacional da Creche Irmã Maria Ângela, Elaine dos Santos da Cunha, explica que a entidade desenvolve projetos educacionais multidisciplinares que priorizam a construção de conhecimento pelo “brincar”, tendo como ponto de partida valores morais de respeito ao próximo, ética e cidadania junto  às famílias e à comunidade. “No mês de dezembro, queríamos tornar o Natal das crianças mais alegre com a entrega de presentes, frutos de campanha de solidariedade e arrecadação. Lembramos de que o verdadeiro sentido do Natal é trabalhado intensamente com as crianças”, finaliza.

Mais informações sobre o trabalho desenvolvido pela Creche pelo telefone 3276-0455.

Artigo: Discursos, Ciências e Miçangas

 Por Eliane Fernandes Azzari

Para revisitar ciências e a relação entre a contestação de discursos de repetição e a ruptura de paradigmas, acato o papel político da linguagem  –  prática social  ideologicamente norteada – materializada em enunciados que me permitem a análise de  discursos, o que faço a seguir.

Trabalhando com Ciências Humanas na atualidade, interesso-me pelo novo paradigma que as Tecnologias da Informação e Comunicação Digitais (TICDs) têm fomentado na construção do conhecimento, oferecendo brechas para o trato pedagógico da linguagem.

Contrariando paradigmas vigentes, Francis Bacon, por exemplo, contestou discursos ao escrever ensaios em inglês que instigaram mudanças no pensamento científico ocidental tanto nas Ciências Naturais como nas Humanas – que só teriam atingido status de Ciência no início do século XX, quando Dilthey tratou estudos interpretativos acerca da vida por “ciências do homem ou do espírito”. Em Of Studies, Bacon inaugura um inglês menos prolixo para sugerir que um dos objetivos do ato de estudar é “pesar e considerar ideias”.

Trabalhando com Ciências Humanas na atualidade, interesso-me pelo novo paradigma que as Tecnologias da Informação e Comunicação Digitais (TICDs) têm fomentado na construção do conhecimento, oferecendo brechas para o trato pedagógico da linguagem. Nessa direção, via rede social síncrona, cheguei ao enunciado “Japão pede que universidades cancelem cursos de humanas” e, depois, a um texto publicado pela Embaixada do Japão no Brasil. Já que estudo discursos para, também, pesar ideias criticamente, leio no texto que afirma que o Japão é “especializado em módulos e processos de alta tecnologia e conhecimento técnico”, um discurso neoliberalista que reitera o conceito de estado-nação e adota tom assertivo (“será necessário aumentar a produtividade de trabalho”) para golpear as Ciências Humanas. A urgência em “focar aspectos vocacionais mais práticos” que “antecipem melhor as necessidades da sociedade”, trata a “vocação” para as tecnologias por mera instrumentalidade técnica, discurso contestável.

Numa sociedade perigosamente desprovida de Ciências Humanas não haveria promoção dos letramentos necessários para legitimar direitos e deveres – públicos e privados

Procurando a mesma rede por discursos de resistência, acabei por encontrar os de repetição. Uma comunidade popularizada por membros das Humanidades enuncia com humor: “Ajudar o povo de humanas a fazer miçanga[1]” – satirizando, mas também reforçando, estereótipo identitário, contextualizado em uma ciência menor. “Fazer miçanga” remeteria à função-artesão, atuação posta às margens da sociedade tecnologizada?

Numa sociedade perigosamente desprovida de Ciências Humanas não haveria promoção dos letramentos necessários para legitimar direitos e deveres – públicos e privados. Assim, acalentar discursos de repetição tecnicistas e contrários às Humanidades destinaria seus profissionais a escolher apenas entre as velhas linhas de produção ou a fabricação de miçangas.

Prof. Me. Eliane Fernandes Azzari é docente na Faculdade de Letras 

Artigo: “Brilhar na Fé e na Ciência”

 Por Pe. Dr. Adriano Broleze

“A fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade”.  Assim se inicia a Encíclica Fides et Ratio, que versa sobre a relação da fé e da razão.  Importante documento que desenvolve o tema muitas vezes concebido como antitético entre a Revelação e a Racionalidade humana. Um convite para compreender que, tanto a fé como a razão são características propriamente do ser pensante e, somente numa visão de entendimento, poderão ser assumidas como colaboradoras do desejo mais profundo do coração humano, ou seja, o anseio pela verdade.

As novas descobertas, sobretudo no campo da biotecnologia, evidenciam inumeráveis possibilidades ao desenvolvimento humano, contudo nem sempre uma tecnologia alcançável e aplicável é, humanamente (ética, moral e religião), aceitável. Seja pelo que entendemos do ser humano, como portador de dignidade inalienável, seja pelo que a religião expressa em conceber o mesmo humano como merecedor de não violação de sua vital sacralidade. O que acentuamos é que a ética, a moral e a religião nunca desejaram em sua raiz mais genuína, como diagnosticaram os iluministas e modernistas mais efêmeros, obstruir o desenvolvimento científico. A posição da religião, nesse senso, é justamente de afirmação, ou seja, de sustentação do valor de todo indivíduo e de todo ecossistema, nosso eu e nossa casa comum.

“O que acentuamos é que a ética, a moral e a religião nunca desejaram em sua raiz mais genuína, como diagnosticaram os iluministas e modernistas mais efêmeros, obstruir o desenvolvimento científico.”

As ciências bem o sabem que, defronte ao ser humano, não será possível adotar outra linguagem que não a da Dignidade, mas ao mesmo tempo, também são cientes que essa linguagem reclama contínua e fatigosa revisão. Não existe, todavia, na esfera do código simbólico, outra estrada a percorrer, senão a da reflexão que forjará as contingências do avanço e da autolimitação da pesquisa científica. A Igreja, nesse sentido, oferece uma significativa contribuição, sustentando uma visão integral do ser humano, visão que envolve não só a indispensável conceituação teórica de cada ciência, mas também a englobante visão antropológica, colhida na seara teológica, do pensante como mistério para si mesmo e, em comunhão com o outro.

Na história da relação entre Fé e Razão encontraremos, certamente, momentos turvos, que no entrincheiramento histórico podemos apreciar, todavia também não nos faltam elementos que indicam a gloriosa colheita que se pode desfrutar quando essas dimensões se unem. Vejamos, por exemplo, a conservação dos livros nos mosteiros desde a Idade Média, o nascimento das universidades, os grandes cientistas como Nicolau Copérnico (padre), Gregor Mendel (monge) e ainda Pascal, Ampère, Pasteur e Eduardo Branly. Hoje a Academia Pontifícia das Ciências reúne estudiosos do mundo inteiro, e os trabalhos do Observatório Astronômico do Vaticano são destaque, sem ainda enumerar tantas universidades e escolas espalhadas pelo mundo.

“A pesquisa científica e a dimensão do mistério será sempre pauta de debates, encontros e até desencontros”.

Nesse sentido, Giuseppe Moscati (1880-1927), sustentava que não deveria existir contradição ou antítese entre ciência e fé, ambas deveriam concorrer para o bem do homem. Médico e professor universitário ele testemunhou ao longo de toda sua vida um zelo no atendimento aos doentes, foi pioneiro na relação de proximidade com os doentes. Dizia: “Seja a dor considerada não como uma oscilação ou uma contração muscular, e sim como o grito de uma alma, de um irmão, ao qual outro irmão, o médico acode com o calor do amor ou da caridade”. Conhecido como médico os pobres, foi canonizado pelo Papa João Paulo II, em 1987.

A pesquisa científica e a dimensão do mistério será sempre pauta de debates, encontros e até desencontros. Ao longo dos séculos, esses elementos serão observados e utilizados ora para salvaguardar uma ora para depreciar a outra. Contudo, o que não podemos nunca esquecer é que essas duas dimensões fazem parte de uma única realidade humana, que deseja ardentemente pela mais gloriosa tarefa da racionalidade, isto é, o desvelamento do mistério da verdade. Quando razão e fé se unem, esse desvelamento torna-se maravilhosamente possível.

Prof. Dr. Pe. Adriano Broleze- Faculdade de Teologia e Direito da PUC-Campinas