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Contra o desperdício de dados na rede

Estudo em Gestão de Redes de Telecomunicações  desenvolve algoritmo capaz de solucionar problemas nas redes de sensores sem fio. Pesquisa faz parte do grande campo da Internet das coisas, prédios e cidades inteligentes

Por Amanda Cotrim

No trabalho desenvolvido por Lucas Leão no mestrado do programa de Pós-Graduação em Sistemas de Infraestrutura Urbana, ele focou seus esforços para solucionar problemas das redes de sensores sem fio em ambientes fechados, a exemplo das redes de wifi e telefonia em escritórios, fábricas, comércios etc. Nesse cenário, as Redes de Sensores Sem Fio (RSSS) sofrem com a constante movimentação de pessoas e de alterações físicas no espaço, como a inclusão ou remoção de móveis e máquinas.

Essas alterações podem causar impactos na qualidade da rede, elevando a taxa de perda de dados transmitidos. Lucas, que teve a orientação do Prof. Dr. Davi Bianchini e do Prof. Dr. Omar Branquinho, verificou que uma possível solução seria a avaliação e redefinição periódica da tabela de roteamento, que é uma espécie de mapa com os caminhos possíveis para a entrega dos dados.

Apesar de importantes para a infraestrutura de uma cidade e fundamental para o ambiente digital, a população, no geral, não consegue detectar no que isso interfere no seu dia a dia. Mas o pesquisador defende que com o “crescimento do desenvolvimento de aplicações da Internet das Coisas, os Prédios Inteligentes e as Cidades Inteligentes podem transformar o modo de vida das pessoas. Não são muitos ainda os Prédios Inteligentes, com sistemas inteligentes de controle de temperatura e iluminação, mas o desenvolvimento da área de Prédios Inteligentes pode fazer com que recursos naturais não sejam desperdiçados, uma vez que a gestão de equipamentos de condicionadores de ar, aquecimento e iluminação pode ser realizada de maneira mais eficaz e inteligente com o uso de sensores sem fio”.

Estudo faz parte da grande área da Internet das coisas- Crédito: Reprodução
Estudo faz parte da grande área da Internet das coisas- Crédito: Reprodução

No projeto, foi desenvolvido um simulador que permitiu verificar o comportamento do algoritmo proposto e avaliar sua viabilidade em um experimento prático. “Foi possível, ainda, fazer um refinamento da proposta, ajustando os parâmetros utilizados no algoritmo. Após uma bateria de testes e redefinições, obtivemos resultados positivos, que nos permitiram avançar para a implementação prática do algoritmo. Nessa etapa, nos dedicamos a transportar para a solução prática toda a experiência adquirida com a simulação. Foram definidos cenários de teste para o experimento prático que permitissem a avaliação da proposta em comparação com uma solução já existente na literatura. Identificamos que o algoritmo de roteamento desenvolvido não só atendia aos requisitos necessários, bem como demonstrava resultados superiores à proposta já existente”, explica.

O pesquisador considera, ainda, que as aplicações de monitoramento precisam ser confiáveis, pois os dados coletados normalmente alimentam processos de tomada de decisão. “Nesse sentido, é importante garantir que os dados transmitidos cheguem com regularidade ao destino final”, finaliza.

Cidade Digital segregada

Pesquisa de mestrado desenvolvida na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo aponta os desafios para a construção de um território digital

 

Por Amanda Cotrim

É possível falar em tecnologia sem falar em infraestrutura? Por acreditar que não era possível, Renato Manjaterra Loner decidiu estudar no seu mestrado esses dois espaços: o eletrônico e o físico, a fim de compreender o conceito de “Cidade Digital”, que tem como mote a inserção do município na sociedade da informação, possibilitando ferramentas digitais como a extensão do modo de vida de seus cidadãos.

Primeiro ponto de wifi do Campinas Digital, na Prefeitura, fica a 500 metros do bairro mais incluído da cidade – Crédito: Álvaro Jr.
Primeiro ponto de wifi do Campinas Digital, na Prefeitura, fica a 500 metros do bairro mais incluído da cidade – Crédito: Álvaro Jr.

“Eu entendo que cidade digital é a cidade onde o cidadão, além de ter acesso às benesses da sociedade informacional, tem condições de usufruí-las”. Sua pesquisa identificou, no entanto, que nem todos têm acesso aos serviços de uma cidade digital. O estudo considerou que a desigualdade no acesso está relacionada a outras desigualdades sociais, como saneamento básico, segurança pública, renda e escolaridade.

A dissertação trabalhou com dois exemplos opostos de inclusão: o bairro Cambuí, o mais incluído, segundo a pesquisa, e o bairro Cidade Singer, na região do Campo Belo, próximo ao aeroporto de Viracopos, como o bairro menos incluído. O critério utilizado pelo pesquisador foi a escolaridade, a quantidade de domicílios com computador conectado à internet e o rendimento familiar, segundo os micro-dados da amostra do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por setor censitário (conjunto de uma média de cem domicílios). “O primeiro ponto de wifi do Campinas Digital, na Prefeitura, fica justamente cerca de 500 metros do setor censitário mais incluído da cidade”, considera Manjaterra Loner.

O estudo criou três mapas da cidade de Campinas, a partir de três segmentos: conectividade, escolaridade e renda. “Em seguida, estabelecemos a média desses três indicadores e produzimos o quarto mapa, que distingue os setores censitários mais incluídos dos menos incluídos digitalmente e informacionalmente. A esse índice dei o nome de Índice de Segregação Digital, que foi composto por uma fórmula parecida com a do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, da ONU)”, compara.

“A concentração de investimentos nos serviços da “cidade digital” obedece à mesma lógica de outros benefícios construídos na cidade, como áreas verdes, saneamento, iluminação, segurança, água, ou seja, são concentrados nos territórios mais ricos. Então, entendemos o motivo da Cidade Singer ser o último território incluído no Programa Campinas Digital. É porque é o bairro mais pobre, carente de outros serviços”, contextualiza.

Renato Mantejarra- Mestre em Arquitetura e Urbanismo
Renato Mantejarra- Mestre em Arquitetura e Urbanismo

O objetivo do estudo, segundo Manjaterra Loner, foi oferecer um subsídio científico para que a construção da “Cidade Digital” pelo poder público se pautasse pela universalização das benesses da informatização do território. “A falta de definição do que seja cidade digital é o que permite que a sua construção se dê ao gosto do gestor ‘da vez’. Com um índice que aponte os territórios mais carentes desse tipo de investimento; a municipalidade pode decidir onde investir”, ressalta.

O trabalho, segundo Manjaterra Loner, oferece à Prefeitura de Campinas um mapa detalhado de onde estão os pontos mais urgentes de investimento público em infraestrutura e tecnologia, para que a população tenha acesso à ‘nova era’. “Agora é possível enxergar onde estão os territórios segregados e formular políticas públicas de inclusão desses territórios”.

 

SERVIÇO

Para ter acesso a pesquisa completa, acesse o link

Ou encontre a pesquisa na Biblioteca da PUC-Campinas. Informações em: (19) 3343-7058

 

 

Universalização do acesso à internet: o longo caminho a conquistar

Por Camila Massaro

Embora os direitos fundamentais do ser humano remontem aos ideais de “liberdade, igualdade e fraternidade” erguidos pela Revolução Francesa, é somente com a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1945, e a promulgação da Declaração Universal dos Direitos do Homem, em 1948, que tais direitos passam a ser referendados pelas nações signatárias, incluindo a liberdade de expressão como direito fundamental.

De lá para cá, o desenvolvimento das sociedades levou a ONU a incorporar novas questões. Com a expansão da internet e das tecnologias de informação e comunicação na década de 1990, a perspectiva era da propagação do acesso à informação, ao conhecimento e aos novos meios de comunicação numa velocidade nunca vista.

Infelizmente, a difusão dessa revolução não ocorreu de forma global, levando a ONU a declarar, em 2011, o acesso à internet como direito básico.

Embora o acesso à internet venha crescendo nos últimos anos, ainda há milhares de cidadãos desconectados mundo afora. Dados da União Internacional das Telecomunicações (UIT – agência da ONU para tecnologias da comunicação e informação) mostram que no início de 2015, dos mais de sete bilhões de habitantes do nosso planeta, pouco mais de três bilhões acessavam a internet.

Além da obtenção de informação e conhecimento, o acesso à internet se configura como meio de exercício da livre manifestação de pensamento e expressão que, no caso brasileiro é garantido pela Constituição Federal. Na atualidade, é também pela internet que vários cidadãos passaram não só a se comunicar, mas também a se organizar a partir de diversas demandas, como nas manifestações de junho de 2013.

Em consonância com o contexto mundial, embora dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontem um aumento de 25,6% de habitantes que acessavam a internet entre 2005 e 2011 no Brasil (passando de 20,9% para 45,6%), mais da metade da população estava desconectada. Além disso, apesar do crescimento nacional, é notória a discrepância regional, tendo o norte e o nordeste com 1/3 de sua população conectada, versus mais de 54% do sudeste em 2011.

Uma tentativa do governo brasileiro de garantir o acesso à internet como direito básico está na promulgação do Marco Civil da Internet em abril de 2014. Fundamentado no respeito à liberdade de expressão, também dispõe sobre as responsabilidades do poder público quanto aos investimentos para assegurar o acesso e uso das tecnologias no país, visando reduzir as desigualdades regionais.

No mesmo ano da publicação do Marco Civil, dados da UIT apontavam 57,6% da população brasileira conectada, deixando o país na 80ª posição no mundo. Embora em comparação a países mais pobres esse percentual seja elevado (em muitos países da África não passa de 2%), não podemos perder de vista que dada a importância da internet nos dias atuais, deixar mais de 42% da população desconectada mostra o quanto ainda é longo o caminho a se conquistar.

 Profª Drª Camilla Marcondes Massaro – Professora do curso de Ciências Sociais da PUC-Campinas.