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Professores da PUC-Campinas: Determinação e vontade

Enquanto soldados disparavam armas letais durante o cerco alemão a Stalingrado, durante a Segunda Guerra Mundial, fotógrafos profissionais e amadores disparavam máquinas que registraram o cotidiano daquela cidade mergulhada em combates e batalhas. Uma dessas fotografias mostra, no cenário nevado do rigoroso inverno russo, entre escombros e prédios destruídos, uma professora sentada na sarjeta, segurando uma pequena lousa, cercada por alunos acocorados de frio, mas atentos à aula.

Ensinar e aprender, mostra a imagem, independem de lugar, instalações, equipamentos, recurso ou formalidade além da relação entre professor e aluno, pautada pela determinação daquele e pela vontade deste.

A História da PUC-Campinas, que neste ano comemora seu jubileu de diamante, está marcada por conquistas, iniciadas por visionários entusiasmados, reunidos como Faculdade, em acomodações modestas, que redundaram em uma das maiores e mais importantes instituições de ensino superior do País, contando aos milhares sua população acadêmica e a metragem das suas instalações.

Todavia, se os 75 anos de História da PUC-Campinas foram marcados por transformações diversas, permaneceu inalterada e viva a relação que une alunos e professores na busca do conhecimento.

Portanto, ao mesmo tempo em que a oficialidade dos registros marca efemérides importantes, celebradas e comemoradas nos eventos do 75o aniversário, cabe também celebrar e comemorar a relação que se estabeleceu no primeiro instante da primeira aula ministrada na Instituição, momento que tanto mais se afasta no tempo, mais permanece e mais se renova a cada aula, de todos os Cursos, em todos os campi, eternizando a relação que constitui a alma da Instituição, corporificada na determinação de ensinar de todos que foram e são professoras e professores da PUC-Campinas.

 

Trezentos anos de Aparecida: Jornada Missionária

No Ano Santo da Misericórdia, a Arquidiocese de Campinas se prepara para uma grande Jornada Missionária, de três de outubro a oito de dezembro de 2016.

A Celebração do dia de Nossa Senhora Aparecida ocorreu na Praça da Catedral Metropolitana de Campinas. A padroeira foi homenageada em 12 de outubro de 2016.

Imagem peregrina no Instituto Educacional Imaculada, em Campinas, no dia 07 de outubro/ Crédito: Marcelo Aoki
Imagem peregrina no Instituto Educacional Imaculada, em Campinas, no dia 07 de outubro/ Crédito: Marcelo Aoki

Em comunhão com todas as dioceses do Brasil, a Arquidiocese se anima e dá início aos preparativos para comemorar os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, completos em 2017, e 10 anos do Documento de Aparecida. Assim, o início da Jornada Missionária se marcará por peregrinação ao Santuário Nacional de Aparecida, quando as paróquias devem se organizar para receber a imagem peregrina.

A recomendação é para que a informações sobre como participar da peregrinação e das outras atividades programadas sejam obtidas na secretaria de sua Paróquia.

(Texto: Assessoria de Imprensa da Arquidiocese de Campinas)

Criança, consumo e educação financeira

Por Eli Borochovicius

Muito se discute sobre educação financeira para crianças e jovens. Alguns argumentam tratar-se de um processo de adultização, outros de uma necessidade advinda de uma mudança da sociedade, transformada por questões econômicas, políticas, tecnológicas, culturais e sociais.

Quando uma menina calça os sapatos de salto alto da mãe e passa batom, pode ser considerado natural, uma brincadeira, mas quando a criança passa a ter hábitos de adultos, com o seu próprio sapato de salto alto e o seu kit de maquiagem, é que se manifesta o fenômeno de adultização, intimamente relacionado com as ofertas de produtos para o público infantil.

Em função de uma série de eventos históricos que modificaram as relações sociais, as crianças ficaram mais expostas à mídia. Os pais passaram a trabalhar em tempo integral, as mulheres ganharam espaço no mundo do trabalho, as separações ficaram mais comuns, a rua ficou mais violenta, os espaços públicos de convivência foram reduzidos e as crianças passaram a ficar mais tempo confinadas em casa, tendo como grande influenciador, a tecnologia.

O acrônimo KGOY traz como significado Kids Getting Older Younger, em tradução livre para o português, crianças ficam mais velhas mais jovens e sugere que elas estão amadurecendo mais rapidamente em função dos meios de comunicação.

Com o avanço da tecnologia, a televisão passou a receber também transmissão de canais por assinatura e acesso a serviços de streaming de vídeo, os computadores e celulares passaram a fazer parte do cotidiano infanto-juvenil e o contato mais próximo com a vida adulta foi inevitável.

A educação financeira viria então para preencher uma lacuna importante na vida moderna dessas crianças, estimuladas pelo consumismo desenfreado e pelo crédito fácil.

Visando contribuir para o fortalecimento da cidadania com ações que ajudem a população com o conhecimento do mundo das finanças é que surgiu em 2010, a Estratégia Nacional de Educação Financeira.

Sob a coordenação da Associação de Educação Financeira do Brasil foram desenvolvidos programas voltados às crianças a exemplo do Programa de Educação Financeira nas Escolas, cujo objetivo é contribuir para o desenvolvimento da cultura de planejamento, prevenção, poupança, investimento e consumo consciente nas futuras gerações de brasileiros. O programa foi pensado também para proporcionar a melhoria de desempenho dos alunos em Língua Portuguesa e Matemática.

Programas de educação financeira voltados para escolas privadas também já são oferecidos, com o diferencial de buscarem desenvolver não apenas o conhecimento financeiro, mas o senso de organização, respeito, responsabilidade, empreendedorismo, criatividade e autonomia.

A educação financeira veio para formar cidadãos conscientes, capazes de compreender e transformar a realidade, atuando na superação das desigualdades e do respeito ao ser humano. Se ainda não é contemplada nas grades curriculares das escolas, possivelmente, muito em breve, será necessário.

Prof. Me. Eli Borochovicius leciona Administração Financeira no curso de Administração da PUC-Campinas. 

“Adultização” da infância é reflexo de classe social

Para pesquisadora, crianças com agenda de empresário, como classifica, é mais comum em famílias de renda média e alta

Por Amanda Cotrim

É cada vez mais comum as crianças terem sua rotina consumida pelas tarefas, como ir à escola, fazer um curso de idioma, aprender um esporte. Tudo, no mesmo dia. Muitos compromissos, muitos deveres, muitas expectativas dos pais. Um cenário propício para que sentimentos de ansiedade, depressão e frustração apareçam e repercutam nas crianças. Essa é a avaliação da Pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Educação e Docente da Faculdade de Psicologia da PUC-Campinas, Profa. Dra. Silvia Rocha. De acordo com ela, não há problema crianças terem compromissos, a questão, para a pesquisadora, é o tipo de compromisso.

“A criança está sendo preparada para ser uma entre alguns. As classes mais pobres fazem o mesmo: preparam seus filhos para o possível, para o melhor, dentro de suas condições”, afirma. Ela, no entanto, alerta para o perigo em se criar um ideal de infância e produzir uma contraposição entre o passado e o presente, ou a verdadeira infância e a falsa infância. “Não quer dizer que estejamos melhores. Estamos diferentes. Com ganhos e prejuízos”.

Confira a entrevista na íntegra:

É possível definir o que é infância?

O conceito de infância não é universal e nem sempre existiu. Aliás, continua não existindo para determinados grupos socioculturais.  A ideia de infância, e da criança que precisa ser protegida e precisa ter um conjunto de atividades específicas para ela, apareceu no final da Idade Média. O conceito de infância é uma construção histórica.

Do mesmo modo que nem sempre existiu o que chamamos de infância, é possível que para determinados segmentos da sociedade estejamos presenciando o fim da infância que se produz com as brincadeiras de rua. Atividades que traziam características de desenvolvimento diferente da infância do século 21.

O ideal é não ter um ideal de infância?

 Não tem como não ter. Sempre vamos projetar um modelo, na expectativa de que esse modelo será o melhor.  .

As crianças que brincam na rua tendem a ter, por exemplo, uma habilidade motora global melhor do que a criança que não brinca, assim como as crianças que têm muitas atividades com certos vídeo games tendem a ter melhor raciocínio verbal e lógico-matemático.

Muito se discute, nos dias de hoje, que algumas crianças, principalmente de classe média e classe média alta, estão com uma rotina muito parecida com a de um adulto: escola, natação, aulas de inglês, computação, balé, entre outras atividades. Qual a sua avaliação sobre o que vem sendo chamado de “adultização” das crianças.

É importante localizar, conforme pontuado na pergunta, sobre qual criança está se falando. Nesse cenário apontado, os compromissos das crianças são os traços do sucesso. Porque uma criança de uma classe menos favorecida também pode ter compromissos, como jogar bola.  A questão que parece ser fundamental é pensar o tipo de compromisso.

A criança que sai da escola, vai para o curso de inglês, sai do curso de inglês, vai para a natação, sai da natação e vai para o curso de informática, ela está sendo preparada para pertencer a uma elite. Os pais, por sua vez, investem expectativas e dinheiro nessa criança. Portanto, a maior diferença entre as classes sociais é o tipo de compromisso que terá a criança.

Esse cenário produz outra questão importante, que é a competição entre as crianças, como a escola de inglês de mais prestígio. A “adultização” repercute em ansiedade, depressão e, principalmente, frustração.

Para pesquisadora da PUC-Campinas, o diálogo é uma ferramenta educacional de grande importância/ Crédito: Álvaro Jr.
Para pesquisadora da PUC-Campinas, o diálogo é uma ferramenta educacional de grande importância/ Crédito: Álvaro Jr.

A escola se adapta a esse aluno competitivo?

 A escola faz parte dessa competição. É só repararmos a nossa volta, os outdoors, a propaganda na televisão: “primeiro lugar no vestibular”. Ou seja, a criança desde cedo percebe qual é a regra do jogo: que ela tem que se distinguir entre tantas para que os pais sejam convencidos que precisam pagar uma mensalidade cara para o seu filho.

As escolas públicas não têm essa estratégia de marketing tão agressiva e explícita, mas existem hierarquias entre essas escolas. E as crianças são afetadas por essas comparações.

A escola da criança atarefada, ela própria assume esse projeto e oferece atividades complementares para essa criança de elite, que a coloca à frente dos outros que vão competir com ela no mercado de trabalho. Portanto, a escola está afinada com esse discurso.

As crianças passaram a ter uma agenda que parece a de um empresário. Só que isso é mais ou menos consciente, mais ou menos explícito. É reproduzido aquilo que é dito que é o melhor, ou aquilo que deve ser feito.  É uma dinâmica complexa.

Tem relatos de crianças que ficam com vergonha de dizer que foram nas férias para o sítio da avó, porque se sabe, rapidamente, que isso não tem prestígio como tem, por exemplo, uma viagem internacional.

A tecnologia ajuda ou atrapalha o desenvolvimento infantil? Por que as crianças mais ricas estão com o tablet, as mais pobres estão nas lan houses ou assistindo à televisão. Muito se fala que a mídia passou a ocupar um espaço educativo, uma vez que os responsáveis estariam cada vez mais ausentes, em razão do trabalho.

A desconfiança em relação à tecnologia sempre existiu. Há uma “romantização” da infância referente aos modelos do passodo, e de que a infância contemporânea seria pior. Mas na época em que surgiu o Rádio, alguns estudos alertaram sobre o seu perigo. Toda a nova tecnologia assusta e levanta temores.

A minha avaliação é que a tecnologia é espetacular. Nada em si é bom ou ruim. Todas as circunstâncias têm aspectos positivos e negativos. De modo geral, o grande problema é o excesso. Jogar videogame por 18 horas, assistir à televisão por 10 horas, ficar lendo o dia inteiro é ruim, porque impede outras oportunidades de desenvolvimento e aprendizado.

No final do século 19, a mãe estava presente, mas a relação entre a criança com os pais melhorou muito nos últimos anos. Antes, as crianças não podiam opinar, não podiam escolher. Hoje, as crianças se posicionam, questionam, reivindicam, às vezes exageram, mas tudo isso é muito mais legal.

Não quer dizer que estejamos melhores. Estamos diferentes. Com ganhos e prejuízos. O equilíbrio do acesso a diversas produções culturais seria o ideal.

E o diálogo entre pais e filhos. Até que ponto ele funciona?

O diálogo é prioritário. É a melhor ferramenta para criar os novos sujeitos como seres pensantes, que se sintam seguros e respeitados. É essencial querer ouvir a opinião da criança e fundamentar para ela o motivo pelo qual seu desejo não poderá ser atendido. Claro que é um longo processo necessário para que a criança consiga decidir certas coisas. Tem algumas questões em que cabe ao adulto dizer sim ou não. De preferência, deve explicar, mas, às vezes, não no momento em que a criança está com raiva por ter seu desejo negado.  A criança precisa obedecer porque compreendeu e não por medo.

Como lidar com a frustração da criança?

A frustração faz parte do desenvolvimento dos sujeitos, desde que ela não seja violenta, porque quem está na zona de conforto, não cresce. A frustração é inevitável e educacional. Mas é preciso saber conduzir isso. Quanto menos o adulto mobilizar a raiva da criança, melhor.  .

Claro que a raiva é inevitável, mas saber o que faremos com ela é outro passo. O uso da punição física é um exemplo de que o adulto perdeu essa batalha.

Vamos colocar nessa discussão o Estado como agente importante na construção da infância contemporânea. Como estão as políticas públicas para as crianças?

O Estado passou a fazer convênios ou a se utilizar da bolsa creche, oferecendo para o responsável pela criança dinheiro para que ele possa matricular a criança na escolinha do bairro, uma vez que não há vagas nas escolas públicas.

A questão é: como se garante uma boa educação formal e pública, se o Estado, que é o responsável, não está gerenciando o procedimento pedagógico daquela escola e a formação dos professores?

Os pais, se não encontram vaga para o filho, vão até o Juiz, que obriga a escola aceitar a criança. Há, nesse conflito, uma má compreensão por parte do responsável sobre a educação infantil, uma vez que ele não está se atentando às condições pedagógicas que a criança terá se frequentar uma turma superlotada.

Nesse momento, é urgente encontrar a melhor forma de argumentar com a população, mostrando que as condições de trabalho dos professores e monitores da Educação Infantil são fundamentais para o desenvolvimento da criança.

Profa. Dra. Silvia Rocha é pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Educação e Docente da Faculdade de Psicologia da PUC-Campinas.

Um homem que se entregou à causa de Deus

PUC-Campinas presta homenagem a Dom Gilberto Pereira Lopes durante semana de evento que leva o seu nome

Por Amanda Cotrim

Integrando as comemorações dos 75 anos de fundação da criação da PUC-Campinas, a Universidade, por meio do Museu Universitário e da Faculdade de História, promoveu a Semana Dom Gilberto Pereira Lopes, de 24 a 28 de outubro de 2016, no Auditório Cardeal Agnelo Rossi, localizado no Campus I.

Semana Dom Gilberto Pereira Lopes ocorreu do dia 24 a 28 de outubro de 2016/ Crédito: Álvaro Jr.
Semana Dom Gilberto Pereira Lopes ocorreu do dia 24 a 28 de outubro de 2016/ Crédito: Álvaro Jr.

O objetivo foi homenagear o Arcebispo Emérito de Campinas Dom Gilberto Pereira Lopes, que atuou como Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da Pontifícia Universidade Católica de Campinas no período de 1982 a 2004.

Um dos momentos mais emocionantes da Semana foi o primeiro dia de evento, o qual contou com a presença de Dom Gilberto e seus familiares, além da Reitora da Universidade, Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht e do Arcebispo Metropolitano de Campinas, Dom Airton José dos Santos.

O evento pode aproximar a nova geração da história de um dos homens mais importantes para a Igreja Católica do Brasil e para a Universidade. Os palestrantes ressaltaram que Dom Gilberto se entregou à causa de Deus e dedicou toda a sua vida à obra Dele. “É por amor e reconhecimento que fizemos esta homenagem”, ressaltou Arcebispo e Grão-Chanceler da PUC-Campinas.

Livro: a materialização da memória de Dom Gilberto

A Semana Dom Gilberto Pereira Lopes também proporcionou o lançamento do livro “Dom Gilberto: no tempo de Deus”, o qual conta a trajetória do religioso e a promessa feita aos pais de que ele seria um servo de Deus. Desde pequeno, Dom Gilberto, que nasceu em 1927, na Bahia, frequentou o Seminário Menor, em Petrolina, Pernambuco, cidade em que cresceu. Cursou Filosofia e Teologia em Olinda. Foi ordenado presbítero, na Catedral de Petrolina, no dia 4 de dezembro de 1949, por Dom Avelar Brandão Vilela, então Bispo de Petrolina, depois Cardeal Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil.

Vice Reitor Prof. Dr. Germano Rigacci Jr, Padre José Antônio Trasferetti, Dom Gilberto e Prof. Paulo Pozzebon/ Crédito: Álvaro Jr.
Vice Reitor Prof. Dr. Germano Rigacci Jr, Padre José Antônio Trasferetti, Dom Gilberto e Prof. Paulo Pozzebon/ Crédito: Álvaro Jr.

 

 

Trajetória

O ano de 1976 surgiu na Diocese de Campinas com um novo vigor. Dom Gilberto Pereira Lopes foi nomeado pelo Papa Paulo VI, no dia 24 de dezembro de 1975, como Arcebispo Coadjutor.

Sua posse canônica se deu na Catedral Metropolitana de Campinas, no dia 7 de março de 1980, dia em que se comemorava três anos de sua posse como Coadjutor na Arquidiocese. No dia 10 de fevereiro de 1982, foi promovido a Arcebispo de Campinas, recebendo o Pálio, por procurador, no Consistório, em 24 de maio do mesmo ano, realizado no Vaticano.

Na sua palavra de posse, Dom Gilberto já fazia alusão à administração da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Em 1981, na Assembleia do Regional Sul 1, Dom Gilberto foi escolhido para ser o seu representante na Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Recebeu, ainda, nomeação do Papa João Paulo II como Membro da Congregação para Educação Católica (Seminários e Institutos de Estudos), por meio de carta da Secretaria de Estado do Vaticano, datada de 5 de abril de 1989, pelo período de cinco anos. De 18 a 25 de abril de 1989, Dom Gilberto foi representante do Brasil no 3o Congresso Internacional sobre Universidade Católica, realizado em Roma, com 175 representantes de todo o mundo.

Ao completar 75 anos de idade, enviou sua carta de renúncia ao Papa João Paulo II, que aceitou o pedido em 2 de junho de 2004, nomeando Dom Bruno Gamberini como Arcebispo Metropolitano de Campinas. Dom Bruno, no dia de sua posse, em 1o de agosto de 2004, conferiu a Dom Gilberto as faculdades de Vigário Geral da Arquidiocese de Campinas. Hoje, Dom Gilberto é Arcebispo Emérito de Campinas.

 

Afetividade como porta de entrada do aprendizado infantil

Projeto de Extensão da PUC-Campinas incentiva tomada de posição afetiva do professor em sala de aula e colhe bons resultados

 Por Amanda Cotrim

Não é preciso ter só competência para entrar em uma sala de aula e ensinar crianças de 7 a 12 anos de idade. É preciso compreender o lugar do professor, da criança e da escola; ou seja, é necessário olhar para o contexto social e saber quem é o aluno. As escolas públicas, localizadas em bairros com pouca ou nenhuma infraestrutura social, são as mais penalizadas pelo abandono do poder público e o trabalho do professor é afetado diretamente.

Coordenadora dos anos iniciais da Escola Estadual Gloria Aparecida Rosa Viana, Ana Julia Fernandes Silva. /Álvaro Jr.
Coordenadora dos anos iniciais da Escola Estadual Gloria Aparecida Rosa Viana, Ana Julia Fernandes Silva. /Álvaro Jr.

Como acessar esse aluno, que chega à escola e necessita de um ensino de qualidade, mas também de atenção? Como saber o limite entre ser professor e ser amigo? Essas perguntas motivaram a criação do Projeto de Extensão “Processos afetivos e relações interpessoais no contexto da educação infantil”, que tem como responsável a Profa. Dra. Rita Maria Manjaterra Khater, da Faculdade de Psicologia da PUC-Campinas.

O objetivo inicial do projeto era desenvolver atividades com os professores de escolas da rede pública estadual de Campinas. “A perspectiva teórica passa pelo entendimento da relação entre eu e o outro, onde a afetividade é considerada um elemento essencial para o processo de desenvolvimento humano; como uma porta de entrada para o aprendizado”, destaca a professora Rita.

As escolas públicas que participam do projeto foram escolhidas pela Diretoria de Ensino de Campinas Oeste/Álvaro Jr.
As escolas públicas que participam do projeto foram escolhidas pela Diretoria de Ensino de Campinas Oeste/Álvaro Jr.

As escolas públicas que participam do projeto foram escolhidas pela Diretoria de Ensino de Campinas Oeste, órgão responsável pela supervisão das escolas de maior índice de vulnerabilidade social. Os professores participantes lecionam para os anos iniciais (1ª a 5ª série) e os anos finais (6ª a 9ª série), além do Ensino Médio. Os encontros com a equipe do projeto de Extensão da PUC-Campinas são quinzenais e ocorrem na Escola Estadual Gloria Aparecida Rosa Viana, no Satélite Iris II, e na Escola Estadual Prof. Élcio Antonio Selmi, no Residencial Cosmos, ambas na região Noroeste de Campinas.

“Esse projeto está sendo essencial, pois nele discutimos situações que muitas vezes o professor passa na sala de aula, mas não divide com ninguém. A afetividade é uma construção, então, é fundamental que o professor seja carinhoso com o aluno, porque na casa da criança muitas vezes é o oposto, é uma vida de violência, e a escola é o lugar onde se pode fazer a diferença”, opina a Coordenadora dos anos iniciais da Escola Estadual Gloria Aparecida rosa Viana, Ana Julia Fernandes Silva.

“No momento em que escolhemos trabalhar com crianças, temos que ter consciência de que a relação afetuosa será construída no cotidiano e que a afetividade em sala de aula é uma ferramenta para o ensino. As crianças precisam da gente”, defende Graziele de Oliveira, professora da 1ª a 5ª série. Sua colega de trabalho, Vanizi Maria Marçal, compartilha desse sentimento: “Com o projeto da PUC-Campinas, podemos falar sobre as nossas vivências em sala de aula e trabalharmos juntos para aprimorar a nossa postura diante da criança”, considera.

Professores precisam ser ouvidos

Projeto: "Processos afetivos e relações interpessoais no contexto da educação infantil"/ Álvaro Jr.
Projeto: “Processos afetivos e relações interpessoais no contexto da educação infantil”/ Álvaro Jr.

Para o Coordenador dos anos finais (6ª a 9ª série), da Escola Estadual Prof. Élcio Antonio Selmi, Manuel Gondim, o projeto de extensão da Universidade se diferencia porque tem como foco o professor. Segundo ele, nos últimos anos, a escola em que Gondim trabalha registrou conflitos na relação professor x aluno ao que tange, principalmente, a indisciplina e ao desrespeito. “Esse projeto veio num momento muito importante. Era preciso ouvir o professor. Muitos projetos visam os alunos, o que é fundamental, mas quase não enxergam esse profissional que é essencial para a qualidade do ensino”, observa.

Gondim relata que no início das reuniões com os seus colegas professores e com a responsável pelo Projeto de Extensão da PUC-Campinas, Profa. Rita, surgiram algumas dúvidas, como, por exemplo, o limite do ser professor e ser amigo. “Nos encontros, discutimos muito isso, porque é uma dúvida geral. E o limite é justamente até onde vai o pedagógico”, ressalta.

Uma relação dialógica e dialética

Para a aluna bolsista do Projeto de Extensão da PUC-Campinas, Pamela de Oliveira, que está no 4º ano de Psicologia, “foi fundamental ter essa vivência com os professores e perceber o docente por outro ponto de vista. Ele, muitas vezes, é fragilizado por esse sistema de educação, o que o impossibilita de exercer a afetividade. E esse é o desafio do nosso projeto”, afirmou a estudante.

“Levamos sempre atividades lúdicas para motivar a reflexão durante os encontros junto aos professores e também porque acreditamos que essas atividades ajudam a construir a afetividade”, complementa o aluno bolsista do Projeto de Extensão, Romulo Lopes, de 20 anos, aluno do segundo ano de Psicologia.

Para a responsável pelo projeto de Extensão, Professora Rita, o entendimento do papel da dimensão afetiva para o desenvolvimento humano é uma importante contribuição da psicologia para a prática pedagógica. “Possibilitar para o professor oportunidade de discutir práticas facilitadoras da construção de uma boa relação entre professor e aluno permeada por segurança e aconchego emocional, solidariedade entre pares e com proximidade nos relacionamentos humanos, contribui para que a aprendizagem ocorra com maior eficiência. Este projeto de extensão espera colaborar na formação dos professores no que se refere ao aprimoramento dos processos afetivos do  cotidiano dessas escolas”, considera.

 

 

 

 

Novas propostas para a educação infantil carregam antigas concepções

Pesquisa de mestrado defende que crianças de 0 a 6 anos precisam frequentar a escola

Por Amanda Cotrim

No século XXI, um discurso educacional ganhou forças no cenário da educação infantil. Passou-se a valorizar as “práticas espontâneas”, ou seja, adaptação do ensino às atividades de interesse do aluno, colocando o professor como um “estimulador” do conhecimento. Esse discurso carrega a concepção de que pouco se pode fazer na educação infantil, e que, por isso, não é possível avançar para além dos cuidados básicos com as crianças. É tentando compreender essa concepção sobre educação infantil que surge a pesquisa de mestrado da ex-aluna da Pós-Graduação em Educação da PUC-Campinas, Bárbara Carvalho Marques Toledo Lima, intitulada: “Proposta pedagógica para a educação infantil: educação escolar ou compensatória?”, cuja orientação foi da Profa. Dra. Heloisa Helena Oliveira de Azevedo

A ex-aluna pesquisou a proposta de educação infantil de uma das Naves-Mãe, implementadas em 2005, em Campinas. Além de abranger crianças de zero a cinco anos e 11 meses, as Naves-Mãe também se configuravam como um projeto inovador. “Do ponto de vista da estrutura física e da manutenção da vida das crianças que residem em bairros de alta vulnerabilidade social, a Nave-Mãe representa um grande avanço para Campinas. Mas do ponto de vista pedagógico, a instituição tem descaracterizado o que chamamos de escola, dentro da concepção histórico-crítica da educação. O que há de mais tecnológico, moderno, sofisticado, mantém a essência de concepções antigas da educação”, afirma Bárbara.

Para pesquisadora, o discurso atual coloca a educação a favor das exigências da sociedade capitalista

Para a pesquisadora, muitas das novas propostas que vêm surgindo para a educação infantil estão pautadas em um ensino que busca atender às necessidades da criança e ao desenvolvimento das potencialidades. Isso, para a pesquisadora, configura um discurso que coloca a educação a favor das exigências da sociedade capitalista atual. “Valoriza-se cada vez mais aquilo que é espontâneo no aluno, preocupando-se cada vez menos com o ensino e com a formação dos professores”, constata. Para ela, esse discurso desqualifica a escola de educação infantil e exige-se cada vez menos formação aos professores para trabalhar com as crianças, pois “para apenas estimular a criança, não precisa de nenhum sujeito formado; os programas para atender os alunos se simplificam e se tornam cada vez menos complexos, pois basta trazer o lúdico e as brincadeiras espontâneas como eixo norteador do trabalho”, considera Bárbara.

Ex-aluna defendeu a dissertação “Proposta pedagógica para a educação infantil: educação escolar ou compensatória?”

“Os discursos atendem, portanto, os interesses da classe dominante, uma vez que, para proporcionar uma educação infantil escolar pública, de qualidade e gratuita para toda a população é preciso de um investimento financeiro muito alto”, constata a pesquisadora. Segundo ela, exigir um professor graduado para ensinar os alunos de 0 a 6 anos é investir em um salário que seja condizente à sua formação, assim também como trazer segurança para as crianças exige tanto investimentos no espaço físico quanto um número reduzido de alunos por sala de aula. “A educação infantil tem custos altíssimos e parece mais viável desqualificar cada vez mais este segmento enquanto escola, porque sustentar um “espaço” é evidentemente mais barato”, defende.

Bárbara ressalta que o fato de uma instituição estar instalada em uma comunidade carente não significa que as crianças precisam apenas ter boa alimentação, espaço e materiais. “Independentemente da condição social em que a família da criança se encontra, além desses recursos, ela deve ter o direito à educação pública e de qualidade, tem direito à escola e não somente ao espaço, tem direito ao ensino e não somente à convivência, tem direito de ter professores qualificadamente formados e não educadores que fazem o papel da família”.

“A pesquisa questiona até quando a educação no Brasil ficará à mercê das exigências da sociedade atual, uma vez que deveria ser justamente o meio pelo qual viríamos a superar a realidade social capitalista vigente”, finaliza.

 

Projeto da PUC-Campinas auxilia no diagnóstico de crianças com atraso neuromotor

 O projeto é desenvolvido no âmbito da Extensão Universitária, pela Faculdade de Fisioterapia. Iniciativa capacita profissionais da unidade básica de saúde 

Por Amanda Cotrim

Instrumentalizar, capacitar e promover a autonomia de profissionais da área da saúde da Unidade Básica de Saúde (UBS), no Parque Floresta, na região Noroeste de Campinas, a fim de que eles identifiquem os fatores de risco ao desenvolvimento neuromotor, em crianças de zero a 24 meses de idade, e verifiquem se essas crianças apresentam o desenvolvimento motor compatível com as orientações da Caderneta de Saúde é um dos objetivos do Projeto de Extensão na atividade desde o início do ano.

O atraso neuromotor infantil se dá, entre outras razões, pela falta de estímulo dos responsáveis e por fatores socioambientais adversos à saúde, que afetam o sistema nervoso central, provocando diferentes alterações e sequelas. Nesse cenário, os profissionais das Unidades Básicas de Saúde têm papel relevante no diagnóstico precoce.

O Projeto identificou os profissionais de saúde da Unidade Básica selecionada como seu público-alvo e, desde então, promove oficinas técnicas e socioeducativas com este público para, no desenvolvimento da educação permanente, capacitá-los a identificar crianças com provável atraso de desenvolvimento e desenvolvimento normal com fatores de risco.

Segundo a docente responsável pelo projeto, Profa. Me. Maria Valéria Corrêa, da Faculdade de Fisioterapia, sabendo identificar fatores de risco, alterações e atrasos do desenvolvimento neuromotor infantil, os profissionais das Unidades Básicas de Saúde podem encaminhar as crianças, o mais rapidamente possível, para avaliação e tratamento específicos.

“Nesse aspecto, o Projeto carrega em si uma forte transformação social, à medida que o nosso público-alvo, que no caso são os profissionais da Unidade Básica de Saúde do Parque Floresta, tornam-se verdadeiros vigilantes do desenvolvimento neuromotor em bebês e crianças”, considera a Profa. Me. Maria Valéria.

De acordo com a docente da PUC-Campinas, as disciplinas curriculares da graduação que abordam temas envolvendo bebês e crianças demonstraram que quanto mais precocemente a criança com risco ou alterações em seu desenvolvimento neuromotor participar de um programa como este, desenvolvido pela PUC-Campinas, o diagnóstico cinético funcional será mais rápido e as intervenções que se fizerem necessárias serão realizadas precocemente.

O aluno de Fisioterapia que participa do Projeto de Extensão como bolsista, afirma que contribuir para que os profissionais do Centro de Saúde se tornem autônomos para identificar os fatores de risco ao desenvolvimento infantil e as crianças portadoras de atraso neuromotor é uma das suas motivações para participar. “Aprendi com o Projeto a respeitar a questão socioeconômica e cultural da população que frequenta o Centro de Saúde. Aprendo muito com a equipe multiprofissional, além de gostar da área de pediatria para a minha formação acadêmica”, ressalta o estudante Gustavo Martignago.

O Projeto no dia a dia dos funcionários

“A parceria com a PUC-Campinas está sendo muito bem desenvolvida, principalmente se considerarmos a região em que a UBS está inserida, com uma população infantil bastante carente. Estamos muito felizes com essa oportunidade porque o Projeto qualifica o trabalho dos profissionais: agentes comunitários, auxiliares, enfermeiros e médicos na identificação de riscos ao desenvolvimento neuromotor das crianças”, avalia a Coordenadora da Unidade Básica de Saúde no Parque Floresta, Luciamara Targa.

O Projeto de Extensão ainda está em desenvolvimento, mas projeta como resultado a produção conjunta de material informativo em forma de cartilha ou folder, em linguagem acessível, para explicar e treinar o conteúdo à família ou responsável pela criança.

“No final, publicaremos o material informativo como instrumento de orientação aos pais ou responsáveis pela população infantil do Projeto e para outras crianças, as quais serão beneficiadas apesar do término das atividades de Extensão”, finaliza a professora Maria Valéria Corrêa.

 

O próximo gerente pode ser você

Estudo afirma que a sucessão planejada é o caminho para o sucesso 

Por Amanda Cotrim

A competitividade do mercado exige que as empresas busquem sempre um diferencial inovador. “Não é fácil capacitar um líder para gerir pessoas nos dias de hoje, pois além dessa qualidade, ele precisa ter conhecimento técnico adequado para assumir essa posição”. Uma gestão moderna é o grande desafio das empresas; essa é uma das constatações do estudo desenvolvido pela ex-aluna do curso de especialização em Desenvolvimento do Potencial Humano nas Organizações , da PUC-Campinas, Laís Nassar Marcondes dos Reis, que aplicou o plano de sucessão em uma empresa americana multinacional de componentes eletrônicos. O estudo concluiu que a prática de um programa de sucessão é uma ferramenta fundamental para o mercado.

Segundo Laís, que é formada em Psicologia também pela Universidade, com o plano de sucessão desenvolvido, a empresa diminui a preocupação em substituir funcionários que estão prestes a se aposentar ou que podem deixar a empresa em razão da rotatividade do cargo. “Uma promoção pode ter um efeito negativo, se o profissional não estiver preparado. A empresa precisa estar atenta a isso”, considera.

Perfil dos futuros gerentes

O estudo feito na multinacional selecionou 20 funcionários/supervisores (dos 480 trabalhadores), sendo 19 homens e uma mulher. A pesquisa identificou que a maioria dos entrevistados tem ensino superior completo e está na faixa dos 30 a 50 anos de idade. Contudo, Laís observou que o tempo de serviço não é garantia de promoção. A pesquisa apontou que a maioria dos candidatos à promoção, que foram entrevistados, tem em média sete anos de empresa. O estudo também mostrou que as competências mais valorizadas pelos funcionários consultados, no momento de ocupar um cargo de liderança, é o “autocontrole” e “trabalho em equipe”.

Para Laís, um dos “braços” que as empresas têm para mapear futuros gerentes é a área de Recursos Humanos. “Nos dias de hoje, muitas empresas buscam implantar um plano de sucessão, justamente pela dificuldade de encontrar força de trabalho qualificada. Ter um acesso mais fácil a esse tipo de informação, bibliografia, cursos ou consultorias ajudaria na implantação desse processo nas grandes empresas”, explica.

Impasses no momento da sucessão

“Quando se trata de empreendimento familiar, os problemas vão além da empresa, estes podem ser transformados em grandes conflitos pessoais, porque nem sempre os empresários conseguem solucionar os problemas de forma racional”, aponta. Laís defende que o processo de substituição “deve ser iniciado desde cedo para que o sucessor esteja bem preparado para dirigir a organização e o cargo que a ele foi designado, seja familiar ou não”.

Segundo ela, muitos empresários acreditam que manter os familiares no controle é o melhor para o sucesso da organização. Outros, contudo, preferem apostar em profissionais de fora, com pensamentos diferentes, inovadores, pois esse pode ser um ponto positivo para o crescimento da empresa.

De acordo com Laís, o sucessor deverá ser a pessoa mais compatível com o modelo de seguimento que antes era exercido pela organização. “O planejamento de sucessão não deve existir isoladamente; ele deve estar alinhado com os objetivos estratégicos da organização e sustentar a maneira pela qual ela pretende evoluir para atingir suas metas” conclui.