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Departamento de Medicina do Trabalho da PUC-Campinas inicia trabalho de ergonomia para os funcionários

Por Sílvia Perez

Para melhorar a qualidade da saúde dos colaboradores da PUC-Campinas, o Departamento de Medicina do Trabalho (DMT) da Universidade deu início, no mês passado, a uma análise ergonômica que vai percorrer todos os departamentos da Instituição, por meio da contratação da Fisioterapeuta do Trabalho, Natália Baroni. A ergonomia é o conjunto de disciplinas que estuda cientificamente a relação entre o homem e seus meios, métodos e espaços de trabalho.

A avaliação é feita nos postos de trabalho, relacionando o ambiente, a organização, as ferramentas utilizadas e o desenvolvimento das atividades com a função desempenhada. A partir dessa análise é feito um laudo que propõe melhorias que garantam a melhor adaptação do colaborador com suas atividades de trabalho, sejam elas melhorias nos postos, no ambiente ou na organização do trabalho em conjunto com os equipamentos utilizados.

De acordo com a Enfermeira do Trabalho do DMT, Fernanda Brognaro dos Santos, a contratação de uma Fisioterapeuta do Trabalho é um sonho antigo do departamento. “Queríamos um profissional específico para realizar a análise ergonômica dos colaboradores, porque a ergonomia ajuda na melhoria da qualidade de vida, uma vez que proporciona um ambiente de trabalho mais seguro e saudável”, ressaltou.

Além das análises ergonômicas, Natália Baroni dará, também, orientações posturais e treinamentos sobre a utilização adequada dos equipamentos, além de propor adaptações de mobiliários e equipamentos em todos os Campi.

Cuidando da Saúde

O programa Cuidando da Saúde, desenvolvido pelo DMT da PUC-Campinas, vai oferecer três palestras motivacionais neste mês de março. O objetivo do projeto é estimular a conscientização da comunidade no que diz respeito às situações de risco à saúde, já que hábitos saudáveis melhoram a qualidade de vida dentro e fora do trabalho.

 

Cuidando da Saúde – Palestras Motivacionais
Campus I Campus II Col. Aplicação PIO XII
28/03/2017 29/03/2017 30/03/2017
14h 14h 14h
Prédio H02 – Sala 900 Auditório da Biblioteca Sala de Multimeios

 

 

Editorial: Como estamos nos alimentando?

A edição 168 do Jornal da PUC-Campinas, referente aos meses de julho e agosto de 2016, traz para o centro do debate acadêmico a questão da alimentação. Na edição, refletimos sobre os vários sentidos que a palavra alimento produz, desde o sentido literal até o cultural e filosófico.

A comida está no cotidiano de toda a sociedade, mas ainda vivemos num mundo em que a fome é o grande problema a ser enfrentado. Além disso, vale a pena pensar nas perguntas: O que estamos comendo e como estamos nos alimentando?

O Jornal traz uma entrevista com o diretor do curso de Ciências Econômicas, que reflete sobre a soberania e a saúde alimentar do brasileiro e os desafios para o futuro. Nessa edição abordamos temas como a agricultura familiar, o uso de agrotóxicos, o direito do consumidor que se sentiu lesado ao consumir determinado alimento e o papel da religião na vida humana. O jornal da PUC-Campinas também traz um artigo sobre educação alimentar, pensando, principalmente, no estudante PUCC.

O alimento, no entanto, não é apenas uma questão de necessidade biológica, mas também a própria materialidade da cultura de um povo. A reportagem sobre os pratos típicos brasileiros conta um pouco sobre a importância da gastronomia pra o turismo e para a cultura.

O jornal também traz reportagens sobre a influência da mídia na alimentação da sociedade e os transtornos alimentares.

Oferecemos ainda dicas no Tome Ciência e a resenha do filme A Comilança, na coluna Cinema.

Confira essa apetitosa edição.

Boa leitura!

 

Brasil é primeiro mundo em tecnologia agrícola

Por Amanda Cotrim

O brasileiro já vivenciou uma época em que a fome era um dos grandes problemas sociais. Não que ela tenha deixado de ser, mas esse problema diminuiu nos últimos anos. Não por acaso, o Brasil foi o país que mais reduziu a fome e a desnutrição, o que lhe rendeu reconhecimento internacional. Nesse aspecto, é possível afirmar que o Brasil é um dos poucos países que conquistou sua soberania alimentar e isso se deve a algumas razões, como: investimento em tecnologia e políticas públicas. Essa é a avaliação do diretor do curso de Ciências Econômicas da PUC-Campinas, Prof. Dr. Izaias de Carvalho Borges.

“O Brasil é um dos poucos países do mundo que conquistou tanto a segurança quanto a soberania alimentar. Quando uma população supera o desafio na produção de alimentos, ela passa a se preocupar com a qualidade desse alimento”. Mas ele ressalta que o alimento no Brasil poderia ser mais barato e de melhor qualidade se houvesse mais políticas públicas e, principalmente, pressão popular para a diminuição de agrotóxicos na plantação, à exemplo da Europa. O docente também destaca que a diminuição nos preços dos alimentos está relacionada ao transporte.  “O Brasil perde nas estradas 20% da produção de grãos. Além disso, o transporte por caminhão é mais caro e transporta menos, sem contar as rodovias que são sem asfalto. O valor da logística é que encarece o alimento”.

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Confira a entrevista na íntegra:

Defina, conceitualmente, o que é soberania alimentar e segurança alimentar?

Soberania alimentar é a capacidade que um país tem de alimentar sua população, em um período de tempo, sem precisar de outros países para isso; é ter uma oferta capaz de atender às necessidades básicas da população. Já a segurança alimentar, é garantir uma quantidade básica de calorias por pessoa. De forma geral, o Brasil é um dos poucos países do mundo que conquistou tanto a segurança quanto a soberania.

 Qual é a sua avaliação sobre o Brasil no cenário mundial?

 A nossa produção per capta de alimento é suficiente para atender toda a população; produzimos além do que consumimos. Eu digo, sem sombra de dúvidas, que, em produção de alimentos, o Brasil é destaque. É um dos maiores exportadores de alimentos. Se pensarmos nos próximos 50 anos e levarmos em conta o crescimento populacional, o meio ambiente e a restrição de recursos naturais no mundo, como a água e a terra, o Brasil é o país que aparece com mais potencial. Temos áreas agrícolas que não estão sendo utilizadas, ou seja, não há necessidade de desmatar a Amazônia e o Pantanal. Também temos bastante disponibilidade de água doce- apesar da crise hídrica no Estado de São Paulo-. E, por fim, temos a nossa vocação para a agricultura e avançamos em termos tecnológicos. O Brasil é primeiro mundo em tecnologia agrícola.

A soberania alimentar passa pela saúde alimentar. Como avalia o uso de agrotóxicos na produção de alimentos, considerando que o Brasil é um dos campeões no uso do veneno?

 Quando acabou a Segunda Guerra Mundial, o grande desafio era aumentar a produção de alimentos e alimentar a população. Nesse sentido, pensando em Brasil, esse modelo foi muito bem-sucedido: o crescimento da produção de alimentos foi maior que o crescimento populacional. A quantidade de terra para a produção cresceu pouco se compararmos a década de 1960 e a década de 2000, no entanto, a produtividade cresceu muito. O que está por trás disso? A tecnologia (mecanização), agrotóxicos e o melhoramento genético de plantas. Eles são os responsáveis pelo aumento de produção de alimentos no Brasil. Mas, se por um lado, alcançamos isso, por outro, tivemos um problema sobre a qualidade dos alimentos e sobre o meio ambiente; a nossa agricultura é totalmente dependente da irrigação, gastando 40% da água que é consumida em todo o território nacional. A preocupação sobre o uso excessivo de agrotóxicos começou nos anos 1990 nos países ricos, porque a questão da produção de alimentos já tinha deixado de ser um problema. Quando a fome deixa de ser o problema, as pessoas começam a se preocupar com qualidade. Mas por que alguns agrotóxicos são proibidos na Europa e no Brasil não? Por pressão popular. O nosso desafio, hoje, é tornar a agricultura mais sustentável, almejando não só a quantidade, mas a qualidade. Eu não vejo alternativa que não seja a tecnologia. O país está investindo nisso, mas não na velocidade necessária. À medida que a agricultura se torna mais sustentável, a saúde alimentar é maior.

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As empresas têm interesse em investir nas pesquisas de inovação e tecnologia para que o dano ao meio ambiente seja o menor possível, e para que os agrotóxicos sejam extintos?

 No Brasil, o investimento em pesquisas vem do setor público, por meio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e de universidades. As grandes multinacionais estão preocupadas com os produtos de alcance mundial, como a soja, o milho e a cana de açúcar. Do ponto de vista econômico, elas não estão interessadas em pesquisa. Nesses casos, é preciso políticas ambientais. No Estado de São Paulo, por exemplo, há uma lei que proíbe as empresas de fazerem a queima na plantação de cana de açúcar. Temos muitas leis ambientais no Brasil, mas falta fiscalização. Por outro lado, a população vem mudando sua relação com a alimentação. As pessoas estão mais exigentes. E o desrespeito ao meio ambiente, com desmatamento e o uso abusivo de agrotóxico tem uma resposta rápida. Se o produtor quiser continuar no mercado, terá de se adaptar à nova realidade.

Pensando nessa gama de atores, com diferentes interesses sobre o meio ambiente, o Brasil está conseguindo respeitar as múltiplas características culturais dos povos?

Temos problemas sérios que precisam ser resolvidos e nós temos condições de resolver. Se olharmos só a produção, o Brasil é um sucesso. Mas quando você se volta para outras realidades, percebemos que temos problemas históricos que não foram resolvidos, como os conflitos agrários: camponeses, terra indígena. A questão fundiária no Brasil é distinta da questão agrícola. A questão agrária não foi resolvida: a terra, as relações de trabalho, grilagem, conflito com quilombolas e tribos indígenas. Em algumas regiões, esses conflitos são muito mais complicados, porque o Brasil tem áreas que pertencem à União, mas não consegue fiscalizar, o que facilita a grilagem; regiões em que o modelo de agricultura é atrasado.

Em minha opinião, rever demarcação de terras indígenas é o caminho mais curto para a destruição ambiental. O Brasil não precisa de mais terra para expandir a agricultura, basta investir em tecnologia. Podemos nos desenvolver sem desmatar uma única árvore. Mas as questões políticas e históricas são o nosso grande problema: muitas vezes, os políticos são os grandes proprietários de terra, o que produz um conflito de interesse e um retrocesso. Temos leis, mas precisamos de fiscalização.

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Qual é a sua avaliação sobre o modelo de agronegócio que existe no Brasil?

O agronegócio inclui a agricultura, empresas que fornecem insumos, que compram da agricultura, enfim. Agricultura é apenas a atividade dentro da fazenda. O agronegócio é o sistema, que participa de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. No entanto, nós temos alguns problemas. Grande parte das produtoras de insumos (tecnologia como maquinários e agrotóxicos) não é brasileira. Quando você tem um agronegócio que exporta majoritariamente grãos, isso é uma deficiência, porque o país só ganha o preço do saco da soja. Mas se ele exportasse o óleo, ganharia o valor agregado e geraria trabalho e renda. O Brasil continua sendo o maior exportador de café do mundo; exporta para Alemanha por 400 dólares, que refina o café e vende por 700. E, muitas vezes, o Brasil compra esse café.

O Brasil, segundo dados da Embrapa, de 2014, desperdiça 40 mil toneladas de alimentos todos os dias. Com esse número, a própria Embrapa estima que 19 milhões de pessoas poderiam ser alimentadas. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) diz que o Brasil está entre os 10 países que mais desperdiçam. Qual é o motivo desse desperdício?

 A logística não é a única, mas é a principal razão. Nossa produção se dá em grande medida na Região Centro-Oeste, que está distante dos portos; e o transporte que predomina no Brasil é o rodoviário. Precisaríamos de trem. Só com o transporte por caminhões, o Brasil perde nas estradas 20% da produção de grãos. Além disso, o transporte por caminhão é mais caro e transporta menos, sem contar as rodovias que são sem asfalto. Os grandes países não entendem o motivo pelo qual o Brasil transporta grãos em caminhões. O valor da logística é que encarece o alimento. Por exemplo: a distância média, hoje, dos produtos que chegam às Centrais de Abastecimento de Campinas (Ceasa), é de 400 km.

Por que o Brasil ainda importa alguns alimentos como o trigo, que vem da Argentina. O país não teria condições de produzir trigo?

 O Brasil é um grande importador de trigo. Isso se deve a questões climáticas. O país produz trigo, mas não conseguimos produzir o suficiente para atender à demanda. Daria para produzir, mas a um custo muito elevado. E temos um acordo de comércio comum. Não vejo problemas em importar da Argentina.

 Não é contraditório que mesmo o Brasil sendo o quinto maior território do mundo, com dimensões territoriais e situado em latitudes favoráveis, não tenha conseguido acabar com a fome?

 A fome era um tema recorrente no discurso dos candidatos à presidência da República no final dos anos 1980 e durante a década de 1990. Mas, nas ultimas três eleições (2006- 2010-2014), esse tema desapareceu do debate porque, nos últimos 15 anos, o Brasil foi o país que mais reduziu a fome e a desnutrição. Isso se deu, primeiro por causa do fim da inflação, que ocorreu com o Plano Real, em 1994; também tivemos o aumento da produtividade agrícola, fazendo com que o preço dos alimentos caísse no país, a despeito do aumento nos últimos três anos. Além disso, nós temos programas de transferência de renda e políticas específicas, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) que subsidia crédito para a agricultura familiar, a responsável pelo alimento que vai para a mesa dos brasileiros. Tanto que hoje o nosso maior problema é o sobrepeso.

O Brasil conseguiu chegar mais próximo da erradicação da fome, tanto que nosso exemplo é exportado como modelo para outros países. Para que não haja retrocesso, é fundamental que o Estado continue investindo em políticas sociais. No mundo inteiro, a agricultura depende do Estado; em alguns países, depende mais, em outros, menos. Agora, precisamos zerar a fome e trabalhar a qualidade da alimentação.

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Em que medida é possível investir e ter um modelo de agricultura familiar capaz de atender ao mercado interno? Seria possível pensar em abastecimento por cidades?

 Essa ideia de que a agricultura familiar como subsistência ainda existe não é sustentável. Antes do êxodo rural, tudo era produzido no campo e consumido pelas famílias. No mundo moderno, nem o agricultor familiar vive sem celular. Ou seja, ele precisa pensar numa produção que tenha um excedente para poder sobreviver para além do que ele produz para se alimentar. Mesmo o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) não quer esse modelo de subsistência.

Nos Estados Unidos há muitas experiências sobre uma agricultura mais perto da cidade, valorizando a produção local. A agricultura familiar perto da cidade diminui o custo de transporte e possibilita o controle e a fiscalização do estado sobre o que está sendo produzido. Em muitos países, a agricultura familiar foi adotada como prática. Em relação ao Brasil, avalio que ela nunca foi tão valorizada e nunca tivemos tantos estudos sobre a sua importância. Porém, na Região Metropolitana de Campinas estamos na contramão disso. Diminuímos nossa produção e isso se deve ao fato de empresas terem vindo para cá, as construções de condomínios. Houve uma expansão que produziu um impacto nos preços dos terrenos; a terra ficou cara. A região está longe de uma produção local, infelizmente.

O Pronaf foi criado como uma política de crédito, para que o agricultor possa comprar insumo, semente melhorada, trator. Mas ele só tem acesso ao crédito se colocar o produto no mercado, e, atualmente, a agricultura familiar é voltada para a demanda interna. Agora, se ela é capaz de alimentar uma cidade, eu não tenho dúvidas de que a agricultura familiar seria capaz disso. Para termos uma ideia: de acordo com o último censo agropecuário (que já tem 10 anos) e de estudos em outros países, atualmente, 80% da produção de alimentos no mundo é realizada por pequeno e médio agricultor. Eu acredito que é possível termos agricultura familiar e agronegócio, porque precisamos produzir cana de açúcar e precisamos de arroz. A grande e a pequena agricultura são complementares. Agricultura familiar está acontecendo, mas de modo silencioso.

As pessoas que podem pagar têm recorrido aos produtos orgânicos. Por que eles são mais caros?

 O orgânico é um alimento que a população o entende como natural: sem veneno, sem fertilizante. As técnicas são “à moda antiga”, sem melhoramento genético. Alguns países incluem no conceito orgânico à sustentabilidade ambiental e social para comprar de algumas empresas, o que inclui as relações de trabalho nesse conceito. Ele é mais caro, porque ele  custa mais para produzir. Quando o produtor pulveriza o veneno na plantação, ele reduz a taxa de perda por pragas em 5%. A forma de combater a praga é mais custosa, se não for pulverizar o veneno, há de se tirar as pragas com a mão, o que significa contratar pessoas, o que deixaria o produto mais caro. O fato de produzir orgânico, a produção cai pela metade, pois o custo é maior e a produção é menor. Se não vender mais caro, fica inviável. Mas é importante dizer que o interesse do orgânico coincide com o interesse ambiental e de mercado.  Tem um público. No Brasil, no entanto, o orgânico ainda é mercado de nicho (classe), de certo nível de renda e de instrução. Já na Alemanha e na Inglaterra, mais de 50% da produção é orgânico.

 

As fotos dessa entrevista são de Álvaro Jr. 

Serviços em bares e restaurantes e o direito do consumidor

Por Maria Helena Campos de Carvalho

A Lei no 8.078/90 é conhecida como o Código de Defesa do Consumidor. No entanto, são muitas as confusões e incompreensões sobre esse tema, pois, usualmente os cidadãos se defrontam com direitos alegados, o que, de fato, inexistem no Código. Já, em outras oportunidades, desconhece o consumidor que um direito seu foi lesado e ele teria amparo legal.

Uma das áreas que causam preocupação e interesse crescente é a concernente à alimentação. Seja no fornecimento de produtos ou no seu manuseio, há de se estabelecer quais são os direitos básicos do consumidor.

Assim, saber qual é o limite de “sujeira tolerada” pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é uma informação importante. Por exemplo, é tolerada a venda e consumo de chá de camomila com até cinco insetos inteiros mortos por 25g. Claro que o consumidor não visualiza os insetos, e tem aqueles insetos não permitidos pela ANVISA, mas é claro que ao leigo isso choca.

Há uma tabela interessante, abaixo, apenas como indicativa desses elementos que não causam lesão. Ora, se estão autorizados ou entende-se não serem aptos a causar lesão, nesses casos, o que se dá é o mero dissabor do consumidor, sem direito à indenização.

Assunto diverso é o consumo de alimentos estragados, seja por terem o prazo de validade (elemento essencial que deve constar de todos os mantimentos) vencido, seja pelo depósito e armazenamento impróprios. Claro está que nessas hipóteses houve lesão ao direito do consumidor, uma vez que sua saúde e integridade não podem ser expostas ou colocadas em risco pelos fabricantes, restaurantes e congêneres.

Se isso vier a provocar um problema de saúde, será um acidente de consumo. O consumidor tem o direito de pleitear a indenização pelo prejuízo causado, e, eventualmente, dependendo das circunstâncias de cada caso, por dano moral. Se for acidente de consumo, cabe pedir o dano moral. Se for verificado o problema antes do consumo, o cliente pode solicitar a troca do produto, seu dinheiro de volta, mas não poderá pleitear dano moral.

Quando se fala em indenização, isso abrange todo o prejuízo sofrido: gastos hospitalares, medicamentos, despesas feitas com a finalidade de sanar o mal causado pela ingestão de alimentos inadequadamente preparados.

Fonte: Jornal Folha de S. Paulo.
Fonte: Jornal Folha de S. Paulo.

Entenda-se: um restaurante deve garantir, entre outras coisas, acesso fácil para cadeirante; cardápio com descrição do conteúdo dos pratos; ao menos um cardápio em braile e um com outra língua além do português; cardápio visível, seja na porta do estabelecimento, seja logo em sua entrada, de tal sorte a permitir que o consumidor tenha uma noção da proposta do restaurante e o preço ali praticado, sem ter que sentar-se e depois sentir a humilhação de sair sem consumir, pois, o restaurante não é adequado ao seu padrão de consumo.

De igual forma, no cardápio, ou anunciado logo na entrada, o restaurante deve deixar explícitas as formas de pagamento permitidas, posto que o cliente não pode ser surpreendido no caixa com a alegação de que não se aceita aquela determinada forma de pagamento.

Esses são cuidados e atenções que o consumidor pode ter como forma inclusive de selecionar os bons restaurantes. A efetivação do código do consumidor se dá no dia a dia, com a atenção constante do consumidor, o zelo no respeito a seus direitos, e a certeza de que conta com órgãos fiscalizatórios sempre atentos, como a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (PROCON). Seja um consumidor diligente. Aponte as deficiências, questione e exija seus direitos!

 Maria Helena Campos de Carvalho é Mestre em Direito Constitucional e professora de Direito do Consumidor da PUC-Campinas/ Crédito: Álvaro Jr.

Maria Helena Campos de Carvalho é Mestre em Direito Constitucional e professora de Direito do Consumidor da PUC-Campinas/ Crédito: Álvaro Jr.

 

 

 

ESPAÇO PRÓ-REITORIA DE ADMINISTRAÇÃO

III Caminhada “De Bem Com a Vida” PUC-Campinas

Pela primeira vez o programa Bem Viver participou da Corrida Integração, evento tradicional em Campinas. A 32º Corrida aconteceu no dia 27 27 de setembro, com Saída e retorno na Praça Arautos da Paz, na Lagoa do Taquaral.

O programa Bem Viver foi idealizado pela  Pró-Reitoria de Administração, a Coordenadoria Geral de Atenção à Comunidade Interna – CACI, o Departamento de Comunicação Social e a  Divisão de Recursos Humanos, e se destina a docentes, funcionários e aprendizes por constituírem segmentos fundamentais, que garantem a qualidade dos trabalhos desenvolvidos na Instituição.

Durante a 32º Corrida Integração, a Universidade contribuiu com serviços relacionados à qualidade de vida e saúde aos presentes, além disso, foi possível realizar diversas aferições como glicemia capilar, pressão arterial, peso/altura, medição de circunferência do abdômen, por discentes e docentes das Faculdade de Educação Física e de Enfermagem, auxiliados por profissionais do Departamento de Medicina do Trabalho da Instituição

 

Ensino e Saúde: Hospital da PUC-Campinas, um patrimônio regional

Por Antônio Celso de Moraes

O Hospital e Maternidade Celso Pierro (HMCP), o Hospital da PUC-Campinas, funciona há mais de 35 anos e nasceu da necessidade de servir como base para a capacitação e prática dos alunos da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), que, neste ano, completa 40 anos. O Hospital caminha em conjunto com a PUC-Campinas, a Sociedade Campineira de Educação e Instrução (SCEI), sua mantenedora, e a Igreja Católica e tem como missão cuidar da educação e da saúde de sua comunidade.

Dr. Antonio Celso de Moraes: “O HMCP cresceu com a cidade de Campinas” / Crédito: Álvaro Jr.
Dr. Antonio Celso de Moraes: “O HMCP cresceu com a cidade de Campinas” / Crédito: Álvaro Jr.

São quase quatro décadas de contribuição para o ensino, a pesquisa e a promoção da saúde. Hoje, o Hospital atende as dez faculdades da área da saúde do Centro de Ciências da Vida (CCV) da PUC-Campinas, bem como a faculdade de Serviço Social. Como Hospital Universitário, possui, também, os Programas de Residência Médica e Multiprofissional, que já contribuíram para a formação de mais de mil duzentos e cinquenta médicos de todo o Brasil.

Criado inicialmente para ser um Hospital-Escola, não deixou de lado o assistencialismo. Localizado na região noroeste da cidade de Campinas, que abrange cerca de 190 mil habitantes, distribuídos por diversos bairros de população simples, situados entre as rodovias Anhanguera e Bandeirantes, faz divisa com os municípios de Hortolândia, Sumaré e Monte Mor, oferece atendimento à população mais carente. Além disso, atende a Região Sudoeste com 240 mil habitantes, bem como a demanda das 19 cidades que compreendem a Região Metropolitana de Campinas (RMC).

O HMCP cresceu com a cidade de Campinas, especialmente em atendimento e complexidade. Hoje, realiza anualmente mais de 2 milhões de atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) sendo que Campinas possui 1.154.617 habitantes e 660 mil atendimentos são de convênios privados, com mais de 30 operadoras de saúde e atendimento particular. Como centro de excelência na Região Metropolitana de Campinas (RMC), o Hospital possui Certificação Nível 2 de Qualidade pela Organização Nacional de Acreditação (ONA), que garante qualidade e segurança no atendimento prestado. No Brasil, há, aproximadamente, 6 mil hospitais, sendo que, menos de 224 são acreditados.

O HMCP mostra, dia a dia, que é um hospital completo, com equipe multidisciplinar, certificado para atendimentos de alta complexidade, com destaque em traumatologia, neurologia e cardiologia. A cardiologia (adulto/infantil) é referência no Estado de São Paulo, com índices de resultado em parâmetros internacionais.

Na última década, a produtividade do HMCP quadruplicou consequência do trabalho em equipe e do apoio da Mantenedora e da Universidade na gestão de recursos e investimentos destinados ao Hospital.

Uma Instituição que ensina,  acredita e desenvolve a humanização/ Crédito: Álvaro Jr.
Uma Instituição que ensina, acredita e desenvolve a humanização/ Crédito: Álvaro Jr.

Uma Instituição que ensina, beneficia a população, acredita e desenvolve a humanização em seu ambiente. Trata-se de um local em que é propícia a troca de experiências de vida entre alunos, professores, colaboradores, cidadãos comuns e a Igreja Católica, com base em sua missão de ‘prestar atendimento na área da saúde e contribuir para a geração e promoção do conhecimento, considerando sua orientação cristã e seu caráter de Hospital Universitário’.

Dr. Antônio Celso de Moraes- Superintendente do HMCP

 

Estudos indicam que práticas religiosas auxiliam na saúde

A espiritualidade está associada a melhores índices de saúde, maior longevidade, habilidades de enfrentamento e qualidade de vida

Por Amanda Cotrim

A relação entre espiritualidade e saúde existe desde tempos mais remotos. No período medieval, as autoridades religiosas eram responsáveis pelas licenças para a prática da medicina. Entretanto, somente nas últimas décadas, as implicações da espiritualidade e da religiosidade na saúde vêm sendo estudadas e documentadas cientificamente, como explica a docente da Faculdade de Medicina da PUC-Campinas, Professora Doutora Gloria Maria de Almeida Souza Tedrus. Segundo a pesquisadora, “há evidências da relação entre as crenças e práticas religiosas e melhor saúde física, incluindo menor prevalência de doenças coronarianas, menor pressão arterial, melhores funções imune e neuroendócrina, menores prevalências de doenças infecciosas e menor mortalidade”.

Professora Doutora Gloria Maria de Almeida Souza Tedrus/ Crédito: Álvaro Jr.
Professora Doutora Gloria Maria de Almeida Souza Tedrus/ Crédito: Álvaro Jr.

A explicação para isso está no cérebro humano, que, de acordo com a Professora Glória, é “programado” para experiências e explicações de crenças espirituais presentes em todas as culturas desde os tempos pré-históricos. “Todas as experiências humanas são mediadas no cérebro, incluindo a razão científica, dedução matemática, julgamento moral, experiência e comportamento religiosos, emoção e o pensamento. Assim, é inequívoco considerar a espiritualidade e a religiosidade como parte do comportamento humano, localizado no cérebro”, explica.

Os estudos mais recentes buscam entender os impactos de práticas religiosas na saúde mental, como depressão, transtornos ansiosos e enfermidades graves, e na qualidade de vida. As pesquisas apontam que eventos dolorosos, caóticos e imprevisíveis podem ser compreendidos e mais bem aceitos a partir da confirmação de crenças do indivíduo que vivencia tal situação. “A perspectiva do paciente é de grande importância no curso do processo saúde-doença e nesse contexto tem havido evidências crescentes da existência de relações positivas ou negativas entre a espiritualidade/religiosidade e a proteção à saúde”, afirma a pesquisadora.

O Grupo de Pesquisa da PUC-Campinas, Neuropsicofisiologia em cognição e epilepsia, do qual a Professora Glória faz parte, estuda há alguns anos as relações entre doenças neurológicas como a epilepsia e demência com a espiritualidade e a religiosidade. Em epilepsia temos observado que há relação entre os aspectos clínicos da doença, qualidade de vida e a espiritualidade e religiosidade. Observamos, em pacientes com epilepsia, que a dimensão – espiritualidade, religião e crenças pessoais é considerada como fator protetor no processo de adoecimento, de enfrentamento para lidar com os problemas, e desse modo influenciar positivamente a qualidade de vida desses indivíduos, o que sugere uma relação positiva entre espiritualidade e religiosidade e saúde”, considera. De acordo com ela, alguns estudos sugerem que as crenças religiosas podem funcionar, em caso de doença já instalada, como mediadores cognitivos favorecendo a adaptação e o ajustamento das pessoas à nova condição de saúde.

Relação Fé e Ciência:

Capa Estudos indicam que práticas religiosas auxiliam na saúde

Segundo a Pesquisadora, ciência e religião “descobriram” que têm interesses mútuos importantes e contribuições relevantes. “Atualmente, existem centenas de artigos científicos que mobilizam a relação entre espiritualidade/religião. A parede entre medicina e espiritualidade está ruindo, com evidências da importância da prece, da espiritualidade e da participação religiosa na melhora da saúde física e mental”, expõe.

No campo da pesquisa, a Professora Glória compara que para a ciência há problemas metafísicos que a religião pode ajudar a resolver. A religião, por sua vez, “pode ajudar a decidir entre teorias científicas empiricamente equivalentes, para a aceitação de uma teoria científica, os interesses metafísicos, inclusive os religiosos podem contribuir”, defende a pesquisadora. “A criação do Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas é um marco da Instituição e só vai ampliar e qualificar as discussões nessa área”, finalizada.

Saúde Psicológica em situações de desastres

Pesquisadora faz mapeamento inédito de psicólogos que trabalham em regiões de conflito; tese foi defendida em 2015

Por Amanda Cotrim

A tese de doutorado de Ticiana Paiva de Vasconcelos, psicóloga de formação, surgiu a partir de algumas indagações que, ao longo da pesquisa, foram se transformando em dados; uma delas é que cada vez mais a psicologia está sendo convocada a entrar em cenários de desastres. Além disso, aponta a Pesquisadora, isso provoca os psicólogos a compreender melhor o sofrimento humano em contextos não habituais de atendimento. “Para além das teorias, que são importantes, sem dúvida, a psicologia está aprendendo na prática a lidar com esses contextos que exigem uma intervenção apropriada e em sintonia com determinada emergência”, explica Ticiana. Como uma tese de doutorado, esta pesquisa teve como principal objetivo compreender o que leva um profissional da psicologia a trabalhar com vítimas de desastres ou de conflitos armados e qual o impacto disso para sua vida profissional. O estudo foi desenvolvido sob a orientação da docente do Programa de Pós Graduação em Psicologia da PUC-Campinas, Profa. Dra. Vera Engler Cury.

A pesquisadora entrevistou 10 psicólogos com experiência em atendimento a vítimas de grandes enchentes, terremotos, pós-guerra e conflitos civis permanentes. Para mapear os entrevistados, Ticiana utilizou a internet e publicações da Associação Brasileira de Psicologia para Atendimento de Desastres, criada em 2008.

A pesquisadora Ticiana Paiva de Vasconcelos ressalta a importância de psicólogos se confrontarem com experiências de vidas diferentes das habituais / Crédito: Álvaro Jr.
A pesquisadora Ticiana Paiva de Vasconcelos ressalta a importância de psicólogos se confrontarem com experiências de vidas diferentes das habituais / Crédito: Álvaro Jr.

As entrevistas foram conduzidas pela pesquisadora individualmente com os participantes, sob a forma de um encontro dialógico, sem um roteiro fechado de perguntas, e sem limite de tempo. A maioria dos profissionais entrevistados vivenciou essa experiência em atendimento de desastres voluntariamente, em intervenções pontuais, como no caso da enchente em Itajaí, em Santa Catarina, em 2008. Mas alguns dos participantes trabalham profissionalmente no atendimento a vítimas em situações extremas. “Esse psicólogo está hoje no Brasil, depois ele é chamado para ir até a África, em seguida, precisa estar na Ásia. Ou seja, faz parte da rotina dele se defrontar com seus limites, diariamente”, explica.

O estudo concluiu que os psicólogos que trabalham nesses contextos extremos, além de presenciarem situações dolorosas vivenciadas pelas vítimas, também convivem com riscos à sua própria integridade física e psicológica decorrentes de situações ambientais precárias e da desagregação social que se instala. “Na Palestina, um psicólogo me relatou que há ataques com bombas a qualquer momento. No Haiti, após o terremoto, ocorreram inúmeros casos de estupros e as psicólogas que estavam lá também estavam sob esse risco. Em situações ocorridas no Brasil, alguns participantes relataram admiração em relação à capacidade das pessoas que haviam perdido parentes de conseguirem retomar a sua rotina muito rapidamente”, conta Ticiana.

Confrontar-se com experiências de vida muito diferentes do habitual é, de acordo com o estudo, um desafio para os psicólogos que passam a conhecer de perto outras formas de sofrimento humano. “Daí, a necessidade de haver profissionais flexíveis. Os psicólogos precisam sair mais dos consultórios e ir além, para vivenciar outras perspectivas de mundo”, ressalta a pesquisadora.

Psicóloga da organização Médicos Sem Fronteiras durante atendimento às vitimas do Ebola, na África. / Crédito: Divulgação
Psicóloga da organização Médicos Sem Fronteiras durante atendimento às vitimas do Ebola, na África. / Crédito: Divulgação

Uma vantagem que essa nova realidade da profissão revelou, de acordo com o estudo, é que os psicólogos que trabalham nesses contextos de desastres conseguem ver o resultado do seu trabalho imediatamente. “Em campo, eles vêem as mudanças que o seu trabalho proporcionou às vítimas e isso é muito significativo para o profissional, de acordo com a fala da maioria dos psicólogos entrevistados”. O ponto positivo, ressalta Ticiana, é que os conhecimentos aprendidos em situação natural pelos profissionais da psicologia possuem grande potencial para fomentar novas hipóteses do ponto de vista teórico.

Segundo a Pesquisadora, os psicólogos que trabalham com atendimento em desastres estão sempre amparados por organizações que realizam trabalhos humanitários em regiões de conflito. O profissional é uma parte, dentro de todo o aparato social oferecido por essas organizações. “As entrevistas mostraram que esse profissional é assistido o tempo todo. Se ele não consegue lidar com a situação, ou se, de repente, chegou ao seu limite, todo o atendimento é amparado por outros profissionais que estão lá justamente para isso”, explicou. “São essas organizações que acabam dando apoio para os psicólogos enquanto formação, em que eles aprendem com treinamento e são supervisionados”, pontuou.

A maior motivação para o trabalho desses profissionais, de acordo com o estudo, tem sido a possibilidade de ajudar o outro: “A etimologia da palavra clínica, significa inclinar-se ao outro. Os profissionais afirmaram que a grande motivação é poder ser útil para alguém em algum lugar do mundo”, relatou a pesquisadora.

Entre os desafios para essa nova realidade da prática da psicologia está a formação do psicólogo, que precisa, de acordo com Ticiana, integrar essas novas demandas: “As disciplinas do curso de Psicologia precisam incluir temas como atendimentos em situações extremas de forma a flexibilizar o olhar desse novo profissional. O ensino nas universidades, de modo geral, precisa abrir-se para novas realidades. Infelizmente, os currículos caminham em ritmo mais lento do que a profissão exige.  , Mas isso vem mudando”, finalizou.

“Não existe medicina sem prática”

Prova de residência muda e valoriza a prática médica

Por Amanda Cotrim

Ser um promotor da saúde requer algumas características, como gostar de pessoas e de estudar. E, além da teoria é preciso muita prática, porque a realidade, muitas vezes, é o que fomenta novos estudos. Essa é a opinião da diretora da faculdade de medicina da PUC-Campinas, Profa. Dra. Márcia Pereira Bueno. Em 2014, a PUC-Campinas foi a universidade particular mais bem avaliada pelo Guia do Estudante, da Editora Abril, na área da saúde, figurando o “pódium” junto à Universidade de São Paulo (USP). Para a diretora da faculdade de medicina, essa conquista se deve a três fatores fundamentais: atualização curricular, o Hospital-Escola da PUC-Campinas e a prática médica, prioridade no curso de medicina da Universidade, além da estrutura de laboratórios, salas de aula modernas e um variado corpo pedagógico.

Confira a entrevista completa:

Jornal da PUC-Campinas: A PUC-Campinas foi a universidade particular mais bem avaliada pelo Guia do Estudante 2014 na área da saúde. Pensando que o curso de medicina está dentro dessa avaliação, ao que se deve essa conquista?

Profa Márcia Pereira Bueno: A PUC-Campinas é uma universidade tradicional, que já ultrapassou metas e superou desafios. Nós modernizamos o currículo, deixando-o mais acessível à realidade médica atual, e isso coloca o aluno precocemente diante da prática, lidando, desde cedo, com a diversidade de doenças. Nossa prioridade é que o aluno seja visto como um “tratador” pela comunidade em que a Universidade está inserida (região noroeste de Campinas, periferia da cidade). Além disso, a PUC-Campinas tem professores, professores pesquisadores, profissionais que atendem em clínicas. E isso é um conhecimento completo do dia a dia da profissão. O conjunto pedagógico e de professores faz com que a PUC-Campinas chegue onde está hoje no mercado, como a universidade particular mais bem avaliada na área da saúde.

Jornal: Qual é a importância do Hospital-Escola da PUC-Campinas para esse aluno?

Profa Márcia: O Hospital e Maternidade Celso Pierro (HMCP), mais conhecido como Hospital da PUC-Campinas, facilita a integração entre o aluno e o paciente e possibilita o contato 24 horas. A humanização, o tratamento, a interlocução com a família do paciente são aspectos que potencializam o trabalho do futuro médico. E isso é possível justamente por causa do Hospital-Escola.

Jornal: Uma universidade se diferencia de faculdade porque desenvolve ensino, pesquisa e extensão. Comente sobre as pesquisas científicas desenvolvidas tanto no curso de medicina quanto no Hospital da PUC-Campinas.

Profa. Márcia: A pesquisa na faculdade está sendo ampliada dentro da Universidade. A meta do Hospital e do curso de medicina é melhorar a pesquisa científica ainda mais. Temos pesquisas clínicas fortes, que são ligadas à residência médica e que o aluno pode participar. A pesquisa no HMCP e na faculdade de medicina, do ponto de vista burocrático, é feita separadamente, porém, do ponto de vista prático, ela é feita em comum, porque os alunos têm contato com os residentes. E uma grande maioria dos residentes já foi aluno da PUC-Campinas. A pesquisa médica é muito importante para uma universidade, pois ela promove as melhorias para a comunidade.

Jornal: O Hospital da PUC-Campinas é bem procurado pelos alunos que farão residência. Qual é o papel da residência na formação do futuro médico?

Profa. Márcia: A residência é o momento em que o aluno fará sua especialização. Ao se especializar, o aluno opta por uma área do conhecimento que ele mais gosta. A prova de residência deixou de cobrar só “conteúdo” e passou a cobrar “conteúdo e habilidade”. O aluno faz uma prova prática: entra um paciente, que conta o seu quadro clínico e mostra exames e o aluno vai se comportar como médico generalista. A avaliação vai considerar como o estudante se comportou, qual tratamento ele propôs e como ele chegou a um determinado diagnóstico. Como a PUC-Campinas é uma universidade em que o aluno tem muita prática, ele, normalmente, se sai muito bem nas provas de residência.

Jornal: Segundo dados do Ministério da Educação, de julho de 2014, há, no Brasil, 21.647 vagas autorizadas para cursos de medicina. Desse total, 11.269 estão no interior do país e 10.405 em capitais. Em 2012, eram 8.911vagas nas capitais e 8.772 no interior. Qual é a sua avaliação sobre esses números?

Profa. Márcia: Muitos cursos são abertos porque a quantidade de médicos no Brasil é pequena. Eu creio que os médicos estão mal distribuídos, permanecendo, a sua maioria, nos grandes centros e não na periferia. Quando há muitos cursos nos centros, não se resolve o problema da má distribuição. Não é possível saber, por enquanto, se esse número de faculdades possui um curso bem montado, porque medicina não pode ser somente um curso teórico. É preciso ter um hospital, contato com pacientes e prática médica. O cuidado que se precisa ter é de não colocar médicos mal formados no mundo do trabalho, porque se isso acontecer, esse profissional precisará fazer cursinho preparatório para tentar a residência. Em resumo, é preciso inserir as universidades em locais mais necessitados verificar se elas estão cumprindo bem o seu papel.

Foto: Álvaro Jr. O contato do aluno com o paciente é o diferencial no curso da PUC-Campinas
Foto: Álvaro Jr.
O contato do aluno com o paciente é o diferencial no curso da PUC-Campinas

Jornal: Como a senhora avalia a saúde preventiva proporcionada pelo Hospital da PUC-Campinas (HMCP) e na região de Campinas?

Profa. Márcia: A saúde preventiva é muito bem montada na região de Campinas, o que não anula o fato de, às vezes, termos dificuldades que são para além da medicina, como a própria política. Dentro da Universidade, a saúde preventiva, a medicina coletiva é bem-sucedida.

Jornal: Para finalizar, o que é fundamental para ser um médico?

Profa. Márcia: Medicina é uma grande profissão eé preciso gostar do que se faz. Saber escutar o outro, ter vontade de ajudar e gostar de gente. É preciso que o profissional seja bem formado, tenha cursado uma boa faculdade, porque, assim, ele terá segurança para atender. São seis anos da vida do aluno que serão dedicados, em razão dos plantões médicos, no período da manhã, tarde e noite na Universidade. A vida do aluno será permanecer dentro da Universidade. A PUC-Campinas acolhe bem esse aluno do período integral, com inúmeras atividades e um ótimo aparato universitário. É imprescindível que o aluno saiba que, para cursar medicina é preciso gostar de estudar e ter em mente que o médico é um promotor da saúde e está ali para melhorar a comunidade que está em sua volta.

Brasil está à frente no controle de ética em pesquisa, afirma coordenador da CONEP

Nova resolução para pesquisa quer garantir mais direitos aos participantes dos estudos

Uma média de 120 projetos de pesquisas em diversas áreas, que envolvem seres humanos, chega mensalmente à Comissão Nacional de Ética e Pesquisa (CONEP). O órgão, criado em 1996, é vinculado ao Conselho Nacional de Saúde (CNS) do Ministério da Saúde e tem a responsabilidade de examinar os aspectos éticos dessas pesquisas, no Brasil. Um exemplo são os estudos que envolvem o uso de remédios.

Vinculados à CONEP estão os Comitês de Ética em Pesquisa com seres humanos (CEP) das principais instituições de pesquisa do país, como é o caso da PUC-Campinas, uma das pioneiras na região de Campinas, que participa com 30 membros, representando todas as áreas do saber. “Os projetos de mestrado e doutorado da Universidade que envolvem seres humanos passam pelo nosso Conselho de Ética”, explica o Presidente do CEP da PUC-Campinas e  docente da Faculdade de Engenharia Elétrica, Prof. Dr. Davi Bianchini. Os CEP´s avaliam estudos nas áreas de genética e reprodução humana, novos equipamentos, dispositivos para saúde, novos procedimentos, população indígena e projetos ligados à biossegurança.

O Brasil está à frente no controle de ética em pesquisa com seres humanos, se comparado a países da Europa e aos Estados Unidos. Essa é a opinião do Coordenador da CONEP, Dr. Jorge Venâncio, que foi categórico ao afirmar, durante visita ao Campus II da PUC-Campinas, no dia 13 de agosto, que o Brasil não aceita alguns critérios internacionais que desumanizam as pessoas. “Vemos o comércio de células em sites estrangeiros. Material humano sendo vendido? Isso me parece algo pré-histórico”, criticou.

Segundo o representante da CONEP, o Brasil é um grande mercado estrangeiro para a comercialização de medicamentos, o que aumenta ainda mais o papel da Comissão. “Não somos contra as pesquisas. Só acreditamos que é plenamente possível ter desenvolvimento científico respeitando os direitos das pessoas que participam dos estudos”, afirmou.

Em 2012, foi editada a resolução 466 do Conselho Nacional de Saúde, que pretende, segundo o Dr. Venâncio, garantir o direito da pesquisa sem que esse  direito negligencie os direitos das pessoas que participam dos estudos. Confira o texto da Resolução (link) com novas diretrizes para as pesquisas que envolvem serem humanos. A nova resolução, segundo o Coordenador da CONEP, abarca todas as áreas científicas e precisa ser do conhecimento da sociedade.

A palestra do Dr. Jorge Venâncio aconteceu no Campus II da Universidade. Estiveram no evento a Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Dra.Sueli do Carmo Bettinei, o Coordenador Geral de Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, Dr. Alexandre Mota, o Diretor Técnico do Hospital e Maternidade Celso Pierro (HMCP), Dr. Agnaldo Pereira, o Diretor Clínico do HMCP, Dr. Nilton Crepaldi Vicente, o Presidente da Comissão de Residência Médica, Dr. Glauco Penem, o 1º Vice-Presidente do CEP da PUC-Campinas, na área de saúde e pesquisa clínica, Dr. Aguinaldo Gonçalves.

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“Os projetos de mestrado e doutorado da Universidade passam pelo nosso Conselho de Ética”.

 

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Presidente do CEP da PUC-Campinas, Prof. Dr. Davi Bianchini

 

ORIGEM
O reconhecimento mundial sobre a necessidade de existir controle sobre o que poderia e o que não deveria ser feito em pesquisas com seres humanos teve sua origem no pós- guerra (II Guerra Mundial), quando algumas violências contra judeus, por exemplo, foram justificadas como finalidade de pesquisa. Cerca de 50 anos depois, a CONEP foi criada no Brasil, em 1996. Para ter mais informações  sobre a origem do controle ético de pesquisas com seres humanos no Brasil, clique aqui.

“PUC-Campinas foi uma das pioneiras nos Conselhos de Ética da região”

Da esquerda para direita: Dr. Aguinaldo Gonçalves, Dr. Nilton Crepaldi Vicente, Dr. Alexandre Mota, Dra. Sueli do Carmo Bettinei, Dr. Jorge Venâncio, Dr. Agnaldo Pereira e Dr. Glauco Penem.
Da esquerda para direita: Dr. Aguinaldo Gonçalves, Dr. Nilton Crepaldi Vicente, Dr. Alexandre Mota, Dra. Sueli do Carmo Bettinei, Dr. Jorge Venâncio, Dr. Agnaldo Pereira e Dr. Glauco Penem.