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Cinema e Literatura: Um conto de Natal

Por Ricardo Pereira

A seis dias do Natal de 1843, o britânico Charles Dickens escreveu aquele que pode ser considerado o conto definitivo sobre a data, “A Christmas Carol”. Escrito para pagar algumas dívidas do autor, em menos de uma semana foram vendidos 6 mil exemplares. No Brasil são inúmeras as edições e traduções desta obra que aportuguesa é conhecida por aqui como “Um Conto de Natal”. Aliás, não há como desconsiderar os motivos que levaram Dickens a escrevê-lo – suas dívidas – da leitura do conto.

Nas pouco mais de 60 páginas da edição original estão presentes todas as características da literatura de Dickens produzida em meio ao avanço da Revolução Industrial na Inglaterra. O autor é – ao lado do francês Victor Hugo – pioneiro no protagonismo que dá ao proletariado na literatura. Toda a sua obra pode ser vista como grandes painéis sobre a situação da classe trabalhadora na Inglaterra, aquilo que Friedrich Engels analisou com dados, Dickens preencheu com humanidade, diria mesmo que as duas obras se complementam.

“Socialista utópico”, Dickens não apostava numa revolução vinda do proletariado, mas numa generosidade que acreditava escondida nos mais ricos que movidos pelo acumulo de capital ainda não estavam conscientes de toda a miséria que produziam, por conta disto, a sua volta. O protagonista de “Um Conto de Natal”, o velho sovina Ebenezer Scrooge representaria bem os elementos desta classe que precisavam ser conscientizados. Mas não é o espírito do comunismo que faz o avarento mudar, mas a visita de três outros espíritos que representariam os Natais do passado, do presente e do futuro. Enquanto os dois primeiros espíritos funcionam como uma alerta para Scrooge, o terceiro espírito vem para lhe tirar a vida, pois o futuro dele distanciando-se de todos por ganância redundaria numa morte solitária. O conto de Dickens não fez a revolução, mas ajudou a reforçar a ideia de que tocados pelo “espírito natalino” todos nos tornamos mais solidários, ainda que seja apenas para escamotear nossos próprios fantasmas.

O cinema não tardou a explorar o conto de Dickens e já em seus primeiros anos de vida, em 1901, foi realizada sua primeira adaptação, um curta-metragem de onze minutos que sintetizava seus principais trechos. De lá para cá foram mais de 60 adaptações para o cinema, algumas voltadas mais para o público infantil como “Os Fantasmas de Scrooge” dirigida por Robert Zemeckis em 2009 e outras que dialogam mais com o público adulto como “Adorável Avarento” com Albert Finney no papel de Scrooge. Até a Disney fez sua versão do conto, em “O Natal do Mickey” de 1983 coube ao Tio Patinhas representar o avarento (aliás, o nome original de Patinhas, Scrooge McDuck, se baseia no personagem de Dickens). É verdade que nenhuma destas obras teceu grandes críticas ao capitalismo – como era de se esperar.

A mais feliz de todas as adaptações coube a Richard Donner que em 1988 rodou para o Natal daquele ano, o filme “Os Fantasmas Contra-Atacam”, nele Bill Murray interpretava Scrooge como o diretor de uma rede de televisão que preocupado apenas com audiência não importava em exibir programas que exploravam a violência. Na vida pessoal seu comportamento antissocial e desprezível produzia inimigos e afastava parentes. A visita dos três espíritos do conto original de Dickens são os pontos altos do filme bem como a atuação de Bill Murray, ainda hoje, um dos melhores atores do gênero. Se você não conhece nenhum dos filmes citados aqui fique atento à programação das emissoras de tevê na semana do Natal, provavelmente verá algum deles, são mais tradicionais, nesta época, que o próprio peru.

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Ricardo Pereira se formou em Jornalismo na PUC-Campinas em 1999. É jornalista e crítico de Cinema.

 

Retrospectiva PUC-Campinas 2016

O ano de 2016 da PUC-Campinas foi de muitas conquistas e comemorações. Em junho, a Universidade celebrou seus 75 anos de fundação, fato que rendeu inúmeras comemorações ao longo do ano. Porém, como não é possível falar sobre tudo que a Universidade promoveu, elencamos os principais acontecimentos que foram notícia

Por Amanda Cotrim

Em maio, a PUC-Campinas realizou o Colóquio Laudato Si’: Por uma Ecologia Integral, que contou com a presença do Magnífico Reitor da PUC-Rio, Prof. Dr. Pe. Josafá Carlos de Siqueira. O tema escolhido foi baseado na Encíclica do Papa Francisco, “Laudato Si’: sobre o cuidado da Casa Comum”, que apresenta texto sobre a ecologia humana; o primeiro documento escrito integralmente pelo Papa Francisco, que buscou inspiração nas meditações de São Francisco de Assis, patrono dos animais e do meio ambiente.

Restauro do Solar do Barão, antigo Campus Central.
Restauro do Solar do Barão, antigo Campus Central.

O ano de 2016 também foi importante, pois a Universidade anunciou o restauro do Solar do Barão, antigo Campus Central. A iniciativa será possível em razão do financiamento coletivo, que se dará tanto por pessoa jurídica e física, quanto por edital de fomento. Diante da responsabilidade cultural que a legislação orienta, a PUC-Campinas observa que a preservação do patrimônio cultural é uma obrigação de toda a sociedade civil.

A Universidade foi destaque no Guia do Estudante de 2016, ficando entre as melhores universidades, segundo a avaliação realizada pelo Guia do Estudante. Ao todo, a Instituição teve 33 cursos estrelados, que constarão na publicação GE Profissões Vestibular 2017. A publicação estará nas bancas a partir do dia 14 de outubro de 2016. A Universidade recebeu 120 estrelas, tendo os cursos de Direito e Pedagogia avaliados com cinco estrelas, considerada a mais alta.  Além destes, 17 cursos, foram estrelados com quatro estrelas.

Nos 75 anos da PUC-Campinas, o Jornal da Universidade também foi especial, pois resgatou vários acontecimentos históricos que marcaram a instituição. A edição comemorativa do Jornal da PUC-Campinas resgatou fatos e pessoas que se destacaram em 75 anos de História, bem como abriu espaço para manifestações diversas sobre o significado dessa História para os tempos presente e futuro da Universidade. Esse movimento reafirmou e confirmou que, nos seus diferentes modos de ser e fazer, com variados recursos, incluindo os mais atuais e modernos, de perfil informatizado, a comunicação destacou-se como preocupação precípua e valor de primeira grandeza da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

A instituição também reconheceu e homenageou os Docentes Pesquisadores da PUC-Campinas, evento que fez parte das Comemorações aos 75 anos de fundação da Universidade.

Semana Monsenhor Salim: Integrando as comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade, por meio do Museu Universitário e da Faculdade de História, promoveu a Semana Monsenhor Dr. Emílio José Salim, de 13 a 17 de junho, no Campus I. Em meio a palestras com mediadores e rodas de conversa, que abordaram temas como “Década de 1940: o surgimento das Faculdades Campineiras”, “Monsenhor Dr. Emílio José Salim e o seu tempo (1941 a 1968)”, “Memórias e Convivências”, a PUC-Campinas buscou refletir sobre a conjuntura nacional e internacional, no período de atuação de seu primeiro Reitor, Monsenhor Dr. Emílio José Salim. Corpo e alma da Instituição desde o seu nascedouro, e à época, uma das maiores autoridades de Ensino Superior do País, o Monsenhor Dr. Emílio José Salim foi peça chave da organização da maioria dos cursos superiores da Igreja nas décadas de 40 e 50. Tornou-se o principal esteio do projeto de implantação das Faculdades Campineiras e seu primeiro Reitor, entre os anos de 1958 a 1968.

40 anos de reconhecimento: No ano do Jubileu de Diamante da PUC-Campinas, a Faculdade de Ciências Contábeis comemorou os 40 anos de Reconhecimento do Curso.

Destaque na Extensão: a PUC-Campinas foi destaque no Congresso Brasileiro de Extensão Universitária (CBEU), o maior e principal encontro brasileiro da área de Extensão. Em 2016, em sua sétima edição, o Congresso aconteceu na Universidade Federal de Ouro Preto, no mês de setembro. A Universidade teve destaque no evento ao participar com 12 comunicações orais e 23 pôsteres, totalizando 35 apresentações.

Alunos e professores se destacaram: A Universidade, em 2016, comemorou muitas conquistas junto aos seus alunos, como a Parceria com a CPFL Energia e Dell, a qual possibilitou que os estudantes do curso de Engenharia Elétrica da PUC-Campinas, por meio da disciplina “Práticas de Engenharia”, ministrada pelo Prof. Dr. Marcos Carneiro e pelo Prof. Me. Ralph Robert Heinrich, participam do “Projeto Residência Tecnológica”, considerado um exercício inovador de ensino-aprendizagem.

Ainda na Engenharia Elétrica, o aluno Giordano Muneiro Arantes venceu em primeiro lugar Prêmio Melhor Trabalho de Conclusão de Curso, com o trabalho “Sensores para melhoria na locomoção de pessoas com deficiência visual”. Outro aluno premiado foi o estudante de Jornalismo da PUC-Campinas, Ricardo Domingues da Costa Silva, que venceu o 19º prêmio FEAC de Jornalismo, na categoria Produto Universitário, assim como Jhonatas Henrique Simião, de 22 anos, que ficou em primeiro lugar no 9º Prêmio ABAG/RP de Jornalismo “José Hamilton Ribeiro”.

Em 2016, a Profa. Dra. Maria Cristina da Silva Schicchi, docente do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da PUC-Campinas foi outorgada com o Prêmio ANPARQ 2016, da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, na categoria Artigo em Periódico, pela publicação “The Cultural Heritage of Small and Medium- Size Cities: A New Approach to Metropolitan Transformation in São Paulo-Brazil”, editado na traditional Dwellings and Settlements Review (v. XXVII, p. 41-54, 201).

Semana Cardeal Agnelo Rossi: Integrando às comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade, por meio do Museu Universitário e da Faculdade de História, promoveu a Semana Cardeal Agnelo Rossi, em setembro de 2016. A Instituição reuniu a comunidade universitária e a sociedade em geral e homenageou o Cardeal Agnelo Rossi, que ajudou a consolidar os alicerces da PUC-Campinas.

Outorga do Título Doutor Honoris Causa ao prof Dr José Renato Nalini - Lançamento do livro Cardeal Agnelo Rossi
Outorga do Título Doutor Honoris Causa ao prof Dr José Renato Nalini – Lançamento do livro Cardeal Agnelo Rossi

A PUC-Campinas também viveu dois momentos muito importantes em 2016: outorgou o título de Doutor Honoris Causa ao Professor Doutor José Renato Nalini, formado em Direito pela PUC-Campinas, Mestre e Doutor em Direito Constitucional pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Leciona desde 1969, quando iniciou suas atividades no Instituto de Educação Experimental Jundiaí (atual E.E. Bispo Dom Gabriel Paulino Bueno Couto) dando aula de Sociologia em aperfeiçoamento para professores. Desde então, nunca mais deixou de lecionar.

A Instituição também foi palco da terceira edição do projeto “Palavra Livre – Conscientização Política no Processo Eleitoral”, com sabatina aos candidatos à Prefeitura e à Câmara de Vereadores de Campinas, no mês de setembro. O projeto “Palavra Livre” acontece desde 2005 e promove debates democráticos sobre temas diversificados da atualidade. Em 2008, como parte do projeto, foi realizada a primeira Sabatina com candidatos à Prefeitura de Campinas, o que se repetiu em 2012 e em 2016.

Dom Gilberto participa da Semana em sua homenagem
Dom Gilberto participa da Semana em sua homenagem

Semana Dom Gilberto: Integrando às comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade promoveu a Semana Dom Gilberto Pereira Lopes, em outubro, reunindo comunidade universitária e a sociedade em geral, homenageando o Bispo Emérito de Campinas Dom Gilberto Pereira Lopes, que atuou como Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da Pontifícia Universidade Católica de Campinas no período de 1982 a 2004. A homenagem mostrou o histórico trabalho de Dom Gilberto frente à Arquidiocese de Campinas e à PUC-Campinas e prestou agradecimento pela sua dedicação e amor para com a Universidade e para com o seu povo.

Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”: Integrando às comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade realiza de 07 a 10 de novembro de 2016 o Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”. O evento foi organizado pelo Núcleo de Fé e Cultura e teve o objetivo de discutir a Doutrina Social da Igreja, por meio de conferências e mesas-redondas.

Trump será lapidado pelas instituições

Para Professor da PUC-Campinas, instituições e organizações estarão no caminho do novo presidente, dificultando que seus objetivos de campanha prossigam.

Por Amanda Cotrim

A eleição de Donald Trump para presidência dos EUA repercutiu no mundo inteiro muito mais pela postura quase caricata do então candidato do que pela exposição de suas estratégias políticas e econômicas. O mundo passou a se questionar, desde os resultados das urnas, como será a política internacional de Trump e se ele cumprirá com as promessas feitas na campanha, como fechar fronteiras, restringir a entrada de imigrantes no país, não manter relações diplomáticas, políticas e comerciais com país e regiões cujos acordos haviam sido firmados por Obama, além da própria promessa de aumentar os empregos e a qualidade de vida dos cidadãos estadunidenses.

Para poder compreender um pouco melhor quais os impactos reais da eleição de Donald Trump, o Jornal da PUC-Campinas conversou com o Professor. Me. Adauto Ribeiro, Diretor adjunto do Centro de Economia e Administração da PUC-Campinas. Segundo o especialista, dado que o Partido Republicano tem maioria nas duas casas legislativas, é de se esperar mudanças com predominância de políticas tradicionais dos republicanos mescladas com caraterísticas de personalidade do novo presidente. “Sua política deverá seguir aumentando os gastos públicos, com pitadas de um aumento do protecionismo. Em suma, alguém de fora da política e sem programa definido para a maior nação do mundo se elegeu presidente, vamos ver se as instituições o colocam nos trilhos ou se acidentes de percurso ocorrerão, o que prejudicará muito mais outras nações do que a nação norte-americana”.

Confira a entrevista na integra:

  • Como o senhor avalia os resultados das eleições presidenciais nos EUA?

No contexto das relações internacionais, decisões emitidas pelo sistema institucionalizado de escolha política de uma nação não se questiona, se acata. Desta forma, o candidato Donald Trump primeiro se viabilizou no interior do Partido Republicano e depois ganhou as eleições no Colégio Eleitoral, dentro das regras estipuladas na constituição norte-americana. O resultado demonstrou insatisfação com o Partido Democrático e recoloca o Partido Republicano no poder.

A questão que mais chamou a atenção nesta eleição foi a postura do candidato vencedor, uma figura do show business, não proveniente do corpo político tradicional do país. No entanto, nunca é demais destacar que discurso de candidato é uma coisa e o exercício efetivo do poder é outra coisa. Desta forma, o que se espera é que as medidas a serem tomadas pelo novo Presidente sejam lapidadas pela institucionalidade que envolve a Presidência da República, bem como pelos interesses do Partido Republicano, que, cabe ressaltar, fez maioria na Câmara dos Deputados e no Senado Federal e, na campanha, não o tratou como seu candidato ideal.

Trump, na sua campanha vitoriosa, apresentou-se como um indignado cidadão norte-americano de classe média preocupado com a perda de prestigio e de poder da nação americana no ambiente mundial e que isso refletia no desemprego e na perda de qualidade de vida do americano. Assim, tornar a América forte novamente foi seu mote. E para isso não faltaram inimigos, ocultos e não tão ocultos assim, elencados; satisfazendo o desejo interno de achar responsáveis “externos” pelos problemas da Nação. Assim, Trump se apresentou nas eleições como o herói, que imbuído de uma causa justa não vê restrições em levá-la adiante, até as últimas consequências- ou inconsequências- de seus atos. Na campanha esse procedimento pode ser válido, no entanto, na política cotidiana e nas relações internacionais isso não funciona desta maneira. Instituições e organizações estarão no caminho do novo presidente e negociações terão que ser efetuadas para levar a cabo alguns de seus objetivos, o que nos leva a crer que a maioria deles será esquecida e ficará pelo caminho.

“Sua política deverá seguir aumentando os gastos públicos, com pitadas de um aumento do protecionismo”/ Crédito: Álvaro Jr.
“Sua política deverá seguir aumentando os gastos públicos, com pitadas de um aumento do protecionismo”/ Crédito: Álvaro Jr.
  • Qual será o efeito da vitória de Trump para a América Latina?

Com relação à América Latina, não se espera mudanças significativas, inclusive por já ser uma região com predomínio dos interesses norte-americanos devidamente assentados. Naturalmente, a questão dos imigrantes e da fronteira mexicana será destaque. O novo governo deverá impor mais restrições à entrada nos Estados Unidos, inclusive para trabalho legal, bem como ampliará o combate aos ilegais, afinal de contas essas medidas foram exploradas a exaustão na campanha e não fazê-las geraria perda de apoio em grande parte do eleitorado de Trump.

A promessa de defender empregos para os norte-americanos deverá recair em grande parte na restrição aos imigrantes. O problema desta estratégia é a relação extremamente produtiva da economia norte-americana com relação a estes trabalhadores, dado que a imigração aumentou significativamente de todos os continentes para os Estados Unidos. Assim, a lógica de cercear a entrada de imigrantes pode ser ruim para a competitividade da economia norte-americana visto que um de seus elementos dinâmicos é a diversidade de trabalhadores de todo o mundo que se dirigem para esta economia.

Um segundo ponto de destaque devem ser as relações com Cuba. Este país deve obter um pouco mais de atenção do novo governo, dado o momento de transição política que atravessa, o que não significa que haverá boa vontade dos EUA para com este país, ao contrário, Trump deve atender aos interesses dos cubanos radicados nos EUA bem mais do que o fez Obama.

O candidato também fez menção de rever o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), que considera prejudicial aos Estados Unidos, no entanto, não detalhou que ponto trataria nesta revisão, sendo assim, pode ser que procure impor alguma restrição a circulação de mercadorias, o que prejudicaria os mexicanos, mas também os consumidores norte-americanos. O desejo manifesto de estabelecer acordos bilaterais aponta para uma política comercial de negociação caso a caso, situação que faz pender a balança de negociações para o lado dos norte-americanos. O Brasil no seu projeto de integração regional (Mercosul) resistiu a esta estratégia comercial, desde os anos 1990, vamos ver se vai alterá-la agora.

  • Em que o mandato de Trump pode afetar o Brasil?

O Brasil se insere no contexto da América Latina como região de baixa prioridade para os EUA, no entanto, para nós trata-se de um parceiro estratégico, cerca de 13% das exportações brasileiras se dirigem para os EUA, de onde cerca de 17% de nossas importações são provenientes. O crescimento econômico norte-americano seria um fato extremamente benéfico para as exportações brasileiras. Entretanto, ao que parece, o novo governo também pretende expandir suas exportações para o mercado brasileiro, adotando uma estratégia de acordos bilaterais. Para que isso ocorra, será preciso rever o acordo do Mercosul, nosso parceiro preferencial. As cartas estão sendo colocadas na mesa e o novo governo brasileiro aponta para facilitar esta estratégia americana. Por outro lado, a necessidade de atração de capital estrangeiro da economia brasileira esta em consonância com o desejo norte-americano em ampliar estes investimentos; a questão é estratégica.

O governo brasileiro já vem desregulamentado diversos setores de interesse dos Estados Unidos, a área de petróleo é um destes setores, bem como a área de infraestrutura, transportes e serviços. Outra fonte de preocupação para o Brasil está na condução da política de juros norte-americana a ser praticada pelo novo governo, uma alta dos juros norte-americanos neste momento aumentaria as dificuldades para o financiamento da economia brasileira, o que poderia provocar alta de juros no Brasil (que já é extremamente alta). Isto seria muito prejudicial para a economia brasileira. Neste contexto, cabe ao governo brasileiro trabalhar medidas que diminuam a relação de dependência entre estas duas taxas de juros. No mais, esperar apoio dos EUA para uma maior participação do Brasil em organismos multilaterais não me parece algo que irá ocorrer em um horizonte próximo. Em suma, o governo brasileiro não deve esperar benefícios com a nova administração, mas sim, negociações duras se quiser fazer prevalecer o interesse brasileiro.

  • A Rússia não chegou a apoiar explicitamente o Trump, mas demonstrou diversas vezes sua oposição à Hillary. Qual interesse da Rússia na eleição do Republicano?

 Com relação à Rússia, a posição do futuro governo norte-americano é de maior proximidade do que os confrontos da era Obama. Trump explorou a imagem de força que o atual governo russo projeta para ressaltar ao público interno que um presidente americano precisa ser igualmente forte. Desta forma, criticou constantemente a sutileza executada por Obama em sua política externa, ressaltando a necessidade de agir com dureza e rapidez. Basicamente, uma política externa mais truculenta, como o faz o presidente russo. Trump, ao que tudo indica, deve aumentar o poderio militar norte-americano, porém, reclama dos custos da defesa que diz efetuar para países amigos no exterior. No seu discurso, diz que espera dividir os custos desta defesa com estes países. Falta combinar com eles. Não é a toa que países da Ásia e da Europa têm demonstrado preocupação com esta postura norte-americana. Com esta política, perdem os países-amigos mais distantes a proteção americana que julgavam ter, e ficam mais livres para agir a Rússia e a China, por exemplo.

A provável estratégia de Trump de ampliar o poder militar dos EUA resgata a política do período da Guerra Fria, enfatizando que o país, sob seu governo, se tornaria tão poderoso e ameaçador que, desta forma, não sofreria mais ameaças. Um filme que já assistimos no passado e que atende integralmente o interesse da indústria bélica mundial e o interesse das nações com grande investimento em armas.

  • O que a eleição de Trump pode influenciar na guerra na Síria?

Se formos observar pelos discursos da campanha, o presidente Trump tende a se aproximar do governo sírio em detrimento dos rebeldes que lutam para derrubar o governo estabelecido. Da mesma forma, pode se aproximar da posição russa estabelecendo um apoio ao combate conjunto ao Estado Islâmico. Assim, a guerra síria pode caminhar para uma solução, dado o reforço recebido por uma das três partes envolvidas no conflito, o que não significa uma solução para a instabilidade do Oriente Médio.

Trump, ao que parece, não possui uma estratégia consolidada de como lidar com a região, o Partido Republicano deverá guia-lo. Israel segue como prioridade política para os Estados Unidos, embora o presidente tenha escorregado em alguns discursos. Ainda com relação ao Oriente Médio, deverá fortalecer as críticas ao regime do Irã e sua oposição ao acordo nuclear pactuado por Obama, sempre tomando como base seus discursos de campanha.

  • Qual sua avaliação sobre a  Parceria do Transpacífico e a promessa de rompimento por parte dos EUA?

Este me parece um equivoco a ser cometido pelo novo governo, dado que já afirmou que não irá ratificar o acordo comercial tão demoradamente costurado pela gestão anterior e que serviria politicamente para ampliar a presença norte-americana na Ásia e Oceania, ao mesmo tempo em que buscaria gerar um freio na expansão comercial chinesa. Ao pressupor que o acordo não é benéfico aos EUA, e que em sua gestão irá se guiar por acordos bilaterais, procurando resultados específicos para os EUA no curto prazo, o governo Trump acaba beneficiando a estratégia chinesa e coloca os interesses de curto prazo acima de estratégias politicas estruturantes. Em suma, parece que cláusulas do acordo que não seriam de interesse imediato de partes importantes da economia americana, envolvendo questões ambientais e trabalhistas, seriam abandonadas. De acordo com pensamento de Trump, estas partes do acordo dificultariam a criação de empregos no EUA e restringiriam o uso de fontes antiquadas de energia, que em sua campanha o candidato prometeu resgatar. Isto pode gerar um grande problema ambiental e, principalmente, um problema para o desenvolvimento de tecnologias e energia limpa nos EUA, podendo permitir que a China se destaque nesta área na economia mundial. Em suma, ao não assinar o tratado, os EUA claramente ignorarão os seus parceiros da jornada, Japão, Austrália, Cingapura, Malásia, Nova Zelândia, Peru, Colômbia entre outros, o que irá exigir dos norte-americanos a apresentação de um acordo alternativo em substituição.

  • Há algo que eu não perguntei que o senhor gostaria de dizer?

No geral, o que podemos observar é a existência de uma grande expectativa quanto aos rumos do governo Trump.  Seu discurso “vazio” não revela estratégias, logo, o caminho está aberto. Dado que o partido republicano tem maioria nas duas casas legislativas, é de se esperar mudanças com predominância de políticas tradicionais dos republicanos mescladas com caraterísticas de personalidade do novo presidente.

O que Trump repetiu a exaustão na campanha é que os EUA estarão sempre em primeiro lugar, mesmo que para isso precise sacrificar os interesses de seus aliados mais próximos, afirmando ainda que não irá mais ceder o país à falsa cantiga da globalização.

 Sua política deverá seguir aumentando os gastos públicos, com pitadas de um aumento do protecionismo. Em suma, alguém de fora da política e sem programa definido para a maior nação do mundo se elegeu presidente, vamos ver se as instituições o colocam nos trilhos ou se acidentes de percurso ocorrerão, o que prejudicará muito mais outras nações do que a nação norte-americana.

 

 

Campanha Solidária de Natal 2016

 

Por Amanda Cotrim

Como Universidade Católica, a PUC-Campinas traz em sua história e identidade confessional uma profunda marca cristã que prima, dentre outros, pelos valores da solidariedade e da cidadania. Por isso, a Instituição decidiu empreender uma Campanha de adesão voluntária, por pessoas que compõem o seu quadro de profissionais e daí surgiu a iniciativa do Natal Solidário, a qual possui consonância com a programação dos 75 anos da PUC-Campinas.

Crianças vibram com personagem/ Álvaro Jr.
Crianças vibram com personagem/ Álvaro Jr.

O Natal Solidário consistiu na adoção simbólica de crianças de duas creches carentes, como incentivo ao exercício cotidiano da solidariedade, aproveitando o espírito natalino que preenche a todos nos últimos meses do ano. As creches escolhidas foram a “Coração de Maria”, no Satélite Iris I, que atende crianças de 1 ano e 10 meses a 5 anos e 11 meses, e a “Cantinho de Luz”, no Jardim Santa Eudóxia, que atende crianças de 2 a 6 anos; ambas em Campinas.

o presente acaba sendo o de menos quando vemos o sorriso no rosto de uma criança por um simples abraço”

Gabriel Lima presenteia a criança adotada por ele e recebe carinho em dobro/ Crédito: Arquivo Pessoal
Gabriel Lima presenteia a criança adotada por ele e recebe carinho em dobro/ Crédito: Arquivo Pessoal

A entrega dos presentes pela Universidade emocionou a todos que estiveram presentes, um exemplo concreto do engajamento social verdadeiramente humanizador, que exercita o amor ao próximo.  Para o Coordenador da Divisão de Recursos Humanos da PUC-Campinas, Lucas Camargo, sempre que as pessoas participam de ações como essa realizada pela Universidade, elas passam a enxergar de forma diferente as dificuldades do dia-a-dia vividas e valorizar o que realmente importa. “Quando as crianças recebem os presentes, elas retribuem com um imenso sorriso no rosto e um abraço interminável de gratidão e alegria”, descreve.

“Essa campanha tem um sentido gigante levando em consideração a quantidade de crianças carentes que existe na cidade inteira. A campanha leva amor para quem realmente precisa; e o presente acaba sendo o de menos quando vemos o sorriso no rosto de uma criança por um simples abraço”, afirma Gabriel Lima, assistente administrativo da Coordenadoria Geral de Atenção à Comunidade Interna. “A sensação é incrível. A minha foto com a criança que adotei explica tudo. Esse, com certeza, foi o melhor abraço que recebi durante todo o ano”, resume.

A arte do presépio no mundo atual

Por Paula Elizabeth de Maria Barrantes

A primeira representação conhecida da natividade aconteceu nas Catacumbas de Priscila, em Roma, entre os séc. III e IV d.C. Do séc. IV em diante ganham força os sarcófagos, período paleocristão, momento em que o cristianismo foi autorizado por Constantino. As representações seguem na forma de trípticos, pinturas e iluminuras durante a idade média.

Em 1223, inovadoramente, São Francisco de Assis encena numa gruta de Greccio e à noite, o nascimento de Jesus, a encenação retirava os ouvintes da reflexão passiva e os colocava dentro do cenário, numa natividade dramática e tridimensional. A experiência prosperou e nos séc. XVIII e XIX os presépios pequenos começam a se espalhar pelo mundo em virtude da abertura dos canais comerciais e da imigração dos artistas.

Hoje, os lares católicos habituaram-se à montagem do presépio no Natal, todavia, sabem os católicos o significado de cada elemento que compõe o presépio? Sendo Jesus o símbolo unificador de todos os povos teria ele apenas uma etnia? Dentro da iconografia, os presépios podem ter apenas a Sagrada Família e os Magos conforme o Evangelho de Mateus (Mt. 2,2), relato dos reis e das nações, a estrela torna-se o símbolo de Deus que guia e ilumina.

Aristides. Presépio de palha de milho na cabaça, ano 2000, Minas Gerais. Coleção Valter Polettini. Foto: Paula Barrantes
Aristides. Presépio de palha de milho na cabaça, ano 2000, Minas Gerais. Coleção Valter Polettini. Foto: Paula Barrantes

Alguns podem conter apenas a Sagrada Família, ou seja, o momento do nascimento do unificador. Mas, quando a Sagrada Família e os pastores completam o presépio, incluindo aí a singular figura do Bom Pastor, estamos no Evangelho de Lucas onde anjos anunciam a chegada de Jesus aos pastores (Lc 2,15). Por fim, existem presépios que, não raro, trazem a Sagrada Família, a estrela, o anjo, os pastores e os Magos. No momento em que nos deparamos com estas interessantes obras estamos diante da união de Mateus, Lucas e do livro dos Salmos (Sl 72, 1-20). Caberá ao filho de Deus a justiça no tratar os pobres e oprimidos; aos povos do deserto e, igualmente, aos reis de Társia, da Arábia e de Sabá. Todas raças da Terra e todas as nações o proclamariam feliz.

A arte do séc. XX e XXI traduz nos materiais e nas concepções uma aproximação com a mensagem original, demonstrando que a arte e o artesanato não se afastaram da natividade. Ao elaborar os presépios de papel, cerâmica, plásticos e recicláveis, vidro, tecidos, fibras naturais, biscuit, pedra, ouro ou prata, ou seja, ao apropriar-se de materiais pertencentes ao seu universo individual o artista recria a natividade conferindo-lhe um novo aspecto social e cultural. As diversas etnias encontradas nos presépios demonstram um avanço no sentido da tolerância e do entendimento, na medida em que podem conter todos os tipos de cabelos, cor de pele e vestes. Atualmente, estas obras de arte contém uma carga considerável de crítica e reflexão, sempre respeitando a iconografia dos evangelhos.

A exposição “Presépios artesanais: a natividade no mundo” do Museu Arquidiocesano de Campinas oferece a possibilidade de uma viagem pela produção da Ásia, Oriente, Europa e Américas, pertencente ao colecionador Valter Polettini.

Paula Elizabeth de Maria Barrantes é Doutoranda em História da Arte e Curadora do Museu Arquidiocesano de Arte Sacra de Campinas

 

 

A hora e a vez de mercadejar

Por Wagner Geribello

O Novo Aurélio, Dicionário da Língua Portuguesa, dedica treze linhas ao verbete natal, classificado como adjetivo que identifica local de nascimento, substantivo que define data de nascimento e, restritivamente, “Dia em que se comemora o nascimento de Cristo (25 de dezembro)”.

Em artigo estampado nesta edição do Jornal da PUC-Campinas, o Professor Vinicius Ferrari mostra que, contemporaneamente, natal (e o Natal) não se identifica com as ordenações lexicográficas do termo, nem com o sentido religioso da data, reduzindo-se ao objetivo consumista daqueles que compram, articulado com a avidez lucrativa de outros que vendem, confirmando análises reveladoras (de Herbert Marcuse, por exemplo) da perversa capacidade capitalista de incorporar, transformar e aproveitar em favor próprio tudo quanto existe, incluindo, até mesmo, aquilo que, por princípio e em princípio, questiona e antagoniza o próprio capitalismo.

Todavia, como não existe prática social inconsequente nem decisão pessoal inócua, a materialização econômica, substituindo manjedoura por festival de vitrinas, solidariedade pela troca de presentes e o simbolismo da guirlanda pelo frenesi do cartão de crédito acaba por deixar a gruta do recém-(re)nascido vazia e vazio de sentido o Natal verdadeiro, explicitado no Aurélio.

As consequências dessa “economização” são profundas, amplas e drásticas, seja porque estimulam o materialismo que “desumaniza” a sociedade, seja porque acentuam as diferenças que antagonizam os seres humanos, seja ainda porque afastam as pessoas das origens culturais e das convicções religiosas.

Não são poucos nem desconhecidos estudos e análises que associam a materialização exacerbada das sociedades à deterioração das condições de vida. Rompimento de laços afetivos, solidão e sectarismo são apenas alguns exemplos dos problemas afetos às sociedades excessivamente materialistas, que formalizam o relacionamento entre as pessoas pela redução de tudo e todos à instância econômica, definida pelo binômio produzir/consumir.

Análises comparativas mostram que relacionamentos intermediados pela oferta e recebimento de bens “presenteáveis” tendem a reduzir, inversamente, suas instâncias afetivas. Por exemplo, nas sociedades consumistas é possível observar a substituição dos relacionamentos de fraternidade e solidariedade pela troca de presentes no dimensionamento das interações de amizade e companheirismo.

Mesmo nas instâncias mais sólidas, que envolvem relacionamento de sangue, presentear acaba orientando modos e práticas de autovalorização e valorização do outro, como as crianças que avaliam a família (e o Natal em família) a partir dos presentes que ganham, ou deixam de ganhar.

Criar e exacerbar diferenças valorativas também figuram entre as consequências da redução unilateral do Natal à instância econômica. Para tanto, não é preciso ir além do modo como o valor de troca (leia-se preço) dos presentes ofertados e recebidos impacta na hierarquização das pessoas e dos relacionamentos. Nesse sentido, o Natal, idealmente identificado com união e igualdade, acaba separando a sociedade em castas e colocando “cada qual no seu lugar” a partir do ordenamento simbolizado nos presentes.

O rompimento dos laços com a herança cultural também aparece entre os efeitos negativos provocados pelo consumismo, em primeiro lugar porque ele próprio, enquanto mote de todas as intenções natalinas, é alienígena, culturalmente falando. Como demonstra com bastante precisão o artigo do Professor Vinícius Ferrari, a “economização” do período natalino tem data de nascimento e local de origem, de onde foi exportada para se impor como tendência universal. Aqui, nas terras brasileiras, é possível observar com muita clareza o abandono das celebrações religiosas e familiares em favor das excursões ao shopping, bem como mudanças consequenciais diversas, como a troca do presépio pela simbologia estrangeira dos bonecos de neve e gorrinhos de frio, inversos e adversos ao verão dezembrino do hemisfério sul.

A mercantilização domina, também, a própria avaliação do Natal, que é bom quando crescem os índices e os gráficos da atividade econômica, caindo para sofrível ou ruim quando badulaques e bugigangas destinados ao redor da árvore de Natal ficam entulhadas nas prateleiras. Nos tempos que precedem e sucedem o Natal, a mídia reporta com relativa fidelidade e os estardalhaços de praxe essa indissociável relação entre a variação das cifras econômicas e o consequente “valor” do Natal.

Assim, embrulhado para presente e precificado pelo oportunismo, a cada ano um pouco mais, o Natal se afasta do que deveria ser, para ser o que nunca pretendeu: hora e vez  de mercadejar.

Prof. Dr. Wagner Geribello / Álvaro. Jr.
Prof. Dr. Wagner Geribello / Álvaro. Jr.

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Prof. Dr. Wagner Geribello é Consultor do Jornal da PUC-Campinas

Black Friday tupiniquim e as vendas de Natal em meio à crise econômica

Por Vinícius Ferrari

A origem do Dia de Ação de Graças (Thanksgiving Day)  remonta aos festivais cristãos celebrados pelos primeiros colonos norte-americanos em agradecimento às colheitas anuais. Muitos séculos depois, em 1941, o Congresso dos EUA elevou o Thanksgiving ao status de feriado nacional, que passou a ser comemorado na quinta-feira da quarta semana de novembro.

Os congressistas nutriam esperanças de que o feriado estimulasse as vendas de Natal, o nível de emprego e o lucro varejista.  Em especial, o presidente Franklin D. Roosevelt acreditava que esses acontecimentos poderiam contribuir para a superação definitiva da Grande Depressão dos anos 30.

As grandes redes comerciais dos EUA logo perceberam as oportunidades geradas pelo feriado e instituíram o dia nacional das promoções na primeira sexta-feira após o Thanksgiving, que ficou popularmente conhecida como Black Friday.

Por décadas, as promessas de vultosos descontos têm atraído milhões de norte-americanos às lojas em cada Black Friday. Desde então, o frenesi das compras, termo utilizado pela primeira vez pela polícia da Filadélfia,   tomou conta do Thanksgiving. Para muitos consumidores dos EUA, o feriado religioso transformou-se num mero prelúdio do  holiday shopping  que abre a temporada de liquidações de Natal.

A exemplo dos EUA na década de 1940, o Brasil  está vivenciando, no período atual, uma grave crise econômica. O PIB per capta, um indicador que mede a renda do país, sofreu forte retração no biênio 2014-2015. Em 2016,  pela primeira vez desde de 1999, a taxa de desemprego superou o patamar de 11% da população. O fantasma da inflação, que muitos acreditavam ter  sido eliminado, voltou a atormentar as famílias brasileiras. Não por acaso, as vendas de Natal registraram quedas em dois anos consecutivos.

Diante desse contexto de crise, o setor varejista parece ter encontrado uma nova tábua de salvação para as vendas natalinas: “importar o feriado” de Black Friday para o Brasil por meio do oferecimento de promoções através do comércio eletrônico.

A despeito da inexistência do feriado de Thanksgiving no calendário brasileiro,  o apelo dos descontos parece ter surtido efeito. De acordo com empresa Ebit, o comércio eletrônico movimentou 1,9 bilhão de reais na Black Friday de 2016. Trata-se de uma elevação de 17% frente ao ano anterior. Sob um cenário desemprego crescente, o valor médio dos pedidos foi de R$ 653, uma quantia 13% acima do valor registrado na Black Friday de 2015.

Esses dados atestam que as promoções têm estimulado as vendas de Natal em meio à crise de 2016; no entanto, esse acontecimento não está isento de questionamentos. Será que a Black Friday tupiniquim ameaça distorcer ainda mais  os valores familiares cristãos que deram origem ao Natal, tal qual ocorreu com o feriado religioso do  Thanksgiving nos EUA, que passou a representar o símbolo máximo do consumismo desenfreado.

Prof. Dr Vinícius Ferrari é Economista professor na Faculdade de Economia e Administração.

Planejamento Acadêmico 2017

O Planejamento Acadêmico do 1º semestre de 2017 tem início no dia 1º de fevereiro com atividades que se estendem até o dia 11. Nos dias 1, 2, 3 e 6 a programação é de responsabilidade da Pró-Reitoria de Graduação, onde serão oferecidas palestras, cursos, mini-cursos e oficinas, cujo propósito é capacitar o corpo docente da Universidade.  A temática do evento é Ensino Superior: Fundamentos, metodologias e práticas. A palestra de abertura, com o título Fundamentos filosóficos e pedagógicos das metodologias de ensino, será proferida pelo Prof. Demerval Saviani, professor emérito da Faculdade de Educação da Unicamp.

Merece destaque, também, a palestra a ser proferida pelo Grupo de Trabalho Estratégias de Aprendizagens Inovadoras, cuja temática será Trilhas de aprendizagem: Gamificação, PBL, Sala de aula invertida e Portifólio. Aberta a todos os professores, diretores de faculdade e de centro, IAGs, GAPs, Gestores e Membros do NDE. O propósito dessa apresentação é estimular o conjunto de professores a fazerem esses cursos, de modo a colocarem essas metodologias de ensino em uso na sala de aula.

Não podemos esquecer que de 7 a 11 de fevereiro as atividades do Planejamento Acadêmico acontecerão nos Centros e Faculdades com o objetivo de acolher os docentes, refletir sobre o Projeto Pedagógico dos Cursos (PPC) considerando o ingresso de novos docentes e o uso de metodologias específicas, discutir sobre Avaliação Externa e Avaliação Institucional, inclusive as autoavaliações realizadas pelos docentes em 2016, entre outros.

Pró-Reitoria de Graduação. 

 

Tempo de refletir, tempo de avaliar

Propositalmente, a última edição de 2016 do Jornal da PUC-Campinas chega à comunidade acadêmica no momento em que acontecem as atividades de encerramento do ano letivo, período que por definição e tradição exige muita dedicação e outro tanto de trabalho de todos nós.

Alunos e alunas “quebram a cabeça” nos processos finais de avaliação, “suam a camisa” para aplicar retoques e conclusões aos TCCs, preparando apresentações e exposição pública, isso tudo temperado com a ansiedade e o frenesi próprios do encerramento do ano.

Paralelamente, o corpo docente se envolve com a avaliação de provas e trabalhos, o que custa tempo e atenção, exigidos em igual medida nas atividades de assentamento de notas, frequências e muitos outros detalhes que, desde sempre, o encerramento de cada semestre cobra ao fazer pedagógico.

Para os funcionários as semanas iniciais de dezembro não são menos trabalhosas, sobretudo em função dos prazos definidos pelo final do ano.

Mas, para além da laboriosa agitação, dezembro também representa a hora e a vez de repensar o ano que chega ao fim, seja para avaliar os percalços enfrentados e os resultados obtidos, seja para recordar momentos que marcaram nossa vida na Universidade.

 As lembranças certamente remetem, em parte, aos momentos mais significativos que pontuaram o calendário acadêmico, tanto em relação ao trabalho realizado em sala de aula e, por extensão, nos laboratórios e espaços de ensino/aprendizagem, quanto àqueles que ocorreram nos auditórios e espaços comuns, incluindo eventos científicos, palestras, conferências, colóquios, celebrações e comemorações. Nesse sentido, creio que concordamos todos, o ano foi muito ativo e produtivo, em especial no que respeita aos eventos do Jubileu de Diamante da Universidade.

Mas a avaliação do ano também tem um aspecto intimista, quando cada um, independentemente da função que exerce e da posição que ocupa no universo acadêmico, repassa as contribuições pessoais que ofereceu à comunidade e as transformações que sofreu a partir daquilo que recebeu da comunidade para seu crescimento individual, social e espiritual. Essa reflexão, em última instância, faz a dosimetria exata do ano que, em primeiro de janeiro, cada um de nós recebeu novinho e intacto, para bem usar e bem fazer. Se essa reflexão introspectiva revelar que aproveitamos as oportunidades para melhorar como pessoa e pessoalmente agimos para valorizar o próximo, então podemos dizer, sem medo de errar, que o ano foi bom, tanto quanto estamos preparados e animados para o ano seguinte, que começa logo mais.

Meditando quando possível e finalizando o trabalho acadêmico, vamos todos encerrar o ano com um suspiro de cansaço, mas espero, sinceramente, que cada integrante da nossa comunidade acadêmica possa, também, expirar satisfação e alegria pelo que realizou,  inspirando a si mesmo para ser ainda melhor em 2017.

Aos corpos discente, docente e funcional, bem como aos amigos da PUC-Campinas desejo um santo Natal, abençoado pelo Menino na manjedoura e que 2017 seja um ano de fraternidade, solidariedade e amor, entre todos, com todos e para todos.

Profa. Dra. Ângela de Mendonça Engelbrecht- Reitora da PUC-Campinas

 

EDITORIAL: 2016- um ano de conquistas

A edição 170 do Jornal da PUC-Campinas que fecha o ano de 2016 abre oportunidade para retomar e relembrar a quantidade, variedade e importância dos eventos que marcaram este ano, comemorando o Jubileu de Diamante. Trata-se, portanto, de um convite para rever as edições precedentes, que relatam em detalhes os colóquios, palestras, conferências e eventos comemorativos, trazendo para os auditórios da Universidade figuras de destaque do meio acadêmico nacional e internacional, assim como importantes representantes da Igreja, e da sociedade, todos responsáveis por momentos memoráveis de reflexão e troca de conhecimento como cabe ao ambiente universitário.

Dezembro também é tempo de Natal e a qualificação confessional da PUC-Campinas sugere o destaque do tema, que polariza esta edição.

Data maior da cristandade, o Natal marca-se pela celebração de caráter religioso e pela comemoração de perfil social, sobretudo no ambiente familiar, configurando, também, um período de reflexão espiritual.

Focada nesses aspectos, a última edição do ano colocou o Natal em pauta, trazendo artigos que refletem sobre a data, a exemplo do processo de mercantilização que descaracteriza e mesmo confronta a identidade religiosa do 25 de dezembro.

Os modos como a arte e a literatura se envolvem com o Natal também estão presente nas pautas preparadas pela editora Amanda Cotrim, incluindo considerações muito oportunas e apropriadas sobre o cinema inspirado em livros tematizados no Natal.

O espírito de Natal que se expressa em solidariedade é um outro tema com vez e voz  nesta edição, que mostra o envolvimento da comunidade acadêmica em campanhas em favor de parcelas mais fragilizadas da sociedade.

Além do Natal, também a política internacional integra a edição, nas considerações e análises da eleição de Donald Trump, que agradou alguns, desagradou muitos e surpreendeu quase todos, ecoando nas instâncias econômicas, diplomáticas, políticas e até culturais de todo o planeta.

Isso tudo e muito mais estimulam e legitimam a leitura atenta da última edição de 2016 do Jornal da PUC-Campinas, que é, também, portadora dos desejos da equipe editorial e dos colaboradores para que todos os leitores tenham um período feliz e repousante de férias, um ano novo de muita paz e um Natal comungado com amigos, familiares e entes queridos, acrescentando o compromisso de retomar nosso contato em 2017…

Até lá.