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A felicidade de contribuir para a transformação social das pessoas

Por Sílvia Perez

“Hoje eu não me vejo trabalhando em uma empresa de fins lucrativos”, com essa frase, a auxiliar administrativo Ana Paula dos Santos Lemos demonstra que o emprego na Organização Não Governamental Grupo Primavera é mais do que um simples trabalho, já se transformou em um propósito de vida.

Ana Paula justifica sua afirmação explicando que por meio do trabalho é possível ver a transformação social das pessoas. “Você vê a evolução das crianças, a postura delas quando entram na instituição e a mudança de quando elas terminam o projeto Jovem Aprendiz.”

A ONG Grupo Primavera atua há 36 anos no Jardim São Marcos, em Campinas, e atende crianças e adolescentes de 06 a 18 anos, moradores de bairros próximos à entidade. Nessas três décadas, são incontáveis as histórias de sucesso registradas pela instituição, uma delas da própria Ana Paula, que chegou ao local ao qual sua filha já frequentava desde os sete anos, depois de ficar desempregada e se surpreendeu com o acolhimento. “Comecei a fazer cursos, participar do grupo de mães e, então, surgiu uma vaga na recepção, depois vim para o administrativo”, conta.

Mas não foi a evolução de carreira que mais marcou Ana Paula, mas sim a mudança pessoal: “Eu nunca acreditei em mim e quando você está com pessoas que acreditam no seu potencial, isso dá um impulso na sua vida, com o apoio do projeto, consegui cursar a Faculdade de Administração”, ressalta.

Quem também viu sua vida ser transformada ao contribuir para a evolução social das crianças, adolescentes e até mesmo das famílias atendidas pelo trabalho da ONG foi a Gestora Executiva do Grupo Primavera, Ruth Maria de Oliveira, que trabalha há 13 anos na entidade. “A troca é muito grande, diante da satisfação que eu recebo, acho até muito pouco o que eu faço. É o salário que dinheiro nenhum paga”, revela.

O percurso percorrido ao longo de pouco mais de uma década não foi fácil, logo no início percebeu que teria um grande desafio pela frente: “A primeira coisa que eu identifiquei foi que as crianças e adolescentes não sonhavam, o que contrastava muito com a realidade que eu via ao também dar aulas em uma escola particular, então, começamos a trazer palestras para que as nossas crianças e adolescentes pudessem conhecer a história de vida de pessoas que tiveram sucesso”.

Além disso, foi feito um planejamento para que todos os funcionários pudessem conhecer mais de perto a realidade das crianças e jovens atendidos. “Entendemos que precisávamos olhar essas crianças como crianças. Para isso, fizemos um tour pelo bairro até as áreas mais precárias. Era preciso entender a realidade delas até para poder cobrá-las e planejar nosso trabalho para dar condições para elas reescreverem as suas histórias, por isso, conhecer o contexto é tão importante”, reforça Ruth.

Os resultados de tanto empenho não demoraram a chegar. Algumas das meninas atendidas pela ONG, no passado, hoje trabalham na instituição e agora os sonhos fazem parte da realidade desses jovens que estão por aqui. Um exemplo é Mariane Rodrigues Tomé, de 14 anos, que espera um dia se tornar juíza. “Aqui é a minha família, eles ensinam a gente, mostram como você pode se desenvolver e se comportar depois no trabalho”, afirma.

Fazer o bem faz bem

Para a professora da Faculdade de Psicologia da PUC-Campinas, Profa. Dra. Rita Maria Majaterra Khater, a prática do voluntariado é benéfica. “É muito interessante porque fazer o bem para a sociedade também deixa feliz aquela pessoa que se vê como agente de mudança social”, explica.

Os benefícios desse trabalho foram tema de um estudo de uma universidade britânica, publicado na revista BMC Public Health, que aponta que os voluntários têm uma mortalidade 20% menor quando comparados com os não voluntários.

Depoimentos

 

Elisandra Patrícia dos Santos

Assistente da Diretoria – Grupo Primavera

“Fui aluna do Projeto Pacto, depois fiz colégio técnico e estou há três anos trabalhando aqui. Quando saí não perdi o vínculo, participava de encontros de ex-alunos e assim soube da vaga. É gratificante porque hoje eu tenho a oportunidade de retribuir para outras pessoas aquilo que eu recebi.”

Lais Gonçalves de Lima

Chef de Cozinha – Grupo Primavera

“Fiquei na entidade de 2004 a 2011, depois fui aluna do Projeto Pacto, voluntária e estagiária, há um ano fui contratada como Chef de Cozinha. Aqui para mim sempre foi um bom lugar, um bom ambiente, onde você vê os resultados.”

Josiane Teixeira Pires Brito

Gerente de Produto – Grupo Primavera

“Fui aluna de 1986 a 1993, no ano seguinte fiz estágio e vim trabalhar no Grupo Primavera em 1996. Eu sinto que a gente cresce junto com a instituição, quando a gente vê aquela menina que passou pelo projeto estudou, formou uma família e está dando certo, você vê que com o seu trabalho está transformando vidas.”

O poder transformador da dança

Por Sílvia Perez

A dança é uma linguagem da arte capaz de expressar as mais diversas possibilidades de assimilação do mundo, que consegue aproximar pessoas de diferentes culturas e crenças, rompendo barreiras e superando limites. Nada mais adequado do que fazer da dança uma ferramenta de mudança social, e foi essa a aposta da Associação Beneficente Semear de Campinas, uma instituição filantrópica, com três unidades: Parque Via Norte, Residencial Vila Olímpia e no Centro da cidade, e que atua como um serviço de convivência e fortalecimento de vínculos para crianças e adolescentes de 6 a 14 anos.

A Instituição presta atendimento social e desenvolve atividades socioeducativas para cerca de 300 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, no contraturno do horário escolar, para que eles possam ter novas possibilidades e um futuro melhor. Entre as diversas atividades desenvolvidas pela entidade da unidade Vila Olímpia, a Oficina de Hip Hop ganha destaque. Iniciado há seis anos, o projeto hoje começa a colher os frutos do trabalho, mas o professor de dança, Wellington Rodrigues dos Reis, lembra que o começo não foi fácil “quando cheguei, as crianças e adolescentes tinham muito receio, muitas limitações, aos poucos, foram me conhecendo, ganhando confiança no projeto e tudo foi melhorando”.

Apesar das dificuldades do início, o professor de dança nunca deixou de acreditar no projeto. “Eu também venho de projetos sociais e, por isso, acredito que é possível correr atrás e acreditar nos sonhos. Será difícil, mas não impossível”.

O trabalho diário e persistente, ao longo de seis anos, começou a revelar o poder transformador da dança. “Foi um trabalho de formiga, mas por meio da dança, as crianças começaram a aprender valores como respeitar os colegas, ajudar aqueles que têm mais dificuldade, trabalhar em grupo”, ressalta o professor.

De acordo com a coordenadora geral da Associação Beneficente Semear, Roberta Dantas de Oliveira Santos, que trabalha na entidade há oito anos, os resultados são visíveis. “Quase todas as crianças atendidas aqui participam da Oficina de Hip Hop, que trabalha diretamente a autoestima delas, elas passaram a se conhecer e a se cuidar mais. Além disso, conseguem se expressar melhor por meio da dança. É gratificante”, explica.

O engajamento das crianças e adolescentes e o sucesso do projeto o levou para fora dos muros da Semear, com apresentações em empresas, entidades e até mesmo em um teatro da cidade. “Muitas dessas crianças chegam sem sonhos e com a dança eles passam a enxergar um futuro diferente, dois dos alunos daqui ganharam bolsa para participar de uma companhia de dança profissional. Quando fizemos a apresentação de fim de ano em um teatro, muitas famílias nunca haviam pisado em um espaço como aquele antes. Ver a emoção das mães assistindo ao espetáculo dos filhos levou todos às lágrimas”, destaca Roberta.

Mas a mudança provocada pelo trabalho social não gera resultados apenas nas pessoas e nas famílias que são atendidas pelos projetos, essa transformação acontece em quem atua diretamente com essa comunidade, como destaca a coordenadora Roberta: “Não tem preço o que a gente recebe aqui, ver que os adolescentes que estão saindo hoje são muito diferentes dos que estão entrando agora. Observamos que os casos de bullying caíram muito, assim como a falta de respeito de um com o outro. Eles estão trabalhando as emoções, por meio da educação socioemocional e estão aprendendo a resolver por si próprio seus conflitos”.

Para a psicóloga Profa. Dra. Rita Maria Majaterra Khater, de um modo geral as instituições vêm complementar um déficit na educação pública, que deveria ter mais oferta de ensino em período integral, e que esse trabalho é uma prática de cidadania. “É uma prática de mão dupla porque ela faz o bem para a sociedade, mas também é gratificante para aquela pessoa que se vê como agente transformador dessa sociedade”.

 

 

 

 

 

 

Campanha Solidária de Natal 2016

 

Por Amanda Cotrim

Como Universidade Católica, a PUC-Campinas traz em sua história e identidade confessional uma profunda marca cristã que prima, dentre outros, pelos valores da solidariedade e da cidadania. Por isso, a Instituição decidiu empreender uma Campanha de adesão voluntária, por pessoas que compõem o seu quadro de profissionais e daí surgiu a iniciativa do Natal Solidário, a qual possui consonância com a programação dos 75 anos da PUC-Campinas.

Crianças vibram com personagem/ Álvaro Jr.
Crianças vibram com personagem/ Álvaro Jr.

O Natal Solidário consistiu na adoção simbólica de crianças de duas creches carentes, como incentivo ao exercício cotidiano da solidariedade, aproveitando o espírito natalino que preenche a todos nos últimos meses do ano. As creches escolhidas foram a “Coração de Maria”, no Satélite Iris I, que atende crianças de 1 ano e 10 meses a 5 anos e 11 meses, e a “Cantinho de Luz”, no Jardim Santa Eudóxia, que atende crianças de 2 a 6 anos; ambas em Campinas.

o presente acaba sendo o de menos quando vemos o sorriso no rosto de uma criança por um simples abraço”

Gabriel Lima presenteia a criança adotada por ele e recebe carinho em dobro/ Crédito: Arquivo Pessoal
Gabriel Lima presenteia a criança adotada por ele e recebe carinho em dobro/ Crédito: Arquivo Pessoal

A entrega dos presentes pela Universidade emocionou a todos que estiveram presentes, um exemplo concreto do engajamento social verdadeiramente humanizador, que exercita o amor ao próximo.  Para o Coordenador da Divisão de Recursos Humanos da PUC-Campinas, Lucas Camargo, sempre que as pessoas participam de ações como essa realizada pela Universidade, elas passam a enxergar de forma diferente as dificuldades do dia-a-dia vividas e valorizar o que realmente importa. “Quando as crianças recebem os presentes, elas retribuem com um imenso sorriso no rosto e um abraço interminável de gratidão e alegria”, descreve.

“Essa campanha tem um sentido gigante levando em consideração a quantidade de crianças carentes que existe na cidade inteira. A campanha leva amor para quem realmente precisa; e o presente acaba sendo o de menos quando vemos o sorriso no rosto de uma criança por um simples abraço”, afirma Gabriel Lima, assistente administrativo da Coordenadoria Geral de Atenção à Comunidade Interna. “A sensação é incrível. A minha foto com a criança que adotei explica tudo. Esse, com certeza, foi o melhor abraço que recebi durante todo o ano”, resume.

Coluna Pensando o Mundo: Campanha da Fraternidade 2016

Por Pe. João Batista Cesário

“Casa Comum, Nossa Responsabilidade” é o tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano, animada pelo lema retirado de um versículo da profecia de Amós: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça como riacho que não seca” (Am 5,24). Ecumênica, esta Campanha é organizada pela quarta vez pelas Igrejas que integram o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC -, precedida pelas Campanhas de 2000, 2005 e 2010.

O objetivo geral desta Campanha é garantir o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e comprometer os cristãos, à luz da fé, no empenho por “políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum” (Texto Base CF-2016, n. 26). Dentre os objetivos específicos destacam-se os propósitos de “unir Igrejas, expressões religiosas e pessoas de boa vontade na promoção da justiça e do direito ao saneamento básico; estimular o conhecimento da realidade local em relação aos serviços de saneamento básico; incentivar o consumo responsável dos dons da natureza, principalmente da água; […] acompanhar a elaboração e a execução dos Planos Municipais de Saneamento Básico; […] [e] desenvolver a compreensão da relação entre ecumenismo, fidelidade à proposta cristã e envolvimento com as necessidades humanas básicas” (Id.).

O debate acerca do saneamento básico, proposto para a sociedade pelas Igrejas cristãs envolvidas nesta Campanha, se justifica porquanto, atualmente, “as preocupações no âmbito do saneamento passam a incorporar não só questões de ordem sanitária, mas também de justiça social e ambiental” (Ibid., n.33). E tudo que interessa à vida humana, de igual forma deve interessar à comunidade cristã. Afinal, como ensina o Concílio Vaticano II, as alegrias, esperanças, tristezas e angústias da humanidade, sobretudo dos pobres e daqueles que sofrem, são também as alegrias, esperanças, tristezas e angústias dos cristãos, de forma que não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no coração da Igreja de Cristo (Cf. Gaudium et Spes, n. 1).

Com efeito, alguns dados acerca das condições de saneamento no Brasil são alarmantes. Senão vejamos: de acordo com levantamento do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico (SNIS), de 2013, mais de 100 milhões de brasileiros ainda não têm coleta de esgotos nos locais em que moram; somente 39% dos esgotos coletados são tratados; e diariamente são despejados na natureza o equivalente a 5 mil piscinas olímpicas sem tratamento – a depender da profundidade, uma piscina olímpica comporta aproximadamente 2.500m3 de água! (Cf. Texto Base CF-2016, n. 40)

Além disso, de acordo com o sistema de informações do Ministério da Saúde, DATASUS, em 2013 foram registradas mais de 340 mil internações no país causadas por infecções gastrointestinais, decorrentes das precárias condições de saneamento a que boa parte da população brasileira está submetida.  Em 2014, de acordo com estudo do Instituto Trata Brasil e do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, cerca de 300 mil pessoas se afastaram do trabalho por conta de diarreias resultantes da baixa qualidade do saneamento básico disponível à população, o que implicou a perda de 900 mil horas de trabalho (Ibid. n. 42.97). As crianças são as maiores vítimas da falta de saneamento, uma vez que “substâncias tóxicas e bactérias provocam alergias respiratórias, nasais, intestinais e de pele que vão permanecer com essa criança por muito tempo. As crianças mais afetadas são aquelas que têm entre 0  e 5  anos” (Ibid. 99).

A Palavra de Deus nos ensina que a natureza e todos os elementos criados são dons de Deus e a humanidade é responsável por sua preservação, de forma a garantir o bem comum, a vida abundante para todos. Os profetas bíblicos, como Amós e outros, denunciam a perda da harmonia e do equilíbrio nas relações dos homens com Deus, dos homens entre si e destes com a natureza. Na perspectiva profética, direito e justiça é recolocar as coisas no devido lugar, restaurar a integridade da criação segundo o projeto original de Deus.

Por isso, nesta Campanha, as Igrejas cristãs nela comprometidas, desejam reacender no coração da sociedade o empenho pelo cuidado da criação, como responsabilidade decorrente da fé. Atitudes bem concretas são propostas, como conhecer bem a realidade do saneamento nas cidades em que habitamos; promover educação para a sustentabilidade; conhecer as estruturas legais existentes para poder participar efetivamente do encaminhamento das questões do saneamento; adotar o reuso da água e a utilização da água da chuva; cuidar do manejo dos resíduos sólidos, entre outras.

Enfim, como se canta no Hino da CFE deste ano, “justiça e paz, saúde e amor têm pressa / mas, não te esqueças, há uma condição: / o saneamento de um lugar começa / por sanear o próprio coração”. Trata-se, então, de promover grande mudança de perspectiva na sociedade, de romper com o egoísmo  individualista, para retomar o caminho da solidariedade e do compromisso com o bem comum, do interesse coletivo, da solidariedade comunitária, para garantir direito, justiça e vida para todos!

Pe. João Batista Cesário- Pastoral Universitária

Campanha solidária ‘adota’ crianças da creche “Irmã Maria Ângela”

Corrente de solidariedade envolve comunidade acadêmica da PUC-Campinas

Por Amanda Cotrim

Como Universidade Católica, a PUC-Campinas traz, em sua história e identidade, uma profunda marca cristã, que prima, dentre outros, pelos valores da solidariedade e da cidadania. “Assim sendo, apesar de sabermos que, em várias unidades administrativas e acadêmicas, grupos de funcionários e docentes se unem para ações sociais desse tipo no período natalino, acreditamos que, como Instituição, talvez possamos empreender uma Campanha de adesão voluntária”, explica o Coordenador da Pastoral Universitária, Padre João Batista Cesário. As crianças da Creche Irmã Maria Ângela, localizada na Vila Georgina, em Campinas, foram “adotadas” nesse fim de ano. A entidade cuida de 158 crianças carentes de zero a 6 anos.

Papai Noel interage com as crianças. Crédito: Álvaro Jr.
Papai Noel interage com as crianças. Crédito: Álvaro Jr.

A entrega dos presentes na sede da Instituição aconteceu no dia 15 de dezembro. O objetivo da Campanha Solidária de Natal era “propiciar espaço espontâneo e diversificado de convívio e de integração dos funcionários e docentes da Universidade, por meio da vivência solidária, incentivando cada membro da comunidade interna ao compromisso social em organizações não governamentais que desenvolvem diversos tipos de ações com grupos vulneráveis”, considera o Coordenador da Coordenadoria Geral de Atenção à Comunidade Interna (CACI), Prof. Me. José Donizete de Souza.

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“Adotar” crianças nessa época do ano já faz parte da vida do Coordenador da Divisão de Logística e Serviços, Israel Barros. “Não é a primeira vez que participo desse formato de campanha solidária. Acho importante, porque nos faz sempre lembrar o Aniversariante do dia 25 de dezembro e sua lição de solidariedade”, reforça. O mesmo acontece com a telefonista da PUC-Campinas, Maria de Fátima Silva, que há anos “adota” crianças numa instituição no bairro dela. “Não tem preço a sensação de ter feito o bem para o outro”, resume.

A Diretora Educacional da Creche Irmã Maria Ângela, Elaine dos Santos da Cunha, explica que a entidade desenvolve projetos educacionais multidisciplinares que priorizam a construção de conhecimento pelo “brincar”, tendo como ponto de partida valores morais de respeito ao próximo, ética e cidadania junto  às famílias e à comunidade. “No mês de dezembro, queríamos tornar o Natal das crianças mais alegre com a entrega de presentes, frutos de campanha de solidariedade e arrecadação. Lembramos de que o verdadeiro sentido do Natal é trabalhado intensamente com as crianças”, finaliza.

Mais informações sobre o trabalho desenvolvido pela Creche pelo telefone 3276-0455.

Crônica: Irmãos Haitianos

Por Miriam Guedes Santiago Krindges

Em um belo dia de Inverno, estava eu navegando na internet, quando alguém postou uma informação sobre a chegada dos imigrantes haitianos à cidade de São Paulo e das dificuldades de acomodação e de alimentação pelas quais passavam.

“Desejo que essas pessoas que estão vindo para cá, realizem os seus sonhos” / Crédito: arquivo pessoal
“Desejo que essas pessoas que estão vindo para cá, realizem os seus sonhos” / Crédito: arquivo pessoal

Como boa cristã, quis ajudar, mas, moro no interior do Rio Grande do Sul e, desse modo, fica difícil viajar até São Paulo só pra doar alguns poucos quilos de arroz e um cobertor. Foi quando eu “acordei” e percebi que a “boa cristã” poderia ajudar os haitianos que estão morando há 1 ano aqui bem pertinho, na minha cidade.

Nem preciso dizer como esse despertar foi horrível. Essas pessoas moram aqui bem perto e eu nunca fiz nada para ajudá-las. Mas, dizem que tudo acontece na hora certa e, talvez, agora seja a hora.

Fui até a casa daqueles 29 homens que moram em um antigo hospital. Ofereci-me para dar aulas de Português e a primeira resposta foi: “não podemos pagar”. Prontamente eu lhes disse que não queria receber e que estava fazendo aquilo para ajudá-los.

“Eu aprendo mais com eles do que eles comigo” / Crédito: arquivo pessoal
“Eu aprendo mais com eles do que eles comigo” / Crédito: arquivo pessoal

Os olhos daqueles guerreiros brilharam mais do que os meus próprios olhos quando ganho chocolate do meu marido! Eles ficaram tão felizes que parecia que eu estava oferecendo a melhor oportunidade do mundo. Valeu muito a pena viver para ver esse momento.

A partir daí as coisas só melhoraram. Conseguimos o local, o material escolar e até uma professora de Português de verdade. Meus “alunos” não teriam só uma “professora genérica”. E as aulas começaram.

Essa é a melhor experiência que tive nesses meus 28 anos de vida. Cada aula é um aprendizado. Acho que eu aprendo mais com eles do que eles comigo. São homens sérios, respeitadores, marcados pela vida e cheios de esperança por melhores dias.

Foram dois os acontecimentos que mais me marcaram e fui obrigada a disfarçar para não chorar: o primeiro foi o dia em que um dos mais brilhantes alunos me disse: “já percebi que algumas pessoas não gostaram que viemos pra cá”.

Isso doeu em mim, pois o que ele disse é verdade! Muitos brasileiros não querem a vinda dos haitianos. O mais engraçado é que em um país formado pela “mistura” de tantos povos, somos todos filhos de imigrantes, uns trazidos à força, outros, fugindo da fome, de guerras, e outros em busca de um amanhã melhor.

Esse rapaz, particularmente, tem intenção de ficar no Brasil. Ele perdeu muitas coisas no Haiti, e não somente bens materiais, ele perdeu seus parentes, os amigos, os entes queridos. Talvez, a razão de ele estar vivo é ter vindo para o Brasil. Ele, assim como os demais, não teve opção de escolha, era a única oportunidade de viver, e de garantir a subsistência.

O segundo acontecimento marcante aconteceu quando fui explicar o significado da palavra “solidão”. Estávamos trabalhando o texto da música “Fico assim sem você”, de Claudinho e Buchecha. Um aluno disse: “Solidão é estar longe da nossa família, nem dá para pensar sobre isso. Estamos tão longe, é muito triste”.

Sim é muito triste. Toda a minha família mora em São Paulo, mas eu falo com meus pais todos os dias, nos vemos regularmente e, mesmo assim, sinto saudade do contato físico, do abraço. Esses rapazes haitianos não sabem quando encontrarão seus familiares de novo. Acredito que essa é a maior dificuldade enfrentada por eles. Não ser aceito no Brasil por uma minoria xenofóbica e ignorante é relativamente “fácil”, difícil mesmo é perder um ente querido e não poder se despedir. Com meus alunos estou aprendendo muita coisa boa, principalmente a amar e a sentir orgulho do meu país.

Quando penso que pessoas boas olham para o Brasil e enxergam uma esperança de dias melhores, fico envergonhada da minha ingratidão. Nosso país é lindo e está recebendo de braços aberto pessoas destruídas e ainda oferece a essas pessoas a oportunidade de recomeçar a sua vida aqui, isso é lindo, é maravilhoso!

Desejo que essas pessoas que vêm para o Brasil realizem os seus sonhos, que sejam felizes como eu sou, e que a sua cultura enriqueça ainda mais a nossa cultura e que cresçamos juntos. Que saibamos que o mundo é de todos, pois se não está bom aqui, que as pessoas tenham o direito de ir morar em outro lugar, sem barreiras e sem preconceitos, e que nós nos aproximemos dessas pessoas, pois elas têm muito a nos ensinar sobre sua cultura, suas crenças e seus costumes e, é claro, nós também temos muito a ensinar para eles. Assim, poderemos formar uma sociedade mais pluralista.

Meu discurso não é utópico! Tudo é possível, basta querer! Eu tive vontade de ensinar a língua portuguesa para os haitianos e o faço, com muita alegria. Se você quiser, também poderá ajudar. Isso está no coração de cada um.

Miriam Guedes Santiago Krindges / Crédito: arquivo pessoal
Miriam Guedes Santiago Krindges / Crédito: arquivo pessoal

Tenham todos um Bonjour!

Miriam Guedes Santiago Krindges formou-se em 2010 no curso de Direito da PUC-Campinas

 

Uma geração comprometida com o trabalho voluntário de causas sociais

O que querem os estudantes de universidades católicas? Alunos e ex-alunos da PUC-Campinas mostram que para ajudar o próximo basta ter vontade

Por Beatriz Meireles

Na PUC-Campinas, os alunos e ex-alunos mobilizam sua energia, recursos e competências em prol de ações solidárias, dedicando parte do seu tempo aos Trabalhos Voluntários. Segundo definição das Nações Unidas, voluntário é o cidadão que, motivado pelos valores de participação e solidariedade, doa seu tempo, trabalho e talento, de maneira espontânea e não remunerada, para causas de interesse social e comunitário.

O ex-aluno da PUC-Campinas, Lucas Avelino Faria de 23 anos, foi voluntário no Centro Interdisciplinar de Atenção à Pessoa com Deficiência (CIAPD), durante um ano, entre 2013 e 2014. O trabalho voluntário reforça a solidariedade e contribui para a construção de uma sociedade mais justa e humana. “Sinto-me útil e prestativo. Às vezes um gesto simples para mim pode ser algo significante para quem recebe”, ressalta o jovem. O CIAPD é um Órgão Complementar da Reitoria, vinculado à Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários da  PUC-Campinas, que desenvolve oficinas de caráter interdisciplinar voltadas à inclusão social e à inclusão no mundo do trabalho de pessoas com deficiência. Lucas conta que estar inserido de corpo e alma na causa faz toda a diferença “Lembro-me quando simulamos que nós (voluntários) tínhamos deficiência visual, colocando uma faixa nos olhos. Assim, tivemos a experiência de uma pessoa com esse tipo de deficiência e, ao mesmo tempo, vivenciamos as dificuldades que essas pessoas podem ter no dia a dia.”

Jovens e adultos que são atendidos pelo CIAPD jogam uma partida de futebol (créditos CIAPD divulgação).
Jovens e adultos que são atendidos pelo CIAPD jogam uma partida de futebol (créditos CIAPD divulgação).

O trabalho voluntário estabelece uma relação humana e uma oportunidade para se fazer novos amigos e aprender. Lucas afirma que o trabalho permitiu uma integração entre os cursos e amizade entre alunos e profissionais, além da bagagem de aprendizado que ele vai levar para a vida acadêmica e pessoal “Aprendi a dar valor para as coisas e acreditar mais nas pessoas”.

Segundo a coordenadora do CIAPD, Profa. Dra. Karina de Carvalho Magalhães, “a experiência da prática do voluntariado visa ascender à necessidade de excitar a sociedade à autocrítica e despertar de suas ações, com o objetivo de alcançar uma sociedade mais humana, capaz de respeitar e valorizar a diversidade”.

O trabalho voluntário está em todo lugar. A aluna do Curso de Direito da PUC-Campinas, Lucimara Gimenez Di Fonzo, por exemplo, faz trabalhos voluntários voltados à sua área. Lucimara presta serviços jurídicos para pessoas de baixa renda e para instituições assistenciais. No caso do escritório em que se encontra, atende a Cidade dos Meninos, um abrigo de menores e Promenor, localizada em Indaiatuba e Barão Geraldo, respectivamente. “A equipe do escritório orienta, elabora defesas, faz a audiência, acompanha os processos judiciais cíveis e trabalhistas da entidade”, explica. Lucimara, apaixonada pela advocacia, conta que aprendeu a conciliar estudo e trabalho e a reservar um pouco de tempo para assistir a quem precisa. “Acredito que é muito gratificante poder colocar meu conhecimento e talento para ajudar aqueles que necessitam e não possuem condições de ter acesso a esses serviços”, afirma. “Passei a dar valor para pequenas coisas da minha vida que, na correria do dia a dia, acabavam passando despercebidas”, reconhece.

Juliana Mie em seu trabalho na Sonhar Acordado/ Crédito: Arquivo Pessoal
Juliana Mie em seu trabalho na Sonhar Acordado/ Crédito: Arquivo Pessoal

A atividade voluntária é uma experiência aberta a todos, sendo necessário ter vontade para contribuir e fazer o bem a alguém. A ex-aluna da PUC-Campinas, graduada em Relações Públicas, Juliana Mie Kobata, realiza trabalho voluntário na ONG Sonhar Acordado, desde 2012. A ONG tem como objetivo formar, educar e ajudar a infância mais necessitada por meio de atividades sociais, culturais, esportivas e recreativas, desenvolvendo valores universais, indispensáveis à boa formação de qualquer indivíduo. Juliana é voluntária fixa no programa Amigos para Sempre, que realiza atividades recreativas em instituições carentes de Campinas.

Apesar de não ter remuneração financeira, esse tipo de trabalho é uma via de mão dupla: se doa e se recebe. Juliana conta sobre essa troca “Na minha vida pessoal e estudantil, o Sonhar fez uma grande diferença. Ensinou-me a ser uma pessoa melhor. Os valores que são passados para as crianças também são aprendidos pelos voluntários. Eu sou uma jovem líder em formação, formando jovens líderes para o futuro”.

Vanessa Dias trabalha como voluntária na feirinha de adoção da ONG Xodó de Bicho/ Crédito: Arquivo Pessoal
Vanessa Dias trabalha como voluntária na feirinha de adoção da ONG Xodó de Bicho/ Crédito: Arquivo Pessoal

 Olhar para o lado e ajudar

As formas de ação voluntária são tão variadas quanto às necessidades da comunidade. Cada necessidade social é uma oportunidade de ação voluntária. Basta olhar em volta e dar o primeiro passo, como fez a ex-aluna Vanessa Dias, 21 anos, engajada em outra causa – não menos importante, – a causa animal. Vanessa faz trabalhos voluntários na ONG protetora dos animais “Xodó de Bicho”, na cidade de Jaguariúna. Ela conta que, comovida com a crueldade humana após ver um caso de um cãozinho que foi encontrado em um terreno baldio com óleo quente sobre o corpo, decidiu ajudar “O caso mexeu tanto comigo que procurei a responsável pela ONG e comecei a fazer alguns trabalhos com eles, como ajudar na limpeza semanal e feirinhas de adoção”, conta.

Cada um contribui como pode, com aquilo que sabe e quer fazer. Uns têm mais tempo livre, outros só dispõem de algumas poucas horas por semana. Alguns sabem exatamente onde ou com quem querem trabalhar, outros estão prontos a ajudar no que for preciso, onde a necessidade for mais urgente. Mas a construção do trabalho voluntário é e será sempre a mesma: “Toda experiência é importante e realizar trabalho voluntário é mais ainda, pois você está fazendo algo porque quer fazer, sem pensar em lucro e isso torna tudo muito mais enriquecedor. Fazer o bem é motivador”, finaliza Juliana Mie, voluntária na ONG Sonhar Acordado.

(Edição do texto: Amanda Cotrim)

Mês das crianças no Hospital da PUC-Campinas

MURAL

Para comemorar o Mês das Crianças, o Hospital e Maternidade Celso Pierro, da PUC-Campinas, realizou no dia 10 de outubro a Festa das Crianças. O evento contou com entrega de presentes para cerca de 300 pacientes mirins do Hospital. O objetivo foi garantir momentos alegres e descontraídos para os pais e as crianças que aguardavam atendimento ou estavam internadas. O evento contou com a animação dos Hospitalhaços e dos Griots, Contadores de Histórias.

Confira as fotos do dia!
Crédito: Milca Goulart

Foto: Álvaro Jr.
Mês da Criança no Hospital da PUC-Campinas
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Pais e filho são desenhados por artista
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Pai e filho recebem caricatura no Mês das Crianças
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Presentes para os pacientes mirins do Hospital da PUC-Campinas
Foto: Álvaro Jr. Mês da Criança no Hospital da PUC-Campinas
Hospital da PUC-Campinas comemora o mês das Crianças