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CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2017 FRATERNIDADE: BIOMAS BRASILEIROS E DEFESA DA VIDA “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2, 15)

Por Pe. José Antonio Boareto – Professor das Faculdades de Teologia, Publicidade e Propaganda, Administração, Educação Física e Artes Visuais da PUC-Campinas

Todos os anos, os bispos do Brasil convidam as comunidades católicas como também a sociedade a refletirem durante o período litúrgico conhecido “tempo da Quaresma” sobre uma temática que implica a necessidade de uma organização social em vista da realidade.

O tempo da Quaresma é um tempo forte de conversão e assim a proposta da Campanha da Fraternidade também é de uma mudança de mentalidade que se reflete em atitude. Tal consciência deve ser dolorosa capaz de ser sensível ao grito da terra e ao grito dos pobres.

Neste ano, a Campanha da Fraternidade traz como tema: Fraternidade: Biomas brasileiros e defesa da vida e lema: “Cultivar e guardar a criação” (Gn. 2, 15). Essa temática está em sintonia com a perspectiva assumida pela Campanha da Fraternidade Ecumênica do ano passado sobre o saneamento básico e ambas estão diretamente relacionadas com a encíclica social do Papa Francisco “Laudato Si’” sobre o Cuidado com a Casa Comum.

Na encíclica, o Papa Francisco propõe a necessidade de uma educação e espiritualidade ecológica que ajude a superar uma mentalidade de dominação e exploração da natureza e do ser humano para uma relação marcada pela ética do cuidado.

Interessante é ressaltar que o Papa Francisco frisa na encíclica que estamos diante de uma única crise socioambiental e não duas. Esta compreensão traz uma nova perspectiva e mesmo paradigma, chamado por ele na “Laudato Si’” de ecologia integral.

Quando compreendemos essa fundamentação, podemos entender o por que da preocupação dos bispos com estas temáticas que não tratam simplesmente de uma atenção ao meio ambiente, mas com toda a biodiversidade e sociodiversidade presente nos biomas brasileiros.

Por meio da Campanha da Fraternidade deste ano, os bispos, em sintonia com o significado profundo do tempo da Quaresma, convidam as comunidades e a todas as pessoas a uma conversão ecológica.

Os bispos querem demonstrar que é possível ao povo brasileiro redescobrir sua vocação de ser cultivador (cuidador) e guardador da criação e assim estabelecer nova relação filial e criatural com Deus Criador e de fraternidade com a natureza e o próximo em nosso país.

 

Editorial: O Meio Ambiente não é exterior às pessoas

Na edição 165 do Jornal da PUC-Campinas, reservamos espaço para debater o tema do Meio Ambiente por meio de artigos, reportagens e entrevista. Nesse sentido, o jornal da Universidade vai ao encontro do tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016: “Casa Comum, Nossa Responsabilidade” cujo lema é “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”, tratando principalmente o Saneamento Básico. A Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016 coloca a questão ambiental no centro do debate e o acesso à informação é um bom caminho para que esse debate seja qualificado.

A Universidade, enquanto instituição de Ensino, Pesquisa e Extensão, está comprometida com a questão do Meio Ambiente dentro dos Campi I e II e do Colégio de Aplicação PIO XII, mas, também, fora desses lugares, porque o conhecimento e as ações concretas para uma mudança de consciência e de hábitos não enxerga barreiras. É preciso cuidar da Casa Comum, do nosso quintal, apartamento, casa, do nosso mundo. Do micro ao macro.

Entre os objetivos da Campanha da Fraternidade Ecumênica, que o Jornal da PUC-Campinas aborda, está o debate sobre o dever do Estado na questão do Saneamento Básico, as políticas públicas, o mosquito Aedes Aegypti, a participação da população e a sociedade do consumo. Precisamos pensar o Meio Ambiente não como algo exterior a nós, mas como a própria condição para que os seres vivos sejam constituídos. PUC-Campinas.

Coluna Pensando o Mundo: Campanha da Fraternidade 2016

Por Pe. João Batista Cesário

“Casa Comum, Nossa Responsabilidade” é o tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano, animada pelo lema retirado de um versículo da profecia de Amós: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça como riacho que não seca” (Am 5,24). Ecumênica, esta Campanha é organizada pela quarta vez pelas Igrejas que integram o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC -, precedida pelas Campanhas de 2000, 2005 e 2010.

O objetivo geral desta Campanha é garantir o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e comprometer os cristãos, à luz da fé, no empenho por “políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum” (Texto Base CF-2016, n. 26). Dentre os objetivos específicos destacam-se os propósitos de “unir Igrejas, expressões religiosas e pessoas de boa vontade na promoção da justiça e do direito ao saneamento básico; estimular o conhecimento da realidade local em relação aos serviços de saneamento básico; incentivar o consumo responsável dos dons da natureza, principalmente da água; […] acompanhar a elaboração e a execução dos Planos Municipais de Saneamento Básico; […] [e] desenvolver a compreensão da relação entre ecumenismo, fidelidade à proposta cristã e envolvimento com as necessidades humanas básicas” (Id.).

O debate acerca do saneamento básico, proposto para a sociedade pelas Igrejas cristãs envolvidas nesta Campanha, se justifica porquanto, atualmente, “as preocupações no âmbito do saneamento passam a incorporar não só questões de ordem sanitária, mas também de justiça social e ambiental” (Ibid., n.33). E tudo que interessa à vida humana, de igual forma deve interessar à comunidade cristã. Afinal, como ensina o Concílio Vaticano II, as alegrias, esperanças, tristezas e angústias da humanidade, sobretudo dos pobres e daqueles que sofrem, são também as alegrias, esperanças, tristezas e angústias dos cristãos, de forma que não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no coração da Igreja de Cristo (Cf. Gaudium et Spes, n. 1).

Com efeito, alguns dados acerca das condições de saneamento no Brasil são alarmantes. Senão vejamos: de acordo com levantamento do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico (SNIS), de 2013, mais de 100 milhões de brasileiros ainda não têm coleta de esgotos nos locais em que moram; somente 39% dos esgotos coletados são tratados; e diariamente são despejados na natureza o equivalente a 5 mil piscinas olímpicas sem tratamento – a depender da profundidade, uma piscina olímpica comporta aproximadamente 2.500m3 de água! (Cf. Texto Base CF-2016, n. 40)

Além disso, de acordo com o sistema de informações do Ministério da Saúde, DATASUS, em 2013 foram registradas mais de 340 mil internações no país causadas por infecções gastrointestinais, decorrentes das precárias condições de saneamento a que boa parte da população brasileira está submetida.  Em 2014, de acordo com estudo do Instituto Trata Brasil e do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, cerca de 300 mil pessoas se afastaram do trabalho por conta de diarreias resultantes da baixa qualidade do saneamento básico disponível à população, o que implicou a perda de 900 mil horas de trabalho (Ibid. n. 42.97). As crianças são as maiores vítimas da falta de saneamento, uma vez que “substâncias tóxicas e bactérias provocam alergias respiratórias, nasais, intestinais e de pele que vão permanecer com essa criança por muito tempo. As crianças mais afetadas são aquelas que têm entre 0  e 5  anos” (Ibid. 99).

A Palavra de Deus nos ensina que a natureza e todos os elementos criados são dons de Deus e a humanidade é responsável por sua preservação, de forma a garantir o bem comum, a vida abundante para todos. Os profetas bíblicos, como Amós e outros, denunciam a perda da harmonia e do equilíbrio nas relações dos homens com Deus, dos homens entre si e destes com a natureza. Na perspectiva profética, direito e justiça é recolocar as coisas no devido lugar, restaurar a integridade da criação segundo o projeto original de Deus.

Por isso, nesta Campanha, as Igrejas cristãs nela comprometidas, desejam reacender no coração da sociedade o empenho pelo cuidado da criação, como responsabilidade decorrente da fé. Atitudes bem concretas são propostas, como conhecer bem a realidade do saneamento nas cidades em que habitamos; promover educação para a sustentabilidade; conhecer as estruturas legais existentes para poder participar efetivamente do encaminhamento das questões do saneamento; adotar o reuso da água e a utilização da água da chuva; cuidar do manejo dos resíduos sólidos, entre outras.

Enfim, como se canta no Hino da CFE deste ano, “justiça e paz, saúde e amor têm pressa / mas, não te esqueças, há uma condição: / o saneamento de um lugar começa / por sanear o próprio coração”. Trata-se, então, de promover grande mudança de perspectiva na sociedade, de romper com o egoísmo  individualista, para retomar o caminho da solidariedade e do compromisso com o bem comum, do interesse coletivo, da solidariedade comunitária, para garantir direito, justiça e vida para todos!

Pe. João Batista Cesário- Pastoral Universitária

A “terceirização” dos serviços de saneamento básico

Por Josué Mastrodi

Vivemos tempos bicudos. Já não é de hoje que direitos são objetos de comércio. Direitos não deveriam ser negociados. Negócio era só coisa de comércio. Mas o mercado, essa grande dimensão da sociedade, se expandiu a tal ponto que, hoje, sua lógica interna tem regulado todas as demais dimensões sociais. Quase tudo está à venda. Até o que não deveria ser comprado ou vendido passou a ser precificado. Não importa o valor. Importa o preço. Faz-se até piada da situação: “pagando bem, que mal tem?”.

Como disse Caetano Veloso, falo “da força da grana que ergue e destrói coisas belas”. O poder econômico há tempos impõe a pauta do que deve e do que não deve ser feito. Não há moral nem justiça, só negócios. Esse mesmo poder econômico é o responsável por definir que pessoas só têm algo se puderem comprá-lo. Só o dono pode usar o que é seu, e só é dono quem pagou por isso.

Eis, aqui, a grande contradição entre a teoria dos direitos humanos e a ordem econômica: pela lógica dos direitos humanos, qualquer ser humano é titular de direitos pelo simples fato de ser humano; pela lógica de mercado, o ser humano só tem direitos na medida em que tiver pago por eles.

Pela lógica dos direitos humanos, todos têm direitos como liberdade de ir e vir, acesso à educação, à saúde, boas condições de moradia. Mas segundo o mercado, só vai e vem quem pagar a passagem, só tem saúde quem pagar a consulta médica e o tratamento, só vai morar bem quem pagar aluguel ou o financiamento, entre outros.

Seguindo a lógica dos direitos humanos, a Assembleia Geral das Nações Unidas emitiu Resolução, em 17 de dezembro de 2015, declarando que saneamento básico é direito humano. A Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano, cujo tema é “Casa Comum, Nossa Responsabilidade”, leva à reflexão de vários pontos sobre saneamento, dentre eles o problema da privatização do saneamento básico, que se refere à transferência da gestão desse direito humano para agentes de mercado.

Para esses agentes, o saneamento básico, privatizado ou não, somente será efetivo se houver, em contrapartida, rentabilidade. Eles veem o saneamento básico como um negócio. Não visam à promoção de direito algum. Antes, visam ao seu próprio lucro.

O valor do saneamento básico é inestimável. Ele é fator de urbanização e comporta quatro serviços: distribuição de água tratada, coleta e disposição de resíduos (como lixo doméstico), drenagem e de esgotamento sanitário. Tais serviços ampliam os direitos dos cidadãos, garantindo qualidade de vida: os riscos de epidemias são mínimos onde se bebe água potável, onde lixo é corretamente compostado ou reciclado, onde a drenagem é bem-feita, onde não há esgoto correndo a céu aberto. Por outro lado, na lógica de mercado, valor inestimável é sinônimo de preços altíssimos.

Com base no argumento de que esse custo pode ser transferido para um particular capaz de prestar serviços públicos de modo mais eficiente que o próprio Estado, privatiza-se o que antes era dever das entidades públicas. Alega-se que o Estado não tem como prestar serviço com a mesma qualidade dos agentes de mercado, passando a estes a responsabilidade pelo saneamento básico, em regra pelo regime jurídico da concessão. Popularmente, chama-se a isto de terceirização de serviços públicos.

Esses terceiros, contudo, não prestam serviços públicos senão mediante pagamento. O acesso ao serviço é franqueado apenas aos cidadãos que pagarem por ele. As obras de infraestrutura são feitas à medida que o lucro é, de alguma forma, garantido. A eficiência do mercado serve muito mais à acumulação de capital que à promoção de direitos humanos e, como alertou recentemente o Papa Francisco, em sua encíclica Laudato Si’, o foco deveria voltar aos direitos e deixar a acumulação econômica de lado. A propósito, a expressão Casa Comum, tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica, também está no subtítulo dessa encíclica.

Enfim, serviços públicos devem ser feitos, porque pessoas dependem deles para sobreviver. A maioria das pessoas, despossuída, precisa de ações do Estado para concretizar seus direitos mais básicos. A transferência de serviços tão essenciais como saneamento a empresas privadas insere-se na lógica perversa em que o ter importa mais que o ser, em que direitos fundamentais serão vendidos e comprados, e não garantidos por serem, simplesmente, direitos.

Josué Mastrodi é Professor do programa de pós-graduação em Sustentabilidade e da Faculdade de Direito da PUC-Campinas

Resíduos: Como transformar um problema ambiental em solução social

Por Ana Claudia Seixas e Pedro de Miranda Costa

A globalização, impulsionada pela construção civil e novas tecnologias, marca uma nova era mundial. Assim, um dos maiores desafios dessa nova sociedade é o equilíbrio entre a geração excessiva dos resíduos sólidos e o gerenciamento adequado dos mesmos.

Cooperativas são uma forma de transformação de problema ambiental em solução social./ Crédito:Álvaro jr.
Cooperativas são uma forma de transformação de problema ambiental em solução social./ Crédito:Álvaro jr.









 

Coloca-se aqui particularmente a questão dos chamados “Resíduos Sólidos Urbanos” (RSU) que são definidos como os resíduos domiciliares, isto é, aqueles originários de atividades domésticas em residências urbanas e os resíduos de limpeza urbana originários da varrição, limpeza de logradouros e vias públicas, bem como de outros serviços de limpeza urbana.

Em nível nacional, os números relacionados à destinação final dos resíduos coletados mostram que 58,4 % tiveram destinação adequada e seguiram para aterros sanitários em 2014, porém há de se ressaltar que os 41,6% restantes correspondem a 81 mil toneladas diárias, que são encaminhadas para lixões ou aterros controlados. Estimativas apontam que desses, 30% (ou 24 mil toneladas) são de resíduos recicláveis.

Um dos instrumentos para atendimento da meta de disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos prevista na Lei consiste na implantação de sistemas de coleta seletiva que propiciem o recolhimento dos resíduos, no mínimo, em duas frações: secos e úmidos.

A problemática dos resíduos sólidos urbanos da Cidade de Campinas apresenta um nível de complexidade considerado elevado, porém as questões avançam de forma favorável devendo ser equacionadas conforme metas e planejamentos relatados do “Plano Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos de Campinas”.

Nesse contexto, e em relação aos RSU recicláveis, as cooperativas populares de coleta e separação desempenham um importante papel. Seu surgimento está vinculado aos chamados “catadores” que literalmente “garimpavam”, no meio dos lixões, materiais de valor do qual pudessem tirar seu sustento. Embora essa situação ainda persista em alguns lugares do país, felizmente esse quadro mudou positivamente. Hoje, esses trabalhadores estão organizados em cooperativas, recebendo por meio da coleta seletiva os materiais, separando-os e vendendo-os.

A situação melhorou, mas ainda está longe de ser confortável. Algumas cooperativas ainda carecem de uma maior organização do ponto de vista institucional. Outras evoluíram muito nesse aspecto, mas ainda enfrentam o desafio de oferecerem melhores condições de trabalho, serem mais produtivas e comercializarem com mais eficiência os materiais separados visando mais trabalho e renda.

Nos tempos atuais, duas das grandes preocupações da humanidade são a questão social e a questão ambiental. Assim, um modelo de gerenciamento de resíduos que inclua as cooperativas oferece-se como uma oportunidade de conciliar essas duas questões. Isso se dá pelo fortalecimento e ampliação das cooperativas.

Cooperativas são uma forma de transformação de problema ambiental em solução social. Maior produtividade das cooperativas significa mais trabalho e renda para os trabalhadores cooperados, mas, também, significa mais material reciclado.

Profa Ana Claudia e Prof Pedro Costa/ Crédito: Álvaro Jr.
Profa Ana Claudia e Prof Pedro Costa/ Crédito: Álvaro Jr.

O apoio para esse fortalecimento e para essa inserção na cadeia pode vir de vários setores da sociedade. A PUC-Campinas busca colaborar para, pelo menos, duas linhas de atuação:

Por meio de projetos de Extensão, tem buscado contribuir junto as quatro cooperativas vinculadas à rede RECICLAMP. A aproximação surgiu por meio de projeto de pesquisa em 2010. Em função disso sugiram projetos visando o desenvolvimento de plano de negócios e conscientização quando aos direitos civis. Para os próximos anos, ações estão previstas no sentido de fortalecimento das atividades em rede e da imagem e identidade da rede. No que se refere às cooperativas da REDE RECICLAMP, estas envolvem cerce de 150 cooperados, a maioria mulheres, que se dividem entre as atividades domésticas e o trabalho com a reciclagem. Respondem, juntas, por 350 toneladas ao mês de material reciclável processado (mais de 50% do material processado na cidade de Campinas) e geram para seus cooperados uma renda média mensal de cerca de R$ 850,00.

A atuação da Universidade dá-se também via gestão de seus resíduos sólidos. Estudo realizado pelos Professores Ana Claudia Mendes Seixas (CEATEC) e Ernesto Dimas Paulella (CEA), em 2011, demonstram que de 2,5 t/dia geradas pelos Campi estão distribuídas em 70% Orgânico e 30% Reciclável. O programa de gerenciamento de resíduos sólidos da Pontifícia Universidade de Campinas – PUC-Campinas visa, principalmente, promover o correto tratamento e destino final dos resíduos sólidos; destinar os materiais recicláveis a cooperativas que comercializam esses materiais; sensibilizar sua Comunidade Acadêmica para uma mudança de valores, comportamento, ética, hábitos e atitudes com relação às questões sociais e ambientais.

Ana Claudia Seixas, docente no CEATEC e Pedro de Miranda Costa é docente no CEA. Ambos são professores da Extensão. 

PUC-Campinas: Projetos que envolvem cuidados com o Meio Ambiente têm impacto real

Por Amanda Cotrim

Mudança de hábito

 O Programa de Gerenciamento de Resíduos (PGR), criado em 2014, já colhe frutos. E não são poucos. O principal deles é a mudança de hábitos e de consciência junto aos funcionários do Departamento de Serviços Gerais (DSG) que, desde que passaram a participar do programa de capacitação, levam para a casa os ensinamentos e os hábitos adquiridos no espaço de trabalho. “Toda a capacitação que a Divisão de Logística e Serviços (DLS) realiza com os colaboradores do setor de limpeza teve impacto no dia a dia deles, seja quando separam o material reciclável em casa ou quando dão novas funções para aquele material que, antes, era apenas lixo”, conta Iraci Maria da Silva Cordeiro, que também é formada em Engenharia Ambiental e integra a Comissão Permanente de Implantação e Acompanhamento do Programa de Resíduos Sólidos, da PUC-Campinas.

Desde 2014, a Universidade investe em infraestrutura, com a implantação de 61 lixeiras coloridas (separadas em Papel, Metal, Plástico e Vidro) e 12 Ecopontos”

Reciclagem de material

 A PUC-Campinas, desde 2008, antes da implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, já investia nesta área. Atualmente, a Universidade possui vários programas relacionados ao tratamento dos resíduos gerados na Instituição.

O Programa de Gerenciamento de Resíduos da Universidade existe em todos os Campi e abrangem os resíduos orgânicos e recicláveis gerados nas áreas administrativas, praças de alimentação e limpeza das áreas verdes. A PUC-Campinas adequou os coletores (lixeiras) em todas as áreas internas e externas.

Segundo Iraci, são produzidas 10 toneladas de resíduos por mês nos Campus I e II e no Colégio de Aplicação PIO XII. Esse montante é divido entre lixo orgânico e material reciclável. O primeiro é removido pela Prefeitura de Campinas, o segundo por cooperativa de reciclagem. Desde 2014, a Universidade investe em infraestrutura, com a implantação de 61 lixeiras coloridas (separadas em Papel, Metal, Plástico e Vidro) e 12 Ecopontos que podem ser utilizados também pelos moradores dos bairros próximos à PUC-Campinas. Os refeitórios e as copas receberam coletores de copos plásticos e lixeiras para materiais recicláveis e lixo orgânico.

O DSG quer conscientizar a comunidade acadêmica sobre a necessidade de reaproveitar os materiais/Crédito: Álvaro Jr.
O DSG quer conscientizar a comunidade acadêmica sobre a necessidade de reaproveitar os materiais/Crédito: Álvaro Jr.

 

Papa Pilha recolhe produtos prejudiciais ao Meio Ambiente

Entre as ações da Universidade está o Papa Pilha, um local destinado para a coleta de pilhas e baterias, produtos altamente prejudiciais ao Meio Ambiente. “Temos Papa Pilhas em todos os departamentos da Universidade, inclusive na Praça de Alimentação, para que os alunos possam fazer o descarte”, explica a Supervisora da Praça de Alimentação e Serviços, Maria Cristina Zello.  “Nossa pretensão é que o programa de coleta seletiva esteja totalmente consolidado em 2016”, esclarece o Coordenador da Divisão de Logística e Serviços da PUC-Campinas, Israel Pilmon Gitirana Barros.

A Universidade possui vários programas relacionados ao tratamento dos resíduos gerados na Instituição.

Resíduos dos Serviços de Saúde

O cuidado com o Meio Ambiente é ainda maior quando o assunto são os resíduos gerados pelo serviço de saúde, que consiste nos perfurocortantes, biológicos, químicos e infectantes, uma vez que a Universidade mantém um Hospital-Escola.

“Pensando nisso, a PUC-Campinas criou o Programa de Gerencialmente de Resíduos dos Serviços de Saúde, no Campus II, que abrange os perfuro cortantes, biológicos, químicos, infectantes, orgânicos e recicláveis. O Programa foi implantado no Campus II e foi registrado na Vigilância Sanitária, coletando todos os resíduos gerados desde a cantina até os serviços de atendimento de saúde. Também conta com uma Comissão que congrega diversos setores do Campus II”, explica o Engenheiro de Segurança do Trabalho, da Divisão de Recursos Humanos, Jorge Miguel Pires.

“O Programa trata 25.000 litros de formaldeído produzidos semestralmente no Laboratório de Anatomia e Neuroanatomia, do Centro de Ciências da Vida, as maravallhas (serragem utilizada para forrar a “cama” dos camundongos) do Biotério e Laboratório de Farmacologia e os produtos químicos, fixador e revelador da radiologia da Odontologia”, explica Pires.

“O Campus II passou por uma série de interferências físicas como a criação de locais para armazenamento dos diferentes tipos de resíduos, gerados por área (Abrigos Temporários), aquisição de coletores com pedal (lixeiras), carrinhos para transporte dos resíduos entre os prédios, regularização do piso no trajeto destes carrinhos de transporte, aquisição de equipamentos específicos para o manejo dos resíduos, treinamento das equipes envolvidas, elaboração de processos de trabalho, mensuração dos diversos tipos de resíduos gerados através da aquisição de balanças”, complementa  o Engenheiro de Segurança do Trabalho.

Funcionários do Departamento de Serviços Gerais/ Crédito: Alvaro Jr.
Funcionários do Departamento de Serviços Gerais/ Crédito: Alvaro Jr.

Campus I e II:

O segundo Programa é o de Gerenciamento dos Resíduos Analíticos, que foi implantado no Campus I e no Campus II, responsável pelo armazenamento e descarte correto dos resíduos químicos gerados nos laboratórios da Instituição. “Foi necessário a construção de duas áreas, uma em cada Campus para armazenamento destes resíduos com ventilação adequada, contenção das embalagens e armazenamento por tipo de resíduo químico (solvente, orgânico, metais, inorgânico, ácido e base)”, afirma Pires.

A Instituição possui contrato com Empresa especializada para fornecimento das embalagens adequadas, retirada de todos os resíduos, nestas embalagens e descarte correto. No final do processo a Empresa emite um certificado de tratamento dos resíduos coletados, que é registrado na Vigilância Sanitária.

“Para implantação deste programa foi necessário uma reestruturação da área dos laboratórios do Ceatec e CCV (em andamento) através da aquisição de armários específicos para os produtos químicos, solventes (corrosivos) e inflamáveis, além do descarte correto do passivo que existia nestas áreas, trabalho realizado durante um ano em função dos custos envolvidos”, detalha o Engenheiro.

PUC-Campinas reduziu 12 milhões de litros de água

A redução do consumo de água também figura como uma das mudanças alcançadas pela Universidade. Em 2015, a PUC-Campinas reduziu 12 milhões de litros de água, com algumas ações pontuais: como o fechamento de 45% dos sanitários, atitude pensada estrategicamente, para não prejudicar alunos e funcionários durante o período das aulas, além da proibição de lavagem de veículos da Instituição, limpeza a seco de toda a área externa, reaproveitamento da água das chuvas e limitação das regas dos jardins internos. “Vivemos uma crise hídrica. A Universidade tem de se engajar e fazer com que alunos e funcionários se conscientizem e economizem água na Instituição”, alerta Israel Pilmon Gitirana Barros.

: Maria Cristina Zello e Iraci Maria da Silva Cordeiro/ Crédito: Alvaro Jr.
: Maria Cristina Zello e Iraci Maria da Silva Cordeiro/ Crédito: Alvaro Jr.

Conscientização: uma meta a ser conquistada

 Conscientização e mudança de hábitos antigos não são tarefas fáceis. Requer dedicação. “É um trabalho de formiguinha”, compara Maria Cristina Zello. “O nosso maior objetivo agora é mostrar para os funcionários que há ‘lixo’ que não deveria ser ‘lixo’, como é o caso de pastas de plásticos, caixas de arquivos e sacos plásticos, utilizados, principalmente, nos setores administrativos da Universidade”, afirma Iraci Cordeiro.

Além de proporcionar outra perspectiva sobre o lixo, o Departamento de Serviços Gerais quer conscientizar a comunidade acadêmica sobre a necessidade de reaproveitar os materiais, porque dessa forma será possível, além de diminuir os custos, amenizar a agressão ao Meio Ambiente. “Em vez de a gente comprar todo ano caixas de arquivos novas, podemos reaproveitar as dos anos anteriores. Podemos emprestar os materiais que um departamento tem em abundância, enquanto em outro há escassez”, sugere Maria Cristina Zello.

Envolver alunos, professores e funcionários da PUC-Campinas, no que Iraci chama de “mudança de perspectiva”, é uma das metas do Programa de Gerenciamento de Resíduos. “Esperamos que todos possam se conscientizar sobre a importância do descarte correto do lixo e, mais, sobre a necessidade de reduzir o próprio lixo”, conclui.

Leitura do Território

Projeto de Extensão colabora com agentes da Prefeitura de Campinas na leitura sobre o território urbano

Por Amanda Cotrim

No contexto da parceria entre a PUC-Campinas e a Prefeitura de Campinas, o Projeto de Extensão Parque Linear Ribeirão das Pedras [uma metodologia para desenvolvimento de projetos urbanos], coordenado pelo docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Prof. Me. Fábio Boretti, desenvolveu um ensaio de diretrizes urbanísticas para o Parque Linear Ribeirão das Pedras, uma área verde que se constitui no trajeto do córrego Ribeirão das Pedras, o qual nasce no bairro Alto Taquaral, passa pelo Parque Dom Pedro e chega até Barão Geraldo, percorrendo cerca de 9 km. O objetivo do Projeto de Extensão foi elaborar uma metodologia para o desenvolvimento de projeto urbanos, utilizando o Parque Linear Ribeirão das Pedras como caso de estudo, proporcionando intercâmbio entre docente,  seus alunos bolsistas de extensão  e os técnicos do poder público, fomentando, assim, autonomia dos gestores municipais para futuras demandas similares.

Ensaio projetual (equipamentos básicos de apoio ao parque) / Crédito: Material de arquivo
Ensaio projetual (equipamentos básicos de apoio ao parque) / Crédito: Material de arquivo

“Desenvolvemos uma metodologia de leitura do território para um projeto urbano, a partir de uma demanda do poder público, como foi o caso do Ribeirão das Pedras. Dessa forma, é possível aplicar a mesma metodologia para realizar a leitura de outros territórios da cidade”, explica Boretti, que já adianta que, em 2016, será a vez do Projeto de Extensão “Parque Capivari Mirim”, na região próxima ao aeroporto de Viracopos. “Esses projetos possibilitam que os alunos enxerguem o território como um todo: desde as características territoriais e ambientais, passando pelos sistemas urbanos até as relações sociais que operam no local, compreendendo as características e as demandas específicas de cada lugar. Assim, os estudantes conseguem, por exemplo, conectar áreas verdes e espaços públicos, compreendendo o território urbano como um sistema integrado” ressalta.

Oficina realizada entre alunos bolsistas e técnicos da prefeitura - secretaraia do verde. / Crédito: Material de arquivo
Oficina realizada entre alunos bolsistas e técnicos da prefeitura – secretaraia do verde. / Crédito: Material de arquivo

O trabalho desenvolvido no Projeto de Extensão “Parque Linear Ribeirão das Pedras” considerou as características da população que não só mora no entorno, mas percorre ou cruza o território de extensão do Rio das Pedras, levando em consideração a renda, a forma de ocupação do lote, o tipo de comércio, relação domicilio- trabalho e renda, mobilidade urbana, uso e apropriação de equipamentos e espaços públicos.

“A convivência entre os estudantes do Projeto de Extensão e os gestores da Secretaria do Verde enriqueceu o aprendizado pela possibilidade de eles terem contato com diversos olhares sobre o mesmo “problema” de pesquisa, tendo de compreender o território estudado e a relação do mesmo com a restante da cidade de Campinas”, avalia.

Fábio Boretti considera que o estudo urbanístico tanto produzido para o Parque Linear Ribeirão das Pedras quanto o que será desenvolvido para o Capivari Mirim capacitará o poder público na proteção e recuperação do ecossistema ligado ao rio, conectando áreas verdes e espaços públicos, controlando as enchentes e proporcionando áreas verdes destinadas a atividades culturais e de lazer.

ensaio projetual para o parque linear / Crédito: Material de arquivo
ensaio projetual para o parque linear / Crédito: Material de arquivo

 

 

 

 

 

Metodologia:

O Parque Linear é um projeto urbano previsto no plano de desenvolvimento de Campinas.  A metodologia desenvolvida contemplou as etapas de coleta de dados, interpretação e análise, construção do diagnóstico urbano, elaboração de diretrizes de projeto e desenvolvimento de alguns ensaios.

O primeiro passo foi conhecer o local que seria estudado. Os alunos foram, literalmente, a campo para entenderem o lugar e as pessoas que ali moram e circulam; detectando quais eram os espaços públicos, suas especificas apropriações, linhas de ônibus, os espaços de lazer e cultura, ou seja, um mapeamento do território. Os alunos fizeram fotos do local e produziram um arquivo de foto aérea utilizando fontes e programas da internet e então elaboram uma planta do território estudado. Depois desse trabalho prático, os estudantes, junto com o docente orientador, se reuniram para debater o “objeto”, pesquisam bibliografias, artigos científicos e, assim, produziram as bases para a realização do estudo.

Por fim, tanto o processo quanto os resultados do trabalho foram compilados e sistematizados, com a finalidade de expor o desenvolvimento do projeto e criar uma referência para desafios futuros semelhantes que a Secretaria do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável possa enfrentar.

 

 

Tome Ciência: Estou no último ano da Graduação! E agora?

Muitos cursos de graduação pedem um trabalho final, também conhecido como projeto experimental ou o famoso Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), para encerrar a graduação. É nesse momento que muitos alunos ficam desesperados, porque precisam pensar num projeto que seja inédito, interessante, executável entre outros detalhes. Alguns alunos começam a pensar nisso desde o primeiro ano do curso, outros já deixam para a última hora. O Jornal da PUC-Campinas separou algumas dicas que podem ajudar o aluno na hora de escolher o tema para o TCC.

O primeiro passo é fazer uma lista com os assuntos que mais lhe interessam. É importante analisar se esses assuntos vão ao encontro dos seus objetivos. Procure recortar o seu tema de forma mais detalhada possível. Lembre-se: o menos é mais. Uma boa dica é pesquisar pela internet as informações referentes ao tema do seu interesse, até para saber se o que você está achando que é uma ideia incrível já não foi pensada antes. Faça um top três com as melhores ideias e converse com o seu professor, para que juntos possam discutir se o tema é viável ou não.

Curtiu as dicas? Então, boa sorte!

Sustentabilidade

Novo Mestrado da PUC-Campinas! A Universidade oferece, a partir de 2016, o curso de Mestrado em Sustentabilidade, que tem como objetivo qualificar os alunos dentro de uma visão interdisciplinar para atuar de forma crítica e propositora em contextos diversos, como a pesquisa científica, a docência no ensino superior, no desenvolvimento de projetos, na condução de políticas públicas e na assessoria ao setor produtivo. Sempre pensando nos desafios impostos pela sociedade contemporânea.

Plantando vida

Plantio de mudas realizado pelos petianos com os calouros - Crédito: Álvaro Jr.
Plantio de mudas realizado pelos petianos com os calouros – Crédito: Álvaro Jr.

O Papa Francisco já havia declarado, em julho de 2015, que a ação imediata do mundo deve ser salvar o Planeta do aquecimento global. A PUC-Campinas mantém o Programa de Educação Tutorial (PET), da Faculdade de Ciências Biológicas, vinculado ao Ministério da Educação, que tem como tutora a Profa. Dra. Luciane Kern Junqueira. Dentre as atividades desenvolvidas pelo grupo está o projeto “Viveiro na Universidade: Vamos Reflorestar?” que tem por objetivo produzir mudas de espécies arbóreas nativas para doação à comunidade acadêmica e aos demais interessados.

O trabalho de plantio e manutenção das mudas no viveiro (localizado no Campus II) é realizado pelos próprios alunos e, para o ano de 2016, o objetivo é produzir 10.000 mudas de diferentes espécies nativas.