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Memória e continuidade: projeto de restauro do Solar do Barão de Itapura

Por Amanda Cotrim

A PUC-Campinas inicia as obras de restauração do Solar do Barão de Itapura, local que abrigou por 74 anos o Campus Central da Universidade. Para conseguir preservar a história, a memória, com sustentabilidade, responsabilidade e dignidade, a Instituição promove a campanha de captação de recurso para o restauro.

Diante da responsabilidade cultural que a legislação orienta, a PUC-Campinas observa que a preservação do patrimônio cultural é uma obrigação de toda a sociedade civil. A Universidade se apresenta como promotora da campanha para o restauro e convida os cidadãos e as empresas que queiram exercer a sua responsabilidade cultural a se engajar nessa ação. Para doar e contribuir com esse projeto, visite o Portal da PUC-Campinas:

Crowdfunding / Financiamento Coletivo

Diante da responsabilidade cultural que a legislação orienta, a PUC-Campinas observa que a preservação do patrimônio cultural é uma obrigação de toda a sociedade civil. A Universidade se apresenta como promotora da campanha para o restauro e convida os cidadãos e as empresas que queiram exercer a sua responsabilidade cultural a se engajar nessa ação.

SE VOCÊ É PESSOA FÍSICA

Qualquer pessoa física pode apoiar o restauro participando da campanha de financiamento coletivo promovido pela PUC-Campinas.  A campanha, em andamento, tem como objetivo as obras emergenciais para a recuperação da cobertura do Solar que está orçada em 1 milhão de reais. As doações podem ser feitas  no portal da PUC-Campinas.

SE VOCÊ É PESSOA JURÍDICA

Pessoas jurídicas podem apoiar o projeto utilizando uma ou mais das seguintes modalidades:

A campanha, em andamento, tem como objetivo as obras emergenciais para a recuperação da cobertura do Solar que está orçado em 1 milhão de reais. As doações podem ser feitas no portal da PUC-Campinas.

  1. Doação com Isenção no ICMS

PROAC – Programa estadual de incentivo a cultura do Governo do Estado de São Paulo

O PROAC ICMS funciona por meio de incentivos fiscais. O projeto do restauro do Solar do Barão de Itapura já está aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura e recebeu autorização para captar patrocínio junto a empresas que descontam o valor doado do ICMS devido. O processo é simples e toda a orientação é feita pela PUC-Campinas. O abatimento de 100% do valor doado até o limite de 3% do ICMS devido.

  1. Doação com Isenção no Imposto de Renda – Lei Rouanet

PRONAC – Programa Nacional de Apoio à Cultura – Lei 8.1313/91

Instituído em dezembro de 1991, com a promulgação da Lei nº 8.1313/ 91, também conhecida como Lei Rouanet visa apoiar e direcionar recursos para investimento em projetos culturais.

É destinada a toda empresa que faça sua declaração de Imposto de Renda pela modalidade de Lucro Real.  O processo é muito simples e toda a prestação de contas é feita diretamente pela PUC-Campinas. A lei permite ao contribuinte o abatimento de 100% do imposto de renda dos valores

História

O Solar do Barão de Itapura, reconhecido como patrimônio histórico e cultural pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (CONDEPACC) e Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico. (CONDEPHAAT), após o restauro, passará a ser um lugar de valor socioeducativo, já que seu espaço, por meio de uma ocupação consciente, será usufruído por toda a população, que se transformará na principal beneficiária das atividades educativas e culturais.

“O Solar não viverá apenas do passado, pois, ao realizar o restauro, a PUC-Campinas promoverá importante função social. Feita a recuperação, a Universidade dará ao Solar uma destinação eminentemente cultural, não apenas aos membros da Instituição, mas a toda a sociedade de Campinas e região propiciando enriquecimento cultural à população, promovendo o Turismo, contribuindo com a melhoria da qualidade de vida e garantindo dignidade cultural à sociedade em geral”, esclarece o Vice-Reitor da Universidade e Coordenador do Projeto de Restauro, Prof. Dr. Germano Rigacci Junior.

 

Conheça um pouco mais sobre a história do Solar do Barão de Itapura nesta reportagem do Jornal da PUC-Campinas, que abordou a origem do primeiro Campus da Universidade, aqui. 

 

A relação histórica da PUC-Campinas com o Solar do Barão de Itapura

Desde o início do século XX o Brasil já contava com faculdades católicas com a criação em 1908, no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Na década de 1930, Dom Francisco de Campos Barreto, segundo Bispo da Diocese de Campinas, idealizou a criação de uma Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Nesta época, a Igreja já administrava na cidade o Colégio Diocesano Santa Maria e a Academia de Comércio São Luís.

Para tornar real seu projeto, Dom Barreto funda em 1941, ao lado do Cônego Emílio José Salim e do Padre Agnelo Rossi, a Sociedade Campineira de Educação e Instrução, a SCEI, que teria como missão reunir as instituições católicas campineiras de ensino.

Nos 74 anos em que o Solar abrigou as dezenas de cursos da Universidade mais de 180 mil profissionais se formaram em suas dependências.

Não tardou, no entanto, para que o casarão do Barão de Itapura se tornasse pequeno para agrupar todos os cursos da PUC-Campinas. Assim, os novos Campi foram surgindo de acordo com a necessidade de espaço: o Campus I, o CampusII, o Seminário e o Instituto de Letras.

Em 2015, após a saída do curso de Direito – o último a ser transferido para o Campus I – a PUC-Campinas planeja uma nova história para o Solar do Barão.

 (Informações de Eduardo Vella)

PUC-Campinas na década de 90

Por Wagner Geribello

Na última década do Século XX, a PUC-Campinas efetiva uma cifra de relevância especial, registrando 100 mil alunos formados, passando a integrar um grupo muito reduzido entre as Instituições de Ensino Superior do Brasil.

A marca de 100 mil formados, entretanto, não é o único ponto de destaque da História da Universidade registrado nos anos 1990, década lembrada, também, por outras realizações importantes, como a implantação do primeiro Doutorado, consolidando o programa de Pós-Graduação em Psicologia e do Mestrado em Urbanismo. Os anos1990 são lembrados, também, pela chegada aos quadros de colaboradores da PUC-Campinas de um dos mais importantes intelectuais brasileiros, o Professor Paulo Freire, considerado o maior educador do País, que passa a integrar o recém-criado núcleo de extensão em Educação.

O início da implantação da Carreira Docente e a ampliação dos projetos e ações voltados para a Pesquisa caracterizam a década, que, no entanto, começou muito instável no campo da economia, em especial por conta do Plano Collor e suas desastrosas consequências para a estabilidade econômica do País. Foram precisos exercícios ousados e complexos de gestão para contornar o cenário econômico pouco favorável, mas, mesmo antes do final da década, a Instituição volta a investir, por exemplo, na construção de novos ambientes onde se instalam a Faculdade de Serviço Social e o então Instituto de Ciências Exatas (posteriormente denominado Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de Tecnologias – CEATEC), registrando-se, ainda, a ampliação das instalações da Faculdade de Educação Física. Do outro lado da cidade, no Campus II, mais investimentos, ampliando a capacidade do Hospital e Maternidade Celso Pierro (HMCP) para 30 mil atendimentos ambulatoriais e mil internações/mês.

PUC-Campinas nos anos 1990- Foto: Acervo do Museu da Imagem e do Som de Campinas
PUC-Campinas nos anos 1990- Foto: Acervo do Museu da Imagem e do Som de Campinas

O pioneirismo que vem marcando a História da Instituição, desde a sua fundação, verifica-se nos anos 1990, com a criação da Universidade da Terceira Idade, a partir de um projeto concebido na própria PUC-Campinas, com identidade e características próprias, até hoje tomado como modelo para implantação de entidades semelhantes.

Em 1º. de fevereiro de 1993, o professor Gilberto Luiz de Moraes Selber assume a Reitoria, focando sua gestão na continuidade da implantação do Projeto Pedagógico, iniciada na gestão anterior e responsável pela elevação dos padrões da Universidade no Ensino, na Pesquisa e na Extensão. A capacitação docente, com a instituição de horas/atividade, responde pela elevação da titulação do Corpo Docente e suas consequências imediatas na consolidação da PUC-Campinas como polo de produção e difusão do conhecimento.

Com a edição do Plano Real e o afrouxamento da inflação, a Universidade adere a novas formas de gestão, incorporando itens fundamentais para navegar com segurança e crescimento no novo cenário econômico, como a democratização da gestão e o planejamento estratégico, fixando metas de médio e longo prazo.

Nos anos 1990 verifica-se, também, aproximação maior da PUC-Campinas com sua irmã, a Universidade Estadual de Campinas, inclusive no plano físico, com a inauguração da Avenida dos Estudantes, unindo o Campus da Unicamp ao Campus I da PUC-Campinas.

Consolidada como Instituição de Ensino Superior de primeira linha e a marca de 100 mil formandos, verificada em 1995, a PUC-Campinas atravessa a década preparando-se para comemorar meio século de existência, pronta e disposta a enfrentar os desafios descortinados pelo Século XXI.

Wagner Geribello foi Professor na Faculdade de Jornalismo. Atualmente é Consultor do Jornal da PUC-Campinas

Um homem que se entregou à causa de Deus

PUC-Campinas presta homenagem a Dom Gilberto Pereira Lopes durante semana de evento que leva o seu nome

Por Amanda Cotrim

Integrando as comemorações dos 75 anos de fundação da criação da PUC-Campinas, a Universidade, por meio do Museu Universitário e da Faculdade de História, promoveu a Semana Dom Gilberto Pereira Lopes, de 24 a 28 de outubro de 2016, no Auditório Cardeal Agnelo Rossi, localizado no Campus I.

Semana Dom Gilberto Pereira Lopes ocorreu do dia 24 a 28 de outubro de 2016/ Crédito: Álvaro Jr.
Semana Dom Gilberto Pereira Lopes ocorreu do dia 24 a 28 de outubro de 2016/ Crédito: Álvaro Jr.

O objetivo foi homenagear o Arcebispo Emérito de Campinas Dom Gilberto Pereira Lopes, que atuou como Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da Pontifícia Universidade Católica de Campinas no período de 1982 a 2004.

Um dos momentos mais emocionantes da Semana foi o primeiro dia de evento, o qual contou com a presença de Dom Gilberto e seus familiares, além da Reitora da Universidade, Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht e do Arcebispo Metropolitano de Campinas, Dom Airton José dos Santos.

O evento pode aproximar a nova geração da história de um dos homens mais importantes para a Igreja Católica do Brasil e para a Universidade. Os palestrantes ressaltaram que Dom Gilberto se entregou à causa de Deus e dedicou toda a sua vida à obra Dele. “É por amor e reconhecimento que fizemos esta homenagem”, ressaltou Arcebispo e Grão-Chanceler da PUC-Campinas.

Livro: a materialização da memória de Dom Gilberto

A Semana Dom Gilberto Pereira Lopes também proporcionou o lançamento do livro “Dom Gilberto: no tempo de Deus”, o qual conta a trajetória do religioso e a promessa feita aos pais de que ele seria um servo de Deus. Desde pequeno, Dom Gilberto, que nasceu em 1927, na Bahia, frequentou o Seminário Menor, em Petrolina, Pernambuco, cidade em que cresceu. Cursou Filosofia e Teologia em Olinda. Foi ordenado presbítero, na Catedral de Petrolina, no dia 4 de dezembro de 1949, por Dom Avelar Brandão Vilela, então Bispo de Petrolina, depois Cardeal Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil.

Vice Reitor Prof. Dr. Germano Rigacci Jr, Padre José Antônio Trasferetti, Dom Gilberto e Prof. Paulo Pozzebon/ Crédito: Álvaro Jr.
Vice Reitor Prof. Dr. Germano Rigacci Jr, Padre José Antônio Trasferetti, Dom Gilberto e Prof. Paulo Pozzebon/ Crédito: Álvaro Jr.

 

 

Trajetória

O ano de 1976 surgiu na Diocese de Campinas com um novo vigor. Dom Gilberto Pereira Lopes foi nomeado pelo Papa Paulo VI, no dia 24 de dezembro de 1975, como Arcebispo Coadjutor.

Sua posse canônica se deu na Catedral Metropolitana de Campinas, no dia 7 de março de 1980, dia em que se comemorava três anos de sua posse como Coadjutor na Arquidiocese. No dia 10 de fevereiro de 1982, foi promovido a Arcebispo de Campinas, recebendo o Pálio, por procurador, no Consistório, em 24 de maio do mesmo ano, realizado no Vaticano.

Na sua palavra de posse, Dom Gilberto já fazia alusão à administração da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Em 1981, na Assembleia do Regional Sul 1, Dom Gilberto foi escolhido para ser o seu representante na Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Recebeu, ainda, nomeação do Papa João Paulo II como Membro da Congregação para Educação Católica (Seminários e Institutos de Estudos), por meio de carta da Secretaria de Estado do Vaticano, datada de 5 de abril de 1989, pelo período de cinco anos. De 18 a 25 de abril de 1989, Dom Gilberto foi representante do Brasil no 3o Congresso Internacional sobre Universidade Católica, realizado em Roma, com 175 representantes de todo o mundo.

Ao completar 75 anos de idade, enviou sua carta de renúncia ao Papa João Paulo II, que aceitou o pedido em 2 de junho de 2004, nomeando Dom Bruno Gamberini como Arcebispo Metropolitano de Campinas. Dom Bruno, no dia de sua posse, em 1o de agosto de 2004, conferiu a Dom Gilberto as faculdades de Vigário Geral da Arquidiocese de Campinas. Hoje, Dom Gilberto é Arcebispo Emérito de Campinas.

 

“Música é Deus na Terra”, diz Maestro que fundou Orquestra e Coral Universitário

Oswaldo Antônio Urban graduou-se em Filosofia, Direito e Orientação Educacional pela PUC-Campinas. Lecionou por 18 anos na Universidade e ajudou a fundar, nas décadas de 60 de 70, a Orquestra e o Coral Universitário. O Maestro regeu o Coral por 68 anos.

Por Eduardo Vella

“Só mesmo uma coisa tão maravilhosa como a música, que faz chegar até o homem a bondade e a divindade de Deus. Música é Deus na Terra”. É desse modo que o Maestro Oswaldo Antônio Urban define os seus 83 anos de vida dedicados às partituras e composições.

Aos 97 anos de idade, 68 deles devotados à regência do Coral PIO XI, o que lhe dá o título de “regente há mais tempo à frente de um mesmo coral”, outorgado pelo Ranking Brasil, Urban teve importante passagem pela academia, estudando e lecionando na PUC-Campinas. “Entrei na Instituição em 1949, no curso de Filosofia. Vim estudar na Universidade, pois tinha boa fama. Fiz também os cursos de Pedagogia e Orientação Educacional. Começou aí a minha vida de aluno dentro da PUC-Campinas”.

Maestro Urban esteve por 68 à frente do Coral Universitário/ Crédito: Álvaro Jr.
Maestro Urban esteve por 68 à frente do Coral Universitário/ Crédito: Álvaro Jr.

O Maestro exerceu o Magistério na Universidade de 1965 a 1983, quando se aposentou. À época, era Assessor da Reitoria e Diretor do Instituto de Arte e Comunicação, atual Centro de Linguagem e Comunicação (CLC).

Convidado pelo Arcebispo de Campinas e Reitor da Universidade Monsenhor Salim, Urban passou a dirigir a Faculdade de Música, que tempos depois integrou o Instituto de Arte e Comunicação, também coordenado pelo Maestro.

Urban nasceu em 1919 na cidade de Leme, cerca de 90 km de Campinas. Seus pais eram músicos e passaram para toda família essa paixão. Ele estudou também no Conservatório Musical Maestro Julião, em São Paulo e fez curso de música em Nápoles, na Itália. “Quando tinha 14 anos, o Maestro Salvador Bove, me colocou a batuta na mão e me fez dirigir o Coral que existia no Seminário. São 83 anos em que a música é a minha vida”, emociona-se.

Maestro Urban esteve por 68 à frente do Coral Universitário/ Crédito: Álvaro Jr.
Maestro Urban esteve por 68 à frente do Coral Universitário/ Crédito: Álvaro Jr.

Orquestra Sinfônica Universitária

Em 1960, associou-se ao Professor Luiz di Tullio, também convidado pelo Reitor, para formar uma Orquestra Sinfônica na Universidade. Seus alunos, que cultivavam a música clássica, constituíram grande parte dos primeiros e segundos violinos da orquestra. Eram chamados de “Os violinistas do Luizinho”.

Com a chegada do Maestro Benito Juarez à Orquestra Sinfônica de Campinas, que em 1974 passou às mãos da Prefeitura de Campinas, ocorreu uma dissidência de alguns músicos de grande projeção da Sinfônica e esses elementos foram integrar a Orquestra Universitária. “Um grupo ficou com o Juarez formando a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas e outro veio para a PUC-Campinas a meu convite para “engrossar” a Orquestra Universitária. Ela cresceu muito com isso”, orgulha-se.

“Fizemos em diversas oportunidades a PUC-Campinas brilhar com a Orquestra e o Coral Universitário, que eu fundei em 1965. Eles participavam das formaturas, da Aula Magna de início do ano letivo, do encerramento do ano letivo, no Teatro Central, na Rua Marechal Deodoro, e no Campus I”, ressalta o Maestro Oswaldo Antônio Urban.

A Orquestra Universitária teve fim com o falecimento do Maestro Luiz di Tullio durante um ensaio da Orquestra e do Coral para a formatura da turma de Engenharia, em 1977.

A fundação do Coral Universitário

O Coral era composto de alunos voluntários das várias Faculdades que compunham a PUC-Campinas. Ele foi fundado pela natureza da Faculdade de Música, com os alunos que estavam estudando. Mas isso se estendeu para os outros os cursos. “Assim se formou um Coral com mais de 50 elementos”, relembra.

 O Maestro busca no coração o dia da solenidade de inauguração do Campus I, em 1973. “Nessa data estavam vários Bispos, representando as autoridades eclesiásticas, principalmente Dom Antônio Maria Alves de Siqueira, o Bispo da época, o Reitor Prof. Dr. Benedito José Barreto Fonseca, que levou avante a construção do Campus”, salienta.

 Urban orgulha-se de ter composto para a ocasião o hino para da inauguração do Campus I – Música e Letra – executados pelo Coral e pela Orquestra Universitária.

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 O Maestro, personagem importante na história da Universidade deseja “que a PUC-Campinas continue resplandecendo pela Fé e pela Ciência, segundo os dizeres de seu brasão: Fide Splendet et Scientia.

Atualmente, a PUC-Campinas possui o Coral Universitário do Centro de Cultura e Arte (CCA) que realiza significativo trabalho de formação e divulgação cultural dentro e fora na Universidade. Esse importante canal de expressão artística, de busca do aperfeiçoamento musical e do desenvolvimento cultural de seus membros é um dos grandes legados do Maestro Oswaldo Antônio Urban, que plantou essa semente nos anos 1960.

Reportagem da TV PUC-Campinas

 

Editorial: Comunicação e História

Em 2005, dos seis mil calouros que entraram na PUC-Campinas, 52% vinham de outras cidades e boa parte deles se preparava para viver a experiência de morar fora da casa dos pais, incluindo a “república” como alternativa de residência. Enquanto isso, os veteranos, representados pelo Diretório Central de Estudantes, DCE, expunham críticas e reparos à Reforma Universitária, à época item de pauta do meio acadêmico brasileiro.

Quase 60 anos antes disso, em 1946 o casal italiano Pietro Maria Bardi e Lina Bo Bardi chegavam ao Brasil, iniciando uma jornada dedicada às artes, cujo ápice foi a criação do MASP (Museu de Arte de São Paulo). O tema foi tratado na tese de doutorado da professora da Faculdade de Arquitetura da PUC-Campinas, Vera Santana Luz, defendida em 2004.

Rememorando os anos de 1930, o neto adotivo do Barão de Itapura resgatou reminiscências do tempo em que morou no palacete que, na década seguinte, seria o primeiro campus universitário de Campinas.

Apesar de datas diferentes e temas diversos, os parágrafos acima têm um elemento comum: foram extraídos de matérias publicadas no Jornal da PUC-Campinas, que nesta edição dedica todo seu espaço às comemorações do Jubileu de Diamante da Universidade.

O Jornal é só um exemplo do compromisso de transparência e diálogo que a Instituição mantém com sua comunidade e com a sociedade em geral, mantendo, desde sua fundação, processos e recursos de comunicação, expondo fatos, ideias e posicionamentos nascidos no meio universitário ou de interesse da comunidade acadêmica.

Assim, no mais amplo sentido do termo, incluindo aspectos jornalísticos, comunicação é um item que se agrega com relevância a tantos outros que a Universidade cultiva e faz florescer desde sua fundação.

Em 75 anos, a comunicação na Universidade, voltada à comunidade acadêmica, alunos em especial e da Universidade, voltada à comunidade externa, acompanhou e divulgou os passos mais importantes e significativos dessa caminhada, como também abriu espaço para o cotidiano e as temáticas rotineiras, mostrando-se abrangente e permanente na missão de informar, sem nunca deixar de promover a interação entre os diversos componentes da comunidade acadêmica e desta com a sociedade.

A edição comemorativa o Jornal da PUC-Campinas resgata fatos e pessoas que se destacaram em75 anos de História, bem como abre espaço para manifestações diversas sobre o significado dessa História para os tempos presente e futuro da Universidade. Esse movimento reafirma e confirma que, nos seus diferentes modos de ser e fazer, com variados recursos, incluindo os mais atuais e modernos, de perfil informatizado, a comunicação destaca-se como preocupação precípua e valor de primeira grandeza da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

75 anos: Décadas velozes de crescimento e transformações em Campinas

Por Luiz Roberto Saviani Rey

Duas décadas, dois marcos exponenciais na história de Campinas. Os anos 1950 e 1960 guardam em seus anais termos de expansão e de explosão urbanística e demográfica, de progresso sem limites, como nunca experimentados anteriormente. Um período de obras grandiosas para a acanhada ex-capital do café, de rasgos extensivos em suas estreitas vias centrais, a transfiguração positiva de uma urbe, agora berço a embalar uma metrópole gigantesca em breve futuro. Uma cidade com seu tecido social consolidado e resguardado pelo trabalho e o convívio de grandes empresários, negociantes, pequenos comerciantes, que a tornaram agradável e próspera.

Avenida Campos Salles/ Cartão Postal- Acervo Fotográfico-MIS-Campinas
Avenida Campos Salles/ Cartão Postal- Acervo Fotográfico-MIS-Campinas

Contudo, com o registro de duas perdas inestimáveis para seu acervo predial, perdas lamentadas pela imensa comunidade católica e pela população em geral: o desaparecimento de construções icônicas em sua malha urbana original: a consagrada Igreja do Rosário, na Avenida Francisco Glicério; a demolição do Teatro Municipal Carlos Gomes, entre as ruas Treze de Maio e Dr. Costa Aguiar, erigido em terreno ao fundo da Catedral Metropolitana.

A atividade cafeeira que constitui Campinas em uma espécie de capital econômica do País entra em colapso a partir de 1929, com a crise mundial produzida pela quebra da Bolsa de Nova York. Assim, a expansão da agroindústria algodoeira, reunindo capitais nacionais e estrangeiros, logo a seguir, permite a instalação de indústrias na cidade, e em 1950 estão presentes nos ramos mecânico, de materiais elétricos, químicos, de borracha e papelão.

Cartão Postal do ano de 1969- Acervo Fotográfico do MIS-Campinas
Cartão Postal do ano de 1969- Acervo Fotográfico do MIS-Campinas

Essa forte industrialização, associada ao lastro de riquezas deixado pelo rico período cafeeiro, torna Campinas um pólo extremamente atrativo à sedimentação de novas indústrias, de comércio variado e de serviços, amparados por um promissor entroncamento rodoferroviário, que aos poucos adensam sua demografia e tornam necessárias intervenções do poder público na construção de obras como o alargamento das ruas Campos Sales e Francisco Glicério.

O Viaduto Miguel Vicente Cury é uma das maiores obras viárias de Campinas

Na transição dos anos 1950 e 1960, já com intensa movimentação de automóveis particulares, de bondes e com o acréscimo de ônibus do transporte coletivo em bases contemporâneas para a época, Campinas se vê ante o dilema de demolir ou reter o crescimento. Desse dilema surge uma de suas maiores obras viárias: o Viaduto Miguel Vicente Cury, em forma circular, ligando o acesso pela Via Anhanguera e bairros da região Oeste ao Centro.

Nesse meio termo, desaparece em 1956 a Igreja do Rosário, construída em 1817, e que por muitos anos, no período imperial, fora a Matriz da cidade – enquanto a Velha Matriz, a histórica Igreja do Carmo, deteriorava e requeria reformas, e a Catedral Metropolitana, consagrada a Nossa Senhora da Conceição, ainda era erigida. Demolida para alargar as avenidas do progresso e reconstruída em seus moldes originais no bairro do Castelo.

Vista aérea do Centro/ Crédito: Balan- Acervo Fotográfico-MIS-Campinas
Vista aérea do Centro/ Crédito: Balan- Acervo Fotográfico-MIS-Campinas

Em conjunto com a construção do Viaduto Cury, Campinas ganha o Aeroporto de Viracopos, inaugurado em 19 de junho de 1960 com pista de 3.240m x 45m, construída para receber com segurança os modernos e suntuosos quadrimotores a jato de primeira geração: Dado interessante é que na mesma data Viracopos foi elevado à categoria de Aeroporto Internacional, por meio da Portaria Ministerial n.º 756, e homologado para aeronaves a jato puro.

O fim do Teatro Municipal Carlos Gomes

Mas é em 1965 que a cidade perde o Teatro Municipal Carlos Gomes, construído em 1930, um dos maiores do interior do País, com capacidade para 1.300 lugares. O prédio, em estilo eclético, supostamente sofrera abalos em sua estrutura e é demolido, deixando lacunas e incertezas na vida cultural da cidade por anos. Três anos depois, os bondes são retirados de circulação. Em contrapartida, o governo Estadual inaugura a Unicamp a partir de 1966.

É nesse contexto socioeconômico e cultural que Campinas abandona de vez suas feições coloniaisimperiais e veste sua indumentária moderna, uma cidade que pulsa e atrai seus primeiros fluxos migratórios, saltando de 70 a 80 mil habitantes para perto de 200 mil, do final dos anos 1960 para a década seguinte. Um crescimento demográfico inédito que irá a saltos mais velozes rumo à casa do um milhão de habitantes nas décadas subseqüentes. Nesse contexto, a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) ganha impulso e alicerça de maneira sólida seu marcante futuro!

Prof. Luiz Saviani/ Crédito: Álvaro Jr.
Prof. Luiz Saviani/ Crédito: Álvaro Jr.

Luiz Roberto Saviani Rey é Professor do curso de Jornalismo da PUC-Campinas e autor dos livros: A maldição dos eternos domingos sem derby (romance de costumes); O retiro antes da Laguna – Taunay em Campinas (romance histórico); O menino herói da Guerra Paulista – O bombardeio de Campinas (romance histórico) e A crônica é jornalística e brasileira (didático).

 

75 ANOS: História da PUC-CAMPINAS – anos 1960

Por Wagner Geribello

Extremos…

Talvez seja essa a palavra mais adequada para definir a década de 1960.

Internacionalmente, o período é marcado pela busca de ideais libertários e positivos, como a eliminação definitiva de qualquer forma de legislação racista, a valorização igualitária de gênero e a exaltação unilateral da paz. No extremo oposto, ocorrências como a polarização política e o começo de uma década de guerra e horror no Vietnã começam a cobrar um preço alto à toda sociedade.

Biblioteca Central em 1966/ Crédito: Museu da PUC-Campinas
Biblioteca Central em 1966/ Crédito: Museu da PUC-Campinas

Ao mesmo tempo e por consequência, perspectivas de estabilização democrática, almejada e esperada no início da década, evaporam na efervescência do radicalismo, trazendo, entre outros males, tortura, terrorismo e censura ao cotidiano nacional.

 Nesse período, a história da Universidade também conhece extremos, que vão da euforia de importantes conquistas, a perdas lamentáveis e momentos de insegurança.

Em 1962 é criado o Colégio de Aplicação Pio XII, para atender demandas da, então, nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que incorpora, paradoxalmente, propostas liberais e conservadoras, em parte descortinando horizontes positivos para a Universidade e, em outra, cerceando os espaços do livre desenvolvimento da atividade acadêmica.

Ativa e participativa, a juventude do período é inquieta, questionadora e muito curiosa, ensejando a prática do debate cultural, político, social, filosófico e científico no ambiente acadêmico.

Nessa época, multiplicam-se as ofertas de formação superior. Entre 1964 e 1966 são implantados os Cursos de Psicologia, Música e Ciências Administrativas, ao mesmo tempo em que são aprovados os Cursos de Biologia e Educação Física, bem como aqueles que formarão a espinha dorsal da área de Comunicação Social, atualmente integrada ao Centro de Linguagem e Comunicação.

Alunos do Curso de Geografia- Década de 1960/ Crédito: Museu da PUC-Campinas
Alunos do Curso de Geografia- Década de 1960/ Crédito: Museu da PUC-Campinas

 

Mas foi, também, nos anos 1960 que a Universidade perdeu seu primeiro reitor, com a morte de Monsenhor Salim, em 1968. Dois anos depois morreu Dom Paulo de Tarso Campos, ampliando a perda de pessoas chaves na história da Universidade em uma única década.

O modo mais indicado de reverenciar a perda dos seus fundadores foi a incorporação do espírito combativo e empreendedor daquelas pessoas, que dinamiza e consolida a Instituição.

A Universidade chega ao final dos anos 1960 com volume de alunos e multiplicidade de Cursos que já não são suportados pelas instalações físicas e estrutura administrativa e funcional existentes, de modo que a década, ao seu término, se faz incubadora das mudanças e do crescimento que teriam lugar nos anos 1970.

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Wagner Geribello é Doutor em Educação e Consultor do Jornal da PUC-Campinas

 

PUC-Campinas na década de 1950

Por Wagner Geribello

Os anos dourados do pós-guerra…

Assim ficou conhecido o período compreendido pelo segundo lustro dos anos 1940 e a década seguinte, marcado pela desmobilização militar e grandes transformações sociais, políticas, culturais e econômicas, como a consolidação da produção e comercialização de bens de consumo.

Nessa época, progresso e desenvolvimento também estão na ordem do dia, com o proporcional aumento da requisição de pessoal capacitado a atender as demandas da nova organização social, marcada, entre outras características, pelo desenvolvimento e consumo de tecnologia, que passa a integrar o cotidiano das pessoas.

O desenho social desse período reflete diretamente nas Faculdades Campineiras, que entram na juventude da sua história, vivendo tempos de crescimento, vigor e uma saudável ousadia à moda dos jovens, aceitando, enfrentando e vencendo desafios. Nessa época, a Instituição criada por Dom Francisco de Campos Barreto deixa para trás o acanhamento da infância, divisando novos e amplos horizontes.

PUC-Campinas na década e 1950- Acervo Museu da PUC-Campinas
PUC-Campinas na década e 1950- Acervo Museu da PUC-Campinas

Já contando com Cursos em áreas diferentes, como Letras, Filosofia, Biblioteconomia e Química, entre outros, as Faculdades Campineiras agregam a área da Saúde aos Cursos oferecidos, incluindo uma Escola de Enfermeiras (incorporada em 1955) e a Faculdade de Odontologia, criada em 1949. Nos anos subsequentes, um afã de obras ergue as instalações para o pleno funcionamento do Curso de Odontologia, incluindo laboratórios e ambientes para aulas práticas.

Em meados dos anos 1950, mesmo sem o título, a Instituição já tinha contornos de Universidade, incentivando os gestores, capitaneados por Monsenhor Salim, a intensificar contatos, negociações e muita argumentação para que a cidade de Campinas tivesse sua Universidade.

A crônica histórica da PUC-Campinas classifica Monsenhor Salim, em especial pela sua atuação nesse período, como verdadeiro “globe-trotter”, entre Campinas e Roma, levando solicitações e informações à cúpula da Igreja sobre as Faculdades Campineiras.

Em 1951, a comemoração de dez anos é feita em grande estilo, com a criação da Faculdade de Direito e, quatro anos depois, a cidade recebe a visita do Núncio Apostólico Dom Armando Lombardi. Discursando no salão nobre das Faculdades Campineiras, o representante da Santa Sé menciona a posição favorável de Roma à criação da Universidade Católica de Campinas.

O processo de elevação de um conjunto de faculdades à condição de Universidade Católica não é simples, carecendo do concurso de duas Instituições, o Governo Brasileiro, em especial o Ministério da Educação e a cúpula da Igreja Católica, em Roma. Por isso, a titulação não acontece em um único dia, mas resulta de diversos passos que vão consolidando a oficialização da Universidade, deixando o registro de diversas datas significativas no decorrer do processo.

Em 15 de agosto de 1955, Roma concede o título de Universidade, mas o reconhecimento canônico só acontece no ano seguinte quando, então, institui-se, oficialmente, a denominação de Universidade Católica de Campinas, que iria perdurar por quase duas décadas, até 1972, quando recebe sua denominação atual, Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Se a elevação à condição de Universidade foi o grande acontecimento daquela década, o período ainda registrou eventos importantes, como a visita do Ministro da Educação, Clóvis Salgado, em 1956, o registro de 1.500 alunos matriculados, nesse mesmo ano, e a integração à Federação Internacional das Universidades Católicas, em 1958.

Marcado, sobretudo, pelo desempenho de Monsenhor Salim, primeiro reitor da então recém-nascida Universidade, o período polarizado pelos anos 1950 consolida institucionalmente a Católica de Campinas e compõe um feixe de anos dourados da sua história.

Wagner Geribello é Consultor do Jornal da PUC-Campinas

Um destino pujante no Caminho de Goiazes

Por Luiz Roberto Saviani Rey

A cronologia histórica de Campinas, seus elementos de rápida progressão social, material e urbana, permite vislumbrar os cenários de sua rica evolução, os quais a conduziram ao portentoso núcleo metropolitano da atualidade, um município-sede regional com 1,2 milhão de habitantes e polo de alta tecnologia, concentrando universidades de elevado nível, como a PUC-Campinas, centros de pesquisas de excelência, além de institutos da área médica de causar inveja a países mais avançados.

Na realidade, o destino dessa Campinas pujante – uma Suíça em forma de cidade -, parece ter se desenhado desde o momento em que se rasgou a trilha de Goiazes, o caminho desde São Paulo que conduziu bandeirantes e tropeiros ao coração do Brasil, em busca de ouro e de riquezas. Desde os primórdios da Freguesia, de 1774, passando pela Vila de São Carlos, de 1797, até a elevação à categoria de cidade, em 1842, surgiu um modelo de desenvolvimento e de sociedade autônomo, progressista e voltado ao labor intenso.

Rapidamente, a região dos três campinhos – os descampados límpidos e amenos, cortados por córregos e cursos d’água, entre a vasta floresta de Mato Grosso – foi se transformando de pouso de tropeiros em um local propício ao progresso. Suas terras passam a ser exploradas intensamente, primeiramente pela cana-de-açúcar e, já a partir de 1842, pela cafeicultura.

É esse panorama de expansão rural e urbana que vai assombrar uma das figuras mais importantes do Império. Em abril de 1865, na qualidade de tenente-engenheiro e aos 22 anos, Alfredo Maria d’Escragnolle-Taunay, o Visconde de Taunay, aporta em Campinas com as tropas da Guerra do Paraguai, destinadas a lutar na Laguna. Logo, encanta-se com os progressos e proclama, entusiasmado, ante os imponentes solares, os cafés, e as vitrines de lojas da Rua Direita, ostentando rica indumentária e objetos europeus: “Mas que coisa afrancesada!”.

Prof. Me. Luiz Roberto Saviani/ Crédito Álvaro Jr.
Prof. Me. Luiz Roberto Saviani/ Crédito Álvaro Jr.

Uma exclamação qualitativa que se amplifica quando Taunay ingressa, assombrado, na Catedral em construção. Ele escreve 22 cartas ao pai, amigo de Dom Pedro II, pedindo apoio do imperador para a conclusão das obras. Na sua antevisão, o templo erigido com a fé dos campineiros, seria o mais imponente de todo Império.

Da passagem de Taunay à construção da ferrovia, em 1972, para escoar a produção cafeeira, e ao expirar do século XIX, Campinas torna-se a capital econômica do Brasil. Sob a égide do café pode influir na política nacional. Sua pujança atrai fazendeiros. Seus filhos, advogados, carregam os ideais republicanos, tornando-se figuras de destaque, como Bernardino de Campos que aqui se estabelece, Francisco Glicério e Manuel Ferraz de Campos Sales, entre outros. Campos Sales torna-se o terceiro presidente do estado de São Paulo, de 1896 a 1897 e o quarto presidente da República, entre 1898 e 1902.

A transição do século XIX para o século XX marca a ruptura com as condições coloniais ainda predominantes e estabelece novos contornos e modelos, trazendo configuração de uma cidade moderna, com novos estabelecimentos de ensino e com princípios de industrialização e de oferta de serviços do comércio. Com Orosimbo Maia na Prefeitura, de 1908 a 1910 e entre 1926 e 1932, Campinas terá o impulso que trará novas indústrias de base, cervejarias, empresas do setor imobiliário e a abertura de bairros como Botafogo, Guanabara e Castelo.

A Revolução de 1930, a tomada do Poder por Getúlio Vargas, desafia os barões do café. Em 1932, com bombardeios pelos aviões Vermelhinhos, a cidade é colocada no centro da Revolução Constitucionalista. Mais de dois mil voluntários lutam e são derrotados na Batalha de Eleutério, nas proximidades de Itapira, na divisa entre São Paulo e Minas.

Superados os traumas dos bombardeios, a cidade, retoma seu caminho de pujança e floresce, como nunca, como um importante entroncamento rodoferroviário a integrar a capital paulista ao interior do País. Nesse cenário, é fundada, em 1941, a Sociedade Campineira de Educação e Instrução, a nossa PUC-Campinas da atualidade, que tem, em 1942, a abertura solene de seus cursos, no Teatro Municipal Carlos Gomes. A implantação da PUC-Campinas é marco exponencial em um período auspicioso, em que dois novos prédios do Instituto Agronômico são inaugurados, bem como o edifício do jornal Correio Popular, além do Hospital Vera Cruz e do Cine Voga.

É uma década de acontecimentos marcantes. Em 1944, um incêndio destrói o Cine República, e, em 1946, a Biblioteca Municipal inicia suas atividades, ano em que é publicado o jornal A Defesa. Em 1948 é fundado o Coral Pio XI e a Orquestra Filarmônica de Campinas realiza seu primeiro concerto. É inaugurado o Estádio Moisés Lucarelli, o Edifício dos Correios e Telégrafos e a Via Anhanguera. Em 1949, institui-se a Semana Carlos Gomes e o Agronômico sedia a primeira reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). São efemérides que coroam a história e ajudam a solidificar uma Campinas rica e progressista.

Luiz Roberto Saviani Rey é Professor do curso de Jornalismo da PUC-Campinas e autor dos livros: A maldição dos eternos domingos sem derby (romance de costumes); O retiro antes da Laguna – Taunay em Campinas (romance histórico); O menino herói da Guerra Paulista – O bombardeio de Campinas (romance histórico) e A crônica é jornalística e brasileira (didático).

Mundo sem fronteiras? Livro-reportagem reabre debate sobre refugiados

Valeria Graziano se formou em Jornalismo na Universidade, trabalhou na ONU e, hoje, pesquisa questões que envolvem migrações e refúgios. Valeria conversou com o Jornal da PUC-Campinas sobre a imigração forçada, direitos humanos e xenofobia. Segundo ela, pesquisas mostram que o aumento da xenofobia na Europa, por exemplo, acontece justamente em momentos de crescimento econômico. Por isso, segundo Valeria, “a associação direta entre crise econômica e financeira com o aumento da hostilidade é uma falácia”. Confira a entrevista completa.

Por Amanda Cotrim

O ano era 2006. Valeria Graziano tinha 21 anos e estava no último ano da graduação de Jornalismo, na PUC-Campinas. Preparava-se para a realização do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Embora tenha decidido estudar jornalismo, Valeria sempre gostou das relações internacionais. Pensar questões relacionadas às migrações forçadas, conflitos armados, direitos humanos e globalização, balançava e ainda balança o coração da jornalista. A partir disso, não teve dúvidas: decidiu unir o jornalismo e as relações internacionais. O resultado foi o livro-reportagem “A esperança além da fronteira”, que teve orientação do Prof. Dr. Glauco Cortez. Em seu livro, Valeria contou a história de quatro seres humanos, de quatro países: Congo, Colômbia, Sérvia e Irã. Personagens/vítimas de guerra civil, conflito armado, perseguição étnica e religiosa. “Diferentes origens. Diferentes problemas. Mesmo destino: Brasil. Chegaram aqui sob a condição de refugiados. Ao atravessar a fronteira, os problemas não desapareceram. Apenas transformaram-se”, diz o livro. “Muitas vezes, os imigrantes são alvo de preconceito e intolerância no país que o ‘acolheu’”, denuncia Valeria. Para ela, a falta de acesso a informações sobre guerras e conflitos nessas partes esquecidas do planeta faz com que suas consequências se tornem também desconhecidas.

Valeria Graziano, ex-aluna da PUC-Campinas/ Crédito: Arquivo Pessoal
Valeria Graziano, ex-aluna da PUC-Campinas/ Crédito: ACNUR Brasil/V. Graziano

A relação de Valeria com os direitos humanos não se esvaziou no Trabalho de Conclusão de Curso. Depois de formada, a ex-aluna da PUC-Campinas trabalhou no Departamento de Comunicação da Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados no Brasil – Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e defendeu seu mestrado em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional, pela Universidade de Brasília. Atualmente, estuda Cultura, Política e Identidades na Universidade de São Paulo. Em 2015, quase 10 anos depois de Valeria ter escrito seu livro, o tema continua atual.  Confira a entrevista que o Jornal da PUC-Campinas realizou com a ex-aluna.

Por que esse tema “provocou” você enquanto cursava o último ano de graduação em Jornalismo?

Eu tinha 21 anos, estava no último ano da graduação em Comunicação Social – Jornalismo. Embora tenha decidido estudar jornalismo, sempre gostei muito do campo das relações internacionais e de pensar questões relacionadas às migrações forçadas, conflitos armados, direitos humanos e globalização. Cheguei à conclusão de que poderia unir as duas áreas para desenvolver meu TCC.

Conforme eu pesquisava os conflitos armados contemporâneos, ia descobrindo a realidade extremamente difícil em que vivem milhões de refugiados por todo o mundo, os quais sofrem ameaças permanentes, violências de todo tipo e violações sistemáticas de direitos humanos. E onde estavam esses conflitos e essas histórias na mídia tradicional brasileira? Naquela época, o grupo de refugiados que mais crescia no Brasil era o de colombianos. Apesar disso, a crise humanitária vivida no país vizinho era (e ainda é) invisibilizada pela mídia tradicional brasileira, que continua a comprar grande parte das matérias para seus cadernos internacionais de agências estrangeiras, as quais estão totalmente inseridas na lógica de interesses do capitalismo global. Cheguei à conclusão de que narrar as histórias de vidas de refugiados seria uma forma de dar visibilidade aos milhões de excluídos e vítimas diretas dessa nova ordem internacional, que continua a resultar em aumento de conflitos armados, guerras civis, perseguições a minorias étnicas e religiosas, torturas e massacres pelo mundo, os quais são constantemente ignorados pela mídia brasileira. Essa inexistência de informações sobre tais conflitos e de um debate crítico na mídia tradicional sobre suas causas, responsabilidade dos países desenvolvidos e dos organismos internacionais, bem como as consequências para a população civil, resultam em preconceito, intolerância e violência contra as principais vítimas dessa lógica: os refugiados.

 No livro você conta a história do Abdul*, que tinha 21 anos e nasceu no Irã, da Ana*, da antiga Iugoslava, da Karen*, da Colômbia, que na época tinha 17 anos e do Johnnie*, da República Democrática do Congo. Como foi o processo de apuração e do contato com as fontes? Você já conhecia essas pessoas?

(*) Os nomes dos refugiados das entrevistas foram trocados por questão de segurança.

Não, eu não conhecia nenhum deles. Aliás, até então, nunca tinha tido contato com nenhuma pessoa na condição de refúgio. Entrei em contato com a Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, que é uma das organizações não governamentais que trabalha em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) no Brasil para prestar assistência humanitária e apoiar no processo de integração dos refugiados que chegam ao país. Estive diversas vezes no Centro de Acolhida para Refugiados mantido pela Cáritas, na cidade de São Paulo, em que pude conversar com os funcionários e também com refugiados que chegavam ao local. No processo de definição das histórias que contaria no livro, considerei importante abordar histórias de refugiados que chegavam de diferentes regiões e que fugiam por motivos diversos. Conto no livro a história de um refugiado da República Democrática do Congo, que fugiu da guerra civil que assolava o país na virada do século; de uma refugiada da Colômbia, país que vive uma situação de conflito armado e violência generalizada; de uma refugiada da Sérvia, que sofreu perseguição étnica durante o conflito nos Balcãs, na década de 1990; e de um refugiado do Irã, que foi vítima de perseguição religiosa em seu país, na década de 1980.

Foi muito importante durante esse processo o contato com o escritório do ACNUR, em Brasília, para que eu pudesse entender as questões jurídicas, ou seja, os tratados internacionais e legislações nacionais relativas ao tema, a ter acesso às estatísticas oficiais sobre refúgio no mundo e no Brasil, e a entender melhor como funciona o trabalho desenvolvido pelo ACNUR e a articulação com as instituições nacionais – governamentais e não governamentais – envolvidas no processo de acolhida, reconhecimento do status de refugiado e no processo de integração local.

Qual foi o maior desafio na realização do livro reportagem?

Realizar as entrevistas e fazer com os refugiados contassem em detalhes suas histórias com certeza foi o maior desafio, especialmente com relação àqueles que estavam a menos tempo nessa condição de refúgio, já que era muito difícil para eles relembrar todo o sofrimento vivido, a perda de familiares e amigos, as violências de que foram vítimas, tudo que deixaram para trás.

O que mais tocou você?

Todas as histórias me tocaram muito, não tem como não se sentir chocada diante de tanta injustiça, violência, violação de direitos básicos, e indignada ao lembrar que os responsáveis pelas decisões políticas nacionais e internacionais que geraram tais situações de violência generalizada ou perseguições individuais em sua maioria seguem impunes.

Ainda tem contato com as personagens/vítimas?

Não. Logo depois que terminei a graduação, me mudei para Brasília e acabei perdendo o contato com eles.

Precisamos de uma democracia que seja verdadeiramente intercultural/ Crédito: Arquivo Pessoal
Precisamos de uma democracia que seja verdadeiramente intercultural/ Crédito: ACNUR BRASIL/ V. Graziano

Apesar de o seu livro ter sido escrito em 2006 (há quase 10 anos), o tema ainda é bem atual.

Infelizmente, ainda é muito atual. Naquele ano em que escrevi o livro (2006), o total da população de preocupação do ACNUR (refugiados, solicitantes de refúgio, deslocados internos, apátridas) chegava a 19 milhões – incluindo 9,2 milhões de refugiados reconhecidos pela ONU e 5,6 milhões de deslocados internos, que são aquelas pessoas que são obrigadas a fugir pelos mesmos motivos que os refugiados, mas que não chegam a atravessar fronteiras internacionais, ou seja, fogem para outras regiões dentro do seu próprio país. De acordo com os últimos dados, esse total ultrapassa atualmente 42 milhões pessoas. No dia 20 de junho, quando é celebrado o Dia Mundial do Refugiado, o ACNUR lançou seu relatório anual e apresentou números ainda maiores. O que chamou minha atenção ao comparar os números de 2006 com os atuais é o impressionante crescimento no número de deslocados internos, o que revela não apenas mudanças nas características dos conflitos, mas também as consequências das políticas migratórias cada vez mais rígidas nos países desenvolvidos e o aumento da intolerância e da xenofobia em todo o mundo na última década. E, ainda, o contínuo crescimento da população total de preocupação do ACNUR demonstra o grande fracasso da resposta da comunidade internacional diante do aumento das situações de conflito armado e de crises humanitárias nas últimas décadas. Embora tenham crescido em número e tipos as operações de paz e humanitárias da ONU em todo o mundo, a população civil continua a ser a principal vítima desses conflitos.

A partir da sua experiência na área profissional e acadêmica, como você avalia o clima de hostilidade que os brasileiros vêm promovendo em relação aos imigrantes, principalmente os oriundos de países ditos mais pobres, como Haiti e da África? Por que isso ocorre e o que deve ser feito para combater a intolerância e o preconceito em relação aos imigrantes?

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que esse aumento da hostilidade com relação ao estrangeiro, o aumento da xenofobia e da violência contra o imigrante ou refugiado, infelizmente é percebido atualmente não apenas no Brasil, mas em muitas partes do mundo, especialmente após os atentados terroristas no início do século nos Estados Unidos (2001), Madri (2004) e Londres (2005). Esses atentados legitimaram e deram força aos discursos mais conservadores e que têm resultado em políticas migratórias mais rígidas, bem como na criminalização e na securitização da questão da imigração. As correntes políticas anti-imigratórias passam a articular terrorismo, crimes transnacionais e imigração irregular, e a noção de ameaça iminente e a necessidade de proteger o Estado contra essas ameaças fazem com que esses discursos se proliferem. Assim, passam a fazer associar “islamismo” e “terrorismo”, por exemplo, e chegam a resgatar o discurso da “pureza racial europeia”, o qual num passado bastante recente resultou em grandes tragédias para toda a humanidade. É importante ressaltar, ainda, que algumas pesquisas mostram que o aumento da xenofobia na Europa, por exemplo, acontece justamente em momentos de crescimento econômico, por isso a associação direta entre crise econômica e financeira com o aumento da hostilidade é uma falácia, a questão é muito mais complexa. Não são as lógicas econômicas e financeiras diretamente que geram essa hostilidade – aliás, os trabalhos realizados por imigrantes têm sido fundamentais para o crescimento econômico em muitos países desenvolvidos -, mas as decisões políticas nacionais e no âmbito dos organismos multilaterais, as quais resultam em processos de exclusão social, étnica e cultural. Por isso entendo que o aumento da xenofobia é um problema político, social e cultural, e não apenas econômico, embora todas essas lógicas estejam intrinsicamente relacionadas.

Falando especificamente do Brasil, o que existe é um grande desconhecimento com relação aos conflitos contemporâneos e às situações que resultam em crises humanitárias, violência generalizada e perseguições. Esses conflitos e crises são ignorados pela mídia tradicional do país e, quando aparecem nas notícias são tratados a partir das informações oficiais produzidas por governos ou pelas agências internacionais, o que resulta em uma postura pouco ou nada crítica por parte da mídia e no tratamento superficial dessas questões. Como consequência, existe também um grande desconhecimento sobre o que é ser refugiado. E o desconhecimento, somado ao crescimento dos discursos políticos anti-imigratórios que associam a imigração irregular com o terrorismo e com crimes transnacionais, resulta em medo, preconceito, violência, xenofobia.

Por isso é tão importante e urgente o debate sobre a regulação da mídia no Brasil. É preciso repensar o papel e a responsabilidade dos veículos de comunicação. É fundamental também o investimento em políticas públicas nas mais diversas áreas que promovam a educação intercultural, políticas públicas que não apenas incluam a diferença de maneira formal e burocrática, mas que promovam a valorização e a inclusão dessa diferença nas estruturas do Estado e da sociedade. Os discursos oficiais sobre diversidade ou multiculturalismo revelam-se insuficientes e continuam restritos aos âmbitos da educação e da cultura. É preciso pensar essa questão da diferença de maneira mais ampla, com vistas a construir uma democracia que seja verdadeiramente intercultural.

O aumento da xenofobia é percebido não apenas no Brasil/ Crédito: Arquivo Pessoal
O aumento da xenofobia é percebido não apenas no Brasil/ Crédito: ACNUR BRASIL/ V. Graziano

Em sua opinião, por que o Brasil é uma escolha para esses imigrantes?

Temos que diferenciar as migrações da condição de refúgio. Embora a imigração também seja em geral forçada, ou seja, as pessoas se sentem pressionadas pelas condições econômicas e sociais a abandonar seus lares para tentar construir uma nova vida em outros países, ainda assim é uma condição diferente do refúgio. No caso do refúgio, a pessoa não tem escolha, ou ela foge, ou vai morrer, seja por um contexto de violência generalizada, ocasionada por um conflito armado, por exemplo, seja por uma perseguição individual devido à sua religião, etnia, orientação sexual, etc. No caso do refúgio é muito difícil que a pessoa consiga escolher o país de destino. Ela está vivendo uma situação de ameaça, de perigo iminente, e foge para onde consegue. Na década de 1980, cresceu significativamente o número de refugiados angolanos no Brasil, os quais fugiam da guerra civil e chegavam ao país pela proximidade linguística e cultural. Chegam também refugiados de diversos outros países africanos, muitos deles vêm escondidos em porões de navios e descobrem que estão no Brasil somente ao desembarcar. No caso da Colômbia e do Haiti, a proximidade geográfica contribuiu para a vinda de uma significativa população para o país. Além disso, muitos outros refugiados chegam ao Brasil por meio do programa de reassentamento do ACNUR, ou seja, chegam como refugiados em países e por algum motivo não podem continuar nele – seja porque esses países não reconhecem seu status de refugiado ou porque continuam a sofrer ameaças -, eles são reassentados pelo ACNUR em um terceiro país, e o Brasil faz parte desse programa de reassentamento.

Numa situação como essa, percebemos que o mundo não é tão sem fronteiras assim…

Não mesmo. Tenho pesquisado bastante sobre essas contradições inerentes à globalização – ou melhor, globalizações, no plural – e, em especial, à sua fase mais recente, marcada pelo capitalismo global. Embora esses processos mais recentes relacionados ao fenômeno da globalização tenham criado um fluxo de capitais e mercados sem precedentes, as fronteiras se fecham cada vez mais para os seres humanos. É preciso lembrar que a globalização é um processo bastante desigual, assimétrico. Enquanto uma minoria, especialmente em países desenvolvidos, se beneficia das facilidades promovidas pela globalização, por outro lado, as fronteiras têm se tornado muito mais rígidas para as populações mais pobres do planeta, as quais deixam para trás suas famílias para tentar construir uma nova vida em outro país, mas que acabam barradas pelas políticas migratórias. As barreiras são cada vez mais altas e fortes especialmente naqueles países responsáveis pelas decisões políticas e econômicas tomadas no âmbito dos organismos internacionais e que resultam em intervenções e conflitos internos. E, quando as vítimas desses conflitos conseguem atravessar uma fronteira internacional, as barreiras permanecem não mais como um muro de concreto, mas a partir da criminalização de sua condição e de sua identificação como imigrante ilegal e, de maneira mais profunda e complexa, na forma de barreiras simbólicas, ou seja, os imigrantes e refugiados continuam a sofrer com as políticas migratórias rígidas, que dificultam a integração, a busca por um trabalho, com a violência do Estado, e também com a xenofobia e o preconceito das populações locais. As fronteiras simbólicas estão ali, presentes no dia a dia de um migrante ou refugiado. Estamos muito longe da possibilidade de construção de uma cidadania universal, embora os entusiastas da globalização falem em desaparecimentos de todas as fronteiras.

SERVIÇO:

O livro A Esperança além da Fronteira, de Valeria Graziano, está disponível para consulta na biblioteca da PUC-Campinas, no Campus I da Universidade.

Informações em: (19) 3343-7058