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A influência da mídia nos hábitos alimentares

Se o público não está preparado para ser crítico da publicidade, a influência da mídia será ainda maior

Por Amanda Cotrim

As telas contemporâneas estão no dia a dia das pessoas: televisão, revista, jornal, computador, outdoor. São vitrines as quais influenciam o cotidiano. Como toda vitrine, há um vendedor – a Publicidade -, um instrumento importante para a propagação de hábitos de consumo e alimentares. Ela é parte de um sistema que estabelece um padrão de consumo. “Ainda que a publicidade não tenha toda a responsabilidade, ela tem grande influência pela sua capacidade de persuadir a sociedade”, defende o docente da Faculdade de Publicidade e Propaganda da PUC-Campinas, Prof. Dr. João Brito.

Prof João Brito é docente no curso de Publicidade e Propaganda/ Crédito: Álvaro Jr.
Prof João Brito é docente no curso de Publicidade e Propaganda/ Crédito: Álvaro Jr.

Para o docente, a propaganda cumpre uma função comercial, por isso, é tão difícil identificar no dia a dia o que é e o que não é publicidade. Pensando em mídias como televisão, que está no cotidiano das pessoas, essa distinção torna-se ainda mais difícil para a população: “A propagação de hábitos alimentares em novelas é uma grande influência social, porque quando o público vê uma celebridade consumindo, ele toma aquilo como uma atitude a se seguir”, compara.

Trata-se de um sistema: a novela levanta a bola e a publicidade corta. O telejornalismo faz a mesma coisa: as notícias angustiantes cumprem certo papel, porque depois vêm os comerciais que vão amenizar o que passou no jornal”, critica.

E quando a “audiência” são crianças? A responsabilidade da mídia aumenta? Para João Brito, sim. “Se o público não está preparado para ser crítico da publicidade, ele vai ser influenciado. Por isso, o mais importante é uma educação crítica sobre o papel da mídia desde cedo”, defende.

Em 2014, foi aprovada resolução que classifica como abusiva todas as formas de “publicidade e comunicação mercadológica destinadas à criança, com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço”, diz o texto.

Quando o assunto é hábitos alimentares e crianças a publicidade tem ainda mais influência, mesmo que a peça publicitária não seja direcionada exclusivamente para uma criança. “Ela pode assimilar a propaganda mesmo não sendo para ela. No entanto, é preciso dizer que isso não aconteceria se houvesse uma regulação ética e legal da mídia, e que não fosse vista como censura, para que as pessoas tenham discernimento sobre o que elas devem consumir desde cedo”.

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A regulamentação, segundo o professor de Publicidade e Propaganda, resolve uma parte, mas não tudo. Para ele, é preciso que a família se coloque como responsável e que ela saiba que a mídia influencia a sociedade e quando ela está fora das normas da Constituição Federal. “As pessoas não costumam gostar muito de falar sobre Constituição, Direitos, Educação. Só uma consciência crítica vai diminuir a influência da mídia sobre a população”, aposta. “A questão é: existe interesse para que o consumidor seja instruído?” questiona o docente.

Responsabilidade das indústrias de alimentos

Apesar de segmentada, vem despontando um nicho de pessoas que valoriza a boa alimentação e a mudança nos hábitos alimentares. “As empresas alimentícias têm tido mais consciência para amenizar os problemas de alimentos de má qualidade. Temos produtos um pouco melhores e uma possibilidade de consumo mais saudável. Mas, qual é o alcance disso?” interroga o docente, fazendo referências às classes sociais que não podem comprar produtos saudáveis, porque são mais caros.

“Um exemplo de que as empresas estão percebendo que precisam ter uma responsabilidade social, foi uma propaganda de uma marca de refrigerante em uma revista. Nela, o pai mostrava para o filho beber menos refringentes e ter um consumo consciente. Foi uma mensagem sutil, mas quando a empresa reconhece a sua responsabilidade, é um avanço”.

Para o docente, a mídia não deveria educar tanto a sociedade. “Hoje, a TV educa mais que um professor em sala de aula. Na aula, por mais que o professor se esforce a TV é como se fosse uma verdade. Quem está na TV é porque chegou lá e aquilo forma a nossa opinião”, constata.

“O caminho para mudar esse cenário é a educação crítica sobre a mídia e uma regulamentação. As empresas não podem fazer o que querem na TV e na Rádio, que são concessões públicas. Eu defendo um equilíbrio. Temos de estar vigilantes para não nos deixarmos influenciar tanto pela publicidade”.

 

 

 

Artigo: Para além da Universidade

Por Lucas Jerônimo

As possibilidades pretendidas desde o ingresso na Universidade norteiam a relevância obtida a partir de um projeto de Extensão, consolidado por uma necessidade externa e de mesmo modo pela potencialidade possível a partir da experiência acadêmica. O projeto “Reflexões Críticas Sobre a Mídia no Processo de Educomunicação” é um desses exemplos.

Lucas participou do projeto de Extensão “Reflexões Críticas Sobre a Mídia no Processo de Educomunicação". Crédito: Álvaro Jr.
Lucas participou do projeto de Extensão “Reflexões Críticas Sobre a Mídia no Processo de Educomunicação”. Crédito: Álvaro Jr.

O objetivo é compreendido a partir da construção coletiva, quando os conhecimentos absorvidos em sala de aula são transportados para o lado de fora, em uma via de mão dupla. Essa vivência se torna ainda mais motivadora quando a partilha se dá para a construção de novos contextos formativos, para a educação, e para a relação essencial entre esta e as perspectivas dadas pelo advento de novas mídias, em constante transformação.

É possível materializar essas observações a partir da vivência in loco, como no caso desse projeto, em que a transferência e partilha de conhecimentos se dão com professores do Ensino Fundamental e Médio que se dispõem à integração por meio de oficinas temáticas acerca do tema central do Projeto de Extensão Universitária.

Nesse sentido, repensar a dinâmica do nosso processo de formação passa a ser fator essencial. É quando a técnica ganha corpo e movimento que percebe-se de que forma a atuação do estudante de Extensão se destaca para além da grade curricular, e a vivência universitária passa a ser agregada não só como a repetição de conteúdos e o cumprimento de metas probatórias.

Como eixo condutor da experiência de Extensão está a aproximação de realidades diversas àquilo que, às vezes, está limitado a vivências pessoais e de caráter privado, ou seja, o que se enquadra em limites que já não contemplam a necessidade. A vivência comunitária é transformadora, mas só quando a universidade se integra e não apenas aplica a “receita pronta” de como deve ou não ser.

O conhecimento e a produção acadêmica com a comunidade ampliam, sobretudo, as fronteiras e podem evidenciar profissionais egressos com possibilidades de atuação social superiores.

 

Extensão: a relação entre Universidade e Comunidade externa

Por Duílio Fabbri

Aprender a ler imagens e a compreender os seus possíveis sentidos tornaram-se habilidades necessárias para desenvolver a capacidade de interagir com o mundo de forma consistente e consciente. No Projeto de Extensão “Reflexões críticas sobre a mídia no processo de educomunicação”, desenvolvido junto aos professores da Escola Estadual Prado e Silva, tem-se como perspectiva o fato de que aprender sobre o mundo editado pela mídia, a ler além das aparências; a compreender a polifonia presente nos enunciados da narrativa midiática não são tarefas fáceis, mas desejáveis para uma leitura crítica do mundo. Da mesma forma, discutir a responsabilidade social dos veículos de comunicação, compreender as intrincadas relações de poder que estão por trás de sua composição, além de capacitar professores e alunos para entender os sentidos, o significado implícito no discurso midiático, também é papel da Extensão.

Lucas Jerônimo e o Coordenador do Projeto Duílio Fabbri- Crédito: Álvaro Jr.
Lucas Jerônimo e o Coordenador do Projeto Duílio Fabbri- Crédito: Álvaro Jr.

Do ponto de vista institucional, entendendo a Universidade formada por um tripé em que se integram Ensino, Pesquisa e Extensão, este projeto não só se relaciona e contribui para o projeto pedagógico do Curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), bem como com as diretrizes de Extensão difundidas pela Instituição. O projeto pertence ao eixo aglutinador Cultura e Arte, cujo cerne é aplicar concretamente, via Extensão, o conhecimento produzido e existente na Universidade no enfrentamento, nas reflexões críticas do mundo que nos acerca e no entendimento de novas tecnologias e linguagens. Como professor de Extensão, responsável pelo projeto, conto com dois alunos bolsistas, que têm tarefas específicas, com aderência à Faculdade de Jornalismo, em que os mesmos estão a aplicar e a desenvolver os conhecimentos da área estudada.

 

Duílio Fabbri é extensionista e diretor adjunto do curso de Design Digital

Lucas Jerônimo – extensionista

Ciência e Mídia estão na mesma estrutura mercadológica

Por Amanda Cotrim

Depois que o cineasta brasileiro Fernando Meirelles abordou a dificuldade dos cientistas em se comunicarem com o público, durante o Congresso Brasileiro de Unidade de Conservação, em setembro, a relação entre mídia e ciência voltou a ganhar contornos nos debates entre cientistas e jornalistas. Como falar sobre temas tão complexos para o grande público? De quem é a responsabilidade pela divulgação científica?

Edson Rossi: "sem o jornalismo de ciência, é a sociedade que perde". Crédito: Álvaro Jr.
Edson Rossi: “sem o jornalismo de ciência, é a sociedade que perde”. Crédito: Álvaro Jr.

Nessa relação entre cientistas e jornalistas existe uma assimetria de expectativa. O jornalista busca uma coisa e o cientista outra. Essa é a conclusão que chega o professor de Jornalismo da PUC-Campinas, Edson Rossi, que tem mais de 30 anos de experiência no mercado da notícia. “O objetivo do jornalista não é tratar o assunto com a densidade e o espaço que o pesquisador dedica. O profissional de imprensa vai lidar com o assunto, no máximo, por algumas horas. Se o pesquisador não entender minimamente como a imprensa funciona, ele terá dificuldade de lidar e não ficará satisfeito com o resultado final”.

Profa. Dra. Vera Placido, docente no curso de Geografia- Crédito: Álvaro Jr.
Profa. Dra. Vera Placido, docente no curso de Geografia- Crédito: Álvaro Jr.

A Profa. Dra. Vera Placido, docente no curso de Geografia da PUC-Campinas destaca que, no nosso atual contexto territorial em que as informações chegam de diferentes formas e se utilizam de meios também distintos, é fundamental que a ciência se aproxime da mídia, em especial dos profissionais de jornalismo, para se pronunciar de forma mais imediata e esclarecedora possível. “Eu acredito que é possível uma aproximação em prol de objetivos convergentes, como é o caso de informar corretamente, num primeiro momento e, posteriormente, contribuir com o processo de formação cultural da sociedade como um todo”, considera.

“O objetivo do jornalista não é tratar o assunto com a densidade e o espaço que o pesquisador dedica. O profissional de imprensa vai lidar com o assunto, no máximo, por algumas horas. Se o pesquisador não entender minimamente como a imprensa funciona, ele terá dificuldade de lidar e não ficará satisfeito com o resultado final”

No que tange as questões ambientais, segundo a professora Vera, essa aproximação se torna ainda mais necessária, já que o ambiente envolve a todos e impacta a qualidade de vida. “Divulgar corretamente o que está acontecendo, bem como as medidas que possam ser adotadas no sentido de mitigar os impactos, é função não apenas de uma mídia comprometida, mas da própria ciência que deve contribuir com informação segura sobre os diversos temas, esclarecendo a população sobre o seu papel e sua função”, enfatiza.

Além de uma questão de linguagem, a relação conflituosa e desconexa entre cientistas e jornalistas é resultado da complexa estrutura que começa desde a universidade. Essa é a questão colocada pela Pesquisadora em Comunicação e docente no Centro de Linguagem e Comunicação da PUC-Campinas, Profa. Dra. Márcia Rosa. Para ela, a produção científica e a produção jornalística estão inseridas em universos parecidos e por isso divergem. Ambas as produções são reguladas por uma estrutura mercadológica, segundo ela. “Muitas vezes, o pesquisador não está preocupado e nem tem interesse na divulgação científica do seu trabalho pela mídia. Ao contrário, a divulgação até pode atrapalhar que esse pesquisador consiga novos financiamentos. Então, o cientista está numa estrutura de mercado em que ele também compete com a imprensa. O pesquisador precisa publicar nas revistas científicas, realizar artigos, produzir. Ou seja, os cientistas passam pelas mesmas questões que passam os jornalistas numa redação. Cada um desses profissionais buscará os seus interesses”.

Márcia Rosa- Professora no Centro e Linguagem e Comunicação - Crédito: Álvaro Jr
Márcia Rosa- Professora no Centro e Linguagem e Comunicação – Crédito: Álvaro Jr

Novas formas de comunicar ciência

“Vivemos uma estrutura com paradigmas do século XIX, mas com os jornalistas e cientistas que são do século XX e XXI e isso causa um caos, uma vez que cientistas e jornalistas continuam com hábitos do século XX. Essa estrutura não permite mais que a comunicação se realize de forma passiva entre jornalista e fonte. A relação hoje é dialógica. Em rede. São vários interlocutores e reações”, contextualiza Márcia Rosa.

As redes sociais fazem parte dessa comunicação dialógica e servem como um espaço de embate de versões entre pesquisadores e jornalistas. “Se o jornal disser X, o pesquisador, imediatamente, vai à rede social desmentir o jornal”, avalia o jornalista Edson Rossi.

Com pouco espaço para as notícias de ciência, quem perde é a sociedade, defende Rossi. “Por mais que os conflitos existam, o fato de cotidianamente se falar sobre ciência no jornal, inevitavelmente se formará um público no assunto. Às vezes o pesquisador não quer divulgar nos veículos de massa, apenas revista cientifica segmentada”, constata.

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Para Rossi, “o pesquisador que abre mão do grande veículo de imprensa para se comunicar, pode achar que isso não fará diferença do ponto de vista da pesquisa, mas o que ele pesquisou (o que não deveria ser em causa própria) deixará de ser dividido com as pessoas. O cientista também está deixando de contribuir para a educação científica. É a sociedade que perde”, conclui.

Tese analisa perfis de comunicação política nas redes sociais

O Professor do Centro de Linguagem e Comunicação da PUC-Campinas, Victor Corte Real, defendeu sua tese de doutorado no dia 21 de setembro de 2015,  na Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), sob orientação da Profa. Dra. Heloiza Matos. A pesquisa teve como título: “Perfis de comunicação política nas redes sociais on-line: monitoramento e tipologia das conversações nas eleições presidenciais brasileiras de 2014 no cenário da internet”.

Real utilizou um software de monitoramento para coletar as publicações que fizeram qualquer menção aos principais candidatos à presidência: Aécio Neves, Dilma Rousseff, Eduardo Campos e Marina Silva.

A pesquisa teve como ambiente de análise o site de relacionamento Facebook, pelo fato de ser a rede social com 83% de preferência entre os internautas brasileiros. Mais de um milhão de postagens, feitas por perfis de usuários ou fanpages, foram extraídas durante o período de campanha eleitoral (06/07 a 05/10/2014).

Para interpretar os dados obtidos, o pesquisador construiu um modelo quali-quantitativo de análise dos tipos de comunicação política no ambiente das mídias sociais.

Real afirma que “dentre as principais constatações obtidas, uma das que mais chamou atenção foi o fato de não existir efetivamente conversação entre os usuários, já que mais de 90% das mensagens são manifestações isoladas, não configurando um cenário de diálogo”.

Crédito: Arquivo Pessoal
Crédito: Arquivo Pessoal

Neste sentido, a tese defende que, apesar das pessoas se expressarem com grande intensidade diante dos temas das eleições 2014, elas não estabeleceram debates e nem troca de informação baseada em argumentação e contra-argumentação.

Além disso, o conteúdo das postagens foi baseado, em sua grande maioria, em argumentos de ordem emocional, ou seja, sem mencionar quadros de referência ou construções lógico-racionais diante da visão de mundo atual e futuro dos internautas.

As considerações finais do trabalho sinalizam, portanto, um despreparo dos usuários do Facebook para tratar de questões políticas, bem como uma inconsistência em assumir postura crítica e fundamentada diante do cenário eleitoral de 2014.

Em breve a tese estará disponível para acesso online no acervo da Universidade de São Paulo.

Informações: Centro de Linguagem e Comunicação da PUC-Campinas 

O poder da imagem na era digital

A Morte de Aylan:  a fotografia revela o que as palavras não são capazes de transmitir

Por Nelson Chinalia

No início de setembro de 2015, uma fotografia chocou o mundo e colocou em pauta novamente a força perturbadora da imagem.  A rapidez da circulação de notícias gera, inevitavelmente, opiniões divergentes e coloca em cheque o papel e a responsabilidade da mídia ao difundir uma fotografia que retrata de forma crua a interrupção da inocência e da infância em forma de violência.

A divulgação da imagem da criança morta, seja por veículos de mídia, com diferentes linhas editoriais, seja por usuários de redes sociais, ocorreu em meio a debates sobre a necessidade de expor a imagem tão agressiva. Uma semana antes da divulgação da foto de Aylan, foi encontrado um caminhão com setenta e um corpos em decomposição de refugiados na fronteira da Hungria com a Áustria, provavelmente todos sírios. Nenhuma foto foi divulgada, devido à natureza perturbadora da imagem. Os setenta e um corpos viraram estatística em relatórios oficiais. As imagens destes corpos existem anexadas aos relatórios policiais. São chocantes demais para sair na mídia.

Discussões como essa compreensivelmente resultam num resgate histórico, que compreende não só o papel e a importância do fotojornalismo, mas também evoca memórias semelhantes. Uma criança morta na praia, evidentemente, é uma imagem terrível. Mostra o horror da fuga fatal e inútil da Síria devastada pela guerra.

O choque e a imediata relação nas redes sociais, neste mundo cada vez mais conectado, suscitam a pergunta: Publicar ou não? Devemos, podemos, temos que mostrá-la?

Muitos veículos de comunicação no mundo encontraram motivos convincentes e dignos de consideração para não divulgar esta fotografia. É uma questão de respeito, de consideração à dignidade da criança, da família da vítima, de cuidado da mídia que, não raro, encara embates complexos entre a obrigação de expor e o limite ético.

Nós decidimos mostrá-la. Não por sensacionalismo, não para obter quantidade de cliques, não para aumentar nosso alcance na TV. Nós a divulgamos porque oferece um símbolo à tragédia dos refugiados: o da criança inocente, pela qual os pais decidiram seguir um perigoso caminho, arriscando a vida para dar-lhe um futuro humano melhor, que terminou de forma fatal no mar.

Nós a divulgamos porque ela nos abalou e nos deixou mudos e pensativos em nossa reunião de pauta, tocados pelo sofrimento e pela morte. Nós a mostramos, porque nos fez sofrer e, no meio da agitação de nosso cotidiano jornalístico, nos levou a um instante de reflexão. Diante desta imagem os editores responsáveis por seus veículos tiveram que optar pela força da comunicação que a fotografia revela o que as palavras não capazes transmitir: nossa condição de impotência diante da dor daquela família. Os editores decidiram pela publicação no limite da responsabilidade e do senso ético e em meio a muita indignação.

Quantas leituras estas imagens dos refugiados podem nos proporcionar? De imediato, causa indignação, tristeza, repulsa e até mesmo a crença no fim da humanidade. O pano de fundo destas guerras e conflitos, a fome, as mortes e a violência são resultados da dinâmica capitalista que se nutre de vidas, da desigualdade e do sofrimento. As fotografias desnudam a triste realidade que nos cerca, a imagem do garoto Aylan é a síntese de tudo. Lembro-me do trabalho de Sebastião Salgado, tão sensível e profundo que remete à frase “é preciso mudar a sociedade para que estas imagens não mais existam”.

Seja a imagem de Aylan, a foto-ícone da menina de nove anos fugindo nua, após bombardeio na guerra do Vietnã, ou a foto de Kevin Carter, que fotografou um menino desnutrido com um abutre postado às suas costas, são imagens que nos perturbam e comovem porque individualizam a tragédia. Colocam sobre os ombros frágeis de um personagem a representação de todos que foram vítimas do mesmo infortúnio.

Foto de Nick Ut, que tornou-se ícone da Guerra do Vietnã
Foto de Nick Ut, que tornou-se ícone da Guerra do Vietnã

A Europa mudou após a publicação da Imagem de Aylan: governantes agiram rápido, países europeus já discutem aceitar cotas de refugiados.

Kevin Carter foi perseguido e condenado por sua “frieza”, pagando com a própria vida/ Reprodução
Kevin Carter foi perseguido e condenado por sua “frieza”, pagando com a própria vida/ Reprodução

Talvez por isso a imagem de Aylan possa ser matriz de um movimento, enfim, mais humano em direção aos refugiados que desertam de uma indignidade e deparam com outra. O garotinho de três anos, que só conheceu a fuga e a rejeição como modo de vida, já inspirou alemães e finlandeses a oferecer suas casas a refugiados. Aylan não foi salvo, mas seu sacrifício e o registro em imagens de seu fim podem salvar muitas vidas.

A era digital se estabelece na mídia e o papel da imprensa de uma maneira geral volta a ser discutida. Antes, a informação precisava ter um suporte físico (papel, frequências eletromagnéticas, celuloide etc.), mas agora ela é imaterial (e bits bytes), o que a torna fluida, fácil de ser copiada e transmitida em fração de segundo para milhões de pessoas.

Não temos mais simplesmente leitores, ou espectadores passivos, agora são usuários, com habilidades de comunicação e domínio das ferramentas e plataformas, interagindo com os veículos de comunicação, seja compartilhando conteúdo ou estabelecendo diálogo com o mesmo. Com a grande rede mundial, as pessoas reagem de pronto. Rápida como a imagem símbolo de Aylan, que agora vive na nossa memória como a imagem da imensa massa em fuga de mais uma guerra insana.

Nelson Chinalia é professor de Fotografia e Fotojornalismo da Puc-Campinas, foi editor de fotografia do Correio Popular, ganhou o Prêmio Vladmir Herzog em 1995 com a fotografia “Violência Nua”. Pesquisador Grupo de Pesquisa Memória e Fotografia (GPMeF) da UNICAMP.

 

Religião, ciência e mídia

Por Lindolfo Alexandre de Souza

Há alguns anos o Brasil discutia a licitude e a legalidade do uso de células-tronco embrionárias em pesquisas científicas, época em que o assunto era analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). E naquele momento foram muitos os órgãos de imprensa que cumpriram o que se espera de um jornal, mostrando de forma ética e competente as várias versões do debate, a fim de que os leitores pudessem tirar suas próprias conclusões.

É verdade que há religiosos que ainda hoje desprezam os avanços da ciência. Mas isso não significa que todos os religiosos pensem assim./ Crédito: Álvaro Jr.
É verdade que há religiosos que ainda hoje desprezam os avanços da ciência. Mas isso não significa que todos os religiosos pensem assim./ Crédito: Álvaro Jr.

Outros trabalhos jornalísticos, porém, simplesmente prestaram um desserviço. Não porque mentiam ou manipulavam, mas porque apresentavam uma abordagem bastante limitada e, portanto, parcial. A caricatura era recorrente: de um lado, os religiosos presos aos seus dogmas medievais, contrários aos avanços da ciência; de outro, os cientistas, impedidos de avançar em suas pesquisas e, assim, trilhar o caminho que garantiria o bem da humanidade.

Parte da imprensa não percebia, naquele momento, que o conflito não era, necessariamente, entre religião e ciência. Mas a contradição era mais profunda e se apresentava a partir do confronto entre duas maneiras de analisar a questão, cada qual construída a partir de visões de mundo fundamentadas em pressupostos científicos, filosóficos, éticos e, também, religiosos.

Esse exemplo pode contribuir com a reflexão sobre de que forma os meios de comunicação abordam a relação entre religião e ciência. Em outras palavras, é pertinente questionar se a mídia reforça, ou não, um aspecto central neste debate, que é propor religião e ciência como campos inconciliáveis, excludentes e incompatíveis ou, visto por outro ângulo, como experiências diferentes, com identidades e métodos próprios, mas capazes de estabelecer pontes de diálogo.

Duas razões podem ajudar a entender porque parte da mídia aposta na perspectiva da contradição. O primeiro é identificar algumas pinceladas positivistas no surgimento do fenômeno que, atualmente, denominamos como imprensa. Assim, em contraposição à cristandade medieval onde havia uma hegemonia do discurso religioso em relação às descobertas científicas, a modernidade propôs a inversão deste quadro, atribuindo à razão a tarefa de conduzir o ser humano em busca de suas questões mais fundamentais, relegando a experiência religiosa à categoria de experiência privada. Assim, tanto no mundo medieval como no moderno, ciência e religião ocupam lugares opostos.

Outra explicação está no conceito de valor-notícia, que são os critérios usados pela mídia para discernir se um acontecimento ou assunto merece ser transformado em notícia. Entre referências como proximidade, relevância e novidade, acentua-se a presença da controvérsia e do conflito. Ou seja, quando uma pauta é marcada pela contradição, mais chance ela tem de ser vista como possiblidade de produção jornalística. Desta forma, situações conflitivas entre religião e ciência podem render, nessa perspectiva, boas pautas jornalísticas.

Mas gerar boas matérias jornalísticas não significa, necessariamente, contribuir com a consolidação de um processo mais amplo, por meio do qual o ser humano consiga buscar repostas mais consistentes sobre si mesmo, sobre o outro, sobre o mundo e sobre a sociedade. E, nesse sentido, vale a pena questionar a responsabilidade da mídia ao tomar o princípio da contradição como único elemento de análise.

É verdade que há religiosos que ainda hoje, em pleno Século XXI, desprezam os avanços da ciência. Mas isso não significa que todos os religiosos pensem assim. Da mesma forma, é possível encontrar, também no Século XXI, cientistas capazes de afirmar que a ciência dá conta de responder a todas as questões que dizem respeito à vida do ser humano, desvalorizando qualquer perspectiva de espiritualidade ou de abertura à transcendência. Mas existem, também, cientistas que não encontram incompatibilidade entre a prática cientifica e a experiência religiosa.

Um caminho para superar tal questão, talvez, esteja na provocação proposta por São João Paulo II no primeiro parágrafo da encíclica Fides et Ratio, promulgada setembro de 1998. “A fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, de O conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar também à verdade plena sobre si próprio”.

Lindolfo Alexandre de Souza é diretor da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas e Mestre em Ciências da Religião.

 

Zero no ENEM, humildade zero

Meio milhão de estudantes recebeu nota zero no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), exame que avalia, entre outras, as competências ligadas à produção de uma dissertação. O número causou respostas inflamadas na imprensa: indignação raivosa contra corretores e métodos; lamentos pessimistas quanto à situação do ensino; clamores pelo fim da redação; explicações oportunas sobre a natureza da anulação. Cada uma dessas vozes se apresentou com argumentos mais ou menos coerentes, prefiro aqui me alinhar às últimas, ou seja, comentar o que esses zeros significam de acordo com a lógica do exame e quais hipóteses poderiam explicar as causas do desempenho que causa inevitável desconforto.

Para que uma redação tenha zero, é necessário, excluindo tentativa de sabotar o exame, não seguir o que foi proposto. Na prova 2014, o aluno deveria escrever uma dissertação sobre o tema “Publicidade Infantil em questão no Brasil”, explicado em três textos simples. Portanto, anular, na maioria dos casos, significava não compreender minimamente a proposta, uma vez que há uma escala de pontuação para níveis diferentes de compreensão, e/ou não escrever um texto argumentativo. Não significava, portanto, que o aluno escreveu um texto com problemas na concatenação dos parágrafos, incorreções de grafia.

Se uma porcentagem significativa dos textos revela que alunos do Ensino Médio não conseguiram demonstrar capacidade de cumprir tarefas básicas, estamos diante de um problema nas bases de nossa educação, aliás, bastante sabido e identificado em outras avaliações internacionais de leitura e escrita. Isso é assustador, porque mostra problemas de infraestrutura que parecem não sair do lugar.

Até agora, no entanto, a questão foi abordada de maneira absoluta. Mas, em parte dos casos, pode ter ocorrido uma confusão em compreender e aceitar a delimitação da proposta. Há possivelmente alguns estudantes que consideram o ENEM uma prova autoritária e protestaram não seguindo a proposta, o que é um gesto válido numa democracia. No entanto, elaborar um texto minimamente dissertativo significa também, antes de formar uma opinião sobre um enunciado, entender o que foi afirmado nele.

O que parece uma tarefa fácil, rotineira e óbvia pode estar se tornando rara como prática. O simples gesto de entender o que o outro (a escola, o professor, o aluno, o amigo, o pai) disse ou escreveu tem sido muito difícil nas relações que envolvem o ambiente escolar. As causas podem ser várias: a desvalorização da posição social do professor; a mercantilização das relações escolares, transformando, muitas vezes, alunos e pais em consumidores, e professores e diretores, em prestadores de serviço.

Nesse caso, que pelo menos uma parte desses zeros sirvam de alerta para problemas fundamentais de nossa sociedade. Parece haver alguma proximidade, por exemplo, entre esses problemas e a grande dificuldade que a escola tem encontrado em fazer com que a nova tecnologia disponível seja aplicada numa melhora das competências e habilidades escolares. Por mais que um aluno alcance muitas informações e esteja conectado ao mundo touch, ainda assim parece faltar aprender a aprender. Nem se trata de dizer, como se faz um tanto quanto indiscriminadamente, que os alunos escrevem nas redes sociais, mas usam “vc” em vez de “você”. Talvez, às várias vozes, falte a humildade de tentar entender o básico.

Prof. Dr. Ricardo Gaiotto de Moraes (PUC-Campinas)

Combate ao vírus Ebola e a desinformação sobre a doença

Hospital da PUC-Campinas aplica plano de  contingência para atendimento de casos


Por Amanda Cotrim

O Hospital e Maternidade Celso Pierro (HMCP), mais conhecido como Hospital da PUC-Campinas, está organizado para assistir eventuais pacientes suspeitos de doença pelo vírus do Ebola. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou todos os países para que o plano de prevenção fosse reforçado. Segundo a OMS, o atual surto do vírus se concentra nos países africanos: Libéria, Serra Leoa e Guiné, com 8.376 casos, dos quais, 4.024 são fatais. Atualmente, não há tratamento para a infecção, mas uma vacina está em elaboração pela empresa farmacêutica britânica GSK (Glaxo SmithKline), com previsão para ser disponibilizada em 2016.

De acordo com a Coordenadora da Comissão de Controle de Infecção do Hospital e Professora no curso de medicina, da PUC-Campinas, Dra. Irene Rocha Haber, o HMPC já está se organizando para qualquer eventualidade. “Preparamo-nos por meio de um processo de sensibilização das equipes que atuam nos serviços de Pronto-Socorro do Sistema Único de Saúde (SUS) e Pronto Atendimento de Convênios, para a suspeição de casos, além da criação de fluxos de encaminhamento”, explica.

A chance de ocorrência de um caso de infecção pelo vírus Ebola no Brasil, segundo a Doutora Irene, é pouco provável. “Obviamente numa sociedade globalizada como vivemos, no qual o trânsito de pessoas é extremamente fácil, mesmo sendo uma possibilidade remota, é necessário contar com um plano de contingência. A ocorrência desse caso suspeito no Paraná, depois descartado deixou isso bem claro”, expôs. Para a médica infectologista, é fundamental ter preocupação com a biossegurança, com o uso de equipamentos de uso individual, que oferecem proteção rigorosa ao profissional, além de cuidado com o resíduo ou material proveniente da assistência ao paciente.

Além da prevenção, a Doutora Irene acredita que outro combate também deve ser feito: o combate à desinformação sobre a doença. “Todo evento desconhecido, que acomete a humanidade, causa grande impacto. Contudo, outra forma de encarar o problema é fornecer sua real dimensão, não exagerando, mas também não atenuando essa grave situação de saúde que estamos vivenciando enquanto população mundial, pois a mesma não pode nem deve ser negligenciada”, afirma. Para ela, é natural se ter medo do desconhecido, ainda mais quando ele está relacionado à morte. Contudo, “o equilíbrio é sempre o objetivo e para tal é imprescindível que os órgãos de imprensa repassem com precisão as informações da OMS e, no caso do Brasil, do Ministério da Saúde e de Departamentos de Vigilância em Saúde”, ressalta.

O Vírus Ebola
O vírus Ebola não é novo. Surgiu pela primeira vez em 1976, em alguns países da África, em uma região próxima ao rio Ebola. De acordo com a Doutora Irene, o segundo grande surto ocorreu em 1995 e, novamente, em 2000, 2007 e 2012. Contudo, o número de infectados e mortos, lembra, foi inferior ao surto atual. “Só em agosto, a epidemia foi decretada como emergência de saúde pública internacional”, reforça a médica.


TRANSMISSÃO
O vírus Ebola é transmitido pelo sangue, secreções e fluidos corporais, como o suor e a saliva, inclusive na manipulação de cadáver. A mortalidade pelo vírus pode chegar a 90%. Os sintomas podem aparecer entre dois e 21 dias após a exposição ao vírus, são eles: febre, fraqueza, dores de cabeça e musculares, além de dor de garganta. Esse quadro inicial é seguido de vômitos, diarreia, além de alteração renal e hepática, podendo haver sangramento interno e externo. A confirmação da infecção é feita por exame laboratorial.

Leia Mais:  Campanha destaca papel do jornalismo científico no controle do vírus ebola

Corais Universitários

Para o Regente do Coral Universitário do CCA, é preciso desmistificar os Corais e aproximá-los do público

Com a proposta de juntar várias vozes em uma só sintonia, o Canto Coral rearranja músicas de todos os estilos, com ou sem o acompanhamento de instrumentos musicais. Um trabalho de cooperação, que exercita o corpo e a mente daqueles que se dedicam ao Coro.

Criado em 1983, o Coral Universitário do Centro de Cultura e Arte (CCA) da PUC-Campinas é um importante canal de expressão artística, que une pessoas de diferentes áreas com um interesse em comum: a música. Além da aproximação de estilos diferentes, o trabalho em grupo, colaborativo, e a responsabilidade junto ao regente e aos colegas, servem de auxílio para um futuro início de carreira.

O Coral nas universidades, no entanto, possui algumas peculiaridades. Trabalhar com gente nova pode não ser fácil. É necessário tornar a atividade atrativa aos estudantes. Para isso, o atual regente titular do Coral Universitário do CCA, Nelson Silva, utiliza de meios próprios. “Você tem de jogar com o pessoal, trazendo coisas que eles conheçam, e aí, por outro lado, desafiá-los com uma coisa que eles não conhecem tanto, mas que pode ser interessante conhecerem.”, explica Nelson. Além do repertório, o regente titular do Coral, há nove anos, explica que a rotatividade de um Coral Universitário pode ser um problema, mas nem sempre. “O trabalho do coro é uma atividade que amadurece ao longo do tempo. Você começa com coisas bem simples, que as pessoas têm bastante dificuldade. Essa dificuldade vai diminuindo e a qualidade vai melhorando, você vai criando um núcleo mais forte, mais apto. De repente, esse núcleo desmonta. As pessoas se formam, arrumam estágio, emprego… É um ‘jogo’ que não para”, compara Silva.

O Coral e as Massas

Os Corais não são muito populares no Brasil, e o público nas apresentações é limitado. A falta de acesso da população ao gênero de música coral, segundo o Regente, é porque as pessoas imaginam um Coral como algo ligado à Igreja, à música sacra e músicas de Natal. Silva afirma que isso é um mito. “Os corais, principalmente os coros brasileiros, fazem um trabalho que é diferente, que tem muito a ver com música popular, é um trabalho bem acessível, e também muito rico, porque o cancioneiro popular brasileiro é muito talentoso”, afirma. O tema “Saindo do limbo: Como levar o trabalho dos corais à mídia e às pessoas em geral? foi debatido durante o 28º Encontro de Corais do CCA, no dia 12 de setembro.

O desinteresse da mídia em relação a esse tipo de atividade cultural é, para Silva, o que contribui para uma imagem estereotipada dos Corais. O regente acredita que é um ciclo vicioso, em que o público desconhece o trabalho dos coros por não ter acesso, e a mídia não mostra porque é uma atividade anônima, que ainda não “se vende” no país.

Para participar do Coral Universitário do Centro de Cultura e Arte (CCA) da PUC-Campinas, é necessário se inscrever pelo site, entre os meses de dezembro e março. Há uma seleção para os grupos musicais e um teste de aptidão mínima para o canto.

“O trabalho do coro é uma atividade que amadurece ao longo do tempo”

Apresentação do Coral do CCA da PUC-Campinas
Apresentação do Coral do CCA da PUC-Campinas