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“Não existe medicina sem prática”

Prova de residência muda e valoriza a prática médica

Por Amanda Cotrim

Ser um promotor da saúde requer algumas características, como gostar de pessoas e de estudar. E, além da teoria é preciso muita prática, porque a realidade, muitas vezes, é o que fomenta novos estudos. Essa é a opinião da diretora da faculdade de medicina da PUC-Campinas, Profa. Dra. Márcia Pereira Bueno. Em 2014, a PUC-Campinas foi a universidade particular mais bem avaliada pelo Guia do Estudante, da Editora Abril, na área da saúde, figurando o “pódium” junto à Universidade de São Paulo (USP). Para a diretora da faculdade de medicina, essa conquista se deve a três fatores fundamentais: atualização curricular, o Hospital-Escola da PUC-Campinas e a prática médica, prioridade no curso de medicina da Universidade, além da estrutura de laboratórios, salas de aula modernas e um variado corpo pedagógico.

Confira a entrevista completa:

Jornal da PUC-Campinas: A PUC-Campinas foi a universidade particular mais bem avaliada pelo Guia do Estudante 2014 na área da saúde. Pensando que o curso de medicina está dentro dessa avaliação, ao que se deve essa conquista?

Profa Márcia Pereira Bueno: A PUC-Campinas é uma universidade tradicional, que já ultrapassou metas e superou desafios. Nós modernizamos o currículo, deixando-o mais acessível à realidade médica atual, e isso coloca o aluno precocemente diante da prática, lidando, desde cedo, com a diversidade de doenças. Nossa prioridade é que o aluno seja visto como um “tratador” pela comunidade em que a Universidade está inserida (região noroeste de Campinas, periferia da cidade). Além disso, a PUC-Campinas tem professores, professores pesquisadores, profissionais que atendem em clínicas. E isso é um conhecimento completo do dia a dia da profissão. O conjunto pedagógico e de professores faz com que a PUC-Campinas chegue onde está hoje no mercado, como a universidade particular mais bem avaliada na área da saúde.

Jornal: Qual é a importância do Hospital-Escola da PUC-Campinas para esse aluno?

Profa Márcia: O Hospital e Maternidade Celso Pierro (HMCP), mais conhecido como Hospital da PUC-Campinas, facilita a integração entre o aluno e o paciente e possibilita o contato 24 horas. A humanização, o tratamento, a interlocução com a família do paciente são aspectos que potencializam o trabalho do futuro médico. E isso é possível justamente por causa do Hospital-Escola.

Jornal: Uma universidade se diferencia de faculdade porque desenvolve ensino, pesquisa e extensão. Comente sobre as pesquisas científicas desenvolvidas tanto no curso de medicina quanto no Hospital da PUC-Campinas.

Profa. Márcia: A pesquisa na faculdade está sendo ampliada dentro da Universidade. A meta do Hospital e do curso de medicina é melhorar a pesquisa científica ainda mais. Temos pesquisas clínicas fortes, que são ligadas à residência médica e que o aluno pode participar. A pesquisa no HMCP e na faculdade de medicina, do ponto de vista burocrático, é feita separadamente, porém, do ponto de vista prático, ela é feita em comum, porque os alunos têm contato com os residentes. E uma grande maioria dos residentes já foi aluno da PUC-Campinas. A pesquisa médica é muito importante para uma universidade, pois ela promove as melhorias para a comunidade.

Jornal: O Hospital da PUC-Campinas é bem procurado pelos alunos que farão residência. Qual é o papel da residência na formação do futuro médico?

Profa. Márcia: A residência é o momento em que o aluno fará sua especialização. Ao se especializar, o aluno opta por uma área do conhecimento que ele mais gosta. A prova de residência deixou de cobrar só “conteúdo” e passou a cobrar “conteúdo e habilidade”. O aluno faz uma prova prática: entra um paciente, que conta o seu quadro clínico e mostra exames e o aluno vai se comportar como médico generalista. A avaliação vai considerar como o estudante se comportou, qual tratamento ele propôs e como ele chegou a um determinado diagnóstico. Como a PUC-Campinas é uma universidade em que o aluno tem muita prática, ele, normalmente, se sai muito bem nas provas de residência.

Jornal: Segundo dados do Ministério da Educação, de julho de 2014, há, no Brasil, 21.647 vagas autorizadas para cursos de medicina. Desse total, 11.269 estão no interior do país e 10.405 em capitais. Em 2012, eram 8.911vagas nas capitais e 8.772 no interior. Qual é a sua avaliação sobre esses números?

Profa. Márcia: Muitos cursos são abertos porque a quantidade de médicos no Brasil é pequena. Eu creio que os médicos estão mal distribuídos, permanecendo, a sua maioria, nos grandes centros e não na periferia. Quando há muitos cursos nos centros, não se resolve o problema da má distribuição. Não é possível saber, por enquanto, se esse número de faculdades possui um curso bem montado, porque medicina não pode ser somente um curso teórico. É preciso ter um hospital, contato com pacientes e prática médica. O cuidado que se precisa ter é de não colocar médicos mal formados no mundo do trabalho, porque se isso acontecer, esse profissional precisará fazer cursinho preparatório para tentar a residência. Em resumo, é preciso inserir as universidades em locais mais necessitados verificar se elas estão cumprindo bem o seu papel.

Foto: Álvaro Jr. O contato do aluno com o paciente é o diferencial no curso da PUC-Campinas
Foto: Álvaro Jr.
O contato do aluno com o paciente é o diferencial no curso da PUC-Campinas

Jornal: Como a senhora avalia a saúde preventiva proporcionada pelo Hospital da PUC-Campinas (HMCP) e na região de Campinas?

Profa. Márcia: A saúde preventiva é muito bem montada na região de Campinas, o que não anula o fato de, às vezes, termos dificuldades que são para além da medicina, como a própria política. Dentro da Universidade, a saúde preventiva, a medicina coletiva é bem-sucedida.

Jornal: Para finalizar, o que é fundamental para ser um médico?

Profa. Márcia: Medicina é uma grande profissão eé preciso gostar do que se faz. Saber escutar o outro, ter vontade de ajudar e gostar de gente. É preciso que o profissional seja bem formado, tenha cursado uma boa faculdade, porque, assim, ele terá segurança para atender. São seis anos da vida do aluno que serão dedicados, em razão dos plantões médicos, no período da manhã, tarde e noite na Universidade. A vida do aluno será permanecer dentro da Universidade. A PUC-Campinas acolhe bem esse aluno do período integral, com inúmeras atividades e um ótimo aparato universitário. É imprescindível que o aluno saiba que, para cursar medicina é preciso gostar de estudar e ter em mente que o médico é um promotor da saúde e está ali para melhorar a comunidade que está em sua volta.

Combate ao vírus Ebola e a desinformação sobre a doença

Hospital da PUC-Campinas aplica plano de  contingência para atendimento de casos


Por Amanda Cotrim

O Hospital e Maternidade Celso Pierro (HMCP), mais conhecido como Hospital da PUC-Campinas, está organizado para assistir eventuais pacientes suspeitos de doença pelo vírus do Ebola. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou todos os países para que o plano de prevenção fosse reforçado. Segundo a OMS, o atual surto do vírus se concentra nos países africanos: Libéria, Serra Leoa e Guiné, com 8.376 casos, dos quais, 4.024 são fatais. Atualmente, não há tratamento para a infecção, mas uma vacina está em elaboração pela empresa farmacêutica britânica GSK (Glaxo SmithKline), com previsão para ser disponibilizada em 2016.

De acordo com a Coordenadora da Comissão de Controle de Infecção do Hospital e Professora no curso de medicina, da PUC-Campinas, Dra. Irene Rocha Haber, o HMPC já está se organizando para qualquer eventualidade. “Preparamo-nos por meio de um processo de sensibilização das equipes que atuam nos serviços de Pronto-Socorro do Sistema Único de Saúde (SUS) e Pronto Atendimento de Convênios, para a suspeição de casos, além da criação de fluxos de encaminhamento”, explica.

A chance de ocorrência de um caso de infecção pelo vírus Ebola no Brasil, segundo a Doutora Irene, é pouco provável. “Obviamente numa sociedade globalizada como vivemos, no qual o trânsito de pessoas é extremamente fácil, mesmo sendo uma possibilidade remota, é necessário contar com um plano de contingência. A ocorrência desse caso suspeito no Paraná, depois descartado deixou isso bem claro”, expôs. Para a médica infectologista, é fundamental ter preocupação com a biossegurança, com o uso de equipamentos de uso individual, que oferecem proteção rigorosa ao profissional, além de cuidado com o resíduo ou material proveniente da assistência ao paciente.

Além da prevenção, a Doutora Irene acredita que outro combate também deve ser feito: o combate à desinformação sobre a doença. “Todo evento desconhecido, que acomete a humanidade, causa grande impacto. Contudo, outra forma de encarar o problema é fornecer sua real dimensão, não exagerando, mas também não atenuando essa grave situação de saúde que estamos vivenciando enquanto população mundial, pois a mesma não pode nem deve ser negligenciada”, afirma. Para ela, é natural se ter medo do desconhecido, ainda mais quando ele está relacionado à morte. Contudo, “o equilíbrio é sempre o objetivo e para tal é imprescindível que os órgãos de imprensa repassem com precisão as informações da OMS e, no caso do Brasil, do Ministério da Saúde e de Departamentos de Vigilância em Saúde”, ressalta.

O Vírus Ebola
O vírus Ebola não é novo. Surgiu pela primeira vez em 1976, em alguns países da África, em uma região próxima ao rio Ebola. De acordo com a Doutora Irene, o segundo grande surto ocorreu em 1995 e, novamente, em 2000, 2007 e 2012. Contudo, o número de infectados e mortos, lembra, foi inferior ao surto atual. “Só em agosto, a epidemia foi decretada como emergência de saúde pública internacional”, reforça a médica.


TRANSMISSÃO
O vírus Ebola é transmitido pelo sangue, secreções e fluidos corporais, como o suor e a saliva, inclusive na manipulação de cadáver. A mortalidade pelo vírus pode chegar a 90%. Os sintomas podem aparecer entre dois e 21 dias após a exposição ao vírus, são eles: febre, fraqueza, dores de cabeça e musculares, além de dor de garganta. Esse quadro inicial é seguido de vômitos, diarreia, além de alteração renal e hepática, podendo haver sangramento interno e externo. A confirmação da infecção é feita por exame laboratorial.

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