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Integração Graduação e Sociedade

Por Caio de Souza Ferreira e Rafael Souza de Faria

Visando inserir o aluno no mundo do trabalho, com a abordagem de problemas reais, a Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD), por meio do Grupo de Trabalho “Integração Graduação e Sociedade”, busca e coordena parcerias com instituições públicas e privadas de modo a proporcionar que os alunos da PUC-Campinas possam exercitar seus conhecimentos em contextos existentes no mundo do trabalho, visando assim o benefício mútuo entre as partes. Constam, aqui, os resultados recentes das duas principais parcerias em funcionamento, com a Secretaria Municipal do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SVDS) e com o Ministério Público Federal (MPF).

A parceria com a SVDS trouxe muitos frutos no ano de 2016. Foram desenvolvidos vinte e cinco estágios supervisionados, sete trabalhos de conclusão de curso e dois projetos de extensão, envolvendo mais de cinquenta alunos, de quatro faculdades diferentes. Todos estes trabalhos trouxeram uma oportunidade única aos alunos participantes de terem contato direto com situações reais da esfera política ambiental de nosso município e de terem acompanhamento de um coorientador / cossupervisor membro do corpo técnico da SVDS. Temas como monitoramento de áreas degradadas, revegetação de matas ciliares, certificação de construções sustentáveis, amenização das ilhas de calor e propostas de parques lineares estiveram em pauta nos trabalhos desenvolvidos. Nas palavras do Secretário Rogério Menezes, “a parceria da Universidade com a Secretaria tem enriquecido muito o trabalho da SVDS. Essa relação é uma oportunidade de formar futuros técnicos e vê-los integrados à equipe da Secretaria”.

A parceria com o Ministério Público Federal (MPF) não foi diferente e também trouxe muitos resultados importantes para a PUC-Campinas e uma ampla gama de participantes. Sete faculdades participaram da parceria, envolvendo mais de setenta alunos com Trabalhos de Conclusão de Curso e mais de setenta alunos com Estágios Obrigatórios, além de mais de trezentos alunos de disciplinas curriculares que tiveram uma abordagem prática de seu conteúdo teórico envolvendo um problema de interesse do MPF, como foi o caso do georreferenciamento das unidades escolares do município. Outros temas, como projetos de sistemas construtivos para o sistema prisional, atendimento odontológico e psicológico aos prisioneiros, atuação da fisioterapia no serviço de saúde, trouxeram experiências ímpares aos alunos da PUC-Campinas, preparando-os de maneira diferencial para sua atuação profissional.

Balanço das parcerias apresentado pelo Pró-Reitor de Graduação, Prof. Dr. Orandi Mina Falsarella/ Crédito Álvaro Jr.

Novas parcerias vêm sendo aprovadas e almejam aumentar o número de possibilidades de aprimoramento da Graduação. Para o ano de 2017, está prevista a formalização das parcerias com a Mata Santa de Santa Genebra, com o Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira, com o Instituto Padre Haroldo e com a Secretaria Municipal de Comunicação de Campinas. Os docentes integrantes deste grupo gestor, se colocam à disposição para orientação sobre os procedimentos para participação nas parcerias existentes e para a constituição de novas parcerias.

Prof. Dr. Rafael Souza Faria leciona na Faculdade de Ciências Biológicas, na Faculdade de Engenharia Ambiental e na Faculdade de Engenharia Civil. 

Prof. Me. Caio de Souza Ferreira leciona na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo

Confira as demais reportagens sobre a parceria, clicando aqui e aqui. 

Profa. Dra. Mariangela Cagnoni Ribeiro

(Coordenadora de Graduação) – cagnoni@puc-campinas.edu.br

Prof. Caio de Souza Ferreira

(Coordenador do Grupo) – caio.ferreira@puc-campinas.edu.br

Prof. Rafael Souza de Faria – rafael.faria@puc-campinas.edu.br

Profa. Luciana Gurgel Guida Siqueira – lgurgel@puc-campinas.edu.br

Prof. José Antonio Bernal Fernandes Olmos – olmos@puc-campinas.edu.br

Profa. Cristina Reginato Hoffmann – hoffmann@puc-campinas.edu.br

Convênio com PUC-Campinas ajuda MPF em processos do Programa Minha Casa Minha Vida

Parceria com a Universidade também fomentou estudos sobre Viracopos

Diante da complexidade dos inúmeros processos civis que chegam ao Ministério Público Federal (MPF) de Campinas, o MPF realizou um convênio com a PUC-Campinas, para que juntos pudessem compreender tecnicamente os impactos de grandes empreendimentos na cidade, como é o caso do Programa Minha Casa Minha Vida. A pedido do MPF de Campinas, a pesquisa se concentrou em um estudo de caso no Jardim Bassóli, na região do Campo Grande. O Empreendimento foi o primeiro do Programa Minha Casa Minha Vida, com duas mil unidades habitacionais. A parceria surgiu há dois anos e meio no contexto do projeto da Teia Social, coordenado pelo procurador Áureo Marcus Makiyama Lopes, cujo objetivo é fomentar o aprendizado com informações sobre diversos assuntos, entre eles, habitação.

Após o Convênio com a PUC-Campinas, o Projeto Teia Social passou a receber informações atualizadas constantemente e os alunos tiveram tarefa de “alimentar” a plataforma, com informações teóricas sobre o estudo realizado na região noroeste de Campinas. “Essa aproximação com a realidade estimulou a Comunidade Universitária: alunos, professores e funcionários. O aluno sentiu que o seu trabalho acadêmico é útil, passando a ter uma percepção do seu papel na sociedade”, afirmou o docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas, que participa do convênio, Prof. Me. Fábio Muzetti.

Por causa dessa parceria entre a PUC-Campinas e o MPF foi possível fomentar outros trabalhos, é o caso do estudo, ainda em andamento, sobre a expansão do aeroporto de Viracopos e seu impacto na região em que ele está localizado em Campinas. “As pesquisas que estamos realizando mostram que a cidade não está preparada para debater os impactos de grandes empreendimentos”, afirma o docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas, Prof. Me. Caio Ferreira, que também participa do convênio. Um dos aspectos revelados pelas pesquisas sobre grandes empreendimentos, explica Ferreira, é o custo oculto do empreendimento. Ou seja, aparelhos urbanos que precisarão ser criados e mantidos sempre que surgirem novos empreendimentos de grande escala, como é o caso dos projetos habitacionais, que vão demandar de novas linhas de ônibus, escolas, postos de saúde, comércio e lazer, entre outros.

Como a pesquisa foi desenvolvida

O Convênio entre a PUC-Campinas e o Ministério Público Federal começou em 2012, com a pesquisa sobre o Programa Minha Casa Minha Vida. A parceria surgiu como projeto da Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD) da PUC-Campinas, com o então Pró-Reitor de Graduação, e atual Vice-Reitor, Prof. Dr. Germano Rigacci Júnior. Os trabalhos foram divididos entre os Grupos de Estágios (GT) – os quais os estudantes de graduação participam – e como Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC). Ao todo, seis TCC´s foram concluídos e 160 alunos participaram dos GT´s, dados que para Muzetti demonstram que a credibilidade do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade foi importantíssima para a parceria.

“A PUC-Campinas tem tradição na área de urbanismo, seja na graduação ou no programa de pós-graduação, com cursos de mestrado e doutorado”. E continuou: “Tínhamos a base teórica, que são as análises tipológicas e o estudo de caso. Com essas informações pudemos, então, encaminhar uma proposta. Isso gerou parâmetro para o MPF analisar o que é possível realizar no que diz respeito aos processos de habitação”, explica.

A pesquisa sobre o projeto habitacional no Jardim Bassóli teve como característica a interdisciplinaridade, sendo realizada em parceria com as Faculdades de Enfermagem, Arquitetura, Direito, Geografia, Biologia e Serviço Social da PUC-Campinas. Para o Procurador Edilson Vitorelli Diniz Lima, “sem esse aparato técnico, o MPF não teria condições de realizar suas análises e defender o interesse da sociedade”.

Após esse trabalho, o MPF de Campinas criou um grupo de trabalho (GT) nacional para tratar especificamente sobre o Programa Minha Casa Minha Vida. O coordenador do grupo é o Procurador Lima, que conhecendo os trabalhos dos professores Muzetti e Ferreira, convidou os docentes para serem os consultores desse grupo. Na oportunidade, a PUCCampinas foi representada em reuniões com a direção nacional da Caixa Econômica Federal e com a Secretaria de Habitação do Ministério da Cidade. “Se a gente (MPF) não tiver pessoas próximas capacitadas para nos auxiliar, nossa ação fica muito desqualificada. E esse estudo do Programa Minha Casa Minha Vida está tendo um impacto real nos problemas da cidade. São resultados concretos de pesquisa”, afirma o Procurador.

Minha Casa Minha Vida, hoje

Segundo Lima, atualmente, quem apresenta o projeto do empreendimento habitacional são as construtoras. Elas escolhem o terreno, fazem o projeto e constroem. Hoje, o Minha Casa Minha Vida paga um valor fixo de 76 milhões nas regiões metropolitanas maiores, por unidade habitacional. O mínimo a ser construído é de 39 metros quadrados e o máximo de 60 metros. A construtora nesse caso, avalia o Professor Ferreira, interfere e tem papel primordial no espaço urbano.

Para o MPF de Campinas, as empreiteiras têm grande autonomia nos projetos habitacionais do Programa Minha Casa Minha Vida, pois, segundo o Procurador Lima, elas são responsáveis por escolher os terrenos em que as habitações serão construídas. O Procurador acredita que o cidadão beneficiado pelo programa deveria ter maior participação no projeto em que ele irá morar, e que o Estado deveria ser o principal fomentador do programa. “Não estamos falando mal do programa. É preciso ressaltar que é a primeira política habitacional após um longo período. É inegável que o Minha Casa Minha Vida de hoje é melhor do que o de quatro anos atrás. Mas, ele ainda tem problemas”, acredita. “O que estamos fazendo é mostrando isso para o poder público”, acrescenta.

O programa Minha Casa Minha Vida foi idealizado pela então Ministra da Casa Civil Dilma Rousseff e pelo Ministro da Fazenda Guido Mântega, em 2009, durante o governo Lula.

Foto: Álvaro Jr. Primeiro empreendimento do Minha Casa Minha Vida foi no Jardim Bassóli, região do Campo Grande, em Campinas
Foto: Álvaro Jr.
Primeiro empreendimento do Minha Casa Minha Vida foi no Jardim Bassóli, região do Campo Grande, em Campinas