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Espaço Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários

Apesar de existir uma indicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para que toda paróquia católica do país tenha uma equipe de Pastoral da Comunicação, essa meta ainda está longe de ser alcançada. Uma das principais dificuldades, segundo especialistas, é que para agir nessa área não é suficiente boa vontade e trabalho voluntário. Assim, além da disponibilidade dos agentes de pastoral é importante um conhecimento mais especializado – tanto técnico quanto teórico – na área da Comunicação.

Esse é o objetivo do projeto de extensão “Comunicação e Ação Pastoral: elaboração de Plano de Comunicação Institucional junto às paróquias da Forania São João XXIII, da Arquidiocese de Campinas”, desenvolvido pelo Prof. Lindolfo Alexandre de Souza, da Faculdade de Jornalismo, e que conta com dois alunos bolsistas. Na primeira etapa do projeto foram realizadas oficinas de capacitação para que os agentes de pastoral pudessem elaborar um Plano de Comunicação Institucional para cada uma das sete paróquias da Forania. E um plano que levasse em consideração a realidade de cada paróquia, com suas possibilidades, recursos disponíveis, cronograma e prioridades.

Após os planos elaborados, os agentes de pastoral estão participando de oficinas de capacitação para o aperfeiçoamento da comunicação paroquial, ao mesmo tempo em que são acompanhados na implementação das ações previstas nos planos de comunicação. Entre os temas das oficinas estão técnicas para produzir jornais e boletins paroquiais impressos, uso da internet para a evangelização, organização do quadro de avisos e dicas para o uso adequado do microfone, entre outras.

O projeto iniciou em agosto de 2014 e tem previsão de término em dezembro de 2015. Após a intervenção, o objetivo é que as equipes paroquiais de Pastoral da Comunicação estejam organizadas e capacitadas para a continuidade das ações, sem a necessidade de acompanhamento do docente nem dos alunos extensionistas.

“O sistema penitenciário é um problema de todos”

A opinião é da Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Campinas, que realiza trabalho com reeducandos, funcionários, familiares e vítimas do crime

Por Amanda Cotrim

  “É preciso coragem e muita fé para entrar em uma penitenciária. Mas é ali que a Igreja precisa estar. Toda a sociedade precisa, o quanto antes, olhar para o cárcere e perceber que o sistema prisional é um problema de todos nós”. As palavras de Célia Nogueira de Souza Pereira são fortes, mas só poderiam ser construídas dessa forma por alguém que vê de dentro do presídio e vê para fora do presídio. Relatos como o de Célia, que atua, há 20 anos nos presídios como voluntária, sendo que, em cinco deles, como Coordenadora da Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Campinas, mostram que mesmo próximo da geografia do sistema prisional, a sociedade ainda está muito longe de sua realidade.

Na Região Metropolitana de Campina, a população carcerária é de 12 mil pessoas/ Crédito: Álvaro Jr.
Na Região Metropolitana de Campina, a população carcerária é de 12 mil pessoas/ Crédito: Álvaro Jr.

Os números mostram que a população carcerária no Brasil cresceu nos últimos três anos. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2012 eram 514 mil presos; em 2014 esse número subiu para 715.655. O País está atrás dos Estados Unidos (2,2 milhões) e China (1,6 milhões) em número de presos. Na região de Campinas, segundo a Pastoral Carcerária, são 12 mil pessoas presas, divididas entre o Complexo Penitenciário Estadual de Hortolândia e o Presídio Estadual Feminino, no bairro São Bernardo, em Campinas. O Complexo Penitenciário reúne dois Centros de Detenção Provisória (CDP), dois Presídios e dois Semiabertos, além das cadeias.

“Realizamos visitas às terças, quartas, quintas-feiras, sábados e domingos. Temos uma carteirinha e somos identificados pela camiseta da Pastoral. Isso evita que passemos pela revista vexatória, um direito das instituições religiosas que visitam o presídio. Mas, ainda assim, passamos pelo detector de metal. Ao entrarmos na cadeia, o primeiro trabalho é escutar, ajudar a reerguer a pessoa ao convívio social. Fazemos orações, damos palestras e oferecemos cursos, pois entendemos que não basta só evangelizar o reeducando, é preciso promovê-lo socialmente e conscientizá-lo para que ele possa ser reinserido na sociedade”, explica o Assessor da Pastoral Carcerária, Padre Gian Carlos Pereira, da Paróquia Santa Mônica, em Campinas.

A Coordenadora da Pastoral, Célia Nogueira e o Assessor da Pastoral, Padre Gian Carlos Pereira/ Crédito: Álvaro Jr.
A Coordenadora da Pastoral, Célia Nogueira e o Assessor da Pastoral, Padre Gian Carlos Pereira/ Crédito: Álvaro Jr.

O Padre conta que por muitos anos a Pastoral Carcerária foi militante, denunciando as irregularidades do sistema penitenciário. “Hoje isso mudou. Em vez de apenas denunciar, optamos por trabalhar junto e cobrar. Conversamos com a Diretoria na tentativa de conseguir benefícios como água e saúde para os presos”, acrescenta. Segundo o Padre Gian, essa mudança de atitude evitou que a Pastoral tomasse atitudes precipitadas sem antes ouvir os dois lados.

“Em uma das nossas visitas, encontrei um reeducando com uma infecção que se alastrou e corroeu o seu dedo. Imediatamente, a Célia fez um relatório e levou para a secretaria da direção do presídio. Descobrimos que havia uma pasta no qual constava que todo o mês esse reeducando fazia curativos e tomava remédios”, relata. Diante daquele quadro, a Pastoral voltou a conversar com o preso, que por sua vez confessou que nunca tomou os remédios e nem fez os curativos. “Ele nos contou que não fazia o curativo para sempre estar retornando ao hospital. O reeducando deixou o dedo infeccionar para poder sair alguns instantes e ver a rua. O contato visual dele com o mundo foi mais importante que o próprio dedo”, expõe.

Projetos da Pastoral

A Pastoral Carcerária mantém alguns projetos dentro dos presídios. O principal deles, conta a Coordenadora Célia, são os serviços de saúde. “Quando possível, levamos médicos e dentistas, porque muitas vezes esses serviços são inexistentes. Também temos um trabalho de reforço alimentar: usamos a multimistura da Pastoral da Criança para os reeducandos que têm o vírus do HIV e tuberculose”.  Além dessas atividades na área de saúde, a Pastoral Carcerária conta com advogados voluntários, é o caso do Dr. Francisco Maciel, formado em Direito pela PUC-Campinas. Em dezembro de 2014, ele conseguiu, juntamente com o seu sócio, Dr. Renato Paula Leite, tirar cinco pessoas de um Centro de Detenção Provisória (CDP). “Elas estavam presas, já haviam sido julgadas, mas não tinham sido transferidas para a Penitenciária. A pena já tinha sido cumprida dentro do CPD”, explica o advogado. O serviço de defensoria, de acordo com o Padre Gian, é oferecido após uma triagem com a família do preso que não pode pagar.

Voluntários da Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Campinas/ Crédito: Pastoral
Voluntários da Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Campinas/ Crédito: Pastoral

O trabalho feito pela Pastoral Carcerária não seria possível sem a colaboração dos voluntários, sejam eles da Igreja ou não. “Temos 50 pessoas inscritas como voluntários e temos um projeto com dois advogados voluntários. Mas é preciso muito mais. Aproveito para fazer um apelo: precisamos de médicos voluntários, enfermeiros, psicólogos, terapeutas ocupacionais, educadores, artistas, profissionais de comunicação, enfim, toda sociedade é bem-vinda para nos ajudar a melhorar as condições dos presídios na região”, pede Padre Gian.

Para ser voluntário da Pastoral Carcerária, com acesso aos presídios, é necessário, no entanto, um bom alicerce na fé e um equilíbrio afetivo. “Para entrar no presídio, é preciso certo equilíbrio. Não pode ser uma pessoa nova na Igreja, pois é preciso experiência espiritual. É um trabalho difícil; há muito sofrimento ali dentro. Se a pessoa não tiver um equilíbrio emocional, ela não consegue”, considera Padre Gian.

Uma das voluntárias da Pastoral é Maria da Conceição Alves Santos, responsável pelas orações nos presídios. “Eu me sinto muito feliz em poder contribuir. Recebi um chamado para entrar lá. Os reeducandos são filhos de Deus e amados por Ele. Quando eu não vou às visitas, eu sinto falta. Lá dentro, eu me sinto em paz e penso que todos eles são nossos irmãos. Não importa o erro que eles tenham cometido, porque nem perguntamos. Eu rezo por todos”, relata Conceição.

Enquanto Conceição faz as orações com os presos, Célia dá uma volta no presídio. A Coordenadora da Pastoral Carcerária se orgulha em dizer que foi uma das primeiras mulheres católicas a entrar em uma penitenciária na região. Célia hoje é a responsável por verificar se há algum preso doente, depressivo ou machucado. “Qualquer irregularidade que vemos, nos dirigimos imediatamente à Diretoria, que na maioria das vezes está disposta a nos atender”, ressalta

 A Pastoral é para todos

Umas das mudanças de trabalho adotadas pela Pastoral Carcerária é atender os envolvidos no sistema penitenciário: presos, funcionários, familiares e vítimas. De acordo com o Padre Gian, muitas vezes o funcionário também sofre preconceito por trabalhar em um presídio, mas seu sofrimento não é percebido. “São pessoas que também ficam depressivas, que também ficam doentes e que também precisam da Pastoral, porque a cadeia não é um ambiente fácil de lidar”, reforça. Um dos mais novos desafios da Pastoral é o trabalho com a vítima do crime. “O primeiro passo é da pessoa, que procura a Pastoral. Não é fácil perdoar, mas fazer esse elo entre a vítima e a sua dor, também é um dever nosso”, considera Célia.

Para o voluntário, Alexandre Aparecido de Oliveira, a sociedade enxerga que a Pastoral existe para “passar a mão” na cabeça do preso, no entanto, segundo Oliveira, o principal papel da Pastoral é de levar a conscientização ao reeducando e promover sua recuperação. “O Brasil ter uma das maiores populações carcerárias do mundo mostra que temos um problema e um problema grave. Se pensarmos que a solução virá só do Estado, nada será feito. É preciso que todas as pessoas se dediquem a essa causa”, defende.

 Sonho a ser alcançado:

O maior sonho do Assessor da Pastoral Carcerária é o dia em que toda a sociedade se envolverá na questão do cárcere no Brasil. “Muitos dizem: ‘Ah!, isso não é meu problema’. Mas quando é assaltado, acha isso um problema. A responsabilidade é de toda a sociedade. A universidade tem um grande poder de transformação com o instrumento do saber, através do ensino, partilhando. O que esses jovens aprendem na universidade pode contribuir para transformar uma população de excluídos e marginalizados, colaborando na transformação de uma sociedade mais justa e fraterna”, acredita Padre Gian.

Coordenadora da Pastoral Carcerária, Celia Nogueira, que há 20 anos trabalha com reeducandos
Coordenadora da Pastoral Carcerária, Celia Nogueira, que há 20 anos trabalha com reeducandos/ Crédito: Álvaro Jr. 

“Convidamos a sociedade a se empenhar conosco. Tem pessoas que não conseguem entrar em um presídio, mas podem colaborar por outros meios. O problema carcerário é nosso; aqueles meninos, homens, meninas e mulheres são resultado de um sistema desigual e desestruturado”, conclui Célia.

Campanha da Fraternidade 2015

Por Padre João Batista Cesario

A Campanha da Fraternidade (CF) é uma grande mobilização de toda a Igreja Católica no Brasil, feita a partir dos apelos do Evangelho, abordando temas relevantes para a vida da Igreja e da sociedade durante a Quaresma, período marcada por muita oração, reflexão, penitência e caridade. Segundo o Papa Francisco, a Quaresma é “tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fieis, tempo favorável de graça” e, também, momento oportuno para superar “a globalização da indiferença”, tentação contemporânea que atinge a todos, inclusive os cristãos. Ora, o mal da indiferença é superado com amor e serviço qualificado à vida em todas as suas manifestações.

Para os cristãos, o gesto de lavar os pés, realizado por Jesus na última ceia, é o paradigma do serviço. “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir”, disse Jesus; por isso, o Papa afirma que “a Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos servidores como Ele” (Mensagem para a Quaresma de 2015).

Cartaz da Campanha da Fraternidade 2015.
Cartaz da Campanha da Fraternidade 2015.

Fraternidade, Igreja e Sociedade

O tema da CF 2015 é “Fraternidade, Igreja e sociedade” e o objetivo geral é justamente “aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro, para a edificação do Reino de Deus”. A referência ao Concílio é muito importante, porque 2015 marca o cinquentenário do encerramento desse grande evento eclesial que, na década de 1960, despertou a Igreja para um novo tipo de presença na sociedade, marcada pela abertura aos sinais dos tempos e por constante diálogo com as realidades contemporâneas.

Entre os objetivos específicos da CF-2015 destacam-se os propósitos de “apresentar os valores espirituais do Reino de Deus e da Doutrina Social da Igreja, como elementos autenticamente humanizantes; identificar as questões desafiadoras na evangelização da sociedade e estabelecer parâmetros e indicadores para a ação pastoral; e atuar profeticamente, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para o desenvolvimento integral da pessoa e na construção de uma sociedade justa e solidária” (CNBB. Texto-base CF-2015, p.10).

Trata-se, então, de procurar aprofundar cada vez mais a postura de serviço da Igreja em relação à sociedade. Todavia, é importante lembrar sempre que a Igreja não é uma realidade à parte da sociedade, mas ocupa um lugar importante no seio da sociedade, uma vez que deve ser “sal e luz no mundo”, como pediu Jesus aos seus discípulos. Ou seja, os cristãos devem ser presença transformadora no meio social; colaborar efetivamente para a ampliação da qualidade da vida para todos indistintamente; trabalhar sempre para o bem comum; e viver os valores aprendidos do Evangelho.

Cultura descartável

Então, o tema da relação Igreja-Sociedade na perspectiva do serviço é oportunidade para aprofundar alguns compromissos já assumidos, bem como descobrir e implementar novas formas de serviço e defesa da vida, especialmente nestes tempos marcados por algumas características que contrariam frontalmente o ensinamento de Jesus nos Evangelhos. O Papa Francisco tem denunciado freqüentemente certa “cultura do descartável” que tende a tratar as pessoas como se fossem coisas e descartá-las quando parecem não ter mais serventia, de acordo com uma concepção puramente econômica na qual os bens materiais valem mais do que a vida. Além disso, o Papa chama a atenção para inúmeras situações de sofrimento e marginalização que mantêm muitas pessoas nas “periferias existenciais”.

Ora, a CF-2015 é oportunidade de identificar e denunciar esses processos de exclusão e marginalidade, bem como de propor ações concretas para a superação desse quadro. Historicamente, a Igreja Católica tem desenvolvido intensa ação social no cuidado à vida, haja vista que os hospitais e as instituições de assistência social nasceram do cuidado pastoral da Igreja pelos pobres e sofredores de todos os tempos. E assim também as escolas e as Universidades e outras instituições. Com o passar do tempo, muitas das iniciativas de assistência e cuidado pela vida surgidas na Igreja foram assumidas pela sociedade e ampliadas em sua abrangência com a atuação do Estado.

Desse modo, um dos desafios da CF-2015, entre outros, é ampliar o diálogo da Igreja com a sociedade, para somar forças em vista do bem comum e da promoção humana. No âmbito da sociedade com suas organizações civis há muitas iniciativas de serviço desinteressado à vida que precisam de apoio, acompanhamento e fiscalização para que não se afastem de seus objetivos.  De igual modo, no âmbito eclesial há inúmeras instituições de ação social e incontáveis iniciativas de serviço à vida que também necessitam de apoio e suporte para continuarem sua missão. A CF-2015 propõe seja intensificado o diálogo Igreja-Sociedade para que novas forças de serviço possam beneficiar a vida que, em certa medida, está em constante ameaça neste início de século.

Ações da PUC-Campinas

A Universidade Católica, com seu Hospital Universitário (Hospital e Maternidade Celso Pierro), é presença significativa da Igreja Católica no âmbito da cultura e da produção e disseminação do conhecimento. A publicação recente da obra “Missão social 2012/2013” da PUC-Campinas, dá uma boa dimensão do grande leque de serviços prestados pela Instituição no âmbito que lhe compete, a saber, no campo da Pesquisa, do Ensino e da Extensão. Os números de programas, projetos e iniciativas desenvolvidos pela Universidade a serviço da vida são testemunho do esforço realizado para que os apelos do Evangelho sejam efetivados em ações concretas de serviço à vida. Trata-se de continuar fazendo sem desânimo o que se tem feito. No entanto, a CF-2015 pede que se aprofunde a reflexão acerca da relação Igreja-Sociedade, para que desse aprofundamento novas e fecundas iniciativas possam surgir.

Padre João Batista Cesario- Pastoral Universitária/PUC-Campinas