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O Avanço Tecnológico e a Sociedade Contemporânea

Por Profa. Me. Sílvia Cristina de Matos Soares – Diretora dos cursos:  Engenharia de Software, Sistemas de Informação e Gestão da Tecnologia da Informação

Mudanças sempre ocorreram, ao longo dos anos, na sociedade. Alguém duvida dessa afirmação? Acreditamos que a resposta a essa pergunta seja “ninguém duvida”. Talvez, há alguns anos, essas mudanças não aconteciam com a velocidade que acontecem hoje. A influência do avanço tecnológico sobre as gerações existentes, provavelmente, não será a mesma sobre as próximas gerações, considerando o crescimento exponencial no uso de tecnologia.

Atualmente, vivenciamos a existência da geração X, que inclui os nascidos no início de 1960 até o final dos anos 70 (às vezes, são incluídos os nascidos até 1982), da geração Y (também chamada Millennial), que inclui os nascidos em fins dos anos 70 e início dos anos 90 e da geração Z (também chamada iGeneration, Gen Z, Plurais ou Centennial), que compreende os nascidos entre o fim de 1992 a 2010. As diferentes características dessas gerações comandam a sua coexistência, que é um desafio para os seres humanos. O modo como cada geração age em relação ao ambiente de trabalho, aos relacionamentos, às relações familiares e à forma de interação com as coisas do mundo são diferentes.  Tais diferenças podem trazer benefícios e conflitos. Quando, por exemplo, a geração mais nova, com uma de suas características, que é a sua maior agilidade para a solução de problemas, consegue ser entendida e apreendida pelas gerações mais antigas, percebemos um ganho, um aprendizado benéfico para a sociedade e para as organizações. Porém, por outro lado, quando as gerações mais antigas se recusam a aprender com os mais novos, devido, também, a uma característica da geração mais nova relacionada à procura de informação imediata e do modo mais fácil e superficial, percebemos a instalação de conflitos, que dificultam o processo de tomada de decisão e o prosseguimento de ações que dependem de um consenso.

A geração Y “trouxe” para a sociedade os indivíduos que cresceram em um momento de prosperidade econômica, de grande avanço tecnológico e que nasceram em um mundo globalizado. Essa geração e a geração Z consomem uma grande diversidade de conteúdo virtual, enquanto as gerações mais antigas tentam se acostumar com os novos tempos. São gerações conhecidas como nativos digitais, familiarizadas com a internet, com os tablets, com o armazenamento em nuvem e estão sempre conectadas.

O fato de os indivíduos terem a necessidade de estar constantemente conectados deu origem a um problema enfrentado pelas gerações Y e Z. Quanto tempo é possível aguentar sem utilizar a internet ou a tecnologia sem sofrer com a abstinência? A resposta a essa pergunta constata a existência do problema, hoje chamado de nomofobia (uma abreviação, do inglês, para no-mobile-phone phobia). Esse termo é utilizado para descrever o pavor de não ter o celular disponível, ou seja, está relacionado à dependência tecnológica ou ao uso problemático do telefone móvel.

Ao mesmo tempo que a sociedade descobre um novo problema relacionado à saúde, essa dependência da tecnologia gera uma grande demanda por informações que, por sua vez, aumenta a necessidade de novas tecnologias para armazená-las, guardá-las, buscá-las e utilizá-las em benefício do ser humano. Os cientistas fazem uma previsão sobre um futuro tecnológico próximo, por volta de 2045, relacionado à singularidade das máquinas. Nesse futuro, a tecnologia terá avançado no sentido de possibilitar às máquinas serem mais inteligentes que os seres humanos. Enquanto esse futuro próximo está por vir, temos o desafio de tentar manter o equilíbrio para o uso das tecnologias, com o foco em seu uso para o benefício da sociedade.

A dignidade e a vocação da mulher: um olhar antropológico à luz da Revelação

Por Prof. Me. Lúcia Maria Quintes Ducasble Gomes – Professora das Faculdades de Teologia, Biblioteconomia, Ciências Biológicas, Medicina e Enfermagem da PUC-Campinas

O Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 08 de março, retoma importantes discussões sobre o lugar da mulher na sociedade contemporânea. Apesar de indiscutíveis conquistas terem sido realizadas nas últimas décadas a favor da mulher, um longo e árduo caminho terá que ser percorrido até que a mulher seja considerada a altura de sua dignidade. Do ponto de vista teológico, “a estrada do pleno respeito da identidade feminina passa pela Palavra de Deus, que identifica o fundamento antropológico da dignidade da mulher, apontando-o no desígnio de Deus sobre a humanidade” (JOÃO PAULO II. Carta às mulheres, n.6). Compreender a razão e as consequências da decisão do Criador de fazer existir o ser humano permitirá reconhecer à dignidade e a vocação da mulher, como também falar da sua presença na sociedade e na Igreja.

No livro do Gênesis 2, 18-25, a mulher (‘iššah) é criada por Deus da costela do homem (‘iš)”, porque não era bom que o homem estivesse só (cf. Gn 2,18))  e é colocada como um outro eu, sendo imediatamente reconhecida pelo homem “como carne da sua carne e osso dos seus ossos” (Gn 2, 23). Esta passagem bíblica indica que o homem existe somente como “unidade dos dois” e, enquanto imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 27), inaugura a definitiva auto revelação de Deus uno e trino, unidade viva na comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo (cf. JOÃO PAULO II, Carta Apostólica Mulieris dignitatis, n.7). O texto bíblico deixa claro a igualdade existente entre o homem e  a mulher. Contudo, quando a “unidade dos dois” é descumprida e de um algum modo prejudica a mulher, o ato em si impacta a dignidade do homem. “Efetivamente, em todos os casos em que o homem é responsável de quanto ofende a dignidade pessoal e a vocação da mulher, ele age contra a própria dignidade pessoal e a própria vocação” (JOÃO PAULO II, Carta Apostólica Mulieris dignitatis, n.10). A reflexão teológica ainda afirma que o ser humano, tanto homem como mulher, é a única criatura na terra que Deus quis por si mesma; ao mesmo tempo, precisamente esta criatura única não pode se encontrar plenamente senão por um dom sincero de si mesma (cf. CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Pastoral Gaudium et spes, n.24).  Esta afirmação, de natureza ontológica, indica a dimensão ética da vocação de todo ser humano. Assim, a mulher não pode se encontrar a si mesma, viver a sua vocação e a sua dignidade senão na perspectiva da doação. Nesse contexto,  Maria, máxima expressão do gênio feminino, com o seu sim à Deus se torna modelo de mulher e realização do ser humano, isto porque “ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher” (Gl 4,4), manifestando a singular dignidade da mulher adquirida na elevação sobrenatural à união com Deus, em Jesus Cristo, que determina a finalidade da existência de todo homem (cf. JOÃO PAULO II, Carta Apostólica Mulieris dignitatis, n.4).

A dignidade da mulher testemunha o amor que ela recebe de Deus para, também, ela amar. Nesse sentido, “o paradigma bíblico da mulher revela a verdadeira ordem do amor que constitui a vocação da mesma mulher e que por fim se concretiza e se exprime nas múltiplas vocações da mulher no mundo e na Igreja” (cf. JOÃO PAULO II, Carta Apostólica Mulieris dignitatis, n.30).

Integração Graduação e Sociedade

Por Caio de Souza Ferreira e Rafael Souza de Faria

Visando inserir o aluno no mundo do trabalho, com a abordagem de problemas reais, a Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD), por meio do Grupo de Trabalho “Integração Graduação e Sociedade”, busca e coordena parcerias com instituições públicas e privadas de modo a proporcionar que os alunos da PUC-Campinas possam exercitar seus conhecimentos em contextos existentes no mundo do trabalho, visando assim o benefício mútuo entre as partes. Constam, aqui, os resultados recentes das duas principais parcerias em funcionamento, com a Secretaria Municipal do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SVDS) e com o Ministério Público Federal (MPF).

A parceria com a SVDS trouxe muitos frutos no ano de 2016. Foram desenvolvidos vinte e cinco estágios supervisionados, sete trabalhos de conclusão de curso e dois projetos de extensão, envolvendo mais de cinquenta alunos, de quatro faculdades diferentes. Todos estes trabalhos trouxeram uma oportunidade única aos alunos participantes de terem contato direto com situações reais da esfera política ambiental de nosso município e de terem acompanhamento de um coorientador / cossupervisor membro do corpo técnico da SVDS. Temas como monitoramento de áreas degradadas, revegetação de matas ciliares, certificação de construções sustentáveis, amenização das ilhas de calor e propostas de parques lineares estiveram em pauta nos trabalhos desenvolvidos. Nas palavras do Secretário Rogério Menezes, “a parceria da Universidade com a Secretaria tem enriquecido muito o trabalho da SVDS. Essa relação é uma oportunidade de formar futuros técnicos e vê-los integrados à equipe da Secretaria”.

A parceria com o Ministério Público Federal (MPF) não foi diferente e também trouxe muitos resultados importantes para a PUC-Campinas e uma ampla gama de participantes. Sete faculdades participaram da parceria, envolvendo mais de setenta alunos com Trabalhos de Conclusão de Curso e mais de setenta alunos com Estágios Obrigatórios, além de mais de trezentos alunos de disciplinas curriculares que tiveram uma abordagem prática de seu conteúdo teórico envolvendo um problema de interesse do MPF, como foi o caso do georreferenciamento das unidades escolares do município. Outros temas, como projetos de sistemas construtivos para o sistema prisional, atendimento odontológico e psicológico aos prisioneiros, atuação da fisioterapia no serviço de saúde, trouxeram experiências ímpares aos alunos da PUC-Campinas, preparando-os de maneira diferencial para sua atuação profissional.

Balanço das parcerias apresentado pelo Pró-Reitor de Graduação, Prof. Dr. Orandi Mina Falsarella/ Crédito Álvaro Jr.

Novas parcerias vêm sendo aprovadas e almejam aumentar o número de possibilidades de aprimoramento da Graduação. Para o ano de 2017, está prevista a formalização das parcerias com a Mata Santa de Santa Genebra, com o Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira, com o Instituto Padre Haroldo e com a Secretaria Municipal de Comunicação de Campinas. Os docentes integrantes deste grupo gestor, se colocam à disposição para orientação sobre os procedimentos para participação nas parcerias existentes e para a constituição de novas parcerias.

Prof. Dr. Rafael Souza Faria leciona na Faculdade de Ciências Biológicas, na Faculdade de Engenharia Ambiental e na Faculdade de Engenharia Civil. 

Prof. Me. Caio de Souza Ferreira leciona na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo

Confira as demais reportagens sobre a parceria, clicando aqui e aqui. 

Profa. Dra. Mariangela Cagnoni Ribeiro

(Coordenadora de Graduação) – cagnoni@puc-campinas.edu.br

Prof. Caio de Souza Ferreira

(Coordenador do Grupo) – caio.ferreira@puc-campinas.edu.br

Prof. Rafael Souza de Faria – rafael.faria@puc-campinas.edu.br

Profa. Luciana Gurgel Guida Siqueira – lgurgel@puc-campinas.edu.br

Prof. José Antonio Bernal Fernandes Olmos – olmos@puc-campinas.edu.br

Profa. Cristina Reginato Hoffmann – hoffmann@puc-campinas.edu.br

A hora e a vez de mercadejar

Por Wagner Geribello

O Novo Aurélio, Dicionário da Língua Portuguesa, dedica treze linhas ao verbete natal, classificado como adjetivo que identifica local de nascimento, substantivo que define data de nascimento e, restritivamente, “Dia em que se comemora o nascimento de Cristo (25 de dezembro)”.

Em artigo estampado nesta edição do Jornal da PUC-Campinas, o Professor Vinicius Ferrari mostra que, contemporaneamente, natal (e o Natal) não se identifica com as ordenações lexicográficas do termo, nem com o sentido religioso da data, reduzindo-se ao objetivo consumista daqueles que compram, articulado com a avidez lucrativa de outros que vendem, confirmando análises reveladoras (de Herbert Marcuse, por exemplo) da perversa capacidade capitalista de incorporar, transformar e aproveitar em favor próprio tudo quanto existe, incluindo, até mesmo, aquilo que, por princípio e em princípio, questiona e antagoniza o próprio capitalismo.

Todavia, como não existe prática social inconsequente nem decisão pessoal inócua, a materialização econômica, substituindo manjedoura por festival de vitrinas, solidariedade pela troca de presentes e o simbolismo da guirlanda pelo frenesi do cartão de crédito acaba por deixar a gruta do recém-(re)nascido vazia e vazio de sentido o Natal verdadeiro, explicitado no Aurélio.

As consequências dessa “economização” são profundas, amplas e drásticas, seja porque estimulam o materialismo que “desumaniza” a sociedade, seja porque acentuam as diferenças que antagonizam os seres humanos, seja ainda porque afastam as pessoas das origens culturais e das convicções religiosas.

Não são poucos nem desconhecidos estudos e análises que associam a materialização exacerbada das sociedades à deterioração das condições de vida. Rompimento de laços afetivos, solidão e sectarismo são apenas alguns exemplos dos problemas afetos às sociedades excessivamente materialistas, que formalizam o relacionamento entre as pessoas pela redução de tudo e todos à instância econômica, definida pelo binômio produzir/consumir.

Análises comparativas mostram que relacionamentos intermediados pela oferta e recebimento de bens “presenteáveis” tendem a reduzir, inversamente, suas instâncias afetivas. Por exemplo, nas sociedades consumistas é possível observar a substituição dos relacionamentos de fraternidade e solidariedade pela troca de presentes no dimensionamento das interações de amizade e companheirismo.

Mesmo nas instâncias mais sólidas, que envolvem relacionamento de sangue, presentear acaba orientando modos e práticas de autovalorização e valorização do outro, como as crianças que avaliam a família (e o Natal em família) a partir dos presentes que ganham, ou deixam de ganhar.

Criar e exacerbar diferenças valorativas também figuram entre as consequências da redução unilateral do Natal à instância econômica. Para tanto, não é preciso ir além do modo como o valor de troca (leia-se preço) dos presentes ofertados e recebidos impacta na hierarquização das pessoas e dos relacionamentos. Nesse sentido, o Natal, idealmente identificado com união e igualdade, acaba separando a sociedade em castas e colocando “cada qual no seu lugar” a partir do ordenamento simbolizado nos presentes.

O rompimento dos laços com a herança cultural também aparece entre os efeitos negativos provocados pelo consumismo, em primeiro lugar porque ele próprio, enquanto mote de todas as intenções natalinas, é alienígena, culturalmente falando. Como demonstra com bastante precisão o artigo do Professor Vinícius Ferrari, a “economização” do período natalino tem data de nascimento e local de origem, de onde foi exportada para se impor como tendência universal. Aqui, nas terras brasileiras, é possível observar com muita clareza o abandono das celebrações religiosas e familiares em favor das excursões ao shopping, bem como mudanças consequenciais diversas, como a troca do presépio pela simbologia estrangeira dos bonecos de neve e gorrinhos de frio, inversos e adversos ao verão dezembrino do hemisfério sul.

A mercantilização domina, também, a própria avaliação do Natal, que é bom quando crescem os índices e os gráficos da atividade econômica, caindo para sofrível ou ruim quando badulaques e bugigangas destinados ao redor da árvore de Natal ficam entulhadas nas prateleiras. Nos tempos que precedem e sucedem o Natal, a mídia reporta com relativa fidelidade e os estardalhaços de praxe essa indissociável relação entre a variação das cifras econômicas e o consequente “valor” do Natal.

Assim, embrulhado para presente e precificado pelo oportunismo, a cada ano um pouco mais, o Natal se afasta do que deveria ser, para ser o que nunca pretendeu: hora e vez  de mercadejar.

Prof. Dr. Wagner Geribello / Álvaro. Jr.
Prof. Dr. Wagner Geribello / Álvaro. Jr.

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Prof. Dr. Wagner Geribello é Consultor do Jornal da PUC-Campinas

Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade

Integrando as comemorações dos 75 anos da PUC-Campinas, a Universidade realizou de 7 a 10 de novembro de 2016 o Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”

 

Por Amanda Cotrim

O Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade” proporcionou um debate importante e cada vez mais necessário para a sociedade: a valorização do ser humano e o papel da Igreja diante desse tema. O evento, organizado pelo Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas, aconteceu no Auditório Cardeal Agnelo Rossi, no Campus I, e contou com conferências e mesas-redondas as quais discutiram temas como História e Conceitos Fundamentais, Justiça e Paz, Ciência, Fé e Transcendência, o Bem Comum e a Dignidade Humana e o Mundo contemporâneo.

A abertura do evento recebeu a Conferência “A Doutrina Social da Igreja: História e Conceitos Fundamentais”, ministrada pelo Bispo da Diocese de Jales, Dom José Reginaldo Andrietta, com mediação do Prof. Dr. Pe. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves.

O Bispo de Jales elogiou a iniciativa da PUC-Campinas em discutir o tema da Doutrina Social e ressaltou a importância da aproximação do mundo acadêmico com a realidade social, em todas as suas circunstâncias. Segundo ele, é nesse sentido que sua conferência contribui para pensar o papel da educação e da universidade.

Nos dias que se seguiram, os participantes também puderem acompanhar a Conferência do Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão-Chanceler da PUC-Campinas, Dom Airton José dos Santos, a qual contou com a mediação do Prof. Dr. Peter Panutto, intitulada “A Doutrina Social da Igreja: Justiça e Paz”.

Na oportunidade, Dom Airton enfatizou a importância e a necessidade da universidade católica para o convívio social. “Precisamos pensar qual sociedade estamos construindo, para que ela, sim, seja digna do ser humano e não o contrário, pois todas as nossas ações devem ter em vista o ser humano, uma vez que o pensamento social da Igreja traz o humanismo como alicerce”, defendeu Dom Airton.

O Grão-Chanceler da PUC-Campinas também destacou que a justiça se mostra fundamental na contemporaneidade. Para ele, a justiça se exerce diante de pessoas concretas e não de protocolos. “Só há justiça quando há solidariedade e amor”, justificou.

O público também pode conferir a mesa-redonda “Ciência, Fé e Transcendência”, ministrada pelo Prof. Dr. Ir. Clemente Ivo Juliatto, da PUC-Paraná, e pelo Prof. Dr. Newton Aquiles Von Zuben, da PUC-Campinas, com mediação do Prof. Dr. Glauco Barsalini, da PUC-Campinas.

Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade”  - Conferência – “A Doutrina Social da Igreja: História e Conceitos Fundamentais” Dom José Reginaldo Andrietta – Bispo da Diocese de Jales
Doutrina Social da Igreja foi o tema do Colóquio da PUC-Campinas/ Crédito: Álvaro Jr. 

O evento, segundo o Coordenador do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências da Religião, Prof. Dr. Pe. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves, realçou a relação Igreja e Sociedade, mostrando, assim, a tradição eclesial, confirmada no Concílio Vaticano II. “O tema do Colóquio toca em questões pertinentes do ponto de vista mundial, mas também nacional e local, como, por exemplo, o tema da paz, do trabalho, da propriedade privada e da liberdade religiosa. Além disso, o Colóquio teve um caráter interdisciplinar, pois a Doutrina Social da Igreja não se restringe a área da Teologia, mas aborda o Direito, a Economia, as Ciências Sociais, a Filosofia e a Comunicação”, destacou.

Direitos da pessoa humana

O Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade” trouxe para uma das suas mesas-redondas, um tema atual: a discussão sobre os direitos da pessoa humana no contexto dos processos migratórios internacionais. Para esse debate, a Universidade contou com a mesa-redonda “A Doutrina Social da Igreja: o Bem Comum e a Dignidade Humana”, com o Prof. Me. Paulo Moacir G. Pozzebon, da PUC-Campinas, e com Coordenador do Centro de Estudos Migratórios da Missão Paz e docente da Itesp-SP, Prof. Dr. Pe. Paolo Parise, com mediação do Prof. Dr. Pe. Edvaldo Manoel de Araújo, da PUC-Campinas.

Para o Professor Pozzebon, é preciso que os bens e serviços produzidos mundialmente sejam acessíveis a todos os seres humanos, ressaltando a importância do bem comum e os direitos do homem sobre os quais diz o Papa Francisco.

Na mesma linha, porém numa perspectiva específica da imigração, o Coordenador do Centro de Estudos Migratórios da Missão Paz da Igreja Católica criticou o que ele chamou de “lógica sanguessuga”, em que alguns países “sugam” outros em benefício próprio, fazendo referência à exploração da força de trabalho de imigrantes em todo o mundo. “Não podemos pensar que o imigrante é motivo dos problemas das nações, pois esse pensamento legitima a exploração”, destacou.

A última Conferência do Colóquio aconteceu no dia 9, com o tema “A Doutrina Social da Igreja e o Mundo Contemporâneo”, presidida pelo Prof. Dr. Pe. Marcial Maçaneiro, da PUC-Paraná, com mediação do Prof. Me. José Donizeti de Souza, da PUC-Campinas.

O Colóquio teve encerramento com a Celebração Eucarística, em comemoração aos 75 anos existência da Faculdade de Filosofia, presidida por Dom Airton José dos Santos, na Catedral Metropolitana de Campinas.

Para o Vice-Reitor da Universidade e integrante do Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas, Prof. Dr. Germano Rigacci Júnior, o Colóquio “A Doutrina Social da Igreja: Ciência e Sociedade” conseguiu promover uma reflexão sobre sistemas, se relacionando, segundo ele, com a discussão sobre a Encíclica Ladauto Si’, tema discutido no Colóquio do primeiro semestre de 2016, também na PUC-Campinas

Consumo, logo existo

Por Arnaldo Lemos

Um dos objetivos específicos da Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE), neste ano, que tem como lema “Nossa Casa, Nossa Responsabilidade”, é “incentivar o consumo responsável dos dons da natureza, principalmente da água”.

Segundo o documento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a combinação do acesso à água potável e ao esgoto sanitário é condição para se obter resultados satisfatórios também na luta para a erradicação da pobreza e da fome, para a redução da mortalidade infantil e para a sustentabilidade ambiental. Há de se ter em mente que “justiça ambiental” é parte integrante da “justiça social”.

O objetivo da CFE nos leva a refletir sobre a sociedade de consumo e sua aparência. A sociedade de consumo surge mais forte com a Revolução Industrial e se caracteriza, antes de tudo, pela aquisição “do supérfluo”, do excedente, do luxo.

Isso traz, como consequência, a constante insatisfação, a insaciabilidade em que o final do ato consumista é o próprio desejo de consumo. Dalai Lama afirma que, quanto mais você ganha, mais você cria necessidade que antes não existia.

A afirmação de Descartes, “penso, logo existo”, marcou a razão humana como única forma de existência. Por meio da dúvida, segundo o filósofo, você chegaria à conclusão de que você pensa (cogito) e, se você pensa, você existe.

O capitalismo alterou o cogito cartesiano “penso, logo existo” para “consumo, logo existo”. Para existir, precisamos consumir o tempo todo. Telefones celulares, computadores, aparelhos de televisão, câmeras fotográficas caem em desuso e são descartados com uma velocidade assustadora. Mészáros diz que vivemos na sociedade descartável que se baseia na “taxa de uso decrescente dos bens e serviços produzidos”, ou seja, o capitalismo não quer a produção de bens duráveis e reutilizáveis. Bauman conclui que vivemos numa “economia de engano”, pois o capitalismo, ao não querer a produção de bens duráveis e reutilizáveis, utiliza-se da publicidade para convencer o consumidor da necessidade de produtos supérfluos.

Já no século XIX, Karl Marx dizia que o capitalismo nada mais é do que um grande depósito de mercadorias. E o trabalho humano se torna também uma mercadoria, pois se toda mercadoria é produto do trabalho, ao trocar mercadorias, o homem compara trabalho humano. A mercadoria expressa, pois, relações sociais e aparece como uma coisa dotada de valor de uso e de valor de troca. A mercadoria 500,00 se relaciona com a mercadoria menino-que-faz-pacotes. A mercadoria 50,00 se relaciona com uma aula de um professor. A mercadoria 150,00 se relaciona com um dia de trabalho de uma faxineira. Um apartamento estilo “mediterrâneo” é um modo de viver. Uma calça jeans griffe X é uma vida jovem. Tudo vira mercadoria.

E a mercadoria, conclui Marx, torna-se um fetiche assim como o dinheiro também é um fetiche. A mercadoria é um fetiche no sentido religioso da palavra: uma coisa que existe por si e em si. Ela é produzida pelo trabalho humano, mas tal como o fetiche, se desgarra dele e tem poder sobre eles e os domina. E os homens constroem templos de adoração, os shopping-centers, em que vão adorar as mercadorias nas vitrines, como objetos de desejo.

‘O consumo de bens e serviços, muitas vezes supérfluos, tem um significado simbólico. A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da população, nos submete ao consumo de símbolos. O valor simbólico da mercadoria figura acima de sua utilidade. Não se compra uma calça, compra-se uma ‘Calvin Klein’; não se adquire um carro, e sim uma ‘Ferrari’; não se adquire uma bolsa, mas uma ‘Louis Vitton’. Somos dominados pelo fetiche, subordinados e cada vez mais dependentes dele, tal como os crentes diante do sagrado.

Vale a pena lembrar o famoso “passeio socrático”. Sócrates era um filósofo grego que viveu séculos antes de Cristo. Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. E, assediado por vendedores como nós, respondia: ‘Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz’.

Professor Arnaldo Lemos é licenciado em Filosofia, Mestre em Ciências Sociais e docente nos cursos do Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (CCHSA) da PUC-Campinas

 

Uma boa ideia precisa ser útil?

Por Amanda Cotrim

Uma boa ideia só será comprovadamente “boa” se for útil para a sociedade? A ciência precisa, necessariamente, ter uma utilidade para as pessoas? A resposta para essas duas questões pode ser sim, se considerarmos que a utilidade é um ingrediente para que o homem expanda sua interpretação sobre o mundo e sobre si. Mas a resposta também pode ser não, se a utilidade for atrelada a um valor econômico. “A Ciência propõe soluções para os problemas da vida, do meio ambiente, da sociedade. Esses seriam os ideais nobres da Ciência. Mas sabemos que o desenvolvimento da Ciência está associado, também, a interesses econômicos, militares, estratégicos de países, de grupos políticos, etc”, reflete o Pesquisador em Filosofia da PUC-Campinas, Prof. Dr. Douglas Ferreira Barros. Que continua: “No entanto, é preciso pensar que uma parte da Ciência só tem razão de ser quando ela não se preocupa com o princípio de ‘utilidade’, o que lhe garante, em certo sentido, a liberdade de pensar e expandir o conhecimento”.

Prof. Dr. Douglas Ferreira Barros- Crédito: Álvaro Jr.
Prof. Dr. Douglas Ferreira Barros- Crédito: Álvaro Jr.
Prof. Dr. Arlindo Gonçalves Jr- Crédito: Álvaro Jr.
Prof. Dr. Arlindo Gonçalves Jr- Crédito: Álvaro Jr.

Para o Doutor em Filosofia e docente da Universidade, Prof. Dr. Arlindo Gonçalves Jr, diferenciar o conceito de “utilidade” ajuda a compreender o papel da ciência e da tecnologia na sociedade brasileira atual. “O desenvolvimento da Ciência se dá por meio de um método rigoroso e sistemático; é nesse método que encontraremos a primeira instância da tecnologia, como um meio para o seu desenvolvimento e intervenção”, explica. O Pesquisador Barros complementa que a tecnologia tem a finalidade de aplicação em determinado fenômeno social, a exemplo das Engenharias.

“A tecnologia pode viabilizar o conhecimento científico, como aconteceu com o projeto Genoma, no qual o uso da tecnologia foi fundamental para o desenvolvimento da ciência”, exemplifica o Diretor da Faculdade de Ciências Biológicas da PUC-Campinas e Doutor em Biologia, Professor Edmilson Ricardo Gonçalves. “Dessa forma, ao mesmo tempo em que sem a tecnologia a ciência muitas vezes não consegue avançar, os conhecimentos científicos impulsionam a tecnologia para determinada direção, com o objetivo de contribuir para as necessidades da ciência”, completa. Quem também compartilha dessa relação promissora entre tecnologia e ciência é o Doutor em Engenharia Elétrica e Computação, Professor Carlos Miguel Tobar Toledo: “Não existe tecnologia sem ciência. A tecnologia é fundamental para a realização de pesquisas e para que haja produção de mais conhecimentos científicos”.

O Papel das Pesquisas Básicas

Prof. Dr. Edmilson Ricardo Gonçalves- Crédito: Álvaro Jr.
Prof. Dr. Edmilson Ricardo Gonçalves- Crédito: Álvaro Jr.

Para que o conhecimento científico e tecnológico se desenvolva são fundamentais as chamadas “pesquisas básicas”, isto é, conhecimentos originais que contribuem para o desenvolvimento da ciência, seja para ampliar suas próprias possibilidades ou para a revisão dos seus fundamentos. “As pesquisas básicas geram conhecimentos que podem ser aplicados, mas não necessariamente o são. A doença precisa de um diagnóstico, mas, antes disso, é necessário entender a doença, que é básica. Só com o conhecimento básico é que é possível desenvolver uma técnica para diagnosticar a doença”, explica o Diretor da Faculdade de Ciências Biológicas. “A principal característica da pesquisa básica é que ela está interessada em ampliar os horizontes sobre determinados fatos, fenômenos e dados. Não necessariamente tem uma finalidade aplicativa. Sua razão de existir é para ampliar as fronteiras do conhecimento estabelecido”, explica o Pesquisador Douglas Barros.

Seja o conhecimento básico ou complexo, é possível aplicar o conhecimento científico na vida das pessoas, de forma concreta; essa é uma das funções das ciências aplicadas, que possuem, por sua vez, “uma relação estreita com a produção de tecnologias, sendo seus métodos mais de natureza empírico-experimental”, complementa Arlindo Gonçalves Jr. Um exemplo é o Direito, considerado uma ciência aplicada, mas fomentada por áreas como filosofia, história e política.

Para o Diretor da Faculdade de Ciências Biológicas, é compreensível que a população de modo geral ache a ciência algo abstrato. No entanto, quando a tecnologia é aplicada no dia a dia das pessoas, segundo ele, a sociedade consegue enxergá-la melhor e percebe a sua importância. “Mas isso não quer dizer que por trás não exista uma pesquisa básica e teórica que embasou aquela tecnologia. Ela só não é possível ser vista. Mas existe”, acrescenta. “O trabalho dos cientistas pode ser estar isolado, mas nunca uma pesquisa científica está isolada de um contexto maior, no qual a Ciência se insere no mundo contemporâneo”, ressalta o Filósofo Barros.

A Sociedade e o Conhecimento Científico

Os sentidos de Ciência e Tecnologia são sempre em relação a determinada sociedade. O Brasil, para Gonçalves Jr, ainda não pode ser considerado um país científico, “pois para isso precisaria investir em um modelo suficientemente crítico da própria ciência, a fim de contribuir para o seu desenvolvimento”.

O mais importante, na opinião do professor Gonçalves Jr, é pensar qual é o papel de um país mais tecnológico ou mais científico, no mundo. Países em desenvolvimento e historicamente periféricos, como é o Brasil, sem o impulso de pesquisa básica e aplicada podem contribuir para uma hegemonia de países mais industrializados, sustentada nos poderes econômico, bélico e científico e associado à pesquisas chamadas “de ponta”. “Nesse sistema de tipo “neocolonialista” em termos científicos, o papel de um país “mais tecnológico” e “menos científico” é o de atender demandas que não são as mais urgentes, criar instrumentos, ser criativo sobre os aspectos que não reflitam o aprimoramento da educação dos cidadãos, e, sobretudo, tornar-se consumidor. Caminhamos para atender a uma sociedade globalmente “tecnologizada” em todas as esferas da vida”, critica. “O problema é quando essa imposição reflete a perpetuação da desigualdade”, acrescenta.

Prof. Dr. Carlos Miguel Tobar Toledo- Crédito:
Prof. Dr. Carlos Miguel Tobar Toledo- Crédito: Álvaro Jr. 

A Ciência deve sempre se voltar para as demandas da sociedade, nesse sentido, uma boa ideia precisa ser útil. “Esse é o foco da ciência, o conhecimento dos fenômenos do universo para o benefício da sociedade. O conhecimento científico tem que ser, por natureza, público”, reitera o professor Toledo, Doutor em Engenharia Elétrica e Computação.

O mercado da atenção

Na era da Informação, o usuário da internet tornou-se um produto para as mídias sociais e um consumidor para as marcas. A atenção das pessoas é o bem mais valioso no território digital

 

Por Amanda Cotrim

Na Era da Informação, o bem mais valioso é o seu tempo. Isso mesmo, o tempo que você, leitor, está usando neste momento para acompanhar esta reportagem. Essa tese foi defendida pelo economista e pesquisador do campo da psicologia cognitiva e informática, Hebert Simon, ainda na década de 1970. Simon foi um dos primeiros a descrever o fenômeno da “Economia da Atenção”. Em 2015, o Jornal da PUC-Campinas “confessa que ficará satisfeito”, se você continuar lendo o conteúdo dessa página até o final.

Para disputar a sua atenção, leitor, existem grandes organizações, como Google, Facebook e Youtube,entre outras mídias sociais, que não cobram do seu usuário, oferecem serviços gratuitos, mas vendem a sua atenção para a publicidade. “O usuário na verdade não é mais um usuário, ele é um produto e, às vezes, um consumidor”, explica em entrevista ao Jornal da PUC-Campinas, o ex-aluno da Universidade, formado em Sistemas de Informação, Julio Cunha.

Atualmente, Julio trabalha com marketing digital e é uma das referências no assunto. Segundo ele, as redes sociais captam a atenção do público-produto e as vende no mercado digital. “Tem muitas pessoas que estão ganhando cerca de 100 a 500 mil reais por mês só gravando vídeo no Youtube. São os famosos Youtubers”.

Mapeamento do usuário-produto

As grandes organizações, como Google, Youtube e Facebook, entre outras, analisam por meio de inteligência artificial, tudo o que você, leitor, faz nas redes sociais e, a partir daí, te oferecem uma seleção de postagens que eles entendem que são do seu gosto. Quando você interage, clicando, compartilhando, curtindo ou comentando na postagem, a rede social registra o teu comportamento e procura repetir isso, promovendo um ambiente favorável para que você passe mais tempo na rede.

As empresas devem ter cautela ao publicar conteúdo polêmico ou que “choque” sua audiência- Crédito: Álvaro Jr.
As empresas devem ter cautela ao publicar conteúdo polêmico ou que “choque” sua audiência- Crédito: Álvaro Jr.

E qual é o segredo para que uma postagem tenha a atenção das pessoas na internet? Para Julio, não tem segredo, “precisa ser um vídeo que as pessoas gostem e que gere engajamento”, pontua. “Quem determina o valor que será pago é o anunciante, e vai depender do segmento e da qualidade do conteúdo, quem vai dizer se o post é bom ou não são os usuários-consumidores”, acrescenta.

O Google está programado para realizar uma busca semântica, levando em consideração a região demográfica da busca, o navegador da internet, as buscas que o usuário costuma realizar e o contexto da frase. O tempo de permanência na página, em quantas páginas a pessoa entrou e se ela voltou a repetir a mesma busca, são índices considerados para o aperfeiçoamento da plataforma.

Quando o usuário busca algum produto em um site, essa busca em forma de anúncios vai aparecer tanto no Facebook, Google, blogs, twitter, etc., usando a técnica do remarketing, ou cruzamento de mídias. “Não há nenhuma parceria entre as empresas. Cada uma dessas plataformas tem uma espécie de “chip rastreador”. O remarketing pode representar 30% a mais de vendas para uma empresa”, considera.

“Você é um produto para as mídias sociais e um consumidor para as marcas que anunciam nas redes sociais. O tempo é a grande mercadoria da internet”, esclarece. E diferente das outras mídias, como a televisão e o rádio, na internet não existe horário nobre. “O horário nobre pode ser às 2h da manhã”, completa.

Por que alguns conteúdos viralizam mais do que outros?

A atenção é o bem mais valioso na era da informação- Crédito: Álvaro Jr.
A atenção é o bem mais valioso na era da informação- Crédito: Álvaro Jr.

Para entender as redes sociais é preciso entender o ser humano, acredita Julio. “As pessoas tendem a se sensibilizar com postagens que envolvem crianças e animais, além de conteúdo trágico ou engraçado. Por sua vez, as redes sociais reproduzem mais o que tem mais visibilidade. Então é um ciclo vicioso. Uma causa social tende a unir mais as pessoas, fazendo o conteúdo ‘viralizar’, seja por revolta, raiva ou compaixão”, explica.

Julio alerta, porém, que as empresas e as pessoas devem ter cautela ao publicar conteúdo polêmico ou que “choque” sua audiência. “As polêmicas dividem as pessoas, e para uma marca, uma empresa, um artista, por exemplo, isso não é bom, à medida que ao se posicionar sobre algo, a empresa perde pelo menos metade de um público em potencial”, opina.

Para o especialista em marketing digital, tomar cuidado com o conteúdo da postagem também pode ser uma pista sobre como os grandes jornais brasileiros devem se comportar nas redes sociais. “Por mais que esses jornais tenham audiência e credibilidade, não é qualquer tipo de assunto que as pessoas que estão na internet querem ver. Em minha opinião, os jornais erram nas pautas e acabam não tendo retorno financeiro nas redes sociais, uma vez que jornal vive de anúncio e dentro do Facebook quem vende o anúncio é o Facebook e não o jornal”.

Apesar de a rede social ser usada pelos grandes jornais como ponte para que o internauta acesse seu conteúdo noticiado, é muito difícil, segundo Julio, tirar o usuário da sua zona de conforto, que é a tela da rede social. “E tem outra coisa, a mesma informação que um grande jornal está postando, o outro grande também está postando e o pequeno também está postando. O usuário já tem a mesma informação vinda de sete fontes diferentes. Dependendo do assunto, o usuário não vai sair da sua zona de conforto para acessar a página do grande jornal”. É aí, para ele, que mora o perigo das pessoas compartilharem informações mentirosas, sem checar a fonte.

 A informação na era digital

 Qual seria o caminho da imprensa, então? Julio aposta que os jornais têm de selecionar suas postagens nas redes sociais e não postar todo o conteúdo que está naquela edição, como se o Facebook fosse um “depósito de informação”. “Os jornais deveriam selecionar quais são as manchetes do dia e direcionar esse conteúdo nos horários de pico do Facebook. Em vez de ele colocar 70 postagens no dia, ele colocará 10”.

“As empresas erram em suas estratégicas de marketing, porque a rede social é lugar de gente e não de empresa, por isso elas têm pouco engajamento, no geral. Em minha opinião, os anúncios no Facebook às vezes causam mais repulsa do que engajamento”.

Julio compara as do Facebook com uma praça em que o usuário vai para trocar figurinha com os amigos. “Já o Google seria a biblioteca. Na biblioteca você não sai gritando e sim procurando a informação que deseja; já numa roda de amigos as pessoas falam e/ou gritam. As empresas precisam entender que no Facebook elas estão numa roda de amigos e precisam falar ou gritar juntos a mesma coisa”.

REFLEXÃO INCESSANTE, CONHECIMENTO CRESCENTE

Na parte inicial da Constituição Apostólica Ex Corde Ecclesiae, o Papa João Paulo II faz saber que, à luz da fé, a reflexão incessante sobre o tesouro crescente do conhecimento humano constitui característica essencial das Instituições Católicas de Ensino Superior.

Ao associar essa característica à própria identidade da Universidade Católica, o Papa recorre a dois adjetivos para lembrar, também, a condição de organismo vivo e dinâmico da Academia, na qual a reflexão há que ser incessante, porque o tesouro do conhecimento humano é crescente.

Católica e Pontifícia, nossa Universidade entende e atende as orientações daquela Constituição, à medida que estimula a comunidade acadêmica a refletir incessantemente sobre as contribuições que tornam o conhecimento humano sempre maior do que foi no passado.

Ao cotidiano intenso e dinâmico verificado nos campi, envolvendo, fundamentalmente, aula, pesquisa e investigação, a PUC-Campinas agrega um robusto calendário de eventos, cujo cerne aponta para as vanguardas do conhecimento humano, buscando atualização permanente e visando o exercício constante da reflexão.

Decorrido um quarto de século da promulgação da Ex Corde Ecclesiae, a PUC-Campinas entendeu oportuno e apropriado trazer o próprio documento à reflexão, organizando o Colóquio que polarizou nosso calendário de atividades no mês de maio.

A presença do Prefeito da Congregação para a Educação Católica, cardeal Zenon Grocholewski, bem como o conjunto de professores e teólogos participantes dimensionaram o evento, tanto quanto o fizeram o teor e os temas da programação.

Em si mesmo, o Colóquio mostrou-se suficiente para confirmar quanto e como a PUC-Campinas identifica-se como Universidade Católica e se ajusta ao perfil sugerido para esse modelo de Instituição. Entretanto, no que se refere ao compromisso com a dinâmica, ainda há mais, quando lembramos que o agente responsável pela organização do evento, o Núcleo de Fé e Cultura desta Universidade, tem, ele mesmo, tempo curto de existência – exatos sete meses – e, no entanto, já se mostra à altura de ousar e levar a bom termo realizações como esta, com dimensão internacional e potencial para repercutir enfaticamente na ampliação do conhecimento, em especial aquele focado nas relações entre religião e ciência no âmbito das Instituições Católicas de Ensino Superior.

Marcado por um ritmo intenso de atividades, sintetizadas em conferências e mesas-redondas, o Colóquio extrapolou o tempo e o espaço de ocorrência, à medida que os debates repercutiram em diversos setores da Universidade, abarcaram parcelas mais amplas da comunidade acadêmica, bem como transbordaram para outras instituições e segmentos da sociedade.

Feliz e honrada pela presença das pessoas ilustres que atenderam o convite para atuar no Colóquio, agradecida pelo empenho de todos quanto se envolveram com sua realização e particularmente entusiasmada com o volume e o perfil do público participante, espero que o sucesso seja, também, estímulo para outras realizações capazes de confirmar que a PUC-Campinas está empenhada e envolvida no crescimento constante do tesouro do conhecimento humano e no exercício incessante da reflexão, firmando-se como Pontifícia Universidade Católica que nasceu do Coração da Igreja.

Reitora da PUC-Campinas, Profa. Dra. Angela de Mendonça Engelbrecht

Sabe com quem está falando? O Papel Social do Juiz

 Por Luis Arlindo Feriani

Em um Estado Democrático de Direito, o Juiz é um representante de um dos poderes do Estado, cabendo a ele interpretar a lei, extraindo dela o seu real significado para poder aplicá-la de maneira correta e justa.

O juiz absolutamente distante da realidade vivida no processo transforma-se em verdadeiro “ente inerte”, como se fosse um processador das informações, sem se preocupar com as minúcias do caso concreto, com a efetividade dos direitos e com as garantias fundamentais.

O ativismo judicial defende que o juiz, ao atuar no processo, não deve restringir-se à aplicação da letra da lei, interpretando-a em um sentido literal, e sim interpretando-a com base nos fundamentos constitucionais da justiça social e do amplo acesso à Justiça.

O Profissional não pode esquecer-se de que o exercício do cargo implica responsabilidade não só no processo, mas também pelo respeito necessário ao cargo e à sua função. Se a sociedade exige conduta ética com relação aos ocupantes de cargos eletivos, com veiculação ampla na mídia quando algum ato impróprio é praticado, evidenciando a necessidade de respeito pela função desempenhada, o que é cobrado pela sociedade em geral, o juiz deve ter a consciência de que os ocupantes de cargos do Judiciário não estão longe desse controle, devendo ter respeito pelos cargos que ocupam, os quais também exigem atuação ética, tanto na função de julgador, quanto na vida pessoal, inclusive no que diz respeito às questões financeiras, familiares e comportamentais.

Assim, além da necessidade de ter respeito para com todas as pessoas, sem pretensão de qualquer privilégio em decorrência do cargo, o juiz deve fazer de tudo para não se envolver em polêmicas ou fatos que sejam prejudiciais à imagem do Judiciário.

Sabemos que o juiz não é visto como um ser comum no seu meio social, mas sim, uma pessoa que serve como referência, que deve assumir o compromisso de zelar pela imagem que dele faz a sociedade, para o bem do Judiciário e da própria coletividade. Com efeito, o juiz que vive longe do povo, terá mais dificuldade para a apuração da verdade e a realização da Justiça, comprometendo o prestígio do Judiciário. Pois bem, é necessário quebrar esse padrão de distanciamento, desmistificando a inacessibilidade, sem descurar da conduta ilibada.

No Brasil de nossos dias, em que a revelação diária de tantos casos de corrupção diminuem a confiança da população nos órgãos públicos, necessita-se de pessoas que sejam paradigmas de virtudes, que possam quebrar preconceitos com relação aos sujeitos do Estado, por meio de uma conduta digna de ser seguida. O Juiz pode ser esse sujeito, em que, no âmbito de sua jurisdição, seja respeitado por todos e que inspire a crença no julgamento justo e imparcial do Judiciário.

Feriani é Doutor em Direito Processual Civil pela PUC-SP- Juiz de Direito de Entrância Final Aposentado/ Crédito: Álvaro Jr.
Feriani é Doutor em Direito Processual Civil pela PUC-SP- Juiz de Direito de Entrância Final Aposentado/ Crédito: Álvaro Jr.

Se pensarmos em termos numéricos, é relativamente simples para que isso seja a realidade, uma vez que temos cerca de 10 juízes para cada 100 mil habitantes, ou seja, aproximadamente 20 mil juízes, considerando-se uma população em torno de 200 milhões. No final de 2013, o Conselho Nacional de Justiça divulgou que foram afastados 64 juízes por condutas incompatíveis com o cargo, ou seja, um percentual, de certa forma, bastante pequeno.

Não se pode deixar de considerar que o acesso à magistratura de primeiro grau faz-se por concurso público de provas e títulos, ou seja, o critério é meritório dentro do estado democrático de direito em que vivemos. E, apesar da preocupação das bancas examinadoras com relação à vida pregressa dos candidatos, sempre será possível alguma falha de seleção, como também uma mudança de comportamento do candidato após a sua aprovação.

Pode-se até mesmo deduzir que um juiz ao optar por uma conduta que contraria a ética que norteia a sua elevada função, está comprometendo o estado democrático de direito, porque de forma direta, está incentivando a população, principalmente a mais humilde, a desacreditar na própria Justiça e, consequentemente, a se rebelar com relação ao cumprimento das ordens e determinações judiciais, fazendo assim, com que não se alcance com a celeridade desejada a paz social, que é o primado maior do exercício da jurisdição consagrado na nossa Constituição Federal.

 Prof. Dr. Luis Arlindo Feriani, docente titular de Direito Processual Civil da PUC-Campinas