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Um homem que se entregou à causa de Deus

PUC-Campinas presta homenagem a Dom Gilberto Pereira Lopes durante semana de evento que leva o seu nome

Por Amanda Cotrim

Integrando as comemorações dos 75 anos de fundação da criação da PUC-Campinas, a Universidade, por meio do Museu Universitário e da Faculdade de História, promoveu a Semana Dom Gilberto Pereira Lopes, de 24 a 28 de outubro de 2016, no Auditório Cardeal Agnelo Rossi, localizado no Campus I.

Semana Dom Gilberto Pereira Lopes ocorreu do dia 24 a 28 de outubro de 2016/ Crédito: Álvaro Jr.
Semana Dom Gilberto Pereira Lopes ocorreu do dia 24 a 28 de outubro de 2016/ Crédito: Álvaro Jr.

O objetivo foi homenagear o Arcebispo Emérito de Campinas Dom Gilberto Pereira Lopes, que atuou como Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da Pontifícia Universidade Católica de Campinas no período de 1982 a 2004.

Um dos momentos mais emocionantes da Semana foi o primeiro dia de evento, o qual contou com a presença de Dom Gilberto e seus familiares, além da Reitora da Universidade, Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht e do Arcebispo Metropolitano de Campinas, Dom Airton José dos Santos.

O evento pode aproximar a nova geração da história de um dos homens mais importantes para a Igreja Católica do Brasil e para a Universidade. Os palestrantes ressaltaram que Dom Gilberto se entregou à causa de Deus e dedicou toda a sua vida à obra Dele. “É por amor e reconhecimento que fizemos esta homenagem”, ressaltou Arcebispo e Grão-Chanceler da PUC-Campinas.

Livro: a materialização da memória de Dom Gilberto

A Semana Dom Gilberto Pereira Lopes também proporcionou o lançamento do livro “Dom Gilberto: no tempo de Deus”, o qual conta a trajetória do religioso e a promessa feita aos pais de que ele seria um servo de Deus. Desde pequeno, Dom Gilberto, que nasceu em 1927, na Bahia, frequentou o Seminário Menor, em Petrolina, Pernambuco, cidade em que cresceu. Cursou Filosofia e Teologia em Olinda. Foi ordenado presbítero, na Catedral de Petrolina, no dia 4 de dezembro de 1949, por Dom Avelar Brandão Vilela, então Bispo de Petrolina, depois Cardeal Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil.

Vice Reitor Prof. Dr. Germano Rigacci Jr, Padre José Antônio Trasferetti, Dom Gilberto e Prof. Paulo Pozzebon/ Crédito: Álvaro Jr.
Vice Reitor Prof. Dr. Germano Rigacci Jr, Padre José Antônio Trasferetti, Dom Gilberto e Prof. Paulo Pozzebon/ Crédito: Álvaro Jr.

 

 

Trajetória

O ano de 1976 surgiu na Diocese de Campinas com um novo vigor. Dom Gilberto Pereira Lopes foi nomeado pelo Papa Paulo VI, no dia 24 de dezembro de 1975, como Arcebispo Coadjutor.

Sua posse canônica se deu na Catedral Metropolitana de Campinas, no dia 7 de março de 1980, dia em que se comemorava três anos de sua posse como Coadjutor na Arquidiocese. No dia 10 de fevereiro de 1982, foi promovido a Arcebispo de Campinas, recebendo o Pálio, por procurador, no Consistório, em 24 de maio do mesmo ano, realizado no Vaticano.

Na sua palavra de posse, Dom Gilberto já fazia alusão à administração da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Em 1981, na Assembleia do Regional Sul 1, Dom Gilberto foi escolhido para ser o seu representante na Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Recebeu, ainda, nomeação do Papa João Paulo II como Membro da Congregação para Educação Católica (Seminários e Institutos de Estudos), por meio de carta da Secretaria de Estado do Vaticano, datada de 5 de abril de 1989, pelo período de cinco anos. De 18 a 25 de abril de 1989, Dom Gilberto foi representante do Brasil no 3o Congresso Internacional sobre Universidade Católica, realizado em Roma, com 175 representantes de todo o mundo.

Ao completar 75 anos de idade, enviou sua carta de renúncia ao Papa João Paulo II, que aceitou o pedido em 2 de junho de 2004, nomeando Dom Bruno Gamberini como Arcebispo Metropolitano de Campinas. Dom Bruno, no dia de sua posse, em 1o de agosto de 2004, conferiu a Dom Gilberto as faculdades de Vigário Geral da Arquidiocese de Campinas. Hoje, Dom Gilberto é Arcebispo Emérito de Campinas.

 

Afetividade como porta de entrada do aprendizado infantil

Projeto de Extensão da PUC-Campinas incentiva tomada de posição afetiva do professor em sala de aula e colhe bons resultados

 Por Amanda Cotrim

Não é preciso ter só competência para entrar em uma sala de aula e ensinar crianças de 7 a 12 anos de idade. É preciso compreender o lugar do professor, da criança e da escola; ou seja, é necessário olhar para o contexto social e saber quem é o aluno. As escolas públicas, localizadas em bairros com pouca ou nenhuma infraestrutura social, são as mais penalizadas pelo abandono do poder público e o trabalho do professor é afetado diretamente.

Coordenadora dos anos iniciais da Escola Estadual Gloria Aparecida Rosa Viana, Ana Julia Fernandes Silva. /Álvaro Jr.
Coordenadora dos anos iniciais da Escola Estadual Gloria Aparecida Rosa Viana, Ana Julia Fernandes Silva. /Álvaro Jr.

Como acessar esse aluno, que chega à escola e necessita de um ensino de qualidade, mas também de atenção? Como saber o limite entre ser professor e ser amigo? Essas perguntas motivaram a criação do Projeto de Extensão “Processos afetivos e relações interpessoais no contexto da educação infantil”, que tem como responsável a Profa. Dra. Rita Maria Manjaterra Khater, da Faculdade de Psicologia da PUC-Campinas.

O objetivo inicial do projeto era desenvolver atividades com os professores de escolas da rede pública estadual de Campinas. “A perspectiva teórica passa pelo entendimento da relação entre eu e o outro, onde a afetividade é considerada um elemento essencial para o processo de desenvolvimento humano; como uma porta de entrada para o aprendizado”, destaca a professora Rita.

As escolas públicas que participam do projeto foram escolhidas pela Diretoria de Ensino de Campinas Oeste/Álvaro Jr.
As escolas públicas que participam do projeto foram escolhidas pela Diretoria de Ensino de Campinas Oeste/Álvaro Jr.

As escolas públicas que participam do projeto foram escolhidas pela Diretoria de Ensino de Campinas Oeste, órgão responsável pela supervisão das escolas de maior índice de vulnerabilidade social. Os professores participantes lecionam para os anos iniciais (1ª a 5ª série) e os anos finais (6ª a 9ª série), além do Ensino Médio. Os encontros com a equipe do projeto de Extensão da PUC-Campinas são quinzenais e ocorrem na Escola Estadual Gloria Aparecida Rosa Viana, no Satélite Iris II, e na Escola Estadual Prof. Élcio Antonio Selmi, no Residencial Cosmos, ambas na região Noroeste de Campinas.

“Esse projeto está sendo essencial, pois nele discutimos situações que muitas vezes o professor passa na sala de aula, mas não divide com ninguém. A afetividade é uma construção, então, é fundamental que o professor seja carinhoso com o aluno, porque na casa da criança muitas vezes é o oposto, é uma vida de violência, e a escola é o lugar onde se pode fazer a diferença”, opina a Coordenadora dos anos iniciais da Escola Estadual Gloria Aparecida rosa Viana, Ana Julia Fernandes Silva.

“No momento em que escolhemos trabalhar com crianças, temos que ter consciência de que a relação afetuosa será construída no cotidiano e que a afetividade em sala de aula é uma ferramenta para o ensino. As crianças precisam da gente”, defende Graziele de Oliveira, professora da 1ª a 5ª série. Sua colega de trabalho, Vanizi Maria Marçal, compartilha desse sentimento: “Com o projeto da PUC-Campinas, podemos falar sobre as nossas vivências em sala de aula e trabalharmos juntos para aprimorar a nossa postura diante da criança”, considera.

Professores precisam ser ouvidos

Projeto: "Processos afetivos e relações interpessoais no contexto da educação infantil"/ Álvaro Jr.
Projeto: “Processos afetivos e relações interpessoais no contexto da educação infantil”/ Álvaro Jr.

Para o Coordenador dos anos finais (6ª a 9ª série), da Escola Estadual Prof. Élcio Antonio Selmi, Manuel Gondim, o projeto de extensão da Universidade se diferencia porque tem como foco o professor. Segundo ele, nos últimos anos, a escola em que Gondim trabalha registrou conflitos na relação professor x aluno ao que tange, principalmente, a indisciplina e ao desrespeito. “Esse projeto veio num momento muito importante. Era preciso ouvir o professor. Muitos projetos visam os alunos, o que é fundamental, mas quase não enxergam esse profissional que é essencial para a qualidade do ensino”, observa.

Gondim relata que no início das reuniões com os seus colegas professores e com a responsável pelo Projeto de Extensão da PUC-Campinas, Profa. Rita, surgiram algumas dúvidas, como, por exemplo, o limite do ser professor e ser amigo. “Nos encontros, discutimos muito isso, porque é uma dúvida geral. E o limite é justamente até onde vai o pedagógico”, ressalta.

Uma relação dialógica e dialética

Para a aluna bolsista do Projeto de Extensão da PUC-Campinas, Pamela de Oliveira, que está no 4º ano de Psicologia, “foi fundamental ter essa vivência com os professores e perceber o docente por outro ponto de vista. Ele, muitas vezes, é fragilizado por esse sistema de educação, o que o impossibilita de exercer a afetividade. E esse é o desafio do nosso projeto”, afirmou a estudante.

“Levamos sempre atividades lúdicas para motivar a reflexão durante os encontros junto aos professores e também porque acreditamos que essas atividades ajudam a construir a afetividade”, complementa o aluno bolsista do Projeto de Extensão, Romulo Lopes, de 20 anos, aluno do segundo ano de Psicologia.

Para a responsável pelo projeto de Extensão, Professora Rita, o entendimento do papel da dimensão afetiva para o desenvolvimento humano é uma importante contribuição da psicologia para a prática pedagógica. “Possibilitar para o professor oportunidade de discutir práticas facilitadoras da construção de uma boa relação entre professor e aluno permeada por segurança e aconchego emocional, solidariedade entre pares e com proximidade nos relacionamentos humanos, contribui para que a aprendizagem ocorra com maior eficiência. Este projeto de extensão espera colaborar na formação dos professores no que se refere ao aprimoramento dos processos afetivos do  cotidiano dessas escolas”, considera.

 

 

 

 

Ler é sair do escuro

Cíceras, Marias, Joãos, Jairs, Elisângelas, Zenildos, Glórias. Eles vieram de muitos “brasis”, como das regiões Norte, Nordeste e do Estado de Minas Gerais, mas vivem em São Paulo há pelo menos vinte anos. Esse é o enredo que liga as histórias desses colaboradores da PUC-Campinas, os primeiros participantes do projeto de capacitação de funcionários, criado em setembro de 2016 pela Pró-Reitoria de Administração, por meio da Divisão de Recursos Humanos, com apoio da Pró-Reitoria de Graduação e do Colégio de Aplicação PIO XII. O objetivo do projeto é promover a autonomia dos trabalhadores da Universidade por meio da retomada dos estudos.

Por Amanda Cotrim

No mundo em que Cícera Lopes Freire cresceu, ela não teve oportunidade de conhecer muitas palavras, de frequentar escola e de ter o caderno como seu objeto do cotidiano. Em seu mundo parcimonioso, não havia condições para que ela estudasse. “Perdi minha mãe muito cedo. Eu chegava da escola, colocava o caderno no canto e ia para a rua. Estudei até a segunda série. Quando soube do projeto da PUC-Campinas de alfabetização dos funcionários, aceitei sem pensar. É muito ruim ficar no escuro”, conta Cícera, que trabalha no Departamento de Serviços Gerais (DSG) da Universidade há três anos.

Iniciativa envolveu Proad, DRH, Prograd e Colégio Pio XII/ Crédito: Álvaro Jr.
Iniciativa envolveu Proad, DRH, Prograd e Colégio Pio XII/ Crédito: Álvaro Jr.

Para quem sabe ler e escrever, talvez seja difícil compreender a metáfora do “escuro” usada por Cícera, mas a analogia é essa mesma, um passo rumo à liberdade, como pontua João Evangelista Barbosa: “Eu não quero mais ficar perguntando tudo para todo o mundo. Eu quero ler”, diz ele, de forma convicta. João trabalha na Universidade há 17 anos, também no DSG, e se emociona ao falar que o projeto chegou na hora certa. “Eu nunca consegui voltar a estudar porque nunca dava tempo. Sempre tive que trabalhar. Agora eu consigo”. E continua. “Aqui na PUC-Campinas é muito bom porque a professora começou desde o início. Ninguém tira sarro um do outro. Todos se ajudam”, destaca.

“Eu também não sei ler. Parei na segunda série”, se apresenta Jair Pereira Alves, colaborador da PUC-Campinas há seis anos. Ele conta que antes de trabalhar na Universidade, não tinha condições de estudar porque não podia deixar de trabalhar e nem se negar a fazer horas extras. “Toda empresa, na maioria das vezes, não quer saber se o funcionário tem outras atividades ou se faz outras coisas além de trabalhar, o que interessa é o lucro. Na PUC-Campinas, não; aqui temos a oportunidade de voltar a estudar durante a nossa jornada de trabalho, algo maravilhoso que chegou na hora certa”, vibra Jair, funcionário no DSG.

A primeira turma do projeto de alfabetização da PUC-Campinas conta com 16 participantes. Funcionários do Campus I e II têm aulas as segundas e sextas-feiras, das 13h30 às 15h10, no Laboratório de Pedagogia, no Campus I. O Coordenador da Divisão de Recursos Humanos da Universidade, Lucas Couceiro Ferreira de Camargo, explica que desde o início foi uma preocupação da Instituição facilitar ao máximo a participação dos colaboradores. “Tivemos apoio e empenho imediatos dos gestores para incentivar os funcionários a participarem do projeto, o que foi muito importante para sua criação e continuidade”, destaca.

“A Universidade, dando essa oportunidade de a gente estudar durante o nosso expediente, é excelente, porque eu saio da PUC-Campinas às 17h e chego de ônibus em Monte Mor, uma distância de 30 quilômetros, perto das 20h. Como eu ia estudar? Com essa oportunidade, não podemos desperdiçar”, defende Zenildo Donato, de 49 anos. “Não tive como estudar no passado. Já tá tarde, mas a esperança nunca acaba”, ri vagarosamente.

 Ensinar é um ato de cidadania

 “A sala é bem heterogênea, não estão todos no mesmo nível. E isso é importante para o crescimento da turma, porque um que tem menos dificuldade pode auxiliar o outro”, explica a professora Michele Amatucci.

 A docente, que leciona no Colégio de Aplicação PIO XII, conta que quando os funcionários começaram no projeto, a frase mais comum que eles diziam era “Eu não consigo”. Hoje, eles dizem “Eu não consigo ainda”, uma mudança de perspectiva sobre o aprendizado, segundo Michele.  “Nada é do dia para a noite. É preciso se esforçar para que um pouco de cada vez aconteça. Eles precisam acreditar mais neles. Todos são capazes e estão se ajudando muito”, considera.

João Evangelista Barbosa trabalha na Universidade há 17 anos “Eu nunca tinha conseguido voltar a estudar”. / Crédito: Álvaro Jr.
João Evangelista Barbosa trabalha na Universidade há 17 anos . / Crédito: Álvaro Jr.

 

 

 

 

 

O projeto de alfabetização da PUC-Campinas tem a aprovação dos participantes, que  não se cansam de elogiar a professora Michele Amatucci. “Estamos aprendendo muito com ela, que explica maravilhosamente bem. Eu mesma estou lendo que é uma beleza”, diz às gargalhadas Elisângela Souza Lima, que está há 11 anos no Departamento de Serviços Gerais, no Campus II. “A oportunidade que não tivemos de pequeno, estamos tendo agora”, acrescenta.

A família também ajuda nesse ato de ensinar, como faz o filho de 14 anos de Conceição Bezerra. “Eu venho para as aulas com vontade. Chego em casa, mostro meu caderno para o meu filho, e ele me ajuda a estudar”, conta ela que trabalha há 17 anos como auxiliar de limpeza, do Campus II.

Preconceito

Há muitos desafios a serem enfrentados quando não se sabe ler e escrever, mas o principal deles e o mais comum, segundo os participantes do projeto, é o preconceito.

“A pior coisa é chegar num mercado ou num banco, ter que preencher uma ficha e não conseguir, pedir para os outros e ninguém querer ajudar você. Há muito preconceito na sociedade”, critica Maria Celia de Jesus Nogueira.

Ler, aprender e ir além

Para ela, não há limites para o aprendizado. Foi o desejo quase incontrolável pelo saber que a fez participar do projeto de alfabetização da PUC-Campinas. Maria tem 49 anos, trabalha na Universidade há oito como auxiliar de limpeza no Campus II. Ela gosta muito do que faz, mas quer tentar outras experiências. Por isso, participou de um processo seletivo interno na Universidade, mas não conseguiu a vaga, porque era preciso ter o segundo grau completo. “Eu gosto do que eu faço, mas se eu conseguir dar um passo maior, vou aproveitar. Eu sei bem pouco, então eu quero estudar porque no próximo processo seletivo que tiver na PUC-Campinas, eu vou participar e vou conseguir”, aposta.

Funcionários frequentam aulas durante expediente de trabalho/ Crédito: Álvaro Jr.
Funcionários frequentam aulas durante expediente de trabalho/ Crédito: Álvaro Jr.

Assim como Maria, todos têm sonhos e objetivos. Para Jair Pereira Alves, por exemplo, aprender a ler e a escrever é ter uma chance de se livrar dos grandes perigos do cotidiano. “Uma vez cheguei perto de uma placa que dizia que era proibido avançar porque quem ultrapassasse a margem poderia morrer eletrocutado. Eu não sabia o que estava escrito e fui em direção à placa. Quase morri porque não sabia ler. Não saber ler é a mesma coisa que estar no escuro”, compara.  “Agora eu quero estudar e ser advogado”, projeta Jair.

De acordo com a Coordenadora Especial de Licenciatura, da Pró-Reitoria de Graduação da PUC-Campinas, Professora Eliana Das Neves Areas, o trabalho de letramento e alfabetização amplia as relações intra e interpessoais e desenvolve uma melhor qualidade de vida para os participantes. “Com este projeto, a Universidade atende seus objetivos educacionais e a sua função social, contribuindo para a melhoria do nível de escolaridade dos funcionários, incentivando-os a prosseguir seus estudos e, assim, promover o desenvolvimento pessoal, intelectual e profissional”, ressalta.

Ninguém pretende parar

Quando perguntados se eles pretendiam continuar os estudos, a resposta foi unânime. Todos querem aprender mais e mais, seja participando do projeto da PUC-Campinas, seja se matriculando no Ensino de Jovens e Adultos (EJA). O desejo pelo aprendizado e pelo conhecimento parece ter contaminado a todos e ter se tornado, por fim, um ato de resistência: “Eu pretendo continuar os estudos e sair do escuro”, finaliza Cícera.

Projeto da PUC-Campinas auxilia no diagnóstico de crianças com atraso neuromotor

 O projeto é desenvolvido no âmbito da Extensão Universitária, pela Faculdade de Fisioterapia. Iniciativa capacita profissionais da unidade básica de saúde 

Por Amanda Cotrim

Instrumentalizar, capacitar e promover a autonomia de profissionais da área da saúde da Unidade Básica de Saúde (UBS), no Parque Floresta, na região Noroeste de Campinas, a fim de que eles identifiquem os fatores de risco ao desenvolvimento neuromotor, em crianças de zero a 24 meses de idade, e verifiquem se essas crianças apresentam o desenvolvimento motor compatível com as orientações da Caderneta de Saúde é um dos objetivos do Projeto de Extensão na atividade desde o início do ano.

O atraso neuromotor infantil se dá, entre outras razões, pela falta de estímulo dos responsáveis e por fatores socioambientais adversos à saúde, que afetam o sistema nervoso central, provocando diferentes alterações e sequelas. Nesse cenário, os profissionais das Unidades Básicas de Saúde têm papel relevante no diagnóstico precoce.

O Projeto identificou os profissionais de saúde da Unidade Básica selecionada como seu público-alvo e, desde então, promove oficinas técnicas e socioeducativas com este público para, no desenvolvimento da educação permanente, capacitá-los a identificar crianças com provável atraso de desenvolvimento e desenvolvimento normal com fatores de risco.

Segundo a docente responsável pelo projeto, Profa. Me. Maria Valéria Corrêa, da Faculdade de Fisioterapia, sabendo identificar fatores de risco, alterações e atrasos do desenvolvimento neuromotor infantil, os profissionais das Unidades Básicas de Saúde podem encaminhar as crianças, o mais rapidamente possível, para avaliação e tratamento específicos.

“Nesse aspecto, o Projeto carrega em si uma forte transformação social, à medida que o nosso público-alvo, que no caso são os profissionais da Unidade Básica de Saúde do Parque Floresta, tornam-se verdadeiros vigilantes do desenvolvimento neuromotor em bebês e crianças”, considera a Profa. Me. Maria Valéria.

De acordo com a docente da PUC-Campinas, as disciplinas curriculares da graduação que abordam temas envolvendo bebês e crianças demonstraram que quanto mais precocemente a criança com risco ou alterações em seu desenvolvimento neuromotor participar de um programa como este, desenvolvido pela PUC-Campinas, o diagnóstico cinético funcional será mais rápido e as intervenções que se fizerem necessárias serão realizadas precocemente.

O aluno de Fisioterapia que participa do Projeto de Extensão como bolsista, afirma que contribuir para que os profissionais do Centro de Saúde se tornem autônomos para identificar os fatores de risco ao desenvolvimento infantil e as crianças portadoras de atraso neuromotor é uma das suas motivações para participar. “Aprendi com o Projeto a respeitar a questão socioeconômica e cultural da população que frequenta o Centro de Saúde. Aprendo muito com a equipe multiprofissional, além de gostar da área de pediatria para a minha formação acadêmica”, ressalta o estudante Gustavo Martignago.

O Projeto no dia a dia dos funcionários

“A parceria com a PUC-Campinas está sendo muito bem desenvolvida, principalmente se considerarmos a região em que a UBS está inserida, com uma população infantil bastante carente. Estamos muito felizes com essa oportunidade porque o Projeto qualifica o trabalho dos profissionais: agentes comunitários, auxiliares, enfermeiros e médicos na identificação de riscos ao desenvolvimento neuromotor das crianças”, avalia a Coordenadora da Unidade Básica de Saúde no Parque Floresta, Luciamara Targa.

O Projeto de Extensão ainda está em desenvolvimento, mas projeta como resultado a produção conjunta de material informativo em forma de cartilha ou folder, em linguagem acessível, para explicar e treinar o conteúdo à família ou responsável pela criança.

“No final, publicaremos o material informativo como instrumento de orientação aos pais ou responsáveis pela população infantil do Projeto e para outras crianças, as quais serão beneficiadas apesar do término das atividades de Extensão”, finaliza a professora Maria Valéria Corrêa.

 

Projeto conscientiza pacientes com Diabetes

Se não for tratado adequadamente, o Diabetes pode causar insuficiência renal, doenças cardiovasculares, cegueira e amputação dos membros

Por Beatriz Meirelles

O conhecimento produzido na Universidade pode ir muito além das salas de aula e os Projetos de Extensão oferecidos pela PUC-Campinas são um exemplo disso. Pensando em contribuir com as pessoas que têm Diabetes, a Faculdade de Enfermagem mantém o projeto “Educação em Saúde e Portadores de Diabetes”, que, por meio de ações educativas busca conscientizar e prevenir essa doença, que segundo o Ministério da Saúde atinge 13 milhões brasileiros.

É uma doença de difícil controle e necessita de atendimento e acompanhamento multiprofissional.

O Diabetes é uma doença crônica metabólica caracterizada pelo aumento da glicose no sangue. O distúrbio acontece porque o pâncreas não é capaz de produzir a insulina em quantidade suficiente para suprir as necessidades do organismo. A insulina promove a redução da glicemia ao permitir que o açúcar que está no sangue penetre as células, para ser utilizado como fonte de energia.

Se não tratado, o Diabetes pode causar insuficiência renal, amputação de membros, cegueira, doenças cardiovasculares, como Acidente Cerebral Vascular – AVC (derrame) e infarto. É uma doença de difícil controle e necessita de atendimento e acompanhamento multiprofissional. Segundo o Ministério da Saúde, o diabetes já é considerado uma epidemia, que atinge todas as camadas sociais. “Os dados são muito expressivos. Existem pessoas que nem sabem da existência da doença”, afirma a orientadora do projeto de Extensão, Profa. Dra. Carmen Villalobos.

Conscientizar para tratar

Sob a orientação da Profa. Dra. Carmen Villalobos, o Projeto promove orientações fundamentais sobre a prevenção das complicações da doença, por meio de oficinas, que acontecem às terças e quartas-feiras, nas salas de espera do Sistema Único de Saúde (SUS) do Hospital da PUC-Campinas, no Campus II da Universidade. Nessas oficinas, são atendidos crianças, adultos e idosos diabéticos ou pré-diabéticos da cidade de Campinas e região.

As alunas do último ano do Curso de Enfermagem, Jaqueline Batista Pedrosa e Juliana Contrera estão envolvidas no projeto como bolsistas há dois anos e afirmam que, por meio de desenhos, figuras, filmes, vídeos e slides interativos é possível estabelecer um vínculo de confiança com a população que permite trazer e levar as informações que podem, de fato, mudar alguma coisa na vida das pessoas portadoras da doença. “Fazer o paciente captar a nossa mensagem por meio das oficinas faz nosso trabalho valer a pena” afirma a docente

O projeto de Extensão da Profa. Dra. Carmem Villalobos teve início em fevereiro de 2014 e, até agora, foram atendidas 240 pessoas.

Aluna Jaqueline Batista Pedrosa, Profa Carmen Villalobos e aluna Juliana Contrera - Crédito: Álvaro Jr.
Aluna Jaqueline Batista Pedrosa, Profa Carmen Villalobos e aluna Juliana Contrera – Crédito: Álvaro Jr.

 “Esse projeto é muito bom e muito importante para essas senhoras que, assim como eu, são teimosinhas”, brinca dona Severina Maria da Silva, de 78 anos, que há 40 anos é portadora de Diabates.  “Muitas informações que eu não sabia, descobri nessas oficinas, como o que eu devo comer e que quantidade”, comenta.  “É muito comum que os pacientes não saibam detectar sintomas e nossa função aqui é prevenir as complicações e ver o que as pessoas, de fato, sabem sobre diabetes. Abordamos até mesmo o aspecto nutricional: o que os pacientes estão comendo? O que pode, o que não pode, pois muitos realmente não sabem”, conta a orientadora Professora Carmen.

O projeto de Extensão da Profa. Dra. Carmem Villalobos teve início em fevereiro de 2014 e, até agora, foram atendidas 240 pessoas. No Brasil, sete milhões de pessoas, acima de 18 anos, têm a doença, segundo dados da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Um estudo recente da SBD aponta que mais de 60% deles não sabem que têm a doença.

Para as alunas envolvidas no projeto, a prevenção é muito importante e trabalhar com a educação da população é um desafio constante, uma vez que mudar o comportamento do ser humano é um desafio, principalmente em adultos. “O adulto é mais difícil de conscientizar. Ele vem comendo errado a vida inteira, a doença chega e muda seus hábitos alimentares. A criança que já tem a doença é condicionada desde pequena e isso faz com que ela seja mais consciente” explica a aluna Juliana Contrera.

No projeto, filmes e vídeos são utilizados para dar um “choque de realidade” como forma de alerta. “Nosso desafio constante com este projeto é evitar que o paciente chegue ao hospital. Lutamos para que esse paciente se conscientize. Eles sabem o que não deveriam fazer, mas, mesmo assim, fazem” observa orientadora, Profa. Carmen

“AS MENINAS DA CARMEN”: REFERÊNCIA DENTRO E FORA DAS SALAS DE AULA

O projeto de Extensão, além de oferecer uma bolsa de estudos, permite um aprofundamento na temática e no assunto e uma vivência na realidade, segundo as alunas, uma bagagem pra vida toda “O projeto proporciona um olhar para fora da sala de aula. No curso, a maior carga curricular é dentro do Hospital e aqui podemos trabalhar com outros aspectos das pessoas e, principalmente, com a educação e com a comunidade” afirma Jaqueline.  “Como professora, acompanhar as alunas e ver que elas começam sem saber nada de Diabetes e, agora, estão dominando o assunto é, para mim, uma enorme satisfação” ressalta a orientadora.

Alunas Jaqueline Pedrosa e Juliana Contrera - Crédito: Álvaro Jr
Alunas Jaqueline Pedrosa e Juliana Contrera – Crédito: Álvaro Jr

As alunas se tornaram referência dentro da própria Faculdade. Elas contam que professores e alunos reconhecem a importância do trabalho que realizam e quando têm dúvidas sobre Diabetes sempre correm para “As meninas da Carmen”, como ficaram conhecidas dentro da Universidade.

Juliana e Jaqueline se envolveram e se aprofundaram tanto na temática que envolvia o projeto que acabaram descobrindo a vontade em seguir carreira nessa área. Hoje, graças ao projeto, alunas adquiriram novas competências que podem ser comunicadas em aulas ou palestras. Tiveram a oportunidade de  participar de congressos da área da saúde e apresentar trabalhos que dizem respeito ao diabetes; chegaram até a levar trabalhos com os resultados parciais do plano de trabalho de extensão para Congressos internacionais em Cuba e Portugal. “Se o projeto de Extensão não tivesse oferecido esta oportunidade, nada disso seria possível” concluem as alunas.